Título – L'Ame Immortelle

Resumo: Mu tem a capacidade de ver espíritos, e acha que ninguém pode ajuda-lo. Mas o que ele fará quando descobrir que não é bem assim? ShakaxMu

Disclaimer: Nenhum dos Cavaleiros me pertence, todos são de direito do titio Masami Kuromada, ta certo que se eles fossem meus não seriam tão tortos como no mangá, mas, deixando isso de lado, eu não ganho nada escrevendo isso, apenas escrevo porque gosto muito!

Boa diversão!

Música Tema – "Auf Deinen Schwingen" (L'ame Immortelle)

Parte X

"When I look up from my pillow
I dream you are there with me
Though you are far away
I know you'll always be near to me

I go to sleep, sleep
And imagine that you're there with me
I go to sleep, sleep
And imagine that you're there with me

I look around me
And feel you are ever so close to me
Each tear that flows from my eye
Brings back memories of you to me"

Havia muito barulho, muito barulho e sirenes, sirenes por toda a parte. O caos era repleto de luzes iridescentes banhando a escuridão inacabável.

Na sala de espera, Shaka sentava-se derrotado, os cotovelos apoiado nos joelhos, o rosto jogado entre as mãos. Seu corpo treme de leve e ele encolhe-se mais no lugar. A luz artificial fazia um chiado alto acima de sua cabeça.

A sua volta o hospital tinha vida, uma moça pegando algo para beber da máquina de refrigerantes.

As portas de vai e vem se abrem com um estrondo, Milo passando apressado por elas. Suas roupas mostravam alguém que se vestira com pressa excessiva para se preocupar com o que usava, jeans velhos e camiseta posta do avesso. Logo atrás de si Camus entra correndo.

-Eu vim o mais rápido que pude Shaka, o que aconteceu? – A voz do escorpiano era desesperada, carregada de urgência, mas, quando o loiro levanta o rosto carregado de lágrimas já choradas, os olhos conspurcados de vermelho, Milo estagna no chão, passando a mão nos cabelos em histeria.

-Não... – Murmura baixinho, mas um único olhar no rosto do outro e sabia que estava certo. – Não! – Murmura, dessa vez mais alto. – Não! Não! Não! – E agora gritava, balançando-se de um lado para o outro, sem saber o que fazer consigo mesmo. Seus olhos e voz embargavam, falhando, pesar e dor tomando sua feição, seus órgãos internos, seu pulmão, impedindo-o de respirar.

Camus chega logo atrás e o abraça, mas Milo esperneia-se, recusando ser consolado. Ele vira-se, os olhos úmidos e uma expressão de determinação e fúria renovada em seu rosto. O caminho até Shaka é de poucos passos e ele o levanta pelo colarinho.

-O que aconteceu? Me diga o que aconteceu! – E ele chacoalha Shaka com força, mas o loiro permanece sem reação, a encara-lo de seus vazios olhos azuis, pesarosos e opacos – Você não devia deixar isso acontecer! Você devia cuidar dele! Isso não podia acontecer! Não podia – E dessa vez as lágrimas obscurecem tudo e Milo sente-se desmontar, encolhendo-se, mas sem soltar a camisa de Shaka, soluçando contra seu peito.


-Mu, seu idiota! Por que ficou quieto e não falou nada? – Milo encarava o irmão ligado às máquinas que bipavam, os canos ligados a sua boca, sob a luz branca. Tinha certeza que ele sabia de algo e escondera, para protege-los. Quando aquele menino deixaria de ser tão imbecil e se preocuparia consigo mesmo? Partilhar preocupações para que eles todos não sofressem?

Fecha os punhos com força, os olhos marejados pelas lágrimas que insistiam em cair. As enxuga rápido, com as costas das mãos e encara a janela.

Precisava ter alguma coisa que pudesse fazer por ele.

Aparentemente, o que o médico havia dito, é que Mu estava em coma. Não havia nada errado em seu corpo, sua mente simplesmente parecia desconectada.

Pondera se seria possível trazê-lo de volta, embora soubesse, iria tentar. Não estava em si desistir daquela forma, não depois de tudo o que haviam passado, tudo aquilo que ele significava. Estaria pronto para sacrificar-se por ele. Só não esperava que o oposto se tornaria realidade.

Ele era o irmão mais velho. Era sua função protege-lo dos males do mundo, cuidar para que ninguém lhe fizesse mal. Era sua responsabilidade e havia falhado.

Um sentimento amargo e vazio preenche seu peito e sente-se estremecer em desespero. Areia coçava em seus olhos e o obrigava a coça-los, permitindo que as lágrimas caíssem. Sua respiração era travada, mas controlava-se. Não podia se dar ao luxo de entrar em pânico. Não quando tudo não estava perdido. Tudo simplesmente não podia estar perdido.

