Capítulo 10 – Segredos
"... e ele me disse que via um par de meias, quando olhava no espelho", Harry concluiu, ajustando melhor os óculos, que tinham escorregado no meio de sua narração.
"Dumbledore - como em Dumbledore, o diretor de Hogwarts – olha para um espelho que mostra tudo o que você mais deseja e vê... meias?", perguntei, relutante.
"Eu também acho que ele mentiu", Harry admitiu, dando de ombros.
"Espero que tenha mentido mesmo, do contrário estamos sob os cuidados de um velho maluco obsessivo por meias", resmunguei, "Mas está vendo? Dumbledore tinha razão, aquele espelho podia deixar você maluco", acrescentei, "Hoje você vê seus pais, amanhã um travesseiro, depois de amanhã meias, no dia seguinte, nabos alados..."
Harry riu, mas pude ver que o fato de não poder mais se aproximar do espelho o tinha afetado.
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"E vocês estavam andando pelo castelo? De noite?", Hermione nos encarava, incrédula.
"Para ver um espelho mágico, sim", acrescentei, de maneira significativa.
Por que é que ela continuava ignorando a parte mais significativa da história toda?
"Rony só foi comigo uma vez", Harry retrucou, "E você pode me culpar por querer ver meus pais?", cruzou os braços.
"Mas... mas...", ela parecia atordoada, como se tivéssemos acabado de informar que estávamos grávidos, mesmo sendo homens, "E se Filch pegasse vocês? Além do mais, eu nunca li de espelho nenhum que mostrasse os desejos..."
"Ah, claro", resmunguei, "O diretor de Hogwarts, Harry e eu tivemos uma alucinação conjunta, Hermione!"
Hermione me lançou um olhar irritado.
"Isso foi contra as regras", pontuou.
"Fale com Dumbledore, o diretor, sobre isso", Harry revirou os olhos, "De qualquer forma, eu não vou mais voltar lá, não tem com o que se preocupar"
"Pelo menos procuraram pelo Nicolau Flamel?", Hermione mudou o rumo da conversa.
Harry lançou um olhar para mim que dizia claramente 'você explica'.
"Sabe, Hermione, o Natal é uma época de amor aos seus semelhantes, canções, companheirismo... perdão..."
"Vocês não procuraram", ela concluiu, aborrecida.
"Em compensação, ensinei o Harry a jogar xadrez bruxo", ela me lançou um olhar entediado, "Bem, o Harry foi à Seção Restrita, uma vez, mas ele abriu um livro que berrava e saiu correndo,morrendo de medo..."
"E nunca mais voltou, suponho", lançou um olhar acusador na direção de Harry.
"Hermione, os livros berram, o que você queria que eu fizesse? Mesmo com a minha capa de invisibilidade..."
"Sua o quê?", ela interrompeu-o, surpresa.
"Ah, é, ganhei de natal", Harry deu de ombros, "Foi com ela que entrei na biblioteca aquela noite, mas, mesmo assim, quase fui pego, porque o livro começou a berrar como se eu tivesse... sei lá... arrancando todas as suas páginas"
"Lógico que eles berram", Hermione revirou os olhos, "São os livros da Seção Restrita! Foram enfeitiçados para berrarem se forem pegos, para que não caiam nas mãos erradas", lançou um olhar significativo na nossa direção.
Harry e eu nos entreolhamos.
"Você não podia ter falado sobre isso antes?", Harry perguntou, voltando a caminhar.
"Se vocês lessem 'Hogwarts, Uma História'..."
Ah, Merlim, ela voltou a falar sobre esse maldito livro.
Socorro.
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"Esse jogo é muito idiota", opinou Hermione, o cenho franzido, enquanto observava atentamente as suas peças.
"Você que é péssima nele", murmurei, satisfeito, recostando-me contra a poltrona.
Ela não falou nada, apenas concentrou-se em suas peças.
"Se você...", comecei a sugerir.
"Shh!", lançou-me um olhar mal humorado, "Vou fazer isso sozinha", sibilou.
"Tá certo. Eu preciso mesmo aperfeiçoar minha dança da vitória", dei um sorriso largo, enquanto ela me lançava outro olhar de desgosto.
Hermione finalmente deu um sorriso vitorioso e ordenou que sua torre fosse para a D4. Um movimento bastante inteligente, para a minha infelicidade. Foi então que Harry chegou e ocupou o lugar ao meu lado.
"Não fale comigo", pedi, distraído, enquanto observava minhas peças atentamente, "Preciso me concentrar", acrescentei, enquanto as bochechas de Hermione coravam, devido à sua satisfação. Virei-me para comentar que Hermione fizera um bom movimento, quando percebi a cara dele, "Que aconteceu com você? Está com uma cara estranha", murmurei, e Hermione ergueu os olhos do tabuleiro, para analisá-lo.
