A Imperatriz do trono do Dragão
Cap. X
Tal qual o combinado, Sakura cuidou de tudo para o casamento. Ainda podia lembrar-se da expressão de felicidade suprema de Tomoio quando lhe contara. A partir daquele dia, era comum que após as conferencias privadas que Sakura tinha com o Príncipe Eriol na biblioteca, onde trocavam informações sobre o império, Sakura se demorasse propositalmente no exame de alguns papéis para dar a oportunidade de Tomoio e Eriol conversassem. Sakura então colocou outra parte de sua idéia em prática, em uma conversa que teve com o Imperador algumas noites antes do casamento, quando se encontrava na Alcova Real, parecendo semi-adormecida.
Se movendo ligeiramente, murmurou estas palavras...
-Quase esqueci...
-Esqueceu o que, meu coração e meu fígado? Inquiriu o Imperador. Estava de bom humor por que naquele dia Sakura havia concordado em dormir em seu quarto, o que fazia-o sentir-se seguro.
-Sabeis, meu senhor, que o Comandante da Guarda Imperial é meu parente? falou ela, ainda parecendo semi-adormecida.
-Sei... isto é, ouvi dizer.
-Há muito tempo fiz ao meu tio Kinomoto uma promessa referente a ele e nunca cumpri... oh, só mesmo eu!
-Sim?
-Se o convidardes á festa de casamento do Príncipe Eriol, meu senhor, minha consciência não me aguilhoará mais.
O Imperador mostrou-se languidamente surpreso.
-O que? Um guarda?Isso não despertará ciúmes entre os príncipes menores e suas famílias?
-Há sempre ciúmes entre os pequenos, meu senhor. Mas fazei o que quiserdes, meu senhor, murmurou ela.
O Imperador apenas permaneceu em silêncio.
-O Ministro das Defesas está velho, meu senhor, e meu parente nos últimos tempos muito o tem ajudado em seu chamado, talvez se ele fosse elevado, não haveria problemas...
-Mas é o Príncipe Eriol que sempre nomeia os novos ministros, nunca tive que tomar essa decisão...
-Claro, meu senhor, com queiras.
Pouco depois fez pequenos movimentos para afastar-se dele. Bocejou e disse que estava cansada.
-Meu dente está doendo, falou em seguida, mentindo, pois todos os seus dentes eram brancos e sólidos como marfim.
Desceu da cama, calçou os sapatos de cetim e disse:
-Não me chameis amanhã a noite, pois não me agradaria dizer ao Eunuco-chefe que não quero vir, se mandardes buscar-me.
O Imperador ficou alarmado, conhecendo-lhe a vontade inflexível. Deixou-a ir, apesar de conturbado, e assim se passaram duas noites. Ela não veio e ele não atreveu-se a mandar chama-la, para não tornar-se objeto de riso do palácio, caso os eunucos viessem a saber que ela o havia recusado novamente. Conheciam os seus truques e sabiam quão frequentemente o Imperador fora obrigado a mandar-lhe presentes para persuadi-la a voltar.
-Desejaria não amar e depender de uma mulher tão complicada, resmungou ele para o Príncipe Eriol, no dia seguinte.
O príncipe apenas deu um pequeno sorriso, e informou o Imperador que, na realidade, o Ministro das Defesas realmente andava debilitado, e que a nomeação de Shaoran poderia ser boa, e vir em momento certo.
O Imperador cedeu de novo. Mandou dizer-lhe que satisfaria o seu desejo e, na terceira noite, a última antes da festa de casamento, chamou Sakura. Ela veio, muito altiva, bela e alegre, sendo generosa e justa quando obtinha o que desejava. Nesta mesma noite Shaoran recebeu o convite imperial para a festa.
O dia da festa amanheceu radiante e belo, o ar purificado pelas tempestades de areia, e Sakura despertou para o ruído e a musica. Em muitos pátios, as famílias da cidade soltaram foguetes quando o sol apareceu, bateram gongos e tambores e sopraram trombetas. O mesmo aconteceu em muitas outras cidades do reino e aldeias, e para Sakura, isso mais do que tudo demonstrava como o Príncipe Eriol era querido por todos, e como sua bondade e misericórdia eram reconhecidos.