Engole em seco uma e outra vez, sentindo seus olhos arderem, como se areia estivessem a macula-los. Seu corpo inteiro treme, mas o segura em pé, sem se permitir desmoronar. Camus entra e prostra-se a seu lado, em silêncio, segurando sua mão. Não o olha, seus olhos não tinham foco. Aquilo era sua culpa e daria um jeito de consertar.

Ah, se daria.


A solução demora quase duas semanas para cair na cabeça de Milo, que parecia tão fora de si, que não conseguia fazer nada mais, não fosse andar pela casa, como um fantasma, querendo resolver tudo que estivesse em seu alcance, tão pilhado, incapaz de resolver nada.

Primeiro discute a resolução diversas vezes com Camus, incerto se aquele seria o melhor curso de ação a tomar. Chegando a conclusão que aquele seria possivelmente o único, ou pelo menos o melhor que conseguia chegar agora, resigna-se.

Ainda assim, no dia seguinte, quando pega o telefone em mãos, estava trêmulo de ansiedade. Não queria encontrar mais uma porta sem saída. Não estava conseguindo lidar com sua realidade atual, mas não sabia o que fazer para muda-la, tornando-se impotente como poucas vezes em sua vida.

De alguma forma tudo aquilo remontava um Milo adolescente, trabalhando para tirar o irmão internado em uma clínica particular e aquilo quase o levava a loucura. A diferença é que não era mais uma criança e Mu corria riscos muito maiores.

Não sabia nem ao certo se ele estava vivo e isso o fazia sofrer o indizível. A dúvida é o pior parasita do cérebro, comendo tudo a seu redor, habilitando a insônia e outros pequenos demônios para dentro do corpo humano.

Milo não tinha uma noite decente desde o ocorrido. Engole em seco e passa as mãos no cabelo, de forma nervosa. Sua respiração estava trêmula e segurava o telefone com tanta forma que podia ver seus tendões através da pele morena.

O telefone toca uma, duas, três, quase oito vezes até cair na caixa postal. A decepção é tanta e tão amarga, que faz seus olhos arderem. A quebra de expectativa é tão forte, que o deixa sem forças o resto do dia, embora, tenha de confessar, tentara mais uma dúzia de vezes, antes de desistir e se dar por vencido.

Não consegue sair para trabalhar e não tem forças para se importar. Encolhe-se no sofá e liga a televisão, mais para ter um barulho de fundo do que qualquer coisa. Sua mente perturbada ainda não estava pronta para lidar com aquilo, embora soubesse, precisasse juntar sua merda e ser capaz. Ninguém além dele seria capaz, ninguém era tão obrigado quanto ele a isso.

Era uma dívida que precisava pagar. Uma dívida como irmão mais velho, um irmão mais velho que falhara e tentava, de todas as formas, reparar seus erros passados.

Perto das quatro horas da tarde, consegue se por de pé, embora se sentisse fragmentado, o corpo inteiro doendo, como se perfurado por milhares de pequenos cacos de vidro, estilhaçado. Toma um banho curto e prático e põe uma comida no estômago. Estava tão leve e fora de si, que poderia voar. Precisava de coisas que o prendessem ao chão.

A comida o faz sentir-se consideravelmente melhor, mas ainda sem coragem de tentar novamente. Pega o celular e sente-se tentado a ligar para Camus, mas desiste, no último momento, não querendo incomoda-lo, mais do que vinha fazendo nos últimos dias.

O amante parecia tão cuidadoso. O tratava como se fosse partir a qualquer instante, andando cuidadoso, com as palavras e ações. O apoiava e fornecia carinho e força, sempre que necessário. Não podia pedir mais, não deveria abusar.

Respira fundo e volta a sentar no sofá, olhando o aparelho celular.

A seu redor, as horas se passam, o tempo muda, o dia escorre, a luz antes no céu, alcançando o chão, deixando para trás apenas a escuridão, em seu rastro derretido. Alguém descascara todo o giz amarelo do céu.

A porta se bate e Milo sai do transe, sorrindo fraquinho, ao ver o ruivo encara-lo com preocupação no batente da sala.

-Hey, como você está? – A voz era tão cuidadosa que quase se sente desmontar e chorar ali mesmo, mas se contém, levantando-se e indo abraça-lo. Camus o abraça sem contestar, segurando-o forte contra si.

Nada poderia ser mais real do que senti-lo, firme e forte contra si, ter seu corpo e seu cheiro impostos a seu corpo em seu momento mais fraco. O segura com força, prendendo-se a terra e fecha os olhos, respirando fundo. Aquele sempre parecia o único momento em que era capaz de respirar. A primeira tragada de ar quando o abraçava. Um pouco da tensão deixa seus ombros, devagar, cautelosa.

-Não consegui falar com ele – Murmura contra o pescoço alvo do rapaz, que parece surpreender-se.

-Não? O que aconteceu? – E o aperta também, com força contra si, pela cintura, beijando a parte exposta de sua pele em seu pescoço, arrepiando-o de leve.

