Os dias seguiram mais rápidos depois que passei a fazer saídas periódicas em companhia de Buffy. Tirando a tensão de cada passeio e os olhares que atraí, tudo era muito tranqüilo e normal. Tive a oportunidade de conversar um pouco com Faith, uma jovem mulher interessante que tinha na minha presença uma esperança. Se eu conseguisse me recuperar, talvez o mesmo pudesse acontecer com o pai dela. Eu não gostava de ser esperança dos outros. Era como se alguém colocasse um peso que não estava disposta a carregar. Spike era homem experiente e charmoso. Era oito anos mais velho que minha irmã e desconfio que os dois possam ter um relacionamento amoroso no futuro. Os dois flertavam o tempo todo, mesmo na minha frente. Noite passada mestre Wood chegou de uma campanha fracassada em Malastere e veio dividir algumas informações ao capitão Logran, o responsável pela base de Yavin 4. Eu não consegui saber de muita coisa, pois rapidamente fui confinada a cela mais isolada da base com dois jedis de vigia em minha porta. Sabia que mesmo com as saídas, ainda era uma prisioneira e estava conformada com isso, pois tinha a certeza que dentro de duas semanas Buffy me daria o poder escolha entre ficar ou ir embora e eu colocaria a minha vida na palavra dela. Mas o meu novo endereço me deixou frustrada. A cela era escura em formato triangular, sem conforto com paredes reforçadas. Se não fosse por uma pequena abertura na porta, meu contato com o ambiente seria zero. Sentei no chão frio com as pernas cruzadas e ali fiquei quieta remoendo minhas mágoas.
Horas depois uma novidade veio até mim. Senti a presença próxima dos siths e do meu mestre Rack. Eles estavam chegando ao sistema e Buffy não teria como saber disso. Tudo porque um jedi não consegue detectar um sith se ele não quiser que isso ocorra. Entrei em conflito interno. Poderia alertar aos jedis e dar a eles uma chance ou deixar que Rack e sua frota atacasse de surpresa. Pensei em como seria bom receber mais uma dose do brilho e também como isso seria desperdiçar todo o meu esforço nas últimas semanas. Pensei no amor e na mágoa que tinha de Buffy. Pensei em Giles, pensei em Rack. Pensei nos meus pais. De tanto pensar, fiquei calada.
Mais tarde, não sei precisar se foram horas ou minutos, ouvi barulho de explosões e gritos. Primeiro os escutava ao longe e depois ficaram muito próximos, até que a porta da minha cela foi arrombada.
_ Lady Rubra – Gunn apareceu em minha porta – está finalmente livre! – e entregou um sabre de luz para mim.
E veio a ponderação final. Se Buffy nem permitiu que escolhesse que lado lutar é porque ela, no fundo, não acreditava em mim. Sei perfeitamente que se os siths estão aqui é porque Yavin 4 é um lugar estratégico fundamental e precisava ser conquistado. Eles não vieram por mim. Mas uma vez aqui, eles entregaram uma arma para que eu continuasse com eles.
_ É um prazer, lorde Kane.
Olhei para os jedis mortos no chão com frieza. Nem jedis eram: padawans. Corremos até o elevador junto com a pequena tropa auxiliar que nos acompanhava. Quando chegamos ao térreo, o que vi era uma guerra dentro do hangar.
_ Hora da diversão, Rubra.
Rack estava absoluto em um dos cantos, cercado por uma pequena frota. Pelo olhar, estava adorando tudo. Fui até ele.
_ Mestre! – me curvei.
_ Rubra!
_ Obrigada por me libertar.
_ Você sabe que há melhores formas de me agradecer.
_ Sim mestre!
Ativei o sabre de luz vermelha e procurei minha primeira vítima. Um jovem padawan lutava bravamente contra a tropa de elite de Naboo. Pedi para que eles afastassem porque começaria o meu aquecimento ali. Eles obedeceram. O jovem em questão era Li-Saad e era apenas dois anos mais novo que eu. A luta demorou mais do que imaginei, em parte porque meu corpo estava preso pela falta de prática, mas ainda sim o jovem não foi páreo para mim. Terminou degolado. Foi quando escutei um grito de agonia. Era Buffy, que havia assistido os momentos finais. Olhei para ela e depois olhei para o meu mestre. Rack sorriu. Era a hora do meu grande teste. Lutar contra a minha irmã na frente do Lorde Sith.
_ Quero ela no chão! – ele disse entre os dentes.
