Doce Lar
Nos capítulos anteriores:
-Ei, será que você ganhou a aposta? Já passou mais de um minuto? - perguntou ele, olhando para onde estavam Sirius e Mary. Eu segui o olhar dele e vi que os dois se beijavam. E Sirius parecia beijá-la com mais delicadeza do que eu esperaria de alguém como ele. Eu sempre imaginara o beijo de Sirius como sendo um daqueles desesperados, ardentes e... ruins. Mas isso era só por que eu nunca gostei dele. E bem, ver ele com a Mary, um sonho que ela tinha há tanto tempo, não me satisfazia muito. Por que ele era o Sirius. Me angustiava, na verdade. Pois Sirius só estava com ela por que estava com raiva de Marlene, que havia preferido o Carter. Eu suspirei e me voltei para Oliver.
-Eu acho que eu perdi. - fiz uma cara triste.
-
-Bem. - eu me voltei para Oliver.
-Bem. - ele repetiu, me olhando e sorrindo.
-Eu tenho que ir.
-E você acha que eu vou te deixar ir?
-Se eu pedir com jeitinho, acho que sim.
Ele riu.
-Me dá o seu telefone, vai.
-Achei que você nunca ia pedir.
-
-Ahm, me desculpem, eu não sabia que vocês...
-Não tem problema. - disse Remus. - Eu a deixo em casa e depois volto, Andy.
Andy sorriu, aliviada.
-Me desculpe. - ela disse. - Nem me apresentei. Andrômeda Black.
-
-Você esqueceu o James, então? - perguntou Mary.
-Ahm. Eu não saberia dizer. Acho que não.
-Mas você não se incomoda por ele ter passado a noite com a Judith? - perguntou Marlene.
-Eu me incomodaria muito mais se ele tivesse passado a noite com a Lorraine. - eu respondi.
-
-É, minha mãe mencionou. - eu respondi. Então era só isso? Tudo o que ele queria era falar sobre um jantar beneficente estúpido? Tá, não era estúpido, é por uma causa nobre. Mas eu estava torcendo para que fosse outra coisa.
-Hm. - James ficou um tempo pensativo - E ela mencionou que quer que nós dois dancemos valsa para abrir a pista de dança?
-
-E que tal você procurar alguém com quem você possa formar algum laço afetivo? - eu perguntei, sentindo como o ritmo de meus batimentos cardíacos aumentar. Ai. Meu. Deus. Eu não posso realmente estar dando conselhos amorosos pro James. - Sabe, já está na idade certa pra levar algumas coisas a sério, eu acho.
James me acompanhou e puxou uma cadeira para se sentar a minha frente. Ele sorriu.
-Talvez eu já tenha encontrado.
Capítulo nove: Namoro Anunciado.
Oliver apareceu na escola para me ver terça-feira. Foi super fofo e ele estava muito bonito, além de todo carinhoso e cuidadoso. Carter apareceu junto a ele, para ver Marlene, o que não deixou Sirius nem um pouco satisfeito ao avistá-lo no portão da escola. Eu e Marlene saíamos juntas para irmos para a parada de ônibus quando nos surpreendemos ao vê-los ali no portão, nos esperando.
Oliver me envolveu em seus braços e me deu um beijo demorado. Quando nos separamos pude ver que Carter e Marlene faziam o mesmo.
-Surpresa. - disse Oliver, sorrindo.
-Ótima surpresa. - respondi eu.
Nós nos beijamos novamente e quando o beijo se findou eu vi James e Sirius parados próximos a nós, esperando o momento oportuno para cumprimentar ao Carter e ao Oliver.
-James, Sirius! - Oliver exclamou, cumprimentando a ambos. - Vocês ficaram sabendo do showzinho sábado?
Ah, conversas de rockstars frustrados/em ascensão. Preparei-me para me sentir excluída, mas continuei prestando atenção neles.
-Impossível. - respondeu James. - Eu já tenho um compromisso no sábado.
É mesmo, o tal do jantar beneficente. Eu tinha de contar a Oliver. Ou não...
Oliver pareceu realmente desapontado. Carter se aproximou, um de seus braços enlaçando a cintura de Marlene.
-Vocês não vão poder ir? É uma pena. Vai ser muito bom. - ele se voltou para Marlene. - Você vai? - Marlene assentiu.
Que ótimo, e eu não poderia contar com a minha melhor amiga em um momento de crise como o que eu teria que dançar valsa com James. Maravilha.
