"A sua família ainda está aqui ?" Eu perguntei enquanto eu saía de seu carro. Eu estava um pouco preocupada se eles iriam interróga-la do porque dela levar alguem para casa tão tarde. Não preocupada que eles ficariam bravos por isso,apenas preocupada porque mesmo que eu chegasse tarde em casa quase toda noite,não significa que as outras famílias também são assim. Eu não queria fazê-la inventar uma desculpa por mim estar lá ou ter que explicar porque eu estava lá.

Santana abriu o porta-malas. Eu andei até a parte de trás de seu carro e tirei os cabides que ela comprou e uma sacola da mercearia com crackers Goldfish e uma revista nova. Ela comprou a revista depois de eu ter pego. Eu disse para ela que ela não precisava ter comprado só por mim,mas ela insistiu que ela queria ler a retrospectiva de 2011.

"Não,mas minha mãe deve estar em casa." Santana fechou o porta-malas e nós começamos a andar em direção à sua casa. " Ela estava me mandando mensagens mais cedo,quando eu estava no trabalho. Eu juro que aquela mulher deveria ser proibida de mandar mensagens. "

Isso é fofo. Quando meu pai consiguiu um telefone novo de seu trabalho ele sempre me mandava mensagens. Por uma semana inteira ele me mandou mensagens toda manhã as 9:00 apenas para dizer oi e cada uma tinha uma carinha diferente. Mas agora ele só manda para perguntar coisas como,que sabor de applesauce* você gosta ou sua mãe está acordada ainda ? Eu tenho certeza que applesauce tem apenas um sabor...

"Então o que ela cozinhou para o jantar dessa vez ? Estou morrendo de fome."

Santana franziu o cenho,parou na varanda,e olhou para mim. " Você não comeu ainda ? "

"Eu comi o sorvete...Que você comprou para mim." Eu disse.

"Britt. Já são quase,onze horas." Ela abriu a porta da frente e entrou em sua casa.

"Ok.Tá tudo bem,então." Eu a segui. Eu acho que eu não tinha percebido o quão tarde estava. Bem,eu percebi que estava tarde,porque eu estava preocupada em aparecer na casa dela tão tarde,mas eu acho que esqueci que eu provavelmente era parte da única família no mundo todo que não jantava antes das 10. Na minha casa,para o jantar,nós vasculhávamos e comíamos o que havia sempre que quiséssemos.

"Não. Britt. Se você está com fome,vamos comer alguma coisa na cozinha ." Ela fechou a porta quando eu entrei. Eu esperei pela entrada,enquanto ela caminhou até o pé das escadas. "Mamma !"Ela gritou para cima." Estou em casa,então já pode parar de me mandar mensagens,por favor."

Eu ri um pouco. Santana voltou e acenou para mim segui-la até a cozinha.

A casa era tão grande e tão vazia sem a família dela lá. Mas ainda sim era acolhedora. Todas as cores combinavam. Dourado. Vermelho. Marrom. Era bonito e acolhedor. Os sofás pareciam que eles poderiam engolir você toda e até as velas combinavam com o papel de parede. Parecia que tinha uma lareira me seguindo por onde quer que eu andava ou olhava.

Nós entramos na cozinha e eu coloquei os cabides e a sacola no balcão ilha. Dessa vez não cheirava como aquela comida Mexicana incrível. Apenas cheirava a pratos limpos e a limão.

"Quer Tamales ?"Ela abriu a geladeira.

"Sim !" Eu sorri e corri para ficar do lado dela. Tamales eram os melhores e eu só comia eles durante o Natal quando nossos vizinhos levavam para nós. "Eu amo isso !"

Ela puxou uma vasilha verde e eu andei com ela até o balcão ilha. Ela retirou a tampa de plástico e olhou para mim com os olhos mais curiosos que já vi. " Quantos ? "Eu senti que ela fez seus olhos ficarem super grandes para mim não me sentir culpada se eu dissesse a ela um número ridiculamente grande.

Eu me estiquei e peguei dois. Eles ainda estavam naquela estranha pele de Tamale e gelados como se eles estivessem na geladeira por algumas horas. Ela me deu um prato,envolveu os Tamales em toalhas de papel molhadas,e nós colocamos eles no microondas. Eu assisti os Tamales se virarem e cozinharem no microondas e Santana voltou para o balcão e começou a folhear a revista.

"Então," Santana falou quando os Tamales fizeram a sua décima sexta volta. Eu olhei para ela por cima do ombro. "Eu estou feliz que tenha me ligado." Ela não olhou para mim. Seus olhos ainda passeavam pela revista.

Eu sorri e me virei para o microondas. " Eu também. Esses vão ser deliciosos. "Eu queria ter certeza que ela soubesse o quanto eu apreciava a comida.

Seu celular tocou e meio que me fez pular. Foi como uma chicoteada afiada,quando eu estava sendo hipnotizada pelo zumbido baixo do reaquecimento dos Tamales. Eu me virei e vi ela vasculhar a bolsa. Ela estava resmungando alguma coisa sobre como é melhor não ser sua mãe e ficando cada vez mais impaciente depois de cada segundo em não encontrar o aparelho. Mas quando ela o puxou para fora e olhou para a tela,parou de resmungar e uma carranca cobriu sua impaciência. Ela respondeu. "Sim ? "

O celular de Santana não era alto o suficiente para mim ouvir com quem ela estava falando. E o microondas era barulhento. Então eu girei,porque eu não queria que ela pensasse que eu estava tentando ouvir sua conversa,mesmo que eu fosse perguntar quem era após ela desligar.

"É.Tá bem. Comigo. " Santana falou rápida e afiada. "Porque ela não tem."

Eu espiei por cima do meu ombro. Santana estava inclinada contra o outro lado do balcão,com suas costas para mim.

"Bem aqui." Ela pausou." Deus. Tá bem. Porque você está dando piti ?" Santana parou de falar de novo e eu escutei ela andar até mim. Quando ela me alcançou ela segurou seu telefone para mim." É para você. "

Se eu conseguisse levantar apenas uma sobrancelha de uma vez,tenho certeza que teria levantado agora. Quem poderia ligar para Santana para poder falar comigo ? As pessoas já sabiam que ela era a minha pessoa favorita,e eu a dela ? Seria legal se sim.

Eu pequei o telefone e segurei contra o ouvido. "Oi ? "

Santana voltou para a geladeira e a abriu.

"Ei,é a Quinn. Você tá bem ?" Quinn disse tão rápida que poderia ter saído apenas em uma frase.

