n/a: Olá pessoal, desculpem por não postar essa semana mas é que eu estou com virose de novo, mal sarei, peguei de novo :(
estou postando esse cap que não está revisado, qualquer erro me avisem ok? ah, alguém gostaria de se candidatar à beta? eu precisava d alguém pra revisar os caps, as vezes alguns erros passam...
também queria dizer q fico triste que mutos leem mas poucos comentam, acho que vcs não estão gostando da história neh? se for isso, eu paro, simples assim.
bom, vamos ao cap...
Capítulo 10
—Seu irmão não se tornou louco, está justo diante de você, e não se deita com uma moça de dezessete anos. —Edward foi para a casa feito uma fúria. Mal podia acreditar na atitude de seu irmão, cuja ética sempre tinha sido excessiva e irritante.
Foi à biblioteca, e se serviu um gole antes de voltar-se para olhá-lo. Emmett o tinha seguido com celeridade apesar da muleta.
—Sabe que sempre preferi a mulheres um pouco maiores que eu — acrescentou com brutalidade, antes de deixar de repente o copo sobre a mesa.
—Pois será melhor que te exponha a forma em que se comporta com sua amiguinha, porque qualquer um que os veja pensará quão mesmo que eu — disse Emmett com calma, embora parecesse bastante intrigado.
—Você é o que se tornou louco! Não tem a ninguém mais, assim estou protegendo-a. E não é minha amiguinha, a não ser minha protegida… ao menos, de momento.
—É sua protegida? Que diabos quer dizer com isso? E desde quando tem uma relação com uma mulher além do dormitório?
—Resgatei-a de uma multidão sedenta de sangue. Estavam a ponto de justiçar seu pai, e uns jovens estavam apedrejando-a. Se tivesse estado em meu lugar, faria o mesmo.
—Já vejo que tem uma boa história que contar, tenho toda a noite para ouvi-la.
Edward começou a acalmar-se; além disso, sabia que ia necessitar que seu irmão o ajudasse.
—É uma história incrível. Seu pai era pirata, e ela passou meia vida navegando com ele em busca de boas presas.
—Deus do Céu! Não parece uma sanguinária!
—Não o é; de fato, é surpreendentemente ingênua. Seu pai não permitiu que presenciasse nenhuma batalha, e começou a deixá-la em terra quando cumpriu os doze anos. Mas se criou entre vagabundos e ladrões, e acampava a suas largas por toda a ilha da Jamaica. Antes de resgatá-la na execução a tinha visto de vez em quando pela zona, nadando em alguma baía ou a bordo de uma balsa. A gente a chamava de a Selvagem — Edward esboçou um sorriso— Era uma fera selvagem, mas agora… — se deteve em seco, e finalmente acrescentou— Agora, está enjaulada.
Emmett cruzou os braços, e o olhou com perplexidade.
—O que quer dizer?
—Em certo modo, enoja-me o que tenho feito… e não me refiro a me deitar com ela — enquanto passeava de um lado a outro, recordou o amanhecer depois da tormenta, quando tinha feito tudo menos lhe arrebatar a inocência.
—Sério? Devo entender que não se sente culpado?
Edward se voltou de repente para ele, e disse com ênfase:
—É virgem.
—Como sabe?
Edward teve vontade de pegar um bom murro a seu irmão.
—Disse-me isso ela mesma.
—Entendo. Sim, é um tema de conversa muito apropriado entre um homem e sua protegida. Por certo, a condessa, Lizzie e Alice estão aqui.
—Bella tem medo da alta sociedade. Passou uma noite a meu lado enquanto navegávamos em meio de ventos impetuosos e não deixou de sorrir como uma deusa do mar, mas tem medo das brincadeiras e o desprezo da gente de alto topete. Trouxe-a para que conheça o único parente que fica, e recebeu aulas de boas maneiras durante a viagem. Nunca tinha visto alguém se esforçando tanto em dominar um tema que não suporta. Alegro-me de que a condessa, Lizzie e Alice estejam aqui, são as três pessoas perfeitas para ajudá-la a mudar.
—Está tentando converter à filha de um pirata em uma dama? —perguntou seu irmão, boquiaberto.
—Pareceu-me a opção lógica.
—Não o duvido.