-Nós temos que ir - disse Sirius, seco. - Temos que encontrar a nossa produtora. - acrescentou ele, tentando soar um pouco mais simpático. Eu imaginei que ele estivesse delirando ou inventando, já que a The Marauders não tinha produtora.
Então resolvi provocá-lo:
-Desde quando vocês têm produtora?
-Nós não temos. - respondeu James.
-Ainda. - completou Sirius. - Nós estamos pensando em "contratar" a Lorraine. Afinal, ela fez um ótimo trabalho arranjando aquele show para nós.
Oliver assentiu.
-Nós estávamos pensando nisso também. Mas acho que ela não tem tempo para as duas bandas, já que ela ainda não se formou, né? - falou ele.
Eu senti um aperto em minha barriga. Que droga. Lorraine tinha que se meter até com o Oliver?
-Não sei. - respondeu James, um pouco distraído. - Eu posso falar com ela. Mas agora estamos indo. Bom ver vocês, caras.
Todos se despediram e nós continuamos ali no portão, eu abraçada a Oliver e Marlene abraçada a Carter.
-Que tal nós irmos nos alimentar, então? - sugeriu Henry.
Nós aceitamos com entusiasmo a idéia de Henry e começamos a andar pelo estacionamento, até os respectivos carros deles. Senti uma certa excitação ao entrar sozinha no carro de Oliver, ao mesmo tempo de um certo medo. Estaríamos nós dois sozinhos ali dentro, todo o caminho até a pizzaria. E não que eu me importasse, mas reparei que o carro dele estava longe de ser como o de James. Aliás, me surpreendi de ele ainda estar rodando, de tão caído aos pedaços que ele parecia. Entretanto, isso apenas apontava uma grande diferença entre Oliver e James: o primeiro era sem dúvida mais maduro que o segundo, já que contava apenas com o dinheiro proveniente de seu próprio suor, e não de um pai rico.
-Lily, eu fiquei sabendo que você e Marlene saíram com Henry e Oliver ontem ! - comentou Mary, tentando soar animada, quando nos encontramos no dia seguinte. - Parece que está dando tudo certo, então!
Eu sorri.
-Acho que sim. - respondi. - E com você, está tudo certo?
-Claro! - exclamou ela, forçando um sorriso.
-Até parece né, Mary. - eu respondi, em descrença.
Um silêncio desconfortável nos envolveu, enquanto Mary evitava o meu olhar e fingia uma cara dócil e normal. Até que ela suspirou profundamente.
-Eu sei que eu não deveria esperar por mais. - falou ela, enfim. - Eu não exatamente espero por algo a mais, sabe. Mas eu acho que eu só queria poder ficar com ele por mais uma vez.
Eu sorri para ela, em compreensão aos seus sentimentos. Eu sabia que isso aconteceria. Horas após ter conseguido realizar o sonho que há tanto ela carregava, seus sentimentos correspondiam apenas a uma pura e simples explosão de alegria. Mas o impulso inicial da explosão já havia esgotado. E agora ela queria mais.
-Eu vou tentar falar com o Sirius ou com o James. - falei eu, confiante. - Por que você não vem ao jantar beneficente que a minha mãe e o Sr. P estão realizando? Eu arranjo um jeito de você entrar sem pagar nada. E o Sirius vai estar lá.
Mary me envolveu em seus braços com um abraço longo e agradecido.
-Obrigada, Lily. Você e Marlene são mais do que eu mereço. - disse ela, emocionada.
Eu não havia esquecido minha resolução de falar com Sirius ou com James sobre Mary, mas, primeiramente, eu precisava tirar satisfações com uma pessoa. E essa pessoa atendia agora pelo nome de Karen Potter. Então, ao chegar a casa, largar as minhas coisas de qualquer jeito em cima do sofá, tirar os tênis e as meias e largá-las no corredor, a primeira coisa que fui foi sair gritando à procura de minha mãe. E ela logo me respondeu, dizendo que estava em seu quarto.
Eu achei-a, finalmente, e estava ofegante.
-Mamãe... - comecei eu, em um tom quase choroso. - Digo, Karen. - recomecei, em um tom mais firme. - Que história maluca é essa de eu dançar valsa com James? Você está em drogas?! Desde quando eu sei dançar valsa? - perguntei eu, tudo de uma vez, em uma voz exasperada.
Mamãe apenas riu, e não me repreendeu por causa da insinuação de que ela estava doidona naquele momento.
-Mas é muito simples, Lily. É a dança mais boba que existe. Um pra cá, e um pra lá. E você e James abrindo o baile vai ser a coisa mais gracinha que eu vou ver em toda a minha vida! - respondeu ela, em um tom afável, toda sorrisos.
