O Futuro a Nós Pertence
Capítulo 10
Disclaimer: Saint Seiya não me pertence.
Era um duro dia de treinamento na Grécia. Nova Era havia acabado de acordar, sentindo o sol castigando seus olhos claros. Seu Mestre a olhava, sério, e a cumprimentou com um sorriso quando a moça entrou na arena.
- Novamente atrasada, Mabel.- Shun a olhava seriamente. Os cabelos do homem, agora curtos, voavam na direção do vento. – Você sabe que será castigada, não sabe?
- Não estou treinando para ter as coisas fácil demais. – Nova Era sorriu. Seu pulso estava machucado e enfaixado. Uma longa cicatriz pousava em seu ombro e seus cabelos estavam na altura de suas orelhas. – Não estou treinando para ter o poder de um cavaleiro de prata, como esses outros.
- Então você se machuca por que quer? – Shun pulou da plataforma onde estava e olhou para o rosto de Nova Era. Pegou duas correntes com pedaços de metal em cada uma, que pareciam realmente pesados. – O que você planeja com isso?
- O castigo nos torna mais forte, senhor. Não quero que minha força provenha do ódio, mas sim da severidade e da rigidez. – Nova Era pegou as correntes e as prendeu em seus pés, sentindo o enorme peso em suas mãos. – Não quero ser somente uma amazona qualquer, com um poder igual ao das outras. Não. Se for para ser uma amazona, eu quero ser a melhor.
Shun sorriu. Olhou para trás e gritou brandamente.
- Akio! – Um rapaz olhou imediatamente para o homem, curvando-se em reverência.
- Sim, mestre. – Akio tinha cabelos castanhos e curtos. Seus olhos eram de um castanho forte e vibrante, e seu rosto parecia iluminado. O garoto não tinha mais que 13 anos, mas parecia muito forte.
- Você vai lutar com Mabel hoje. Sem armas. Mabel não pode usar as pernas, então você está em vantagem. – Shun levou Nova Era para a arena central, onde outros treinavam. – O objetivo é imobilizar, não machucar, entendido?
- Sim, senhor. – Os dois falaram em uníssono, concentrados.
- Podemos usar nossas técnicas, senhor? – Akio perguntou, apertando as ataduras que estavam em seus dedos.
- Você acha que está preparado para receber a técnica de Mabel? – O rapaz a olhou, assustado.
- S-sim. – Ele assentiu com a cabeça, enquanto Nova Era sorria.
- Não vou machucá-lo, Ak. – A moça ruiva deu um risinho.
- Não preciso de suas condolências, Amamiya. – Akio apertou o punho.
- Não se deixe levar pelo falatório, Akio. Ela está tentando dominar você... E está conseguindo. – Shun sentou-se em uma rocha, enquanto os outros aspirantes se aproximaram para ver a luta. – Mal começamos e você já está perdendo.
Akio mordeu o lábio inferior, sabendo que o mestre estava certo.
- Vamos começar Akio. Ou está com medo? – Nova Era continuou a provocação, o que fez Akio se enfurecer e atacá-la, com um soco.
- Grande Punho Esmagador! – Akio avançou para cima de Nova Era, que desviou por baixo dele, passando por entre suas pernas.
- Forte. Mas muito devagar. – A ruiva sorriu. De suas mãos formaram-se pequenas fogueiras, que ela lançou não contra Akio, mas contra o chão. – Fiiireeee Hurricane!
Uma grande labareda de fogo se formou ao redor de Akio, que ficou impossibilitado de sair. As labaredas eram tão altas que não se dava para saltá-las, e o circulo de fogo estava tão quente que ele não conseguia nem pensar.
Shun levantou-se e, com uma das mãos, formou uma rajada de vento que dissipou as chamas.
- Precipitado demais, Akio. Nunca conseguirá a armadura de Cão Maior assim. – Akio olhou para baixo, com uma expressão raivosa. – Precisa controlar seus instintos.
- Mas, mestre...! Mabel ganhou tão fácil, isso... Isso deve ter sido algum erro, eu... – Akio não se conformava. Apesar de não olhar para Shun, seus olhos estavam raivosos.
- Não fui injusto, Akio. Mabel, mesmo com os pés impossibilitados, conseguiu livrar-se de seu punho com grande facilidade. – Shun aproximou-se do discípulo. – Não estou o julgando mal, mas creio que seu treinamento está longe de acabar.
Akio apertou os punhos.
- Sorte sua que tem o mesmo sangue que ele, Mabel! – Akio gritou, com lágrimas nos olhos. – Todos nós sabíamos que você iria ser a preferida!
Nova Era, como um raio, segurou Akio pelos braços e o jogou no chão, prendendo-o.
