Interlúdio

O fiscal passou para conferir bilhetes e passaportes logo pela manhã. Era um alívio, já que Edmund não precisou deixar a cabine quando o homem constatou que estava atrapalhando uma "lua de mel". Lucy ficou deitada na pequena cama, encolhida como um filhote de gato, enquanto Edmund estendia os documentos ao homem por uma pequena fresta da porta.

Chegariam a fronteira francesa logo, quanto antes alcançassem Paris melhor. Lá não haveria o risco constante de serem pegos. Lá seriam apenas quatro rostos perdidos na multidão atordoada pela conquista.

Depois de receber os documentos de volta Edmund fechou a porta da cabine e ficou encarando Lucy por um tempo. Sentia que havia algo diferente nela, mas não sabia apontar o que era exatamente.

Sexo sempre existiu, de uma forma conveniente, indiferente e áspera entre eles. Era uma imposição, era um dever e uma desculpa, mas na noite passada, dentro daquela cabine apertada, tudo pareceu muito diferente do que sempre foi. Era como se pela primeira vez ela tivesse deixado de lado toda a história de vítima martirizada para ser a mulher. Não a garota Lucy Pevensie, mas a mulher que aquela garota se tornou.

Intimidade, não apenas sexo. O que aconteceu entre eles foi intimidade, da maneira mais simples e mais intensa de todas. A forma como ela o guiou para dentro de si, que o envolveu com seus braços e pernas, que o acolheu...Não queria admitir, mas foi uma experiência totalmente nova e agora ele se sentia vulnerável. Talvez tanto quanto ela sempre se sentiu enquanto estavam juntos.

Era assim que acontecia? Era isso o que pessoas comuns chamavam de amor? Sentir-se nu e vulnerável diante do outro? Impotente e completamente dono de si e do outro ao mesmo tempo? Ele não a queria mais daquela maneira egoísta e possessiva. Tudo o que ele poderia pedir e desejar era compartilhar um pouco mais daquele segredo com ela, protegê-la, acalmá-la e poder acordar pela manhã sabendo que ela não estaria longe. Tudo o que ele realmente queria é que ela se sentisse da mesma maneira.

Ela parecia ter dentro de si todos os segredos do mundo. Algo que ele não entendia, mas precisava conhecer porque era fascinante. Dar-se conta de que a amava havia sido difícil e doloroso o bastante para ele, mas agora...Agora tudo parecia ainda mais doloroso, mais angustiante e ainda tão necessário e acolhedor.

Não queria sentir medo, não queria ter essa sensação de que sua própria vida perderia sentido se ela não estivesse ali para completar o quadro. O major Hoffmann não existia mais. Havia morrido no momento em que estuprou uma garota judia e se arrependeu disso. Morreu ao se arrepender de ter agredido uma mulher que em tanto se assemelhava a todas as outras mulheres do mundo, mas alguém dizia que ela não era digna de tal comparação.

O que sobrou foi Edmund Hoffmann.

Ela se mexeu na cama e aos poucos abriu os olhos para encará-lo. Ele ainda a observava e tinha uma expressão estranha. Ele nunca pareceu tão sereno, nem tão preocupado. Na maioria das vezes ele era apenas indiferente, ou pelo menos era o que ela pensava.

- Melhor se trocar e depois vamos tomar café no vagão restaurante. – ele disse num tom que ela considerou simpático – Klein e a sua irmã já devem ter levantado.

Ela fez o que ele pediu. Levantou-se e colocou roupas apropriadas para passar uma manhã inteira naquele trem. Pior era não ter o que fazer, nada para ocupar a mente e ainda sustentar o disfarce. Ela não poderia nem mesmo falar em público para não ser denunciada pelo sotaque.

Ele se aproximou dela após vestir suas próprias roupas e a abraçou por traz. Não da forma que fazia antes, era algo bem mais gentil e cuidadoso. Beijou-lhe a boca rapidamente e depois a olhou nos olhos.

- Não precisa se preocupar, vamos passar pouco tempo nas áreas comuns do trem. – ele disse apaziguador – Temos a desculpa de sermos recém casados. Vão pensar que não conseguimos manter as mãos longe um do outro.

- O que eu tenho que fazer? – ela perguntou deixando que a cabeça recostasse contra o ombro dele.

- Haja como uma esposa, seja lá o que isso quer dizer. – ele respondeu bem humorado – Faça o que quiser nesse sentido. Já terei meus próprios problemas tentando demonstrar afeto publicamente. Espero que você seja melhor nisso do que eu.