Eu tive a impressão que minha mãe não ia sossegar enquanto não visse James e eu casados. Sinto muito mamãe, ele gosta da meia-irmã n°1.
-Mamãe...
-Por favor! - pediu ela, usando agora o recurso do tom de voz choroso. Às vezes eu acabava esquecendo quem era a mãe e quem era a filha.
-Mamãe, o que você está me pedindo é absurdo...
-Lily. Peça alguma coisa em troca. Qualquer coisa. Mas não me peça para desistir disso. Já está tudo planejado. - respondeu minha mãe, em um tom muito diferente do tom choroso que ela havia utilizado há segundos atrás.
Eu suspirei. Tudo planejado em sua mente doentia.
-Ok. - eu consenti, resignada. - Quero trazer duas pessoas para a festa.
-Certo, eu ia mesmo convidar Mary e Marlene. - falou mamãe, surpresa por minhas condições serem aquelas.
Eu sorri. Agora era que ela ia ficar surpresa.
-Não são Mary e Marlene. - eu respondi, triunfante. - Na verdade, uma delas é a Mary. Mas a outra se chama Oliver.
Mamãe arqueou as sobrancelhas, intrigada.
-Oliver?
Eu assenti.
-Oliver Dowd. - falei. - O garoto com o qual eu estou saindo no momento.
Ha. Arruinei com todos os sonhos de minha mãe e destruí a convicção que ela tinha de que eu era loucamente apaixonada por James. Ao contrário do que eu esperava, minha mãe aparentou estar feliz por mim.
-Você está saindo com um garoto e não me contou?! - exclamou ela, em um tom mais feliz do que repreensivo. - Que ótimo, Lily! Ótima pedida! Assim James ficará com ciúmes e perceberá que é de você que ele realmente gosta!
Eu apenas arregalei os olhos, em choque.
-Mamãe... Honestamente. - eu comecei. - Você tem certeza que não está em algum tipo de droga?
Após a minha conversa completamente inútil com a minha mãe (eu ainda não sabia por que eu perdia o meu tempo torcendo para que ela algum dia fosse uma mãe normal enquanto ela se esforçava ao máximo para ser algo que eu poderia chamar de uma 'anti-mãe') eu me dirigi para mais um martírio. Atravessei o longo corredor até um dos quartos no final deste, o que correspondia a um dos quartos de hóspedes que agora estava sendo ocupado por Sirius.
Eu bati à porta, hesitante. O mais provável era que ele não estivesse ali, mas pelo menos eu podia dizer à Mary e a mim mesma que eu havia tentado. Um Sirius descabelado e apenas com uma samba-canção vermelha de coraçõezinhos atendeu à porta, parecendo sonolento. Minha reação imediata, após ter dado uma pequena espiada em seus músculos bem definidos e em sua semi-nudez descarada, foi tapar os olhos com uma das mãos. Sirius riu.
-Desculpe-me, Lily. Eu achei que era o James. - ele se virou e voltou para dentro do quarto. Eu apenas fiquei ali, parada, achando que ele iria apenas voltar a dormir e ignorar completamente minha presença. Mas pude constatar que ele fora apenas colocar uma calça, quando ele voltou fechando o zíper da dita cuja, que agora envolvia suas pernas bem torneadas. - Entre. Bem-vinda ao Caos.
Eu olhei para o quarto dele e encontrei algo bem pior do que eu jamais havia visto, até mesmo nos piores dias do quarto de James. Alguns livros estavam abertos e sobrepostos sobre uma escrivaninha, onde também se encontravam papéis rabiscados e amassados. Sapatos e tênis se espalhavam pelo chão, um ou outro com uma meia suja enfiado em seu interior. Tambores e pratos estavam largados a um canto, vestígios do que algum dia já fora uma bateria. Nem preciso mencionar o estado da cama dele: desarrumada, com os lençóis abarrotados e com travesseiros em todos os cantos, inclusive no chão. Fora que o ar do quarto estava viciado e alguma coisa não estava cheirando muito bem.
-Eu pretendia arrumar. - disse ele, meio sem graça. Sim. Eu realmente disse isso. Sirius parecia estar sem graça. Apesar de ainda estar envolto no mesmo ar de displicência de sempre. - Eu... Ainda bem que o Sr. P ainda não viu isso, não é mesmo? Parece que um furacão passou por aqui. - ele riu com a sua risada rouca e escandalosa de sempre.