Harry estava encharcado de suor, o que é compreensível já que ele tinha passado as últimas duas horas treinando – ou sendo 'torturados como malditos militares', como os gêmeos gostam de chamar – com o time, mas seu rosto não estava corado pelo calor, mas pálido e seus olhos estavam arregalados.
"Snape vai apitar o jogo", ele sussurrou.
"Não jogue", Hermione disse, imediatamente.
"Diga que está doente", acrescentei, amparando a afirmação dela.
"Finja que quebrou a perna", ela disse, pouco convincente.
"Quebre a perna de verdade", aconselhei.
É bem menos do que o Snape fará, se tiver a oportunidade, isso era certo. Quero dizer, provavelmente Harry vai estar com a perna quebrada depois do jogo de qualquer jeito. E, provavelmente, o pescoço também.
"Não posso", Harry soltou, num muxoxo, "Não temos apanhador de reserva. Se eu fujo, Grifinória não vai poder jogar"
O que é que esse menino tem realmente na cabeça? 'Puxa vida, olha só, eu vou correr risco de vida pela Taça das Casas'! Nem eu faria isso – e olha que eu faria quase tudo para ganhar a Taça das Casas. Quase. Morrer, definitivamente, não está na minha lista.
Antes que eu pudesse retrucar, a Mulher Gorda abriu a passagem e Neville entrou pulando no Salão Comunal, as pernas grudadas uma à outra. Harry e eu demos uma risadinha perante a visão, mas Hermione levantou-se, séria, e com um aceno de sua varinha, desfez o feitiço.
"Que aconteceu?", ela perguntou, guiando-o para que se sentasse perto da gente.
"Malfoy", Neville disse, trêmulo, enquanto olhava nervosamente para o tabuleiro, evitando nossos olhos, "Encontrei-o na saída da biblioteca. Ele disse que estava procurando alguém em quem praticar o feitiço"
"Vá procurar a professora Minerva!", Hermione exasperou-se, "Dê parte dele"
Como se fosse adiantar de alguma coisa. Draco Malfoy não é exatamente o tipo de garoto que se intimidaria com uma bronca. A não ser que quem desse essa bronca fosse um cachorro de três cabeças.
De repente, eu quis tanto apresentar aquela enguia amarela estúpida ao Fofo.
"Não quero mais confusão", Neville estava muito vermelho, agora e segurava os joelhos com força.
"Você tem de enfrentá-lo, Neville!", falei, sério, cerrando minhas mãos em dois punhos, "Ele está acostumado a pisar nas pessoas, mas não há razão para você se deitar aos pés dele para facilitar", esbravejei.
"Não precisa me dizer que não sou bastante corajoso para pertencer à Grifinória. Draco já fez isso", a voz de Neville estava trêmula.
Ele ia... chorar? Hermione lançou-me um olhar acusador, como se eu tivesse falado alguma coisa demais. Então, Harry puxou algo do bolso de suas vestes e estendeu-a para o garoto.
"Você vale por doze Dracos", foi o que ele disse, enquanto Neville pegava o doce, "O Chapéu Seletor escolheu você para a Grifinória, não foi? E onde está o Draco? Naquela Sonserina nojenta", isso fez com que Neville desse algo próximo a um sorriso.
Hermione sorriu, parecendo grata ao fato de Harry ter feito com que o garoto se sentisse melhor.
"Obrigado, Harry... acho que vou para a cama... Você quer o cartão? Você coleciona, não é?", e entregou-o a Harry, antes de se levantar e subir as escadas, em direção aos dormitórios masculinos do primeiro ano.
Harry observou a carta, soltou um suspiro ao constatar que era de Dumbledore. Hermione e eu estávamos voltando a nos ajeitar um de cada lado do tabuleiro, quando ele soltou uma exclamação, voltando-se para nós.
"Encontrei!", soltou, num sussurro animado, "Encontrei Flamel!", a essas alturas, Hermione e eu tínhamos deixado o jogo de lado e nos concentrávamos em Harry, "Eu disse a vocês que tinha lido o nome dele em algum lugar. Li-o no trem a caminho daqui. Escutem só isso...", e nos leu a mini-biografia de Dumbledore, onde mencionava que desenvolvera um projeto de alquimia em parceria com Flamel.
Arregalei os olhos, mas antes que qualquer um de nós pudesse se pronunciar, Hermione pulou do banco, colocando-se de pé e saiu correndo, ordenando que não saíssemos de onde estávamos. Mal tive tempo de respirar, e ela já voltava segurando um livro enorme e velho.
"Nunca pensei em olhar aqui", admitiu, sentando-se de frente para a gente e começando a folhear o livro, os olhos atentos às páginas, "Tirei-o da biblioteca há semanas atrás para me distrair um pouco"
"Distrair?", ecoei, mas ela me silenciou com um olhar.
