Capítulo 10 – A Sugadora de Almas

"Como ele ousava colocar os pés nas terras de sua família, profanar o salão e sequestrar um inocente".

Draco pensava com raiva enquanto se dirigia para a floresta proibida, que se encontrava posteriormente ao Salão de Espelhos. Indo exatamente em direção a localização da árvore principal da floresta.

Ele não gostava nem um pouco daquele local, aquela árvore em específico lhe dava arrepios desde que era criança. Por isso, para sua segurança, seu pai tinha ordenado a construção do salão para que o caminho para a floresta fosse bloqueado permanentemente.

Das poucas vezes que esteve na presença daquela árvore, Draco achava que ela fosse roubar sua vida.

Antigamente, era naquele exato local que Voldemort sacrificava vários jovens, não importando se era homem ou mulher, para roubar a essência de suas vidas, sua juventude.

Ele os levava para aquela árvore que ficou conhecida como "A Sugadora de Almas", para roubar sua energia vital. E se o jovem tivesse algum sangue mágico, Voldemort ficava extremamente feliz, pois além de "sugar" sua juventude, adquiria também à capacidade mágica da vítima, mesmo ela não sabendo que possuía tal habilidade.

Voldemort, aquele monstro, ele prendia suas vítimas a sugadora de almas por meio de correntes e depois mordia seus pescoços para que ficassem sangrando, como se fosse alimentar a arvore e quando estavam para dar seu último suspiro, ele sugava sua energia vital usando a árvore como canalizadora.

Draco sabia dessa informação porque conseguira capturar um dos servos de Voldemort, que sob tortura, confessou como seu mestre conseguia se manter jovem.

Ele não era imortal, como Draco e sua família, ele era uma criatura perversa, um híbrido, que para conseguir o que queria não se importava em matar vários inocentes pelo caminho.

Quando Helena disse que ele fora trás dela, Draco nem quisera escutar tudo que ela tinha o que falar. Somente fora conversar com seu pai e o mesmo tinha ordenado uma caça imediata para aquele que perturbava a noiva de seu filho.

Muitas vezes ele amargamente se arrependeu de nunca ter escutado tudo o que Helena queria lhe falar.

Draco nunca imaginara que aquele monstro se vingaria da maneira mais desprezível possível.

Ele matara Helena no dia do casamento de ambos.

Ainda lembrava-se daquele dia como se fosse ontem. Lembrava da felicidade e nervosismo que todo noivo tinha antes de se casar. Naquela época, só pensava que estaria eternamente com sua Helena e seria extremamente feliz.

Só que sua felicidade foi tirada dele de forma hedionda.

Naquela noite, quando a criada Marie disse que Helena estava dando os toques finais e seu vestido e que logo desceria, ele ficara ansioso para vê-la coberta por seda e renda branca, em seu vestido de casamento, quando ele finalmente se tornaria sua esposa.

Os minutos passavam e nada dela aparecer.

Uma hora depois, todos já estranhavam a demora da noiva, por isso Draco tinha pedido para a criada verificar se algo não tinha acontecido ou o porquê de Helena estar demorando tanto.

Foi quando escutou um grito de puro terror, que algo estava errado.

Correndo para o quarto dela e entrando, visualizou a cena que nunca sairia de sua mente enquanto vivesse.

Sua Helena, sua amada, jazia imóvel no chão no centro do quarto, seu vestido branco coberto de sangue e uma mensagem no espelho de Voldemort, que dizia: "Ela pagou por ter me desafiado, o próximo será você". A mensagem tinha sido escrita com o sangue de Helena.

E a partir daquele momento, ele soube que nunca mais seguraria seu belo anjo em seus braços.

Enquanto se aproximava da sugadora de almas, Draco ficava apreensivo de que quando chegasse ao local, encontrasse um corpo sem vida e que Voldemort tivesse tido êxito do que estava procurando.

Mas parecia que a sorte estava do lado dele, pois quando chegou ao local observou que o rapaz ainda estava vivo, o que era estranho, por que Voldemort fazia questão de realizar o ritual da árvore o mais rápido possível.

