A Senhora do Castelo

Capítulo 10

Eles se tornaram fugitivos devido ao seu próprio erro. Osamu e os dois filhos ainda viviam escondidos nas matas nos arredores entre a cidade alta e a cidade baixa, mesmo após um ano do acontecido. Não cumpriram com sua parte no trato que fizeram com o velho Kuroda, o dono do bordel da cidade baixa, o lugar dos esquecidos, de casar a "filha". Desde então estão sendo caçados como animais pelos capangas do ex-noivo, que jurou vingança.

- Droga! Onde está sua mãe?! Estou faminto!

- Calma, pai! Está chegando! Sabe que ela tem que tomar cuidado ao sair da área nobre e não ser seguida. Senão nos descobrem e ai, estaremos com a corda no pescoço!

Ele reencontrou a esposa pouco tempo atrás, após o a briga que tiveram. Só voltaram por que a mulher descobriu que Rin estava vivendo como uma nobre na cidade alta e juraram se vingar dela pelo que fez a eles, por ter fugido para não se casar com o velho babão, abandonando a família e os colocando na atual condição. Como agora a suposta "filha" deles era rica, pensaram em sequestrá-la e exigir como resgate muitas moedas de ouro.

- Até que enfim, mulher! Que demora! Onde está a comida?!

- Não sou sua empregada, seu ingrato! Sabe que tenho de tomar cuidado, senão morreremos se nos descobrirem aqui!

Os três homens praticamente atacaram a mulher tomando-lhe das mãos o alimento. Pareciam animais selvagens.

- E então? Já descobriu aonde mora nossa filha rica?

- Ela não é nossa filha! Só uma bastarda que raptamos de seus pais há quase vinte anos atrás!

- Nem me lembre disso. Maldita hora que fui trabalhar naquele castelo! Vamos ao que interessa. Assim que descobrirmos onde ela vive, vamos sequestrá-la, exigimos o resgate, depois que tivermos as moedas em nossas mãos, a devolveremos morta. Essa vai ser a nossa vingança.

- Mas antes poderei me deliciar com ela, pai? Enquanto durar o sequestro, me satisfarei com ela! O senhor prometeu! Eu...

- Cala a boca, estrupício! Faça o que quiser com ela! Desde que eu obtenha o ouro, ela não me importa em nada! Aff!

- Há! Esse é o meu pai! Vou me divertir com minha maninha!

A mulher olhou com raiva para o marido e o filho.

- Tenho nojo de vocês, argh! Tremo de pensar o que vai acontecer com a Rin quando a encontrarmos! Mais um pouco e saberei onde vive!

- Quando seus olhos virem as moedas de ouro, deixará de se importar com ela, mãe! Garanto!

A família de Rin planejava algo maléfico para ela. Só mesmo o destino para livrá-la de mãos tão impiedosas.

A família Taisho inteirou-se da volta do conde de Westerlands. O príncipe Oyakata estava feliz com o regresso de seu filho mais velho.

- Izayoi! Depois de dois longos anos Sesshomaru finalmente está de volta. Mal acabou um ano, casou-se sem explicações e viajou de novo.

- Sim, querido. Só ficamos sabendo que se casou por que o rei nos comunicou, já que foram padrinhos dele. E quem é a jovem que se casou com ele?

- A que família da aristocracia pertence, você quer dizer? Espero que tenha feito uma boa escolha, afinal de contas, ele é o terceiro na linha sucessória do trono de Endor. Se um dia ele vier a ser rei, sua esposa será a rainha e deve ser de linhagem nobre, segundo os costumes.

Izayoi era segunda esposa do príncipe Oyakata, e com ela teve mais dois filhos, a princesa Ayame e o visconde Inuyasha. O casamento com a primeira esposa, Yume Hiroe, mãe de Sesshoumaru, durou pouco tempo. Segundo os costumes, qualquer pessoa da família real só pode divorciar-se e casar-se novamente se tiver a permissão do rei. Sesshoumaru tinha cindo anos quando seu pai divorciou-se, uma relação desgastante com Yume, ele se apaixonou por Izayoi e teve então a segunda união.

