Capítulo X – Too Close For Comfort
I never loved nobody fully
Always one foot on the ground
And by protecting my heart truly
I got lost in the sounds
Fidelity – Regina Spektor
Eram mais de dez e meia da manhã quando Hermione acordou. Estranhou o fato de estar nua, e que parecia haver outra pessoa ao seu lado. OH MEU DEUS, HAVIA OUTRA PESSOA AO SEU LADO.
Ela se sentou na cama, puxando o lençol e tentou acordá-lo.
- Draco? Draco.
- Hummm?
- Levanta.
- Não. – ele murmurou virando pro outro lado, pro lado dela.
- Anda Draco, levanta.
O loiro abriu os olhos, sorriu e se levantou da cama.
- Não esqueceu nada não? – e riu.
- O que eu esqueci?
- Sua roupa.
- Você já viu isso tudo, nem me preocupo.
- Ei!
- Ok, Mione. – e sorriu, pegando suas roupas espalhadas pelo chão do quarto.
- Vou tomar banho. – a morena avisou, indo pro banheiro. Ele a olhou, mordendo seus lábios. – O que é?
- Vou com você.
- Ah não, não e não.
- Por que não? – ele deu um sorriso torto.
- Se você for, nós não vamos sair mais nunca de lá dentro. E se não formos a aula da McGonagall hoje, é bem capaz dela vir aqui pessoalmente e perguntar o que está acontecendo, o que é bem pior.
- Nós vamos sair de lá, mas não muito cedo.
- Draco. – e revirou os olhos.
- Então?
- Ok, ok. Eu me rendo.
- Eu sabia. – ele a pegou no colo, rindo.
- Tem condições Sr. Malfoy. – ela riu.
- Que condições? – e a encarou.
- Você sabe. Só vamos tomar banho juntos, e nada mais que isso. Ouviu?
- Ouvi Hermione.
- Que bom.
- Dez minutos?
- Não.
- Cinco?
- Não.
- Dois?
- Draco, já chega.
- Vou precisar da minha tática infalível mesmo? – ele deu um meio sorriso.
- Perhaps baby. – Ela piscou, rindo.
_X_
- Podem sair. Granger e Malfoy, você ficam.
- Sim Professora McGonagall? – perguntou Hermione indo até ela, junto com Draco.
- Terão que ler Romeu e Julieta para a peça.
- Romeu e Julieta?
- Sim, Sr. Malfoy. Eu decidi por Romeu e Julieta, porque alguns problemas surgiram. Malfoy, você será o Romeu. Granger, Julieta.
- Certo.
- E suas respectivas detenções serão diferentes...
- A detenção. – murmurou a morena, revirando os olhos.
- Malfoy, sua detenção será com Argus Filch, às três da tarde, na sala dele. Granger, a sua é com o professor Snape, no mesmo horário nas masmorras. Peguem seus livros na biblioteca. O ensaio será hoje, depois do jantar. Podem ir.
Eles saíram em silêncio.
- Essa mulher enlouqueceu? Quando tudo mundo já decorou a porra do outro livro, ela vem falando que vai fazer Romeu e Julieta.
- Hermione.
- O quê?
- Calma. Ainda temos sete meses de ensaio.
- Ok, ok. – e respirou fundo.
- Agora que eu odeio aquela mulher, eu odeio.
Ele riu.
- Que foi?
- O jeito com que fala que a odeia.
- Dá pra calar boca e fazer ou falar algo produtivo.
- Tipo isso? – e a beijou. Dessa vez foi ela quem riu.
- Quer outra detenção, por estamos matando aula, sem mim?
- Não. – ele sorriu.
- Anda Draco, temos que pegar os nossos livros na biblioteca e ir pra mais uma bendita aula.
- Certo.
_X_
- Graças aos céus, o Flitwick nos liberou mais cedo hoje. Podemos tentar ensaiar as nossas falas. – disse sentada na cama dele, abrindo os primeiros botões da blusa e folheando o livro.
- Nós vamos ter ensaio daqui a pouco, pra que...
- Draco, pelo amor de Merlin, abre logo o seu livro.
- Que página?
- Página dezesseis. Ato um, cena cinco.
- Certo. Se minha mão profana o relicário em remissão aceito a penitência: meu lábio, peregrino solitário, demonstrará, com sobra, reverência.