—Como é inocente, tenho a obrigação de protegê-la, sobre tudo a partir de agora. Os libertinos acreditarão que é presa fácil e não demorarão em tentar caçá-la.
—Sim, claro que é sua obrigação. Meu irmão encantador, mulherengo e sem consciência, famoso por ter seduzido a cortesãs e condessas, é o paladino da filha de um pirata. Parece-me que vai ser uma temporada do mais interessante, pensa ficar muito tempo? —Emmett pôs-se a rir.
—Prometi-lhe que me asseguraria de que tivesse um bom futuro — resmungou Edward— Já vejo que te parece muito divertido!
Emmett abriu muito os olhos em um gesto de fingida inocência.
—Claro que não me parece divertido; de fato, mal posso acreditá-lo. Também vai encarregar-se de lhe assegurar o futuro?
—É obvio. Não tem a ninguém mais — Edward se interrompeu, e foi fechar a porta— A verdade é que sua mãe vive em Londres. Veio em busca da mulher que acredita que se casou com seu pai, e que conforme lhe disseram, chama-se Renée Straithferne Swan e vive em Dwyer House. Conhece lady Renée Dwyer?
Emmett o olhou com expressão de surpresa, e se aproximou coxeando ao sofá. Depois de sentar-se, comentou:
—Ouvi falar dela, e sei o que está pensando. Crê que sua mãe é lady Dwyer, e que, portanto Bella é sua filha ilegítima.
—Perder seu pai a destroçou, e agora vai inteirar-se de que seus pais não estavam casados — Edward foi sentar se junto a ele— Apesar do pouco que conheço Renée, tenho medo de como possa reagir, mas estou decidido a conseguir que o reencontro seja um êxito. Bella já sofreu o bastante, merece ter um pouco de sorte na vida.
—Deve estar assanhado com ela. A sociedade é desumana, e você sabe melhor que ninguém. Não dou atenção às fofocas, mas tenho a impressão de que Bella é muito jovem e vulnerável. Apesar do que possa lhe haver ensinado durante a viagem, não parece estar preparada para entrar em sociedade, e não o digo por que leve roupa de homem. Entendo que tente esse reencontro com sua mãe, mas eu pensaria duas vezes antes de introduzi-la na alta sociedade.
—Leva roupa de homem porque não tem nenhum vestido. Assim que chegamos ao porto, mandei uma missiva a uma costureira da Regent Street, e espero receber sua resposta em breve. Bella não ficará em ridículo ao entrar em sociedade, porque eu estarei junto a ela; além disso, esperaremos até que todo mundo convenha em que está preparada. E não estou assanhado, só estou sendo honrado.
Emmett lhe deu uns tapinhas no ombro enquanto soltava uma gargalhada.
—Já era hora. Bom, pode seguir afirmando que o que sente se deve à honra. Quando pensa lhe apresentar a sua mãe?
—Não sei. Estou desejoso de contar com a ajuda da condessa, Lizzie e Alice, e estou disposto a acatar seus conselhos; de fato, é todo um alívio — ignorou outra sonora gargalhada de seu irmão, e acrescentou— vou visitar lady Dwyer hoje mesmo, mas irei sozinho. Quanto antes me assegure de que está disposta a encontrar-se com Bella, melhor.
O sorriso de Emmett se desvaneceu.
—Sou consciente de que tanto Devlin como você governam seus navios, mas a sociedade londrina não é um oceano. O poder que tem aqui é limitado, Edward. Que eu saiba, nunca foste um bastião da alta sociedade, e sempre te encantou respirar as falações que circulam a suas costas. Embora se esforce em defender à senhorita Swan, não poderá obrigar lady Dwyer que a acolha, e tampouco conseguirá a força que a sociedade aceite sem mais seu comportamento peculiar; de fato, muitos se perguntarão o mesmo que eu ao te ver com ela.
Edward se levantou do sofá, e respondeu com firmeza:
—Equivoca-se. Posso defender Bella, e vou fazê-lo. Tolerei as falações porque me divertiam, mas se cortarão em seco assim que comece a fazer alarde de minha enorme riqueza. Não fracassei em toda minha vida, e não penso fazê-lo agora — sem mais, foi para a porta.
—Aonde vai? —perguntou seu irmão com voz suave.