Será que essa garota já procurou pelo real significado da palavra distração no dicionário?
Finalmente, abriu bem o livro, com o dedo apontou para uma determinada linha e começou a ler, "Nicolau Flamel é, ao que se sabe, a única pessoa que produziu a Pedra Filosofal", ergueu os olhos castanhos na nossa direção, ansiosa pela nossa reação.
Harry e eu nos entreolhamos.
"A o quê?", perguntamos, juntos.
"Ah, francamente, vocês dois não lêem?", só quando extremamente necessário, mas eu nunca falaria isso para Hermione Granger, "Olhem, leiam isso daqui", empurrou o livro para as minhas mãos.
Harry e eu lemos um artigo curto, mas extremamente entediante do qual eu me recordo de muita pouca coisa, a não ser das palavras 'a pedra pode transformar qualquer metal em ouro puro' e 'torna quem bebe imortal'.
Quando terminamos de ler, estávamos surpresos.
"Viram? O cachorro deve estar guardando a Pedra Filosofal de Flamel!", concluiu, logicamente, "Aposto que ele pediu a Dumbledore que a guardasse em segurança, porque são amigos e ele sabia que alguém andava atrás dela, esse é o motivo por que Dumbledore quis transferir a pedra de Gringotes"
Eu tenho que admitir que a garota é boa.
"Uma pedra que produz ouro e não deixa a gente morrer!", Harry piscou os olhos, surpreso, "Não admira que Snape ande atrás dela! Qualquer um andaria", acrescentou.
É, não me admira nada...
Então... será que é muito difícil passar pelo Fofo?
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Harry decidira que jogaria. Negou-se a deixar o time na mão e afirmou que, se o fizesse, seria como se estivesse se rendendo a Snape. Não fazia sentido, mas Harry já tinha se decidido e ninguém conseguiria fazê-lo mudar de idéia.
"Rony, vem comigo", Hermione me guiou pelos corredores, enquanto Harry estava treinando.
"Eu não vou para a biblioteca", tentei me livrar das mãos dela, "Já descobrimos quem é o Flamel"
"Não é isso", exasperada, revirou os olhos, "Vamos treinar"
"Treinar?", pisquei os olhos, confuso, "Treinar o quê?"
"Um feitiço", ela respondeu, como se fosse óbvio.
Franzi o cenho.
"Por quê...?"
"Porque precisamos ficar de olho no Snape", ela respondeu, abrindo a porta de uma sala vazia, "Você conhece o feitiço Locomotor Mortis?", perguntou, enquanto fechava a porta às suas costas, sacava a varinha e virava-se para mim.
Por que comigo, Merlim?
Por quê?
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"Não podemos variar um pouco?", perguntei, enquanto girava a varinha entre os dedos, observando Hermione lançar um olhar cauteloso para o corredor, antes de fechar a porta da sala, "Estamos treinando o Locomotor Mortis há séculos", sentei-me na mesa do professor.
"Três noites, Rony", ela corrigiu, exasperada, enquanto se certificava de que a porta estava trancada.
"Bom, parece que fazséculos", concertei, dando de ombros, "Podíamos treinar algum feitiço mais legal!", sugeri, esperançoso.
"Rony, já conversamos sobre isso", Hermione lançou-me um olhar veemente, enquanto tirava a varinha do bolso do casaco, "O Locomotor Mortis é um bom feitiço"
"É chato", corrigi.
"Não é para ser legal", Hermione bufou, "Estamos fazendo isso para ajudar o Harry, não para conseguir fazer o feitiço mais legal", acrescentou, desdenhosa.
"Você precisa agir sempre como uma velha rabugenta?", perguntei, com uma careta, enquanto descia da mesa, sacando minha própria varinha do bolso.
"Você precisa agir sempre como uma criança insuportável?", ela retrucou, enquanto segurava a varinha entre os joelhos e prendia os cabelos cheios num rabo-de-cavalo.
Ergui as sobrancelhas.
"Vamos terminar isso logo, vai", funguei, contrariado.
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Nós dois estávamos procurando um lugar na arquibancada que nos desse uma visão geral do campo. Precisávamos manter os olhos em Snape e evitar, a todos os custos, que ele transformasse nosso amigo em uma geléia humana.
Hermione e eu treinamos o feitiço por quase uma semana. Para a surpresa de ambos, eu consegui fazê-lo com relativa facilidade – precisei treinar algumas vezes, mas em menos de quatro tentativas, consegui fazer com que as pernas de Hermione se unissem como se estivessem coladas.
"Agora, não esqueça, é Locomotor Mortis", Hermione sussurrou na minha direção, enquanto escondia sua varinha dentro da manga das vestes, e eu fazia o mesmo.
"Eu sei", não é como se eu fosse simplesmente esquecer todas aquelas horas de treino, "Não chateia", resmunguei.