- Querido, sabe que não me importo. Desde que a jovem que seu filho Sesshoumaru escolheu o ame e o faça feliz, sua condição social pouco importa.

- Eu sei, meu amor. Você tem um coração bondoso, não vê a maldade nas pessoas. Mas tratando-se da família real, tudo muda. Quero ter uma conversa séria com meu filho sobre esse casamento repentino dele que afeta o futuro da nação. Dependo da sua resposta pedirei ao rei quer cancele a união imediatamente.

Dizendo isso, o príncipe Oyakata saiu dos aposentos. Izayoi, com toda calma, sorriu.

- Ah, meu querido... se o seu filho estiver apaixonado por esta jovem, se o amor estiver em seu coração e alma, você pode até remover céus e terra, mas nunca irá separá-los. Prova disso é a nossa própria historia de amor. E não estamos juntos até hoje?

- Doutor Akitoki!

- Shippo, meu filho! Enfim chegou! E então, logrou alguma coisa?

- Claro! Ou o senhor achou que não! Não se esqueça de que esta é a minha especialidade: conseguir o impossível!

- Não tenho dúvidas quanto a isso, meu jovem. Não foi a toa que o enviei para esta missão. Vamos, entre e me conte o que descobriu.

O jovem Shippo era o assistente do doutor Houjo Akitoki. Um aprendiz de advogado, por assim dizer. O doutor o retirou da pobreza da cidade baixa, o adotou e pagou seus estudos. Agora trabalha no escritório de advocacia exercendo muito bem sua função. Ele acabou de chegar de viajem, cuja missão era descobrir a origem do brasão que a condessa havia ordenado ao advogado do marido.

- Doutor Akitoki. Fui diretamente a grande biblioteca que temos na capital de Endor, Windrose. Fiquei lá por três dias estudando diversos livros que contêm histórias de brasões de famílias. Descobri que o brasão em formato de um círculo verde, com duas peças talhadas em forma de cruz tal qual a condessa Taisho nos ordenou que investigássemos pertence a uma família cujos descendentes já morrerem, exceto por um.

- Então existe uma pessoa a quem reclamar o uso do brasão?!

- Sim.

Shippo relatou com mais detalhes o que descobriu sobre o brasão bordado na roupa de recém-nascido que Rin encontrou na bolsa retirada do velho fogão da sua antiga casa, da qual ela havia fugido para não morrer.

- Santo Deus! Que história Shippo!

- O senhor irá relatar à senhora Taisho o que descobrimos?

- Eu... terei que visitá-la primeiramente. O esposo, o conde, já regressou de sua viagem. Ela me pediu segredo sobre esta investigação, acredito que não deseja que o marido se inteire do assunto, agora que voltou de viagem.

- É verdade, doutor.

- Bom, meu caro Shippo. Verei o que vou fazer. Descanse e depois, vá ao castelo e leve minha mensagem à condessa, mas tome cuidado para que ninguém o veja.

- Ah... minha cabeça... dói... Rin acordou com uma dor de cabeça terrível. Não estava acostumada com vinho. Estava sim fascinada com o seu "marido". Encantada. A vontade de ir embora do castelo simplesmente desapareceu. Desejava ficar, mas não como quem tomou o lugar alheio e sim, como senhora do castelo. Mas agora teria que lutar para conquistar o conde, e ser senhora do seu coração.

- Senhora, bom dia, tem de arrumar rapidamente! O conde a espera e está impaciente!

- Por que Momo?! Tem algo errado?

- Não sei, mas vi quando esbravejou com o senhor Jaken sobre a carruagem não estar pronta e também perguntou a dona Kaede pela senhora, o porquê que ainda não estava de pé. Então subi rapidamente, antes que sobre para mim.

Rin se aprontou e logo desceu as escadas, mas não viu o conde. Procurou por ele na sala de jantar onde o café da manhã seria servido, mas a mesa não estava posta. Foi até o escritório e nada, nem sinal do homem. Resolveu ir até a biblioteca. Sesshoumaru estava sentado na grande poltrona lendo um livro de poesias.

