Título: Desejo Secreto
Disclaimer: Esta é uma fic sem fins lucrativos, adaptada do livro "Desejo Secreto" da autora Anna Charlton e da editora Harlequin Books. Todos os direitos pertencem a autora e a editora, respectivamente.
Os personagens de Harry Potter e cia pertencem a J.K Rowling, Warner e Editora Rocco.
Esta fic, como as outras que adaptei se passa num universo alternativo...
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CAPÍTULO X
Era um final de tarde agradável, e o passeio ao longo do rio estava apinhado de pessoas praticando corrida, de pais empurrando carrinhos de nenê, de crianças correndo de patins, turistas dividindo informações sobre guias de viagem e casais de namorados trocando olhares apaixonados.
Um barco passou buzinando, as pessoas acenaram para ele. Do alto de um caixote de madeira, alguém alardeava a chegada do fim do mundo. Em frente, a brisa fazia balançar os desenhos expostos pelo artista, presos em um barbante, amarrados à árvore.
Hermione caminhava pela Victoria Bridge, olhando atenta, a sua frente, para ver se Harry já havia chegado. Estava ansiosa para ver o retrato dele, pintado pela: mãe, que participava de um concurso de pintura com exposição dos trabalhos ao ar livre, no parque.
Procurou os quadros de Rhona. Em meio a várias telas pequenas havia uma, grande. Quando ficou frente a frente com ela, levou um choque! O que viu ali não era um retrato formal de Harry Potter, o advogado, quase em tamanho natural. Fiona Potter certamente ficaria desapontada por não ver o filho retratado de toga.
Harry estava sem paletó, os primeiros botões da camisa abertos, as mangas enroladas até os cotovelos. Em torno do pescoço, a gravata, com o laço folgado, balançava solta no ar. Estava ajoelhado no chão, de frente para uma criança, que tentava alcançar o pedaço de tecido com suas mãozinhas delicadas. Harry e Savannah, em um momento único, de comunicação sem palavras: o homem adulto, desarmado de qualquer vestígio de cinismo ou arrogância, e a criança, confiante, olhando para ele. Rhona havia pintado uma delicada curva nos lábios dele, mas não era a boca de Harry que sorria, e sim seus olhos. A ternura que emanava deles era reforçada pela postura do corpo e dos ombros que se fechavam, como um círculo protetor, em torno da criança. Não tinha título, mas poderia muito bem ser chamado de "Paternidade".
Hermione chorou. Estava limpando as lágrimas quando Harry chegou, os ombros e os braços formando o mesmo círculo protetor para acolhê-la. Ele era tudo o que uma mulher poderia desejar. Mas Rhona havia lhe presenteado com um outro futuro, um que ela sempre quisera para si e também para Harry. Que pai maravilhoso ele poderia ser!
Quando a viu, ao longe, Harry teve ímpetos de correr para Hermione e abraçá-la forte, bem forte, mas tentou se conter. Sentiu uma espécie de dor física. Como seria aquela união? Poderia conviver com o fato de que gostava mais dela do que ela dele? Se ao menos ela o amasse bastante! Rejeitou aquele pensamento. Claro que Hermione o amava. Mas Hermione amava tantas outras coisas! A afilhada, o vizinho idoso, os fregueses da livraria, os seus hobbies. Seria ele apenas mais um amor, entre tantos, na vida dela? Outro hobby para ser relegado à lareira, depois de acabado o interesse? Ou ela o tinha escolhido porque o considerava o tipo adequado para ser seu parceiro para a vida toda? Talvez nada disso. Ou talvez uma combinação de todas essas possibilidades.
Seus pensamentos, geralmente ordenados, ficaram confusos. Hermione dissera que se casaria com ele em um momento de extrema emoção, quando o vira ferido. Sentira pena dele, o que o incomodava muito. Mas se incomodaria da mesma forma se ela tivesse respondido que o aceitava com um "sim" frio e racional. Afinal, o que ele queria?
Naquele momento estavam juntos.
