N/A: não há muito Lily/James nesse capítulo, mas muita ação, e um pouco de ação Lily/Sirius! Não ship Lily/Sirius, quer dizer, ao menos que seja seu ship, nesse caso: vá em frente.

Disclaimer: Eu ainda não tenho nenhum direito sobre Harry Potter (embora eu precise muito do dinheiro) ou sobre os Beatles (embora seja provável que eu toque nos Beatles algum dia... quer eu queira ou não).

Recap: Carlotta Meloni, Adam McKinnon, e outra aluna tentam se matar e um investigador do Ministério, Lathe, é trazido para investigar a razão. Carlotta confidencia a Lily que beijou Frank Longbottom durante o verão, e o resultado é o rompimento entre Frank e Alice. A família de Luke Harper (namorado de Lily) tem uma loja em Hogsmeade. Snape diz a Lily que ela tem que escolher entre ele e James e ela escolhe Snape por lealdade. Carlotta convence Frank a ir a um encontro condicional com ela.

Chapter 10- The Connection

(A Conexão)

Or

"With a Little Help from My Friends"

"Onde, em nome de Agrippa, está minha escova de cabelo?" Carlotta Meloni exigiu ao universo, e – suspeitando que suas opiniões não tinham sido requisitadas – suas colegas de quarto não disseram nada, continuando a se prepararem para o dia sem levar em conta a situação da Senhorita Meloni. "Você viu, Shelley?" perguntou ela, virando-se para a amiga, que avaliava infeliz o reflexo de seu cabelo loiro escuro no espelho.

"Desculpa, não," disse Shelley. "Pode pegar a minha se você..."

Carlotta fitou com desgosto o item em particular que Shelley Mumps estendia para que usasse e balançou a cabeça, tentando esconder a desconfiança em relação à escova em questão e os fios de cabelos presos em suas cerdas. "Não, obrigada, Shelley. Eu estava procurando por..."

Lily saiu do banheiro, fechando os pequenos brincos prateados em formato de argola. "Lily!" disse Carlotta com pressa. "Você viu minha escova de cabelo?" Mas Lily não vira.

"Vou descer para o café," anunciou Shelley, enquanto Carlotta vasculhando os pertences na gaveta. "Devo te esperar, Car?"

"Não, pode ir," respondeu a outra distraidamente. "Eu desço num minuto." E quando Shelley se foi, Carlotta se virou para Mary, que estava sentada na penteadeira, retocando o delineador. "Mary, posso pegar sua escova de cabelo emprestada?"

"Desculpa," disse Mary suavemente e levantou-se depressa. Ela empurrou o resto dos cosméticos em sua bolsa azul oceano, junto com sua escova de cabelo, a escova de cabelo auxiliar, a escova de desembaraçar e vários pentes. "Mas eu gosto de levá-los comigo, e vou descer para o café agora." Com isso, a garota praticamente fugiu do dormitório.

Confusa, Carlotta se virou para Marlene. "Mar, você poderia...?"

"É anti-higiênico," interrompeu a loira docemente. "Te vejo na aula." E ela, também, partiu. Carlotta sentou-se na cama.

"Sou só eu," começou ela, falando com as duas únicas garotas que ficaram no dormitório– Lily e Donna – "ou Mary e Marlene estão agindo muito estranho comigo nas últimas semanas?"

"É só você," disse Lily rápido demais. "Quer dizer... Não acho que Mary e Marlene estão agindo estranho de propósito... deve ser apenas... sabe... saúde. Problemas. Coisas desse tipo."

"Aham," concordou Donna, calçando os sapatos. "Ou elas acham que você é uma piranha por roubar Frank de Alice."

Lily revirou os olhos. "Donna. Tato. Já falamos sobre isso. Eu sei que nós…"

"Elas... quê?" E Carlotta parecia genuinamente surpresa. "Mas… elas não disseram nada, e… elas estavam normais até recentemente..."

"Bem," começou Lily lentamente, "eu acho que talvez seja um pouco difícil para elas aceitar isso, independentemente do que aconteceu no verão..."

"Elas acham que você é meio vadia não só por causar do fim do namoro deles, mas por sair com ele depois que eles se separaram," disse Donna.

Carlotta se encolheu. "Então... então, todo mundo sabe disso?"

"Não todo mundo," disse Lily; ela lançou um olhar silenciador a Donna. "Quer dizer... Marlene descobriu e contou a Mary... então… bem… na verdade, sim, todo mundo deve saber agora."

"Certo," disse Carlotta. "Isso é simplesmente... ótimo. E… e você também acha que eu sou uma vadia?"

"Sim," disse Donna.

"Eu estava falando com Lily."

Donna sacudiu os ombros. "Eu vou tomar café," anunciou ela e se foi. Lily tentou parecer ocupada com a mochila.

"Lily," repetiu Carlotta. "Você também acha que eu sou uma vadia?"

Era inevitável. A ruiva suspirou. "Eu… eu não… Carlotta, isso realmente não é da minha conta."

"Mas eu tornei isso da sua conta. Eu confidenciei tudo a você. Eu pedi seu conselho... e foi você quem me disse que eu devia insistir com Frank..."

"Carlota," interrompeu Lily com firmeza. "Você se esqueceu de mencionar que o cara que você estava atrás tinha namorada, e que a namorada era uma das minhas amigas."

