N.A.: Capítulo 9 conseguiu ser mais tenso que o 8, que proeza :v

Chapter 9 even more dramatic than chapter 8, what a joy :v

DISCLAIMER: NCIS LA e seus personagens não me pertencem. Apenas alguns personagens originais desta fanfic são realmente meus.

NCIS LA and characters are not mine. Just a few original characters from this fanfic are actually mine.

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"Kensi..."

Ela virou-se, ansiosa. Tinha certeza de ouvir ele chamá-la. Mas a voz vinha de longe. Era apenas uma lembrança de uma das poucas vezes em que ele não usou um dos milhões de apelidos que ele mesmo deu a ela. Seus olhos voltaram a fixar na tela do seu celular. O corpo curvado, os cotovelos apoiados nos joelhos. Os pés batiam no chão sem muito ritmo, apenas na expectativa de alguma notícia.

- Kensi.

É só uma voz ecoando na cabeça. É só a preocupação tomando conta. Melhor parar e se recompor. O time não precisava de seu medo; precisava de suas habilidades.

- Terra para Kensi!

Um estalo logo à frente do rosto e a agente levantou-se na hora, quase em posição de defesa. Só então percebeu que não era a voz de Deeks ecoando em seus pensamentos; era Callen que tinha sido liberado só com um pequeno corte na testa, fruto de um estilhaço dos vidros destruídos do carro.

- Callen...que susto!...E o Sam?

- Alguns cortes, a cabeça doendo pela batida e pelo que quer que tenha saído da lata de gás que coletamos. Mas vai se recuperar. Querem mantê-lo em observação hoje.

- Que bom...que bom.

Callen sabia o que sua colega estava passando. Quantas vezes teve medo? Perdeu a conta há muito tempo. Sam era mais que seu perceiro; era seu melhor amigo. Seu elo de ligação com o mundo. Sem ele, Callen era só um desconhecido que não sabia a própria história. Principalmente por isso naquele momento ele pensava em Deeks.

Ele não sabia o quão ruim devia ser o passado do detetive. Provavelmente a única pessoa que sabia algo além do próprio Deeks...era Hetty. Chegou o momento de fazer algumas perguntas à diretora de operações do NCIS. Aquele armamento confiscado poderia levar milhares à morte. Não sabia se havia mais por aí. E o pior de todos os fatores: o soro. Naquele caixote só havia um frasco cheio daquele veneno psicoativo. O que quer dizer que havia mais por aí.

Não havia mais tempo a perder. Ele andou em direção à maca onde Sam estava e encontrou-se com a diretora, que encaminhou-se ao hospital pouco após obter algumas informações sobre toda a emboscada. Kensi vinha logo atrás de Callen.

- Hetty...precisamos conversar.

- Concordo, sr. Callen. Sobre muitas coisas. É difícil...até encontrar um início certo.

- Deeks. Vamos começar por ele.

Todos viraram-se para Sam, que conseguiu sentar-se na cama sem sentir uma onda de náusea e tontura invadindo seu corpo. Tinha uma faísca de raiva em seus olhos que Callen conhecia bem: a frustração de não ter conseguido completar uma missão. E agora a vida do detetive estava na balança.

Hetty poderia negar. Poderia dizer que é um assunto que somente Marty deveria autorizar a ser falado ou não. Mas ela sabia que isso seria perda de tempo. E manteve tudo o que sabia guardado o tempo necessário. Chegou a hora de falar, pois isso poderia salvar o detetive.

Só esperava que um dia ele a perdoasse.

- O pai que o sr. Deeks sempre lembrou de conhecer chama-se Gordon John Brandel. Eu sei que todos já ouviram este nome recentemente. Roberta, a mãe de Deeks, Conheceu Gordon quando usava a identidade de Elisa Marie Deeks. Aparentemente a mãe solteira de um menino de dois anos. Martin Alexander Deeks. No começo Gordon foi compreensivo e carinhoso, e tornou-se um verdadeiro pai para o garoto. Então "Elisa" sentiu-se à vontade para contar a verdade para Brandel: que seu verdadeiro nome era Roberta e que o menino chamava-se Dmitri.