- O que tem de tão difícil nisso? – ela perguntou sem encará-lo.

- Eu não sei o que. É desconfortável. – ele respondeu – Não é algo que eu tenha aprendido, ninguém se deu ao trabalho de me ensinar essas coisas.

Lucy se afastou e sorriu discretamente para ele. Edmund ofereceu o braço a ela e então saíram da cabine em direção ao vagão restaurante. O trem tinha poucos passageiros e isso tornava a missão mais simples. Sempre que alguém passava por eles, Edmund a beijava, ou trocavam alguma carícia, ou então ele apenas sussurrava qualquer coisa junto ao ouvido dela e Lucy ria, mesmo sem entender uma palavra de alemão.

Ela achou que a encenação acabaria quando chegassem ao vagão, ou quando estivessem junto de Susan e do coronel Klein, mas não foi exatamente o que aconteceu.

Klein estava levando a encenação toda muito a sério e ele não parecia ter problemas em demonstrar afeição publicamente. Seu jeito normalmente falante também ajudava. Sempre que alguém passava por eles Peter tinha alguma coisa a dizer, uma brincadeirinha, ou um comentário do tipo "Sou um cara sortudo. Consegue acreditar que ela aceitou se casar comigo?"

- O que ele está fazendo? – Lucy perguntou a Susan num sussurro.

- Sendo exagerado. – ela respondeu no mesmo tom.

- Pra não dizer irritante. – Edmund completou.

Tomaram café da manhã sem deixar de lado o disfarce. Susan e Lucy não falavam, basicamente completavam a cena sendo duas garotas tímidas e carinhosas com seus respectivos acompanhantes.

Para surpresa geral, Edmund Hoffmann estava se saindo muito melhor no disfarce do que se poderia imaginar, ao ponto de Susan ter problemas em disfarçar sua cara de desagrado toda vez que ele beijava Lucy, ou a paparicava de algum modo.

- Ele realmente precisa ser tão grudento? – ela perguntou à irmã em dado momento – É nojento ver esse diabo fingindo que é gente.

Lucy apenas ria dos comentários rabugentos da irmã.

- Uma das melhores coisas neste disfarce é poder provocar a sua irmã desse jeito. Eu estou vendo a hora que Klein vai ter que amarrá-la na cadeira pra que ela não me acerte a faca de manteiga. – Edmund comentou em contra partida, quando já estavam novamente na cabine.

- Eu não entendo essa implicância com Susan. – Lucy comentou enquanto tirava os sapatos.

- É uma coisa que eu sempre pensei sobre cantoras líricas. Todas elas têm essa mania de serem o centro das atenções e ter todas as suas vontades atendidas. – Edmund disse calmo – É tão engraçado ver ela furiosa porque não pode se livrar de mim. Toda aquela pose de dona do mundo desmoronando, você não faz idéia de como isso me diverte.

- Acho que você exagera. – Lucy disse – Ela tem motivos pra não gostar de você, muito mais do que você tem para não gostar dela.

- Sua irmã é irritante. – ele disse sentando-se junto a ela – E o pior é que você sabe disso.

- Sim, eu sei. O que não quer dizer que eu gosto de ver vocês se provocando o tempo todo. – ela respondeu séria.

- Vai ficar nervosinha por que eu não gosto da sua irmã? – ele perguntou olhando para a forma compenetrada como ela encarava a paisagem através da janela da cabine.

- Eu não estou nervosinha. – Lucy respondeu, Edmund tentou não rir.

- Veja bem, eu tenho um sério problema. – ele disse de um jeito levemente apologético – Eu tendo a não gostar de pessoas de um modo geral.

- Ela diz que é porque você não tem coração. – Lucy disse dando de ombros.

- Talvez ela tenha razão neste ponto, mas o fato é que eu sou capaz de simpatizar com certas pessoas e até mesmo gostar da companhia de outras. – ele disse passando o braço ao redor dos ombros dela – Por exemplo, eu simpatizo com Klein apesar de todas as besteiras que ele já fez e de toda dor de cabeça que me deu. E eu gosto da sua companhia.

- E eu nem imagino o porque. – ela disse revirando os olhos de um jeito sarcástico.

- Deixando as suas pernas, seus seios, seu traseiro e tantas outras partes interessantes fora disso, eu ainda gosto da sua companhia, mesmo quando você faz perguntas complicadas. – ele disse e em seguida beijou a testa dela.