"Sim"

Santana olhou para mim e eu juro que ela revirou os olhos. Ela não gostava mesmo de Quinn ? Bem,eu acho que ela não poderia odiar ela totalmente,porque ela não desligou na cara da Quinn ou disse para ela que eu estava no banheiro e que depois ligaria de volta. Eu acho que Santana era apenas legal sorrateiramente com as outras pessoas. Ela foi mal-humorada com Quinn no telefone,mas foi legal da parte dela em atender a ligação e deixar Quinn falar comigo.

"Puck veio até o Shuester quando eu saí."Quinn continuou." Ele me disse que tinha pego você e que você estava uma bagunça. Tem certeza que está bem ? "

Santana tirou o catchup e o creme de leite e os segurou para mim do outro lado da cozinha. Eu apontei para o catchup. Ela balançou a cabeça e voltou a colocar o creme de leite na geladeira.

" to bem na casa da Santana. Estamos comendo Tamales. E compramos cabides. "

"Tem certeza ?Eu posso ir aí te pegar. Ou posso conversar com você pelo telefone. O que precisar." Suas palavras saíram suplicantes e pedindo desculpas. Eu acho que ela se sentia mal por não estar lá quando aconteceu. Não fazia sentido embora,porque ela nem sabia sobre isso. Então não tinha certeza do porque dela estar tão preocupada. Como no mundo eu consegui duas pessoas assim ? Claro que Quinn não é tão acolhedora e relaxante e fácil como Santana é,mas a sensação que suas palavras me deram era um dos melhores sentimentos.

"Tá tudo bem. Estou com Santana. "Eu falei com meus olhos ainda assistindo Santana. Ela olhou para cima quando eu disse seu nome e me deu o olhar mais adorável. Um daqueles olhares quando você estreita apenas um olho,espreme os lábios para um lado de sua boca,e se força para não deixar escapar um sorriso de verdade. Me fez deixar sair um pequeno cantarolado riso que não foi alto o bastante para ninguém mais ouvir além de mim.

Quinn deixou escapar um suspiro suave. ",nos falamos ê trabalha ? "

"Sim."

O bipe do microondas me assustou. Eu pulei para longe dele. Santana deve ter achado que foi engraçado porque ela estava sorrindo de novo quando ela andou até o microondas. Ela abriu e tirou o prato.

"E me ligue se precisar de alguma coisa. Se precisar conversar. Ou uma carona. Promete ?" Quinn disse.

"Eu prometo." Eu disse. " Tchau,Quinn. Obrigada."

"Tchau." Ela desligou,e eu também.

Eu fui até o balcão onde Santana já havia tirado os Tamales do embrulho de papel,esparramado catchup no prato e estava esfaqueando um dos tamales com um garfo. Ela comeu um pedaço e depois me entregou o garfo. " O que a Quinn queria ? " Santana falou com uma mão cobrindo sua boca cheia de comida.

"Apenas perguntar se eu estava bem. " Eu comecei a cortar o tamale em pequenos pedacinhos. "Nós todas deveríamos fazer uma noite do pijama qualquer hora dessas." Eu olhei para cima.

"Ahm,não." Santana balançou a cabeça. " Isso não terminaria bem."

"Porque não ? " Eu finquei o garfo em um pedaço,mergulhei em catchup,e o elevei à minha boca. " Talvez vocês só precisam reacender suas chamas da amizade. "

"Nossas chamas da amizade ? "Santana sorriu e fez seu rosto parecer tão doce e tão suave e não era nada como o sorriso que as pessoas me davam quando eu dizia algo diferente. Se ela não tivesse me dito que eu era sua pessoa favorita,eu poderia ter descoberto isso agora.

Ela pegou o garfo de mim e enfiou em um dos pedaços que cortei. "A Quinn não é muito legal. E eu não sou muito legal." Seu sorriso desapareceu e ela encolheu os ombros.

"Ela é legal comigo." Eu peguei o garfo dela. " E você é legal comigo."

"Por que você é...você." Levou um segundo para ela achar a palavra 'você'. "Ninguém gosta de mim." Ela brincou e de novo,deu ombros.

Eu não achei engraçado." Eu gosto de você. E eu gosto do seu sorriso."

Seu sorriso falhou,mas não virou uma careta. Mudou para outro sorriso. Ela o deixou desaparecer e eu queria que ela não tivesse feito isso. Eu queria que as pessoas não fizessem isso. Elas deixam elogios durarem por segundos quando eles tinham que se lembrar deles para sempre. E Santana nem mesmo aceita elogios na maioria das vezes,o que era triste. Eu quero escrever uma lista sobre todas as coisas legais sobre ela em um pedaço de papel e fazê-la memorizar. Ou dar a ela cartões. Ela era a garota bonita que todo mundo se sentia intimidado em dizer algo,mas ela era a que mais merecia palavras.

"Eu costumava fazer algumas coisas com o Puck bem antes dele e Quinn terem namorado. Nós nunca namoramos,mas as pessoas sabiam sobre nós." Ela falou através do silêncio. Eu parei de mastigar para poder ouvir exatamente tudo o que ela dizia. "E aí,que seja,eu dormi com o Puck depois dele estar namorando Quinn." Ela disse a última parte bem rápido. Talvez ela queria apressar as coisas porque ela percebeu que não era importante ou por que ela sabia que era errado,mas o fato de que ela disse apenas me provou que ela não mentia. "Foi a minha primeira vez. Ele foi o meu primeiro."

Eu engoli a comida em minha boca,acenei,e peguei outro pedaço de tamale. O que quer que seja que a fez começar a contar essa história...Eu precisava fazer mais e mais vezes para sempre. Eu queria ouvir todas suas histórias e queria ouvi-las sempre.

"Mas alguém contou para ela que nós fizemos sexo. Não tenho certeza quem,provavelmente Puck,mas não importa."

"Eu nunca fiz sexo." Eu falei com a boca cheia de tamale e catchup. Não era relevante para o que estávamos falando,mas mesmo assim,escapuliu.

Seus olhos se viraram diretamente para mim. A expressão em seu rosto era nova. Não era a expressão de sempre,que as pessoas faziam quando eu as contava isso. Eu acho que eu estava muito nervosa e muito chocada de ter dito para estar capaz de julgar sua reação e descobrir porque ela estava me olhando daquele jeito. Ela não estava piscando ou se movendo,mas ela não estava franzindo a testa ou com falta de emoção.