- E esse foi o maior erro da minha vida.

A nova voz fez-se presente. Todos olharam na direção dela.

A dona era uma mulher de olhar distante e entristecido. Parecia que todo o peso do mundo fôra injustamente depositado em seus ombros e ainda assim ela o carregava serenamente. Mesmo assim, cativava pela bondade em seu semblante e pela beleza, que não a deixou mesmo com os anos de abusos físicos e psicológicos. E os olhos...ficou muito claro de quem Marty herdou as orbes azuis e intensas.

Para Kensi, olhos muito mais bonitos e calorosos do que os cristalinos de Demyan Radivilov.

- Senhores Callen e Hanna, senhorita Blye, esta é Roberta Anne Deeks. Ela vai nos deixar a par dos detalhes que sabe.

Callen levantou-se da cadeira aonde estava sentado, cumprimentando a sra. Deeks com um aperto de mãos. Convidou-a a ocupar a cadeira e a mulher aceitou de bom grado, segurando sua bolsa com certa força. Abriu um zíper, tirando de dentro uma foto. Era uma família pequena, mas parecendo muito unida: um casal e seu filho de apenas alguns meses de vida.

- Esta foi a única foto com Demyan que guardei...por toda a minha vida. Ele era uma boa pessoa. Ao menos aparentava ser. Quando nos conhecemos ele era estudante de medicina. Um lindo homem soviético, portanto desprezado por muita gente. Mas ele soube conquistar até aos mais descrentes. Eu era recepcionista. A conexão foi quase imediata. Foi um relacionamento muito rápido, e logo ele propôs noivado. Visitamos Moscou na época, e os pais dele me receberam muito bem...lá mesmo descobri estar grávida. Ele e os pais ficaram tão felizes!

Roberta abaixou um pouco o rosto e pegou um lenço de dentro da bolsa. Secou as lágrimas que começaram a cair, respirando fundo.

- Demyan me defendeu dos meus pais. Eles eram pessoas extremamente rigorosas e ficaram chocados com a gravidez. Mandaram eu abortar ou ir embora. Como ficou óbvio, Demyan e eu escolhemos a segunda opção. Quando Marty nasceu, ele não tinha esse nome. Foi registrado e batizado como Dmitri Radivilov.

- Nós...investigamos toda a vida do Radivilov...nunca achamos nada relativo a filhos, sra. Deeks...nós acreditamos na senhora, só que...

- É difícil uma criança sumir, não é? Especialmente o neto de Górki Radivilov. Eu sei.

Ela olhou para Kensi após responder seu comentário, e depois para Hetty, como que pedindo ajuda. A diretora prontificou-se a esclarecer este pequeno detalhe.

- Acontece que a sra. Deeks aqui me revelou no telefonema que fiz a ela que Demyan apagou todos os registros estadunidenses do filho assim que as primeiras informações sobre as revoltas dentro da União Soviética chegaram aos seus ouvidos. Ela descobriu isso por uma amiga. Que a ajudou a fugir da obsessão de Radivilov.

- Ele...ficou paranóico. Qualquer olhar mais severo já despertava o pior dentro dele. Somente Dmitri conseguia acalmá-lo, mas fiquei com medo disso também acabar. Ele estava pronto para levar meu filho para longe, para ser criado pelos avós. Disse...que sumiria comigo se preciso fosse.

Ela não tentava mais esconder a dor. As lágrimas caíam sem dó, molhando o rosto marcado pela melancolia e pelo sofrimento. Respirou fundo antes de continuar.

- Esta minha amiga trabalhava num escritório e num cartório. Ela conseguiu arrumar novas identidades e documentos para mim e para Dmitri. Eu passei a ser Elisa Marie e ele passou a ser Martin Alexander Deeks.

- Quem diria...o Deeks já andava disfarçado desde bebê.