Ficamos em silêncio, os olhos presos no campo, atentos, embora nenhum dos times tivesse entrado.
"Rony, o que você faria com a descoberta de Flamel?", ela perguntou, finalmente, voltando-se para mim, curiosa, "Já vi você e Harry comentando sobre isso, mas... o que você faria?"
Franzi o cenho, voltando minha cabeça na direção dela.
"Além de ser rico, você quer dizer?"
Ela revirou os olhos.
"Nem todos os ricos são felizes", pontuou, séria.
"O único motivo porque os ricos não são felizes, é porque eles nunca foram pobres", profetizei, voltando minha atenção para o campo, "Os times estão entrando", informei.
Nós dois nos voltamos, atentos, as varinhas firmes em nossas mãos.
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"Rony, você está bem?", Hermione continuava me olhando, perplexa.
"Hermione, eu tenho cinco irmãos mais velhos", respondi, enquanto ajudava Neville a se sentar numa das camas da Ala Hospitalar, "Eu sou quase imune a socos"
Neville soltou um gemido. Infelizmente, minha imunidade não se transmitia por osmose.
Pobre Nev.
"Como você está, Neville?", Hermione voltou sua preocupação para ele, analisando o rosto levemente inchado, "Aqueles sonserinos são uns vândalos..."
Desviei os olhos, achando que não seria uma boa idéia lembrar que eu tinha começado o ataque físico – embora tenha sido a lombriga loira que começara os insultos.
"Estou orgulhoso de você, Neville! Enfrentou-os e tudo! Parab...", dei um tapinha em suas costas e ele soltou um uivo, "Foi mal", fiz uma careta, afastando minha mão imediatamente.
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"Ele já devia ter voltado", Hermione lançou um olhar ansioso pelo corredor vazio que percorríamos, "Será que aconteceu alguma coisa?"
Bem nesse instante, Harry apareceu no outro extremo do corredor, sua expressão era séria.
"Harry, onde é que você esteve?", ela me lembrou um pouco da minha mãe, que costumava ficar sentada na poltrona, esperando por Carlinhos quando ele saía com os amigos.
"Vencemos! Você venceu! Nós vencemos!", cortei-a, dando umas palmadinhas nas costas de Harry e relatei, brevemente, a briga que ocorrera no meio do jogo e a festa que estava acontecendo no Salão Comunal.
A verdade é que Snape nem mesmo tivera tempo para tentar fazer coisa alguma, já que Harry apanhara o pomo em pouco mais de cinco minutos. No entanto, Harry não parecia radiante com o fato de termos vencido o jogo – ou de estar vivo, por falar nisso.
"Deixem isso para lá agora", Harry estava levemente ofegante, "Vamos procurar uma sala vazia, esperem até ouvir isso", puxou-nos para dentro de uma sala e fechou a porta, certificando-se de que ninguém nos vira, "Então, tínhamos razão, é a Pedra Filosofal e Snape está tentando obrigar Quirrell a ajudá-lo a roubar. Ele perguntou se o outro sabia como passar por Fofo e falou alguma coisa sobre as magiquinhas de Quirrell. Imagino que haja outras coisas protegendo a pedra além de Fofo, uma porção de feitiços, provavelmente, e Quirrell deve ter feito algum contra-feitiço de que Snape precisa para entrar", concluiu, quase sem fôlego.
"Você quer dizer que a Pedra só está segura enquanto Quirrell resistir a Snape?", Hermione parecia relutante.
"Terça-feira, ela terá desaparecido", concluí, logicamente.
Ainda mais se formos considerar toda a coragem do nosso professor gago e que usa um turbante cheio de alho.
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A Pedra, ao contrário do que imaginávamos, continuava lá. Pelo menos, ninguém percebera que ela sumira e isso fez com que meu respeito por Quirrell crescesse bastante.
Tinha até mesmo repreendido Dino por ter tirado sarro da gagueira dele, durante uma de nossas aulas.
Embora já tivéssemos descoberto quem Nicolau Flamel era, encontrávamos com cada vez mais freqüência na biblioteca – e isso era porque Hermione insistia em estudar como uma louca, mesmo que as provas estivessem há séculos de distância.
"Rony, quais são os doze usos de sangue de dragão?", Hermione perguntou, sem erguer os olhos de suas anotações.
"Eu... não sei", murmurei, deitado sobre meus braços cruzados, olhando pela janela, desejando estar bem longe daquele lugar que fedia a livros antigos. Ou cometer suicídio. Ainda não tinha definido.
Com um suspiro, Hermione começou a me dizer quais eram, peguei uma pena e comecei a anotar, de qualquer jeito, porque já sabia – por experiência – que se não o fizesse, ouviria um discurso de, no mínimo, vinte minutos envolvendo 'escola é feito para ser levada a sério', passando por 'uma falta de respeito com seus pais, professores e você mesmo' para terminar com um dramático: 'se continuar desse jeito, terá sorte se virar um vendedor de sorvete'.