Eu apenas continuei em pé, sorrindo meio sem jeito. Procurei algum lugar viável para me sentar, em vão.
-Mas você está aqui por alguma razão específica? - perguntou Sirius, enquanto vasculhava em seu armário no meio de um bolo de roupas amassadas, pescando dentre elas uma camiseta branca com duas baquetas pretas e cruzadas estampadas, que ele logo vestiu.
-Hm, digamos que sim. - eu respondi, ainda me sentindo embaraçada. Eu não sabia como falar o que eu tinha para falar sem ser extremamente óbvia.
Ele continuou a me fitar, esperando que eu continuasse a falar.
-Bem. - eu comecei, pigarreando. - Você vai ter que ir a tal festa beneficente?
Ele riu.
-Eu até gosto dessas coisas. - respondeu Sirius. - Open bar e mulheres bonitas muito bem vestidas. - explicou ele com um sorriso.
Ok, aquilo foi a constatação de que era absolutamente impossível conversar com Sirius sem que ele me causasse uma ligeira sensação de repulsa.
-Bem, mas você vai conhecer muita gente que vem? - eu perguntei, tentando alcançar um ponto no assunto em que eu pudesse finalmente falar sobre Mary.
-Provavelmente quase toda a minha família. - respondeu ele, com a cara ligeiramente retorcida em desgosto. - E o único membro que presta dessa é a Andy.
Eu ri, ainda que meio nervosamente.
-Não vai se incluir no meio?
Ele riu.
-Eu sei que eu não presto, Lily. Mas uma coisa que eu não sou é cínico.
Eu assenti.
-Eu chamei o Oliver. - falei. - E a Mary.
Sirius meneou a cabeça, sorrindo. Como se dissesse "Finalmente descobri o motivo de você ter se dado ao trabalho de vir até aqui".
-Ela é uma ótima garota. - comentou ele, sorrindo. E me encorajando a continuar.
-É mesmo. - eu concordei. - Mas é só isso que você acha?
Sirius riu.
-Absolutamente. - respondeu ele. - Acho-a muito bonita e atraente. E uma ótima companhia.
Eu sorri, aliviada.
-E seria uma boa companhia para sábado à noite? - perguntei eu, hesitante.
Ele sorriu.
-Com certeza.
A semana basicamente voou até sexta-feira, e devo admitir que de terça até sexta, deu tempo suficiente para eu começar a sentir saudades de Oliver. Entretanto, uma pessoa da qual eu sentia muitas saudades era James, que basicamente só me cumprimentava agora. Acho que a culpa era em partes minha, já que ele havia me chamado para ajudá-lo a escolher um smoking e eu preferi sair com Oliver. Mas acho que foi uma escolha certa. E mais razoável.
Fora que o drama de arranjar um vestido para mim já havia se resolvido sozinho. Ok, não sozinho, mas minha mãe fez questão de tomar conta disso, quando apareceu um dia desses com uma fita métrica e começou a tirar medidas de cada milímetro quadrado de meu corpo, dizendo que havia arranjado uma oficina de haute coutûre perfeita que iria se encarregar de tudo em questão de poucos dias. Bem, ela já estava totalmente adaptada com o fato de ser rica, encomendando roupas de costureiras famosas que cobravam preço de ouro por pedaços de pano e dando jantares beneficentes em que todas as famílias da alta sociedade de Londres, quiçá da Inglaterra, estariam presentes. Boa sorte pra ela, então.
Por falar nela, mamãe havia insistido que eu a apresentasse para Oliver, e me seguiu quando eu estava saindo pela porta da frente, pois ele estava me esperando do lado de fora do portão de casa, em seu carro. Eu acalmei-a e falei-lhe que ela o conheceria no dia seguinte, no jantar beneficente. Ela não ficou satisfeita, mas teve que aceitar. Aliás, quando ele foi me deixar de volta no portão de casa eu estava esperando que ela aparecesse repentinamente, mas ela não apareceu. Oliver parou o carro e ficou me olhando, e sorrindo.
-Bem, eu tenho que ir. - disse eu, sem a mínima vontade de sair dali ou sem fazer menção de sair.
Ele sorriu.
-Eu sei.
-Você virá amanhã, pro tal jantar? - eu perguntei.
-Por que não viria?
Eu dei de ombros.
-Não sei, o Carter mencionou um tal show aí...
-E o que você acha que eu prefiro? - perguntou ele, rindo, e me beijando suavemente.