Tentou afastar aqueles pensamentos para usufruir do prazer de mantê-la assim, abraça da a ele por alguns minutos, sem pensar em nada, apenas sentindo o cheiro agradável de seus cabelos. Hermione levantou o rosto. Tinha lágrimas nos olhos.
- Minha mãe não perde nada, mesmo - disse ela, comovida. - Retratou-o da maneira como você gosta de estar, sem aquelas roupas formais. - Beijou-o na boca e voltou a olhar o retrato.
Ela soou evasiva, emocional. Harry sentiu o estômago apertar. Pela primeira vez, percebeu que tinha medo de que ela o rejeitasse. Não naquele instante, talvez. Mas alguma outra hora, outro dia.
- A pose exige um bom estudo de musculatura e movimento - comentou ele. Estudava a tela, ciente de que Hermione o olhava, como se estivesse tentando dizer-Ihe alguma coisa. O que seria? Que havia se enganado? Seria delicada, falaria aos poucos. Fechou os olhos, antecipando a dor que sentiria. A garganta fechou, teve vontade de chorar. Com o canto dos olhos, viu que Hermione movia os lábios, trêmulos, na tentativa de falar.
- Não é justo! - explodiu ela. O lenço de papel que usava para secar os olhos despedaçou-se, e ela enfiou a mão na bolsa em busca de mais um. Harry tirou seu lenço do bolso e ofereceu-o a ela.
- O trabalho de Rhona sempre a afeta assim? - perguntou. - O que não é justo?
- Há pessoas que não dão a mínima para crianças e têm filhos, e, na maioria das vezes, nem se preocupam em cuidar deles!
- É paradoxal, mesmo - respondeu ele, sentindo-se aliviado. Não era o que ele achava que ela ia dizer. Relaxou.
Hermione voltou-se para olhá-lo nos olhos, segurou firmemente as mãos dele e o surpreendeu com aquela atitude. Seu estômago contraiu-se. Estaria enganado?
- Harry... - Ela hesitou.
Ele percebia que ela tentava escolher as palavras, mentalmente. Sentia-se como aqueles infelizes que encontrava nos julgamentos, o olhar aflito à espera das palavras de condenação. Sabia que tinha de se manter calmo.
- É difícil para mim falar sobre isso - começou Hermione. - Nunca toquei nesse assunto antes, porque sei que você prefere... mas... - Mordeu o lábio. Havia dor e piedade em seus olhos.
- Sabe, sempre quis tê-los, mas já havia me acostumado com a idéia de que não seria possível, pelo menos não do jeito natural... É sei que você tem problemas com isso e nunca iria querer...
Harry franziu as sobrancelhas, e ela precisou de coragem redobrada para continuar.
- Mas eu pensei que algum dia poderíamos pensar no assunto, e você poderia considerar a possibilidade...
- Do quê, Hermione? - perguntou ele. - Fale de uma vez por todas. Considerar o quê?
Ela abraçou-o forte, aconchegando-se a ele.
- Adoção - disse, finalmente.
Olhava para ele, ansiosa. Estava nervosa. Harry a fitava, tentando entender o que ela esperava dele. Ficou em silêncio, não sabia o que dizer. Temia ouvir mais alguma coisa.
Hermione disparou então a falar compulsivamente:
- Escute, não devia ter tocado nesse assunto, desculpe. Não é o momento, nem o lugar. E eu não quero que você pense que eu já não tinha me acostumado com a idéia de não tê-los, porque eu tinha, sim. Não foi fácil, mas eu aceitei, Harry.
- Adoção? - repetiu ele, como se não a tivesse ouvido.
- Há outras maneiras, também, mas a maioria dos homens não gosta de pensar na possibilidade de recorrer a um banco de esperma, e eu também não tenho certeza de que gostaria. E adoção não é o mesmo que ter os próprios filhos, mas a paternidade não é apenas conceber crianças, é mais do que isso, é ser pai todos os dias, cuidar, ajudar, ensinar e amar. Todas essas coisas que você sabe fazer tão bem.
- Banco de esperma? - perguntou ele.
Hermione olhou para o retrato, depois para ele.
