Título: A Máscara Dourada
Autora: Kwannom
Censura: M
Gênero: Ação/Aventura/Romance
Betas: Winsome Elf (capítulos 1 - 6), Rainien (capítulos 7 - 15 - ?) e Wenont (capítulo 16 - ?)
AVISOS: Violência e sexo explícitos
Disclaimer: Eu não sou proprietária de nada do Senhor dos Anéis. Todos os personagens e nomes de lugares mencionados pertencem a JRR Tolkien. Eu não pretendo, nem estou tendo qualquer ganho financeiro com a criação dessa história. Apesar disso, os personagens originais - Haleth, Siward, Wilrog, Seyton e outros - são meus e ninguém tasca :D
Linha temporal: Ano 3429 da Segunda era, um ano antes da Última Aliança. Universo Alternativo. Seguindo, principalmente, o livro, mas tem um pouco de filme também.
Sumário: Sauron está em posse do Um Anel e a Terra Média está em guerra. Elfos e Homens decidem formar uma aliança contra o Senhor do Escuro e estão procurando por grandes guerreiros provindos das duas raças para liderar seus exércitos. Estes guerreiros são Os Escolhidos. Haldir é então enviado para vigiar um guerreiro humano chamado Máscara Dourada e provar que o Homem pode ser um desses líderes. Nesse meio tempo, Haldir tem que se preparar para a batalha de sua vida e lidar com a descoberta de algo que vai mudar o futuro.

NOTA DA AUTORA

Oi gente! Eu devo avisar que este novo capítulo é quase todo sobre... Wilrog. Então vocês que são fãs das cenas entre Haldir e Haleth podem lê-lo ou esperar pela próxima atualização. E eu aviso também que este é um pedaço bem sombrio da história! Para vocês terem uma idéia, eu tive que encontrar um jeito para ficar deprimida enquanto estivesse escrevendo isso, acreditem. E a luta para fazer alguém que já foi bom ficar mau... Engraçado é que só enquanto eu estava traduzindo este capítulo é que eu percebi o total sentido do que eu tinha escrito. Realmente, eu sou muito cruel. É culpa dos livros do Bernard Corwell e do Musashi! Ah, e do Noah Gordon também! A música que me ajudou a escrever essa tragédia grega foi Bottom, do Puddle of Mudd. Aproveitam o passeio... se conseguirem ;)

Agradecimentos a:

Minha beta Rainien, por ter me dado apoio moral para escrever este capítulo. Ela simplesmente seja cruel e não tenha pena. Ai ai, acho que não devia ter dado ouvidos a isso hehehe I'm kidding, Bekki!

Myri, por incentivar a produção de fanfics brasileiras de qualidade. Se não fosse por ela, acho que nem metade dos escritores estava tão empenhada em escrever suas histórias! Leiam Daror e Míriel, da Myri. É um romance simples, mas extremamente exótico. Não é todo dia que se vêem enredos com os Haradrin, não é mesmo?

Regina: pois é, como eu te expliquei, Haleth não é filha de Glorfindel :D Ela é filha do Deus Oromë com uma humana, Dian, a mulher de Hamá. Tadinho do bichinho, foi traído pela mulher que amava...

De volta à história...

Bottom

By Puddle of Mudd

"Lord can you help me get this weight off my shoulders
Can you help me I think I'm getting older
The pain that you left me deep within
How can I live living in sin
And you know that I've tried
And you know
Lord knows I've tried every day of my life
Sitting at the bottom with you
Sitting at the bottom with you
I'm just sitting at the bottom with you"

"Deus você pode me ajudar a tirar este peso de meus ombros
Você pode me ajudar eu acho que estou ficando velho
A dor que você deixou bem dentro de mim
Como eu posso viver vivendo em pecado
E você sabe que eu tentei
E você sabe
O Senhor sabe que eu tentei cada dia da minha vida
Sentado no fundo do poço com você
Sentado no fundo do poço com você
Eu estou apenas sentado no fundo do poço com você

TRAIÇÃO

Gorbag estudou a reação de Wilrog com bastante interesse. O garoto parecia ter congelado no lugar, as mãos tremendo e o rosto pálido. Uma gota de suor começou a brotar em sua testa. A fera mostrou os dentes amarelos para o garoto num sorriso maligno. É hora de fazer o que o nosso Senhor do Escuro deseja. É hora de testar o garoto.

"Vamos indo, Mestre, ou nossas presas irão escapar," disse enquanto ia buscar um Warg. Ele não deveria dar tempo para o garoto pensar.

Wilrog entrou em pânico. O que ele ia fazer agora? Pense, seu bastardo, pense! Ele tinha que arranjar uma idéia para impedir que os Orcs atacassem o acampamento da família. Infelizmente, sua mente parecia ter entrado em colapso e nenhum pensamento racional nem sequer passou perto do que ele poderia ter chamado, antes, de uma mente brilhante. Pelas bolas de Morgoth, no que eu fui me meter?

"Não..." ele começou numa voz vacilante. "Quero dizer, nós vamos ficar aqui, porque... Porque... Eu digo que é para ficar!" Wilrog cerrou os punhos, tentando parar o tremor que sacudia suas mãos. Merda, estou morto! Eles vão descobrir que estou mentindo! Estou morto! Morto!

Gorbag, agora montado em seu Warg, se aproximou do garoto. Ele fechou os olhos de prazer quando a proximidade permitiu que sentisse o doce cheiro de medo que Wilrog exalava. A montaria fétida de Gorbag também sentiu aquele cheiro e grunhiu para a criatura humana à sua frente.