-Eu. Eu espero. - respondi, sorrindo de volta. - Mas você vai ter que conhecer a minha mãe. - tal pensamento assustador me fez fazer uma careta.
Ele apenas riu.
-Eu sou corajoso. Estou saindo com você, não estou?
Dei-lhe um soco no braço, de leve, e ele fingiu sentir dor.
-Mas vai ser estranho. Eu digo, se ela perguntar o que nós somos e tudo o mais...
-Nós diremos namorados, oras. - ele respondeu como se estivesse respondendo a pergunta mais óbvia do mundo.
Arqueei as sobrancelhas, surpresa.
-É o que nós somos?
-Não que eu tenha perguntado ainda, mas se você faz questão...
-Eu faço. - sorri.
Ele sorriu também e entrelaçou as suas mãos nas minhas.
-Então, Lily Evans. Quer namorar comigo?
O salão estava lindo. Na verdade, era a nossa sala-de-estar principal, que não era nada pequena, e que estava agora sem a maioria dos móveis grandes e luxuosos, e com algumas mesinhas de madeira aos cantos da sala, forradas com um pano prateado que eu havia ouvido alguma coisa sobre possuir fios de prata e com lindos arranjos de esculturas de gelo em formas de cisnes, cervos, entre outros animais. E haviam outras mesas nas salas-de-estar menores. Mas aquela era a principal. Onde ficava a pista de dança. Onde James e eu valsaríamos.
Um arrepio percorreu minha espinha ao pensar nisso e ao lembrar do breve ensaio que havíamos tido mais cedo naquele dia. Os braços dele na minha cintura, nossos rostos tão próximos, a respiração dele esquentando a minha pele.
Eu simplesmente não podia pensar. Fui me aproximando do bar e apoiei os meus ombros no balcão. O bom daquele tipo de festa de gente rica era que eles liberavam facilmente bebida para menores. Nossa, olhem para mim, falando como uma alcoólatra. Sem dúvidas a companhia de James havia exercido uma má influência em mim, já que o meu primeiro porre eu havia tomado graças à ele.
Resolvi pedir um Martini, apenas por curiosidade.
-Ora, ora, Lily Evans no bar nos primeiros segundos da festa! - uma voz zombeteira soou ao meu lado e eu olhei para Sirius com um olhar assassino. Não estava com disposição para ele naquele momento.
-Ora, ora, Sirius Black ainda sóbrio, embora a festa já tenha começado. - dei um sorrisinho amarelo.
Sirius riu.
-Tente ser boazinha e finja que estamos conversando sobre algo realmente sério. - falou ele, por entre um sorriso forçado.
Eu arqueei as sobrancelhas e antes que pudesse perguntar o porquê as respostas chegaram, surgindo por detrás de Sirius.
-Você não ouviu uma palavra do que eu disse, Sirius. - uma jovem esbelta dos cabelos negros lisos, mas ondulados nas pontas, iguais aos de Andrômeda, e muito parecida com a mesma, falou. Olhou-me para mim com arrogância, e seu olhar era frio e ela possuía um ar de superioridade. Muito parecido com o de Sirius, mas mais intimidador. - Suponho que a sua amiguinha aqui tenha algo mais importante a dizer?
-Não perturbe, Bella. - respondeu Sirius, soando entediado. - Eu ouvi muito bem das suas preocupações sobre a sua irmã mais velha estar se envolvendo com um proletário fedorento e um classe média desinteressante amigo meu. Ao mesmo tempo. Não tenho nada a dizer. A vida é de Andy, ela se envolva com quantos quiser, quaisquer sejam suas classes sociais.
A outra moça que estava ao lado de Bella soltou um muxoxo de desaprovação. Ela tinha feições parecidas com as de Bella e de Andy. Seus cabelos, no entanto, eram de um tom loiro-platinado.
-Você não tem salvação, caro primo. - sibilou em uma voz arrastada e em um tom de amigável desprezo, se é que tal tom existe. - Como se não bastasse partir o coração de minha pobre tia ao sair de casa ainda apóia essas... atitudes que Andrômeda vem tomando.
Sirius deu-lhes um sorriso de escárnio.
-Eu compreendo que vocês sintam minha falta. - começou ele, irônico. - Mas vocês só precisam dizer que têm saudades. Não têm que vir falar comigo sobre falsos pretextos, como falar mal da própria irmã de vocês. Nós podemos arranjar outros assuntos, se vocês fazem tanta questão de me incluir na vida de vocês. Eu me sinto muito emocionado, realmente.
Nossa, e ele ainda tinha me dito no outro dia que não era cínico.