- Vejo que o gosto pela poesia é algo peculiar entre os irmãos Taisho...

Sesshoumaru respondeu ao comentário, mas não tirou os olhos do livro.

- Por que diz isso?

- Seu irmão, visconde Inuyasha, toda vez que vinha ao castelo, ficava aqui na biblioteca sentado neste mesmo lugar por horas... lendo todo tipo de poesias, as mais diversas delas...

Sesshoumaru olhou com ternura para sua esposa.

- Bom dia, condessa. Espero que tenha tido uma boa noite de sono. Passaremos o dia todo no castelo de Windrose. Como disse, será apresentada a família real e conhecerá a todos da dinastia Taisho.

Rin ficou sem jeito com o olhar dele sobre ela.

- Eu... dormi bem... obrigada... – ela aproximou-se dele, sentando-se do lado -... eu... pensei que passaria o dia juntos...

- Teremos tempo para isso, não se preocupe. Quero encontrar-me logo com o rei e entregar-lhe a missão que me foi outorgada, como embaixador de Endor. A partir de agora quero cuidar do que é meu, nada de viagens. Perdi tempo demais não vivendo o que realmente quero. E agora, que a tenho aqui comigo, tudo será diferente, seremos felizes.

Rin viu a sinceridade nas palavras e no olhar do conde. E também pode ver que, se realmente continuasse ali como senhora do castelo, teria uma experiência de vida com aquele homem que jamais imaginou viver. Infelizmente ela entrou na vida de Sesshoumaru de forma errada e um dia chegaria a hora que teria que enfrentar sua fúria quando ele descobrisse toda a verdade.

- Vamos? Todos nos esperam, e estão ansiosos por conhecê-la. Logo saíram em direção a capital, ao castelo real de Windrose, que Rin já conhecia.

Os últimos preparativos para a recepção do conde foram concluídos. A família Taisho inteira foi convocada para um desjejum no castelo do rei. Todos estavam presentes. Os últimos a chegar foram o antigo rei Sesshomar esposa, a rainha-mãe Akia. Seus outros filhos, os príncipes Oyakata e Ryoji e suas esposas e filhos, já se encontravam no salão de festas do castelo, onde uma enorme mesa foi preparada com um desjejum completo. Após o toque de um clarim, um criado anunciou a entrada de Sesshoumaru e a esposa.

- Atenção! Sua Excelência, o conde de Westerlands, Sesshoumaru Taisho, e sua esposa, sua excelência a condessa Sara Asano Taisho.

Todos os olhares estavam agora sobre o casal. Rin estava divinamente bela em seu vestido de seda dourado com detalhes em vermelho. Os cabelos em cachos emolduravam o belo rosto e na cabeça usava uma tiara de rubis, e o colar de diamantes davam o toque final. Era admirada por todos naquele salão. Formalmente apresentada como a esposa do conde de Westerlands. Sesshoumaru também estava elegante em seu traje. As apresentações foram feitas: do rei a rainha primeiramente, depois os pais e tios do conde, e por último os primos, segundo a ordem de nascimento. Rin teve o prazer de conhecer toda a família real. Estavam ali especialmente para conhecê-la. Ela portou-se muito bem, não cometeu nenhuma gafe, pois aprendeu bem os ensinamentos dados pela governanta Kaede. Mas o nervosismo estava tomando conta de seu corpo. Temia que a descobrissem ali mesmo, mas ninguém a conhecia. Todos sentaram à mesa para o café. O rei Akio pôs-se a falar.

- É com imensa alegria que reúno a todos aqui. Meu amado sobrinho, Sesshoumaru, está de volta! E que surpresa nos fez, trazendo contigo sua amada esposa. Realmente hoje é um belo dia! Vamos celebrar!

Todos parabenizaram o conde. Rin pode constatar o quanto ele era querido. Após os criados servirem a mesa, todos começaram a comer. Uma conversa iniciou-se e Rin não gostou nem um pouco do rumo que estava levando, pois ela ficou mais nervosa ainda. O tio do conde, Ryojin, que sempre almejou o trono para si ou para um de seus filhos, comentou de forma inadequada.