"Nunca vou me lembrar disso", resmunguei, observando a gigantesca lista que tinha escrito. Voltei meus olhos para a janela, uma vez mais, e foi então que vi alguém demasiado grande andando entre as gôndolas. Os cabelos eram de um castanho bem escuro, cheios e... "Rúbeo! Que é que você está fazendo na biblioteca?", perguntei, aliviado por ter algum motivo para não estudar.
Rúbeo aproximou-se, parecendo culpado e frustrado, com as duas mãos nas costas gigantescas, como se quisesse esconder algo.
"Só olhando", respondeu, pouco convincente, "E o que é que vocês estão armando?", lançou um olhar para todos os livros abertos sobre a mesa, "Não continuam procurando o Nicolau Flamel, continuam?", perguntou, desconfiado.
"Ah, já descobrimos quem ele é há séculos", o que é uma mentira e eu só tava querendo me exibir, mas quem liga? "E você sabe o que é que aquele cachorro está guardando, é a Pedra Filo..."
"Shhh!", Hagrid olhou em volta, preocupado, "Não saiam gritando isso por aí, que foi que deu em vocês?", ele parecia genuinamente irritado com a situação.
"Aliás, tem umas coisinhas que queríamos perguntar a você", Harry se pronunciou, deixando o livro sobre fungos de lado, "sobre as outras coisas que estão protegendo a Pedra além do Fofo..."
"SHHHHHHH!", Hagrid parecia capaz de nos jogar pela janela, se pudesse, "Escutem, venham me ver mais tarde, não estou prometendo que vou lhes dizer nada, vejam bem, mas não saiam dando com a língua nos dentes por aí, estudantes não devem saber disso. Vão saber que fui eu que contei a vocês..."
"Vemos você mais tarde, então", Harry aquiesceu, e observamos Hagrid se afastar.
"Que é que ele estava escondendo às costas?", Hermione franziu o cenho, pensativa.
"Acham que tinha alguma coisa a ver com a Pedra?", Harry perguntou, baixinho.
"Vou ver em que seção ele estava", exclamei, colocando-me de pé, afastando-me dos livros. Corri para as gôndolas em que o vi e comecei a passar os dedos pelas lombadas dos livros, lendo os títulos.
Todos eles, invariavelmente, tinham algo a ver com dragões. Um deles estava desencaixado – provavelmente Hagrid tivera devolvido-o de qualquer forma ao me ouvir -, puxei-o cuidadosamente e li 'Do ovo ao inferno, guia do guardador de dragões'. Eu já tinha visto Carlinhos lendo um exemplar desse livro, quando um dos dragões dos quais ele cuidava tinha botado ovos.
Mas o que Hagrid fazia com um ovo de dragão?
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"Então, vocês queriam me perguntar alguma coisa?", Hagrid perguntou, enquanto nós três ocupávamos suas cadeiras para visitas.
"Queríamos", Harry concordou, "Estivemos pensando se você poderia os dizer o que mais está protegendo a Pedra Filosofal além do Fofo", disse, objetivo.
Hagrid amarrou a cara e se negou, veementemente. Foi então que Hermione usou de um tom muito lisonjeiro e, para surpresa geral, conseguiu arrancar dele todos os professores que ajudaram na proteção da Pedra.
"Snape?", Harry ecoou, assim que Hagrid mencionou o último nome.
"É, vocês não continuam insistindo naquela idéia, ou continuam? Olhem, Snape ajudou a proteger a Pedra, não está prestes a roubá-la", ás vezes, eu tenho vontade de perguntar a Hagrid se ele foi realmente apresentado ao ser humano em questão.
"Você é o único que sabe como passar pelo Fofo, não é, Rúbeo?", Harry estava realmente ansioso agora, "E você não diria a ninguém, não é? Nem mesmo a um dos professores?"
"Ninguém sabe a não ser eu e Dumbledore", Hagrid afirmou, definitivo e com uma pontada de orgulho.
Senti uma gota de suor escorrer da minha têmpora esquerda e deslizar pela lateral do meu rosto. Tudo isso graças ao calor insuportável que estava dentro da casa. Harry também parecia não estar muito contente com a situação e pediu para que abrissem a janela.
Eu estava suplicando, mentalmente, que o gigante permitisse. E foi então que percebi, no fogo da lareira, uma panela transbordando de água fervente. Me estiquei e vi que lá dentro tinha um ovo.
Um ovo de dragão.
Como eu suspeitava. Como nós suspeitávamos, já que eu tinha transmitido minha teoria para Harry e Hermione horas atrás, na biblioteca.