O comentário de Sam não foi em tom de piada. Fez isso unicamente para amenizar o clima, já tão pesado pelo rapto do detetive. Porém Roberta acabou rindo. Um riso amargurado, arrependido, agoniado.

- Ele sempre foi muito bom em esconder o que sentia e o que pensava. Nem eu mesma conseguia descobrir. Só quando ele resolvia falar. Especialmente após me juntar com o traste do John. Ele fez tão mal à nós dois, mas fez pior ainda com Marty...Foram anos de violência, de surras, de espancamentos tão extremos que meu filho foi parar várias vezes na emergência de alguns hospitais. Eu tenho tanto arrependimento...devia ter deixado Demyan acabar comigo e levar Marty daqui.

Kensi não precisava mais ouvir. Ela já entendia o motivo de Deeks ser tão fechado com relação à própria vida pessoal. Não tirava a razão dele. Ela abraçou Roberta, deixando-a chorar em seu ombro enquanto acariciava seus cabelos e falava um tom suave e compreensivo.

- Não! Senhora Deeks, nunca mais repita isso. Moveu céus e terras para salvar seu filho. Se ele tivesse ido para a União Soviética poderia ter sido ainda pior. O general Górki se matou em 1992 e a mulher dele morreu em 94. A senhora salvou a vida do seu filho.

- Ah, minha querida...não! Foi justamente o contrário. Ele salvou minha vida de todas as formas que uma vida pode ser salva. E a única coisa que consegui fazer foi ir para longe dele, assim Demyan nunca o acharia.

- Nós vamos encontrá-lo. Ele é incrível, o mundo precisa de alguém tão bom quanto ele.

- Bom, não. O melhor.

Callen falou, o olhar sério e determinado. Hetty conhecia aquela expressão. Callen estava engajado 150 por cento na missão. Porque isso traria o sorriso de volta ao rosto de uma pessoa que merecia ser feliz. Isso faria um filho encontrar sua mãe. E, para ele, isso já era bom o suficiente.

Hetty chamou uma enfermeira do hospital e entregou algum dinheiro. Pediu para que ela acompanhasse a sra. Deeks ao refeitório e tomasse um café com ela. A enfermeira sorriu simpática e conduziu a doce mulher para o local pedido. Assim feito, a diretora de operações virou-se aos seus agentes, discando para a OSP. Nell atendeu no segundo toque.

- Senhorita Jones, está no viva-voz. Pode falar suas descobertas.

- Certo, então vamos lá: os carros estavam sem placa e sem identificação aparente. O que dá pra saber é que são dois GMC Yukon prateados.

- Mas Nell, isso não nos ajuda...

- Hey, calma! Quando eu terminar vai ajudar. O que vocês me passaram foi que os aros dos carros são giratórios e cromados. Bom, eles não são cromados. São de platina. Caríssimos. No estado todo só existem duas lojas especializadas que vendem este aro, e só uma oficina que os instala, porque a indenização por danos numa peça dessas pode chegar na casa das centenas de milhares de dólares.

- Isso ajuda. E muito! Essa é a minha baixinha!

- Awn...obrigada, Sam!

- Já temos os nomes destas lojas e desta oficina?

- Hey, Eric aqui. Estou passando para os seus celulares. Quando conseguirem o número de série nos passem, porque pode haver um endereço de entrega!

- Valeu Eric! Obrigado, Nell!

Callen respondeu logo antes de Hetty desligar. Ela não disse mais nada porque não precisava; seus agentes começavam a entrar em ação. Inclusive Sam, que já retirava a agulha do soro levantava-se.

- Sr. Hanna, o que pensa que está fazendo?

- O que parece, Hetty? Estou me dando alta. Não tem mais motivo pra eu ficar relaxando. Não é hora pra folga.

Kensi pegou sua bolsa, apenas sorrindo para o agente e andando em direção à saída.

- Ele está certo. Deeks precisa da gente. Não vamos decepcioná-lo.