Ela se levantou cedo a cama, mais imperiosa do que nunca,tendo porém o cuidado de mostrar-se cortês para com todas as mulheres de seu palácio, como era seu hábito, tão cortês para sua serva como para a mais altamente colocada de suas damas. Naquele dia Sakura havia dado ordens para que Tomoio, da mesma maneira que ela, fosse tratada como uma rainha, e ela mesmo verificava se tudo estava correndo bem quando esta foi banhada e deixou que a vestissem, e as duas comeram juntas os seus doces matinais. As duas estavam lado a lado quando varias criadas estavam arrumando seus cabelos em complicados penteados, o de Tomoio pela primeira vez ainda mais elaborado que o de Sakura, afinal, era o seu casamento. Enquanto sentia o odor dos perfumados lenços úmidos que eram passados em suas mãos, Tomoio virou-se para Sakua e murmurou-lhe:
-Desejaria que não tivesse tido tanto trabalho comigo, Sakura. Esse casamento é muito glamuroso para apenas uma de suas damas.
-Ora, Tomoio, essa respondeu – Você não é não é apenas uma de minhas damas, você sabe que é também minha melhor amiga... Fora o fato que é normal uma dama ter um casamento razoavelmente grande, já que todas vocês são filhas de nobres, e ainda mais se você vai casar com um dos príncipes!
-Sei disso, Sakura, disse Tomoio. – Mas mesmo assim...
-Nada de "mas", você sabe que merece e pronto!
Tomoio apenas deu um sorriso um tanto infantil e disse:
-Sou a mais feliz das mulheres que nasceram nessa terra.
Chegada a hora, Sakura chamou as outras damas e, precedendo Tomoio em seu palanquim, que ia em outro alguns metros atrás, seguiu para o Supremo Salão do Trono, centro da Cidade proibida e lugar que o Imperador escolhera para receber os presentes de casamento com o seu irmão. Essa salão era o maior de todos os palácios. Flanqueado por dois salões menores, esguia-se sobre um largo terraço de mármore conhecido como Pavimento do Dragão. Davam acesso ao terraço cinco lanços de degraus de mármore, com dragões esculpidos. O teto do salão brilhava, dourado, ao sol. Sakura olhou para o teto dourado, as portas esculpidas, os beirais pintados, e retirou-se com Tomoio para um salão menor, que escolhera para permanecer enquanto os presentes eram dados.
O dia foi curto para receber os presentes, o que mais uma vez mostrava a devoção do povo pelo Príncipe Eriol, e quando o sol se pôs, os presentes que ainda não tinham sido vistos, todos de príncipes menores e pessoas de pequena categoria, foram postos de lado. O Imperador e o Príncipe Eriol, então, entraram numa pequena sala reservada, seguidos de Sakura que acompanhava uma tímida Tomoio, e ali a rápida cerimônia foi realizada pelos eunucos representantes do sagrado Deus Ying, da fertilidade, e receberam a aprovação pessoal do Imperador. A lua surgiu, indicando a hora da festa no Imperial Salão de Banquetes, onde somente se realizavam as grandiosas solenidades. O Imperador e Sakura entraram na frente, seguidos de Eriol, que trajava uma roupa de cetim negro, que ia do pescoço aos sapatos de veludo, e Tomoio, com um longo manto purpurino de cetim, com pequenos dragões bordados com seda escarlate. Na cabeça trazia um chapéu de cetim escarlate, com penas de pavão e ao redor do pescoço a corrente de ouro que Sakura lhe pusera no pescoço pouco antes de entrarem, como presente.
O Imperador, Sakura, Príncipe Eriol, Tomoio e outros convidados de importância acomodaram-se em mesas de frente para os outros convidados que, à entrada do Imperador, ajoelharam-se e curvaram-se, e então a comemoração em si começou.
Por entre as mesas baixas postas para mil convivas, que se achavam sentados sobre almofadas escarlates, circulavam eunucos em trajes brilhantes, silenciosos e rápidos, servindo a todos. Na extremidade do salão achavam-se as damas da corte, as esposas de príncipes, ministros e nobres; na outra extremidade, estes dignitários. Perto de Sakura, ao seu lado direito, estava sentada Tomoio - Sakura olhou-a e sorriu. Ambas sabiam onde Shaoran estava sentado – a uma mesa distante. Os convivas perguntavam-se, sem duvida, o motivo por que o comandante da guarda fora honrado daquela maneira, mas quando a pergunta era feira aos ouvidos de algum eunuco que passava, este tinha a resposta pronta:
-É parente da Imperatriz do Palácio Ocidental, Tzu Hsi, e está aqui por ordem dela.