Obedeci. Avancei até onde Buffy estava e sem pestanejar, ataquei com toda força que pude. Sentia que podia vencê-la pela primeira vez. Estava mais equilibrada, era naturalmente mais poderosa apesar de não ter a mesma técnica e habilidade de Buffy. Outra vantagem que tinha era que sabia usar minha agressividade e meu ódio ao meu favor. Buffy se defendia como podia. Sua vida dependia disso. Ao mesmo tempo sentia que ela se segurava porque não aproveitava as chances de ganhar vantagem quando elas apareciam. Eu, por outro lado, podia ouvir a voz do meu mestre em minha mente: "libere todo seu ódio, sua raiva. Não tenha piedade". E mais e mais batia mais forte contra o sabre dela. Mais e mais a chutava e a socava. Buffy não trocou uma palavra comigo. Não pediu para que eu parasse e pensasse. Nada. Todo som que saía da boca dela eram os grunhidos de dor ou do esforço.
A luta foi se estendendo e aquilo não era bom para mim porque Buffy tinha melhor condicionamento físico. Quando mais a luta durasse, pior pra mim e melhor pra ela, mesmo com o supercílio aberto, o que deixou seu rosto coberto com o próprio sangue. Ela abriu a guarda por um instante e aproveitei para usar isso ao meu favor. Joguei um objeto em cima dela usando o meu poder e aproveitei para desarmá-la. Girei o corpo e dei uma rasteira, que a fez cair de costas no chão duro. Peguei o seu sabre e cruzei com o meu, como uma tesoura. Quando ela se ajoelhou, já estava com a tesoura de sabres em seu pescoço. Bastava um movimento meu e fim.
_ Bravo, Rubra, bravo – Rack aplaudiu – agora traga sua irmã aqui.
Olhei para Buffy. Ela parecia conformada e resolveu facilitar meu trabalho. Não ofereceu resistência quando agarrei a gola de sua blusa e a arrastei até os pés do meu mestre, sempre a ameaçando pelo sabre para mantê-la quieta. Rack a olhou com admiração, isso pude perceber, o que para mim não era algo inusitado. Buffy não podia ser muito esperta para certas coisas e pecava por ser sentimental, mas era a melhor guerreira que já vi atuar e tinha uma habilidade extraordinária para treinamentos e táticas militares. De fato ela merecia o título de mais jovem mestre Jedi da história. A obsessão de meu mestre em converte-la ao lado negro era mais que justificável, embora sempre tivesse a intuição que faltavam alguns pedaços nessa história.
_ É um prazer finalmente conhece-la, Rosenberg. Aposto que temos muito que conversar.
A expressão do rosto de Rack era desagradável até para mim. Ele se aproximou e tentou fazer uma carícia no rosto de Buffy, que respondeu com um movimento brusco e expressão de nojo. Rack não se impressionava com coisas assim. Com toda calma, agarrou um punhado de cabelo da nuca de Buffy e a forçou a ficar quieta antes de se aproximar e dizer algo em seu ouvido. Não tinha idéia do que se tratava, mas ao julgar pelo rosto de minha irmã, ela odiou. Secretamente eu também estava extremamente desconfortável com a situação.
Guardas a cercaram e a algemaram em segundos e logo nós seguimos ao pátio fora do complexo para embarcar na nave particular de Rack e sua escolta. Fiquei surpresa quando ele nos chamou para viajar até o provável destróier em sua companhia. No meu caso, era a primeira vez que tinha esse "privilégio" antes só reservado a aprendizes como Darla, Wilkins ou Wesley. Tudo naquela nave era diferenciado. Mais conforto, mais segurança, mas recursos. Aquela nave de transporte foi projetada para resistir a impactos absurdos, como uma queda livre ou um míssel com escudo desligado. Rack sentou-se em sua poltrona cativa, degraus acima dos outros acentos. No manche estava o melhor piloto de combate da frota e um auxiliar com qualificações extraordinárias. Também se encontravam dois fuzileiros que não conhecia, mas tinha certeza que deviam estar entre os mais qualificados da academia militar de Naboo.
Rack me instruiu para sentar num dos acentos destinados aos seus aliados políticos, isso quando algum o acompanhava. Eram apenas quatro desses. Buffy foi deitada no chão com pés e mãos algemados e sob a mira de pistolas. Não gostava daquela cena, não achava direito que alguém como ela passasse por tal situação. Ou a sentava numa das poltronas ou que a escoltasse em outra nave mais adequada para prisioneiros. Também havia o lado irmã gritando dentro de mim, que estava louco para protege-la e dizer que tudo ficaria bem. Mas meu lado "humano" precisou ficar escondido no fundo porque sabia que meu mestre perceberia o meu conflito no menor vacilo e faria algo para me punir.