"Não," disse Gorbag. "Nossos suprimentos acabaram e não tem nada mais delicioso do que um cozido de carne humana. Isso costumava ser sua comida favorita. Você não sente mais vontade de comê-lo?"

O Orc sorriu abertamente, deixando os dentes podres à mostra e fazendo com Wilrog se encolhesse um pouco diante daquela visão horrível. O garoto olhou ao redor, sentindo os olhares de todas as feras recaírem sobre ele. Os olhos de Wilrog se moviam de dentes podres, para sorrisos malignos, e então para as mãos deformadas que estavam perigosamente perto das armas mortíferas. Wilrog engoliu em seco, o medo tomando conta dele. Ele sentiu seu corpo ficar frio diante da idéia de morrer.

Mas desde quando o temível Wilrog tinha começado a ter medo da morte?

O garoto sacudiu a cabeça, tentado clarear a mente. Sua cabeça começou a doer. Havia algo errado, ele não era o mesmo. Ele estava mudado. E sabia que para pior. Wilrog levantou a cabeça e seus olhos encontraram os de Gorbag. Só agora o garoto percebia como o Orc estava perto dele, o círculo das feras observadoras se fechando ao seu redor.

"O que está fazendo você levar tanto tempo para responder?" perguntou o monstro em seu tom de voz duro.

Wilrog encarou o olhar maligno do monstro e tomou sua decisão. Ele queria viver. Sua vida era mais importante do que a de qualquer outra pessoa.

"Estava me lembrando," começou Wilrog, sua voz firme dessa vez, "que a carne de um bebê é ainda melhor do que a de um Homem crescido. Vamos andando."

Gorbag grunhiu de satisfação e começou a gritar com os outros Orcs.

"Vocês não ouviram o que o nosso Mestre disse? Movam esses traseiros fedorentos, seus montes de vermes!" Depois de dizer aquelas palavras, Gorbag virou sua face grotesca para Wilrog." Você deveria montar um Warg, Mestre; o acampamento é um pouco longe."

Wilrog olhou para o monstruoso Warg na frente dele, um líquido putrefato estava pingando das presas afiadas em sua boca.

"Você está certo. Me dê o melhor Warg que tiver," ele finalmente conseguiu dizer.

"Então, que assim seja, lhe trarei nosso melhor Warg."

Eles partiram na direção de seus alvos. O bebê chorou mais uma vez à distância, fazendo com que uma vontade de vomitar se formasse no fundo do estômago de Wilrog. O que foi que eu fiz? Ele se perguntou, sua resolução morrendo com aquele som perturbador.

H&H&H&H

Haleth esquadrinhou a área à sua frente com um olhar preocupado no rosto. Os batedores ainda não tinham retornado com novidades sobre a trilha que os Orcs tinham deixado. Vamos lá, onde vocês estão... Ela levou a mão ao peito inconscientemente, um gesto que a tinha acompanhado durante todo o dia. O coração de Haleth tinha começado a doer estranhamente desde aquela manhã, aumentando sua preocupação.

Algo de terrível estava para acontecer, algo diferente do sentimento do próprio perigo, era mais como uma premonição. Entretanto, ela não conseguia adivinhar o que era. Haleth olhou para Siward, que estava envolvido em uma conversa com Seyton ao seu lado. Ela podia ver pelo rosto deles que os Homens estavam cansados. E ela estava ficando enraivada e frustrada.

O sol estava se pondo mais uma vez e o céu limpo estava prometendo neve para mais tarde, então não seria bom que o mau tempo os pegasse antes de montarem o acampamento. Haleth saiu da estrada e mergulhou fundo na floresta, procurando pela clareira que sabia estar ali. Depois de algum tempo ela fez sinal para a companhia parar. Todos os Homens e Elfo estancaram seus cavalos, a respiração pesada dos animais fazendo uma cortina de fumaça morna no frio ar noturno.

"Nós vamos parar por hoje. Há algo perigoso no ar. Nós devemos ser ainda mais cautelosos."

Os Homens lançaram olhares preocupados para ela e foram preparar o acampamento. Todos eles estavam aliviados porque tinham parado.

Haleth percorreu o campo, procurando por inimigos que pudessem estar escondidos. Somente quando viu que estavam seguros e que ela se encontrava sozinha é que Haleth desmontou Dernhelm. O movimento a fez se encolher de dor. Ela pôde senti-la de novo, a garra fria do medo congelando seus pulmões e a impedindo de respirar.

Maldição, Sauron, por fazer de mim uma fraca! Ela xingou de raiva. Haleth removeu suas luvas, sentindo a falta do contato calmante da pele de Dernhelm contra seus dedos e descansou a cabeça no dorso da égua enquanto a acariciava. Dernhelm permaneceu quieta, olhando sua amiga humana com um olhar angustiado nos olhos. Respire, Haleth, e acalme esse seu temperamento furioso, Haleth se repreendeu. Ela sabia o que poderia acontecer se não controlasse a sua fúria. O poder amaldiçoado iria surgir e ela se tornaria perigosa. Um toque gentil em seu ombro a trouxe de volta à realidade.

'O que a perturba, Haleth?' Haldir perguntou calmamente. A angústia dela não tinha passado despercebida pelos seus sentidos aguçados e o perigo que sentira mais cedo na jornada estava ficando cada vez mais forte. Haldir franziu o cenho quando a mulher não se virou para encará-lo. A respiração dela estava instável e Haldir apertou o ombro dela de leve. A vibração da estranha força estava de volta, correndo pelo corpo de Haleth e se conectando com seus dedos. O que está acontecendo com você, minha amiga? pensou ele. Haleth deixou escapar um suspiro profundo antes de respondê-lo num sussurro que ele quase não conseguiu escutar.