"E... eu não sou um de suas amigas, sou?" perguntou a morena friamente.

"Você é, mas Alice não tentou roubar seu namorado."

Suspirando, Carlotta revirou os olhos. "É isso que é muito bobo, sabe. Toda essa convenção e costumes... quem é que diz que não foi Alice quem roubou Frank de mim? Se Frank e eu estivéssemos destinados a..."

"Carlotta," repetiu a ruiva, "vocês dois ficaram bêbados na praia e se beijaram. Isso não é Romeu e Julieta, o.k.? Se vocês dois fariam ou não um 'bom casal' está fora de questão. Se queria tentar ter alguma coisa com ele, devia ter conversado com ele. E quando ele disse que queria que você ficasse longe, devia ter escutado. É assim que as coisas funcionam."

"A forma que as coisas funcionam é errada," retrucou Carlotta. A morena levantou-se da cama. "Mas estou feliz," continuou ela com a voz fria, "por você finalmente estar sendo franca comigo."

"Carlotta..."

"Não me repreenda, Lily... como se você fosse uma santinha, tentando manter a paz. Eu não quero que seja legal comigo a não ser que seja verdade, e não preciso que me proteja das suas amigas idiotas. Meu Deus, você é exatamente como elas... tão terrivelmente artificial, e isso me dá náuseas." E com isso, Carlotta saiu correndo.

O choque de Lily já desaparecera antes de a outra alcançar a porta; a ruiva ficou lá, a fúria ardendo dentro de si... Ah, como desejava ter tido tempo de gritar de volta. Como desejava... O que era aquilo?

No chão, perto da cômoda, estava uma escova de cabelo de madeira tratada. Lily olhou feio para ela e chutou-a para debaixo da cômoda.

(Me Pergunte Porquê)

"Eu te disse," sussurrou Donna para Lily quando as duas se sentaram na aula de DCAT. Mary e Marlene pegaram a mesa ao lado delas. "Quer dizer, não exatamente, mas eu sempre te disse que ser legal com as pessoas... ser tão otimista, não te levaria a lugar algum."

"Eu ser legal não foi o problema," retrucou a ruiva. "Carlotta ser má foi o problema."

"Não é só Carlotta," continuou Donna. "E Potter, então? Ele nem sequer olha para você, e toda vez que você diz alguma coisa na aula ele tenta te fazer passar por ridícula."

"Bem, isso é culpa minha," disse Lily. "Eu não fui exatamente justa com Potter, fui? Fazendo as pazes, tentando ser amigos, e então o cortando completamente..."

Marlene debruçou-se. "Quando é que você vai parar de dar desculpas para o mau comportamento de Potter, Lily?" indagou ela. "É ridículo."

"Olha só quem fala," sussurrou Mary cantarolando. Marlene não ouviu.

"Estou dando um mês para ele ficar com raiva de mim," disse Lily. "Depois disso, acho que ele não tem que ser legal comigo, mas não terá mais justificativa para ser idiota."

"Um mês?" indagou Donna.

"Sim. Acho que é um tempo razoável: longo o bastante para ficar realmente chateado e se transformar em indiferença, mas não tão longo para se acostumar a ser um babaca comigo."

"Bem, faz cerca de um mês, não é?" divagou Mary.

"Um mês no próximo sábado," disse Lily. As outras três olharam para ela. "Quê? Eu tenho boa memória."

"Você está pensando demais nisso," comentou Marlene, as sobrancelhas arqueadas.

"O que mais devo fazer em Runas Antigas? Pare de arquear as sobrancelhas. Não é tão estranho assim."

"É um pouco estranho," disse Mary.

"Vocês são um pouco estranhas," disse Lily.

"Bem, você…"

"Bom dia, turma," disse o Professor Black, entrando na sala com um sorriso em seu rosto cansado. "Nevou essa manhã. Primeira neve do ano... lembrem-se disso. Historicamente, os bruxos têm dado grande ênfase a eventos climáticos como estes."

"Que tipo de ênfase?" queria saber um corvino.

O Professor Black meramente sorriu. "Apenas mantenham os olhos abertos. Agora, guardem os livros. Hoje nós vamos treinar para as provas do trimestre com uma aula prática. Formem duplas para duelar... ah, mas primeiro..." Ele retirou um pergaminho da bolsa. "A Professora McGonagall me pediu para mandar todos aqueles que têm intenção de ir para casa no feriado assinarem aqui. Vão passando, e então começaremos."

"Você vai para casa?" perguntou Lily a Donna, que assentiu.

"Meu irmão está me esperando," respondeu com desânimo. "E a babá se foi e pediu demissão de novo, o que significa que ele teve que assumir menos turnos no trabalho... eles ficam desamparados sem mim."

"Você fica desamparada sem eles," comentou Lily divertida. "Admita, Don, você ao menos vai ficar satisfeita em ver seus irmãos e irmãs mais novos."

"Eu não me oponho a ver Bridget," disse Donna. "Mas é isso. Isaiah é um pesadelo, e Brice está sempre fazendo bagunça."

"Sabe," disse Lily, "você não precisa fingir odiar tudo. As emoções podem ser suas amigas."

"Não, não podem. Nem sequer os amigos podem ser seus amigos."

Lily revirou os olhos. "Por que é que você se mantém distante de tudo?"

"Eu não me mantenho distante."

