Capítulo 10 – Pequeno engano.

Ty Lee abriu os olhos vagarosamente, percebendo a luz da manhã que entrava por uma janela. Ela espreguiçou bem gostoso, esticando os braços, fechando os olhos e sorrindo. Foi quanto uma pergunta ecoou na sua cabeça: "O que aconteceu?". Neste momento, ela praticamente pulou da cama, ficando de pé sobre o colchão na posição de ataque, falando sozinha:

- Xong!

Mas não estavam mais na floresta. Ao seu redor havia apenas paredes de um quarto. No seu lado direito, uma janela com a veneziana de madeira barrando um pouco da entrada da luz. No chão ao seu lado esquerdo, havia um pequeno, fino e feio colchão, com lençóis revirados e travesseiro jogado de lado:

- Alguém dormiu nessa coisa dura? Alguém deve estar com muita dor nas costas hoje – pensou a garoto, percebendo alguma coisa ao lado da cama.

Tinha uma pequena cadeira de madeira escura, com uma tigela de barro seco sobre ela, e com várias frutas sobre ela. Ela percebeu que havia uma brilhante e lustrada maçã de casca bem vermelha. Ela a pegou e deu uma mordida. O sabor era muito bom, e bem doce.

Ela desceu da cama, percebendo que dormira em algum lugar que não era o seu quarto. Ela olhou em volta e pensou:

- Será que aconteceu alguma coisa entre eu e Xong? Será que...

A garota interrompeu o pensamento, e começou a ficar muito aflita, retorcendo a testa e colocando as duas mãos na boca, como se tentasse descobrir se fora ou não "violada". Após isso, ela ouviu um movimento no outro lado da porta de saída, alguém assobiava uma música estranha, apesar de bonita, e parecia se dirigir na direção do quarto. Ty Lee não pensou duas vezes, se dirigiu para trás da porta e disse:

- Eu vou derrubar este maldito Xong, e ele não vai saber quem foi que atacou.

Ela esperou, suando de preocupação. A porta do quarto de abriu, e ela não conseguiu ver quem entrava. Ela conseguiu escutar a pessoa parar. Ela saiu de trás da porta, apoiando-se na parede, saltando por cima da porta e, fechando os olhos, ela disparou seu soco paralisador.

"Tum, tum, tum", os três socos acertaram a vítima. Mas quando ela percebeu o que fizera, ela viu um rapaz todo paralisado, encima da cadeira de rodas, de cabelos compridos e com uma bandeja com cantil cheio de água e outro cheio de leite.

- Ai, desculpa, eu pensei que fosse, que fosse, ..., esquece. Deixa eu te ajudar.Ela tentava reanimar o corpo do garoto, xaqualhando-o inteiro. Aos poucos o garoto ia sentindo novamente seus músculos. Enquanto isso, Ty Lee parou de fazer o que estava fazendo, e olhou para a estante enorme que havia naquele quarto, reparando na presença de uma enorme asa de pano e metal, nas mesmas cores ao do malabarismo daquele dia. Ela imediatamente concentrou-se no rosto da sua vítima. Era conhecido.

Na sua memória surgiu o rosto do garoto que a fintara na saída do picadeiro, que a fez tremer de emoção. Naquele momento, novamente uma forte emoção tomou conta do seu corpo, sentindo o entusiasmo de conseguir encontrar com o homem que a tinha feito sentir tão feliz, sem mesmo dizer uma única palavra.

- É você? É você o garoto que eu procurava?

Ao ouvir estas palavras, Teo respondeu com a boca ainda mole, babando e com a língua de fora, devido ao corpo ainda amortecido dos golpes:

- Silm slou eu...