Diante disso, nenhuma outra pergunta se tornava possível.
A festa prosseguia. Músicos da Côrte tocaram suas harpas antigas, flautas e tambores, e no teatro representava-se para os que queriam ver. O Palco fora erguido numa altura suficiente para o Imperador e as consortes, (afinal Mai Ling também estava presente, apenas um tanto afastada), mas não acima deles.
Afinal, as velas estavam prestes a acabar e a festa aproximava-se do fim.
-Chá para os nobres, ordenou o Príncipe Eriol ao Eunuco-chefe, quando esse se voltou.
Serviram chá a todos os nobres, mas não ao Comandante da Guarda, que não o era. Sakura, fingindo não reparar, vira tudo. Acenou com a mão coberta de jóias e o eunuco Lien, sempre vigilante, aproximou-se rápido.
-Leve esta xícara de chá ao meu parente, de minha parte, ordenou Sakura em voz nítida e vibrante. Pôs a tampa de porcelana sobre a sua própria xícara, que ainda não provara, e depositou-a com ambas as mãos nas mãos do eunuco. E Lien, orgulhoso de ser o portador, levou-a a Shaoran que se levantou para recebe-la também com as duas mãos. Depô-la e, voltando-se para a Imperatriz do Palácio Ocidental, curvou a cabeça para significar seu agradecimento.
As conversas cessaram por completo e todos se entreolharam. Mas Sakura parecia não perceber. Esse momento também passou. O Eunuco-chefe fez sinal aos músicos que imediatamente se puseram a tocar. Os últimos pratos foram servidos.
A lua estava alta, a hora avançada. Todos esperavam que o Imperador se levantasse e se dirigisse ao terraço, onde o aguardava seu palanquim. Mas ele não se levantou. Bateu palmas e o Eunuco-chefe ordenou que cessasse a música.
-Que há? Perguntou Sakura ao Príncipe Eriol.
-Imperatriz, não sei.
Fez-se novo silêncio e os olhares voltaram-se para o Imperador, que, sem levantar-se, anunciou:
-Aproveitando essa oportunidade, eu anuncio que o Atual Ministro das defesas, Yeh Kwang, está sendo desobrigado de seu cargo, honrosamente, e que por vários anos de serviços prestados tem o reconhecimento que lhe cabe.
O Ministro Kwang levantou-se de seu lugar e em seguda ajoelhou-se, curvando a cabeça nove vezes para o Imperador.
As pessoas em volta não se mostraram surpresas, pois o Ministro a muito tinha realmente passado da idade para exercer seu cargo satisfatoriamente sozinho.
-Em seu lugar, continuou o Imperador após Yeh Kwang voltar a se sentar – Eu informo que escolhi o atual Comandante da Guarda Imperial, Shaoran Li, que já diversas vezes tem demonstrado sua lealdade ao trono.
Shaoran da mesma maneira ajoelhou-se e curvou-se nove vezes ao Imperador. Se estava surpreso, não demonstrou, pois permaneceu com uma feição impassível.
As pessoas agora pareciam entender o por que do fato de Shaoran ter sido convidado ao casamento, e mesmo que fosse estranho alguém que não fosse de família nobre ser nomeado para um alto cargo, não ousaram demonstrar contrariedade em frente do Imperador.
Fez-se novo silencio e os olhares voltaram-se para as portas, pelas quais os eunucos agora rapidamente saiam. O Filho do Céu inclinou-se para Sakura.
-Meu coração, sussurrou, olhe para as grandes portas!
Sakura olhou e viu seis eunucos transportando uma bandeja de ouro tão pesada que mal podiam sustenta-la sobre as cabeças. Em cima da bandeja achava-se um enorme pêssego, dourado de um lado, vermelho do outro. Um pêssego? Era símbolo de vida longa.
-Anuncie meu presente á Imperatriz Tzu Hsi, ordenou o Imperador ao sei irmão.
O príncipe Eriol levantou-se:
-O presente do Filho do Céu à Imperatriz Tzu Hsi!
Todos levantaram-se e se curvaram, enquanto os eunucos levavam a bandeja a Sakura e permaneciam de pé, segurando-a diante dela.
-Tome o pêssego com suas mãos, ordenou-lhe o Filho do Céu.