"Então por que rejeitou aquele corvino bonito que te chamou para ir a Hogsmeade?"

Donna deu de ombros. "Não teria dado certo. Quê? Não teria."

"Você se mantém distante."

"Eu não me mantenho distante!"

"Ela não se mantém," ponderou Marlene. "Ela é muito mais fechada que isso. Emocionalmente falando, acho que caberia uma dúzia de braços entre ela e o resto do mundo."

N/T: Lily usa a expressão "at arm's distance" para descrever como Donna reage a tudo e todos. Ao pé da letra seria "um braço de distância", o que não faria sentindo em português. Assim, a expressão é traduzida no sentido de a pessoa se manter distante, afastada, evitando contato e intimidade. Portanto, apenas em inglês a brincadeira de Marlene faz sentido, pois enquanto Lily fala que Donna se mantém a um braço de distância, Marlene diz que, na verdade, caberia doze braços de distância entre Donna e o resto do mundo.

"Eu não sou fechada," disse Donna. "Sou apenas inteligente. Prática."

"Emocionalmente incapaz," disse Mary.

"Você, fique fora disso."

"Está bem," interrompeu Lily, "se eu pegar um objeto ofuscante, vocês vão ficar distraídas o bastante para continuar essa discussão?"

"Quão ofuscante?" indagou Mary. A lista chegou para as garotas assinarem: Lily, Donna e Mary assinaram; Marlene não.

"Se eu for para casa," explicou a loira, "minha mãe compra um monte de presentes. Se eu ficar aqui, ela só me manda um... é mais barato."

"Ir para casa não vai ser nada divertido sem você," apontou Mary. "Mamãe e papai gostam mais de você do que de mim, eu acho, e não resta mais ninguém interessante em nosso edifício... só aquele terrível casal de velhos que foi investigado por drogas."

"Talvez próximo ano," respondeu Marlene, tentando soar casual. "Então, agora, quem quer duelar comigo?"

"Eu não," disse Mary. "Você sempre me derrota, Mar. Vou encontrar uma Lufa-Lufa fraca."

"Eu duelo com você," ofereceu-se Donna corajosamente. "Vai ser divertido."

Marlene argumentou, mas Lily não lhes deu muita atenção. Os Marotos estavam sentados por perto, e quando a folha de assinaturas se aproximou dos garotos, a ruiva ouviu um pouco da conversa.

"... O que diz, Prongs?" indagou Sirius. "Vai para casa ou vai ficar em Hogwarts?"

"Por favor," respondeu James. "Não quero ver meu pai. Vou ficar."

"É melhor assim," comentou seu melhor amigo. "Eu estava pensando em ficar, de qualquer forma... considerando que meu tio está aqui e tudo. Acho que poderia enfurecer um pouquinho a minha mãe o irmão dela não me considerar o flagelo dos Black."

"Sirius Black: O Flagelo dos Black," disse Remus pensativo. "Tem um certo ritmo, sabe."

Sirius riu. "Suponho que você vá ficar, Moony." Ele ia. "E você Wormtail?"

"Se vocês todos vão ficar, eu vou ficar," disse Peter. "Acho que seria melhor que o vinho quente e a torta de carne moída da minha mãe."

"Excelente," disse James com satisfação. "Vai ser divertido. Talvez a gente entre de penetra na festa de Natal de Slughorn..."

Peter bufou. "Você e Sirius não precisam entrar de penetra, Prongs. Vocês sempre são convidados." James apenas sacudiu os ombros.

"Mas é mais divertido ir de penetra."

(Porque)

A neve não estava muito grossa naquela manhã: estava molhada e lamacenta, em parte translúcida, mas em todo lugar estava muito, muito frio. Ainda assim, a mudança no clima certamente fazia a chegada do Natal parecer bastante iminente e Lily viu sua atenção vagando na aula de Poções, mais tarde naquela manhã. No entanto, quando o Professor Slughorn se aproximou para recolher uma amostra de sua Poção para Envelhecer, ele não parecia menos satisfeito que o habitual.

"Um excelente trabalho, Lily." Enquanto colocava um pouco da poção em um pequeno frasco, Slughorn continuou: "Será que vou lhe ver na festa de Natal esse ano?"

"Receio que não," respondeu a bruxa. "Eu vou para casa esse ano."

"Que pena," lamentou Slughorn com um suspiro. "Deirdre Shakenurt ficou bastante impressionada com você no último Natal, sabe."

"Foi fantástico conhecê-la também," disse Lily com franqueza. "Mas eu geralmente alterno os anos, e minha mãe vai me querer em casa nesse Natal."

"E quem pode culpá-la? Muito bem, Senhorita Evans. Ah, e, aliás – você ainda não viu o Sr. Snape hoje, viu?"

Ela não vira. Na verdade, também estava curiosa com a ausência dele. "Não," admitiu. "Acho que ele deve estar doente ou algo assim. Ele não estava na aula de Defesa também."

Slughorn assentiu lentamente. "Muito bem. Um excelente trabalho, como sempre, Lily."

Quando a sineta finalmente dispensou a turma, Lily foi a primeira a chegar à porta, só parando no final do corredor para esperar as amigas. Donna, Mary e Marlene finalmente a alcançaram.

"Eu sentei em frente a Chipper Plex hoje," disse Donna ao rumarem para o almoço no Salão Principal. "Ele estava falando com a namorada, e eu escutei tudo."