- Quando eu olhei para este quadro, pensei... mas sei que você nunca vai aprovar a idéia. Da adoção, quero dizer. E se você não aprova, queria lhe dizer que não ficarei obcecada pela idéia a ponto de terminar como Anna Brown, roubando o bebê de outra pessoa.
Uma frase ficou dançando na cabeça de Harry. "E paternidade não é apenas conceber uma criança". Sua habilidade analítica recompôs-se. Examinou a frase, reavaliou-a em conjunto com as outras que Hermione dissera. "Há pessoas que não dão a mínima para crianças e têm filhos. Sem filhos. Não foi fácil, mas me acostumei com a idéia. Adoção. Você pode não aprovar a idéia."
Cautelosamente, lembrou-se de trechos de conversas passadas, dos planos de Hermione de constituir família, sua imensa compaixão com os outros. Pensando melhor, há quanto tempo ela não mencionava seu sonho de ter uma família?
Chegou a uma conclusão, mas hesitou em aceitá-la, porque era boa demais para ser verdade. Abriu e fechou a boca várias vezes, sem emitir som algum.
- Harry - implorou ela, as mãos em volta de sua cintura. - Eu o amo. Vamos fingir que nada disso aconteceu, está bem?
- Você sempre desejou ter filhos - disse ele, um nó apertando a garganta. - Você é do tipo maternal, deve ter filhos. Seria uma tragédia em sua vida se isso não acontecesse.
- Tragédia seria você não querer se casar comigo - disse ela, em seu ouvido.
- Você quer se casar comigo mesmo sabendo que eu não posso lhe dar filhos...
Hermione olhou para ele, atônita.
- Claro. Você tem dúvida disso?
- Mesmo que eu não queira adotar uma criança?
Ela o beijou na boca.
- Sim. Mesmo assim. - Então olhou por cima do ombro dele e vislumbrou Rhona, entre um grupo de artistas. Mais adiante, Pam e Jeff aproximavam-se, empurrando Savannah no carrinho.
Harry ficou ali, parado, em frente a seu retrato, olhando para ele, atraindo a atenção dos transeuntes que o reconheciam na tela. Estaria equivocado? Estaria dando ao que Hermione dissera a interpretação mais conveniente para si próprio? Depois de um tempo, Rhona se aproximou e ficou a seu lado.
- Não acho que vou ganhar o concurso - disse a ele. - Pena, poderia usar o dinheiro do prêmio para comprar um suprimento de vitaminas para a meia-idade.
Mais à frente, Hermione cumprimentava Jeff e Pam e colocava Savannah no colo, apontando para o barco que passava no rio. Os cachos de seus cabelos às vezes batiam no rostinho da menina, levados pela brisa, e acena recendia a ternura.
- Você algum dia pensou em ter netos, Rhona? - perguntou.
Ela lançou-lhe um olhar desconfiado.
- Essa é sua maneira de perguntar se fico desapontada pelo fato de você ser estéril? - rebateu ela, naquela sua maneira direta de dizer as coisas.
- Hermione lhe contou?
- Comentou...
Três artistas caminharam na direção de Rhona, os braços estendidos para ela. Harry afastou-se e caminhou alguns metros, sozinho; olhando as luzes da cidade acendendo-se aos poucos e as primeiras estrelas brilhando no céu.
Hermione, generosamente, amava-o aponto de abandonar seus sonhos por ele. Recriminava-se por ter duvidado dela, por ter desejado que ela reafirmasse o amor que sentia por ele. Ficou olhando o rio por um bom tempo, pensando na vida.
Mantinha as mãos nos bolsos do paletó, imóvel como uma estátua, a silhueta recortada contra a água. Hermione observou-o de longe, incomodada por aquela imagem estática, e resolveu ir até ele. Teria sido agressiva, tocando no assunto da esterilidade?
- Harry - disse, mansamente.
Ele voltou-se e segurou nas mãos dela. Os olhos brilhavam, cheios de lágrimas. Sorriu.
- O nome da música é Veracity. Aquela cujo trecho não sai de sua cabeça, a que você tem certeza que conhece, mas não lembra a letra.
