N.A. - Eu sei que ainda devo as respostas dos reviews passados, prometo fazer isso essa semana. Para compensar... Outro capítulo! Espero sinceramente que gostem e me digam o que estão achando.
Vou só adiantar uma resposta: Alguém perguntou a razão do InuYasha fazer tanta questão das luzes apagadas... Bem... Ele ainda está escondendo de Kagome que está cego. É a única razão. XD
Às vezes, somente às vezes, algo é apenas o que está escrito. Sem nada escondido nas entrelinhas.
Until Death
Capitulo 9
Its hard to find forgiveness when we just run out of lies
Its hard to say you're sorry when you cant tell wrong from right
Why don't you look at me 'till we ain't strangers anymore?
Till we ain't strangers anymore – LeAnn Rimes & Bon Jovi
- Sim, foi Kikyou quem feriu InuYasha…
Sangô esperou silênciosamente por longos minutos pela reação de Kagome. Observou com atenção qualquer mudança em sua expressão. Qualquer sinal de surpresa, revolta, irritação. Pronta a defender Kikyou. Ficou surpresa quando viu lágrimas se formarem nos olhos claros.
- Agora tudo faz sentido. – Kagome piscou, limpando as lágrimas disfarçadamente antes de sorrir para a garota que parecia ter parado de respirar esperando por sua reação. – Nada foi um sonho, não é mesmo?
Sangô negou com um aceno e finalmente se permitiu respirar.
- Você... Sabe o que aconteceu com InuYasha?
- Parcialmente, imagino. – Kagome inclinou a cabeça, parecendo considerar sua própria resposta. – Tudo não passa de um embaralhado de pequenas memórias na minha mente. Por isso era mais fácil pensar que tudo não passava de um sonho. Isso nunca aconteceu comigo antes.
- Kagome... – Sangô começou, voltando a se sentar na beirada da cama – Você se lembra de alguma coisa que fez hoje?
Kagome fechou os olhos e franziu o cenho, enquanto tentava ordenar suas lembranças. Separá-las das de InuYasha. Ergueu as mãos, massageando as têmporas quando o esforço pareceu lhe causar dor.
- Acho que invadi o quarto de InuYasha... – Ela começou lentamente, a mão direita baixou para o pescoço e ela deu um pequeno sorriso. – Ele não ficou feliz com isso. – Ela finalmente abriu os olhos. – Acho que não vou tentar mais isso.
- Mais alguma coisa?
- Não que eu tenha feito.
- Desculpe-me? – Sangô sentiu como se seu coração falhasse uma batida ao ouvir aquilo.
- Acho que ainda tenho algumas memórias de InuYasha. – Kagome sorriu como se pedisse desculpas. – Eu me lembro das cicatrizes, e uma luz forte vindo na minha direção... Dor, culpa... Não consigo entender porque ele se sente culpado pela morte de Kikyou se ela o feriu dessa forma. – Inconscientemente a mão de Kagome tocou a lateral do rosto, próximo ao olho direito, novamente. – Estranho, eu pensei que eles se amavam, por que ela o atacaria?
- Não foi intencional! – Sangô pareceu explodir, assustando Kagome. – Ela o amava e isso nunca teria acontecido se... – Ela parou de falar repentinamente, parecendo notar que estava falando demais e assustando Kagome no processo. Baixou a cabeça, sentindo-se o monstro que InuYasha dissera ser por usar a garota para encontrá-lo. – Desculpe-me, você não tem culpa.
- Por que não continua?
- Por que quer saber? – Sangô percebeu como a pergunta soou grosseira e voltou a balançar a cabeça.
- Suas palavras vão completar as lembranças e eu poderei entender.
Sangô a fitou demoradamente, pensando as palavras da garota. Kagome obviamente sabia bem mais do que ela ou InuYasha gostariam, então por que não contar ao menos aquela parte da história?
- Kikyou foi uma sacerdotisa como você já deve ter adivinhado. Ajudava Naraku fazendo o mesmo que você, encontrando yokais. – Esperou que a Kagome dissesse algo, mas ela simplesmente ficou em silêncio, esperando pelo restante. Sangô suspirou e continuou. – Ela estava velha e fraca quando isso aconteceu. Foi tudo um acidente e aconteceu rápido demais, ela queria proteger InuYasha e falhou.
Kagome sentiu a vista embaçada quando a memória voltou. Ela quase podia ver Kikyou, uma figura frágil e ferida, longe demais para que pudesse ser alcançada.
'InuYasha, vá embora! Saia daqui. InuYasha!'