Ela limpou a garganta. "Bem,dói. Muito. Especialmente na primeira vez." Ela se inclinou para frente no balcão e descansou seus cotovelos. Eu podia praticamente ver ela folheando seus pensamentos à procura do que dizer. " Eu tinha quinze anos." Ela olhou para mim." Mas Puck foi rápido e foi melhor assim. Mesmo que machucou,eu só queria que aquilo terminasse. "

Eu sabia que eu estava com a testa franzida. Isso era horrível. Sexo não era algo que alguém desejaria terminar logo. Mas eu desliguei meus pensamentos e tentei processar a nova informação. Eu contei os anos. " Ela ainda está brava sobre isso ? Foi a tipo,4 anos atrás."

"Ela não está brava. Digo,ela não gosta de mim. Mas nós continuamos amigas durante o ensino médio. Nós tinhamos que ser. Era mais fácil. E nós ainda somos amigas agora."

"Oh..." Eu espremi os lábios." Você estava apaixonada pelo Puck ? Ainda está ? " Foi por isso que ela dormira com ela ? Ela não queria perder ela para Quinn.

"Ai,Deus,não." Ela se endireitou e andou até um armário. Ela tirou 2 copos e os deu para mim.. "Ele é um idiota." Então ela andou até a geladeira e pegou leite. Assistir ela desse jeito estava em uma disputa acirrada com assistir ela conversando,para chegarem ao topo das coisas que mais gosto de fazer.

Eu peguei um dos copos que ela colocara para mim e comecei a beber. Eu não queria perguntar nada durante sua história,porque eu estava preocupada se ela iria se distrair ou parar. Mas eu tinha tantas perguntas. Sobre ela. Sobre Quinn. Sobre Puck. E sobre o porque dela estar me contando isso.

Ela devolveu o leite na geladeira e não falou até termos ambas terminados o nosso prato de tamales e nossos leites. " Como eu disse,dói muito. E é meio difícil de pensar em algo a mais do que dor. " Ela revirou os olhos. " Eu tinha quinze anos e era insegura. E eu fiquei perguntando ao Puckerman como eu estava indo."

Não importa a idade que você tem. Eu tenho certeza que toda garota pensa assim. Mas eu não disse isso,porque eu nunca fiz sexo e eu não tinha direito de dizer algo assim.

"Os caras na minha escola começaram a falar sobre a novata que era igual a um peixe morto na cama,que apenas meio que deitou lá e não fez mais nada." Seu rosto brilhou apenas um segundo ,dor,mas logo ela cobriu.

Eu acho que ouvir essa história em voz alta e ouvir 4 ou tantos anos depois que aconteceu não tinha o mesmo impacto. É uma daquelas histórias que mexem no início,mas então continuam a cavar e faz seu coração doer. Quando eu pensei sobre isso...Tão jovem,sendo chamada assim...Era horrível. As pessoas podem ser tão cruéis e incompetentes. Eu ficaria louca se eu ouvisse alguém dizendo isso sobre Hailey...ou sobre mim.

"Isso é malvadeza Santana. Você não deveria ouvir." Eu imitei exatamente o que disse à ela mais cedo quando eu estava chorando. Eu queria tê-la conhecido a um bom tempo atrás para mim poder dizer essas palavras quando ela tinha quinze anos.

"Eu sei Britt." Eu tentou rir. Ela pegou os pratos sujos e os levou para a pia. "Isso tudo aconteceu a tanto tempo atrás,já superei. E eu comecei alguns rumores perversos sobre Puck então acho que estamos quites. Mas," Ela olhou sobre seu ombro,"essa é uma das várias razões que Quinn e eu não temos noite do pijama ou algo assim. Seria horrível e estranho e nós nem teríamos nada legal para dizer uma para a outra."

"Você não ficou sem fazer nada quando estávamos na minha cama." Eu disse suavemente,só no caso de ela estar preocupada que sua mãe iria ouvir,mesmo que sua mãe estivesse escada a cima. Eu apenas senti que era importante deixá-la saber como eu me sentia sobre aquela noite e como incorreto era esse rumor sobre ela.

Mas ela ainda sim se virou para me encarar,com olhos arregalados. Ela olhou ao redor e depois para mim. Seu rosto estava começando a corar. E então ela se virou para a pia e continuou a lavar os pratos.

Isso foi fofo.

Na noite que fizemos coisas ela foi toda sexy e quente. Então na manhã seguinte ela foi doce e sorridente para mim. E agora ela estava nervosa. Eu nunca fiz alguém corar antes. Bem,eu fiz,mas não por fazer coisas sexy e depois conversar sobre elas.

Ela desligou a água e andou de volta para mim. "Eu nunca fiz aquilo." Ela tropeçou em suas palavras começando a brincar com a revista.

Eu não tinha certeza exatamente do que ela quis dizer. Eu tinha uma ideia,mas eu não sabia se ela quis dizer que ela nunca beijara o pescoço de alguém antes ou se ela nunca tinha beijado o pescoço de alguém enquanto essa pessoa se tocava.

Ela respondeu antes de eu nem precisar perguntar. "Com uma garota."

Perfeito. Eu não tive que perguntar. Toda a bagunça que eu estava tentando descobrir sozinha e depois perguntando para minha mãe,e depois sendo expulsa foi apenas inútil para conseguir uma resposta sem nem precisar perguntar. Mas as coisas acontecem por um motivo e eu preferia ficar aqui,com ela,em sua casa conseguindo essa resposta,do que fazendo qualquer outra coisa.

Mesmo assim,eu me sentia como se tivesse pêgo a maneira difícil. Da próxima vez eu vou falar o que eu estava pensando ao invés de fazer essa bagunça toda.

"Para de me olhar desse jeito." Ela corou ainda mais. Mas eu podia ver o quão tensa ela estava,como se a maneira que eu respondesse e agisse agora iria determinar tudo. Sua mandíbula estava pressionada e ela estava parecendo aquelas pessoas nervosas que eventualmente,acabavam vomitando.

Eu amorteci minha expressão. Eu acho que eu estava sorrindo antes. "Desculpa." Eu sorri de novo,de qualquer maneira. Eu queria que ela estivesse bem e eu sabia que sorrir era a melhor maneira de fazer tudo melhorar e fazê-la se sentir bem sobre conversar.

"Você já ? "Ela sussurou. Ela parecia muito mais corada agora. Eu podia praticamente sentir sua garganta se apertar com as palavras. Mas também ela parecia diferente,quase como melhor. Meio que tudo o que ela precisava era conversar sobre esse tipo de coisa antes que sufocasse ela. Eu me pergunto quanto tempo ela tem segurado essa história sobre Puck ,ela e Quinn ? É uma prova de que ela é milhões de vezes mais forte que eu. E não consegui nem me preocupar sobre coisas antes de desistir e tentar perguntar a minha mãe. Ela vem segurando esse rumor por anos. As pessoas não sabiam,e eu não tinha certeza do porque não,mas são as pequenas coisas que podem mudar alguém.