- Veracity. O nome não me diz nada, mas mesmo assim tenho certeza de que a conheço. É tão familiar...
- Não há letra.
- Podia jurar que tinha. Tem certeza?
- Absoluta. Fui eu mesmo quem a compus. Não escrevi a letra, só a melodia.
- Você a compôs?
Ele a puxou para si, os lábios nos seus cabelos.
- E você não poderia conhecê-la, meu bem, porque só a ouviu uma vez. O fato de estar cantando minha música, certa de saber a letra dela, parece-me um sinal.
- Sinal? Você não é do tipo que acredita em sinais.
- Estava esperançoso de que ela tivesse algum significado, especialmente para você que estava tão impressionada com meu virtuosismo.
Hermione o olhou demoradamente.
- A qual virtuosismo você se refere?
Ele sorriu com malícia, e a puxou pelos quadris, colando seu corpo ao dela.
- Ah... - suspirou ela. - É a esse virtuosismo a que você se refere... Estava meio esquecida...
Harry pegou-a pela mão e caminharam até uma árvore. Encostou-a nela e aproximou-se, com mãos hábeis deslizando por seu corpo, mordiscando aponta de sua orelha, fazendo-a suspirar de prazer e ansiando por mais.
Vozes se aproximaram. Era um casal com uma criança. Os dois se recompuseram, adiando as carícias para outro momento. Ficaram olhando a família passar.
- Espero não tê-lo aborrecido, quando...
Harry calou-a com um beijo.
- Hermione, o que houve foi um mal-entendido.
- Eu o aborreci. Escute, não vou mais tocar nesse assunto, a menos que você tome a iniciativa, está bem?
Harry balançou a cabeça, com um movimento de desalento. O que estava acontecendo com ele?
- Hermione... Eu não sou estéril.
- O quê? - Ela piscou várias vezes.
- Não há nada de errado comigo... Esta é a verdade. Tenho certeza disso.
- O quê? - perguntou Hermione, pálida.
- Não sei como dizer isso de outra forma. Sou fértil. Posso ser pai.
Ela continuou a olhar para ele em silêncio. Depois afastou-se, mantendo apenas as mãos em sua cintura.
- Mas você disse, quando nos encontramos, logo no primeiro dia, que nunca tinha tido filhos nem nunca os teria.
- Eu nunca disse que não poderia.
- Disse! - protestou ela. - Você me disse que não podia ter filhos.
- Você entendeu assim - a voz de Harry soava firme.
Ela voltou-se para olhar o rio, a mão na testa.
- Pedi desculpas a você por tê-lo lembrado de que não podia ter filhos, e você disse...
- Eu disse que não havia necessidade de tê-los, ou alguma coisa assim.
- Mas você ficava aborrecido toda vez que o assunto de crianças vinha à tona. Estava aborrecido quando falou sobre os filhos de sua ex-mulher. Disse que lamentava que eles não fossem seus...
- Poderiam mesmo ser meus, se eu fosse maluco o suficiente para ter filhos aos vinte e dois anos de idade. E então teria sido o responsável pelo ar de desalento deles quando me separasse da mãe. Se eu estava triste, era porque poderia facilmente ter trazido ao mundo dois filhos para depois deixá-los crescer sem pai.
- Você disse que mais pessoas deveriam ser estéreis, porque assim menos crianças seriam maltratadas. Era natural que eu o incluísse nesse grupo! - acusou ela.
- Era uma figura de retórica, tão somente - respondeu ele, calmo. - Você chegou a essa conclusão sem fundamentá-la, e tudo o mais o que eu disse em seguida, você relacionou com essa idéia fixa.
Hermione levemente esmurrou-lhe o peito.
- Não me venha com esse ar professoral. Você me fez pensar que não podia... Acreditei que nunca... e eu passei os piores meses de minha vida tentando me acostumar com uma coisa que não era verdade! Foi uma agonia, e você me deixou passar por ela, impávido, e ainda vem me dizer que tudo foi culpa minha! - Hermione estava furiosa e de novo falava compulsivamente.
Harry segurou seus pulsos.