Sentiu mais do que viu seu corpo se mover na direção dela, o peito apertado de medo do que sem dúvida aconteceria, seus pensamentos gritando 'É minha culpa!'. Ele não podia simplesmente abandoná-la. Pouco antes que pudesse finalmente alcançá-la a forte explosão de luz azul vindo em sua direção.
- Kagome? Você está bem?
A garota piscou, percebendo que cobrira o rosto com as mãos. Respirou fundo tentando se acalmar antes de baixá-las.
- Pensei... – Kagome parou quando sua voz falhou. Respirou fundo, endireitando o corpo antes de continuar. – Pensei que todas as sacerdotisas morressem muito jovens.
- Então você sabe o que aconteceria com...
- Comigo? – Kagome completou com um pequeno sorriso. – Sim, eu sei.
- Então... Por que continuar?
- Minha família. – Kagome respondeu, seu rosto perdendo qualquer traço de sorriso. – Eles me disseram que eu não devia voltar à escola depois que meus poderes apareceram, mas eu achava tão injusto... Por que eu deveria me privar de tudo? – Passou as mãos pelos cabelos, afastando-os do rosto. – Acho que nunca acreditei no que Vovô dizia. Parecia ser apenas mais uma de suas histórias loucas sobre yokais malvados para vender amuletos. – Voltou a fitar Sangô. – Sou a culpada por tudo, por que não deveria me arriscar por eles?
- Você acha que Naraku cumpriria qualquer promessa que tenha lhe feito?
- Qual outra alternativa eu tinha? – Kagome suspirou. – Mas a cada vez que um yokai era capturado, cada vez que Naraku me parabenizava pelo serviço bem feito... Eu me sentia morrer um pouco. – Ela baixou a cabeça novamente e seguiu uma das linhas do desenho do lençol com o dedo indicador. – Um amigo me disse que não tem mais esperança que sua própria família esteja viva... Ele... Um dos homens que trabalha como segurança... tem o mesmo tipo de acordo com Naraku.
- Não pensei que ele precisasse disso para convencer os homens que trabalham com ele.
- Bankotsu é... Especial. – Kagome deu um sorriso fraco. – Era o único que se preocupava comigo. – Balançou a cabeça, não querendo pensar no que poderia ter acontecido com Bankotsu no momento. – Eu queria fugir, mas sempre me pegava pensando nas conseqüências. No que aconteceria com minha família se realmente escapasse...
- Mas quando seu amigo lhe contou da própria família...
- Eu percebi que eu podia estar sofrendo em vão, e mesmo que ainda estivessem vivos, quem me garantia que Naraku cumpriria sua promessa depois que eu...
Sangô estremeceu quando a voz da garota pareceu desaparecer, impedindo-a de terminar a frase. Forçou-se a mudar de assunto:
- Você morava em um templo?
- Vovô dizia que havia sido um templo no passado... Se você o visse hoje aposto como não acreditaria nele também. Imagino que nem eu o reconheceria hoje em dia. Uma construção antiga sem ninguém para cuidar.
- Então você estava no colégio quando a encontraram? – Sangô perguntou, sem precisar realmente de uma resposta. Fitava o rosto de Kagome demoradamente desde que ela começara seu relato, tentando adivinhar quanto tempo havia se passado desde que a garota fora capturada.
- Sim, estava.
- Quanto tempo?
- Alguns anos. – Kagome balançou a cabeça, evitando propositalmente a pergunta de Sangô. – Você quer saber o nome da minha família, não quer?
- Acho que não há mais razão para esconder esse detalhe, não é mesmo?
- Higurashi. Kagome Higurashi, ao seu dispor. – Kagome sorriu ao ouvir o próprio nome, sem perceber a reação que causara na outra garota. – Puxa, faz muito tempo que não digo isso.
- Por que não quer me dizer quanto tempo...?
- Porque sei que você vai tentar adivinhar quanto tempo ainda me resta. – Kagome respondeu calmamente. – Que tal se eu for com você até a cozinha? Estou realmente faminta!
Sangô concordou com um aceno e ergueu-se da cama, um pouco chocada quando a garota a imitou, sem nenhum sinal de fraqueza. Forçou um sorriso ao perceber que ela tentava não demonstrar como realmente se sentia. Não tinha o direito de forçá-la a lhe contar mais detalhes quando ela mesma estava tinha segredos que não podia revelar.
Seguiu-a pelo corredor, na direção da cozinha, prometendo a si mesma que encontraria a família de Kagome. Se ainda estivessem vivos.
oOoOoOoOoOo
InuYasha suspirou, encostando a testa sobre os braços apoiados sobre os joelhos quando as duas garotas deixaram o quarto. Não ouvira toda a conversa, mas pelo que tinha entendido Kagome resolvera contar parte de sua história pra Sangô, e ele não conseguia parar de pensar na mesma dúvida de Sangô. Quanto tempo Kagome permanecera com Naraku?