"Não."

Ela fez a pergunta como se tivesse sido quase impossível de fazer,mas eu achei que não era nada demais. Foi apenas uma pergunta,e a resposta foi não,eu não fiz nada assim com uma garota ou já pensei sobre isso...até agora. Eu não acho que tem uma questão nesse mundo inteiro que pudesse me fazer sentir desconfortável ao redor dela.

"Podia ter me enganado." Ela provocou. Toda a tensão em suas palavras se foram.

Agora eu estava corando. Ela me pegou fora de guarda. Eu já tive garotos dizendo coisas muito mais sugestivas e sujas para mim e eu sequer me movi quando eles falaram. Tudo o que ela estava fazendo era brincadeira e eu estava corando como a pessoa mais boba do mundo.

"Quer mais alguma coisa Britt ? " Ela andou até a geladeira e pegou uma garrafa de água. Ela mostrou-a para mim.

"Claro." Eu disse.

Ela voltou com 2 garrafas de água.

"Eu gosto quando você me chama de Britt. "Eu peguei a garrafa." Você precisa de um apelido."

"Não é um apelido,eu só sou muito preguiçosa de falar o seu nome inteiro." Ela rodou a tampa de sua garrafa.

"E se eu te chamar de ...San...ta. "Eu sorri.

Ela franziu a testa e torceu de volta a tampa. "Não."

"Santa."Eu estava sorrindo como uma idiota e ainda corada como uma bobona. Eu sabia. E eu sabia que ela conseguia ver.

Ela deu um passo em minha direção e apontou um dedo.

Recuei e disparei para trás do balcão,assim ele ficou entre nós.

Eu continuei a me mover para ela não chegar perto de mim." Eu amo Natal. E o grande saco do Santa(Papai Noel) "

Seu queixo caiu e ela suspirou uma risada. "Para." Ela estava sorrindo agora." Eu não sou Santa e eu não tenho um saco."

Ela começou a se mover mais rápida ao redor do balcão,então eu comecei a me afastar mais rápida também.

"Quer ouvir uma piada ? " Eu sorri.

Ela parou. "Tá legal." Ela cruzou os braços." Tudo para fazer você parar de me chamar de Santa."

"Eu não acredito em você."

"O que ? " Santana levantou as duas sobrancelhas e inclinou a cabeça pro lado.

"Você disse que nunca fez nada com garotas. Mas..." Eu cantei a palavra 'mas', "Santa sabe onde todas as garotas más moram."

De primeira ela ficou chocada pelo que eu disse. E então ela começou a correr ao redor do balcão tão rapidamente que a única maneira de fugir dela era se eu saísse da cozinha. Então eu saí. Eu corri pela sala de estar. Quando alcancei as escadas ela estava bem atrás de mim.

Eu gritei,porque ser perseguida em uma escada era a coisa mais assustadora do mundo. Mas era risada e grito ao mesmo tempo. Ela riu também. Sua mão quase pegou o meu braço,mas ela não foi rápida o bastante. Nós passamos pela escada e quando eu cheguei ao topo,corri para o seu quarto.

A porta estava aberta. Eu entrei em seu quarto e mergulhei em sua cama. Eu rolei e seus cobertores se enrolaram em mim. Eu estava rindo tanto. Eu senti a cama se mover quando ela pulou nela também. Ela engatinhou até ficar em cima de mim e começou a tentar puxar o cobertor para longe.

Eu estava me contorcendo e não conseguia respirar. Ela tirou o cobertor com facilidade e começou a beliscar os meus lados.

Eu gritei de novo.

"Shh" Ela riu,mas não parou de me beliscar.

Eu tentei rolar debaixo dela,mas com ela me prendendo e suas coxas posicionadas tão fortemente em torno dos meus quadris,eu não pude me mover.

"Eu vou fazer xixi." Eu forcei as palavras através de uma risada desesperada. Meu estômago estava dando cólicas de tanto rir.

"Sem mais Santa." Ela me beliscou de novo.

"Tudo bem" Eu contorci e segurei um grito. "Tudo bem. Sem mais Santa."

"Ok." Ela pulou de cima de mim e depois de cima da cama." Vai fazer xixi bobona."

Eu me sentei. Eu estava sem ar e minha boca estava doendo por sorrir largo e rir tanto. Eu sai da cama e a segui para seu closet. " Eu já fiz xixi."

Seus olhos se viraram rapidamente para mim.

Eu sorri de novo."Brincadeira. Eu não queria fazer xixi. É minha palavra de segurança...palavras."

"Bem," Ela abriu seu closet e entrou nele. "Se você estiver em uma situação onde precisa de uma palavra de segurança eu sugiro que você escolha algo um pouco mais sexy."

Eu não respondi,porque eu ainda estava encantada que ela tinha um closet e que poderia entrar nele. Era como se fosse outro quarto. Quase tão grande quanto meu quarto. Tinha sapatos por todos os cantos e ela tinha mais roupas do que minha família inteira combinada.

"Santana ?"Uma mulher falou da porta.

Eu virei meu rosto para ela e Santana colocou só a cabeça de fora do quarto.

"Sim mãe ? " Santana voltou ao closet.

"Apenas vim ver o que era todo aquele barulho." Sua mãe acenou em cumprimento a mim.

Eu percebi que eu podia responder." Santana me perseguiu pelas escadas. Desculpe por ter sido barulhenta. Eu esqueci."

"Tudo bem querida. E é bom te ver de novo. Tem algumas sobras lá embaixo se vocês garotas estiverem com fome." Sua mãe começou a sair até voltar de novo." E sua tia ainda está aqui. Marcus dormiu o dia todo então ele está acordado ouvindo nós duas conversar faz horas. Você se importa se eu mandar ele para cá? Conversa de adulto é provavelmente um pouco entediante para ele."

"Claro." Eu apenas resmungou.

Sua mãe saiu e então eu vi Santana começar a cavar por suas roupas. "Você quer por essas na cama ? "Ela pegou 4 caixas de jóias e as segurou para mim." Essas são as que eu pedi pro Marcus limpar outro dia."

"Posso olhar ? " Eu amava olhar as jóias de outras pessoas. Era como olhar em algo invisível. Você conseguia ver o que elas gostavam e ver o que as outras pessoas compraram para elas.

"Vai lá." Santana se virou e eu fui em direção à sua cama.

Antes de colocar meus joelhos na beira da cama eu já tinha aberto a primeira. Estava cheia de anéis. Dezenas e dezenas e dezenas deles. Meus olhos se arregalaram. Eu peguei alguns e os virei entre meus dedos. "Esses são bonitos."