Ela segurou a gigantesca fruta, que logo se abriu ao meio. Dentro do pêssego viu um par de sapatos feitos de cetim róseo bordados com flores de ouro e de prata, tendo presas nos fios gemas de todos os matizes. Os saltos, altos e dispostos á moda manchu, no meio das solas, eram de pérolas róseas da Índia, tão juntas umas das outras que o cetim não se via.
Sakura olhou com os olhos brilhantes para o Filho do Céu.
-Para mim, meu senhor?
-Somente para você, disse ele.
Aos olhos de todos era um presente ousado, símbolo de amor luxurioso do homem pela mulher, mas Sakura sabia que era, na verdade, uma demonstração da devoção que o Imperador tinha sobre ela, e uma maneira a mais de ter a garantia que ela cuidaria dos negócios do reino para ele por mais um tempo.
Enquanto era retirado o presente, Sakura ergueu mais uma vez os olhos, encontrando os de Shaoran, que desviou o olhar rapidamente e fitou o presente, que era carregado para fora da porta neste momento e, fitando-a novamente durante alguns segundos com um olhar duro, abaixou sua cabeça para apenas fitar sua refeição pelo restante da comemoração.
Sakura ainda procurou seu olhar várias vezes, mas sem resultado. Se entristeceu por alguns momentos, mas um pequeno sorriso veio aos seus lábios quando lembrou-se que, a partir do dia seguinte, poderia trabahar em contato direto com ele.
Continua...
NA: Ok, eu se que falei q esse cap. ia ser postado no dia seguinte ao anterior, mas acabou dando problemas no pc e blá, blá blá.... Perdoem a demora, please. --'
Pois é, parece que o Shaoran ficou meio bravo com a Sakura... também, com o Imperador dando presentes pra ela assim em público, ele tem seus motivos, hehe. Gostaram do casamento da Tomoio com o Eriol? Não podemos dizer que foi lá muito romântico, mas eles não eram mesmo na realidade... pra compensar fiz uma festa bem grande.
Gente,o fic vai ter mais poucos capítulos, e vcs precisam sugerir finais! Se vcs querem q a Sakura e o Shaoran fiquem juntos de uma maneira melosa, precisam me dizer como, pq senaum vão vai ser da minha maneira mesmo, Há, há, há! (risada maléfica...) Vamos aos agradecimentos:
Xianya: Se vc gosta de E/T deve ter gostado desse cap. Mesmo sem muito romance.. mas no próximo vai ter um pokinho mais dos dois, ok? Ah, bem, sobre Shaoran e Sakura, já tenho uns planos, mas aceito sugestões. Valeu pelo Review.
Miaka: Um, sinto muito se vc acha isso, mas na verdade, não era pra ser apenas sobre os dois naum, mas sim pra mostrar uma Sakura Imperatriz.. o Shaoran ta vindo "de brinde",hauahuaha.. brincadeirinha, mas obrigada mesmo assim pelo review.
Merry-Anne: Pois é, tudo resolvido entre T/E, desculpa a demora . Bem, na verdade, o destino do reino ta suuuper decidido já, o problema pe o destino S/S, hehe. Aceito idéias, ok? Brigada pelo comentáriu!
Yuuko: Umm.. please não me mata!! Desculpinha a demora,e acho q esse cap tb naum foi longo o suficiente, neh?? Ops, sorry sobre isso! Bem, a Sakura e o Shaoran tb naum conversaram nesse cap, mas como agora eles vão se ver beeem mais regularmente, isso naum vai ser mais um problema.
Yume Rinku: O Aliado é o Eriol, tipo, alguém que a Sakura pode confiar, sabe? Bem, a sakura já elevou , pelo menos um poko, o Shaoran, mas ela vai elevar ainda mais! E a Sakura ainda vai ter mais poder ainda, hohoho... Bem, Adorei mesmo seu comentário, brigada mesmo, mesmo
Andressa: Ah! Brigada por estar gostando, agora que o meu pc já ta "bonzinho" vou postar mais rápido, ok? Ah! Se vc ker q os dois fikem juntos, pode ajudar se vc me falar como quer q isso aconteça, hehehe, Bragada pelo Review
Yashino: Nossa, amei mesmo sua Review, muito linda! Fico muito feliz que vc esteja gostando, espero q tb goste desse cap, ok?
Alexiel: Ah.. sei q falei que ia postar segunda feira, mas tivemos problemas técnicos, hehehe. Espero q vc goste desse cap, e valeu pela "empurrada"pra esse sair,hihihi, Bjo!