—Ver como se encontra Bella, e me assegurar de que está cômoda na habitação que lhe atribuiu. Não está acostumada a ter servidão, assim certamente não terá pedido nada.
—Espera Edward — Emmett ficou de pé, e disse— Embora leve calças, é uma moça e preciosa. Não está em seu navio, não pode se apresentar como se estivesse em sua habitação. A servidão começaria com as intrigas, e antes de amanhã teria se informado a cidade inteira. Quer arruinar sua reputação antes de sua apresentação na sociedade? Você sozinho já é pasto das fofocas, mas agora terá que somar a Selvagem à equação. Quero que tenha êxito, mas tem que ser precavido.
Edward se sentiu frustrado ao dar-se conta de que seu irmão tinha razão.
—Vou ver como está… brevemente. Falaremos no corredor.
Emmett se limitou a olhá-lo em silêncio, mas era óbvio que estava pensando que não ia ser uma missão nada fácil.
Bella se levantou ao ouvir que Edward se aproximava pelo corredor, e abriu a porta de repente sem lhe dar tempo de chamar. Ao vê-lo ali, um pouco surpreso por tão enfático recebimento, teve que conter a vontade de abraçá-lo com todas suas forças.
—Não se esqueceu de mim!
—Seria impossível fazê-lo. - disse ele, com um sorriso.
—Está paquerando comigo, de Cullen.
—Sério? —ele olhou para o interior da habitação, e perguntou— sente-se cômoda aqui?
—Se me sinto cômoda?
Bella acreditava que Windsong era uma mansão luxuosa, mas aquele lugar era muito diferente. A habitação tinha a estampagem de séculos passados, de uma herança e uma tradição familiar que ela mal entendia. Com o passar do corredor havia retratos antigos com marcos dourados, e a escrivaninha que havia em sua habitação parecia tirada de uma época longínqua. Era óbvio que Harmon House formava parte da história familiar dos Cullen, e podia sentir a presença de seus ancestrais espreitando entre as sombras.
—Devo entender que você gosta da habitação?
—Eu adoro. Por que não entra? Não pode sentar para que conversemos um momento? —não pôde conter-se, e perguntou o que realmente queria saber— O que falou seu irmão quando fui? O que falou sobre mim?
—Não posso entrar Bella. Sou um solteiro, e se algum criado me vê cruzando esta soleira, sua reputação ficará feita pedacinhos imediatamente.
Bella ficou ainda mais nervosa ao dar-se conta de que, em certo modo, já tinha entrado na alta sociedade.
—Não me importa — afirmou embora não era certo.
—Mas a mim sim. Mandarei que lhe subam o jantar.
—Não me respondeu Cullen.
—Emmett me falou que é jovem e formosa, e que o surpreende que seja seu protetor.
—Nada mais?
—Nada mais. Mas tenho que lhe dar uma notícia. É boa, assim deve tomá-la com calma.
Bella ficou ainda mais nervosa.
—Do que se trata? É algo relacionado com minha mãe?
—Não. Minha madrasta, minha cunhada e minha irmã estão em Londres. Neste momento estão fora, saíram para tomar o chá.
Bella se sentou em um precioso sofá estofado em tons azuis, marfilenos e dourados, e fixou o olhar perdido no pequeno fogo que ardia em uma lareira com o suporte de madeira esculpida. Tudo estava ocorrendo muito depressa, não estava preparada para conhecer a condessa, à irmã de Cullen, nem à mulher que algum dia se converteria na seguinte condessa de Masen.
Sentiu que revolvia o estômago, e quando pensava que ia vomitar, Edward entrou na habitação e disse:
—Bella juro que não são como as damas de Kingston. São amáveis e generosas, e estarão encantadas de conhecê-la.
—Estou perdida inclusive antes de conhecer minha mãe.
—Acreditava que confiava em mim.
—E assim é, mas duvido muito que essas mulheres sejam amáveis comigo. Talvez finjam que me toleram, mas me olharão com desprezo.
—Não vou tentar convencê-la de quão equivocada está. Te apresentarei esta mesma noite se quiser, para que não siga se preocupando até amanhã.
Bella se levantou, e o olhou aos olhos. Foi incapaz de sorrir.
—Prefiro esperar até amanhã.