"Pervertida," disse Mary.

"Não dessa forma. Chipper trabalha para o Ministério... Charlie disse que estão chamando Lathe de volta."

"Chamando Lathe de volta? Para Londres?" indagou Lily. Donna assentiu.

"Aparentemente, deram até o Natal a ele, e se ele não conseguir nenhuma pista significante para a investigação até então, eles vão encerrar o caso."

"Quer dizer que não vão mandar um substituto?" perguntou Marlene chocada. "Eles vão apenas... seguir em frente? Mas e se mais alguém tentar... pular da Torre de Astronomia, ou no lago?"

"Já faz meses," apontou Donna. "E Lathe – infelizmente – é um dos melhores investigadores do Ministério. Se ele não pode fazer nada sobre isso, acho que o Ministério pensa que está desperdiçando recursos. Eles têm feito tantos cortes financeiros no departamento de aurores ao longo dos anos, que agora estão sobrecarregados."

"Eles não podem apenas fechar o caso," protestou Marlene, como se aquilo fosse tudo culpa de Donna. "Pode acontecer de novo!"

"O Curandeiro Holloway disse que deve ter sido por sorte que apenas aqueles três foram afetados," disse Lily, colocando um braço em volta dos ombros de Marlene. "Se fosse acontecer novamente – o que parece improvável depois de mais de três meses – são remotíssimas as chances de acontecer com as mesmas pessoas."

Adam McKinnon não estava longe dos pensamentos de nenhuma delas.

"Mesmo assim," murmurou Marlene, embora parecesse ter recebido um pouco de conforto daquelas palavras. Elas alcançaram o Salão e sentaram-se à mesa da Grifinória. O próprio Adam McKinnon chegou momentos depois, mas enquanto as garotas estavam se servindo, ele recolheu alguns itens.

"Tenho um dever de Feitiços para terminar," explicou ele. "Vejo vocês mais tarde." Com um sorriso, começou a se retirar.

"Ao menos leve um sanduíche, então," disse Marlene. "Vai morrer de fome se isso é tudo que está levando para comer."

"Olha quem fala," Mary e Adam fizeram coro. "E não estou comento carne hoje," acrescentou Adam. "Vejo vocês na aula." Ele saiu e Marlene deu de ombros, comendo uma fruta como almoço.

"O que ele quis dizer?" perguntou Lily. "Ele não está comendo carne hoje?"

"Ah, é só Adam sendo Adam," disse Marlene casualmente. "Ele dá uma de vegetariano de vez em quando. Ele não é radical nem nada... é só uma daquelas coisas. Quando se sente culpado por comer carne, não come. Não espalhem isso por aí – ele mantém isso muito escondido, porque acha que é idiota. Eu disse a ele que é apenas sensibilidade, mas... Merlin, Lily, o que houve? Você parece que viu um fantasma!" E ela tinha, de fato, ficado muito pálida.

"E daí?" perguntou Donna. "Ela provavelmente viu. Nick Quase Sem Cabeça deve estar por aqui em algum lugar."

"É uma expressão; significa…"

"Adam é vegetariano?" interrompeu Lily. "Adam é vegetariano?"

"Só às vezes," disse Marlene confusa. "Acabei de explicar: ele..."

"Eu ouvi," disse a ruiva. "Quem mais sabe?"

"Bem... eu não sei. Eu sei... não muita gente. Como eu disse, ele não é muito rígido ou..."

"Lathe sabe?"

Marlene piscou, questionando a sanidade da ruiva com o olhar. "Lathe? O investigador do Ministério? Como eu saberia? Acho que não, mas…"

Lily se levantou de repente. "Adam é vegetariano," admirou-se ela. "Não posso acreditar que você nunca mencionou... Merlin, eu tenho que ir. Eu… eu volto depois." E ela saiu correndo do Salão, mil pensamentos martelando em sua cabeça. Adam McKinnon era vegetariano. Como é que não sabia disso? O que isso significava? Como isso poderia fazer diferença? Mas tudo aquilo fazia pouca diferença: agora, tinha que encontrar Lathe.

"Merda, Evans, você está bem?"

Lily estava correndo tanto que não desacelerou quando virou uma esquina, e – como resultado – colidiu direto com Sirius Black. Ele não estava sozinho (alguma vez ele estava?), mas acompanhado por James Potter. A ruiva cambaleou para trás, agarrando-se à parede e quase caindo, mas James e Sirius agarraram um braço cada um para impedir a queda.

"Eu estou bem," disse Lily, distraída demais para ficar perturbada mesmo com a presença de James. "Eu tenho que... eu tenho que ir... aconteceu uma coisa."

"O que aconteceu?" indagou Sirius, antes que ela pudesse contorná-los. "Vamos, Evans, respire. O que houve?"

Lily não sabia o que mais dizer. "Adam McKinnon é vegetariano."

Sirius a encarou (ela não tinha ideia do que James fez; fez questão de não olhar). "Bom para ele. Mas eu não sabia que isso era um sinal do apocalipse."

"Você não vê?" insistiu a ruiva, ansiosa para ser compreendida por alguém. "Ele é vegetariano. Ele não come carne. Adam McKinnon não come carne."

"Certo, eu entendi essa parte." Sirius arqueou a sobrancelha, confuso. "Mas o que tem de mais nisso?"