Cap. X
Tal qual o combinado, Sakura cuidou de tudo para o casamento. Ainda podia lembrar-se da expressão de felicidade suprema de Tomoio quando lhe contara. A partir daquele dia, era comum que após as conferencias privadas que Sakura tinha com o Príncipe Eriol na biblioteca, onde trocavam informações sobre o império, Sakura se demorasse propositalmente no exame de alguns papéis para dar a oportunidade de Tomoio e Eriol conversassem. Sakura então colocou outra parte de sua idéia em prática, em uma conversa que teve com o Imperador algumas noites antes do casamento, quando se encontrava na Alcova Real, parecendo semi-adormecida.
Se movendo ligeiramente, murmurou estas palavras...
-Quase esqueci...
-Esqueceu o que, meu coração e meu fígado? Inquiriu o Imperador. Estava de bom humor por que naquele dia Sakura havia concordado em dormir em seu quarto, o que fazia-o sentir-se seguro.
-Sabeis, meu senhor, que o Comandante da Guarda Imperial é meu parente? falou ela, ainda parecendo semi-adormecida.
-Sei... isto é, ouvi dizer.
-Há muito tempo fiz ao meu tio Kinomoto uma promessa referente a ele e nunca cumpri... oh, só mesmo eu!
-Sim?
-Se o convidardes á festa de casamento do Príncipe Eriol, meu senhor, minha consciência não me aguilhoará mais.
O Imperador mostrou-se languidamente surpreso.
-O que? Um guarda?Isso não despertará ciúmes entre os príncipes menores e suas famílias?
-Há sempre ciúmes entre os pequenos, meu senhor. Mas fazei o que quiserdes, meu senhor, murmurou ela.
O Imperador apenas permaneceu em silêncio.
-O Ministro das Defesas está velho, meu senhor, e meu parente nos últimos tempos muito o tem ajudado em seu chamado, talvez se ele fosse elevado, não haveria problemas...
-Mas é o Príncipe Eriol que sempre nomeia os novos ministros, nunca tive que tomar essa decisão...
-Claro, meu senhor, com queiras.
Pouco depois fez pequenos movimentos para afastar-se dele. Bocejou e disse que estava cansada.
-Meu dente está doendo, falou em seguida, mentindo, pois todos os seus dentes eram brancos e sólidos como marfim.
Desceu da cama, calçou os sapatos de cetim e disse:
-Não me chameis amanhã a noite, pois não me agradaria dizer ao Eunuco-chefe que não quero vir, se mandardes buscar-me.
O Imperador ficou alarmado, conhecendo-lhe a vontade inflexível. Deixou-a ir, apesar de conturbado, e assim se passaram duas noites. Ela não veio e ele não atreveu-se a mandar chama-la, para não tornar-se objeto de riso do palácio, caso os eunucos viessem a saber que ela o havia recusado novamente. Conheciam os seus truques e sabiam quão frequentemente o Imperador fora obrigado a mandar-lhe presentes para persuadi-la a voltar.
-Desejaria não amar e depender de uma mulher tão complicada, resmungou ele para o Príncipe Eriol, no dia seguinte.
O príncipe apenas deu um pequeno sorriso, e informou o Imperador que, na realidade, o Ministro das Defesas realmente andava debilitado, e que a nomeação de Shaoran poderia ser boa, e vir em momento certo.
O Imperador cedeu de novo. Mandou dizer-lhe que satisfaria o seu desejo e, na terceira noite, a última antes da festa de casamento, chamou Sakura. Ela veio, muito altiva, bela e alegre, sendo generosa e justa quando obtinha o que desejava. Nesta mesma noite Shaoran recebeu o convite imperial para a festa.
O dia da festa amanheceu radiante e belo, o ar purificado pelas tempestades de areia, e Sakura despertou para o ruído e a musica. Em muitos pátios, as famílias da cidade soltaram foguetes quando o sol apareceu, bateram gongos e tambores e sopraram trombetas. O mesmo aconteceu em muitas outras cidades do reino e aldeias, e para Sakura, isso mais do que tudo demonstrava como o Príncipe Eriol era querido por todos, e como sua bondade e misericórdia eram reconhecidos.