- Hermione, estou indo agora para o clube. Está em cima da hora. Falaremos sobre isso depois que você se acalmar. Quando nós dois nos acalmarmos... - completou. E começou a caminhar.
Hermione caminhou a seu lado, falando, gesticulando, fazendo uma cena na frente dos amigos artistas da mãe. Harry parecia não notar a presença dela. Subitamente ela parou, sem ação, e ficou olhando-o ir embora. Rhona afastou-se dos amigos e aproximou-se.
- Tempestade no paraíso?
- Ele não é estéril! - exclamou Hermione, com raiva. - Acredita nisso?
Rhona limitou-se a piscar.
- Desde o começo ele me induziu a pensar... e todo o tempo parecia tão sensibilizado com o assunto, de modo que eu evitei falar sobre isso... e parecia tão óbvio, por tudo o que ele dizia, que não podia ter filhos! E agora, ele empina o nariz para mim com aquele seu ar de superioridade e diz que eu... que eu estava enganada. Enganada!
Sua mãe balançou a cabeça, desconsolada.
- Como seu sofri... Ele não tem idéia! Sonhava com crianças, com nossa família, e dia-a-dia tentava me convencer de que teria de abrir mão de tudo isso por amor a ele. E ele acha que eu não tenho nem o direito de estar brava!
- Isso é indesculpável! Tanta preocupação para depois descobrir que o bonitão é fértil? Talvez ele devesse ser capado, assim seu sofrimento não seria em vão.
Hermione olhou para ela, espantada.
- Ele não é estéril, afinal - repetiu.
- Pode não ser bem assim. Pode ser que ele não tenha número de espermatozóides suficiente... Isso acontece com freqüência, você sabe.
- Ele não é estéril - repetiu Hermione e riu. – Ele pode ter filhos. - Pegou as mãos da mãe e rodopiou com ela. - Ele pode ter filhos.
- Estou feliz por vocês - disse Rhona. - Na verdade, todo o parque está. - Abraçou Hermione e depois a olhou nos olhos. - Vá atrás dele. Não espere pelo resultado do concurso. Eu não vou ganhar mesmo, e teremos de agüentar um monte de discursos, e eu vou ficar depois lamentando as vitaminas que não vou poder comprar...
O Blue Parrot estava quase deserto quando ela entrou. Ainda era cedo, e os clientes habituais não haviam chegado. Hermione viu Harry curvado sobre o piano. Seu paletó estava pendurado na cadeira, as mangas da camisa enroladas, o colarinho afrouxado. Colocou-se ao lado do piano, olhando com carinho para o homem que tocava.
- Harry - chamou-o.
O cliente na mesa ao lado fez um "Ssshhh", sibilante. Hermione tamborilou com os dedos na tampa do piano, sem acompanhar o ritmo da música. O cliente olhou feio.
A música terminou e só então Harry endireitou o corpo. Não fumava desta vez. Olhou para ela.
- Acho que já vi esse filme.
- Preciso falar com você. Sobre um bebê.
- Você tem um ou quer um?
- Quero um.
O cliente demonstrava seu desagrado com a conversa.
- É mesmo?! - disse Harry, fitando-a com um olhar especulativo. - Assim, sem mais? Quer uma criança que tenha talento musical e por isso vem me propor que eu empreste meus genes?
- Você é a melhor matriz que eu encontrei.
- E isso basta?
- ...está em boa forma, não é feio, tem uma voz decente, nenhum vício óbvio e...
- Ótimos genes...
- Tenho certeza!
Hermione procurou no rosto de Harry a expressão de desconforto que vira nele quando discorrera sobre esse assunto anteriormente. Nada. E por que deveria haver algum? Harry Potter sabia quanto ela o amava. O quanto estivera disposta a perder para ficar ao lado dele.
- Claro que uma certa presunção e uma tendência à arrogância são características de sua família, mas provavelmente não por razões genéticas.
O cliente cruzou os braços, ostensivamente e começou a tamborilar com os pés no chão. .
- Tenho alguma restrição a fazer quanto ao nariz, mas estou disposta a arriscar.
- Que generosidade, a, sua!