Santana saiu do closet e ficou de joelhos próxima a mim. Ela se aproximou e pegou uma mão cheia de anéis. "Jesus,eu não vejo esses anéis a séculos."

A porta rangeu um pouco Marcus entrou. Ele estava arrastando um cobertor atrás de si e seu cabelo estava por todo canto. Ele derrubou o cobertor assim que me viu e correu. Ele ajoelhou-se do meu outro lado,mas levantou-se quando não conseguiu ver da cama. Ele estendeu o braço para pegar alguns anéis,mas Santana estapeou sua mão.

"De jeito nenhum." Ela apontou para ele." Pode olhar um de cada vez e depois mudar para olhar outro. Mas não quero que perca esses aqui."

"Era isso que eu estava fazendo !" Ele retrucou e então pegou apenas um anel.

Então eu avistei brincos. Eu coloquei todos os anéis de volta na caixa e agarrei eles. Eles eram pequenos arcos com uma jóia pequena e brilhante no meio. "Esses são legais." Eu disse em temor,e corri o meu polegar sobre a prata fria.

Santana esticou sua mão e eu lhe dei os brincos. De primeira eu pensei que ela estava pegando eles,porque ela não queria que eu os perdesse,ou porque esses eram os que ela estava procurando quando ela fez Marcus limpar suas caixas de jóias. Mas ela usou a ponta dos seus dedos na minha bochecha para tentar guiar minha cabeça a se aproximar mais dela. "Experimenta eles."

Eu não estava usando brincos,então ela os coloquei rapidamente. Ela virou sua parte de trás para a frente ficar para ela,segurou minha orelha entre seus dedos e então foi colocar o outro brinco.

"Como ficam ? " Eu perguntei. Eu estava passando meu polegar sobre o metal frio então ela não conseguia ver de verdade como eles ficavam.

"Perfeito." Ela respondeu sem nem me pedir para tirar os dedos.

Eu me virei para o seu priminho. "Você gostou deles ?"

"Sim." Ele acenou,mas voltou a brincar com o anel em sua mão.

Eu me levantei e fui até o espelho dela. Eles eram fofos. Pequenos arcos fofos. Eu me aproximei para mim poder ver tudo deles. Todos os meus brincos eram a mesma coisa. Esses eram incríveis e brilhantes.

Quando eu voltei para ela e me ajoelhei eu alcancei minha orelha para tirá-los.

"Não,"Santana agarrou meus pulsos e os afastou." Fica com eles." Ela não soltou meus pulsos até que minhas mãos estivessem descansando em sua caixa de jóia.

"Assim você não perde eles ?" Eu perguntei."

Ela bateu seu quadril no meu." Claro."

Nós olhamos pelo resto de suas jóias. Marcus não ouviu e continuou colocando todos os anéis em seu dedo de uma vez só. E então ele dormiu no chão assim Santana teve que carregá-lo de volta ao seu quarto. Quando ela voltou eu disse para ela que era legal ela ter quartos para as pessoas que nem mesmo moravam aqui. E então nós fomos para seu banheiro. Ela me deixou usar outra escova de dente e me disse que eu poderia ficar com ela em casa como reserva ou no carro,sempre que eu fosse dormir em lugares diferentes. E então eu perguntei se eu poderia deixar em sua casa só no caso de vir dormir de surpresa novamente.

Ela disse que sim.

Ela também me emprestou shorts para dormir já que minhas legs me deixariam super quente e suada. Nós nos arrastamos em sua cama e eu me aproximei dela. Eu deslizei um braço debaixo de suas costas então eu abracei seu corpo e descansei minha cabeça em seu peito. Eu amava o fato de que poderíamos fazer isso agora,e era só algo normal.

Ela brincava com o meu cabelo. Seus dedos giravam e o puxavam suavemente. "Eu posso te ensinar a fazer tranças,qualquer hora dessas." Ela murmurou." Assim você vai poder riscar da lista."

Eu acenei em seu peito ao invés de responder. Ela parecia tão cansada e eu não queria fazer um barulho e acordá-la. Eu fiquei feliz de não ter falado,porque ela adormeceu logo após. Ela foi a primeira a dormir dessa vez. Provavelmente porque já passava da meia noite e ela trabalhou o dia todo.

Eu apertei os meus olhos fechados e tentei não pensar sobre o que acontecera com a minha mãe. Eu me forcei a pensar sobre Santana,o que não era difícil de se fazer. Eu pensei sobre quando nos conhecemos e tentei descobrir porque ela me contou aquela história na cozinha. Eu queria que ela sorrisse o tempo todo e me machucava o fato de ela não poder. Eu nunca me senti tão mergulhada por uma pessoa e eu nunca quis tanto ficar ao redor de alguém. Eu queria ser sua melhor amiga,eu queria ter noites do pijama com ela para sempre,e eu queria tocá-la. Ela estava dormindo,embora,e mesmo que Rachel fosse um pouco doida com seus guias,eu acho que tem algumas coisas que eu queria fazer primeiro antes de algo acontecer de novo,assim como acontecera em minha cama.

Demorou um pouco,mas adormeci.

"Ei Britt." Santana balançou meu ombro.

Meu corpo estava tão cansado. Minha cabeça estava gentilmente latejando e eu não queria abrir meus olhos. Especialmente não queria abri-los se aquilo significasse que eu eventualmente teria que sair da cama da Santana. "Não." Eu gemi e rolei para que meu rosto pudesse mergulhar em travesseiros.

"Britt por favor" Ela esfregou pequenos círculos no meio das minhas costas." Você pode tomar banho aqui."

"Eu não quero." Eu falei em um travesseiro mas eu duvido que ela conseguira me ouvir. Ela realmente pensara que eu iria me mover logo agora ? Especialmente agora que ela estava acariciando minhas costas. Meu corpo começou a relaxar para mim dormir de novo. Essa era a melhor manhã de todas. Talvez ela pudesse acariciar minhas costas até eu dormir de novo.

"Britt." Ela suspirou." Logo meu pai vai chegar."

Eu tirei minha cabeça do travesseiro e olhei para ela. Demorou um segundo para meus olhos acordarem e limparem. Ela estava deitada em seu lado se sustentando com seu cotovelo. De novo,ela estava totalmente vestida,recem saída do chuveiro, e prfeita. Seu cabelo estava todo encaracolado e fofo e incrível. " Seu pai ? " Minha voz saíra sonolenta estalada.