-Quem nunca fez questão de ser incluído é você, Sirius. - Bella falou, deixando transparecer um tom meio amargo. Mas logo voltou a sua habitual frieza: - Foi um prazer.
Sirius acenou com a cabeça e as duas se viraram para ir embora. Eu terminei o meu martíni, e olhei para Sirius, pela primeira vez em minha vida tentando ser amigável com ele.
-Então, eu finalmente entendo o que você quis dizer sobre a sua família. Eram suas primas? - eu falei, sorrindo encorajadoramente para ele. E não estava perguntando por curiosidade. Era uma tentativa de ser legal. Por que pela primeira vez na vida eu entendia por que Sirius Black era do jeito que era. E eu agradecia por ele ser daquele jeito, e não como as primas dele.
-É. - ele respondeu, sorrindo. Virou-se para o bar tender e pediu uma dose dupla de vodka, a qual virou instantaneamente e em seguida fez uma careta. - Ninguém nunca acredita quando eu conto.
Eu ri.
-Eu acredito em você. - respondi. - Não acredito que estou dizendo isso, mas acredito em Sirius Black.
Ele riu.
-Comparado com elas eu não sou tão ruim assim, não é?
Eu assenti. Não era mesmo. Que nem comparada com Lorraine, Judy não era tão ruim. Nós ficamos alguns instantes em silêncio, tomando nossas bebidas, enquanto eu estava pensativa. Queria perguntar a Sirius, mas estava em dúvida se devia ou não.
-Por que você fugiu de casa? - perguntei, enfim, mas meio hesitante. - Estava tão ruim assim?
Ele suspirou.
-É, mais ou menos isso. Não se engane pelo fato de Narcissa ter dito que eu parti o coração de minha pobre mãe. Provável que ela tenha chamado uma reunião de família e comemorado por eu ter saído. Era apenas uma questão de quando e onde, sabe? E quando eu recebi uma herança do meu tio Alphard achei que estava mais do que na hora. É complicado, Lily. E é uma história longa. Apesar de você me achar a criatura mais egocêntrica da face da Terra, não vou ficar aqui te alugando com as abobrinhas dos Black. Nem você merece isso.
Eu sorri. Ou eu já havia bebido de mais ou Sirius estava parecendo simplesmente uma pessoa agradável.
-Mudaremos o assunto então. - eu decidi.
Ele assentiu.
-A Mary vem?
Não sei se deveria ficar feliz ou não com aquela pergunta, mas senti um pouco de angústia.
-Vem. Deve estar a caminho. - respondi, pensativa. - Sirius. - acrescentei, tentando chamar toda a atenção dele para mim. Por que eu deveria falar aquilo antes que perdesse a coragem. - Eu nem sei se eu deveria estar falando isso, ou se eu deveria ter feito certas coisas... Mas, bem - eu fiz uma pausa. - Eu sei que é o que ela quer, mas talvez não seja o melhor para ela. Provavelmente você deveria arranjar outra companhia para a noite, sabe? Eu não quero que você esteja, sei lá, fazendo um favor para mim ou simplesmente não esteja a fim de ficar sozinho.
Sirius sorriu.
-Relaxa, Lily. Eu sei o que eu estou fazendo. Ao contrário de certas pessoas. - ele lançou um olhar para um ponto distante no salão, e em seguida para mim. Eu segui o seu olhar e avistei Oliver.
-Do que você está falando?
Sirius deu de ombros.
-Você namorando com Oliver Dowd? - perguntou ele, em um tom esquisito. - Não desce. Fora que eu tinha a impressão que os seus interesses eram outros. - e agora o seu olhar foi para um ponto no salão onde James estava, rindo e conversando com algumas mulheres desconhecidas.
Eu estremeci. Primeiro Remus, e agora Sirius. Quem seria o próximo, James?
-Só por que todas as meninas da escola sentem alguma coisa por você ou pelo James, não significa que eu não seja uma exceção. - eu retruquei, mau-humorada.
Sirius riu.
-Bem, por mim eu tenho muita certeza de que o que você sente é ódio. E o James é bem atraente, não acha? Se eu tivesse uma chance com ele...
Eu revirei os olhos. Não é como se eu tivesse uma chance. Mas era óbvio que eu não ia falar isso.
-Eu sei que existe uma grande possibilidade de James ter tido algo bem doentio com uma 'meia-irmã' mais velha dele, mas isso não significa que ele seja tão doente assim. - eu falei. - Sirius, Oliver é o meu namorado e eu realmente gosto dele, ok? Não comece a inventar coisas...