"Carlotta Meloni é vegetariana." Mas foi James que respondeu. Lily finalmente fez contato visual com o capitão de quadribol.

"Exatamente," disse ela agradecida.

Sirius inclinou a cabeça para um lado. "Eu ainda não estou vendo a conexão. Então Adam e Carlotta são vegetar..." Ele parou, evidentemente enxergando a conexão. "Adam e Carlotta?"

"Adam e Carlotta," confirmou a ruiva. "Duas das três pessoas que tentaram se matar logo após uma refeição na escola são vegetarianas."

Os três ficaram calados. "Temos que encontrar Lathe," disse Sirius.

"Certo."

E lá foram eles.

Mas Lathe não estava no escritório. "Temos que encontrar McGonagall," disse Lily, mas James balançou a cabeça.

"Devemos encontrar Lathe," disse ele.

"E como vamos fazer isso?" queria saber a bruxa. "Ele pode estar em qualquer lugar. Eu já fui ao Salão Principal, e ele não estava lá. Nós não saberíamos sequer por onde começar."

Os dois Marotos se entreolharam. Sem dizer uma palavra, alguma informação parecia passar entre os dois. "Certo," disse Sirius, começando a descer o corredor. "Eu vou."

"Espere." James deu um passo adiante. "Eu vou. Você…"

"Espere aqui com Evans," disse Sirius se afastando cada vez mais. "Eu volto em cinco minutos!"

"Para onde ele está indo?" perguntou Lily, completamente perplexa, enquanto Sirius desaparecia na escadaria.

James desviou o olhar, recostando-se na parede. "Ele vai encontrar uma forma de achar Lathe. É... complicado."

"Ah." Lily assentiu. "Tudo bem. Há... quero dizer, ele tem um plano específico, ou...?"

"Ele está pegando o mapa," disse James. "Nós temos um mapa... da escola. Sirius foi pegá-lo, e isso vai ajudá-lo a descobrir onde Lathe está."

"Mas... como?"

O capitão de quadribol franziu o cenho. "É... complicado."

"Foi o que você disse," murmurou Lily, desconfiada. Cruzando os braços ela, também, recostou-se na parede e os dois esperaram. Mas Sirius não voltou em cinco minutos. Ele não voltou em dez minutos, e quase quinze minutos se passara quando os dois se falaram.

"Talvez fosse melhor a gente ir encontrá-lo," disse James, pouco à vontade.

"É," concordou Lily. "Para onde ele foi?"

"Para o dormitório, eu acho."

Bastante sem jeito, Lily e James rumaram naquela direção. Após um tempo, o silêncio se tornou demais para ela. "Então, eu vi você e Sirius duelando na aula de Defesa," começou ela. "Vocês dois são muito bons naquilo. Você usou um monte de magia realmente complexa; tenho que dizer que eu fiquei..." James olhou para ela. "Eu só estou tentado conversar," defendeu-se ela.

"Não precisa fazer isso. Além do mais, eu não acho que Severus aprovaria."

"Ele não é meu dono, James."

"Me engana que eu gosto."

"Escute, não é bem assim."

"E como é, então?"

"É... é complicado."

"Isso não é desculpa."

"Você acabou de usar isso há menos de vinte minutos, Potter!"

"Bem, é diferente."

"Mas é complicado. Escute, Sev me deu um ultimato, e ele disse que eu tinha que escolher. Se tivesse sido alguém além de você, eu teria dito para ele parar de encher, mas..."

"Uau, Evans, é uma honra. Alguém além de mim você teria defendido apenas por princípio, mas porque fui eu..."

"Vocês dois são inimigos desde sempre," explicou Lily. "Imagine se Sirius, de repente, se tornasse amigo de... de Nicolai Mulciber. Você não faria objeção alguma?"

"Sim. Eu socava a cara de Sirius e azarava Mulciber. Mas não sairia por aí dando ultimatos como uma garotinha de sete anos que precisa que tudo seja da forma que ela quer." James olhou com raiva para ela. "De qualquer forma, não faz diferença agora."

"Não, eu acho que não," disse Lily baixinho. "Se serve de consolo. Eu... sinto muito."

"Tanto faz."

Mais silêncio se seguiu. "Soube que vai passar o Natal no castelo esse ano," disse Lily após um tempo. "Vai ser divertido."

James deu de ombros. "Eu só não me importo em ver meu pai, só isso. Da última vez que nos vimos, ele estava numa onda de disciplina, e se ele acha que isso vai durar, está delirando."

Lily assentiu. "É, poderia ser desconfortável."

"O que quer dizer?"

"Eu – só que, sabe... você não o vê há meses. Ele simplesmente foi embora e então acabou de voltar... você pode se sentir desconfortável perto dele."

"Eu não," James disse determinado "Ele pode se sentir, mas eu não."

"O.K." Silêncio.

"Você acha que eu deveria voltar, não é?" perguntou o capitão de quadribol.

"Quê? Eu não disse nada disso."

"Você estava pensando."

"Então agora você lê mentes?" indagou Lily incrédula.

"Você não está negando. Estou certo, não é? Você acha que eu devia passar o Natal em casa!"

"Não é da minha conta."

"Isso não é uma resposta!"

Lily franziu o cenho. "Talvez fosse bom para você e seu pai resolverem questões pendentes... só isso. Não estou dizendo o que acho que devia fazer, ou julgando sua decisão: só estou dando minha opinião, que você pediu. Então não fique com raiva de mim por isso, está bem?"