Ela acenou e sorriu. O sorriso a fez parecer tão fraca e pequena. Me fez querer dar a ela o maior abraço que podia. Então eu me aproximei dela,apertei meu braço por debaixo dela,e me puxei para seu peito. Eu fechei meus olhos e usei a ponta dos meus dedos para empurrá-la para as costas.

Talvez agora ela iria me deixar voltar a dormir,porque ela estava me deixando abraçá-la por tanto tempo. Seu cabelo estava tocando minha nuca e sua blusa cheirava tão bem. Tinha o seu cheiro e fez minha boca salivar. Tudo o que pude pensar foi o primeiro dia que trabalhamos juntas quando ela me puxou para a sala dos fundos para arrumar minha roupa e como foi a primeira vez que ela chegara tão perto de mim,que eu não pude evitar em desejar tê-la mais ainda perto de mim.

A próxima coisa que fiz não foi planejada. Eu não esperava fazer isso. Eu apenas quis fazer,e agora parecia a hora perfeita.

Eu me afastei do abraço apenas um pouco,para poder me levantar e empurrar meus lábios nos dela.

Deveria ter sido apenas um selinho. E foi. Mas por um segundo eu senti seu corpo inteiro e sua garganta sugar todo o ar que ela tinha em sua boca. Ela não esperava isso,nem eu.

Foi muito rápido e muito inesperado para mim conseguir qualquer outro sentimento que não fosse implorar para fazer de novo.

Então eu fiz de novo. Eu me inclinei e a beijei novamente. Não foi um selinho dessa vez. Mas também não foi um beijo real. Foi simples e nossos lábios não se moveram.

Eu continuei porque eu estava surpreendida e animada ao mesmo tempo. Eu estava em pânico e era porque eu queria tanto,e estava rezando para que ela estivesse de boa com isso. Beijar nos lábios é um grande passo e talvez eu deveria ter perguntado.

Eu sabia que ela estava entrando em pânico também por que eu podia sentir seu coração bater em seu peito. Eu não sabia exatamente o por que de fazer isso ou o que ela estava pensando. Ela não se separou,embora.

Seus lábios eram gentis e mais suaves agora que estavam tocando os meus. Tocando-os e empurrando os meus nos dela me fez esquecer de como respirar e esquecer de onde eu estava. De começo eu não consegui perceber se isso estava certo,mas agora eu estava fechando os meus olhos e relaxando cada centímetro do meu corpo que não estava tocando sua boca.

É por isso que as pessoas fecham seus olhos enquanto beijam. Eu sempre pensei que era para que o beijo não ficasse estranho. Mas quando você beija alguém como Santana seu corpo inteiro força seus olhos a se fecharem. Coisas assim eram apenas naturais. E se você sonha com seus olhos fechados e chora com seus olhos fechados então é claro que você fecharia seus olhos quando esse tipo de beijo acontecesse. As melhores coisas acontecem com seus olhos fechados porque você precisa sentir tudo. Sonhar era imaginado,chorar era sentido,e esse beijo,era lindo e perfeito.

Eu puxei meus lábios de volta mas não me movi. Então quando eu falei eu,foi contra os seus lábios." Foi tão ruim assim ?" Eu perguntei. Eu não abri meus olhos,porque eu estava esperando que pudesse apenas beijá-la de novo.

Knock. Knock.

Ela atirou-se da cama tão rapidamente que pareceu que alguém a eletrificou.

"Santana,querida." Um homem falou do outro lado da porta.

"Uh,estou trocando de roupa,Papa." Santana foi de fininho até a porta e segurou a maçaneta." Vou sair em um minuto."

"Já é um pouco tarde para estar ainda saindo do chuveiro." Seu pai respondeu. Eu olhei para o alarme ao lado da cama. 7:14. "Você não está com um garoto aí dentro,está ? "Ele não estava brincando ou provocando quando perguntou isso. O jeito que ele perguntou me deu calafrios.

"Não,"Ela forçou uma risada."Claro que não."

Ela se virou para mim,segurou um dedo como se dissesse 'só um segundo',e então saiu porta a fora. Ela a fechou atrás dela e eu ouvi ela conversar com seu pai em Espanhol por um tempo. De novo,eu desejei que tivesse lembrado algo da aula no ensino médio,mas eles estavam falando tão rápidos que eu acho que eu não conseguiria entender nada mesmo que falasse Espanhol.

Eu saí da cama e cruzei as mãos. Eu não tinha certeza para onde ir. E eu não tinha certeza porque ela apenas não disse que eu estava aqui. Ela era proibida de ter amigas ? Isso era bobo e nada a ver porque sua mãe sabia que eu estava aqui.

Santana se espremeu de volta para o quarto. Seu corpo parecia como se tivesse sido usado para saco de pancadas,mas não um saco de pancadas real. Apenas um imaginário que ninguém realmente dá um soco. Acho que ela se esqueceu que eu estava aqui,porque ela estava esfregando as palmas das mãos contra a testa por um tempo antes de olhar para mim.

"Você não pode ter amigas aqui ? " Eu perguntei e sentei de volta a cama.

"Nã dizer,sim." Ela se virou em seu quarto,como se estivesse procurando por algo,e então foi até sua janela." Eu apenas não queria que meu pai ficasse com a ideia errada."

Ideia errada ? O que isso deveria significar ? Como ele ficaria com uma ideia errada ? Ele não viu nada.

Ela falava para a janela enquanto dizia as coisas. "É que...apenas...Eu não chamo amigos para cá. Eu não queria que ele entrasse e você estivesse na minha cama,vestindo minhas roupas." Ela olhou pra mim.

Por que ela não disse ?Ela não queria que ele entrasse e visse nós nos beijando. Eu entendia isso. Claro que entendia. Eu não iria querer ninguém da minha família vendo isso. Não só porque ela é uma garota,mas porque essas coisas são privadas. Mas,eu acho que porque ela é uma garota,fazia as coisas um pouco diferentes. Muito diferentes.

"Meu pai entrou no meu quarto aquele dia." Dei ombros. Ele entrou sem nem mesmo esperar ver Santana,e ele ficou super de boa.

"Bem,meu Papa é...Eu apenas não quero que ele tenha uma ideia errada sobre você."

Eu me levantei." Ok. Então,você quer que eu vá embora ?" Eu olhei ao redor do seu quarto para ver o que eu poderia ter trazido,mas então me lembrei de que não trouxe nada." Eu não tenho carro mas posso andar."

"Não,não." Ela se apressou até mim." Quero dizer. Sim. Você precisa ir. Apenas por agora. Por um segundo. Não quero que se envolva em nada e eu não quero que ele converse com você. Mas você não precisa andar. Meu Papa foi para sua loja. Ele disse que volta em 30 minutos. Eu posso ligar para...Quinn ? "Ela encolheu-se ao dizer o nome de Quinn.