-Ele não atendeu... – E deixa a informação morrer.

-Não quer tentar de novo agora?

-Na verdade, tenho medo – Não tinha vergonha de admitir nada para Camus, depois de todos os anos que permaneceram juntos, mas de alguma forma, ainda assim, aquilo lhe soou errado e covarde. Quase sujo – Tenho medo de que ele não vá atender.

Ele é tudo o que eu tenho.

É a frase que se recusava a falar.

-Milo... – Seu nome não passara de um suspiro nos lábios finos, mas foram o suficiente para estremecerem todo o seu ser, mais forte do que qualquer reprimenda ou injeção de ânimo. O rapaz alvo o conduz devagar, pela mão até o sofá creme, de couro, desviando da mesinha de centro baixa, de madeira maciça, entregando o telefone em suas mãos.

O aparelho parecia pesado e denso. Imagina se o tinha visto daquela forma a tarde. Portador de tanta força.

-Falou com o Shaka? – Quis saber, embora soubesse, lá no fundo estava apenas enrolando.

-Não consegui. Ele não veio de novo. Acho que está de licença, em casa. Não acho que esteja bem, talvez devêssemos tentar falar com ele amanhã, o que acha? – Milo suspira e anui, voltando o olhar baixo para o telefone. Parecia fraco.

Camus deposita a mão sobre a dele, cuidadosamente, em uma carícia e incentivo.

Milo fecha os olhos com força e puxa o aparelho do gancho, até a altura de sua orelha. Disca então o número que parecia ter decorado meses antes, tão enraizado estava dentro de si, aquela última luz, caminho.

Ainda assim, é só na terceira tentativa que algo muda, surpreendendo Milo a tal ponto, que ele fica estupefato, demorando longos segundos para se recompor. A seu lado, Camus sorri e se levanta, afrouxando a gravata do pescoço e massageando o lugar, de maneira cansada, recostando-se no couro macio.

-Alo? Alô? Alguém aí? Quem gostaria? – O homem quase desliga, antes que o loiro conseguisse achar suas palavras. Graças, isso não chega a acontecer.

-Lark? – Sua voz soava pequena e infantil, então a limpa, com firmeza.

-Sim? – A voz grave e profunda não parece reconhece-lo e Milo o xinga mentalmente por isso.

-Aqui é o Milo, irmão de Mu, o menino que via fantasmas. Nos falamos recentemente, lembra de mim? – O homem faz uma exclamação de surpresa, mas concorda rapidamente, um pouco entusiasmado demais para o gosto do escorpiano.

-É você que tem me ligado o dia inteiro? – O loiro concorda, fazendo o senhor rir, longamente do outro lado, deixando o que ligara impaciente, por ter de segurar suas informações. – Desculpe não atender antes, estou fora do país e venho dando palestras, estou bastante ocupado.

A informação é como um soco direto na boca do estômago de Milo, que se desaponta prontamente, mas não se permite abater totalmente.

-E quando o senhor volta? – Não queria soar excessivamente ansioso, mas não consegue evitar que um pouco do sentimento transborde em sua voz. Se o homem nota, não parece se importar, continuando recomposto e sério em suas respostas.

-Volto no final da próxima semana, por que? Há algo que precise discutir? Uma evolução no caso de seu irmão? – E aquela é a deixa, a deixa para que Milo vomitasse tudo o que sabia, tudo o que precisava compartilhar.

O homem escuta a tudo sem fazer um único comentário. O torrencial de informações não parece surpreendê-lo, ou pelo menos não deixa isso transparecer. No final de tudo, Lark lhe promete acelerar ao máximo o processo de sua viagem para fora do país.

Não podia fazer promessas e precisava ver o caso pessoalmente, para analisar a situação. De prontidão e de tão longe, não havia nada que pudesse fazer. Isso deixa Milo aflito e mais calmo em medidas alarmantemente iguais.

Desliga o telefone sentindo-se um passo mais perto de resgatar o seu irmão. Tinha uma promessa da melhor pessoa que podia ter no momento. Isso o faz respirar mais leve, uma, outra vez.


A partir do momento que colocaram os pés do lado de fora de sua casa, souberam, havia algo muito errado. O silêncio era opressivo e soava fora de tom, denso, invasivo.

Pressionam a campainha uma, quatro, seis, nove vezes e nada. Não estaria Shaka em casa? Mas se não estivesse em casa, aonde estaria? Ninguém o via há dias, sabiam disso por fontes seguras.

Começavam a ponderar chamar a polícia, já discutiam o assunto com seriedade, quando um pequeno clique é ouvido e a porta parece se destrancar, abrindo-se lentamente. O casal se entreolha, engolindo em seco.

Camus empurra a porta e os dois cruzam o batente.

O lado de dentro estava escuro, todas as cortinas fechadas, o cheiro era de uma casa que não via o sol a dias, um leve mofo. Milo esbarra em algo no chão e xinga mentalmente. Os dois caminham cegos por vários cômodos, sem um barulho ser ouvido.