- Sesshoumaru, filho! Sua esposa é encantadora. Realmente você tem a quem puxar, como a seu pai, tios e avô. Soube escolher uma bela mulher para estar ao seu lado. É uma pena que o histórico familiar dela não ajuda muito.

Sesshoumaru percebeu o quanto a condessa ficou apreensiva, pois estava segurando sua mão sob a mesa, para transmitir-lhe segurança, e ela apertou a mão dele após o comentário nada adorável de Ryojin. O conde não deixou por menos.

- Tio, o seu comentário é irrelevante. O histórico familiar de minha esposa não me interessa e tão pouco foi obstáculo para o nosso casamento. O que importa agora é que eu a escolhi para estar ao meu lado. A opinião dos outros a respeito de nossa vida não acrescenta absolutamente nada, tão pouco os comentários indesejados. Portanto, guarde para si a sua opinião.

O príncipe Ryojin ficou mudo e calado, nem resposta deu. Olhou para a esposa Chiyo, que baixou o rosto por vergonha. Quem estava sentado próximo a eles e ouviu a conversa, trataram de disfarçar. Após o término do café, toda a família se retirou e como de costume, as mulheres foram para uma sala reservada para elas, e os homens foram para a enorme varanda do jardim. Antes de sair Sesshoumaru tratou de tranquilizar a condessa.

- Irei ter com meu pai e depois, com o rei. Como disse, ele quer explicações sobre o casamento. A deixarei aqui com minha mãe e irmã. Se precisar de alguma coisa, não hesite, chame por mim.

Beijou a mão dela e saiu, sem deixar chance alguma para que ela suplicasse por qualquer coisa. Rin ficou ali com aquelas mulheres, teria que conversar com elas que, com certeza lhe fariam mil perguntas. Momo estava com ela como dama de companhia. Assim não se sentia tão só e abandonada. A irmã de Sesshoumaru, Izayume, marquesa de Northwest, puxou conversa.

- Sara! Agora você é minha cunhada! Posso chamá-la assim quando estivermos a sós? De vez em quando fugimos das exigências do protocolo real.

- Sim...

- Meu irmão é realmente incrível! Quando íamos supor que ele casaria um dia! Sesshoumaru esta sempre nos surpreendendo. Quero que sejamos amigas, não, irmãs, podemos ser?

- Como desejar, princesa...

- Sara, você agora, além de condessa, também é uma princesa. Sesshoumaru não tem só o titulo de conde, mas também o de príncipe.

A irmã de Sesshoumaru lhe contou de tudo e mais um pouco sobre a vida do seu esposo, com muitos detalhes até mesmo o tipo de homem que ele era. Será que a carga que você já carrega sobre os ombros pode ficar ainda mais pesada? Rin se sentia assim. Então ela não só entrou na vida de um conde, mas também na vida de um príncipe. Se o nervosismo que já vinha sentido a consumia, agora a o medo e a aflição também. Levantou-se da cadeira em que estava e parou de frente a uma das muitas janelas do lugar. Precisava de ar, de muito ar. Tremia e não se sentia muito bem.

- Momo... Momo... rápido... A criada lhe segurou a mão e pôde constatar que ela não estava bem.

- Senhora... que houve?

- Preciso sair daqui... me ajude...

Percebendo o que estava acontecendo, a princesa Izayoi se aproximou.

- Condessa, por favor, me acompanhe. A levarei até um de nossos aposentos para que possa descansar.

Logo Rin estava deitada numa enorme cama com dossel. A médica real foi chamada e receitou um chá para acalmar os nervos. A última coisa que Rin desejava era chamar a atenção de todos, principalmente do conde que estava em reunião com o pai e o rei. Izayoi lhe segurou a mão e lhe sorriu.

- Izayume ama o irmão. Sentiu muito a falta dele nesses dois anos que ficou fora. Sempre desejou que se casasse, para que sua esposa se tonasse sua amiga, irmã... e ficou feliz com a notícia do casamento. Aliás, todos nós ficamos. Espero que possa fazer o filho de meu esposo muito feliz.