"Onde você arranjou isso, Hagrid?", perguntei, me inclinando sobre a panela e vendo o ovo escuro em meios à água borbulhante, "Isso deve ter-lhe custado uma fortuna!", impressionei-me.
"Ganhei. Na noite passada. Eu estava na vila tomando uns tragos e entrei num joguinho de cartas com um estranho. Acho que ele ficou bem contente de se livrar do ovo, para ser sincero", pareceu perplexo com isso.
Sabe, eu adoro o Hagrid. Eu só desejava que o tamanho do cérebro fosse diretamente proporcional ao tamanho do corpo. Só isso.
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"Nós vamos revisar feitiços hoje", Hermione informou, ocupando o lugar na nossa frente, enquanto puxava um pedaço de bolo de laranja para mais perto, "E, se tivermos tempo, talvez um pouco de poções. Não precisamos dar motivos para que Snape nos tire pontos", ela esclareceu.
Soltei um grunhido, enquanto me servia de mais omelete.
"Como será ter uma vida tranqüila", suspirei, sonhador, tentando, em vão, me lembrar de como era quando eu não precisava estudar em todos os meus minutos vagos.
Foi então que Edwiges passou voando por nós e deixou um pedaço de pergaminho cair próximo ao prato de sanduíche de Harry. Ele pegou-o, leu-o e, com os olhos arregalados, entregou-o para mim; Hermione se inclinou sobre a mesa e lemos juntos.
'Está furando'.
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"Temos que ir", repliquei, quase bufando de ódio.
"Não, não, não e não", ela enfatizou cada não com uma pisada forte na grama, enquanto caminhava, "Não temos tempo para isso. Temos Herbologia agora e estamos próximos demais das nossas provas para nos darmos ao luxo de matarmos qualquer aula que seja", retrucou.
Por que é que eu ainda falo com essa garota?
Ah, sim: para passar de ano.
"Hermione, quantas vezes na vida vamos ver um dragão saindo do ovo?", perguntei, indignado.
"Temos aula, vamos nos meter em confusão e isso não vai ser nada comparado à situação de Rúbeo quando descobrirem o que ele está fazendo", Hermione rosnou.
"Cala a boca!", Harry resmungou, pondo um fim à nossa discussão ao apontar, com um gesto de cabeça, para Malfoy, que tinha parado de andar e nos observava, a testa enrugada, como se estivesse tentando decodificar algo.
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"Se eu perdi o começo, você vai ter que encenar", resmunguei, enquanto Harry batia na porta, parecendo exasperado com a nossa briga.
"Eu não vou encenar nada. E você sabe que os dragões demoram horas para sair do ovo. Seu irmão com certeza já comentou sobre isso com você"
"Mas o tempo varia", rebati, "E se o dragão do Hagrid for um dragão super poderoso que consegue se livrar em menos de dois minutos?", sugeri.
Hermione lançou-me um olhar aborrecido no momento em que Hagrid abria a porta.
"Está quase furando", ele disse, feliz, conduzindo-nos pra dentro, onde o ovo escuro estava bem no meio da mesa de centro. Hermione me lançou um olhar presunçoso antes de entrar na cabine, entrei logo atrás dela e fechei a porta.
Sentamos nas cadeiras, em volta da mesa, e observamos o ovo se mover, enquanto o ser lá dentro lutava para se livrar da casca que o envolvia. Era fascinante, de um jeito incrivelmente nojento. E, depois de alguns minutos, deixou de ser fascinante para se tornar totalmente entediante.
Vocês sabiam que a parede da cozinha da cabana de Hagrid é constituída por trinta e duas tábuas de madeira? Pois é, eu sei.
Alguns minutos depois – quando eu estava no meio da contagem de tábuas da sala -, um barulho alto e irritante veio do ovo. Voltei, rapidamente, meus olhos para o centro da mesa e vi quando um focinho estreito e cumprido se mostrou, liberando-se por uma fresta do ovo.
Quando ele finalmente conseguiu se livrar completamente do ovo, Hagrid estava com os olhos cheios de lágrimas.
"Ele não é lindo?", arregalei os olhos, analisando mais a fundo a coisa desengonçada, ossuda e estranha que estava no centro da mesa, encarando a todos nós com seus olhos laranjas, "Deus o abençoe, olhem, ele reconhece a mamãe!"
Todos nos entreolhamos, perplexos.
"Rúbeo, exatamente com que rapidez um dragão norueguês cresce?", Hermione perguntou, mas Hagrid não respondeu.
Ao invés disso, olhou perplexo para a janela e correu na direção dela, afastando a cortina.
"Que foi?", Harry perguntou, também se levantando da cadeira.
"Alguém estava espiando pela fresta da cortina, um garoto está correndo de volta para a escola", embora eu não tivesse visto, tinha certeza de quem era o intrometido em questão.