De repente, ouviram passos que se aproximavam, e os dois olharam para a porta. Uma mulher formosa e elegante começou a passar por diante da habitação, mas se deteve em seco e disse com incredulidade:
—Edward?
—Falando do rei de Roma… — disse ele, em tom de brincadeira.
A mulher pareceu surpreender-se ainda mais ao ver Bella, e em seus olhos apareceu um brilho travesso quando entrou na habitação.
—Já vejo que trouxeste uma convidada — disse com uma doçura suspeita.
Ele a rodeou com um braço, e a apertou contra seu lado.
—Sim, uma convidada com a que espero que chegue a cercar uma boa amizade.
A jovem soltou uma exclamação de protesto, escapou dele, e lhe deu um pequeno murro no peito antes de olhar Bella com um sorriso. Seus olhos cor topázio refletiam uma curiosidade patente.
Bella se ruborizou enquanto tentava acalmar-se.
—Ai! Ouça, venha aqui — Edward agarrou a recém chegada pela orelha, e a beijou na bochecha.
A mulher lhe deu um forte abraço, e disse com uma gargalhada:
—É incorrigível! —depois de soltá-lo, voltou-se de novo para Bella— Olá. Sou a esposa de Jasper Halle, e este sem vergonha é meu irmão. Às vezes o quero muitíssimo, e outras sonho com a melhor maneira de dar seu castigo. Pode ser um verdadeiro peso.
—Não faça conta, Bella. Sou encantador e agradável… a menos que me provoquem, claro — Edward pôs-se a rir — Alice é a irmã pequena da que já lhe tinha falado, é uma verdadeira amazona. Senhora Halle, apresento-lhe à senhorita Bella Swan.
Bella não soube o que pensar. Era óbvio que os dois irmãos se adoravam, mas a tinha surpreendido ver uma dama dando um murro a alguém, por muito que fosse seu irmão. A mulher era uma verdadeira dama… formosa, elegante, e além disso filha de um conde, e estava claro que se deu conta de que ela ia com calças.
—Olá — começou a desejar que a tragasse a terra, e esperou a receber o inevitável olhar depreciativo.
Alice a surpreendeu ao sorrir com cordialidade.
—Olá. Não te importa que a chame de Bella, verdade? Chame-me Alice, todo mundo o faz. De onde conhece esse incorrigível de meu irmão? Por que é sua convidada? Montaste a cavalo sob a chuva? Quantos anos têm?
—Alice! —exclamou Edward, antes de tornar-se a rir.
—Seu irmão teve a amabilidade de me trazer para Londres para que me encontre com minha mãe. Não me dá muito bem montar a cavalo, e acabamos de chegar. Procedo das ilhas — sua surpresa aumentou quando a mulher, em vez de rir dela, seguiu sorrindo como se já fossem amigas.
—Que interessante. Meu irmão é muitas coisas… bonito, rico, valente, egoísta, um peso… mas a amabilidade não é seu forte.
Bella se esticou imediatamente.
—É um homem muito amável e generoso! Trouxe-me das Índias Ocidentais, apesar de que eu não tenha forma de pagar por minha passagem.
Alice olhou com incredulidade seu irmão, que franziu o cenho e disse:
—O pai de Bella faleceu recentemente, não havia ninguém mais que pudesse ajudá-la.
—Assim resgataste a uma moça em perigo — disse sua irmã com perplexidade.
—Exato. Por certo, trouxe a Ariella e Alexi.
Alice soltou uma exclamação de entusiasmo.
—E eu trouxe Michael e Rogam, estão no quarto dos meninos com os três diabinhos de Lizzie.
—Nesse caso, é possível que os primos já se conheceram.
Bella se sentou na cadeira mais próxima. A irmã de Cullen ia aceitá-la sem mais? Não a importava que estivesse vestida como um homem? Sabia que seu pai tinha sido pirata e tinha morrido na forca?
Edward se voltou para ela, e disse:
—Tenho que sair. Necessita algo?
A Bella não fez nenhuma graça que fosse deixá-la a sós com sua família.
—Não, obrigado. Estou bem — sentiu náuseas. Já era quase a hora do jantar, aonde ia? Não pôde evitar perguntar-se se pensava visitar alguma de suas amantes, mas a mera ideia resultou muito dolorosa.
Ele vacilou por um instante, e foi sentar-se junto a ela.