Eu estava tão confusa. Eu não queria deixá-la. Parecia errado deixá-la,especialmente já que ela estava agindo como uma espécie de frenética. A voz de seu pai me deixou no limite. Eu não sabia se tudo seria diferente se eu não tivesse beijado-a. Ela me deixaria conhecer o pai dela e conversar com ele ?

"Ok." Eu concordei e tentei não fazer uma careta.

"Ok." Ela suspirou e sorriu e começou a andar comigo até sua porta. " Tome um banho e eu vou te emprestar algumas roupas. E eu vou ligar para Quinn enquanto você estiver no banheiro. Ela já deve estar acordada. Essa menina é como um relógio ambulante."

Eu deixei ela me guiar até o banheiro. Ela me mostrou onde estava tudo e até ligou o chuveiro para mim. E ela disse que ela iria me trazer algumas roupas e deixá-las no balcão.

Eu tomei banho tão rápido quanto pude. Eu acho que só foi 5 minutos. Meu coração estava latejando tão forte. Eu ficava imaginando seu pai atravessando a porta e me flagrando.

Quando eu sai ela deitou um monte de roupas diferentes pelo balcão. Saias,shorts,jeans,regatas e um vestido. Tinha até maquiagem para mim. Eu não uso muita maquiagem para começo de tudo então eu apenas usei seu lápis de olho e uma máscara.

Então eu coloquei o vestido,porque provavelmente era melhor que eu pegasse apenas uma parte de sua roupa ao invés de duas. Mas então eu me lembrei que meus únicos sapatos eram botas de chuva. Eu acho que botas de chuva não cairíam bem com nenhuma roupa que ela colocara ali,então eu fiquei com o vestido.

Quando eu abri a porta Santana estava esperando do lado de fora. Ela também estava com meus sapatos. "Seus pés são um pouco maiores que os meus. Eu não acho que algum sapato meu vai caber." Ela colocou no chão as minhas botas.

Eu entrei nelas." Tudo bem. Botas são legais."

"É sexta feira,então você vai ter que trocar no trabalho de qualquer modo. Nós vamos fazer aquela coisa de líderes de torcida hoje a noite." Ela colocou sua mão no meu ombro e começou a me guiar para as escadas." Quinn está aqui. Ela está aqui em frente,no carro."

"Okie dokie." Eu disse assim que começamos a descer as escadas. Nós estávamos indo rápidas. Eu tive certeza em olhar cada passo que eu dava,pois minhas botas eram meio desajeitadas e eu não queria escorregar.

"E Britt. Eu sinto muito." Ela me guiou até a cozinha ao invés da porta da frente. " Eu sinto muito muito mesmo. Você não fez nada de errado. Te vejo no trabalho daqui a uma hora. Eu espero que fique tudo bem."

"Tá tudo bem." Eu disse.

A maneira que ela estava falando e agindo e me apressando me lembrou daquela noite que ela ficara na minha casa e aquele sentimento que tive quando pensei que ela iria ver o meu banheiro sujo. O pai dela era apenas uma versão de um banheiro sujo.

Nós paramos no balcão e ela me deu um iogurte,uma colher,e uma banana.

Eu entendia. Digo,eu preferiria ficar aqui,com ela,mas eu entendia. Eu estava apenas confusa. Ela continuava falando que ela sentia muito e agindo como se isso fosse sua culpa,mas eu sentia como se eu tivesse feito algo errado. Eu não deveria estar aqui. Eu não deveria ter beijado-a e deixado ela em pânico.

"Eu não estou te expulsando. E você pode voltar hoje a noite." Santana disse.

"Santana." A voz do pai dela cresceu pela casa.

Ela ficou rígida,agarrou meu braço,e começou a me direcionar até a porta da frente. Ela parecia assustada. Não foi a mesma expressão que ela teve quando ele bateu na porta do quarto. Ela estava completamente apavorada.

Vendo-a desse jeito começara a me assustar,e a ficar com medo por ela. O que ele estava fazendo aqui ? O que o Marcus quis dizer ao comentar que ele era um valentão ? Ele não iria dizer nada ou fazer algo para ela,iria ?

Eu parei quando ela alcançou a porta da frente. " Eu quero ficar." Eu exigi. Eu não podia segurar por mais tempo. Eu não sabia porque estávamos entrando em pânico. Eu não sabia de nada,exceto de que eu havia beijado-a e eu gostei e agora seu pai estava aqui e ele era assustador.

"Não." Santana abriu a porta,agarrou meu braço e me empurrou para a varanda. Ela fechou a porta atrás de nós.

"Mas eu quero,Santana." Eu tentei argumentar com ela. Ela nem estava escutando." Eu não vou ir embora." Eu plantei meus pés na varanda.

"Eu não quero que fique. Você vai piorar as coisas." Ela retrucou. "Vai. Quinn já está te esperando. Não faça ela esperar." Ela apontou para a direção da rua.

Eu olhei e Quinn estava esperando. O carro amarelo quase me cegou. Eu olhei de volta para Santana. Seus olhos estavam tão arregalados e tão perdidos. Eu não podia dizer se ela estava prestes a gritar comigo de novo e pedir para mim ir ou se ela iria me envolver em um grande abraço e pedir desculpas.

Meus lábios tremeram. Eu os fiz parar. Ela já me vira chorar uma vez e eu não iria fazer isso de novo. Mas eu não choraria porque ela disse que queria que eu fosse embora. Claro,isso fazia parte. Machucaria se qualquer pessoa dissesse isso. Eu só estava tão confusa. O que eu iria piorar ? Porque ela não iria nem me deixar tentar conversar com o pai dela ?

Mas parte de mim sabia que o desespero e a imploração dela eram por uma razão. Ela não iria fazer isso se não tivesse um bom motivo. Tudo o que eu podia pensar era o seu pai. Isso que a estava fazendo enlouquecer. Isso era o que a fez chorar quando eu a vi pela primeira vez. E era por isso que eu queria ficar.

Mas eu não queria fazê-la dizer de novo. Ela já me pediu,e então me implorou. E eu com certeza não queria fazer nada piorar.

Então eu me virei e saí. Eu dei dois passos antes de me virar para ela,lhe entregar sua colher e fazê-la pegar. Eu levei a banana e o iogurte comigo,porque você não pode devolver comida.

E então eu comecei a andar até o carro da Quinn. A porta da frente da casa da Santana se abriu e fechou antes de eu ter chegado na metade do caminho até Quinn.