Ela se levantou cedo a cama, mais imperiosa do que nunca,tendo porém o cuidado de mostrar-se cortês para com todas as mulheres de seu palácio, como era seu hábito, tão cortês para sua serva como para a mais altamente colocada de suas damas. Naquele dia Sakura havia dado ordens para que Tomoio, da mesma maneira que ela, fosse tratada como uma rainha, e ela mesmo verificava se tudo estava correndo bem quando esta foi banhada e deixou que a vestissem, e as duas comeram juntas os seus doces matinais. As duas estavam lado a lado quando varias criadas estavam arrumando seus cabelos em complicados penteados, o de Tomoio pela primeira vez ainda mais elaborado que o de Sakura, afinal, era o seu casamento. Enquanto sentia o odor dos perfumados lenços úmidos que eram passados em suas mãos, Tomoio virou-se para Sakua e murmurou-lhe:
-Desejaria que não tivesse tido tanto trabalho comigo, Sakura. Esse casamento é muito glamuroso para apenas uma de suas damas.
-Ora, Tomoio, essa respondeu – Você não é não é apenas uma de minhas damas, você sabe que é também minha melhor amiga... Fora o fato que é normal uma dama ter um casamento razoavelmente grande, já que todas vocês são filhas de nobres, e ainda mais se você vai casar com um dos príncipes!
-Sei disso, Sakura, disse Tomoio. – Mas mesmo assim...
-Nada de "mas", você sabe que merece e pronto!
Tomoio apenas deu um sorriso um tanto infantil e disse:
-Sou a mais feliz das mulheres que nasceram nessa terra.
Chegada a hora, Sakura chamou as outras damas e, precedendo Tomoio em seu palanquim, que ia em outro alguns metros atrás, seguiu para o Supremo Salão do Trono, centro da Cidade proibida e lugar que o Imperador escolhera para receber os presentes de casamento com o seu irmão. Essa salão era o maior de todos os palácios. Flanqueado por dois salões menores, esguia-se sobre um largo terraço de mármore conhecido como Pavimento do Dragão. Davam acesso ao terraço cinco lanços de degraus de mármore, com dragões esculpidos. O teto do salão brilhava, dourado, ao sol. Sakura olhou para o teto dourado, as portas esculpidas, os beirais pintados, e retirou-se com Tomoio para um salão menor, que escolhera para permanecer enquanto os presentes eram dados.
O dia foi curto para receber os presentes, o que mais uma vez mostrava a devoção do povo pelo Príncipe Eriol, e quando o sol se pôs, os presentes que ainda não tinham sido vistos, todos de príncipes menores e pessoas de pequena categoria, foram postos de lado. O Imperador e o Príncipe Eriol, então, entraram numa pequena sala reservada, seguidos de Sakura que acompanhava uma tímida Tomoio, e ali a rápida cerimônia foi realizada pelos eunucos representantes do sagrado Deus Ying, da fertilidade, e receberam a aprovação pessoal do Imperador. A lua surgiu, indicando a hora da festa no Imperial Salão de Banquetes, onde somente se realizavam as grandiosas solenidades. O Imperador e Sakura entraram na frente, seguidos de Eriol, que trajava uma roupa de cetim negro, que ia do pescoço aos sapatos de veludo, e Tomoio, com um longo manto purpurino de cetim, com pequenos dragões bordados com seda escarlate. Na cabeça trazia um chapéu de cetim escarlate, com penas de pavão e ao redor do pescoço a corrente de ouro que Sakura lhe pusera no pescoço pouco antes de entrarem, como presente.
O Imperador, Sakura, Príncipe Eriol, Tomoio e outros convidados de importância acomodaram-se em mesas de frente para os outros convidados que, à entrada do Imperador, ajoelharam-se e curvaram-se, e então a comemoração em si começou.
Por entre as mesas baixas postas para mil convivas, que se achavam sentados sobre almofadas escarlates, circulavam eunucos em trajes brilhantes, silenciosos e rápidos, servindo a todos. Na extremidade do salão achavam-se as damas da corte, as esposas de príncipes, ministros e nobres; na outra extremidade, estes dignitários. Perto de Sakura, ao seu lado direito, estava sentada Tomoio - Sakura olhou-a e sorriu. Ambas sabiam onde Shaoran estava sentado – a uma mesa distante. Os convivas perguntavam-se, sem duvida, o motivo por que o comandante da guarda fora honrado daquela maneira, mas quando a pergunta era feira aos ouvidos de algum eunuco que passava, este tinha a resposta pronta:
-É parente da Imperatriz do Palácio Ocidental, Tzu Hsi, e está aqui por ordem dela.