'Não sei, mas é como se meu coração estivesse sendo arrancado de meu corpo.' De alguma forma Haleth se sentiu confortada pela presença dele. Haldir era capaz de acalmar o seu coração, mesmo que só um pouco. Ela estendeu a mão e cobriu a mão de Haldir com a sua. 'Eu gostaria que alguém conseguisse entender isso.'

O corpo de Haldir se agitou surpreso diante do toque inesperado. A mão dela era pequena e fria contra a sua e ele a acariciou com o polegar.

'Eu não compreendo você, Belegaer, mas sei de uma coisa;' ele fez uma pausa, ponderando o quanto deveria contar a ela. Depois de um momento de hesitação, ele continuou, sua voz cortante e fria. 'Será derramado sangue esta noite e não há nada que possamos fazer para impedir.'

Haleth se virou bruscamente e o olhou com horror nos olhos negros. Havia uma intensidade no olhar dele que provavam que aquelas palavras eram terrivelmente verdadeiras. Haleth retirou a máscara debilmente, encarando os olhos azuis tempestuosos que estavam na frente dela. Para que eu sirvo se eu posso sentir que algo terrível está prestes a acontecer, mas não sei o que é nem o jeito para impedi-lo? Pensou ela em desespero. Um nó se formou em sua garganta e uma lágrima solitária rolou silenciosamente por sobre o seu belo rosto.

'Parece que eu não sou tão forte quanto você pensa, Espião.' Ela conseguiu sorrir, um gesto que morreu com outra lágrima que ousou traçar um novo caminho pela maçã de seu rosto.

Haldir olhou preocupado para Haleth, limpando o sinal silencioso de sua angústia. Não, você só está sendo humana. Ela se inclinou inconscientemente em seu toque e deixou um pequeno suspiro de cansaço escapar dos lábios. Tentativamente, Haldir deixou seus dedos traçarem um caminho até o cabelo de Haleth e observou a maneira como as pontas dos cachos se enrolavam em seus dedos.

'Você é forte o suficiente para não mostrar sua fraqueza para seus soldados, Belegaer,' disse ele enquanto deixava sua mão subitamente cair ao lado do corpo. 'Seus batedores estão retornando. Posso ouvi-los se aproximar.'

Haleth observou o Elfo dar um passo para trás percebendo pela primeira vez o quanto ele tinha estado perto dela. Ela limpou os últimos sinais de lágrimas com as costas da mão e esperou que seus batedores aparecessem. Agora ela também podia ouvir o barulho dos cascos dos cavalos. Adranel e Sador apareceram alguns momentos depois. Os dois Homens trocaram olhares quando viram o Elfo tão próximo de Haleth, mas nenhum deles falou nada. Eles desmontaram e foram até ela, seus rostos cobertos de suor e preocupação.

"Comandante; Mestre Elfo," eles disseram enquanto inclinavam as cabeças para as impressionantes figuras que estavam diante deles.

Haldir e Haleth assentiram com a cabeça e a mulher caminhou até eles, seu olhar de autoridade casando perfeitamente com a voz imponente.

"Quais notícias vocês trazem da busca que fizeram, Sador?"

O Homem respirou profundamente e uma fumaça densa se formou no ar.

"Nós seguimos a trilha dos Orcs até o Anduin como você ordenou, Comandante," começou Sador. "Nós encontramos os vestígios do último acampamento deles próximos à beira do Grande Rio. Eles parecem ser um grupo de duzentas feras e há Wargs entre eles. Nós estamos em um número duas vezes menor." O Homem olhou para o seu companheiro Adranel, sem ousar continuar.

O batedor mais velho fez um gesto com a cabeça, compreendendo, e continuou o relatório de Sador. "Nós encontramos pegadas de Homem no chão do acampamento deles. Acreditamos..." Ele fez uma pausa, sentindo o rosto de sua comandante ficar sombrio. "Nós acreditamos que elas pertencem a Wilrog. Ele deve estar liderando as feras, mas isso não é tudo."

A garganta de Haleth se apertou e ela sentiu seu coração bater mais rápido dentro do peito. Ela temia o que estava para sair da boca do Homem, embora o incitasse a terminar sua história. "O que mais vocês encontraram, Adranel?" ela perguntou numa voz firme, obrigando o soldado a continuar e os medos dela a sumirem.

"Nós encontramos uma outra trilha. Uma feita por dois cavalos e uma carroça de Homens. Poderia ser uma família viajando para Arnor, mas eu não entendo porque eles escolheram aquele caminho, sabendo que esta estrada está infestada de Orcs e outras criaturas odiosas." Adranel balançou a cabeça, sem querer acreditar, antes de continuar. "Eles estavam muito próximos da trilha de Orcs. Nós tentamos encontrá-los, mas eles estão fora de nosso alcance. Vai ser apenas uma questão de dias para que as feras os encontrem. E você sabe o que vai acontecer então."

Depois de receber esta nova informação, a mente de Haleth estava trabalhando rápido e ela lutou para controlar as fortes batidas do coração dentro do peito. Wilrog estava liderando o exército de Orcs e estava prestes a atacar uma família humana. É minha culpa! Eu deveria tê-lo condenado à morte! Ele tinha matado um guarda, liderado as forças de Sauron contra eles e a tinha ameaçado. E ela o tinha deixado ir por causa do amor. Não. Por causa de estupidez e fraqueza, ela se censurou. Agora faria de tudo para dar um jeito na confusão que tinha provocado. Se algo acontecesse com aquela família, ela jamais se perdoaria.