Sirius deu de ombros, indiferente, como quem diria "tanto faz, então", e olhou para outro lugar. Seu olhar se fixou bem atrás de onde eu estava e ele sorriu, parecendo meio impressionado. Eu me virei e dei de cara com Mary, sorrindo de volta. E ela estava bem impressionante mesmo. Ela estava linda. Estava com um longuete tomara-que-caia rosa-claro, maquiada, e com os cabelos negros lisos na franja mas com uns cachos cheios e muito bonitos no restante do cabelo, caindo por sobre seus ombros. Além de tudo... ela estava radiante. E aquilo parecia deixá-la ainda mais bonita.
Eu a abracei com força e cochichei no seu ouvido:
-Boa sorte. É todo seu.
Ela sorriu para mim e agradeceu, apenas com o olhar. Mary, Marlene e eu tínhamos isso de às vezes nos comunicarmos pelo olhar.
Sirius se adiantou com um braço estendido que eu imaginei ser para abraçá-la, mas ao invés disso ele deu um tapinha na testa dela. Mary riu e soltou um "Ouch" forçado.
-Eu falei sobre o meu interesse por gângsters, mas se for começar com a violência doméstica está tudo acabado entre nós.
Ah, eu acho que o comentário dela tinha a ver com a noite do show, quando, conforme me contara Mary, Sirius falou que era engraçado Mary ser tão certinha e ser interessada por ele ao mesmo tempo, sem reprovar certas ações dele. Mary havia respondido que também se interessava com gângsters e mafiosos. Meu Deus, eles já possuíam suas próprias piadas internas.
Sirius sorriu.
-Eu não ia querer que isso acontecesse. - Sirius respondeu e eu me surpreendi com o tom caloroso que deixou os seus lábios. Ele se adiantou para ela e beijou a sua testa, colocando suas mãos na cintura dela e não se afastando depois disso, pois claramente possuía a intenção de beijá-la de novo, em um lugar que não era a testa de Mary.
Percebendo isso eu apenas pigarreei e disse:
-Bem, acho que está na hora de eu procurar o meu namorado.
E aquilo soou um pouco errado. O meu namorado. Oliver. E não James.
Eu deixei-os a sós e vasculhei com os olhos por Oliver e o encontrei conversando justamente com James. Suspirando e juntando coragem eu me aproximei. Mas me surpreendi ao encontrar Marlene no caminho.
-Lene! - eu exclamei, surpresa. - O que você está fazendo aqui?
Marlene riu pelo nariz, com um ar irônico.
-Não tinha companhia para o show hoje. Resolvi vir pra cá. - ela lançou um olhar triste para Sirius e Mary. - Claramente foi uma péssima idéia.
Eu senti um embrulho no estômago.
-O Carter...
-Disse que não estava a fim de nada sério. E como você e o Oliver estavam sérios ele fez a gentileza de me avisar que não queria que eu pensasse que nós dois também ficaríamos. - respondeu ela, em um tom amargurado.
Eu tomei-a pelo braço, conduzindo-a para fora do salão, para que ela pudesse parar de lançar aqueles olhares para Sirius e Mary.
-Vamos sair daqui.
-Eu achei que ia ser eu, Lily. - falou Marlene. - Que prepotência a minha. Achei que seria eu quem estaria consolando a Mary por que Sirius havia sido um idiota com ela e ela estaria se sentindo terrível por tudo estar certo entre eu e o Carter, você e o Oliver. E pior ainda, achei que o Sirius ainda estaria correndo atrás de mim e eu esfregaria o meu namorado bem melhor do que ele na cara dele.
Eu olhei ao redor para ter certeza se alguém estava ouvindo aquilo, e constatei, aliviada, que não havia ninguém conhecido por perto. Havíamos deixado a sala e estávamos no jardim agora.
-Eu sou uma pessoa horrível - falou ela, se sentando em um banco de madeira. - Olha como eu sou horrível, Lily.
Eu a abracei e deitei a cabeça dela no meu ombro.
-Você é uma boa pessoa. Por que você é sincera em relação aos seus sentimentos e não tem escrúpulos idiotas ao admiti-los. Você ainda gosta do Sirius.
E eu não perguntei. Eu afirmei.