—Voltarei em seguida. Quer que a apresente à condessa e a Lizzie antes de ir?
—Acredito que prefiro descansar, as conhecerei amanhã.
Edward a observou com atenção e lhe devolveu o olhar enquanto desejava estar a bordo do navio.
—Amanhã sairemos de passeio pela cidade — disse ele.
Bella sorriu de orelha a orelha.
—Estou desejando-o!
Devolveu-lhe o sorriso antes de levantar-se. Fez um gesto a sua irmã, mas ao ver que ela fingia não captar a indireta, disse com firmeza:
—Bella está cansada, foi uma viagem muita longa.
—Ia pedir que nos trouxessem chá e uns sanduíches, para que possamos conversar e começar a nos conhecer.
Ao vê-la esboçar um sorriso travesso, Bella começou a inquietar-se.
—Terá tempo de sobra para chegar a conhecer Bella.
—Quererá dizer à senhorita Swan, não? —o sorriso da mulher se alargou ainda mais.
—Segue tão impertinente como sempre, irmãzinha — disse ele, enquanto a conduzia para a porta.
—Pergunto-me se você segue sendo tão cafajeste como sempre. Olhe que estar a sós com uma dama em sua própria habitação a estas horas!
Edward se voltou para Bella, e disse:
—Não faça conta. Virei mais tarde para ver como está.
Bella esperava ter interpretado mal as palavras de Alice, porque não queria que pensasse que estava tendo uma aventura com Cullen muito menos na casa da condessa; entretanto, a outra mulher se despediu com um gesto despreocupado antes de partir, como se não lhe importasse o mais mínimo a relação que seu irmão pudesse ter com ela.
—É uma mulher muito descarada e franca, possivelmente inclusive mais que você — disse isso ele— Por certo, também gosta de colocar calças. Até mais tarde, Bella.
Ela o olhou boquiaberta e não conseguiu pronunciar palavra enquanto ele partia.
Edward demorou uns dez minutos em chegar a Dwyer House, e quando o fez, tinha começado a chover. Ao ver quatro elegantes carruagens alinhadas na rua se deu conta de que certamente ia interromper um jantar, mas como mal eram as sete, os convidados deviam ter chegado pouco antes. Dava-lhe igual que não fosse muito correto apresentar-se de improviso; em todo caso, ninguém esperaria que ele se comportasse com correção. Bateu na porta, consciente de que todo mundo daria por sentado que estava interessado em lady Dwyer… todos menos o próprio Dwyer, que parecia alheio ao comportamento licencioso de sua mulher.
Ao cabo de uns segundos, abriu-lhe a porta um mordomo que se esforçou por não mostrar-se surpreso ao ver seu pingente de ouro e suas esporas. Pôs umas calças escuras, uma elegante camisa, uma gravata, e uma jaqueta azul marinho.
—Dwyer está?
—Sua senhoria está na Escócia — o homem parecia mais interessado na adaga que tinha embainhada no quadril que na pergunta que acabava de lhe fazer.
—Nesse caso, tive sorte — Edward entregou seu cartão de visita— Por favor, informe a lady Dwyer que tenho que falar com ela de um assunto muito importante.
O mordomo o fez passar ao vestíbulo antes de ir em busca de sua senhora. Edward começou a passear de um lado a outro sob um enorme lustre de luzes, enquanto ouvia o som de vozes masculinas mescladas com algumas risadas femininas. A decoração do vestíbulo não era nenhuma maravilha. Havia um tapete oriental precioso, mas puído, duas cadeiras vermelhas bastante desgastadas, e um abajur com uma tela que devia ter sido de cor marfim tempo atrás. Era óbvio que os Dwyer tinham problemas econômicos.
Tal e como esperava, a lady Dwyer não pareceu lhe incomodar a interrupção e apareceu ao cabo de uns minutos. Ao vê-la chegar, o parecido entre mãe e filha resultou evidente. Poderiam ter passado por irmãs, embora Renée fosse uma versão muito menos impactante de Bella; em qualquer caso, qualquer um que não as conhecesse daria por certo que eram parentes, e tendo em conta a situação, não se sentiu nada agradado.