Talvez não fosse tarde demais para salvá-la como havia sido para Kikyou. Talvez, apenas talvez, aquela garota não precisasse ter o mesmo destino.
Ouviu os passos de Miroku e teve que relutar contra o instinto que lhe dizia para fugir novamente e voltar para o quarto. Mesmo que não admitisse, se sentia fraco e continuar com aquela pequena brincadeira de gato e rato não ajudaria a melhorar seu estado. Limitou-se a levantar a cabeça e passar os dedos pelos cabelos:
- Você é lento.
- E você não deveria estar fora da cama. – Miroku suspirou. – Como acha que vai se recuperar dessa forma?
- Não tão grave quanto parece.
- Esse é o problema, InuYasha, parece grave. – Miroku sentou-se ao lado do hanyou – E você sabe qual vai ser a reação daquela garota lá dentro se descobrir que você está espionando em vez de descansar.
InuYasha sentiu o corpo retesar por um segundo até perceber que o outro rapaz falava de Sangô.
- Ela só vai descobrir se você contar. – InuYasha respirou fundo, sentindo o peito levemente dolorido com o movimento. – Ela está ocupada com a garota no momento, não vai perceber o que estive fazendo.
- Você está preocupado com ela, não está? – Miroku sorriu quando o hanyou virou a cabeça em sua direção. – Não, eu não ouvi a conversa, se é isso que está pensando, mas imagino que não se daria a tanto trabalho para espioná-las se não estivesse preocupado.
- Só queria me certificar que Sangô estava me obedecendo ao menos uma vez na vida.
- Sim, é claro que estava. – Miroku tentou não rir daquela desculpa. – Está satisfeito? Vai voltar para o quarto ou pretende segui-las até a cozinha para ouvir um pouco mais?
- Já falei que não estou espionando!
- Então vai voltar para o quarto? – Miroku ignorou o rosnado baixo que partiu de InuYasha e levantou, estendendo a mão e segurando seu braço para ajudá-lo a levantar.
- Não sou completamente inútil, você sabe. – O hanyou falou, aceitando a ajuda e caminhando pela varanda escura sem dificuldade na direção da janela do próprio quarto.
- Aceite, todo mundo precisa de ajuda às vezes.
- Feh.
- Ouviu algo interessante?
- Nada que seja da sua conta. – InuYasha livrou o braço que o rapaz ainda segurava e entrou pela janela sem demonstrar qualquer sinal do incomodo que sentia com o movimento. Virou-se para a janela assim que Miroku passou por ela. – Oi, você ainda tem contato com aquelas pessoas?
- Se por 'aquelas pessoas' você quer dizer o grupo de refugiados que cuidavam de templos, a resposta é sim. – Ele deu de ombros, mesmo sabendo que o gesto era inútil como qualquer resposta para o hanyou e completou. - Eu posso ter ouvido o final da conversa entre as duas enquanto procurava por você. – Miroku esperou que o hanyou se movesse para que ele pudesse entrar, mas isso não aconteceu. – Vai mesmo me fazer dar a volta na casa?
- Eles ainda têm registro das famílias que foram capturadas? – InuYasha perguntou, sem se mover.
- Acredito que sim.
- Descubra o que puder da família Higurashi.
- Higurashi, certo. – Miroku concordou. – Posso entrar agora?
- Pode dar a volta na casa. – InuYasha sorriu maldosamente, fechando a janela.
oOoOoOoOoOo
- Estava começando a pensar que você dormiria no quarto dela.
Sangô virou lentamente para fitar o rapaz sentado na cama, fitando-a preocupado. Aproximou-se da cama, sentando a seu lado, sentindo parte da tensão deixar seu corpo apenas com sua proximidade. Preferia não pensar quando se tornara tão dependente de Miroku.
- Ela adormeceu enquanto ainda estávamos conversando, e por mais que eu desejasse me aproveitar disso para tirar um pouco mais de informações... – A garota suspirou. – InuYasha está certo, eu já a prejudiquei demais, Kagome precisa descansar para se recuperar.
- Pensei que ela tivesse contado seu nome. – Miroku suspirou quando a garota ergue a cabeça para fitá-lo. InuYasha ficaria lhe devendo por essa pequena mentira. – Ouvi por acaso quando deixei InuYasha dormindo.
- Quero saber quanto tempo ela passou com Naraku.
- Por quê?