Haleth cerrou o punho numa fúria contida e seus olhos foram atraídos para a égua Dernhelm. O poderoso animal estava assistindo toda a conversa calmamente. Os olhos de Haleth encontraram os de Dernhelm e ela sentiu a força neles, a velocidade restringida e o desejo por uma caçada que espelhavam seus próprios sentimentos. Agora Haleth tinha certeza do que deveria fazer. Ela voltou sua atenção para os dois soldados à sua frente.

"Os cavalos de vocês podem não alcançá-los," disse ela calmamente, "mas Dernhelm pode." Os dois Homens começaram a contestar suas palavras, mas ela ergueu a mão e eles se calaram. "Isto não está aberto à discussão. Digam a Siward que ele está no comando até que eu volte."

Sador e Adranel relutantemente assentiram com a cabeça e foram cumprir suas ordens. Haleth os observou ir embora silenciosamente e se virou para Dernhelm. Haldir balançou a cabeça e a seguiu. 'Você não deveria ir. É tarde, e os Orcs já devem tê-los encontrado.'

Sem olhar para ele, Haleth começou a falar enquanto caminhava, sua voz cheia de culpa. 'Eu devo tentar, Haldir, porque esta situação toda é culpa minha. Todos vocês disseram que eu devia tê-lo matado, mas eu estava tão cega pelo meu auto-proclamado amor por Wilrog que simplesmente não escutei. Agora é a hora em que posso tentar endireitar as coisas.' Ela parou finalmente quando alcançou Dernhelm.

Antes que Haleth pudesse montar, Haldir segurou o seu braço e a fez parar e encará-lo. 'O que você fez foi algo difícil de entender. Eu levei um longo tempo para compreender sua atitude, mas eu finalmente entendi,' ele disse num tom baixo, sua voz musical e reconfortante. 'Você foi movida pela compaixão. Eu poderia tê-lo matado, como Siward poderia, ou Seyton. Mas nenhum de nós demonstrou a mesma compreensão profunda que você tinha do sofrimento de Wilrog. Nenhum de nós quis aliviá-lo de seu fardo. Você foi a única que desejou fazer isso, escolhendo poupar a vida dele e dar uma nova chance ao garoto. Somente algumas pessoas neste mundo conseguem fazer o que você fez. E como pode ver, eu não sou uma delas.'

Haleth tocou o rosto dele, e guardou em sua mente o arrepio que aquele simples gesto provocou no corpo do Elfo. 'Eu sei que você é um Elfo impiedoso, Haldir, mas estou começando a gostar de você assim mesmo.' Ela suspirou pesadamente, como se tivesse um peso nos ombros, sua mão se recusando a deixar a face sem imperfeições do ser perfeito que estava em pé tão próximo dela. 'Eu devo ir antes que Siward chegue resmungando como uma mulher velha.'

Haldir tomou a mão dela, entrelaçando os dedos dos dois por um breve momento antes de se afastar e saltar elegantemente nas costas de Arthung sob o olhar questionador de Haleth. 'Então você deve contar com a minha ajuda,' começou ele, 'porque você pode ser uma boa caçadora, mas eu sou um Elfo e Guardião dos Galadhrim. Minha habilidade de seguir trilhas é muito superior à sua.'

Haleth sorriu de leve, esquecendo por um rápido momento toda a tristeza e raiva que estava sentindo em seu coração. 'Quanta modéstia você tem, Espião!'

Ela montou e observou Haldir trotar até ela, os lábios dele se encurvando em uma sugestão de sorriso. A voz do Elfo mais uma vez chegou calma aos seus ouvidos. 'E você sabe como ser teimosa, Belegaer. Agora nós devemos ir, porque já posso ouvir os xingamentos que Siward está direcionando a você.'

Siward chegou correndo atrás de Haleth, seu rosto corado de raiva. "Haleth, aonde você pensa que..." A voz dele sumiu na distância enquanto sua comandante e Haldir galopavam para dentro da floresta escura.

H&H&H&H

"Shhh, não chore bebê, mamãe está aqui," a mulher loura disse para o pequeno filho nos braços. O garotinho estava angustiado com alguma coisa e de vez em quando começava a chorar.

Ela o ninou docemente, trazendo o corpinho para mais perto do peito, e os choros dele cessaram. Então a mulher olhou para a filha adormecida ao seu lado e sorriu. Eles estavam viajando para Arnor, em busca de refúgio em Annuminas contra os ataques dos Orcs. As criaturas putrefatas tinham queimado a vila deles uma semana atrás, mas eles se saíram do ataque sem nenhum arranhão. Depois daquilo, o marido dela juntou o pouco que tinham e juntos partiram para a capital de Arnor. Pelo menos lá, numa cidade maior, seria mais seguro.

O ar estava frio, prometendo neve em alguns dias, mas o calor dentro da tenda deles era aconchegante. A mulher deitou o bebê por sobre alguns lençóis que faziam uma cama improvisada e foi cuidar dos cavalos. Os animais estavam estranhamente nervosos, relinchando alto e pateando no chão. Enquanto tentava acalmar as montarias, ela escutou seu marido voltar da ronda.

"Kara! Pegue as crianças! Nós temos que sair..." a voz morreu no ar. Uma única flecha de Orc se projetou para fora de sua garganta e seu corpo forte caiu quase sem vida no chão, enquanto as mãos debilmente tentavam tocar no objeto invasor. Atrás do Homem, vindo de dentro da escuridão entre as árvores, os primeiros Orcs começaram a aparecer. E liderando-os estava um jovem Homem de frios olhos verdes.