- Ofendeis vossa mão, bom peregrino, que se mostrou devota e reverente. Nas mãos dos santos pega o paladino. Esse é o beijo mais santo e conveniente.
- Os santos e os devotos não têm boca?
- Sim, peregrino, só para orações.
- Deixai, então, ó santa! Que esta boca mostre o caminho certo aos corações.
- Sem se mexer, o santo exalta o voto.
- Então fica quietinha: eis o devoto. Em tua boca me limpo dos pecados. – ele a beijou.
- Não Draco.
- O que? Está no livro.
- Está? – ela olhou a parte da fala dele. E estava lá mesmo. A morena riu. – Que passaram, assim, para meus lábios.
- Pecados meus? Oh! Quero-os retornados. Devolve-mos. – o loiro olhava o decote que havia na blusa dela agora, após ela abrir os primeiros botões.
- Beijais tal qual os sábios. Ahn... – ela voltou a folhear o livro. – Ato dois, cena dois, página dezenove.
Ele não respondeu.
- Draco?
Malfoy tirou o livro das mãos dela, e beijou-a. Beijaram-se até o ar faltar-lhes.
- Draco, por favor... Concentre-se no livro. – ele tentou beijá-la novamente. – Draco, o livro.
- Dane-se o livro.
- Será que você não consegue desgrudar de mim, nenhum segundo? – ela riu.
- Não, não consigo.
- Anda. Temos que ir jantar. – e o empurrou levemente para o lado, levantando-se. O loiro segurou-a pelo braço e ela caiu sentada na cama.
- Hermione...
- Não Draco. Anda, vamos.
- Só mais um beijo, e eu vou.
- Mais tarde.
- Agora. Por favor.
- Sabia que você está parecendo uma criança muito mimada?
- Sabia. E é por isso que você me ama.
Ela riu.
- Perhaps, Draco. Perhaps. Anda, vamos.
- Não. – ele a puxou para si.
Aquele perfume estava deixando-a tonta. Não iria resistir por muito tempo.
- Vamos Draco.
- Eu não quero ir.
- Eu sei que não quer.
- Hermione.
- Tudo bem, tudo bem.
Ele a beijou mais uma vez. Depois pegaram seus livros, e seguiram para o Salão Principal. Em seguida indo até o local de ensaio.
- Conseguiram ensaiar alguma coisa? – Perguntou Minerva.
- Só a cena cinco do ato um. – Informou-lhe Mione.
- Já é alguma coisa. Bem, já que passaram o texto entre si, seguiremos a partir de onde pararam. Página 17. Cena cinco. Ato um. Ama, Chiara Charlotte. Romeu, Malfoy. Julieta, Granger. Capuleto, e Benvólio, Henry Vernet. Ama.
- Vossa mãe quer falar-vos, senhorita.
- Quem é a mãe dela? – Perguntou Romeu.
- Ora essa, cavalheiro! A dona desta casa, certamente, uma digna senhora, honesta e sábia. Amamentei-lhe a filha, a senhorita com que falastes. E uma coisa eu digo, com certeza: quem vier a desposá-la, ficará cheio de ouro.
- É Capuleto? Oh conta cara! Minha vida é dívida de hoje em diante no livro do inimigo.
- A festa já acabou; vamos embora. – Pediu Benvólio a Romeu.
- Acabou? Para mim começa agora.
E seguiu-se assim até o fim do ensaio.
- Draco deixa de ser besta. – Hermione ria. Eles estavam sozinhos no corredor.
- Não. – Ele riu e fez biquinho.
- A Minerva ainda está dentro daquela sala...
- E daí?
- Daí que ela pode sair de lá a qualquer hora...
- Mione.
- Quê?
- Cala a boca.
- Vem calar. Epa, coisa errada a se dizer.
Ele a beijou. Minerva passou por eles bem na hora.
- Podem se desgrudar um pouco? – Ela fez uma cara enojada.
- Sim? – A morena corou intensamente, e fez uma careta pro loiro de "eu te falei".
- Vocês deveriam escrever uma música, certo?
- Certo.
- Ainda quero que escrevam a música, mas será para o dia da formatura. Cada um de vocês escreve uma música, e me entrega. Se não ficar boa, terão que começar outra.
- Ok. Mas qual é o prazo máximo?
- 31 de Janeiro. Podem ir. – A professora fez uma careta enojada novamente. E eles se foram.