Por sua parte, Renée se mostrou claramente encantada de vê-lo. Levava um vestido sem mangas cor bordô com um pequeno estampado floral em tom dourado, e um pingente com um rubi. Aproximou-se dele muito sorridente, e disse:
—Que surpresa tão agradável, lorde de Cullen! Embora tivesse gostado de saber que iria vir, para ordenar que preparassem outro talher na mesa — se aproximou dele, e posou uma mão em seu braço.
Edward se deu conta de que ainda seguia desejando deitar-se com ele. Ocultou a repugnância que sentia, e se obrigou a sorrir e a fazer uma reverência.
—Obrigado por me receber, lady Dwyer. Sou consciente de que se trata de uma hora da mais inoportuna.
—À hora jamais é inoportuna quando se trata de você, milord — Renée baixou o olhar, e devolveu a reverência.
Ela tinha uma posição social muito superior à sua, assim que o fato de que o tratasse com um título de cortesia pareceu obsequioso.
—Nesse caso, sou muito afortunado.
—Acaba de chegar à cidade? Quer jantar conosco? Acabamos de nos sentar à mesa — o olhou com um sorriso enquanto voltava a lhe tocar o braço.
—Temo que não possa me demorar muito, e não quero que descuide a seus convidados por minha culpa. Mas há um assunto extremamente urgente de que devemos falar, e peço que me conceda uns minutos.
Ela sorriu, olhou-o com paquera, e o agarrou pelo braço. Edward lutou para controlar a vontade de afastar-se dela enquanto o conduzia para um pequeno salão com paredes estofadas com um tecido cor verde, móveis dourados, e tapeçaria verde e douradas. Ao ver que tudo parecia bastante desgastado, convenceu-se ainda mais de que os Dwyer estavam passando por um buraco financeiro.
Lady Dwyer o soltou, fechou a porta, e se apoiou nela enquanto o olhava com um sorriso.
—Terá que jantar outro dia, antes que Dwyer retorne — murmurou.
Edward retrocedeu uns passos, e vacilou por um momento; entretanto, sabia que não havia forma de lhe dar a notícia com delicadeza.
—Será melhor que se sente lady Dwyer. Tenho que lhe dar uma notícia.
Ela aceitou a cadeira que ofereceu, e comentou:
—Espero que se trate de uma boa notícia.
—Acredito que sim — apesar de suas palavras, estava convencido de que não ia mostrar-se nada agradada— Trouxe sua filha a Londres.
—O que? —ela seguiu sorrindo. Era óbvio que não tinha assimilado o que acabava de ouvir.
—Seu sobrenome de solteira era Straithferne, verdade?
Lady Renée ficou pálida, e seu sorriso se esfumou.
—O que é tudo isto?
—Sua filha, Bella Swan, encontra-se neste momento em Londres, em Harmon House.
Ela abriu os olhos como pratos, e ficou olhando-o estupefata.
Edward sentiu um pouco de lástima por ela. Olhou a seu redor, e ao ver as licoreiras, serviu-lhe um copo de xerez e o deu.
Ela sacudiu a cabeça, e deixou o copo a um lado.
—Me desculpe. Minha filha está no andar de acima com meu filho. Chama-se Margaret, e tem treze anos.
O efêmero sinal de lástima se esfumou. Edward sentiu que o enchia uma sensação gélida e acerada similar a que experimentava ante um adversário. Aquela mulher devia a sua filha uma vida adequada.
—Vamos deixar as coisas claras, lady Dwyer. Poderia contratar um detetive, e seguro que não demoraria mais de um ou dois dias em comprovar que seu sobrenome de solteira era Straithferne; mas como sua filha se parece tanto a você, nem sequer vou tomar essa moléstia. Sem dúvida não se inteiraste que Charlie Swan morreu na forca em junho. Trouxe Bella a Londres para que se reúna com você, já que é a única família que fica.
Lady Dwyer soltou uma exclamação afogada, e pareceu derrubar-se enquanto o olhava com olhos chorosos. Deixava-os verdes, como sua filha, mas não eram nem por indícios tão exóticos e vividos como os de Bella.
—Têm razão, quando solteira me chamava Straithferne.
Quando se levantou tremente, Edward se apressou a aproximar-se para ajudá-la; entretanto, assim que se apoiou contra ele e se aferrou a seus ombros se deu conta de que estava tentando enrolá-lo.
