Saga de Poseidon – Versão Dourada

Capítulo 10

Em frente ao pilar do Pacífico Sul, ambos os combatentes se encaravam. De um lado, o cavaleiro dourado Mu de Áries; de outro, o general marina Io de Scylla.

Pouco após Dohko derrubar o pilar, Mu e Aiolia recobraram a consciência e os três seguiram para o centro do templo. No caminho, encontraram Milo e Shaka, ambos retornando de suas batalhas. Como haviam faltado dois pilares, Mu e Shaka foram voluntários para derrubar-los; enquanto isso, os três outros cavaleiros iriam atrás de Poseidon. Kiki levava as Armas de Libra para o pilar do Atlântico Sul, onde Aldebaran deveria estar enfrentando um dos Generais.

Mu se sentia culpado por ser o único entre eles que não havia derrubado um pilar; pior ainda, se sentia com certa vergonha por ter sido derrotado com tamanha facilidade. Além disso, ele suspeitava que havia algo por trás dessa guerra e Shaka e Dohko também pareciam ter tais suspeitas. Por isso Dohko aceitou mandar Mu e Shaka para os pilares restantes; graças aos seus poderes psíquicos, os cavaleiros de Áries e Virgem talvez fossem os únicos capazes de descobrir a verdade e talvez até parar essa guerra.

Mu havia ido ao pilar do Pacífico Sul. Mal chegou, foi recebido pelo seu guardião, Io, e logo percebeu que não era ele quem estava por trás de tudo. Parecia um guerreiro honrado, e Mu podia sentir que era muito dedicado a Poseidon.

Io, por sua vez, estava um pouco nervoso. Sabia que quatro pilares já haviam caído, e podia sentir que Sorento estava em combate também. Não só isso, mas já havia escutado histórias sobre o Cavaleiro de Áries e seus poderes psíquicos.

Mas isso não importava. Sempre esteve preparado para morrer por sua causa, e não era agora que iria se acovardar.

"Se você vai desistir, faça isso agora." A voz de Mu interrompeu o pensamento de Io.

"Acha mesmo que eu desistiria? Vamos ver se você tem motivos para tal confiança!"

De repente, um brilho forte bloqueou Io da vista de Mu. Do meio da luz, Mu viu o que parecia ser uma águia vir em sua direção.

"Águia Poderosa!"

Surpreso pelo ataque, Mu não desviou e acabou atingido. O golpe fez Mu recuar, embora tenha se mantido de pé, e o cavaleiro sentiu um pequeno corte em seu rosto. Entretanto, ele conseguiu ver a verdadeira natureza do golpe: era um ataque físico, Io o atingira com as garras presentes no braço de sua armadura.

"E então, Cavaleiro de Áries? Isso foi apenas uma demonstração, na próxima não o pouparei." ameaçou Io.

Mu apenas limpou o sangue do ferimento, sem se preocupar com a ameaça de seu oponente. "Acho que é você quem deveria estar preocupado, Scylla."

Ao ouvir Mu falar isso, Io foi surpreendido por uma forte dor em seu pulso esquerdo. Olhando para ele, viu rachaduras naquele local e o pulso de sua Escama se quebrou. O pior era que aquela parte da Escama era necessária para o uso de uma de suas técnicas, a Serpente Assassina. "Como ele revidou meu ataque sem eu perceber?"

"Vou repetir o que disse antes. Desista agora e pouparei sua vida." falou Mu. "Você não é meu inimigo, apenas está sendo usado. Não quero ter que tirar sua vida."

"O que você quer dizer com isso?" perguntou Io, confuso.

"Vocês, Generais, estão apenas sendo usados. O próprio Poseidon é apenas um fantoche."

"Você está querendo dizer que alguém está manipulando o imperador?" disse Io, incrédulo. Com a afirmativa de Mu, deu uma risada. "Se queria me convencer a desistir, deveria ter inventado uma história melhor!"

Falando isso, Io avançou sobre Mu, apontando para ele com o braço direito esticado. "Ferrão da Abelha Rainha!"

O ataque não chegou a atingir o cavaleiro, que desapareceu instantes antes do contato. Io não sabia se ele havia usado teletransporte ou apenas sua velocidade, e nem teve tempo de ponderar sobre isso: virando-se rapidamente, viu Mu girar no ar, levantando o braço e apontando para a direção do General.

"Revolução Estelar!"