"Eu não estava planejando isso."

"Bem, bom."

"E eu não vou passar o Natal em casa."

"A escolha é inteiramente sua."

"É sim."

"Excelente."

"Fantástico."

Eles alcançaram o buraco do retrato, mas antes que qualquer um pudesse fornecer a senha à Mulher Gorda, Sirius apareceu, passando por ele. "Ah, aí estão vocês," disse ele alegremente. "Desculpa ter demorado tanto. Mrs. Norris, sabe…" Lily não sabia, mas James sim. "De qualquer forma, eu tenho uma boa e uma má notícia. Qual querem ouvir primeiro?"

"Padfoot," disse James, e Sirius limpou a garganta.

"Está bem. Eu vou contar. A boa notícia é que Kelly Hacker e Jake Preston terminaram – acabei de encontrá-los no quarto andar, onde Mrs. Norris está presa numa armadura no momento... foi muito dramático, eu lhes garanto: o fim do namoro, quero dizer... não Mrs. Norris entrando na armadura. Isso foi relativamente sem drama."

"Padfoot."

"Certo. Então, a má notícia é que Lathe não está no castelo."

"E você – você sabe disso por um mapa?" perguntou Lily confusa.

"Você contou a ela?" Sirius questionou James.

"Por cima."

"Eu realmente não entendo." Lily suspirou.

"Nós temos um mapa que mostra a localização exata de todo mundo na escola," disse Sirius. Lily o encarou. "Não, eu não estou brincando. Nós temos. É real. É útil. Você não pode contar."

"Não vou contar. É… onde conseguiram?"

"Já chega," interveio James quando Sirius abriu a boca para explicar. "Calado, ou vou dizer a ela seu nome do meio Black."

"Como queira, James Alexander."

James revirou os olhos. "Onde está Lathe se não está aqui?"

"Ele estava no café da manhã," disse Lily. "Eu o vi... talvez ele tenha ido a Hogsmeade, ou aparatado para Londres."

"É provável," concordou Sirius. "Mas não há muito que possamos fazer até ele voltar, não é?"

"Acho que vou até McGonagall," disse Lily. "Ela devia saber que..."

"Que o quê?" manifestou-se James. "Que Adam McKinnon é vegetariano? Lily, não sei se você percebe como parece maluca falando isso. Não pode simplesmente ir para McGonagall com isso – é diferente de Lathe... ele quer cada pedaço de informação, mas McGonagall..."

"Então, o que você sugere, Prongs?" perguntou Sirius. "Sentar e esperar? Não é muito seu estilo, é?"

"Não," disse James. "Mas você está se esquecendo de alguém. Carlotta e Adam são vegetarianos. Mas outra pessoa tentou se matar."

"Ele está certo," concordou o outro Maroto. "E a lufana que tentou pular no lago?"

(Não Culpado)

Seu nome era Linda Maxson, e a garota – como qualquer quartanista racional – ficou muito confusa quando Lily Evans se aproximou dela entre o quarto e o quinto período. O mapa misterioso dos Marotos (que James se recusara a trazer do dormitório e, portanto, estava fora das vistas de Lily) mostrara que a garota estava no Salão Principal na hora do almoço, mas quando a localizaram, o almoço estava quase terminando. Como resultado, a ruiva passara noventa minutos de impaciência na aula de Feitiços, antes de sair correndo para localizar Linda Maxson.

"Oi, Linda," começou a sextanista, no que esperava ser uma maneira simpática e convidativa.

"Oi," disse Linda intrigada.

"Eu sou Lily Evans."

"Eu sei. É… bom… te conhecer?"

"Você também," disse Lily sorrindo. "Linda, eu tenho uma pergunta para você."

"Tudo bem?"

"Isso pode parecer muito estranho, mas – você por acaso é vegetariana?"

Perplexa, mas obediente, a quartanista balançou a cabeça. "Não. Não, eu não sou vegetariana."

Lily a encarou, incerta sobre o que pensar. Estava tão certa: tão convencida de que a resposta seria positiva, que essa era a resposta que estavam procurando, que era o que Lathe tinha deixado escapar. Como poderia ser de outra forma? Como resultado, a ruiva estava completamente despreparada para qualquer outro tipo de resposta.

"Você... você não é?"

Linda sacudiu a cabeça. "Não."

"E – e você nunca foi vegetariana?"

"Não."

"Nunca?"

"Nunca." Lily ficou calada por um tempo. "Mas é engraçado você perguntar."

"É?" indagou a ruiva. Linda assentiu.

"Sim – aquele tal Sr. Lathe: o investigador do Ministério: me fez a mesma pergunta no começo do ano... depois que fiz a primeira entrevista com ele, ele me fez algumas perguntas complementares cerca de uma semana depois, e me perguntou se eu era vegetariana. Eu disse que não era e isso foi tudo... por que é importante?"

"Eu acho que não é," disse Lily, "não se você não é vegetariana. Linda, há algo incomum na sua alimentação... no que você come, quando come... especialmente no dia 2 de setembro?"

"Eu não tenho nenhum tipo de distúrbio, se é isso que está dizendo," respondeu Linda indignada. "Não, não há nada de incomum. Eu como igual a todo mundo, e eu comi igual a todos em 2 de setembro também. Agora, se não há mais nada... eu tenho aula de Herbologia."