—Será melhor que se sente — disse muito sério, enquanto tentava escapar de suas mãos.
Ela seguiu aferrando-o, mas evitou olhá-lo aos olhos para que não pudesse ler sua expressão.
—Oh, Deus… estou atônita, mal posso acreditá-lo… Bella está aqui, em Londres?
—Sim. Sua surpresa é compreensível, mas sua filha retornou e deseja vê-la.
Afastou-a com firmeza, e ela o olhou ao fim.
—Não deve falar tão abertamente, poderia me causar a ruína.
Apesar de que ela seguia com os olhos chorosos, Edward viu a frieza que se ocultava em seu olhar, e sentiu um desprezo entristecedor.
—E o que me diz de sua filha?
Ela tirou um lenço do sutiã, e secou os olhos.
—Repito isso, não fale assim. Por que a trouxeste para Londres?
—Para que viva com você, é a única família que ela tem! Tive que escolher entre trazê-la aqui, ou enviá-la ao orfanato das Irmãs de Santa Ana.
Ela ficou olhando-o em silêncio durante uns segundos, e ao final perguntou:
—Como é?
—É mais que formosa. Tem uns olhos castanhos parecidos com os seus, o cabelo da cor do chocolate, e uma figura perfeita. É muito inteligente, está aprendendo a ler e se dá muito bem. Por não falar de sua valentia. Nunca tinha visto um valor semelhante, nem sequer em um homem. Arriscou a vida a bordo de meu navio para salvar um jovem marinheiro, e brande uma espada quase tão bem como eu.
Quando Renée o olhou horrorizada ficou ainda mais furioso e espetou com frieza:
—O que esperava? Permitiu que sua filha se criasse junto a um pirata, e lhe negou uma vida cheia de luxos como estes! —abrangeu a habitação com um gesto.
Renée cobriu o rosto com as mãos, e pôs-se a chorar.
—Como pode me culpar?
Edward se deu conta de que estava tentando manipulá-lo, mas não entendia o que era o que pretendia.
—Ao contrário que a situação de sua filha, suas lágrimas não me comovem. O que pensa fazer? Está em Harmon House, e espera um emotivo reencontro.
Ela o olhou com expressão gélida, e disse:
—Não espera que acolha alguém como ela, verdade?
—Sua filha necessita de um lar — disse com brutalidade, ao ver que seus piores temores estavam materializando-se— Necessita de uma mãe, necessita a você. Acreditei que seria melhor falar com você para avisá-la de sua chegada, e está claro que tenho feito bem. Na sociedade há multidão de filhos ilegítimos, lady Dwyer. Ambos conhecemos muitos matrimônios que estão criando sua descendência ilegítima junto a seus herdeiros. Eu mesmo trouxe meus dois filhos, e os apresentarei ante a alta sociedade com orgulho.
Ela negou com a cabeça, e o aferrou pelos braços.
—Mas você não é uma mulher casada! Dwyer não se mostraria pormenorizado e jamais me perdoaria, apesar de que cometi o engano antes de conhecê-lo.
—Au contraire. Dirige-o a seu desejo, e estou seguro de que pode convencê-lo do que lhe faça a vontade.
—Por que está fazendo isto? Por que decidiu trazê-la a Londres?
—Está me perguntando por que me comporto como um cavalheiro? —perguntou com ironia— Sua filha ficou órfã, e já não é uma menina. Tem dezessete anos, é uma mulher pronta para o matrimônio! Suponho que quererá ajudá-la para que tenha um bom futuro, não?
—Você não é um cavalheiro! —estava tão pálida e tensa, que parecia de gesso— Não vê o angustiante que me resulta tudo isto?
Edward perdeu a paciência.
—Sua angústia não é nada comparada com o que sofreu Bella ao longo de sua curta vida!
Ela ficou imóvel, e o observou com atenção; finalmente, disse com frieza:
—Trata-me com desprezo, mas você deveria entender melhor que ninguém o acontecido; ao fim, está muito familiarizado com a paixão.
—Quão único temos em comum é sua filha, lady Dwyer — Edward soltou uma gargalhada cheia de cinismo— Posso imaginar como concebeu Bella. Foi jovem, se enamoraste de um valente oficial da armada, possivelmente enquanto desfrutava de umas férias, e agora lamenta o que fez.