Kara gritou de terror e correu para as crianças. Entretanto, antes que pudesse chegar até a tenda, uma outra flecha sibilou no ar e se encravou em seu joelho, fazendo-a cair. Ela sentiu como se sua perna estivesse em fogo e as lágrimas começaram a rolar livremente por seu rosto.

Apesar da terrível dor, ela juntou toda a sua força e se arrastou pelo chão, tentando alcançar os filhos. Eles eram tudo o que importavam e ela nunca deixaria aquelas feras colocarem as mãos imundas em seus bebês. Kara escutou as risadas malignas das criaturas diante de sua tentativa desajeitada em chegar à tenda e ela gritou de desespero. Eru, por favor, ajude minhas crianças! Ela rezou para o Vala.

Os Orcs estavam fazendo um círculo em volta de Kara e ela quase vomitou quando o cheiro podre que emanava deles encheu seus pulmões. Do canto dos olhos ela pôde ver uma enorme fera com o arco mortífero ainda nas mãos. Ele se aproximou dela e pisou em suas costas com o pé direito, impedindo Kara de se mover. O Homem ao lado dele sorriu silenciosamente quando a besta preparou outra flecha e apontou para o coração da mulher. Os pulmões de Kara começaram a queimar na tentativa de puxar ar para respirar, mas o peso sobre o corpo dela tornava a tarefa impossível. Ela tentou gritar para que suas crianças corressem, mas nenhum som saiu de seus lábios. Kara estendeu a mão na direção da tenda numa necessidade desesperada de alcançá-los, mas as mãos dela tocaram apenas ar.

Kara assistiu impotente enquanto dois Orcs invadiam a tenda, seguidos pelos gritos de suas crianças. Soluços profundos sacudiram o seu corpo quando ela percebeu que não podia fazer nada para salvar os filhos. As lembranças das histórias sobre os destinos das mulheres e crianças capturadas pelos Orcs retornaram à sua mente com toda a força e Kara desejou que ela pudesse ter cortado as gargantas dos dois enquanto eles ainda estavam dormindo. A filha dela seria estuprada! Estuprada! Seu filhinho seria torturado até a morte ou usado como escravo.

A imagem de seus corpos inocentes devastados e estraçalhados trouxe uma outra onda de náusea para Kara. Ela chorou amargamente, sacudida por soluços, e a última coisa que seus olhos atormentados viram, antes que a flecha fatal pudesse atravessar seu coração, foi seu bebê sendo erguido berrando pelas mãos de uma das feras.

H&H&H&H

Wilrog estava perdido, completamente perdido.

Alguém, por favor, me ajude, ele implorou, mas ninguém respondeu. Wilrog estava terrivelmente sozinho; a mulher que ele amava nunca o perdoaria por agir de forma tão tola, ele estava preso na armadilha que ele mesmo tinha preparado. Tinha perdido seus amigos quando pôs os pés em Mordor. Tinha perdido sua esposa. Wilrog lutou contra as lágrimas que ameaçavam cair e se sentiu sozinho como jamais tinha se sentido antes. Nem mesmo durante aquele ano negro que ele havia passado solitário na floresta quando criança.

Não haveria tempo para avisar Haleth. Não haveria tempo para impedir o caos no qual sua vida tinha se tornado. Por favor, Eru, tire a minha vida. Ela não é digna de mais nenhum suspiro. Ele desejou que pudesse morrer, para que a dor em seu peito pudesse parar. Para que o nó em sua garganta pudesse parar. Nada mais importava; ele não podia viver com a culpa de ter falhado tão terrivelmente na vida.

A mente de Wilrog se encolheu de horror diante da violência inominável que estava acontecendo bem na frente dos seus olhos. Seu coração entrou em desespero quando os Orcs trouxeram os filhos da mulher até ele; uma garota morena quase da sua idade e um bebê com não mais do que alguns meses. É tudo minha culpa, minha culpa! O rosto da garota estava devastado e lavado pelas lágrimas. Os olhos dela – grandes e cheios de terror – estavam fixos no corpo da mãe. As criaturas já tinham começado a desmembrá-lo. Apesar do tumulto emocional interno pelo qual estava passando, Wilrog mostrava uma expressão no rosto que era uma máscara de calma e aceitação.

Mas aquilo era mesmo uma máscara? Enquanto uma parte dele o repreendia, a outra tomava um outro caminho, com o objetivo de esquecer o seu desespero... Sua dor... A sensação de matar alguém sem remorso, como os monstros na frente dele, era isso que queria. Ele estava farto de se sentir preso por leis morais ou costumes baseados na compaixão. Tudo aquilo só tinha lhe trazido desespero.

Sim, não é minha culpa, não é minha culpa...

Ele queria ficar livre de todas as amarras, sem arrependimentos e sem mais tristeza. Ele queria estar livre de sentimentos, para que quando encarasse Haleth mais uma vez ele não sentisse nada em relação ao fato de que a estava levando para uma armadilha. Ele não iria sentir nenhum remorso por causa de sua trágica idéia. E ele não sentiria nenhuma dor quando ela virasse o rosto de nojo e partisse, deixando-o sozinho. Wilrog queria o abandono selvagem de fazer algo, ou qualquer coisa, errado sem ser inundado pela culpa.

O bebê gritou.

Gorbag se aproximou do rapaz, olhando-o ferozmente. A visão de toda aquela matança ainda estava fresca em sua mente e ele já sentia falta da emoção provocada pelo sangue. Ele agarrou o rosto da garota com suas garras imundas, forçando-a a encarar o seu rosto nojento. Então, ele se virou para o garoto. Um sorriso maligno o fez mostrar os dentes amarelos e podres.

