Sakura olhava a noite sombria através da janela de seu quarto. A chuva que caía, açoitava as delicadas flores no jardim. Ao longe os relâmpagos iluminavam o céu carregado, enquanto uma brisa úmida e fria, fazia sua pele se arrepiar.
Seus pensamentos estavam voltados para Hinata e Naruto. A felicidade do casal, inundava seu coração de alegria, mas ao mesmo tempo, a entristecia ao pensar nas escolhas erradas que fizera na vida. Não possuía nada que pudesse chamar de seu. Por que não soubera impor sua vontade? Por que não mudara de caminho ao perceber que aquele só lhe traria insatisfações? Permaneceria até o fim de seus dias como uma escrava de Kushina?
Olhou para a garrafa que continha a poção do amor. Fizera mal em acatar as ordens de Karin. Ao menos agora, se a prima tornasse a pedir a tal poção, ela não correria mais riscos. Havia trocado o elixir por vinho puro.
Na mesinha de canto havia uma rosa e um bilhete que Sasuke deixara em ausência. Ele pedia que o encontrasse à meia-noite, mas ela não pretendia voltar aos aposentos dele. Nunca mais. A poção original podia responder por sua loucura temporária. Em seu juízo perfeito, contudo, ela jamais teria se entregado a um homem sem ser casada. Suspirou desgostosa. Nas sombras das noites, não havia raciocinado. No entanto, bastara encontrá-lo, apenas uma vez, à luz do dia, para entender que não tinham nada em comum.
Como a maioria dos condes, Sasuke era um homem voluntarioso. Dificilmente admitiria uma derrota. Certamente se apresentaria no quarto dela quando se cansasse de esperar.
E como ela havia imaginado, assim ele o fez.
Sakura ouviu o giro da maçaneta e se preparou para a confrontação, porém a pergunta que ele fez, a deixou completamente aturdida.
— Como é o nome de sua irmã?
Ela o encarou, estupefata. O que mais ele queria? Não lhe bastava levá-la à ruína? Não contente em tomar seu corpo, ele agora também exigia a posse de sua alma?
— Por que esse súbito interesse por mim e por minha família?
— Responda! — ele exigiu.
— Ela se chama Hinata Hyuuga.
— Quantos anos tem?
— Dezesseis.
— Por que não me revelou sua existência?
— De que adiantaria?
— Talvez eu quisesse saber. Aliás, eu quero. Quem, afinal, foi sua mãe, Sakura?
— Uma mulher impetuosa e apaixonada que desgraçou a vida de todos que a amaram.
Ele franziu o cenho de leve.
— E seu pai?
— Um homem inconsequente. — ela respondeu sucinta. Estava farta de humilhações. Sasuke não precisava saber que seu pai fora o antigo conde de Doncaster.
— Ou seja, não nasceu em berço de ouro, é isso?
Os olhos de Sakura desferiram faíscas.
— Não precisa me insultar com suas conclusões. Mas vou satisfazer sua curiosidade. Minha mãe se casou muito jovem com um homem que ela desprezava. Quando eu tinha oito anos, ela fugiu com aquele por quem era realmente apaixonada, e nunca mais a vi.
— Então foi Hinata quem nasceu de uma relação ilícita?
— Não. Nenhuma de nós foi uma filha bastarda, já que isso fere tanto seus altos conceitos de moral. — Sakura esclareceu, irônica. — Minha mãe tornou a se casar depois que meu pai morreu.
Sasuke permaneceu em silêncio por um instante.
— Eu já disse a Kushina que não me casarei com Karin. Dei a elas um prazo para partirem.
Sakura estremeceu.
— Que bom para você. — respondeu apenas.
— Por que está tão zangada comigo? — Após proferir as palavras, Sasuke abreviou a distância que surgira entre eles. Tocou nos cabelos de Sakura e afastou-os de seus ombros. — Você não foi me ver.
— Por favor, Sasuke. Será que não percebe que não existe mais nada entre nós? — ela questionou, amargurada. Só de olhar para ele, sentia o coração partir em mil pedaços. — Tudo que eu quero é voltar para casa agora.
— Não ainda. — Sasuke a puxou para si e a beijou.
Como das outras vezes, ela não resistiu. Sua vontade era nada quando estava ao lado dele. Enlaçou-o pelo pescoço e o abraçou com força. Sasuke entrara em seu sangue e agora era como se não pudesse mais sobreviver sem ele.
Com um movimento preciso, ele a ergueu no colo e a carregou para a cama.
— Não pode se afastar de mim. Não podemos nos separar... — insistiu com voz contida.
— Isto está me matando. Não suporto mais!
— Não pode me evitar assim, Sakura.
— Você exige demais de mim! Mais do que eu sou, mais do que eu tenho... Até que sacie essa sua vontade, não sobrará nada em mim, Sasuke, porque eu te amo!
