Saint Seiya pertence à M. Kurumada.


Ainda Existe Uma Esperança

Capítulo 10 - Fuga

A esperança é um empréstimo que se pede à felicidade.

(Rivarol)


— Como assim, ela saiu? — repetiu Marin pela segunda vez ao entrar no apart-hotel, seguida de Shun que vinha buscar June e as crianças. — Saori Kido, June, vocês duas juntas não foram suficientes para segurá-la em casa? — dizia a amazona, quase pulando sobre elas.

— Estou lhe dizendo, Marin, estávamos na cozinha, terminando a sopinha de Moe. Ela disse que ia ao banheiro... E simplesmente desapareceu! — falou a deusa, desesperada. — Eu não sei como ela fez isso.

— Será porque ela é mais esperta que vocês duas juntas? — implicou Shun, arrancando um sorriso meio escondido de June.

Marin cruzou os braços sobre o busto, contando até dez. June tentava acalmar a garotinha pra que ela comesse. Shun não parava de deslocar o pescoço de um lado para o outro, tentando encontrar Ryu, que dera pra brincar de esconde-esconde em qualquer lugar.

— Bem, melhor pararmos de discutir, não nos levará a nada. — mas intimamente, Marin sabia. Após quase três dias de cama forçada, Shina daria um jeito de driblá-las. Nem que fosse pra dar um susto nela. — Acho que ela já está bem crescidinha.

— Mas hoje pela manhã ela ainda teve um pouco de febre, Marin. Às vezes acho que não deveria tê-la trazido até aqui praticamente na marra, talvez não tenha sido uma boa idéia.

— Já falamos sobre isso, Saori-san. Você não é adivinha... É a reencarnação de uma deusa, só isso. — ao dizer isto, todos riram. Mas Marin continuou séria. — Onde ela poderia ter ido?

— Com certeza, ela não saiu com Milo. — falou June, limpando a boquinha rósea de Moe, e sorrindo pra Ryu, debaixo da mesa de centro. — Porque antes de chegar , eu o vi saindo daqui com uma cara de poucos amigos.

— O quê? — falaram os outros três.

— É isso mesmo. Deve ter tomado um "fora"... Literalmente.

— Como você sabe disso, June?

— Chega, June, não diga mais nada... — implorou Shun com uma gotinha.

— Bem, eu... — viu o olhar de Shun — Desculpe, mas, vou obedecer meu marido querido. Perguntem a ela o que aconteceu quando ela chegar.

De repente ouviram uma vozinha dizer:

— Eu vi a Tia Sina... Ela saiu, e falô pá mim num contá nada, mãe. Saiu bunita... — falou o menininho, enquanto saía de sob a mesa. — Mãe, to coum fome... me dá também, mãe...

Todos olharam pra ele. E sorriram. Afinal, que mais se poderia fazer?

— Claro que sim, filho. — respondeu Shun, colocando-o no colo e o beijando. — Ela estava bem arrumada, igual à mamãe quando sai comigo?

— Tava, sim, pai. E ia de a pé. No "paque"

— Ao que parece ela está melhor que todas vocês juntas. Eu sei que já estão preocupadas, mas tenho achado-a tão abatida... — começou Shun, pausadamente. — Será que isto tem a ver com um de meus amigos ou foi só a gripe? — olhou pra Marin e pra Saori, com certo receio. Sempre achara que a senhorita Kido tivesse uma queda pelo Seiya. Mas isto nem com June comentara.

— Não sei. — murmurou Marin quando se sentou ao lado dele. — É meu discípulo, mas quando se trata de seus próprios sentimentos...

— Acabou saindo igual à mestra dele! — brincou Saori, levando um beliscão em seguida.

— Bem, já que estarei sozinha nas próximas horas, me façam companhia... E, June, continue a história de Milo, por favor.

Riram quando Shun puxou-a pelo pescoço e a beijou, dizendo:

— Podemos ficar assim por horas...

Marin relanceou os olhos para o céu crepuscular, que prometia uma longa noite de chuva. "Tomara que Shina não fique sentada no parque, tomando chuva outra vez..."


Nota 1: A citação do capítulo passado é de Georges Bernanos.

Humm... É isto aí, quem disse que se pode prender uma Amazona de Prata por muito tempo...

Bjs!