"Ela é linda, não acha?" a criatura disse enquanto acariciava a bochecha da garota com suas garras. "Eu gostaria de experimentar o sexo dela depois de você, Mestre." A garota tremeu levemente de medo depois de escutar aquelas palavras, mas o estado de choque em que se encontrava a impediu de demonstrar qualquer outra reação.

Isso é obsceno, Wilrog pensou, mas, contudo, aquilo era tão tentador... Ele sentiu como se sua alma tivesse sido arrancada do corpo, mas mesmo assim não fez nada. O garoto viu Gorbag rosnar para ele, irritado pela falta de resposta.

O bebê chorou.

Gorbag rugiu. "O que é agora? Você não gosta do rosto dela?" Com um movimento rápido de sua espada negra, o mostro rasgou o vestido da garota em dois, expondo completamente a sua forma nua e trêmula. "Se não, tenho certeza de que você vai gostar do resto do corpo dela."

Wilrog engoliu em seco, uma onda de luxúria o invadindo diante da visão daquele corpo nu. Fazia tanto tempo desde a última vez que ele tinha tido uma mulher nos braços. Que ele tinha tido Haleth em seus braços. O garoto se lembrou do gosto dos lábios dela, da maciez de seu corpo, da quentura de seu sexo... Inconscientemente, Wilrog fechou os olhos por um momento e passou a língua pelos lábios. Ela era deliciosa... Eu quero sentir isso novamente... Com o desejo tomando conta dele, Wilrog estendeu sua mão para um dos seis pequenos da garota, mas parou o movimento a meio caminho do destino.

Não!

Enquanto sacudia a cabeça, numa tentativa inútil de libertar sua mente daqueles pensamentos, Wilrog sentiu um aperto forte no coração e uma risada poderosa ecoar em seus ouvidos.

Sauron cobriu Wilrog com sua mágica negra, reivindicando a presença do garoto em seu mundo negro. "Venha, garoto, chegou a hora."

Uma lâmina de Orc silenciou o bebê e todos os outros sons pareceram morrer com ele, enquanto Wilrog era puxado para o vazio negro, o negro profundo onde nenhuma luz ou esperança podiam entrar. Quando ele focalizou a visão, na frente dele estava a figura aterradora de Sauron, vestido em sua armadura negra. Os olhos vermelhos do Senhor do Escuro estavam fixos nos olhos verdes de Wilrog e atrás da malha metálica que cobria a sua face maligna brotou um sorriso perverso.

H&H&H&H

Em meio à floresta, correndo mais rápidos do que o próprio vento, estavam Haldir e Haleth. As patas de seus cavalos mal tocavam o chão, e os magníficos animais galopavam por entre as árvores como uma tempestade. O cabelo dourado de Haldir brilhava com uma luz interior em meio à floresta escura e seus profundos olhos azuis observavam o mundo à sua volta passar como um borrão. Ele nunca tinha cavalgado Arthung naquela velocidade e Haldir sentia o garanhão emanar excitação. Se o motivo para eles estarem cavalgando com tal abandono não fosse tão pesaroso, o próprio Haldir teria compartilhado dos sentimentos de sua montaria.

O Elfo olhou para a mulher guerreira cavalgando ao seu lado. Ela e Dernhelm formavam um par magnífico, duas belezas letais, mortíferas e escuras. A mulher cavalgava sua égua com uma postura imponente, as costas eretas, em total comando do animal. Quando o rosto mascarado de Haleth se voltou para sua direção, Haldir quase pôde sentir o gosto da preocupação e da apreensão da mulher.

'Vamos, Haldir, vamos!' Haleth gritou para ele, e então deu um salto à frente adquirindo uma velocidade incrivelmente mais rápida.

Haldir apenas a seguiu, sua cabeça imperceptivelmente mais baixa, sabendo que o sangue já tinha sido derramado. E não havia nada que eles pudessem fazer para reverter o tempo.

H&H&H&H

Tão confuso, tão alquebrado... O Senhor do Escuro pensou enquanto olhava para a forma trêmula de Wilrog; ele quase sentiu pena do garoto. Entretanto, os olhos verdes ainda estavam ferozes e cheios de ganância, exatamente a razão que tinha chamado a atenção dele para o jovem Homem. Apesar do medo, Wilrog ainda tinha força, mas era facilmente subjugado. Justamente o que Sauron precisava.

"Você está com medo, garoto?" Sauron disse, sua pesada armadura ressoando enquanto caminhava devagar, enviando um som metálico para o espaço vazio.

Wilrog cerrou os dentes e sua voz soou restringida. "O que você quer de mim?"

Sauron riu calmamente. "A pergunta correta seria o que você, Wilrog, filho bastardo de Frea, quer de mim?"

"Eu não quero nada."

"Nada? É mesmo? Eu investiguei sua alma, Wilrog; Eu sei quais segredos estão guardados em seu coração. Você se casou com Haleth porque queria poder; você esperava que ela desse o comando do exército a você, mas ela não o fez. Haleth não compartilharia o exército dela com o garanhão que usava em suas noites solitárias. Então você a deixou em busca de, quais foram mesmo as suas palavras... Ah, eu me lembro agora: poder... fortuna... e glória. Estou correto, Wilrog?"

Wilrog trincou os dentes de raiva. Como ele sabe tanto sobre mim?

"Ah, meu garoto, é porque você passou dois anos sob os meus cuidados, me contando todos os seus segredos."

Os olhos de Wilrog se arregalaram de choque e Sauron riu daquela reação.

"Sim, eu também posso ler sua mente. Não há nada que você possa esconder de mim. Nada." Ele se aproximou do garoto, sentindo o medo do jovem Homem alimentar o seu ser maligno. "Diga-me, Wilrog, você não conseguiu nada do que queria, não é mesmo?"

