Capitulo dez - Salvando o Imperador

Kagome se aproximou dos portões, viu os soldados carregarem uma enorme estátua de pedra para baterem na porta tentando abri-la. Traçou o caminho que deveriam fazer, apenas com o olhar, até onde avistou Naraku.

- Não vão chegar a tempo desse jeito.

Foi quando algo lhe passou pela mente e sorriu com o próprio plano. Correu até o trio que junto a Inuyasha carregavam o mesmo lado da estátua e assoviou lhes chamando atenção.

- Rápido homens! Tive uma ideia.

Ela correu para a direita do palácio. O trio se entreolhou e sorriram, dariam um voto de confiança àquela que provara ser tão forte quanto eles, uma boa guerreira para uma mulher. Inuyasha ficou perplexo quando os viu seguindo o trajeto de Kagome, praguejou um pouco por ter sido abandonado por alguns de seus soldados. Ela vai ajudar. Ele balançou a cabeça negativamente.

- Devo estar ficando louco. - comentou consigo antes de seguir o mesmo caminho.

Chegou perto deles e os viu vestidos de mulher, uma cena muito engraçada pois Kouga estava com a barba pra fazer e parecia literalmente a mulher com barba; segurou-se para não cair em uma gargalhada. Aproximou-se do grupo e a ouviu dizer:

- Preciso que me ajudem, vocês são youkais, com um pulo conseguem entrar e eu não passo de uma humana.

Kagome fora surpreendida por uma mão forte em seu ombro, voltou-se para quem lhe tocara e quase caíra de tanto susto. Inuyasha? Ali? Com eles? O que ele queria? Estragar o plano dizendo que não poderiam conseguir se fossem liderados por uma mulher? Queria sentir raiva dele, mas... Apenas o olhou surpresa, tentando entender o motivo dele estar ali. Ficou mais surpresa quando ele passou o braço em sua cintura aproximando mais os corpos, inconscientemente a respiração dela ficou um pouco desregulada e Inuyasha sorriu com isto.

- Vou ajudar. - ele disse.

- Vai? - não escondeu sua surpresa - Mesmo que...

- Você tem minha confiança. - afirmou e viu os olhos dela se arregalarem um pouco mais - Não quis acreditar em você e... o Imperador acabou por ser levado. - desviou o olhar - Por mais que tenha fingido ser um soldado - encarou-a mais uma vez, decidido - Confio em você e vou te ajudar no que precisar. - olhou para os soldados - Só não me peça para fazer papel de palhaço.

Ela riu,o que soou agradável aos ouvidos do hanyou, e os outros fecharam o rosto.

- Eles não estão estão fazendo papel de palhaço Inuyasha. Mas... Tudo bem, não precisa se vestir de mulher. - ela estava nervosa, por mais que tivera momentos levemente comprometedores com Inuyasha quase revelando sua identidade, não ficara próxima assim ao rapaz, nem a qualquer outro homem.

Inuyasha podia ouvir o coração da morena acelerado e estava satisfeito com isso. Não pensou no que suas ações poderiam causar ao corpo feminino em seus braços. Olhou para os lábios dela em um ato involuntário, agora entendia o desejo que sentira; só não entendia o motivo de tê-lo sentido quando ela ainda representava um homem. Não queria pensar naquilo agora, pelo menos não enquanto não tomasse aqueles lábios tentadores para si.

- Suba Inuyasha, o imperador corre perigo. - a voz dela o despertou.

Havia esquecido do imperador, também foi permitir que o cheiro suave dela lhe atingisse as narinas; ficaria embriagado apenas com aquele cheiro! Apertando-a um pouco mais mantendo-a firmemente em seus braços avisou:

- Segure-se.

Ela passou os braços no pescoço dele e fechou os olhos, totalmente agarrada ao corpo dele. Sentiu-se segura, como há muito não sentia. Entraram no castelo e logo seguiam o caminho rumo ao local em que provavelmente o imperador estaria.

O local era vigiado pelos cinco comparsas de Naraku. O imperador aguardava calmamente a chegada do inimigo que logo apareceu em sua frente falando um "BU" e logo rindo maleficamente. O moreno de cabelos cacheados sentou-se de frente ao velho enquanto apontava a espada na altura de nariz do mesmo.

- Quem diria que eu realmente chegaria aqui, não é velho? - o outro manteve-se em silêncio - Então... A muralha não adiantou, seus homens falharam e agora... Você se prostrará diante de mim.

Kagome observou os guardas de Naraku, todos youkais. Ainda bem que trouxera veneno o suficiente para matar muitos (finjam que Sesshoumaru não seja imune a venenos, viu?) Virou-se para seus colegas e repassaram o plano mais uma vez, tendo a certeza de que nada esqueceriam.

- Alguma pergunta? - ela indaga.

- Eu tenho. - todos olham para Kouga, pensando no que o youkai poderia perguntar - Esse vestido me engorda?

Uma gota enorme apareceu na cabaça de cada um ali e Kagome teve de segurar Inuyasha para que o mesmo não socasse o outro. Assim que a viu ao seu lado enlaçou sua cintura e a aproximou de si um pouco.

- Tenha cuidado. - pediu.

- Acredite terei. - respondeu sorrindo - Tive um ótimo comandante que me ensinasse a ser precisa e habilidosa.

Ele sorriu agradecido e, se não fosse pelo pigarro que os outros deram, não a largaria tão cedo. Era hora de colocar o plano em ação. Os quatro foram até os homens que ali guardavam sem parar o local de acesso a Naraku e ao imperador; Sesshoumaru teria atacado se Jaken não chamasse sua atenção.