Aonde diabos estava Shaka?

Camus finalmente puxa uma cortina, a poeira pairando no ar, em câmera lenta, pequena, vários fiapos esvoaçantes vistos contra a luz vítrea. Olham em volta, pasmos.

O lugar, antes impecável era uma mistura de destroços e lixo. Vários móveis quebrados, vidro, caixas de comida, muitas vezes intocada, garrafas e mais garrafas de vidro de alguma bebida alcoólica.

No sofá, em um canto distante, uma figura cobria os olhos.

-Shaka? – Ambos se aproximam, ouvindo um grunhido baixo de sua garganta. Param a sua frente, surpresos com seu estado, o cabelo desregrado, a roupa amarfanhada, parecendo ter sido usada por dias, uma calça de moletom escura baixa em seus quadris. Seu estado geral era constrangedor, o loiro parecia ter perdido vários quilos, em poucos dias. – Shaka? – Milo o chama de novo, suavemente.

O homem tira a mão dos olhos, os mesmos vermelhos e com olheiras pesadas, escuras.

-O que querem aqui? – Sua voz era cansada, metálica e pouco usada. A imagem da desistência e do luto pairava pesado no ar, de maneira densa e palpável.

-Só viemos... Ver... –Mas a sentença morre no meio do caminho de sua garganta, secando, diante do olhar dolorido do loiro, vazio. Os dois se olham e o olhar paira por alguns segundos, morrendo entre eles. Um clique e sente sua garganta travar. A culpa era tão forte, que o atinge com um impacto, quase fazendo-o tombar para trás.

Shaka culpava-se por não ter impedido o que acontecera a Mu. Por estar a seu lado e por estar cego. O sentimento quente remexe-se no corpo do escorpiano, trazendo um marejar a seus olhos claros. Ele cerra os dentes e os punhos, desviando o olhar.

-Tem conseguido dormir? – A voz suave de Camus e sua pessoa entram na frente de Milo, que se afasta, abraçando o próprio corpo, de maneira humilde, cabisbaixa.

Shaka sorri diante da afirmação, mas o sorriso mostrava seus lábios rachados, ressaltava a falta de expressão de seu olhar, a imobilidade dos arredores. Era uma espécie de vazio que se espalhava, agressivo.

-Dormir para que? – E remexe-se no lugar, estalando a língua Mas, diante do olhar duro de Camus, parece ceder em um instante, fraco, instável. – Não, não consigo fazer nada. Nem dormir, nem comer, me mexer... – E as mãos param de frisar a fala, o tom desce vários tons, não mais parecendo desesperada, apenas fraca. A voz embarga e o loiro por fim para de falar, coçando os olhos de maneira insistente. – Se era só isso que vieram verificar, por favor, peço que se retirem.

-Shaka... – Camus tenta novamente, mas o loiro o olha, ferino.

-Saiam – É tão resoluto, que o ruivo permanece no lugar por alguns instantes, incerto de como reagir. Por fim, no final de um minuto, vira-se, conduzindo um Milo quase imóvel pelo braço. Estava quase na porta, quando uma fraca chega a seus ouvidos, vagarosa, um estalido no silêncio – Não se preocupem, ficarei bem. Só preciso-... – A frase nunca é completada e os dois saem, permanecendo do lado de fora por vários instantes, entreolhando-se.

-Vamos sair daqui – Milo por fim acena, suspirando e alcançando o carro. A culpa de Shaka ainda pesava dentro de si e não queria pensar nisso, nem agora, nem nunca. Não gostava de reviver fantasmas, muito menos encontrar-se com eles.

Havia se visto naquele olhar, havia se visto, identificado e se assustado, afastando-se de supetão. A dor, a desistência... A culpa... Não conseguira esticar a mão para ajudá-lo. Eram tão próximos em sua dor, mas falhara em puxa-lo para cima. Engole em seco, deixando seu olhar vagar pela morta paisagem externa. Temia nunca ser capaz de fazê-lo. Morde o dedão e franze o cenho, sentindo dor... Descobrira. Mesmo que não quisesse, mesmo que inconscientemente...

O culpava também.

E o pior? Shaka sabia.

Tudo havia se revelado naquele cru instante, naquela troca de olhar.


Uma semana nunca antes se passara tão devagar.

O homem elegante estava no meio do recinto e sua presença, de algum modo, parecia ocupar muito mais, enquanto olhava, com seus olhos claros, tudo a seu redor, analítico. A janela estava aberta, permitindo que raios adentrassem, pelo vidro, vendado.

-Odeio esse cheiro – o homem diz, sua voz rouca e falha. Milo acena, concordando. A fragrância acre de desinfetante, os bipes e barulhos do hospital continuavam, pessoas correndo de um lado a outro, sirenes distantes, rodinhas constantes. O dia ia a pleno vapor, mesmo com a porta fechada.