- Por que? – ela insistiu.

- Está vendo? Você acaba de fazer outra pergunta complicada. – Edmund respondeu – Bem, não sou a pessoa mais falante do mundo, não sou simpático, sou rabugento, com tendências a me isolar e, por incrível que pareça, você parece ser a única mulher do mundo que respeita isso. Além do mais, eu gosto de música clássica.

- Já passou pela sua cabeça que só respeitei isso por que não tive escolha? Quero dizer, eu estava apavorada. – ela disse encarando de uma forma que ele considerou divertida.

- Está apavorada agora? – ele a encarou de um jeito significativo.

- Estou no meio de uma fuga. O que você acha? – ela respondeu vacilante.

- Estou perguntando se está apavorada por minha causa. – ele corrigiu.

- Pra alguém que não é bom com palavras, você anda falando de mais. – ela desviou o rosto e voltou a olhar para a janela. Ele beijou a volta do pescoço dela, fazendo-a arrepiar.

- Então, sem perguntas difíceis. – ele disse calmo, enquanto a abraçava – Klein vai pedir sua irmã em casamento.

- Bem, eles vão ter um filho. De qualquer forma as coisas estão fora de ordem. – Lucy não pareceu muito crédula.

- Estou falando que ele vai se casar com ela em Paris. – Edmund disse sereno – Vai ser uma garantia a mais de que ele será aceito na Inglaterra, mas não poderá ser um casamento civil. Provavelmente eles vão se apresentar em alguma igreja dizendo que sua irmã quer se converter.

- Susan foi batizada. Antes de começar a viajar com a companhia. Ela sempre teve vergonha, queria ser normal. Eu acabei sendo batizada também. – Lucy respondeu – O que também é irônico, já que nós escolhemos outra religião minoritária na Inglaterra. Católicos pelo menos são aceitos em toda parte.

- Klein vai gostar de saber. A mãe dele era católica fervorosa. – Edmund comentou – Por causa dela ele tem uma consciência muito mais atormentada. Ele tem certeza de que vai pro inferno.

- E você? – ela perguntou baixinho.

- Eu já estou no inferno há muitos anos, não pode ter algo pior do que isso aqui. – ele disse sem animo – E eu não sei exatamente como era a minha mãe. Ela morreu quando eu tinha cinco anos e eu fiquei a cargo do meu pai.

- Não se lembra dela? – Lucy finalmente voltou a encará-lo.

- Algumas coisas, mas não tenho certeza se são reais, ou se sonhei. – ele disse melancólico – Ela cheirava a flores e tinha um riso bonito. O cabelo era da cor do meu e os olhos...Seus olhos se parecem com os dela. Fora o cabelo, eu não herdei muita coisa, sou mais parecido com meu pai.

- Ela era bonita?

- Linda.

- E o que mais?

- Absurdamente gentil e amorosa. Eu não sei como meu pai conseguiu se casar com uma mulher como ela. – Edmund abraçou Lucy mais forte – Ele era militar, como eu, não me lembro de vê-lo derramar uma lágrima quando ela morreu e também não me deixou chorar. Na minha cabeça de criança eu assumi que ele não gostava dela, mas não sei. Hoje acho que ele fez o que foi educado pra fazer. Engoliu o choro e seguiu em frente como um homem.

- O que você faria? – ela perguntou. Seu coração doía agora. Sentia pena dele.

- Mais perguntas difíceis. – ele jogou a cabeça para trás – Eu não sei, Lucy. Tirei você daquele campo pra que não precisasse descobrir tão cedo.

E foi assim que a conversa morreu, como tantas outras antes e tantas outras depois. Ele cumpria sua palavra, não diria que a amava outra vez, mas deixaria algumas pistas disso ao longo do caminho. O tempo no trem passava lentamente e enquanto não chegavam a Paris se entretinham com conversas esporádicas, chá no vagão restaurante, conversas sussurradas com Klein e Susan, e quando estavam sozinhos faziam amor, algo que estava ficando absurdamente freqüente.

Lucy tornou a sentir náuseas e ter vertigens em alguns momentos, mas sempre quando o trem balançava de mais, ou quando algum cheiro muito forte passava por ela. Tentava disfarçar a todo custo, principalmente na presença dos outros.

Finalmente chegaram à Paris numa manhã fria e nublada de final de inverno. As garotas vestiam casaco e levavam maquiagem, Edmund e Peter usavam ternos sóbrios, sobretudos e chapéus. Saíram da estação de trem o mais rápido possível para não serem notados pelos soldados alemães que cuidavam da segurança do lugar e dos documentos dos viajantes.