O cliente olhou para o relógio e suspirou.
- Então, quando quer tentar? - perguntou ele.
O cliente chegou mais perto.
- Espero que não seja agora! No meio de um número musical! Será que não consegue se controlar? - perguntou a Hermione.
- Algumas coisas são mais importantes que o jazz - retrucou ela.
O homem ficou chocado.
Harry disse alguma coisa para o sujeito do baixo e saiu com Hermione. O som da música os acompanhou até a saída do clube.
Caminharam um pouco. Harry estava sério.
- Não estava certo de seu amor por mim – admitiu ele. - Você se envolve facilmente com as pessoas, principalmente com qualquer pato manco, com os mais fracos, os que têm algum tipo de problema. Achei que tinha era pena de mim.
Ela riu.
- Harry, ninguém, em sã consciência, poderia confundi-lo com um pato manco.
- Você sempre me olhou de modo complacente, com dó, e eu esperava que; a qualquer momento, você me diria que estava tudo acabado, que descobrira que o que sentia por mim era compaixão, não amor. Por outro lado, você poderia ter me comparado com Graham e chegado à conclusão de que eu seria melhor parceiro que ele, em uma avaliação meramente racional. Nunca imaginei que você acreditava que eu não poderia ter filhos. Não sabia que era por isso que me olhava com aquela expressão desolada.
Ela o ouvia, sem saber ao certo como definir seus sentimentos naquele momento. .
- Esta noite - prosseguiu ele - quando percebi que você pensava que casar comigo seria abdicar de filhos, eu... eu me senti... - Ele engoliu em seco. Olhou para o céu, procurando as palavras. muito mal.
Hermione lembrou-se da postura confiante de Harry no parque e soube que a vida ao lado dele seria um desafio. Mas, naquele instante, Harry revelava humildade, e seu olhar enterneceu-a.
- Ser amado por você, Hermione Granger... - disse ele, com delicadeza, afastando com a mão os cabelos que lhe caíam na testa - ...é uma honra. Sou um felizardo!
- Por um momento, achei que você ia se reconciliar com Davina - comentou Hermione.
- E eu achei que você acabaria se casando com o campeão olímpico.
- Ele não é um campeão olímpico - protestou ela.
- Não dá um passo sem olhar para o cronômetro. Fazer amor com ele deve ser um negócio matemático. Cronometra tudo? Toma seu pulso antes?
Ela riu, divertida. Harry não era tão autoconfiante, afinal.
- Nunca saberei...
- Quer dizer que vocês... - Os olhos dele brilharam.
- Ele estava em treinamento, não estava? Para o triatlo.
- Quer dizer que quando ele está treinando, não pode...
- Sem café, sem álcool e sem sexo.
- Deve ser difícil ser atleta!
- Deve ser...
- Você me fez acreditar que dormia com ele.
- Você concluiu isso, Harry -disse ela, em tom pedante. - Tirou conclusões apressadas demais e interpretou tudo o que eu fiz em seguida como quis. Foi um terrível engano.
Chegaram ao estacionamento.
- Vai a algum lugar? - perguntou ela. .
- Para minha casa. Se vou combinar meus genes com os seus, preciso me preparar .
-Se existe alguém que não precisa disso, esse alguém é você.
*****
O aroma das plantas perfumava o ar. As ameixeiras de Sam estavam carregadas de flores, cercadas de abelhas. Apoiado na cerca, ele procurava alguma coisa no chão, distraidamente, sem se dar conta da festa que acontecia no terreno vizinho.
Uma mesa larga havia sido colocada no meio do quintal e, em cima dela, uma grande variedade de pratos de salgados. No centro, um grande bolo, confeitado de branco e rosa, com uma inscrição: "Feliz aniversário Savannah". Os flashes das máquinas fotográficas espoucaram quando a menina se curvou sobre a vela para apagá-la com um sopro, ao som do Parabéns a você.
- Savannah... olhe para cá, para o tio Harry - chamou ele.