- Seu idiota! Acho que quero algum tipo de benefício? Acha benefício lutar com correntes apertando seus braços e pesos impossibilitando seus movimentos? Acha benefício lutar com vendas nos olhos e escalar montanhas com 800 quilos em suas costas? Se sou forte, é porque batalho por isso. Você deveria se empenhar mais, ao invés de ficar reclamando. – Nova Era deu-lhe um soco no rosto, fazendo seu lábio sangrar um pouco. – Você tem o mestre mais bondoso de todo o Santuário. O homem que faz de tudo para não abandonar nem mesmo o seu mais fraco discípulo,aquele que deixa de lado suas próprias obrigações para treinar gente como você e você o julga injusto? – Novvy saiu de cima dele. Apesar de estar apenas com 12 anos, tinha o rosto firme e maduro. – Você... Não merece ser um cavaleiro de Athena!
Akio limpou o sangue da boca, olhando para Nova Era com raiva nos olhos.
- Por que você treina conosco? Você está lutando pela armadura de Fênix, não é? Por que não treina com o seu pai, e vai embora daqui? – Ele alfinetou, fazendo a ruiva calar-se um pouco.
- Akio, não fale esse tipo de coisa! – Uma amazona apareceu. Estava com uma máscara no rosto, segurando um chicote com suas duas mãos.
- Megumi! Eu sou seu irmão...! – O rapaz gritou, olhando para a amazona, que vestia a armadura de camaleão.
- Não importa. Está sendo invejoso e rebelde, e magoando Mabel. – Megumi, que tinha lindos cabelos escuros argumentou, com delicadeza na voz.
- Não, Megumi-Chan. – Nova Era falou, sorrindo. – Ele está certo. – Ela virou-se para Akio. – Eu iria, se ele não tentasse me matar.
Então ela sorriu e foi para a arena mais afastada do grupo, para treinar sozinha, como sempre fizera.
Nova Era estava olhando pela janela do avião. Estavam quase todos acomodados, menos Mira, Saori e Lilly, que discutiam sobre algum assunto referente à viagem. Sentado ao lado de Novvy estava Yuri, balançando no ritmo da música que escutava em seus headphones.
- Onde achou esse discman? – Novvy perguntou, tirando das orelhas do namorado e colocando em sua própria cabeça. – Desde quando escuta Billy Idol?
- A – Foi o Seiya-san que me emprestou. B – Desde sempre. Parece até que não me conhece. – Yuri fez uma cara emburrada, tirando os headphones da cabeça da ruiva.
- Yuri... Talvez... Talvez a gente realmente não se conheça. – Ela falou, antes que ele pudesse colocar o acessório de volta na cabeça.
- Como assim? – Ele desligou o discman, olhando sério para a namorada.
- Faz somente um ano que você voltou da Islândia... Parece que faz uma semana que nos reencontramos. É estranho... Saber que passei quase dez anos sem vê-lo... – Ela alisou a barra da camisa negra que usava, com uma estampa que dizia "I Rox", em letras graúdas.
- Mas... Mabel... A promessa que fiz continua de pé! – Yuri tocou a mão amorenada da moça, que contrastava bruscamente com a pele excessivamente branca do rapaz, mesmo que ela não chegasse a ser escura. – Eu ainda vou ficar junto de você, pra sempre!
- É... Justamente isso. Não quero que você fique preso a uma promessa. Se quiser acabar comigo, Yuri, você pode. Você não tem a obrigação de ser meu na-
- Mabel; não. – Yuri colocou a palma da mão na boca da moça, calando-a. – Eu estou com você, depois de tanto tempo separados, porque eu te amo. Não quero perder a oportunidade de ficar com você, até por que... Você sabe...
- Nós podemos não nos ver nunca mais, depois de voltarmos. – Novvy continuou a olhar pela janela, o que fez com que o loiro virasse o rosto pequeno da moça para ele.
- Eu não tenho medo de te perder, você sabe. Mas seria algo imperdoável passar esse tempo que nós temos juntos longe um do outro. – Ele sorriu. – A não ser que você queria me deixar...
- Não! – Mabel falou alto, fazendo com que algumas pessoas de dentro do avião olhassem para ela. – Vamos aproveitar cada segundo!
- Então, tira a roupa! – Yuri fez dois "legais" com os dedos polegares das mãos, enquanto dava um sorriso de pura alegria, que era claramente falso.
- Para de assistir hentai! – Nova Era bateu com força no alto da cabeça dele, o que o fez apertar os dentes e fechar os olhos.
- Mas eu nunca te vi pela-
- Nem nunca vai ver! – Novvy deu outro soco, dessa vez no ombro dele. – E fique satisfeito por poder me tocar. Humpf! – Ela virou-se emburrada para a janela, dando um risinho quando ouviu a risada dele do lado.