Diante disso, nenhuma outra pergunta se tornava possível.
A festa prosseguia. Músicos da Côrte tocaram suas harpas antigas, flautas e tambores, e no teatro representava-se para os que queriam ver. O Palco fora erguido numa altura suficiente para o Imperador e as consortes, (afinal Mai Ling também estava presente, apenas um tanto afastada), mas não acima deles.
Afinal, as velas estavam prestes a acabar e a festa aproximava-se do fim.
-Chá para os nobres, ordenou o Príncipe Eriol ao Eunuco-chefe, quando esse se voltou.
Serviram chá a todos os nobres, mas não ao Comandante da Guarda, que não o era. Sakura, fingindo não reparar, vira tudo. Acenou com a mão coberta de jóias e o eunuco Lien, sempre vigilante, aproximou-se rápido.
-Leve esta xícara de chá ao meu parente, de minha parte, ordenou Sakura em voz nítida e vibrante. Pôs a tampa de porcelana sobre a sua própria xícara, que ainda não provara, e depositou-a com ambas as mãos nas mãos do eunuco. E Lien, orgulhoso de ser o portador, levou-a a Shaoran que se levantou para recebe-la também com as duas mãos. Depô-la e, voltando-se para a Imperatriz do Palácio Ocidental, curvou a cabeça para significar seu agradecimento.
As conversas cessaram por completo e todos se entreolharam. Mas Sakura parecia não perceber. Esse momento também passou. O Eunuco-chefe fez sinal aos músicos que imediatamente se puseram a tocar. Os últimos pratos foram servidos.
A lua estava alta, a hora avançada. Todos esperavam que o Imperador se levantasse e se dirigisse ao terraço, onde o aguardava seu palanquim. Mas ele não se levantou. Bateu palmas e o Eunuco-chefe ordenou que cessasse a música.
-Que há? Perguntou Sakura ao Príncipe Eriol.
-Imperatriz, não sei.
Fez-se novo silêncio e os olhares voltaram-se para o Imperador, que, sem levantar-se, anunciou:
-Aproveitando essa oportunidade, eu anuncio que o Atual Ministro das defesas, Yeh Kwang, está sendo desobrigado de seu cargo, honrosamente, e que por vários anos de serviços prestados tem o reconhecimento que lhe cabe.
O Ministro Kwang levantou-se de seu lugar e em seguda ajoelhou-se, curvando a cabeça nove vezes para o Imperador.
As pessoas em volta não se mostraram surpresas, pois o Ministro a muito tinha realmente passado da idade para exercer seu cargo satisfatoriamente sozinho.
-Em seu lugar, continuou o Imperador após Yeh Kwang voltar a se sentar – Eu informo que escolhi o atual Comandante da Guarda Imperial, Shaoran Li, que já diversas vezes tem demonstrado sua lealdade ao trono.
Shaoran da mesma maneira ajoelhou-se e curvou-se nove vezes ao Imperador. Se estava surpreso, não demonstrou, pois permaneceu com uma feição impassível.
As pessoas agora pareciam entender o por que do fato de Shaoran ter sido convidado ao casamento, e mesmo que fosse estranho alguém que não fosse de família nobre ser nomeado para um alto cargo, não ousaram demonstrar contrariedade em frente do Imperador.
Fez-se novo silencio e os olhares voltaram-se para as portas, pelas quais os eunucos agora rapidamente saiam. O Filho do Céu inclinou-se para Sakura.
-Meu coração, sussurrou, olhe para as grandes portas!
Sakura olhou e viu seis eunucos transportando uma bandeja de ouro tão pesada que mal podiam sustenta-la sobre as cabeças. Em cima da bandeja achava-se um enorme pêssego, dourado de um lado, vermelho do outro. Um pêssego? Era símbolo de vida longa.
-Anuncie meu presente á Imperatriz Tzu Hsi, ordenou o Imperador ao sei irmão.
O príncipe Eriol levantou-se:
-O presente do Filho do Céu à Imperatriz Tzu Hsi!
Todos levantaram-se e se curvaram, enquanto os eunucos levavam a bandeja a Sakura e permaneciam de pé, segurando-a diante dela.
-Tome o pêssego com suas mãos, ordenou-lhe o Filho do Céu.