-Eu não sei por que! - ela exclamou, arrasada. - Ele era todo idiota, achando que podia me chamar para o canto a qualquer hora e eu iria atrás dele e dando em cima de outras garotas na minha frente. Eu fiquei com muita raiva. Encontrei o Carter e a única coisa que eu pensei era "hora de dar o troco no Sirius". E eu não me importei por ele ter ficado com a Mary naquele dia por que eu pensava que era só por minha causa. Só pra me provocar. Mas isso, hoje, não é. Não é mesmo?
Eu suspirei.
-Não sei, Marlene. Eu não sei o que fazer... Eu não sei o que eu posso te falar pra poder...
-Não precisa, Lily. - cortou Marlene, chateada. - Era o que deveria acontecer desde sempre. Sirius iria começar a gostar de Mary e as coisas iam dar certo, eu ia conhecer o Jude Law e nós nos apaixonaríamos perdidamente - eu ri, com aquela menção aos planos que nós havíamos feito na formatura do fundamental. - e você...
-Meus pais não iam finalizar o divórcio. - eu completei.
Ela me olhou com uma expressão culpada, como se tivesse falado besteira.
-Ou ainda melhor, minha mãe ia conhecer um cara super legal, melhor que meu pai. - eu acrescentei, sorrindo. - Você não falou besteira, relaxa, Marlene.
Marlene sorriu, aliviada.
-Obrigada por me ouvir. - ela disse. - Me sinto bem melhor. Vou arranjar alguém para hoje a noite e vou esquecer do Sirius de uma vez.
Eu ri.
-Parece que o irmão mais novo dele está ai.
Marlene fez uma careta.
-Black em excesso dá indigestão. Justamente por isso vai ser bom eu não ter repetido a dose. Fora que... Quantos anos tem o irmão dele? Doze?
Eu dei de ombros.
-Sei lá, por aí. - respondi, indiferente. - As primas do Sirius estão aí, também. Elas são assustadoras.
-Ah, aí está você. - Minha mãe veio atravessando o jardim em nossa direção. - Seu pobre namorado teve de ser apresentado a mim pelo James. - eu senti um embrulho no estômago. Decidi que não queria nem saber os detalhes daquele incidente. - Eu o adorei, aliás, mas você sabe quem eu acho que seria o namorado ideal para você.
-Mamãe, não comece. - eu a interrompi, antes que ela falasse besteira.
Ela suspirou.
-Ok, só vim te chamar para a valsa.
Eu fiz uma careta.
-Eu preciso mesmo? Vou pagar o maior mico. James provavelmente nunca mais vai conseguir andar depois que nós valsarmos.
Mamãe riu, impiedosa.
-Boa tentativa, mas acho que James é resistente. Vamos logo.
Eu suspirei, e me levantei, para acompanhá-la de volta.
-Você vem? - perguntei à Marlene.
-Tá brincando? - respondeu ela, se levantando. - Você acha que eu vou perder isso?
Eu sorri.
-É bom ver que minha melhor amiga vai estar sempre aqui para me apoiar.
N/A: Ok, gente, a minha internet está um cocôzinho, amanhã tem vestibular, e à noite tem uma festa, de modo que eu vou tentar att hoje, mas parece que não vai dar pra responder à todas as reviews. Me desculpem, mesmo. Mas eu agradeço por todas elas e saibam que eu as li todas, também. Espero que gostem do capítulo. Sim, eu sei, James está em falta. Mas por pouco tempo, eu juro. E então, alguém aí gosta de Muse? Show deles no Brasil, Rio 30 de Julho, Sp 31 de Julho e Brasília (YES!) 2 de Agosto. É o melhor presente de aniversário que eu podia ganhar, acho. Haha. Então quem puder ir, não percam. É MUITO bom MESMO. No mais, sobre a fic, não sei de muita coisa para dizer. Só mais uma semana de martírio e estarei de férias :D Vou ver se escrevo alguma coisa nova e adianto Doce Lar, ou sei lá. Veremos, veremos. Se minha tendinite deixar, haha!
Ok, vocês sabem como eu adoro jogar conversa fora agora, mas eu realmente tenho que ir.
Ps. Me fodi em matemática hoje. Malditos números.
Beijos e não se esqueçam de mandar reviews, que dai eu me lembro de atualizar rápido, haha!
Ps2. Namoro Anunciado, o nome do capitulo, é o nome de uma música. Sei lá. Eu sei, todos os nomes de capitulos das minhas fics são toscos, mas eu não tinha mais o que por. A música é legal, se querem saber. Mas é bem dificil achar pra baixar, hahaha. Alguém conhece?
Ps3. Agora eu realmente me vou. Por que ainda não inventaram o ps4. hahaha, sacaram? ok, mandei mal.