A verdade é que Milo demorara para pensar em chama-lo. Demorara para fazer ou pensar em qualquer coisa, uma vez que, ao chegar em casa, desmoronara nas mãos do amante, chorando, quebrando, desfazendo-se.

Foram quase quatro dias depois quando se lembrara de Lark Greengrass e suas habilidades. O senhor elegante, ainda vestindo seu terno de tweed tinha os olhos claros quase transparentes contra a luz, seu cabelo, quase inteiro branco, com algumas linhas ainda alaranjadas da cor original refletindo amarelos no sol das dez horas da manhã.

O homem puxa as cortinas do quarto branco, fechando-as. E depois pega algumas pedras da maleta grande, que carregava consigo, estalando a língua, colocando-as em volta do corpo de Mu. Depois, cuidadoso, volta-se para o moreno, que parecia inseguro, esfregando uma mão à outra, de forma nervosa, passando o peso entre os pés, os olhos baixos.

-Fique junto a porta, por favor – O escorpiano acena, indo encostar-se a mesma. Em seus lábios havia um tremor, uma nova linha de estresse, que seguia até os olhos, envelhecendo-o anos além dos que possuía, pesando em sua fisionomia. Ele parecia cansado, esticado.

O homem senta-se em uma mesinha perto do pé da cama, a cadeira de plástico desconfortável, algumas pedras em mãos. Fecha os olhos e as chacoalha nas mãos, depois as espalha pela mesa, observando-as. Faz um grunhido com a garganta, como se algo não o agradasse, atitude que só deixa Milo mais nervoso do que já estava, depois repete o ato uma e outra vez.

Na terceira, as pedras ao redor de Mu começam a reluzir, fraco, mas inconfundivelmente, um brilho parco, esbranquiçado. O xamã fecha os olhos e cantarola algo em uma língua rústica, hebraico, romeno. Algo que o moreno certamente nunca antes ouvira.

As pedras param de luzir e o homem sai de seu transe, largando-as, levantando-se. Os olhos claros do irmão mais velho estavam arregalados, seus olhos esbugalhados a encara-lo. O senhor volta a abrir as janelas e, uma a uma, recolhe as pedras ao redor do corpo do desfalecido.

Milo permanecia junto a porta, parecendo precisar de algo para apoia-lo, para mantê-lo em pé.

-E então? E aí? – Sua voz não passava de um fiapo, um temor. Os olhos translúcidos voltam-se em sua direção, como se o notassem ali pela primeira vez, de forma profunda, quase assustadora.

-Não há nada errado com ele fisicamente. Sabe disso não? – Um aceno de cabeça. Os médicos já haviam lhe dado essa informação – Ainda assim, isso que está aqui é só uma casca. – Antes de a expressão interrogativa tornar-se voz, continua – Ela o levou, sua alma e espírito, sua consciência, tudo o que havia dela. Deixou apenas o corpo, vazio, esperando para ser ocupado ou apagado.

Milo engole em seco, sentindo sua visão falhar, seu chão sumir. Apoia-se com mais força contra a porta, sem ar.

-Respire fundo meu jovem – Mas lágrimas já vinham a seu rosto, inundando seus pensamentos, bloqueando sua razão – Ainda há esperança. – Os olhos vagos de Milo o fitam, como se aquilo fosse sua salvação, como se suas próximas palavras trouxessem sua salvação ou eterna condenação. – Seu corpo e alma ainda estão ligados. E, enquanto estiverem ligados, ainda podemos trazê-lo de volta.

A mão de Milo escapa e dessa vez, ele vai de encontro ao chão, tombando, machucando o pulso, a mão. Anestesiado, não nota, sentindo-se tonto, encarando o homem, sem conseguir processar suas informações, seu suplício, sua última chance.

-Precisamos agir rápido, no entanto, caso contrário... – E o homem o encara com seriedade, sem se mover para ajuda-lo, minimante, embora do lado de fora pudesse se ouvir uma gama de sons, enfermeiras correndo ao quarto – A conexão será quebrada e o perderemos, dessa vez, para sempre.

A expressão de Milo endurece e ele acena, resoluto, suas costas apoiadas à porta. Traga o ar com força, flexionando o maxilar.

-O que temos de fazer? – E o senhor sorri.


Tinha uma vaga consciência, como aquela que se tem depois de passar muito tempo acordado, enquanto estamos entre a consciência e o sono. Só sabia estar exausto, com pequenos lapsos de existência intercalados.

Esconde-esconde? Tinha de procurar alguém? Ouvia risinhos, a menina se escondia atrás da estante da biblioteca escura. O que estava fazendo ali mesmo?

Senta-se no chão e tenta reconciliar suas memórias embaralhadas. Nada fazia sentido. Quando aquilo começara? Quando dormira pela última vez? Tentava fazer uma linha de raciocínio lógico, mas falhava todas as vezes, apenas para recomeçar alguns segundos depois.