Lily suspirou. "Não, muito obrigada pelo seu tempo."

Assentindo, Linda se foi. Lily se virou e subiu a escadaria de mármore, no topo da qual James Potter e Sirius Black esperavam sua chegava batendo papo.

"E aí?" perguntou Sirius quando ela chegou.

Lily balançou a cabeça. "Ela não é vegetariana e nunca foi. Parece que Lathe fez a mesma pergunta em setembro, o que explicaria porque ele não investigou Adam, pois se ela não é, toda a conexão fica perdida."

"Mas aposto que Lathe perguntou a Adam," disse Sirius. O rapaz verificou o relógio. "Você tem aula em vinte minutos, Lily querida, e eu e James também."

Era verdade – Runas Antigas estava para começar, e a sala era na outra extremidade do castelo. "Vocês têm Trato de Criaturas Mágicas, não é?" indagou ela, e os dois Marotos assentiram. "Adam McKinnon está nessa aula – não perguntem a ele sem mim, certo?"

"Certo," disse Sirius.

"Certo," disse James.

Lily cruzou os braços. "Estou falando sério, não perguntem."

Sirius colocou uma mão apaziguadora nos ombros da ruiva. "Sério, Lily, não vamos perguntar."

(Sem Resposta)

"Então, Adam, ouvi dizer que você é vegetariano," disse Sirius. James revirou os olhos. "Cai fora, Prongs. Eu não sou um santo."

Adam olhou para os dois – em pé, de cada lado dele, tremendo com o restante da turma no gélido ar de dezembro. "Droga, vocês dois vão tirar sarro disso, não é? E daí que eu gosto dos animais – vão mesmo zoar um cara por conta disso?"

"Pelo contrário," disse James, "nós respeitamos."

"Eu mesmo amo animais," concordou Sirius.

"Ninguém quer saber da sua vida pessoal, Padfoot."

"Não foi isso que eu quis dizer, Potter. Foda-se."

"E, mais uma vez, cara, ninguém quer saber da sua vida pessoal..."

Adam balançou a cabeça. "Isso é tudo que têm para falar comigo? Do fato de que de vez em quando eu me sinto culpado por massacrar os animais?"

"Não," disse Sirius. "Na verdade a gente estava um pouco curioso sobre isso – com que frequência diria que se sente culpado?"

"E," pressionou James, "estava se sentindo particularmente culpado por isso por volta da hora do almoço em 2 de setembro?"

Adam arqueou as sobrancelhas, desconfiado. "Vocês dois parecem aquele Lathe do Ministério... mas sei onde querem chegar. Ele me fez a mesma pergunta em setembro, e eu disse que eu nem sequer almocei naquele dia. Eu lembro porque estava no Salão Principal com Marlene Price, mas ela estava... sendo Marlene, o que significa que ela decide aleatoriamente que não pode comer, o que é ridículo, é claro, por isso eu digo a ela que ela não é... bem, a questão é: eu não comi nada naquele dia."

Os dois Marotos o encararam. "Nada?" perguntou James.

"Nada mesmo?" perguntou Sirius.

Adam balançou a cabeça.

"Nem sequer – nem sequer um gole de suco de abóbora?"

O goleiro ponderou a pergunta. "É possível que eu tenha tomado um pouco de suco de abóbora," admitiu ele. "Eu não me lembro de ter tomado nada, mas há uma possibilidade remota de que eu tenha tomado um pouco de suco."

"E é isso?" questionou Sirius. "Nada de comida?"

"Nadinha?" esclareceu James.

"Nadinha," disse Adam.


"Nadinha?" indagou Lily. Sirius balançou a cabeça.

"Nada de comida. Possivelmente um pouco de suco de abóbora, mas nada de comida."

"Eu sabia que vocês iam perguntar quando eu não estivesse," acrescentou a ruiva, ressentida. Os dois Marotos apenas sacudiram os ombros ao caminharem para o jantar no Salão Principal. "Então... então isso quer dizer que é mesmo apenas uma coincidência – Adam e Carlotta serem vegetarianos?"

"Talvez tenha sido algo no suco de abóbora," sugeriu Sirius.

"Mas isso..." começou Lily, apenas para ser interrompida por James:

"Isso não explicaria porque apenas essas três pessoas foram as únicas afetadas," disse ele. "Parece que foi coincidência."

Lily suspirou. Ela estava tão certa. Eles alcançaram a mesa da Grifinória, e James e Sirius avistaram Remus e Peter, enquanto a ruiva viu as amigas mais abaixo na mesa. "Bem..." começou ela sem jeito, "obrigada pela ajuda de vocês hoje."

"Bobagem. Estávamos entediados de qualquer forma," disse Sirius. James não disse nada. "Te vejo por aí, Evans." Os dois garotos se juntaram aos amigos, e Lily se juntou às amigas. Sentando-se ao lado de Donna, procurou por Severus na mesa da Sonserina, mas ele ainda estava desaparecido. A ruiva suspirou, servindo-se de salsichas e tentando ingressar na conversa das outras garotas.

"Para que toda essa comida extra, Mar?" perguntou ela, percebendo que Marlene estava servindo batatas e costela de cordeiro em um prato adicional.