Chegando ao limite em que não seria percebido, Draco percebeu que Voldemort falava com o jovem sobre algo. Ele falava de uma história que Draco não entendeu muito, depois falou de Helena e nessa hora ficou tentado de sair de sua posição e rasgar a garganta daquele maldito. Ele não entendia muitas partes da conversa devido a distancia que se encontrava. Mas se ele conseguisse salvar o jovem, perguntaria o que Voldemort queria com ele.

Quando observou melhor, viu o garoto ficar pálido numa parte da conversa, então percebeu que o monstro tinha acabado seu monologo e preparava-se para morder o pescoço de sua vítima, ele decidiu que era a hora de interferir antes que algo terrível acontecesse.

Na hora que se revelou estava tão irritado com as atitudes e a presença de Voldemort, que não consegui se controlar e acabou mostrando sua verdadeira natureza.

No momento que Harry olhou para ele, sua face mostrava choque e medo. Mas também se percebeu em seus olhos uma alivio pelo aparecimento de Draco. Mas ele não parecia bem, aparentava estar ficando fraco. Fazendo que ficasse claro que a árvore estava sugando a energia de Harry, por isso decidiu agir rápido e tirar o rapaz de lá.

- VOLDEMORT! Hoje você não escapa com vida. – disse de maneira sombria.

Dando um sorriso zombeteiro, respondeu:

- Veremos jovem Malfoy – e depois olhou para trás.

Seguindo o olhar do outro, percebeu o motivo do sorriso maldoso.

Harry tinha desmaiado.

- E agora Malfoy, você irá me matar ou irá salvar o pequeno Harry.

Naquele momento, Draco não sabia o que fazer, por um lado tinha a oportunidade de matar aquele que matou sua Helena, mas por outro, não podia deixar o garoto morrer, primeiro porque ele não tinha nada haver com aquela história entre ele e Voldemort, segundo que Amelie nunca iria perdoá-lo se seu amigo morresse e principalmente, não queria o sangue de mais um inocente em suas mãos.

Voldemort vendo sua batalha interna falou de modo perverso.

- Parece que você não sabe o que fazer. Bem... Enquanto você pensa, o garoto fica está mais próximo da morte.

Quando Voldemort falou isso, todas as dúvidas de Draco foram resolvidas e ele decidiu salvar Harry, pois a vida dele valia mais que a desse monstro e ele ainda oportunidade e a eternidade para achar esse lunático.

- Sempre soube que você era um fraco Malfoy – Zombou Voldemort, quando Draco dava a volta na árvore para destruir as correntes que prendiam Harry.

Dando uma olhada para o herdeiro dos Malfoy e Draco o olhando de volta, Voldemort foi embora numa cortina de fumaça negra.

Voltando sua atenção para Harry, Draco percebeu que o rapaz estava cada vez mais pálido e sua respiração estava ficando mais devagar a cada minuto. Mostrando a gravidade da situação.

Na tentativa de quebrar a corrente, algo inesperado acontece. As raízes da arvore começam a aumentar, era como se a mesma não quisesse que Harry fosse libertado, pois as raízes começaram a cobrir o corpo do rapaz.

Desesperando-se por causa da situação, Draco tenta quebrar as correntes com mais rapidez e força. Depois de muito trabalho e esforço, conseguiu a liberação do garoto, que aparentava estar bastante fraco. Quando tinha tirado Harry perto da árvore, a sugadora de almas volta para a sua antiga forma, mas tinha algo diferente que Draco não saberia dizer.

Pegando Harry no colo, saiu da floresta proibida e dirigiu-se para o castelo, indo embora daquele lugar maldito.

Se ele tivesse observado com mais atenção, perceberia que o tronco da árvore deixou de ter seus troncos retorcidos e que ela começava a florescer. A Sugadora de Almas deixava de ser uma árvore amaldiçoada e voltava à vida, como tivesse sido curada.