Aonde estava? Quem era? Tentava lembrar seu nome, concentra-se. O que tentava lembrar?

Leva as mãos à cabeça, segurando-a com firmeza. Grita, alto, balançando para frente e para trás. Era assim que se sentia, quando se começava a perder a razão? Estar totalmente perdido dentro e fora de si mesmo? Seria isso a loucura?

Geme e encosta-se a uma estante. Estalidos podiam ser ouvidos a seu redor, de coisas que se dilatam durante a noite.

-Está cansado de brincar? - Ela se materializa ao lado dele e ele se pergunta como era isso possível. Pessoas não surgiam do nada, nunca. Seria ela fruto de sua imaginação? Provavelmente, reafirma, balançando um pouco mais, o balanço servindo para acalmar a mente. Não precisava pensar em nada quando o fazia, apenas continuar a fazê-lo, automático. - Está cansado? - A vozinha era preocupada e sente sua pequena mão em seu ombro.

Seria essa a palavra para definir? Provavelmente não, mas acena mesmo assim.

Estava exausto.

Não conseguia dormir. Por que não conseguia dormir?

-Não se preocupe - Ela continua a dizer, abaixando-se a seu lado, acariciando seu braço de leve, de uma maneira delicada, quase carinhosa. - É assim no começo mesmo, você está se acostumando. Havia me esquecido - E bate na própria testa, parecendo agoniada ao observá-lo. - Mas você logo, logo vai estar melhor. Seu corpo está exigindo muita energia agora, pois você está tentando voltar para ele, mas pouco a pouco você se acostuma a mudança. O cansaço passa, eu prometo. - Ela sabia por experiência, pouco a pouco, sua consciência voltaria ao lugar, pouco a pouco o corpo e alma se desligariam e, quando isso acontecesse, ele nunca mais se sentiria cansado novamente.

Volta a acariciar seu ombro. Mu balança, para frente, para trás.


O telefone tocava, alto. Shaka demora para pôr a reparo o que acontecia. Depois de tantos dias em um banho de letargia, sua mente recusava a funcionar e, quando levanta a cabeça do acolchoado do sofá, tudo o que quer é voltar a deitar.

A dor passara a uma pequena dormência, bem lá no fundo. Tinha certeza, se continuasse a dormir e beber, pouco a pouco conseguiria viver com isso. Com aquele peso, aquela culpa, aquela saudade. Senão, tinha certeza, aquilo o enlouqueceria.

O telefone para de tocar, apenas para retomar a chamada, apenas alguns segundos depois. A pessoa era insistente e depois de várias tentativas, o loiro desiste, levantando-se, sentindo o chão e seus arredores girarem. Quando fora a última vez que estivera em pé?

Sente o estômago contrair-se e vira para o lado, vomitando bile no chão. Volta a se sentar, sentindo uma fraqueza generalizada. Não se lembrava a última vez que comera também. Respira fundo e cobre os olhos com as mãos.

Lembrava-se vagamente da visita de Camus e Milo. Teria sido há alguns dias ou semanas atrás? O telefone ainda tocava, insistente, como um mosquito voando em torno de sua cabeça quando estamos tentando adormecer.

Com uma determinação que não acreditava ter, consegue ficar em pé e quase claudicar até o aparelho telefônico.

-Alô? - Sua voz estava tão grossa e metálica, que sua garganta até dói, quando a utiliza. Tenta limpa-la, mas a dor aumenta, impedindo-o.

-Shaka? - A voz firme de Milo espalha pelo recinto, antes de descer, espalhando-se pelo recinto, pelo chão, sumindo no denso silêncio. - Shaka? - Ele tenta novamente e o virginiano se pergunta como ele podia ser tão forte.

Sentia que estava há um passo de se desmanchar, quebrar-se, mas ali estava Milo, firme, com a voz recomposta, obrigando-o a fazer o mesmo. Respira fundo, tentando fazer sua mente bloqueada pela exaustão e luto trabalharem.

Devia o que quer que Milo quisesse. Não conseguira proteger seu irmão e agora o haviam perdido.

Sua culpa, sua culpa, sua culpa.

Tinha de aprender a viver com sua culpa, com seu peso, consciência, com a falta que ele fazia em sua vida. Não queria ser visto dessa forma, não sabia se conseguiria superar. Reúne todas as suas forças, mas sua garganta trava, impedindo-o de falar. Range os dentes e respira fundo.

Suas mãos apertavam o aparelho com tanta força que seus tendões apareciam, brancos. Sente seus olhos embaçarem e os coça, afastando lágrimas que não se permitira dar. Não merecia chorar, não depois de tudo, não depois de ter falado.

Engole em seco.