- Ainda bem que sou eu seu namorado... Ou então, algum outro tarado ia agarrar você contra sua vontade. – Yuri colocou novamente os headphones e encostou a cabeça no ombro de Nova Era, fechando os olhos. A moça sorriu e alisou os cabelos dourados do namorado, continuando a olhar pela janela.
Miúsa estava sentada na cadeira logo atrás dos dois. Estava bastante recuperada, já que sorria e gargalhava, conversando com Kala. A amazona de Capricórnio ouvia tudo, mas de olhos fechados e sem falar nada. Para responder o que Miúsa falava, ela utilizava a linguagem das libras, usada por mudos e surdos. Apesar disso, Miúsa não parecia achar estranho, e continuava tagarelando alegremente com seu sotaque levemente latino. Sua perna estava enfaixada, e não parecia ainda estar sob efeitos do veneno, mas ela não a mexia muito bem.
- Kala, você já começou com seu ritual? – Cátia perguntou por cima da cadeira de Kala, pois ela estava sentada na cadeira logo atrás. Com suas mãos, Kala respondeu que não era um ritual, mas algo que ela precisava fazer.
- Seu pai que a ensinou isso, não foi? – Miúsa perguntou, olhando feliz para a moça loira de mechas roxas.
Kala assentiu com a cabeça, e se encostou à cadeira, parecendo dormir. Cátia e Miúsa voltaram ao lugar onde estavam, pois sabiam que a amiga não comentaria mais nada.
Estella estava ao lado de Cátia, rabiscando uma folha de jornal.
- O que é isso que você tanto faz? – Cátia perguntou, olhando para o papel.
- Sudoku. – Estella falou, coçando a cabeça com o lápis. – Não vale, Ikki-sama! Esse está no nível superpowerdifícil! – Estella falou, olhando para o homem que estava na cadeira atrás da dela.
- Não está tão difícil assim, Estella. Você é que é impaciente. – Ele riu. Estrela, que estava sentada ao lado dele, deu um risinho também, mas não ousava falar com o rapaz. Estava vestindo uma calça jeans clara, com uma camiseta branca e sapatilhas, contrastando totalmente com o rapaz ao lado, que vestia um jeans escuro e surrado, rasgado em algumas partes, que combinava perfeitamente com uma camisa do Iron Maiden, escura e envelhecida. A loira virou os olhos para Ikki, que sorria inconscientemente. Notou que, apesar de ter um rosto fechado e emburrado na maior parte das vezes, ele sorria como uma criança, mostrando todos os dentes. Seu sorriso era verdadeiro, e iluminava os olhos azuis do rapaz quando ele o mostrava.
- Você parece estar se divertindo à custa dela, Ikki. – Estrela comentou, fazendo-o virar para ela.
- Claro que não! Só que ela desiste muito fácil. – Ele mesmo começou a resolver o desafio no papel. – Esse só está um pouco mais difícil que o normal...
- Não é minha obrigação saber resolver esse tipo de coisa, sabe? – Estella comentou, soltando um muxoxo. – A única coisa que preciso saber, sei e muito bem. – Ela deu uns socos no ar, fingindo atacar um inimigo.
Cátia revirou os olhos, comentando um pouco alto demais:
- Agora sei por que você prefere fechar os olhos, Kala. – Estrela soltou uma risadinha do bando de trás, enquanto Mira entrava animada no ônibus.
- O que foi? Qual é a graça? – A indiana perguntou, pisando fraco. Não estava com sua túnica costumeira, mas com uma bata amarela e vermelha, com uma calça por baixo. Havia uma faixa de pano em seu ombro, cobrindo-a até a cintura, onde se fixava. Sapatilhas de couro enfeitavam seus pés, e ela vinha seguida de Kiki, que estava vestido com uma camisa branca e um jeans normal, quase não parecendo ele mesmo.
- Não tem graça nenhuma. Só a Cátia tirando outra com a minha cara. Aprendeu a ser piadista onde? – Estella pareceu ficar bastante irritada, o que fez Miúsa virar-se do banco da frente.
- Deixa de besteira! Você vive tirando piada com a gente! Tem mais é que sofrer mesmo! E te callas! – Miúsa pareceu não gostar da crise de estresse de Estella, a recriminando com um tom duro de ironia e graça. – Você deveria ser mais como sua mãe.
Um clima desconfortável formou-se no interior do veículo. O pessoal que estava do outro lado do avião olhou-os com estranheza.
- Vocês douradas têm muito ódio no coração. – Chichi comentou, fazendo Soushi, Natássia e Hailin concordarem com ela.
Depois que Lilly e Saori entraram no avião, e todos dentro se acomodaram, eles esperaram até chegar à Grécia.