No pilar do Atlântico Sul, Sorento sorria vitoriosamente diante da Armadura de Touro. Havia derrotado Aldebaran de uma vez por todas, e nem a interferência de Athena havia impedido.

Mas agora tinha outras preocupações. Sentia que três cavaleiros estavam a caminho do templo onde Poseidon estava, e sentia que outros dois estavam a caminho dos pilares remanescentes: o Pacífico Sul, de Io, e o Atlântico Norte, de Kanon. Aliás, sentia que o cavaleiro a caminho deste último era o mesmo que havia derrotado Krishna.

"Quem sabe não seja melhor dar uma ajuda ao Dragão Marinho?" pensou Sorento. Kanon não era exatamente o que chamaria de 'amigo', mas ainda assim era um guerreiro muito poderoso que lutava por Poseidon, e ele o respeitava. Mas tinha que admitir que tinha dúvidas quanto as verdadeiras intenções do General; suas ações recentes eram muito suspeitas... "Isso não importa agora, mais tarde conversarei com ele sobre isso."

Indo em direção ao caminho para o pilar do Atlântico Norte, Sorento parou de repente. Sentia um cosmo forte vindo do local onde estava, forte o suficiente para paralisar-lo momentaneamente. Sentia uma sensação de déjà vu; já havia presenciado isso antes...

Seus olhos se arregalaram quando se lembrou. Virando rapidamente, viu a Armadura de Touro brilhar e ressoar, um cosmo dourado cobrindo-a. Após um breve momento em que houve um brilho intenso, forçando Sorento a cobrir o rosto com o braço, aonde antes a armadura tomava a forma de um touro agora ela estava em sua forma 'humana', sendo vestida por seu dono. Aldebaran estava de pé, sem nenhum ferimento e com os braços cruzados.

"M... Mas... Como? Como você continua vivo após receber o meu ataque final? Você é imortal, Touro?" perguntou Sorento, tão chocado com o que via que esquecera que Aldebaran não o escutava.

Mas o Cavaleiro de Touro entendeu o que ele disse pela expressão em seu rosto. Com um sorriso quase que de superioridade, respondeu "Você já havia tentado usar essa técnica contra mim antes, Sorento. E nós, Cavaleiros, podemos aprender a contra-atacar uma técnica após ver-la apenas uma vez. Em outras palavras, sua técnica não funcionará duas vezes contra um cavaleiro."

Sorento ficou surpreso ao ouvir o que ele disse. Se isso fosse verdade, então ele não teria nenhuma chance contra o Cavaleiro de Touro: o cosmo de Athena bloqueava o efeito de sua outra técnica, e não possuía outra forma de atacar-lo. Ao mesmo tempo, isso fez o General se lembrar de Io de Scylla: só poderia torcer para que ele não fizesse a burrice de mostrar todas as suas técnicas para seu oponente.

"Diga-me, Sorento, essa 'regra' também funciona com vocês, Marinas?" perguntou Aldebaran, uma expressão séria em seu rosto. Mas, de repente, ele começou a rir, para a surpresa- e medo- de Sorento. "Até me esqueci que não ia escutar sua resposta. Então, que tal uma demonstração prática?"

Ao falar isso, o cosmo de Aldebaran se intensificou e agitou o ar ao seu redor, mandando uma forte corrente de ar ao encontro de Sorento. O General conseguiu se manter de pé, mas a rajada de vento conseguiu fazer-lo recuar. Sentindo que o Cavaleiro de Touro iria atacar, Sorento rapidamente se movimentou, pulando para o lado e escapando da trajetória do ataque momentos antes dele ser lançado. Realmente, com a velocidade do golpe, Sorento teria sido destroçado se tivesse demorado mais um instante.

Para sua surpresa, entretanto, Sorento sentiu algo colidir com ele em alta velocidade quando tocou o chão. Era uma força poderosíssima, e sabia de onde era.

"Grande Chifre!"

O ataque de Aldebaran atirou Sorento no ar, a força atravessando pela Escama de Sirene- que fora quase toda destruída- e atingindo o corpo de Sorento diretamente. O General sentia como se o interior de seu corpo estivesse sendo perfurado, como se seus ossos fossem perfurados por chifres. Ele continuou a voar até atingir o pilar que defendia, e de lá cair ao chão. "Quando foi que ele lançou o ataque?"