A declaração o aturdiu. Sakura percebeu em seu olhar. Mas suas palavras ecoaram no silêncio, como ela esperava que fosse acontecer. Afinal, ele nunca fizera segredo de que as mulheres o interessavam apenas para o sexo.
Sem querer, ela começou a derramar as lágrimas duramente contidas durante todos aqueles dias... durante quase toda a sua vida. Por que ninguém jamais a amara? Céus! Estava dando um espetáculo deprimente. Os homens detestavam ver as mulheres chorando, porém ela ultrapassara todos os limites de tolerância. Se Sasuke estava entediado, então que a deixasse em paz!
— Eu nunca fui amado, Sakura. — ele falou de súbito. A confissão a chocou, mas antes que pudesse tecer algum comentário, Sasuke prosseguiu: — Dê-me seu amor. Quero mergulhar nesse sentimento para que ele possa persistir depois que você se for.
Sakura não pôde recusar o pedido, pois ela também queria tê-lo na lembrança para o resto de seus dias. Sentia-se tão impotente em sua determinação de lhe dar prazer! Ainda assim, exultou com o abraço, os dedos buscando livrá-lo das roupas atabalhoadamente. O desejo de Sasuke se fez evidente no modo como seu membro apontava. Sem pudores, ela o tomou nas mãos antes de envolvê-lo com a boca.
Para o inferno com a compostura. Era aquilo que queria: dar prazer ao homem que amava, sentir o desejo espiralando dentro dela, incontrolável. Nada, nem ninguém, importavam naquele momento. Nem mesmo o futuro sombrio e sem Sasuke, que se delineava à sua frente. Continuou a aprazê-lo com a carícia, ousada, e quando percebeu que ele estava próximo do auge, recuou e se deitou em um convite. No momento seguinte, seus corpos nus se amoldaram.
— Eu sempre vou amá-lo! — sussurrou, comovida. — Nunca se esqueça disso.
— Jamais.
— Não importa o que aconteça, Sasuke. Não importa onde eu vá parar.
— Shhh... Não falemos sobre o futuro. Apenas mostre o quanto significo para você.
Sasuke estava certo. Por que desperdiçar seus últimos momentos com lamentações? Ele nunca lhe pediria para ficar. E, mesmo que pedisse, ela não aceitaria. Seus destinos estavam selados e os arrastavam por caminhos diferentes.
Sasuke a penetrou com uma determinação e seriedade que condiziam com o drama da situação. Sakura o abraçou com as pernas, atraindo-o para dentro de si. Ela o queria no mais profundo do seu ser, como se pudesse, assim, conservar a sensação de terem pertencido um ao outro algum dia. De repente, cada toque, cada carícia, assumira um novo significado. Estavam construindo seu castelo de lembranças, pois em seu íntimo, tinham certeza: a solidão não tardaria a chegar.
Um forte orgasmo se avizinhou dela e a abalou como nenhum outro. Sasuke também estremeceu e alcançou o êxtase antes que o dela terminasse. Gemeram em uníssono, os corpos se retesando enquanto eram varridos por uma gigantesca onda de prazer. Para sua surpresa, passado o turbilhão, ele não se afastou como sempre fazia. Também parecia querer que a provável última vez fosse especial.
Sakura sentiu que seu membro ainda pulsava, depois de ter depositado dentro dela sua semente, e o abraçou com força, tomada por uma imensa sensação de paz. Certamente se arrependeria de ter cedido quando a manhã viesse...
Mas não agora. Não quando ainda tinha o homem que amava dentro de si.
Virou-se de costas e Sasuke a aninhou junto ao peito. Ficaram em silêncio por um longo tempo, aquecendo-se sob o cobertor. Sakura percebeu o coração oprimido pelas intensas emoções. Se antes tinha alguma dúvida de que ele estava se despedindo, agora não havia mais.
Inesperadamente, ele segurou sua mão e girou um anel em seu dedo.
Ela arregalou os olhos de espanto. O anel de sinete! Outra vez!...
— Sabe que não pode ficar com ele, não sabe?
— M-Mas eu não...
— Eu sei. Você não o roubou.
Sakura silenciou, mortificada. Qualquer tentativa de defesa seria um desperdício de fôlego. Não tinha como explicar por que o anel voltara para seu dedo. Culpar forças invisíveis e poções mágicas faria com que parecesse uma lunática.
Sasuke o retirou e o colocou no próprio dedo.
— Eu trouxe outro para lhe dar.
— Não quero.
— Faço questão. Será algo para você recordar.
Instintivamente, ela levou a mão ao ventre. Não se admiraria se ele já tivesse lhe dado algo que o faria lembrar-se dele pelo resto de seus dias...
— Você nunca me ouve! — protestou.
— Está sendo uma tola.
— Raciocine, Sasuke. O que farei com uma joia? Não poderei usá-la. Como a justificarei aos outros? Acha que acreditarão se eu disser que a encontrei na rua?
Ele se recusou a discutir. Não admitia ser contrariado. Como sempre, ela foi forçada a concordar.