Chegando ao Continente Velho, os cavaleiros e amazonas olharam extasiados para fora das janelas. Lá estavam os cavaleiros de ouro do "passado", que haviam sido revividos por Saori depois da última Guerra Santa, como forma de agradecimento pela dedicação fervorosa de todos eles. Alguns não puderam ser salvos, mas em sua maioria, os cavaleiros de ouro estavam presentes dentro de suas respectivas casas.
- Eu estou tão ansiosa...! – Hailin comentou, apertando uma mão na outra. – Quero muito escutar o que eles vão dizer sobre nós...! – Não podendo ver, ela se contentava sabendo que haveria muitas histórias a serem contadas, e muitas vozes conhecidas.
- Não fique tão ansiosa assim, Hailin. – Natássia falou, segurando as mãos da chinesa. – Eles nem fazem idéia de quem nós somos.
- Eles vão saber rapidinho...! – Soushi comentou, mostrando à Natássia a visão de fora da janela.
Natássia arregalou os olhos. Os cavaleiros de ouro estavam todos à frente de suas casas, observando o avião descer ao chão.
Todos desceram, menos Mira. Ela ficou nas escadas, olhando com medo as casas feitas de mármore.
- Vamos, Mira! – Lilly puxou a amiga pela mão, que desceu sem querer. – Do que está com medo?
- Minha mãe está aqui, Lilly. – A moça estava com olhos arregalados. Kala colocou tocou uma das mãos de Mira, mas a moça mais velha negou com a cabeça. – Desculpe, Kala. Não consigo escutá-la. Por que não fala por Kiki? – Ela deu um sorriso sem graça, e Kala tocou a mão de Kiki.
- Ela está pedindo desculpas, Mira. – Kiki falou, vendo como Mira se sentia sem jeito pelos cavaleiros de bronze antigos olharem-na. – Ela esqueceu que você não podia ouvir. Ela disse que você deveria se acalmar, e tentar ser forte. A mãe dela também está aqui, não é?
Mira assentiu, olhando para a casa de Virgem. Seus olhos entristeceram, mas ela sorriu.
Eles seguiram caminhando para a casa de Áries. Precisavam juntar todos na sala do Mestre, para que cada detalhe pudesse ser resolvido na presença de todos. Ainda tinham um caminho levemente longo para seguir.
Bryndís parecia mais madura que o normal. Seus olhos azuis estavam fixos no cavaleiro que os esperavam à frente da casa de Áries. Ela segurava um colar, com uma expressão preocupada.
- Parece que você sabe mais do que está nos dizendo... – Hyoga, que estava ao lado dela, comentou.
- Existem muitas coisas que eu sei e que não conto, patinho. – Ela disse, sorrindo. – Mas não é culpa minha. Eu só não posso contar.
Hyoga mordeu o lábio inferior.
- Eu gostaria de saber o que se passa na sua cabeça. – O loiro falou, levemente rápido.
- Talvez um dia você saiba, cavaleiro. Mas não hoje. – Bryndís deu um sorriso ameno, que ficava estranho em seu rosto. Ver um rosto tão feliz com olhos vazios era algo que não se encaixava de maneira alguma.
Todos carregavam suas armaduras. Depois do ataque à Miúsa, passaram a ficar um pouco mais atentos. Não esperavam outro ataque, mas mesmo assim não arriscavam suas costas. Estella ainda parecia perturbada. A amazona de câncer mordia os lábios e estalava os dedos de instante em instante, parecendo ansiosa. Seus olhos estavam inquietos, e ela tremia um pouco.
- O que houve, Estella? – Lilly perguntou, enquanto Estella apenas fez sinal de "não" com a cabeça.
- Não é nada. Estou apenas preocupada. – A morena soltou um muxoxo, parecendo triste. – A gente não devia ter trazido a Kala.
Lilly olhou para a frente, pensativa.
- Talvez não. Mas... O que podemos fazer? Talvez... Talvez ela não esteja ainda aqui. – Lilly falou, sorrindo.
- Espero que não esteja. A Kala tem quantos anos, mesmo? – Cátia meteu-se na conversa, aparecendo entre as duas.
- Minha idade. – Lilly falou, com seu sorriso apagando-se.
- Ela só vai nascer daqui a uns três anos. Acho que ela ainda não está aqui. – A amazona de Áries falou, delicada.
- É melhor não especularmos. – Miúsa apareceu, feliz. – Vamos apenas fazer o que viemos fazer. Kala é forte o suficiente para sobreviver a esse tipo de coisa! Vamos em frente!
Então ela sorriu, fazendo com que as outras a retribuíssem. Então passou à frente delas, seguindo pelo caminho montanhoso e cheio de impecilhos.
Continua...
N/A.: Olá novamente! Obrigada por todos que estão lendo, e por estarem acompanhando...! As coisas já estão começando a tomar seu rumo! Em breve, as aventuras ficarão cada vez mais intensas!
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