-Sim? - Sua voz soava esquisita e forçada até para seus próprios ouvidos, mas continua, sentindo o corpo convulsionar devagar. Não podia quebrar, não podia quebrar… Não podia… Quebrar…

-Precisamos da sua ajuda! - O escorpiano frisa, com uma voz séria. Há uma pausa, onde Shaka absorve aquelas palavras, lentamente digerindo-as - Acho que ainda há uma maneira de salva-lo Shaka. - E como se não acreditasse nas próprias palavras, repete, quase em prantos, a voz afetada pela emoção. - Ainda há uma maneira de salva-lo. Você vai ajudar?

As palavras tem tanto impacto em Shaka, que não se lembra de nada do que aconteceu depois. Sua resposta, suas ações, nada.

Acorda mais de doze horas depois da ligação, deitado em sua cama, o banho tomado, sem nenhum sonho em sua cabeça. Levanta-se, ainda se sentindo tonto, com a cabeça pesada, mas consideravelmente melhor. As palavras de Milo ainda ecoavam em sua mente, como um sonho distante.

Poderia aquilo ser real? Sente seu corpo voltar a tremer e se abraça, obrigando-se a ficar estável. Não podia cerrar as pálpebras. Os olhos verdes brincavam com sua mente, todas as vezes que fechava os olhos. Via diretamente através deles, vazios. Tudo tinha acabado, tudo estava quebrado.

Todas as vezes que fechava os olhos, o via dentro de sua cabeça, em partes quebradas, um quebra-cabeça sem sentido, um torrencial de memórias e sentimentos. Era uma cachoeira. Sabia que por mais que o tivesse perdido, ele seria para sempre seu, a memória de seu toque, seu sorriso.

Respira fundo. Podia mesmo voltar a tê-lo contra si? Em segurança de volta em seus braços? Não merecia aquilo, sabia que não merecia.

Levanta-se, sentindo a cabeça doer. O cabelo estava úmido. Caminha devagar, um pé se arrastando na frente do outro. Seria possível recupera-lo, mesmo que o afastasse? Mesmo que não mais o merecesse? Alcança a porta do quarto de hóspedes e a abre, ouvindo-a ranger.

Não havia estado ali desde que tudo acontecera. Tudo estava escuro e as janelas fechadas há tantos dias davam um cheiro de mofo, suave, permeando o ar. Obriga-se a entrar, acendendo a luz. Fica parado no meio do quarto, olhando em volta, em silêncio.

Tudo ali estava intocado. Era incrível como os lugares podiam permanecer exatamente os mesmos, mesmo depois de muito tempo de as pessoas terem ido embora. Era como se não deixássemos nenhuma marca no mundo. Aquilo causa uma fisgada em seu peito e arqueja devagar.

A marca de Mu estava feita, nem que fosse em si, sua vida arruinada.

Só de pensar em seu nome é obrigado a sentar, para respirar fundo, abaixando o rosto, colocando-o entre as pernas, para ajudar o sangue a circular. O armário estava a sua frente. Ele se fora e suas roupas estavam ali.

Os grãos da areia do tempo escorrem diante de seus olhos, ferindo-os, fazendo-os sangrarem. Contava os segundos, um, dois, três… A perder a conta. Quanto tempo se passara desde que entrara naquele quarto?

O teria seguido para qualquer lugar. Como ele ousava seguir para o único lugar onde não poderia segui-lo?

Levanta-se e antes que tomasse consciência de suas ações, segurava uma camiseta em mãos, as portas do armário abertas a sua frente. Não iria desistir dele. Não podia desistir dele.

Volta a deitar-se na cama e sente o cheiro suave de baunilha chegar em suas narinas. Aperta mais o tecido contra si, abraçando-o. Se pudesse salva-lo, faria de tudo para fazê-lo, pois se recusava a desistir, a aceitar. Se recusava a fazer parte de um mundo onde ele não existisse.

Encolhe, em posição fetal, embolando-se com o tecido em suas mãos e fecha os olhos.

-Seu miserável… - E seu corpo volta a tremer, não conseguindo, dessa vez, conter as lágrimas que expulsava de seu corpo. - você foi embora, você foi embora… - Ele fora embora e o deixara sozinho. Ele o deixara sozinho e nunca conseguiria esquecê-lo.

Começara a chover e naquela grande casa, naquele sufocante quarto pequeno, Shaka se permite desmontar. Se permite desmontar ao menos uma vez, antes de precisar estar inteiro novamente.

Iria salva-lo.
Iria salva-lo.
Iria salva-lo.

Começaria amanhã.


Não sabia precisar durante quanto tempo estivera ali ou o que fazia até então, mas por algum motivo, durante algum tempo, tinha a plena consciência de estar encolhido no chão durante muito tempo.

Levanta o rosto e olha em volta. Tudo estava escuro. Nenhuma novidade por aí, pois as coisas andavam totalmente obscurecidas em sua realidade atualmente.

Levanta-se e respira fundo. De alguma forma sabia que não estava vivo, mas não se lembrava de ter morrido. Sozinho, onde estava, tenta alcançar um livro, apenas para vê-lo atravessar sua mão. Intrigado, refaz a ação, apenas para falhar novamente.