Ela segurou a gigantesca fruta, que logo se abriu ao meio. Dentro do pêssego viu um par de sapatos feitos de cetim róseo bordados com flores de ouro e de prata, tendo presas nos fios gemas de todos os matizes. Os saltos, altos e dispostos á moda manchu, no meio das solas, eram de pérolas róseas da Índia, tão juntas umas das outras que o cetim não se via.
Sakura olhou com os olhos brilhantes para o Filho do Céu.
-Para mim, meu senhor?
-Somente para você, disse ele.
Aos olhos de todos era um presente ousado, símbolo de amor luxurioso do homem pela mulher, mas Sakura sabia que era, na verdade, uma demonstração da devoção que o Imperador tinha sobre ela, e uma maneira a mais de ter a garantia que ela cuidaria dos negócios do reino para ele por mais um tempo.
Enquanto era retirado o presente, Sakura ergueu mais uma vez os olhos, encontrando os de Shaoran, que desviou o olhar rapidamente e fitou o presente, que era carregado para fora da porta neste momento e, fitando-a novamente durante alguns segundos com um olhar duro, abaixou sua cabeça para apenas fitar sua refeição pelo restante da comemoração.
Sakura ainda procurou seu olhar várias vezes, mas sem resultado. Se entristeceu por alguns momentos, mas um pequeno sorriso veio aos seus lábios quando lembrou-se que, a partir do dia seguinte, poderia trabahar em contato direto com ele.
Continua...
NA: Ok, eu se que falei q esse cap. ia ser postado no dia seguinte ao anterior, mas acabou dando problemas no pc e blá, blá blá.... Perdoem a demora, please. --'
Pois é, parece que o Shaoran ficou meio bravo com a Sakura... também, com o Imperador dando presentes pra ela assim em público, ele tem seus motivos, hehe. Gostaram do casamento da Tomoio com o Eriol? Não podemos dizer que foi lá muito romântico, mas eles não eram mesmo na realidade... pra compensar fiz uma festa bem grande.
Gente,o fic vai ter mais poucos capítulos, e vcs precisam sugerir finais! Se vcs querem q a Sakura e o Shaoran fiquem juntos de uma maneira melosa, precisam me dizer como, pq senaum vão vai ser da minha maneira mesmo, Há, há, há! (risada maléfica...) Vamos aos agradecimentos:
Xianya: Se vc gosta de E/T deve ter gostado desse cap. Mesmo sem muito romance.. mas no próximo vai ter um pokinho mais dos dois, ok? Ah, bem, sobre Shaoran e Sakura, já tenho uns planos, mas aceito sugestões. Valeu pelo Review.
Miaka: Um, sinto muito se vc acha isso, mas na verdade, não era pra ser apenas sobre os dois naum, mas sim pra mostrar uma Sakura Imperatriz.. o Shaoran ta vindo "de brinde",hauahuaha.. brincadeirinha, mas obrigada mesmo assim pelo review.
Merry-Anne: Pois é, tudo resolvido entre T/E, desculpa a demora . Bem, na verdade, o destino do reino ta suuuper decidido já, o problema pe o destino S/S, hehe. Aceito idéias, ok? Brigada pelo comentáriu!
Yuuko: Umm.. please não me mata!! Desculpinha a demora,e acho q esse cap tb naum foi longo o suficiente, neh?? Ops, sorry sobre isso! Bem, a Sakura e o Shaoran tb naum conversaram nesse cap, mas como agora eles vão se ver beeem mais regularmente, isso naum vai ser mais um problema.
Yume Rinku: O Aliado é o Eriol, tipo, alguém que a Sakura pode confiar, sabe? Bem, a sakura já elevou , pelo menos um poko, o Shaoran, mas ela vai elevar ainda mais! E a Sakura ainda vai ter mais poder ainda, hohoho... Bem, Adorei mesmo seu comentário, brigada mesmo, mesmo
Andressa: Ah! Brigada por estar gostando, agora que o meu pc já ta "bonzinho" vou postar mais rápido, ok? Ah! Se vc ker q os dois fikem juntos, pode ajudar se vc me falar como quer q isso aconteça, hehehe, Bragada pelo Review
Yashino: Nossa, amei mesmo sua Review, muito linda! Fico muito feliz que vc esteja gostando, espero q tb goste desse cap, ok?
Alexiel: Ah.. sei q falei que ia postar segunda feira, mas tivemos problemas técnicos, hehehe. Espero q vc goste desse cap, e valeu pela "empurrada"pra esse sair,hihihi, Bjo!