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Sentei-me na mesa do Salão Comunal segurando a pena em uma das minhas mãos, enquanto Harry e Hermione estavam revisando Herbologia.
Harry tinha sugerido que eu mandasse uma carta para Carlinhos, já que Malfoy sabia sobre o dragão e era questão de tempo até que Dumbledore fosse informado.
Molhei a pena no tinteiro e relutei, pensando no que escrever.
"Carlinhos,
Como estão as coisas aí na Romênia? Espero que bem.
Sim, eu preciso de alguma coisa. Ajuda, na verdade. Estamos encrencados, meus amigos e eu. Precisamos nos livrar de um dragão e já que você trabalha com isso, não consegui pensar em ninguém melhor.
É um dragão norueguês. Parece bastante saudável, se quer saber minha opinião – é negro e tem olhos alaranjados. Quase triplicou de tamanho em questão de semanas, e se continuar na cabana do Hagrid acabará tomando-a toda em pouco tempo.
É um pouco urgente.
Espero que você possa me responder logo.
Até mais,
Rony"
Reli a carta, mordendo o lado interior da minha bochecha.
"Harry, posso usar a Edwiges?"
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"Hagrid, ele está gigante", murmurei, enquanto mexia um tipo de alimento intragável no fogo. Hagrid ergueu a cabeça, fitando-me.
"Ele é um dragão, Rony", sorriu, "O que você esperava?"
"Eu esperava que você começasse a pensar justamente sobre isso. Ele vai ficar gigantesco, Hagrid! Não vai poder mantê-lo aqui dentro por muito mais tempo", argumentei, enquanto, com o auxílio de dois panos de prato, tirava a panela do fogo e colocava-a sobre a mesa, "Você tem que deixá-lo partir"
"Já falamos sobre isso", Hagrid resmungou, voltando a tentar cobrir o animal, "Ele é muito novo, não vai conseguir se virar..."
Quase soltei que tínhamos ido atrás do Carlinhos, mas Harry, Hermione e eu combinamos que não tocaríamos no assunto até que recebêssemos a resposta do meu irmão. Abaixei-me ao lado de Hagrid, com um recipiente transbordando daquela pasta de cheiro forte e enojante, e estendi-a, distraidamente, para o Anti-Cristo.
Digo, Norberto.
E, sim, ele tinha um nome.
E, sim, o nome era ridículo.
E, então, ele me mordeu. Automaticamente, soltei o pior palavrão no qual pude pensar no momento, recebendo um olhar horrorizado de Hagrid, enquanto trazia minha mão ensangüentada para perto do meu corpo, analisando-a.
"Rony, não fale essas coisas perto do Bertinho! Ele pode ficar impressionado!", ralhou comigo.
"Ele quase arrancou a minha mão fora", exasperei, esticando a minha mão na direção do meio-gigante, "Ou você não viu isso?"
"Ora, é o jeito dele de dizer que gosta de você, não é, Bertinho?", o dragão soltou uma fumaça cinzenta pelas narinas, enquanto voltava a comer a ração que eu tinha preparado. Criatura ingrata. Se esse era o jeito dele de falar que gosta de mim, então, eu preferiria que ele me odiasse, "Deixe-me dar um jeito na sua mão, Rony", Hagrid remexeu uma caixa de remédios e tirou uma faixa de lá de dentro, "Venha aqui"
Ele envolveu minha ferida com firmeza – o que fez com que eu soltasse alguns gemidos engasgados -, e depois lançou um olhar pensativo para minha mão.
"Vai ficar tudo bem", disse, embora sua testa franzida mostrasse que ele não tinha muita certeza.
"Vou voltar para o castelo", resmunguei, puxando a capa de invisibilidade de Harry e me cobrindo, enquanto lançava mais um olhar desgostoso para Bertinho. Ele está bem mais para Norberto, o Estripador.
Mas acho que o Hagrid não gostaria muito desse nome.
Ainda mais porque, quando fechei a porta da cabana às minhas costas, tenho certeza de que ele começou a cantar uma música de ninar. Para um dragão.
E, sim, é tão ridículo quanto parece.
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Carlinhos respondera a carta, na madrugada do dia em que eu voltara com a mão enfaixada e ensangüentada, graças à demonstração de afeto de Norberto. A boa notícia era que uns amigos de Carlinhos pegariam a criatura à meia-noite do sábado, no alto da torre mais alta. A má notícia é que nós teríamos que levá-lo lá.
Já estava praticamente combinado que Harry e eu cuidaríamos dessa parte, mas na manhã seguinte, minha mão passou de uma mão levemente machucada para uma bola esverdeada.
"Rony, você precisa mostrar isso para a Madame Pomfrey", Hermione disse, erguendo minha mão com cautela, "Parece que vai cair"
"Obrigado", dei um falso sorriso, "Mas não acho uma boa idéia"
"A Hermione está certa, Rony", Harry se inclinou para observar minha mão melhor, "Pode ser sério", fiz uma careta, "E você ainda pode perder todas as aulas de hoje", Harry acrescentou.