Pois que fosse. Guardaria aquele anel de rubi em segredo. Se realmente estivesse grávida, e Kushina a expulsasse de Doncaster, poderia vender a joia para se manter por algum tempo.
Mei caminhava pelos corredores da mansão como se estivesse perdida. Por mais que tentasse localizar seu quarto, não conseguia encontrar a porta. Sua cabeça latejava como se um ferreiro a ocupasse e estivesse usando um martelo. Uma forte náusea a obrigou a cruzar os braços sobre o estômago. O que te ria acontecido? Lembrava-se vagamente de ter estado nos aposentos de Naruto, e de que ambos haviam tomado o vinho em que ela misturara uma poção.
Maldita poção! A mistura era mais forte do que ela havia imaginado. Lembrava-se de tê-lo visto no banho, mas não tinha certeza se fora um sonho ou realidade. Acordara no sofá da sala principal, sem ter a menor noção de como fora parar ali.
Agora sentia o coração exultar de amor por Naruto. Mal podia esperar para tomar a vê-lo. E também para se refugiar na segurança de seu quarto, antes que algum criado a surpreendesse.
Escondeu-se ao perceber que uma porta se abria do outro lado do corredor. Quem mais poderia estar acordado àquela hora?
Prendeu a respiração ao reconhecer Sasuke. Mas... aquela não era a suíte master! O que ele fora fazer em um quarto reservado para hóspedes? Quem o estaria ocupando? Uma mulher especial. Só podia ser. Mordeu o lábio. Ele estava descalço, com a camisa jogada sobre o ombro. A calça era a única peça que vestia. Sua expressão revelava melancolia, contudo. Parecia triste por ter de se separar dela.
Mei levou a mão ao peito. Era incrível que Sasuke estivesse vivendo uma história de amor sob aquele teto, sem que ninguém tivesse nem sequer desconfiado. Antes de fechar a porta, ele ainda olhou para a amante. Depois se dirigiu à escada dos fundos e, alguns instantes de pois, ela ouviu seus passos no andar de cima.
Só então se atreveu a deixar seu posto e tentar descobrir a identidade daquela que seduzira seu enteado.
Abriu uma fresta da porta com extremo cuidado para não ser notada. Para seu total espanto, a mulher em questão era a dama de companhia de Karin Uzumaki. Ela estava dormindo, e seus exuberantes cabelos róseos se espalhavam sobre o travesseiro. Era a imagem da candura e da inocência. E do pecado, para quem conhecia a realidade da vida. Atônita, Mei tomou a fechar a porta e se afastou. Sua cabeça ainda doía, mas o choque lhe devolvera a lucidez.
Em vez de seguir para os próprios aposentos, foi bater à porta de Kushina.
— O que houve?!
A mulher ainda estava se levantando, assustada com as pancadas em sua porta, quando Mei invadiu o recinto, incapaz de esperar para ser atendida.
— Pergunte à dama de companhia de sua filha! Não é de admirar que Sasuke não tenha se interessado por Karin... Ele está fornicando com uma de suas serviçais!
— Tem certeza? — Kushina indagou, aturdida.
— Eu os vi juntos. Quero aquela sirigaita fora daqui! Hoje!
A mulher comprimiu os lábios finos.
— Tomarei as devidas providências. Fique tranqüila.
— Pois tome mesmo. Depois disso, tem vinte e quatro horas para resolver a questão entre sua filha e Sasuke, ou eu mesma me encarregarei disso... do meu jeito, claro.
Mei não esperava ser enfrentada por sua hóspede. Kushina, contudo, a encarou com hostilidade:
— Sei bem como lidar com os meus, portanto, não se intrometa em minha vida. Todos que me desafiaram, se arrependeram.
EITA! Depois de uma noite dessas, quem imaginaria que a Mei ia descobrir os encontros dos nossos pombinhos? O que será que a Kushina vai fazer, hein? A fic tá caminhando pro clímax e tenham certeza: Vai todo mundo odiar ainda mais essas duas aí. HAHAHAHAHA
Bela21: Parece que a Mei ficou meio aturdida com essa poção. Como será que o Narutinho ficou? Agora sabe no que deu esse acordo Mei/Kushina... Nosso casal está em risco, apesar do Sasuke ter reparado os sentimentos dele e dela.
Nanna L: Seja bem-vindaaaa! Parece que o Sasuke acordou pra vida, mas a Mei descobriu tudo... E agora? ;-;
Nodame: Essas partes mais quietas sempre atiçam a curiosidade. Mas agora você verá, a ação vai te deixar muito mais ansiosa! hahahahaha
Biahcerejeira: Essa Mei... Estragando os planos de todo mundo! Sasuke parece que percebeu que o amor é lindo e perfeito, mas como sempre, tem um estraga prazeres. Dessa vez, duas estraga prazeres. Também espero que elas explodam! hahahahahaha
É isso meus amores! Até o próximo capítulo.
Beijos,
Uchiha Lily.