- Eu... eu desejo o mesmo, alteza...me desculpe por não me sentir bem justo no dia de hoje... não queria causar nenhum desconforto ou preocupação a ninguém...

- Você não tem do que se desculpar. O seu mal estar é natural, afinal ficou sabendo de muita coisa sobre a pessoa e a vida do conde em tão pouco tempo. Sabemos que não tiveram a oportunidade para se conhecerem e tem também o fato do seu passado. O que importa é que agora você faz parte da família Taisho.

Rin ficou com vontade de saber mais sobreo passado obscuro da verdadeira condessa. O que aconteceu realmente e o que isso tem a ver com o casamento com o conde? De repente a porta do aposento se abriu. Era Sesshoumaru preocupado com a sua esposa.

- Como ela está?

- Não se preocupe, meu filho. Foi apenas um mal estar. Está bem agora. A doutora a examinou e está tudo bem.

- Obrigado mãe, poderia nos deixar a sós?

Todos saíram. Sesshoumaru sentou-se na beira da cama e acariciou o rosto de Rin.

- Não queria que lhe contassem nada...

- Ordenei ao Jaken que me relatasse qualquer coisa que acontecesse com você, haja visto que é a primeira vez que estamos com minha família.

- Eu estou bem, só um pouco indisposta.

- Permaneça deitada. Agora vou conversar com o meu pai. Volto antes do almoço – beijou os lábios de Rin – não vejo a hora de anoitecer, para estar a sós com a senhora, condessa!

Ele a segurou firme nos ombros e aprofundou o beijo. Rin apenas correspondeu. Benditos sentimentos. Em apenas dois dias de convivência e aquele homem já a dominava por completo.

- Exijo explicações, Sesshoumaru.

Oyakata não estava para brincadeiras e foi direto ao ponto em relação ao casamento repentino de seu filho mais velho.

- Ao que me consta, eu não lhe devo explicações, alteza. Faço o que quiser da minha vida.

- Não é bem assim, e você sabe muito bem disso. Você é um dos sucessores direto ao trono de Endor. A mulher com quem estiver casado será a futura rainha e deve ter uma reputação impecável. E quanto a esta mulher que escolheu ela é... uma...

- Meça suas palavras, alteza. Não vou tolerar nenhum ato ou palavra contra minha esposa. Sabe muito bem que eu não almejo o trono de Endor. Qual o problema? Não desejavam que eu me casasse? No passado me forçaram a um compromisso no qual eu não tinha interesse algum. Para ser honesto, tentei manter a relação, mas foi impossível. A cobrança era tanta por pertencer a família real, que eu estava na idade de me casar – Sesshoumaru encheu uma taça de vinho – quando finalmente resolvo o problema, não estão de acordo? Eu sinceramente não entendo.

- Não se trata disso e você sabe muito bem a razão. Por isso que...

- Então está resolvido. Com quem eu me casei não vem ao caso.

Oyakata se aproximou do filho.

- Sesshoumaru, filho... não quero brigar com você, acabou por chegar e...

- Eu também não desejo isso, pai.

- Filho, temos uma longa lista de assuntos dos quais temos que conversar.

- Teremos tempo para isso, mas o meu casamento não engloba esta lista, alteza. Com sua permissão, agora vou saudar sua majestade, o rei Akio.

Sesshoumaru cumprimentou o príncipe e saiu, não dando chance para que o mesmo argumentasse mais alguma coisa. Foi direto para o salão de conferências, onde o rei o aguardava. Assim que os criados saíram, eles ficaram mais à vontade.

- Majestade!

- Conde Sesshoumaru! Como é bom tê-lo conosco!

- Obrigado, rei Akio. Não via a hora de regressar. Creio que desejar saber sobre as relações de Endor com nossos aliados.

- Outra hora. Agora falemos de Sarah. Seu casamento pegou a todos de surpresa, Sesshoumaru. Eu falei que era melhor anunciar, como rege o costume, mas...

- Estou ciente disso. Gosto de preservar minha privacidade. O que acontece em minha vida só diz respeito a mim. Quanto aos costumes? Bem, quase nunca os segui, não seria dessa vez.