Olha os próprios dedos com estranheza, como se os visse pela primeira vez. Como fora parar ali? Sente sua mente se esforçar para procurar a informação, mas falha, inutilmente. Irritado, bufa, tirando o cabelo do rosto, remexendo-se no lugar.

Fecha os olhos e respira fundo, procurando acalmar-se. Precisava encontrar algo, qualquer coisa em que pudesse se apoiar. Quem era? Qual a história de sua vida? O que fazia ali?

E assim, totalmente imóvel, com a respiração absurdamente controlada, algo lhe vem a mente, uma memória escorregando para o lugar, fugidia, como uma luz trêmula em meio a uma grande escuridão.

Shaka.

Seu peito se contrai perante o nome, um nervosismo sem igual. O amava, tinha certeza. A linha certa de raciocínio o banhou com uma luz prata, de razão e um cálido sentimento de alívio. Estaria ele vivo ou também morrera? Conseguiria acha-lo?

Em um rebelde ato de esperança determina-se a acha-lo, a alcança-lo tal qual sua mente lhe mentia ser possível. Precisava de respostas, encontraria Shaka. E assim, como tinha relembrado seu nome, havia desaparecido. No lugar onde anteriormente estava parado, sobraram o silêncio, o silêncio e o vazio.


Tem uma estranha sensação de familiaridade lhe banhar os sentidos ao olhar o quarto branco, imaculadamente arrumado. Conhecia aquele lugar, tinha certeza. Seu coração dispara, enquanto olhava em volta, de forma nervosa.

Tentava alcançar os objetos, mas eles lhe fugiam, fora de alcance. Que casa era aquela e como fizera para chegar até ali? Só precisava pensar em lugares e seria levado até eles? Anda até a janela e tenta abrir as cortinas, falhando apenas mais uma vez.

Instável, ouve um estalo forte, vindo detrás de si, mas não se vira, despreocupado em sua exploração minimalista. Que pistas aquele lugar poderia dar de quem viera a ser?

Passos são ouvidos próximos a si e finalmente se vira, observando-o, enquanto saía do banheiro, apenas uma toalha na cintura fina, vapor saindo da porta aberta. O observa se afastar, indo em direção a cama. Seu coração dispara e cobre a boca com a mão, contendo um misto entre um grito e um soluço.

Shaka.

Aquele era Shaka. Seu Shaka. Uma série de emoções brigam por dominância e se aproxima alguns passos. Ele não podia vê-lo, não podia, por que? Estava atrás dele, tão próximo, tão próximo, por que tão impossivelmente distante?

Então, algo acontece, sua postura enrijece e Shaka olha em volta, como se observado. Seus olhos passando o local onde Mu estava parado, sem nem olhar duas vezes na direção. Tão próximo, tão próximo, tão próximo...

-Mu? Você está aqui? – E o espírito sente seu coração disparar mais forte, como se aquilo ainda fosse possível, ao se ver notado. – É você não é? - Tenta toca-lo, mas falha, se desesperando, sentindo lágrimas escorrerem de seus olhos no processo, a voz embargada tentando chama-lo. Ele era tudo o que queria. Tanto doía em si.

Mu tenta encostar em seu rosto, puxa-lo para si, para que o olhasse, visse onde estava, reconhecesse sua presença. Nada acontece, Shaka volta a se virar, passando a mão pelo rosto, de maneira cansada.

-Estou ficando louco – E depois passa as mãos pelo cabelo, sentando-se a beirada da cama. Em um canto, Mu se abraça, encolhendo-se, deixando lágrimas varrerem seu rosto, assim como os tremores, o silêncio, a eternidade muda, contínua, contínua, contínua...


O trecho do começo é 'I go to Sleep' da Sia.

Em primeiro lugar, gostaria de começar agradecendo a todas as pessoas que tiraram um tiquinho de seu tempo para conseguir comentar na minha história! Sério mesmo pessoal, vocês são demais!
Segundo, me desculpar por não ter conseguido postar antes...Tentei mesmo, mas não deu! Não tive tempo, ânimo ou nada parecido para conseguir sentar no computador, escrever e publicar! Mass, para compensar, estou aqui, publicando!
A história está bem no fim, em seus capítulos finais...Espero que gostem do que tenho guardado até lá!

Também gostaria de me desculpar, pois o capítulo não foi revisado... Qualquer coisa esquisita gritem e eu arrumo.

Obrigada a Kanna, Sayuhigurashi e a todas as meninas que respondi individualmente pelo incentivo! Sério mesmo, o capítulo está aqui graças a vocês meninas!
Peço para que continuem a comentar e continuarei a postar, pois é a única maneira de eu realmente saber se há pessoas interessadas :)
Obrigada de novo e mais uma vez!

Terminado dia: 07.04.2015
Publicada: 22.04.2015

Até a próxima!
XoXo
Ja ne.
Suss.