Eu não conseguia nem mesmo pensar em uma explicação. Santana iria trabalhar logo. Eu iria vê-la,então. Ficaria tudo legal. Eu sabia que ficaria tudo bem. Talvez eu não deveria ter beijado-a,embora. Eu não devolveria aquele sentimento por nada,mas talvez eu deveria ter apenas esperado. Eu odiei o fato de não ser nem capaz de pensar sobre isso antes de ter feito e que ela nem teve a chance de me dizer se estava tudo bem com isso.

Quando cheguei ao carro da Quinn ela estava toda sorridente. Mas eu não consegui me fazer sorrir de volta. Eu abri a porta e entrei no banco do passageiro. E mesmo que minha barriga estivesse resmungando eu não abri o iogurte ou a banana. Eu apenas coloquei eles no meu colo.

"Você disse que estava bem no celular ontem a noite. Eu não acredito mais em você." Quinn me olhou por cima do ombro e seguiu para a rua. Acho que ela não viu eu e Santana na varanda. Mas de novo,o jardim da frente da Santana era enorme e o carro da Quinn estava bem longe.

"Eu estou bem." Eu disse. Minha voz saiu sem emoção.

"Bem,coloca seu cinto e me conte o que há de errado." Quinn disse e completamente ignorou o que eu disse sobre estar bem. "E o que ? Santana tem algo melhor para fazer do que te levar para o trabalho com ela ? " Ela balançou a cabeça e revirou os olhos. " Não que eu me importe,porque estou feliz que ela tenha ligado." Ela fez questão de que eu visse seu sorriso,eu acho que ela fez só para me afirmar que ela não teve que fazer muito esforço para vir me buscar.

Quinn era legal e eu não deveria estar tão mal humorada assim quando ela saiu do seu caminho normal para me pegar. Então eu me endireitei,coloquei meu cinto por cima do ombro e o encaixei. "Santana só teve que conversar com o pai dela." Eu disse.

Eu não queria dizer nada sobre Santana,porque beijar era algo pessoal. E as coisas sobre o pai dela eram pessoais. Muitas coisas já saíram de uma vez só e assim parecia seguro em dizer.

Quinn fez uma curva. Ela olhou para mim como se ela não acreditasse em mim e então olhou para frente. E então ela olhou de novo para mim e eu não pude dizer o que ela sabia ou o que ela quis dizer com aquele olhar. "Oh." Foi tudo que ela disse. E então ela não me questionou mais.

Eu fiquei grata que o assunto acabara ali. Eu não queria ter que mentir para Quinn,porque eu era a pior mentirosa e provavelmente era incapaz de fazer isso. Mas eu não queria dizer demais e eu não tinha certeza o que era demais. Eu não sabia nada. Eu não sabia se foi o certo eu ter ido embora. acho. Quero dizer. Santana quis que eu fosse. Mas se ela não aparecer hoje no trabalho na hora certa então eu iria voltar direto para sua casa.

Quando Quinn e eu chegamos ao trabalho,Mercedes já estava lá com Tina. Elas estavam nos fundos colocando suas estava vestindo uma roupa de líder de torcida toda preta,o que era totalmente incrível. Ela meio que parecia uma líder de torcida zumbi,menos toda a maquiagem de zumbi.

Eu coloquei a minha com Quinn. Blusa vermelha e branca,saia vermelha,tênis brancos,e nós duas colocamos nossos cabelos em rabo de cavalos apertados. Me lembrou muito do ensino médio,exceto que nossas roupas não eram dessa cor. E Quinn pareceu totalmente como ela estava no dia em que nos conhecemos.

Mercedes andou até mim assim que Quinn saíra. "Primeiro de tudo,eu não vou nem perguntar o porque ou como você apareceu com Quinn. Digo,você levou essa coisa para um outro nível. Eu te aplaudo garota. E se eu não estou enganada você tem ambas,Santana e Quinn,lutando por sua atenção."

Eu me virei para Mercedes. Foi a primeira vez que sorri desde que saí da casa de Santana." Legal."

"Segundo," Ela levantou sua mão e tocou minhas orelhas." Onde diabos você conseguiu esses aqui ? Eles estavam brilhando do outro lado da sala ."

Eu me esqueci dos brincos de Santana. Eu coloquei ambas minhas mãos nas orelhas só para ter certeza de que ainda estava com eles. "Brilhando ?

"Esses diamantes estão cegando. O segundo que você entrou com essas pedras em suas orelhas,iluminou o lugar inteiro."

Pedras? Mas eles eram arcos..." Eles são arcos"

Mercedes balançou a cabeça e se inclinou um pouco mais próxima. "São lindos. Menina," Ela se inclinou de volta e colocou suas mãos em seus quadris." Quem te deu eles ? "

"Ninguém me deu eles." Eu me virei para olhar ela. Ela tinha o canto de seu lábio levanatado,e eu acho que elas estava esperando para mim falar sobre meu admirador secreto. Espera. Eu pausei. E eu olhei ao redor. Santana era segredo. Segredo por enquanto.

Mas qualquer pensamento sobre Santana agora fazia minha barriga se revirar e não naquela reviravolta como ela me fez sentir outra noite. Eu sentia como se eu tivesse feito algo errado e eu não sabia exatamente o que eu tinha feito,mas eu estava certa de que eu fiz tudo errado.

"Então onde você conseguiu eles." Mercedes continuou a me perguntar. " Porque desse tipo não é barato."

"Santana me emprestou." Eu dei ombros.

Mercedes jogou suas mãos no ar. " Eu desisto. Eu não tenho ideia de como você consegue,mas eu desisto." Ela franziu os lábios e em seguida se sentou e me observou amarrar os sapatos. " Você está bem ? "

Eu fiquei um pouco chocada que ela perguntou isso. Estava tão óbvio ? "To bem." Dei ombros. E eu estava bem. Só preocupada com Santana. Eu queria que ela estivesse bem.

"Ok..."Ela pareceu um pouco hesitante."Você só está parecendo um pouco aérea." Mercedes se levantou. "Oh.E não se esqueça sobre nós,pessoinhas. "Ela provocou e piscou para mim. "Eu sei que você está amando toda essa atenção,mas se você continuar ganhando presentes como esses não se esqueça de que eu não ligo em ganha-los caso não queira." Mercedes saíra antes que eu pudesse dizer algo.

Eu queria continuar a conversar e segui-la,mas eu ainda não pude desligar meus pensamentos em Santana. E então eu me lembrei que eu estava esperando por ela.

Eu corri dos fundos,passei pelo salão principal e sentei,em frente ao estacionamento até nossos turnos começarem. Ela tinha 10 minutos para chegar aqui.