_X_
Nada pior que detenção com Severo Snape. Etiquetar poções durante duas horas. Hermione saiu quase verde das masmorras.
Ela não podia estar vendo aquilo. Estava dormindo, no mínimo, e tendo um pesadelo. Hermione se beliscou. Sim, ela estava acordada. Epa.
Draco estava beijando outra garota, assim como havia acontecido com Ronald. E sabia perfeitamente quem era ela. Lilá Brown, sua ex-colega de quarto.
- DRACO MALFOY!
Lilá separou os lábios dos dele, sorriu maldosa pra Hermione, e foi embora.
- Hermione, foi ela quem...
- Te perguntei alguma coisa? – ela perguntou rude, sendo destruída por dentro.
- Não, mas...
- Como você teve coragem? Já não bastava a aposta, que por sinal eu perdoei, e agora isso?!
- Hermione...
- COMO VOCÊ TEVE CORAGEM?
- Hermione, foi ela quem me beijou.
- E você não resistiu não é? Claro, claro, é sempre a mesma história. Por que eu fui tão idiota de acreditar, que você me amava de verdade? Quando nenhum desses últimos dias significou algo pra você.
Essas palavras, mesmo vindo dela mesmo, estavam a matando.
- A Tonks ainda tentou me avisar. MAS EU NÃO ESCUTEI, E AGORA NO QUE DEU? – seus olhos castanhos estavam inundados em lágrimas.
- Hermione, por favor...
- Malfoy, CALA A BOCA! Eu não quero ouvir a sua voz. Vê se me esquece. – e foi para seu quarto pisando duro. Ele foi atrás dela.
- Mione...
- Granger, pra você.
- Por favor, me ouve. – e a segurou pelo braço. Ela se virou.
- Eu não tenho nada pra ouvir de você, Malfoy.
- Por favor. – ele foi se aproximando dela. Perto demais pra ficar confortável. Perigosamente perto.
Aquele cheiro a embriagava, o simples toque dele despertava sensações... E Draco e beijou.
- Malfoy me deixa em paz. – E chutou os "países baixos" dele, indo embora.
- Hermione...
Mas ela nem ligou. Chegou ao seu quarto aos prantos, e desabou na cama. Chorou até dormir.
Draco entrou no quarto, ao ter certeza que ela havia dormido, e se sentou na cama dela, começando a acariciar seus cabelos castanhos.
- Você fica tão bonita assim, dormindo. Não queria que tivesse sido desse jeito. Mas eu sempre te amei, e essa era a única chance. Eu te amo tanto Hermione. Queria que pudesse ouvir isso. – E beijou o rosto dela. – Eu te amo. – ela se mexeu.
Deveria ir. Não tinha coragem o suficiente de dizer isso a ela quando estivesse acordada. E foi para o seu quarto.
_X_
Quando a morena acordara, a noite já havia caído. Tonks estava em pé, olhando-a.
- E aí Bela Adormecida?
- Oi Tonks.
- Quer me contar o que aconteceu?
- A mesma coisa que aconteceu com o Ronald. – os olhos dela se encheram de lágrimas novamente. – Mas dessa vez foi a Lilá.
- A Lilá? – e se sentou na cama dela.
- Sim. – Hermione deitou a cabeça no colo de Tonks, e lágrimas e mais lágrimas rolaram de seus olhos.
- Amiga, isso vai passar... – ela começou a afagar os cabelos de Mione. – Eu encontrei o Malfoy lá fora, e ele me pediu pra te entregar isso. – pôs a mão no bolso e pegou uma espécie de carta.
- Eu não quero ler. – uma nova rodada de lágrimas caiu dos seus olhos castanhos.
- Certo. Vou deixar em cima do criado-mudo, caso mude de idéia. Você quer que...
- Não Tonks, eu não estou com fome.
- Quer que eu fique aqui com você?
- Não precisa.
- Tudo bem. Tenho que ir agora.
- Tá.
Após a saída da amiga, ela ainda chorou por um tempo e adormeceu novamente.
N/A: Hey people! Capítulo minúsculo e terrível ú_u Podem dizer que está muito podre. Mas mandem reviews. :D Capítulo 11 sendo escrito. Beijos.
Anne: Oi. Valeu *-* Sai cada coisa da minha cabeça, que você não acredita :D Postando já A. (: Beijos.