Em poucos minutos pousamos no destróier num hangar muito próximo a ala reservada ao rei de Naboo e comandante na guerra contra a Aliança Galáctica. Ele desceu soberano seguido pelo resto da tripulação: eu, Buffy (escoltada pelos fuzileiros) e os pilotos. Rack deu ordens para que caminhássemos até a sala imperial, um espaço da nave onde ele poderia desfrutar de todo conforto. O segui intrigada com todo aquele mistério e sentia que uma bomba estava prestes a estourar.
_ Ajoelhe-se Rosenberg e aceite o lado negro da força, assim como sua irmã caçula.
_ E por que faria isso? – fez sua melhor voz de deboche, criando para si a impressão que nada a abalaria tão facilmente - já não tem aprendizes o suficiente?
_ Porque você não poderá fugir para sempre do seu destino – fez uma pausa ao ver o sorriso no canto dos lábios da minha irmã – não pense que sairá superior, minha jovem. Tenho experiência de sobra para lidar com joguinhos de palavras e bravados. Infelizmente, para você, não tenho tanta paciência.
_ Sua auto-confiança em excesso e arrogância ainda será a sua ruína, Rack. Verá que não poderá me converter com facilidade... e nem mesmo minha irmã! Ou não precisaria drogá-la para que ela ficasse ao seu lado.
Rack apenas sorriu e andou em minha direção. Passou a mão pelos meus cabelos e, sem que pudesse prever, fez um corte no meu braço. O sangue saiu depressa pelo rasgo, pintando meu corpo e minhas roupas de vermelho vivo. Rack segurou meu punho e mostrou para Buffy.
_ Esse sangue aqui é praticamente o mesmo que ainda teima em escapar do corte acima de sua sobrancelha. Ele está cheio de força negra, de histórias de lutas pelo poder. Esse sangue carrega uma tradição sith que você sequer imagina existir.
_ Meu pai nunca foi um Sith – Buffy protestou – ele era um homem decente. O primeiro que teve coragem de lutar contra você.
_ Seu pai? – e veio o sorriso cínico – Sangue sith corria em suas veias, mas ele era fraco demais para entender a própria natureza. Foi por isso que eu o descartei e me concentrei em quem realmente havia herdado o verdadeiro poder da Força. O meu poder, o meu legado – e acariciou novamente o rosto de Buffy e também o meu.
_ O quê? – perguntei confusa – Por que herdaríamos o seu legado... – e a ficha caiu.
De repente todas peças se encaixaram. Por que ele não me matou quando cheguei a Naboo, a preocupação em me manter ao seu lado mesmo que drogada, o fato dele nunca ter tentado me seduzir, ao contrário que acontecia com as outras aprendizes, todos os treinamentos pessoais. Sua obsessão para ter Buffy ao seu lado. Encarei minha irmã e uma tristeza incontrolável me abateu. Ela também interpretou a mesma coisa a julgar pelo desgosto que sentia e a notícia era a pior possível.
_ Você mandou matar o seu próprio filho – Buffy disse entre os dentes – você mandou matar o meu pai – não segurou as lágrimas nos olhos – como pôde fazer isso? QUE TIPO DE MONSTRO É VOCÊ?
_ Ira deveria entregar vocês a mim tão logo tivessem condições de segurar um sabre, mas ele traiu e esse foi o seu maior erro. Eu mandei tirá-lo do caminho e pegar vocês duas tão logo descobri sua traição – a voz de Rack era calma e por mais perturbador que parecesse, senti que aquilo era verdade – Ira morreu porque não teve visão. Ele preparou seu próprio velório ao me trair – e encarou Buffy – Se é para matar o único filho, que se faça por suas próprias mãos e foi o que eu fiz.
Quis vomitar tamanho era o enjôo que aquelas palavras provocaram em mim. Mas fiquei quieta, em silêncio. Não era o momento de reagir.
_ Prometo que o seu destino será diferente do seu pai, caso aceite sua herança. Você e sua irmã vão me servir no lado negro... ou morrerão.
_ E depois dizem que os avós estragam os netos! – encarei minha irmã. Não era momento para sarcasmo, mas Buffy era uma selvagem nesse aspecto e dificilmente deixaria de falar – E o senhor está se saindo uma candura de avô. Nunca me senti tão comovida com tal opção. Servir ou morrer? Que dúvida cruel!
_ BUFFY! – gritei em advertência.