"Vejo vocês mais tarde", sorri para a cara incrédula de Hermione, enquanto caminhava em direção à Ala Hospitalar.
XxXxX
Eu estava sentado em uma das camas, aplicando um pouco de poção na minha mão inchada, quando a porta se abriu e ouvi a Madame Pomfrey perguntar o que a pessoa queria.
"Vim aqui pegar um livro emprestado com o Rony", a voz arrastada de Draco Malfoy respondeu, fazendo com que eu erguesse, imediatamente, a minha cabeça e o encarasse, perplexo.
"Não demore", Madame Pomfrey resmungou, enquanto entrava no recinto das poções, deixando-me sozinho com Malfoy.
"Puxa vida, Weasley", ele balançou a cabeça de um lado para o outro, transbordando compaixão, "Que tipo de animal selvagem e cruel te mordeu?", perguntou, como quem se importava.
"Um cachorro", respondi, por entre os dentes cerrados.
Um sorriso maldoso se espalhou pelo rosto do sonserino.
"E esse cachorro tem escamas?", perguntou, erguendo as sobrancelhas.
"Eu não sei que tipo de cachorros você conhece, Malfoy, mas os que eu vi têm pêlos. Agora, será que dá para você dar meia volta e se juntar com seus amigos retardados ou vai querer outro soco?"
Malfoy riu.
"Com essa sua mão?", apontou para minha mão enfaixada, "Aquele seu rato ridículo seria mais perigoso"
Eu daria a minha vida para apresentar o Malfoy ao Bertinho.
Por outro lado, sendo os dois seres demoníacos cuspidos do inferno, poderiam acabar se dando bem e fazendo uma aliança contra mim.
"Senhor Malfoy, poderia se retirar?", Madame Pomfrey, distraída, saiu de seu recinto, "O senhor Weasley precisa descansar", disse.
Draco, rapidamente, pegou um dos meus livros que Hermione havia empilhado no criado-mudo ao lado da minha cama e saiu, não sem antes me lançar mais um sorriso maldoso.
Foi só horas mais tarde, quando Hermione e Harry vieram me visitar, que eu lembrei que o livro que ele levara estava com a carta de Carlinhos.
Seria possível ficar pior do que isso?
Continua...
N/A: Oi, gente!
Para avisar os ansiosos, o novo capítulo de 'Sete Minutos' está na página 18 e promete ser um dos maiores capítulos até agora. Até semana que vem, prometo que ele estará postado. O mesmo se aplica à 'Nas Palavras', embora esse vá demorar um pouquinho mais.
Enfim, esse capítulo teve várias cenas extras – como a dos dois treinando o feitiço para a segurança do Harry – e a aparição do nosso queridíssimo Bertinho... hauiahuiahauha... Espero que tenham gostado!
Tenho uma péssima notícia: pode ser que as atualizações cessem.
Porque eu só tenho até o capítulo 14 escrito, e estou sem tempo para escrever, então, me perdoem se demorar, OK?
Estou pensando em continuar as atualizações, mas agora de duas em duas semanas... Isso é um problema?
Espero que não, mas me avisem o que acham nas reviews.
Obrigada por todas as reviews para o capítulo anterior.
ChunLi Weasley Malfoy: O pior de tudo é que essa cena existe no livro, não fui eu quem inventou. HAUIHAUIha. O que achou desse capítulo? Ah, a cada dia eu também gosto mais do Rony... XD
Mayabi Yoruno: A Hermione apareceu nesse capítulo! Gostou? ;)
Infallible Girl: Tudo bem, eu compreendo perfeitamente. Vestibular é fogo... O pior de tudo é que a mudada de assunto está no livro, não foi invenção minha! XD Fico contente que a cena do espelho tenha te deixado triste, quer dizer que está bem escrita!! Aguardo sua review sobre esse capítulo! ;D
Lauh Malfoy: Ainda acha o Rony fofinho, depois desse capítulo? :) Espero que tenha curtido esse capítulo tanto quanto gostou dos outros dois! ;)
Anaisa: Sócia perfeita! Espero que tenha gostado desse capítulo!!
(x Carol x): Fico muito feliz que você esteja gostando da fanfic! Verdade, os capítulos estão longos, mas é impossível impedir isso, sinto muito. / Gostou do novo capítulo?
Guilherme McKinnon: Ain, Gui, é um alívio saber que a Hermione tá bem feita, como eu disse, eu acho um pé no saco e tenho medo de não conseguir fazer ela direitinho... Aguardo sua review sobre esse capítulo!
Obrigada a todos pela review e aguardo por mais...
Beijos,
Gii.