Sorento tentou se levantar, mas percebeu que não conseguia. Levantando o rosto para olhar para Aldebaran- algo impressionante, pois qualquer movimento fazia seu corpo doer, e sua visão ficava cada vez mais turva- viu que o Cavaleiro vinha em sua direção. "Sem dúvida para terminar o trabalho. Provavelmente seu cosmo voltou a oscilar naquele momento." Pensou Sorento, acreditando que apenas teve o azar de não morrer rapidamente.

O General foi surpreendido quando, ao invés de atacar-lo, Aldebaran segurou-o pelo que restou de sua Escama e o carregou para longe do pilar.

"Não se preocupe, não irei matar-lo. Tomei cuidado para que meu ataque não fosse mortal." Aldebaran falou isso como se fosse a coisa mais normal do mundo, e logo percebeu o espanto no rosto de Sorento. "Não me olhe assim, eu não fiquei louco. Você é uma pessoa boa, Sorento. Ninguém que não fosse puro de coração conseguiria tocar uma melodia como a sua."

Colocando Sorento no chão, longe do pilar, Aldebaran riu e falou novamente. "Quem sabe eu não seja um pouco louco mesmo. Deixei os cavaleiros de bronze passaram durante a batalha do Santuário, e agora estou deixando outro inimigo viver! Mas eu sinto que não devo matar-lo, e eu confio nesse sentimento. Quem sabe eu não esteja certo de novo, assim como estive com Seiya e os outros?"

Voltando-se para a direção do pilar, Aldebaran percebeu que Kiki estava já ali. O garoto havia visto a cena, e sentia um pouco de respeito surgir pelo Cavaleiro de Touro- apesar do que seu mestre falava, Kiki sempre teve um certo medo do gigante. Primeiro tentou falar e explicar o que trazia para Aldebaran, o que não deu muito certo considerando que ele não o escutava. De repente, um clarão surgiu da caixa que Kiki carregava e duas luzes saíram de dentro dela, voando para longe. Aldebaran pôde ver que eram, na verdade, escudos.

"As armas de Libra? É isso que você está trazendo, Kiki?" O garoto balançou a cabeça afirmativamente e, pegando algo de dentro da caixa, entregou-o para o Cavaleiro.

Usando a barra tripla, Aldebaran atacou o pilar, e ficou impressionado com o poder destrutivo da arma ao ver o pilar ser destruído. Olhando para o lugar onde havia deixado Sorento, não ficou surpreso ao ver que o General já não estava mais ali.

"Vamos Kiki. Sinto que Mu já está quase terminando sua luta, é melhor você ir para o pilar do Pacífico Sul. Diga a ele para se reunir conosco no templo de Poseidon." Confirmando a ordem de Aldebaran, Kiki correu para o pilar onde seu mestre estava.

Quando estava prestes a ir também, Aldebaran sentiu algo bater em seu pé. Olhando para baixo, viu que era seu capacete.

Agora que tinha conseguido derrotar Sorento, Aldebaran havia provado para si mesmo que merecia usar-lo de novo. Só agora realmente podia se sentir digno da constelação de Touro.

Pegando o capacete, Aldebaran colocou-o, um sorriso em seu rosto. Em seguida, se pôs a caminho do templo de Poseidon, indo ajudar seus companheiros na batalha final.


Ta aí, o capitulo dentro da data prometida. Continuo agradecendo a quem continua lendo a história; já ta quase alcançando 800 hits(rumo ao 1000!)

Diferente da cultura atual, em que o chifre é meio... degradante para um homem, em muitas culturas antigas ele era visto como símbolo de poder e superioridade eram usados por líderes e guerreiros. Por isso o motivo do Seiya ter passaddo após quebrar o chifre: ele se provara superior a Aldebaran ao fazer isso. Ele recusou recuperar o chifre pois, para isso, teria que provar que o merecia(ou seja, derrotar Seiya). Daí veio a idéia dele se recusar a usar o capacete até vencer o Sorento. A personalidade dele vem da Enciclopédia, que o descreve como alguém que bota o que sente acima de tudo, até da razão.

Esqueci de mencionar no último capítulo, mas a idéia do cosmo do Aldebaran oscilar veio da fic Temporitis Actis, de Krika Haruno. Pode parecer algo de pouca importância, mas gosto de dar crédito a quem se deve.

Espero que continuem gostando da fic, e a luta do Mu continua no próximo capítulo. Até lá, divirtam-se.