A menina abriu seu melhor sorriso para ele e depois que a foto foi tirada, correu em sua direção, os bracinhos estendidos. Harry passou a máquina para Hermione. Ela olhou os dois pelo visor. O homem e a criança rindo, felizes, em perfeita harmonia.
- Você será um ótimo pai - disse a ele, quando Pam reclamou a filha e a levou para perto do bolo de aniversário.
Harry pegou a máquina outra vez e bateu uma foto de Pam com a filha, ao lado da mesa de aniversário.
- Quando chegar a hora. Por enquanto, estou só praticando.
- Nove meses é muito tempo? - perguntou Hermione.
- Pam! -gritou ele, acenando para ela. - Não se mexa!
Pam ficou imóvel. Ele focou a máquina, o dedo pronto para pressionar o botão, mas não o fez. Virou-se para Hermione.
- O que foi que disse?
- Depressa, Harry, não vou conseguir segurar Savannah assim... - A menina enfiou a mãozinha no bolo e arrancou um pedaço do confeito. Harry perdeu a foto, mas a câmara de vídeo do avô atento registrou acena.
Sam juntou-se aos dois, nas mãos um pedaço de papel.
- Olhe só. Eu disse que tinha lhe deixado um bilhete falou, dirigindo-se a Hermione. - Deve, ter voado.
Hermione olhava para o papel apenas para não desagradar Sam. Era um bilhete escrito no verso de uma caixa de cereais, e estava todo desbotado, amassado, como se tivesse sido pisoteado. Mas ainda era possível ver escrito, na letra de Sam, as palavras "ficar", "chaves" e "Harry".
Harry olhou para o papel sem entender a importância daquilo e, quando Sam saiu de perto, dirigiu-se de novo a Hermione:
- O que foi mesmo que disse?
- Não estou cem por cento segura... - admitiu ela, prestando atenção à reação dele. - Já falhou antes e não era nada...
Harry a fitou longamente, sério. Afastou as mãos dela de seu pescoço e as envolveu com as suas.
- Harry? - insistiu ela. - Ficou aborrecido? Não deveria ter falado nada antes... Talvez nem seja...
Ele a beijou.
- Espero que seja, meu bem. Nós já sabemos ninar e dar banho em bebês. Seria uma pena desperdiçar tanta habilidade...
Ela riu e o puxou pela mão, afastando-o das outras pessoas.
- Você acha mesmo que daremos conta, Harry, você e eu?
- Teremos de tentar, meu bem, teremos de tentar - disse ele, amassando e jogando ao vento o bilhete que Sam lhes dera. - Afinal, não deve ter sido à toa que o destino juntou nossos nomes em um bilhete.
FIM
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N/A – Oie meus amores...Chegamos ao final de mais uma história... Espero que vocês tenham gostado tanto quanto eu gostei.
Mais uma vez meu muito obrigado a todos aqueles que comentaram no decorrer da fic...Vocês conseguem imaginar o quão legal é abrir o e-mail e ver que chegaram reviews... Obrigado de novo
Antes dos agradecimentos, quero fazer uma pequena enquete..pode ser? Tenho dois livros em mente. O primeiro contém muitas cenas NC17, demais até... o segundo tem NC17 mas é em menos quantidade...quero saber se vocês preferem uma fic bem caliente ou uma mais tranqüila... Espero respostas...
Agora sim vamos aos agradecimentos.
2Dobbys – Oie flor...sinto muito que não tenha o casamento, mas ficamos sabendo de bastante coisa neste capítulo. Eu pensei em dividir em 2, mas como estarei talvez de mudança para outra cidade..eu não ia poder postar...Pra evitar qualquer atraso resolvi presentear você e todos que lêem. Espero você na próxima fic.
Trisk-chan - Obrigada por acompanhar a fic e por comentar. Espero que goste deste capítulo... Será que nos encontraremos numa próxima fic?
Malu Chan – Ta desculpada sim...eu entendo que nem sempre as pessoas queiram comentar e sei que se você pudesse comentaria sempre... Quem sabe numa próxima história você possa deixar reviews sempre. Já passei por essa fase e sei como a época do vestibular pode ser estressante. Desejo bastante sorte e que você passe no vestibular =)