Wilrog balançou a cabeça lentamente em negativa e respondeu numa voz entrecortada. "Não, não consegui. Ninguém pode me dar o que eu quero, a não ser eu mesmo."

"Então é assim? Diga-me, meu caro garoto, o que você sentiu quando estava no comando do pequeno exército que dei a você?"

Wilrog engoliu em seco. "Eu não senti nada."

"Você mente. Você adorou o medo que infligiu. Você adorou ver seus desejos serem atendidos prontamente. Você adorou ter tanto poder sobre alguém. Você adorou a não existência de moral ou qualquer restrição que pudesse fazer com que sentisse remorso por seus atos. Você se sentiu livre."

Sauron riu das reações de Wilrog. Ele estava quebrando os garotos aos poucos. Ele precisava do jovem Homem para liderar seus exércitos e ele sempre conseguia o que queria. Vamos tentá-lo, meu precioso Anel... Vamos seduzir o seu perturbado coração.

"Eu poderia lhe dar todas estas coisas permanentemente se você concordasse em obedecer minhas ordens. Eu poderia lhe dar tudo o que você sempre sonhou. Não há nenhuma raça viva na Terra Média agora que possa me derrotar, mas eu preciso de meu comandante. O guerreiro que vai liderar meus exércitos, aquele a quem ensinarei os feitiços para atingir a vida imortal. Aquele que será os meus olhos, meus ouvidos... e minha boca."

Com um movimento de mão, Sauron fez o vazio negro tremular, se enevoar e então ficar novamente em foco numa cadeia de cenas que mostravam Wilrog numa armadura magnífica, liderando um fantástico exército de Orcs e outras criaturas terríveis. Era algo tão mortífero e estupendo que estava além da mais louca imaginação do garoto. As hordas de criaturas lideradas por Wilrog devastavam cada cidade em Arda que se opusesse a eles. Gil-Galad, Elendil e todos os poderosos Reis da Terra Média um a um se curvavam em derrota, implorando pela misericórdia de Wilrog. No final da visão, Haleth apareceu de dentro da escuridão, mais bela do que ele jamais a tinha visto, oferecendo seu amor eterno a ele.

Eu te amo, os lábios dela sussurravam, Eu te quero... Venha para os meus braços, meu Senhor, e Wilrog caminhou até ela, tentando alcançar com as mãos a figura voluptuosa que estava na sua frente.

Quando os seus dedos estavam prestes a tocá-la, e seus lábios estavam a um suspiro de distância dos dela, a visão se foi e a cena de Haleth fazendo amor com um Elfo apareceu por um breve segundo e então o vazio ficou negro novamente. Wilrog se virou para o Senhor do Escuro, braço ainda estendido e tocando o espaço, com um ar de desapontamento e ciúme no rosto.

Sauron riu e sua voz soou baixa e gentil. "Agora ela favorece o Elfo, mas eu posso dá-la de volta a você."

"Como você faria isso?" perguntou Wilrog observando o Senhor do Escuro cheio de suspeita. "O que você faria por mim?" Ele sabia bem dentro dele que não deveria confiar em Sauron, mas estava inteiramente perdido, gritando por ajuda, e ele foi a única pessoa que me ouviu.

Sauron estudou o pensamento de Wilrog com intenso interesse e então começou a falar. "Você seria invencível e não haveria nenhuma pessoa em Arda mais poderosa do que exceção de mim. Eu daria Haleth a você. Eu mudaria o espírito dela para que ela amasse você e se desesperasse. Você aceita a minha oferta?"

O garoto olhou direto para os olhos vermelhos de Sauron. As lembranças de toda a glória e poder que estavam esperando por ele fizeram com que seus olhos verdes brilhassem. Mas acima de todas as recompensas estava o mais precioso dos tesouros: o amor de Haleth. Ele teria o amor dela de volta. Ele finalmente seria digno de sua afeição.

Por que recusar? Era uma oportunidade de uma vida, alcançar tanto poder e tanta liberdade. Sem regras, sem moral, sem arrependimentos. Um sorriso irrompeu novamente no rosto de Wilrog. Sim, eu me senti livre. E eu quero sentir isso de novo. E eu quero Haleth. Wilrog caminhou até Sauron muito lentamente, seu sorriso apenas crescendo em suas belas feições. Sua força repentinamente renovada, sua coragem novamente de volta ao seu ser.

"Minha resposta é sim, meu Senhor." Wilrog se ajoelhou e beijou o Um Anel que brilhava nas mãos de Sauron. Levantou-se, então, com elegância, a confiança lavando o seu ser. "Agora, se você me dá licença, meu Senhor, devo retornar para o meu exército."

A risada maligna de Sauron ecoou no vazio antes que o Inimigo falasse suas últimas palavras.

"Como queira, meu Capitão. Você terá notícias minhas em breve."

E então, com um encanto negro, Wilrog foi trazido de volta a Arda.

H&H&H&H

Mais uma vez ele estava olhando para a face horrenda de Gorbag e para a beleza nua na frente dele. Wilrog sentiu seu membro ficar duro e ele avançou até a garota enquanto desfazia o laço de seu calção.

Sem amarras, sem leis...

Wilrog jogou a jovem no chão, abriu suas pernas e invadiu o seu sexo imaculado. Os gritos dela não tinham nenhum efeito sobre ele, apenas o prazer proporcionado pela sua quentura. Eu sou intocável... Eu sou livre... Eu sou a criatura viva mais poderosa do mundo... Wilrog dizia para si mesmo entre as arremetidas que fazia no corpo da garota até que foi consumido por um prazer intenso. O corpo dele tremeu com a força de seu orgasmo e ele se retirou de dentro dela. Wilrog buscou com as mãos e desembainhou a sua espada.