Deixaram a Gare Du Nord e tomaram um carro que os levou até um pequeno hotel perto da Sorbone. Naquele ponto o disfarce sofria mudanças. Caso fossem abordados por oficiais alemães, Susan e Lucy se passariam por francesas, já que dominavam bem o idioma.

Edmund e Peter mantiveram a postura de civis por uma questão de discrição, mas caso fosse necessário impor alguma autoridade eles recorreriam aos uniformes da Gestapo que estavam guardados na mala.

Susan chamou Lucy em seu quarto enquanto os rapazes saiam para fazer um reconhecimento do quarteirão e se assegurarem dos locais que deviam ser evitados. A cantora parecia ansiosa e encarou a irmã com um sorriso vacilante.

- O que está acontecendo? – Lucy perguntou para ela por fim – Está agitada.

- Aconteceu uma coisa e eu preciso desabafar, só isso. – ela disse enquanto revirava a mala em busca de um cigarro. Lucy tomou o pacote das mãos dela antes que pudesse ascender um.

- Você não vai fumar. – ele disse séria – Faz mal pro bebê.

- Oh veja só você! Até parece a mamãe falando. – Susan retrucou enquanto se sentava na beirada da cama inconformada – Eu estou nervosa.

- Nota-se, mas eu quero saber por que você está assim. – Lucy se sentou ao lado dela.

- Peter, ele me pediu em casamento hoje, pouco antes de descermos do trem. – ela disse ligeiramente eufórica.

- E o que você disse? – Lucy arqueou a sobrancelha, sem saber exatamente o que pensar do estado da irmã.

- Eu disse sim. – ela confessou – Isso me torna horrível? Quero dizer, depois de tudo o que aconteceu, do que ele é, ou era. Deus do céu, ele era um oficial alemão! Ele matava gente como nós! E eu...Eu estou apaixonada por ele! Lucy, me diga o que pensar disso tudo, por que eu estou tão confusa! – Lucy riu, sem conseguir enxergar um terço do drama que Susan via na situação.

- Eu acho perfeitamente sensato. – ela disse bem humorada – Ele é divertido e preocupado com você. Edmund disse que Klein se martiriza por achar que está condenado depois de tudo o que fez, pelo menos ele tem uma consciência e sabe que estava errado.

- Oh, pare de falar do major demônio com tanta intimidade! Isso é nojento! – Susan disse mal humorada.

- Eu gostaria que vocês parassem com a implicância. Está ficando cansativo. – Lucy disse revirando os olhos – Se vamos ter de conviver uns com os outros, é melhor que seja em paz.

- Eu não vou conviver com ele! Não há a menor possibilidade! Assim que chegarmos a Inglaterra quero ver aquele cretino preso, ou bem longe de nós! – Susan disse convicta – Não me diga que aquele desgraçado vai tentar te obrigar a casar com ele, por que se ele fizer uma coisa dessas, Peter vai ter que dar cabo dele! E eu estou falando sério!

- Su, não vou deixá-lo por conta própria. Estaremos entre amigos, mas ele não conhece ninguém lá. – Lucy disse tímida – Não vou deixar Edmund, mesmo que ele não tenha me pedido em casamento.

- Lucy, eu não sei o que aquele bastardo fez com você, mas sei que não foi correto. Olhe só o que está dizendo! Você está defendendo o mesmo homem que mandou nos torturar! O mesmo que violentou você! – Susan disse indignada.

- E também é o mesmo homem que está nos ajudando a voltar pra casa quando a Alemanha está ganhando! – Lucy defendeu-o prontamente – Sei que temos todos os motivos para não gostar dele, mas...

- Mas o que, Lucy? – Susan perguntou nervosa – Você não pode estar falando sério. Eu me recuso a acreditar!

- Eu o amo. – Lucy sussurrou e escondeu o rosto entre as mãos – Se você não conseguia imaginar algo mais vergonhoso do que estar apaixonada por Peter Klein, então eu digo que estou apaixonada pelo major Hoffmann.

- Leeba, querida, você passou por muita coisa. É normal estar confusa. – Susan puxou a irmã para um abraço. Fazia tempo que ela não dizia o nome hebraico. Lucy chorou baixo.