- Meu segundo irmão não gostou nem um pouco. Conheço Oyakata, deve ter feito exigências.

- Sim, mas não lhe dei explicação alguma. Não tem por que fazê-lo.

- Agora me conte, filho. Por que se casou com a princesa Sara Asano, filha do falecido general Souju Asano? Confesso que até eu fiquei curioso.

- Bom... cedo ou tarde teria que dizer a alguém. Não é novidade que o general após a morte de sua esposa passou a gastar todo o seu dinheiro em jogatinas, o que é proibido no reino de Endor, além de ser um crime. Acabou ficando sem nada. A única alternativa que restou para quitar as dívidas de jogos foi vender o castelo, mas como era obcecado pelo único patrimônio que tinha, se negou. Então teve a horrível ideia de oferecer a única filha em casamento, em troca o noivo pagaria as dívidas, assim ele continuaria com o castelo. Estive com ele e dei-lhe uma oferta irrecusável pelo castelo, para que ele tivesse dinheiro suficiente, a fim de quitar o débito e ainda começar a vida de um modo digno, mas ele se negou veementemente a vender e disse que isso estava fora de questão. Então ofereceu a filha. Eu neguei e disse-lhe que nenhum ser humano deve ser tratado como moeda de troca. Ele estava desesperado.

- Eu imagino. E a filha, qual a reação dela ao saber que o pai a estava vendendo em troca de dívidas pagas?

- Acabou sabendo da loucura do pai, pois um dos candidatos foi até o convento conhecê-la, adentrando o recinto, desrespeitando as regras do lugar, pois todos sabem que é proibida a entrada de homens num internato feminino. O canalha ficou encantado com a beleza e a jovialidade da moça e prometeu que a compraria do general. Ficou desesperada e chorou muito.

- E creio que você ficou sabendo de tudo através de um informante.

- Sim, alguém de minha total confiança investigou tudo para mim.

- E depois?

- O general Asano foi intimado a pagar o débito, pois seus credores o ameaçaram de morte. No dia que a filha teve autorização para visitar o pai por que ele não estava bem foi que, num ato de loucura e desespero, ele ateou fogo ao castelo com a filha dentro. Cheguei a tempo e pude resgatá-la. O amigo dele soube do incidente e foi ao convento para tomá-la a força, mas eu já tinha providenciado tudo.

- É verdade, uns dias antes, você me comunicou que se casaria com ela, para que ela não acabasse nas mão de qualquer um. Por isso o casamento em segredo. Ela só poderia deixar o convento casada ou voltar para a tutela da família.

- Investiguei e não tinha nenhum familiar da parte dos Asano a quem pudesse reclamar, majestade. Nas mãos do amigo do general, Sara se tornaria sua escrava sexual, e não uma esposa.

- Isso é bem do seu feitio, Sesshoumaru. Salvou a jovem de um destino cruel.

- E resolvi a questão que tanto minha família cobrava: agora estou casado. Já conversei com a condessa e teremos um tempo para nós dois nos conhecermos.

- Só que antes disso, terá de apresentá-la como sua esposa seguindo o costume. E para isso sua tia teve uma grande ideia: um baile. Convidaremos toda a aristocracia de Endor.

- Tio, sabe que não gosto desse tipo de exposição...

- Sinto muito. Você não é uma pessoa qualquer. Faz parte da realeza e, querendo ou não, tem que seguir as regras, ou algumas delas. Será uma grande festa, Acredito que a condessa gostará da ideia. Agora, se quiser contestar, procure sua tia. Quando ela põe uma ideia na cabeça, não há quem a convença do contrário.

- Não, nem quero. Concordo com o baile. E também será bom para Sara, afinal ela passou boa parte da vida presa naquele convento. Será bom para ela conhecer outras pessoas.

Um criado bateu na porta anunciando o almoço real. Os dois homens saíram. Um baile estará prestes a acontecer. Qual será a reação de Rin quando souber que terá que encarar toda a aristocracia endoriana?

# ahistóriacontinua...