"Sem remorsos," sussurrou para si mesmo e, num movimento rápido, removeu a cabeça da bela jovem que ainda estava deitada trêmula sob o seu corpo.

H&H&H&H

'Haleth, por aqui!'

Haldir gritou quando seus olhos aguçados viram a apagada trilha da carroça no chão da floresta. Haleth o seguiu de perto, até que ele parou de repente e desmontou de Arthung com a elegância dos Eldar. O corpo dele ficou tenso. Nós não estamos sozinhos. Enquanto caminhava, levou as mãos para o arco e o fio vazio foi preenchido com uma flecha mortífera.

Haleth imitou aqueles movimentos, sentindo seu corpo se retesar; eles não estavam sozinhos. Com o canto do olho ela viu Haldir baixar o arco. Os olhos dele pareciam uma tempestade azul de nojo e desespero. Haleth voltou sua atenção completamente para o Elfo.

'O que você viu?' Perguntou ela em voz baixa, temendo a resposta. Quando nenhuma veio, ela caminhou até ele e sua face se contorceu de dor por trás da máscara. O arco dela foi ao chão, caindo das mãos que tinham ficado repentinamente débeis diante da visão na frente dela. Nunca em seus dez anos como guerreira ela tinha visto tamanho horror. A cabeça de um bebê jazia no chão, deformada e separada do resto do corpo.

Próximos a ela estavam os restos de dois esqueletos de adultos ainda grudentos de sangue e pele humana. Separado deles estava o corpo nu de uma garota. A pele da barriga dela estava maculada por marcas feitas por garras de Orc, testemunhas silenciosas do ato obsceno que ela havia sofrido. Em meio à pele ensangüentada Haleth viu marcas que lembravam palavras. Ela chegou mais perto do corpo, apertando os olhos para tentar decifrá-las. Era um bilhete.

Ela era quase tão deliciosa quanto você, meu amor.

Espere por mim.

W.

Haleth engasgou, em choque. Ela removeu a máscara, se sentindo sufocada de repente naquele espaço restrito, e o objeto também foi ao chão. A mulher sentiu dor aflorar em seu peito enquanto seu coração começou a bater num ritmo duro e pulsante. O sangue bombeava em seus ouvidos e Haleth sentiu a cabeça girar. O que foi que eu fiz?

O coração de Haldir estava batendo rápido de fúria. Se Wilrog tentar machucá-la, a morte dele será ainda mais horrível, prometeu ele, porque agora estava certo de que iria acabar com a vida do garoto. Quando Haldir viu o que tinha sido feito com aqueles Homens e o bilhete talhado na carne da menina, ele teve que reunir todo o seu autocontrole para não sair na caça do garoto naquele instante e matá-lo. Seu rosto perfeito estava contorcido de raiva e seus olhos estavam brilhantes de tristeza. Tristeza pela dor da própria Haleth.

'Você está bem?' Haldir perguntou a ela, preocupação enchendo o tom de sua voz. As batidas que ele havia começado a escutar de repente eram as batidas do coração de Haleth. Ele podia ver a veia da têmpora da mulher pulsando, o que a denunciara. Haleth não olhou para ele quando respondeu.

Primeiro ela fez que sim com a cabeça lentamente, e então achou sua língua mais uma vez. 'Sim,' disse ela numa voz contida, tentando acalmar a sua vontade de vomitar. Ela não tinha coragem de encarar o Elfo. Sentia-se completamente culpada. Aquelas mortes tinham sido sua culpa.

Haldir pareceu perceber o caminho que a mente dela tinha tomado. Ele parou na frente de Haleth, seus olhos ferozes totalmente fixos nos olhos negros dela, enquanto a agarrava pelos ombros. 'Isto não é sua culpa, mas de Wilrog. Nem mesmo ouse pensar de outro jeito, está me entendendo?'

Haldir parecia zangado, sua voz mais alta do que o normal, a pressão que fazia nos ombros dela quase dolorosa, mas Haleth viu a preocupação profunda que ele tinha por ela por trás daqueles profundos olhos azuis.

'Vou tentar,' disse ela, numa voz baixa e firme, os olhos negros ainda nublados com uma dor distante. 'Eles estão indo na direção do Campo de Celebrant. Isto é uma armadilha para nós, tenho certeza. Eles sabem que teremos que tomar aquele caminho.' Haleth baixou a cabeça por um momento e então encarou Haldir mais uma vez. 'Nós temos que ir agora.'

Haldir arqueou uma sobrancelha, pensando no quão teimosa e forte ela era. 'Sim nós não devemos nos demorar mais aqui. Há olhos malignos por entre essas árvores,' disse ele enquanto guardava o arco e chamava por Arthung. Haleth ainda demorou mais um pouco para desviar seus olhos daqueles corpos. As sensações de culpa e perda ainda estavam muito recentes nela. Então finalmente colocou a máscara novamente e agarrou seu arco, jogando-o nas costas. Com um assobio rápido, Dernhelm já estava ao seu lado e ela montou.

Enquanto eles partiam, cinco Orcs montados em Wargs assistiam não muito distantes dali, sob os olhos vis de Gorbag.

"Se lembrem," começou o enorme comandante Orc, "vocês devem capturar a mulher com vida. Podem fazer o que quiserem com o Elfo. Agora vão caçar, garotos."

As criaturas grunhiram numa felicidade sádica antes de saltarem para fora da escuridão que reinava entre as árvores, em busca de suas presas.

H&H&H&H

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