- Eu não estou confusa. Gostaria de estar e então saberia que há uma chance de estar equivocada. – ela disse entre soluços – Su, eu não consigo odiá-lo! Eu não consigo mais me sentir mal quando ele me toca! Eu, oh Deus, eu gosto! Espero por isso! Gosto quando ele me abraça, quando ficamos conversando, gosto do cheiro dele, do gosto de uísque na boca, da voz! Ainda tenho medo, mas gosto de tudo!

- Leeba, isso vai passar. Quando estivermos longe dele, quando toda essa confusão acabar e estivermos em casa, você vai conhecer outro homem, um que te respeite e trate bem. Vai se apaixonar de novo e todo esse pesadelo vai ficar pra trás. – Susan disse baixinho.

- Eu não quero, Susan! – ela encarou a irmã convicta – Eu não vou abandoná-lo e acho melhor você se acostumar com isso.

Lucy se levantou e saiu do quarto sentindo-se desolada. Nunca foi tão difícil admitir algo quanto o que estava sentindo pelo major Hoffmann. Nunca pareceu tão errado sentir algo. Ela foi para o quarto que dividia com ele e se jogou na cama, onde chorou por um bom tempo.

Todo estresse, toda angustia da fuga, a culpa pelo sentimento que tinha por ele, o casamento da irmã, tudo isso parecia fazer o mundo girar mais rápido, de um jeito vertiginoso. Ela correu para o banheiro o colocou tudo o que estava no estômago pra fora.

Edmund voltou após uma hora e meia e trouxe consigo roupas quentes para ela. Quando chegou ao quarto a encontrou deitada sobre a cama, encolhida como um filhote. Estava pálida e os olhos estavam vermelhos. Ficou preocupado.

Abaixou-se ao lado dele e verificou a temperatura e a pulsação. Ela estava calada e isso fazia com que ele se lembrasse da primeira vez. O dia que a forçou a ir pra cama com ele.

- Lucy, o que aconteceu? – ele perguntou calmo, afastando o cabelo do rosto dela – Está passando mal?

- Estou bem. – ela respondeu num tom fraco, enquanto se levantava da cama – Me desentendi com Susan. Só isso.

- Tem certeza? Eu posso procurar um médico, se precisar. Mesmo que os médicos daqui se recusem a atender alemães, eu posso dar um jeito nisso. – ele disse solicito.

- Estou bem, não há necessidade. – ela disse encarando-o.

- Bem o bastante para sair? – ele perguntou encarando-a.

- Aonde vamos? – ela disse rapidamente.

- Ao casamento da sua irmã e Klein, que Deus nos ajude. – ele disse rindo – Achamos um padre e digamos que convencê-lo não foi exatamente um problema.

- Eu não acredito que ameaçaram um padre. – ela disse incrédula.

- Juro que sou inocente dessa vez. Peter fez todo trabalho. Eu só precisei dizer que não era sábio da parte dele negar alguma coisa para um oficial da Gestapo. – ele disse calmo – Coloque o casaco, está frio lá fora.

Após Lucy se trocar e retocar a maquiagem, os quatro seguiram em direção a igreja escondida numa das ruelas de Paris. O sacerdote já os aguardava.

Não haveria um buquê, nem uma decoração sofisticada, nem musica tocando. A cerimônia seria breve, realizada na sacristia, diante de um crucifixo de latão dourado. O padre ranzinza seguiu com os ritos em francês, aos quais Peter não entendia. Susan sorria nervosa e lançava olhares apologéticos a Lucy, que por sua vez secou o canto dos olhos. Ela sempre chorava em casamentos.

Edmund aproveitou o momento para segurar a mão dela entre as suas, como sempre quis fazer sem sentir o peso da culpa. O tempo deles estava se esgotando, tudo o que ele queria era aproveitar cada segundo de Lucy em sua vida e desejar secretamente que fossem eles trocando alianças naquele casamento improvisado.

Nota da autora: Como minhas provas estão chegando e eu estou oficialmente muito fudida, eu queria postar isso o quanto antes. Eu sei. Ed mudou da água pro vinho e ele e a Lu estão uma delicia cremosa nesse capítulo. Susan sendo uma mala (alguém tem que fazer as vezes de sogra). Peter uma figura decorativa neste capítulo e tudo isso está muito fácil. Sim, está. Mas eles vão se encontrar com o exercito inglês logo logo e ai a coisa será mais dramática. Se segurem nas cadeiras um pouco mais. Posto o próximo assim que puder. Sem música neste capítulo pq eu estou com pressa XD.

Bjux

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