_ Qual o problema Will? Sua sobrevivência não está garantida? E comigo fora do cenário, ainda terá um avozinho todo só para você! Ele é família, afinal! -
Foi silenciada com os disparos de energias vindos das mãos de Rack. Aquele era um golpe realmente poderoso e que exigia muito conhecimento da Força. Alguns mestres jedis conseguiam bloquear tal ataque com o auxílio do sabre. Na história consta que mestre Yoda conseguia absorver tal agressão. Eu não era capaz disso ainda. Não tinha o equilíbrio e controle apropriado. Buffy conseguia com o auxílio do sabre. Infelizmente ela não tinha muito controle sob o próprio destino estando ajoelhada e com as mãos algemadas nas costas, o mestre sith a sua frente, a guarda real de Naboo inteira do lado de fora, além de mim. Ela recebeu o impacto violento do golpe que a arrastou vários metros no chão liso e metálico antes de parar e tentar sentar-se ainda atordoada.
_ Você fala demais, jedi – Rack a alertou.
_ Eu nunca vou te servir – disse entre os dentes, com determinação – eu nunca irei para o lado negro.
_ Questão de tempo...
Golpeou mais uma vez e Buffy rolou no chão em agonia. Ela morreria, com toda certeza, porque Rack não era mesmo de ter muitos apegos sentimentais. Era um sujeito com aliados, nunca amigos. Por mais confusa que estivesse, a única coisa clara em minha mente foi que aquela cena me feria mais do que poderia imaginar. Buffy era minha irmã mais velha, minha família e minha referência.
_ Mestre! – implorei a Rack tão logo ele deu um intervalo entre um golpe e outro – Por favor, deixe que eu fale com ela.
_Você? – me olhou com certo deboche – logo alguém cheia de conflitos internos?
_ Não vou mentir ao senhor, mestre. Amo a minha irmã e me fere vê-la assim. Mas sou inteligente o bastante para escolher o lado certo. E esse lado é o seu, meu mestre e meu avô. Buffy é teimosa, mas ela também vai descobrir que não pode lutar contra o destino, que é te servir. Só é preciso um pouco de tempo.
_ Terá o seu tempo. Escolte sua irmã até a sala segura. Ela ficará presa até chegarmos a Naboo.
_ Sim, meu lorde!
Segurei Buffy pelo braço e a ergui do chão. Ela estava visivelmente tonta e não conseguia falar qualquer coisa, ou talvez não quisesse. Quatro guardas nos seguiram em escolta em direção a sala segura, que é uma espécie de prisão reforçada próxima a ala dos comandantes. Rack teve a idéia de incluir compartimentos assim em toda a frota com o intuito de prender mestres jedis ou inimigos fisicamente poderosos demais para ser contidos em celas comuns. Enquanto Buffy caminhava com as pernas bambas, comecei a questionar se realmente gostaria de voltar a servir aquelas pessoas e lutar do lado oposto da Aliança. A certeza que tinha era que sangue ou não, Rack me assustava mais do que poderia imaginar e estava receosa sobre o futuro que ele nos reservaria. Isso sem mencionar na raiva em saber que ele foi capaz de sacrificar o próprio filho.
Não conheço a história deles, mas pelo pouco de informação que recebi, vejo com clareza que meu pai não era um fraco. Um fraco jamais teria condições de conspirar contra um mestre sith por muito tempo sem ser descoberto. Meu pai teve coragem suficiente para negar sua própria origem em favor daquilo que ele acreditava ser o mais correto. Convenhamos, por mais sofisticado que seja, Rack era um carniceiro e meu pai jamais gostaria de nos ver entregues nas mãos de um.
Entramos num cruzamento de corredores e sabia que se seguisse à diante, encontraria um dos pequenos hangares entre os inúmeros existentes numa nave daquele tamanho. Foi quando resolvi agir por impulso e ataquei com velocidade todos os guardas que auxiliavam na escolta. Matei todos em menos de um minuto, sem dar chance de reação. Buffy me encarou com um misto de curiosidade e perplexidade.
_ Will?
_ Se a gente parar para discutir qualquer coisa agora, volto atrás e te tranco.
Agarrei o seu braço e saí a puxando até o pequeno hangar. Não tínhamos muito tempo até o alerta de invasores ser acionado. Encontramos o hangar em poucos minutos e fiquei aliviada ao ver que havia uma nave com motor hiperdrive disponível.
_ Aonde pensam que vão? – um tenente nos abordou assim que pisamos os pés na pista.
_ Transporte de prisioneiro – encarei o militar com firmeza. Sabia que se ele fosse um pouco esperto, reconheceria Dath Rubra e nos deixaria passar. E a julgar a expressão de medo, ele me reconheceu.