- Concubinas.

- Tão feias quanto a peste. - disse Sesshoumaru, que percebeu Jaken dando atenção a uma - Naraku não vai gostar nada disso.

- Ele não disse nada sobre elas.

Em dado momento, Ginta descuidou-se e uma maçã saiu de debaixo de sua saia, tentado disfarçar virou-se de lado e usou o leque que tinha para manter o volume. Jaken pegou a maçã e entregou-a para Ginta que logo o golpeou com uma faca banhada em veneno. A luta que tiveram fora intensa apesar de rápida. Agilmente, os quatro domaram os cinco guardas, com um pouco de dificuldade, conseguiram cravas lâminas com veneno neles, os matando logo em seguida.

- Inuaysha, vá! Agora!

O hanyou atendeu o aviso da morena e subiu o mais depressa que conseguiu.

Naraku ainda tentava convencer o velho imperador a se prostrar diante dele, mas a única coisa que conseguia era aumentar sua raiva. Apontou mais uma vez a espada ao velho e disse:

- Minha paciência está esgotando. Curve-se!

- Assim como a montanha não se curva ao vento que tenta com todas as forças derrubá-la, jamais me curvarei.

- Então se curvará... EM PEDAÇOS!

Quando a lâmina estava para encostar no senhor de mais idade, Inuyasha apareceu e protegeu o mesmo. Chutou o rosto do inimigo e o afastou. Viu Kagome logo atrás de si seguida pelo trio.

- Tirem-no daqui.

Kohaku reverenciou o idoso.

- Me perdoe majestade.

Pegou-o no colo e se dirigiu a uma corda que Kagome encontrara. A morena viu os três descerem e estava para descer quando viu Naraku gritar.

- NÃO!

Sentiu o coração apertar ao ver que o moreno bateu com força na cabeça de Inuyasha, o nocauteando. O que faria? Naraku andava em sua direção para correr atrás do imperador. Tinha de impedi-lo. Pegou uma espada ali jogada e cortou a corda, afastou-se depressa para que Naraku não a alcançasse e aproveitou para tentar reanimar Inuyasha. Acariciou a face masculina que aos poucos abriu os olhos, abraçou-o fortemente.

- Inuaysha! Que bom que está bem!

- Kagome? O que...

O grito de Naraku soou ao ouvir o brado de alegria do povo. Inuyasha tentou se levantar com a ajuda de Kagome, todavia a afastou ao ver Naraku vindo em sua direção, tirou uma pequena faca, mas esta fora tirada de sua mão com um golpe e o moreno o segurou pela garganta apertando cada vez mais, tirando-lh o fôlego.

- Vai pagar por isso! Por culpa dos seus homens perderei o que tanto almejei! A culpa é toda sua! - sentiu algo ser tacado em sua cabeça, o que nem cocegas fez.

- Não é verdade! A culpa é minha!

Ela prendeu o cabelo e o inimigo a reconheceu.

- O soldado da montanha!

Distraído, Naraku só foi impedido de continuar porque Inuyasha o atacou e pegou Kagome levando-a até a porta da saída.

- Saia daqui agora. Eu cuido dele.

- Mas Inuyasha...

- Por favor, Kagome.

Ela viu a preocupação exposta nos olhos do rapaz, ele estava preocupado com ela! Sorriu e assentiu. Correu o máximo que pôde, pelo menos até uma janela que estava a esquerda de onde estivera. Shippou apareceu do nada com o esqueleto do que parecia ter sido uma ave.

- Então? O que achou da ave do louco?

- Essa é a águia?

- Corrigindo: era.

Ela sorriu e olhou pela janela. Precisava de algo forte para deter Naraku.

- Shippou, você poderia trazer alguns fogos de artifício?

- Pra quê? Você não... Ahhh... Entendi! Pode deixar chefia.

Ela sorriu, precisava levar Naraku para mais alto e Inuyasha o poderia fazer. No entanto, sem sequer pensar que poderia ocorrer, Naraku aparece atrás de si atacando com tudo que tem. Ela desviou habilmente e, quando tentou subir em uma das pilastras de madeira, seu inimigo cortou a base e acabou por destruir a parede, deixando Kagome pendurada por seus braços. Subiu da madeira e pulou alcançando o teto rapidamente, sem olhar para trás. Equilibrou-se e passou a medir a distância ideal para que seu plano fosse executado. Naraku surge atrás de se, mesmo um pouco assustada colocou-se em posição de luta com um leque tampando seu rosto.

- Chega de truques!

Atacou com a espada em mãos e com um movimento rápido com o leque, ela desvia do rosto para que não fosse atingida, girou o leque e tirou a espada da posse de Naraku e a tomou para si. Colocando-se mais uma vez em posição de luta falou:

- Agora Shippou!

Ele soprou e um enorme fogo de artifício foi ativado. Impedindo Naraku de fugir, Kagome o deu uma rasteira e o prendeu com a espada, passou o mesmo, pegou Shippou e pulou do telhado pouco antes da explosão. Segurou-se em um balão de ar e desceu pela corda, teve de soltá-lo, pois de qualquer jeito cairia, uma vez que a corda fora cortada com a explosão; acabou por cair em cima de Inuyasha.

- Kagome? - ele perguntou ao vê-la.

- Inuyasha!

Levantaram-se e se abraçaram até perceberem o que faziam e se fastaram rapidamente. Naraku já era! E a China agora poderá dormir em paz de verdade.