- Quero saber... Se ela ainda pode ser salva.
- E se não puder? – O rapaz segurou o braço de Sangô, impedindo-a de levantar. – Por que se magoar assim? Ela não é Kikyou.
- Eu sei! – Sangô desistiu de tentar se soltar. – Mas foi por garotas como ela que Kikyou morreu. Foi por causa de garotas como ela que InuYasha...
- Sangô... – Miroku a abraçou quando a garota não conseguiu continuar. – Eles fizeram muito, tudo o que podiam. Kikyou não queria que outras garotas tivessem o mesmo destino que ela teve. Sem escolhas.
- Eu sei. – Sangô repetiu, descansando o rosto no ombro dele.
- InuYasha faria tudo novamente, você sabe disso.
Sangô concordou com um leve aceno.
- Se Kagome não quer lhe contar, deve ter seus motivos.
- Ela não quer que nos preocupemos com ela. – Sangô passou os braços pela cintura do rapaz, deixando que ele a puxasse para mais perto. – Ah, Miroku, ela é tão nova, mesmo que aquele olha perdido e cheio de angústia não demonstre... Não é justo. Ela não deveria estar se preocupando com coisas desse tipo, deixando sua saúde de lado, impedindo que alguém se preocupe com ela.
- Eu sei, querida, eu sei.
oOoOoOoOoOo
InuYasha ouviu o som de passos leves dentro do quarto, abriu os olhos instintivamente apenas para se frustrar com a escuridão novamente. Praguejou baixinho, sentando-se na cama e parou ao reconhecer o cheiro de Kagome.
- O que você quer?
Kagome estremeceu ao ouvir a voz masculina, suas mãos apertaram a espada com força contra o peito.
- Eu não queria acordá-lo.
- Óbvio, ou não estaria se esgueirando dentro do quarto escuro. – InuYasha disse, esperando que ela confirmasse suas palavras.
- Desculpe.
- Tudo bem. – InuYasha respondeu, esperando que o alivio não aparecesse em sua voz. – Ainda não respondeu o que quer aqui.
- Sua espada. – Kagome disse, dando um passo na direção da cama, estendendo o objeto ao alcance do hanyou. Percebeu a forma como isso o fez se retrair e a interpretou como irritação. – Vim devolver sua espada, você a deixou cair no outro dia.
- Pode deixá-la ao lado da cama. – InuYasha falou, desejando, tarde demais, que ela não estivesse lhe estender a espada. Ouviu os passos leves se aproximarem da cama e o conhecido som da arma encostando no chão enquanto ela a depositava ao lado da cama, apoiada à parede. Aguardou por alguns minutos pelo som dos passos se afastando e quando isso não aconteceu, perguntou. – Você quer mais alguma coisa?
- Tive outro sonho. – Kagome falou simplesmente, como se esperasse que ele soubesse do que se tratava.
Infelizmente, InuYasha sabia. Naquelas duas semanas desde que chegara a garota tivera o mesmo sonho e, embora ele não soubesse de todos os detalhes, poderia usar a própria imaginação para preencher com imagens o que as palavras que ela pronunciava antes de despertar queriam dizer.
- Você sonha com sua família. – InuYasha recostou-se na cabeceira da cama, parecendo não mais se importar com a presença da garota. – Não consegue salvá-los?
- Não. – Kagome respirou fundo, torcendo os dedos, ainda em pé ao lado da cama. Em outra ocasião se sentiria incomodada com essa intimidade entre os dois, mas no momento estava agitada demais com as lembranças do sonho ainda frescas na memória. – Eu nunca consigo.
InuYasha fechou os olhos inconscientemente. Sentia-se estranho por entender o que ela dizia. Desejar tanto salvar alguém e falhar todas as vezes, mesmo que em sonho.
- Naraku sempre me impede... – A voz de Kagome pareceu falhar e o restante da frase saiu entrecortada, como se ela tivesse que forçá-la a deixar seu lábios. – Ele diz que eu sou a culpada... Por ter fugido. Só consigo ver os três dentro do templo em chamas.
- É sempre igual. – InuYasha disse. Uma afirmação e não uma pergunta.
- Sim, exceto...
- Por duas noites atrás. – InuYasha completou. – O que mudou?
- Eu consegui chegar até eles, queria tirá-los de lá, mas não conseguia. – Kagome estremeceu, abraçando o próprio corpo. – Então eles começaram a me culpar, dizer que tudo era minha culpa. Souta dizia que Mama e Vovô tinham morrido por minha causa. Quando as chamas se fecharam a nossa volta, eles me seguraram... Acho que queriam que eu morresse também.