_ Qual é o co-código, co-comandante? – se dissesse "buu" ele mijaria nas calças.
_ 19653 código laranja – rezei para que as coisas não tivessem mudado enquanto estive fora. Esse código era usado sempre pelo alto-escalão militar e oficiais de patente inferior dificilmente questionavam.
_ Ce-certo... vou, mandar pré-preparar a nave.
_ Só quero que abra aquela porta de segurança e mais nada.
_ Sim comandante – bateu continência e avisou a torre pelo rádio.
Enquanto eu e Buffy entramos no caça militar de Naboo, a pista se esvaziou rapidamente e a porta de segurança foi aberta. Em poucos segundos ganhei espaço e distância em relação ao destróier e ao planeta. Era importante correr para ficar fora do alcance do raio trator.
_ Para onde vamos? – Buffy perguntou.
_ Tatooine... essas naves possuem localizadores. Mas se vendermos num ferro-velho de Tatooine, que é terra de ninguém, eles vão desmonta-la em tempo recorde para vender peças e nós poderemos comprar lugares na nave de algum mercenário até Corellia. Afinal, não poderíamos entrar no planeta numa dessas belezas sem a guarda espacial querer nos explodir.
_ É um bom plano! Será que eu posso perguntar por que agora?
_ Porque tive uma epifânia enquanto Rack falava de papai... não sei se gostaria de voltar a lutar para a Aliança, mas sei que não quero ficar ao lado dele.
_ Você sabe que assim que pisar os pés em Corellia, eles vão querer te prender!
_ É um problema. Só que não há outro lugar razoável para ficar a salvo de Rack.
...
A primeira vez que estive em Tatooine foi para resolver uma questão para Lorde Rack. Havia um ano que tinha me entregado para o lado negro e para o vício do brilho e estava numa fase de muita confiança. Rack tinha negócios lucrativos com alguns dos gângsteres, mas um deles se achou poderoso suficiente para quebrar o pacto e foi onde entrei. Minha missão era simples. Tinha de matar o ingrato e dar algumas instruções aos demais. Garantir que nenhum dos grandes bandidos tivesse a coragem de romper com Lorde Rack novamente. A princípio não gostei de fazer um trabalho sujo assim. Gunn era um especialista em assassinatos sumários. Eu me considerava uma estrategista, uma investigadora. Mas as coisas não foram tão fáceis como imaginei.
Fui cautelosa o suficiente para rondar os domínios de Tazzo, o meu alvo, com um pequeno dróide espião antes de aparecer em pessoa. Um dróide espião é muito prático pois envia os dados em tempo real e caso detecte movimento agressivo, ele se auto-destrói. Descobri nessa sondagem que Tazzo não era o único traidor. O rodiano Aldul, que comandava o tráfico de drogas em seis sistemas, planejava não pagar mais tributo a Rack para facilitar a realização de seu comércio ilegal. Também descobri que Tazzo estava muito bem vigiado contra movimentos Siths. Se quisesse pega-lo, deveria preparar uma armadilha porque dificilmente entraria em seus domínios e sairia ilesa. Para isso precisaria de semanas de estudo para conhecer cada ponto de sua toca e eu não tinha esse tempo. Também não queria prolongar minha estadia num planeta que considerava irritante, seco e terrivelmente quente. Eu odeio desertos.
Nesse caso fui até um terceiro elemento. Marz era um hutt proprietário de uma rede de bares do planeta. O que o caracterizava era a discrição. Seus bares eram locais onde os chefes se reuniam para fazer negócios. Entrei em acordo com Marz. Eu plantaria uma falsa notícia que provocaria uma reunião imediata desses chefes. Marz seria comunicado do evento e repassaria a informação para mim. No dia e na hora marcada eu estaria lá para resolver a questão. E foi o que aconteceu. Plantei a informação falsa que prejudicaria o comércio ilegal de todos e eles entraram em parafuso. A reunião foi marcada poucas horas depois e o encontro aconteceria em dois dias. Nesse tempo, fiquei em minha modesta hospedagem dentro de Mos Espa para me certificar que nenhuma palavra da minha falsa informação seria contrariada.
No dia do encontro, todos os cinco grandes chefes do crime refugiados em Tatooine se encontraram no local e hora exata do combinado. Ao chegarem lá, gravei cerca de uma hora de uma interessante discussão antes de fazer minha aparição triunfante. Matei Tazzo e Aldul a sangue frio e dei o recado de Lorde Rack para os três restantes.
No final, entendi porque Lorde Rack havia me mandado até lá. Gunn não teria feito o mesmo serviço e provavelmente teria falhado.