—Sim, era muito jovem… de fato, tinha a idade de Bella… e Swan me deslumbrou e se aproveitou de minha ingenuidade. Era um jovem e arrumado oficial da armada quando nos conhecemos.
Edward se aproximou dela, e se inclinou até que seus rostos ficaram muito perto.
—Não a criou até os quatro anos, verdade? O pai de Bella não a arrancou de seus braços.
—Isso é o que disse Swan?
—Sim.
—Como estava solteira, enviaram-me para dar a luz em um convento. Meus pais queriam dá-la em adoção a alguma família, mas uma de minhas irmãs avisou Swan e ele veio e a levou pouco depois de que nascesse. Não sei quando foi exatamente — Renée respirou fundo, e lhe tocou o braço— Edward sabe tão bem como eu que o mundo funciona assim. Não podia arruinar meu futuro antes que começasse sequer.
—Importava-lhe o mínimo sua filha?
—Claro que sim, mas sabia que seu pai se ocuparia dela. Não havia alternativa.
—Havia infinidade de alternativas, se tivesse tido o coração de uma mãe. Nem sequer pensa em dizer a Dwyer que é sua prima, verdade? Não deseja ter que lutar com a inconveniência… ou se trata de uma questão econômica? Não me diga que têm medo de seu marido, os dois sabemos que o têm controlado.
O rosto de Renée se enfeiou grandemente ao endurecer-se.
—Faz anos cometi um engano, mas você é incapaz de entendê-lo porque é um Cullen, e nasceu rodeado de privilégios e riquezas. Sim, cometi um engano, mas então conheci Dwyer e forjei uma boa vida. Não pretende que receba com os braços abertos a uma filha a que nem sequer conheço verdade? Crê que estou disposta a sofrer o escárnio público, a ser o centro das fofocas, a perder minha reputação? —deteve-se para recuperar o fôlego, e acrescentou— Me colocou em um aperto, e devo admitir que temos problemas econômicos. Estamos vivendo a base de créditos, e já me resultará mais que difícil apresentar em sociedade a minha própria filha quando chegar o momento.
—Nesse caso, pode ser que não esteja escolhendo bem a seus amantes — comentou Edward. Quando lhe deu uma bofetada, supôs que possivelmente a merecia, mas Bella não merecia ter uma mãe assim. Seria muito infeliz vivendo naquela casa— Carece de coração, lady Dwyer — ficou de pé, disposto a partir— Não só se nega a lhe dar um lar, mas também não oferece nenhuma solução a seus problemas.
Renée agarrou-o pela manga, e perguntou:
—O que pensa fazer?
—Não se preocupe, não penso tirar a verdade à luz — o problema era que não sabia o que ia dizer a Bella.
—Não pode ficar em Harmon House? Sem dúvida há espaço mais que suficiente. Talvez pudessem lhe dar um emprego, para que ganhe o sustento.
Edward começou a tremer de fúria. Sabia que tinha que sair dali o quanto antes, já que o impulso de agarrar aquela mulher pelo pescoço e estrangulá-la era avassalador.
—Bella vai converter-se em uma dama, está em todo seu direito.
Ela se relaxou um pouco, e respondeu:
—Não sou cruel, Edward. Se pensa apresentá-la na sociedade, devo supor que quer encontrar-lhe um marido, mas tenha em conta que não tem dote.
Jamais em sua vida se havia sentido tão enojado.
—Não se preocupe com as perspectivas de futuro de Bella, lady Dwyer. É o cúmulo da hipocrisia. Que tenha um bom dia — foi incapaz de fazer uma reverência, e foi a toda pressa para a porta. Tinha que sair dali antes que a fúria que sentia escapasse das mãos.
Ao chegar à porta, voltou-se de repente para olhá-la. Lady Dwyer seguia no centro da habitação, imóvel como uma estátua.
—No que me diz respeito, acaba de renunciar a qualquer direito maternal que pudesse ter, lady Dwyer — ao ver que se esticava, elevou uma mão para silenciá-la— Não a mandaria a esta casa, com alguém carente de coração e de escrúpulos, sob nenhuma circunstância. Esteve sob meu amparo desde que saiu da Jamaica, e seguirá estando-o até que se case. Boa noite.
Foi sem lhe dar tempo de responder.