Demorou longos minutos antes que a voz de InuYasha quebrasse o silêncio.
- Você se acha culpada pelo que quer que tenha acontecido com eles?
Kagome concordou com um aceno, as lágrimas que conseguira conter com custo quando acordara a pouco tempo atrás, voltando a deixar seus olhos.
- Mama e Vovô me disseram para não deixar o templo quando meus poderes se manifestaram, mas... Era tão injusto ter que abandonar minha vida por uma bobagem que eu nem acreditava.
- Mesmo depois de ter seus poderes você não acreditou?
- Quando foi a última vez que você viu uma sacerdotisa? – Foi a resposta de Kagome, seguida por um riso sem humor. – Por toda minha vida, eu nunca encontrei alguém como eu... – Ela respirou fundo, passando as mãos pelo rosto em uma tentativa patética de enxugar as lágrimas que insistiam em deixar seus olhos. – E toda àquela bobagem de que existiam pessoas que capturavam... Pessoas com eu... Por quê? Por que eu devia acreditar?
- Como capturaram você?
- Vovô havia entrado em contato com alguns amigos, deixaríamos a cidade no dia seguinte... – Kagome respondeu, sentando-se na beirada da cama. Se o hanyou teve alguma reação com seu gesto, passou desapercebida. – Eu só queria ter a chance de me despedir de meus amigos.
- Você os viu serem levados?
- Sim. – Kagome mordeu os lábios, tentando conter o soluço preso em sua garganta. As lágrimas se tornaram mais presentes, impossíveis de serem escondidas e ela baixou a cabeça, escondendo o rosto nas mãos enquanto seus ombros sacudiam levemente. – Sim, eu vi.
InuYasha apertou com força os lençóis, ao ouvir os soluços abafados da garota soando tão perto. Ela parecia tão indefesa e inocente. Tão ansiosa para que alguém a consolasse. Kikyou fora assim um dia. Tão inocente, ignorante dos próprios poderes e do que suas ações provocavam nos outros.
- Desculpe. – Kagome murmurou, novamente enxugando as lágrimas com as mãos. – Desculpe por ter ferido você naquela noite. – Sua voz soava enrolada, quase incompreensível em meio aos soluços que ela ainda tentava conter. – Eu não sabia... Eu não sabia que podia ferir—
Ela parou de falar, as palavras perdendo-se quando o hanyou a abraçou com força, puxando-a contra seu corpo. Um alerta soou em sua mente quando sentiu o tecido das ataduras que cobriam o peito de InuYasha sob suas mãos, mas ela não conseguiu reunir forças para se afastar. Mesmo sabendo que ao primeiro sinal de protesto ele a libertaria, não conseguiu desejar realmente manter alguma distancia da primeira pessoa em muito tempo que lhe oferecia algum conforto.
- Perdoe-me, InuYasha. – Kagome repetiu uma última vez antes que sua voz parecesse desaparecer. Sentiu ele apoiar o queixo em seu ombro e fechou os olhos, passando os braços pelo torso do hanyou, permitindo-se relaxar em seus braços.
- Você não precisava ter me contado. – InuYasha forçou-se a dizer, tentando inutilmente manter alguma parte de si afastada do que estava fazendo. - Eu prometi que a ajudaria, não prometi?
- Sim, precisava. – A voz de Kagome soou fraca, demonstrando os primeiros sinais de cansaço pelo que havia ocorrido nos dois últimos dias. – Porque agora... Eu sei mais de você... Precisava lhe dar algo em troca.
- Sabe?
- Sim... – Kagome fechou os olhos, sem forças para continuar acordada. – Eu sei sobre Kikyou.
InuYasha sentiu o próprio corpo retesar e afastou-se um pouco da garota. Sentiu o corpo feminino encostar-se no seu novamente, totalmente adormecido. Gostaria de poder enxergar neste momento para poder ver o semblante da garota com clareza. Recostou-se na cabeceira da cama novamente, permitindo que Kagome usasse seu peito como travesseiro.
'Eu sei sobre Kikyou.'
O hanyou fechou os olhos, perguntando-se exatamente quanto ela sabia sobre Kikyou. Sangô nunca contaria tudo, muito menos a uma desconhecida. Kagome teria que ter descoberto algo sozinha para convencer a outra garota a lhe contar nem que fosse uma versão resumida dos acontecimentos.
'Porque agora... Eu sei mais de você... Precisava lhe dar algo em troca..'
Naquele momento, ainda com a garota dormindo em seus braços, ele pensou como aquilo parecia desnecessário. Porque desde o momento que acordara naquela manhã, ele sentia que sabia mais sobre ela também.