"Bem," respondeu a loira, "acontece que algum Lufa-Lufa estúpido perguntou a Alice Griffiths como ela estava lidando com o fato de que Carlotta e Frank tinham saído duas vezes... ela não ficou com muita vontade de descer para jantar depois disso, então Hestia Clearwater me pediu para levar algo para elas comerem."

"Fabuloso," murmurou a monitora. "Simplesmente fabuloso."

Enquanto as garotas comiam, Lily viu seus olhos vagarem na direção da mesa da Lufa-Lufa. Linda Maxson estava sentada com alguns de seus amigos quartanistas. Um prato intocado à sua frente enquanto a bruxa conversava e ria com os amigos como se nada no mundo a incomodasse.

Ela estava tão certa que aquela era a conexão. Tudo se encaixara tão...

"Foi bastante estúpido, Mary," dizia Marlene à amiga. "Eu te disse para comer alguma coisa... mas não, você podia aguentar."

"Eu não estava tão bêbada," argumentou Mary, rindo. "Não estava!"

"Você estava fazendo sua melhor versão de 'Joy to the World'," apontou Donna, "em plenos pulmões ao vestir um roupão de banho."

"Isso," argumentou Mary, "não aconteceu até a gente subir de volta para o dormitório: só vocês três me viram, afinal. E não é culpa minha se não tenho habilidade para aguentar bebida alcoólica!".

"Você devia ter comido alguma coisa," opinou Marlene mais uma vez.

E então, a revelação. Lily olhou boquiaberta para as amigas, mas elas continuaram a conversa, completamente alheias à súbita inspiração que atingira a monitora ou ao fato de que tinham desempenhando algum papel no que quer que fosse.

Por que Linda Maxson não estava comendo nada?

"Merda." Lily se levantou. As amigas olharam para ela.

"Você vai fazer aquela coisa de maluco novamente, onde sai daqui com uma expressão maníaca e sem nenhuma explicação?" indagou Donna cansada.

"É como álcool!" gritou ela. Donna suspirou. "E... e ela tem um distúrbio alimentar! Ela ficou na defensiva quando perguntei sobre a comida, e... e ela tem um distúrbio alimentar!"

"Não tenho não," disse Marlene.

"Não estou falando de você." Lily mordeu o lábio. "Tenho que ir à biblioteca. Eu... Eu vejo vocês mais tarde."

"Eu sabia," murmurou Donna enquanto Lily, mais uma vez, saía correndo.

(Homem de Lugar Nenhum)

Lily viu Sirius estranhamente sozinho na sala comunal mais tarde naquela noite. Carregando um livro enorme que pegara emprestado na biblioteca, a bruxa correu na direção dele.

"Black," ela anunciou sua presença e ele ergueu os olhos.

"Evans. Caramba, você podia matar alguém com esse livro – e provavelmente ia parecer um acidente."

"Na verdade," disse Lily, sentando-se ao lado do Maroto, "é exatamente isso que se pode fazer com esse livro." Ela abriu a capa. "É sobre venenos e objetos amaldiçoados. Onde está Potter?"

"Num encontro," disse Sirius sem rodeios. "E aí? O que é esse livro assassino?"

Lily afastou a notícia de que James estava em um encontro; mas aquilo inexplicavelmente a irritava – ele devia estar ali para ouvir isso, embora ela não soubesse por que sua presença parecia necessária. "Eu acho que encontrei a conexão entre Carlotta, Adam e Linda Maxson."

"Sério? E qual é?" Ele se endireitou, o interesse crescendo.

"Carlotta e Adam são vegetarianos; eles não comem carne, o que pode levar à deficiência de algo chamado proteína, que está na carne – não tenho certeza sobre qual o conhecimento dos bruxos quanto à saúde, mas..."

"Não desvie do assunto, Evans."

"Certo. Carlotta e Adam comeram alguma coisa – na verdade, provavelmente beberam alguma coisa (o suco de abóbora) que não caiu bem para eles, porque estava exposto à magia negra. O Curandeiro Holloway disse que a razão de os três tentarem se matar foi resultado de 'Exposição acidental a objetos contendo magia das trevas'. Eles foram expostos... a comida foi."

"Então por que foi que todo mundo não tentou se matar? Todos nós tomamos suco de abóbora."

"Não, não tomamos," corrigiu Lily. "Pense: era o banquete de boas-vindas... havia cerveja amanteigada esse ano. Isso explica porque nenhum outro vegetariano da escola foi afetado como Carlotta e Adam. Eles beberam cerveja amanteigada ao invés de suco de abóbora. Carlotta deve ter bebido suco de abóbora no banquete... eu verificaria, mas ela meio que me odeia no momento... longa história."

"E a quartanista da Lufa-Lufa? Ela não é vegetariana."

"Não," concordou a ruiva. "Mas ela tem um distúrbio alimentar. Não come muito. não comeu carne alguma – talvez não tenha comido nada, com exceção do suco. Minha teoria é a de que se você comeu bastante na refeição – ou se comeu carne – seja o que for que estivesse errado com o suco não teve qualquer efeito em você. Como, se você está tomando bebida alcoólica, mas está comendo ao mesmo tempo, não vai ficar bêbado logo."

"Então... então alguém enfeitiçou o suco de abóbora?"

"Não," Lily balançou a cabeça. "Quero dizer, eu não faço ideia, mas... provavelmente não. É tudo muito aleatório para ser intencional. Estava lendo sobre isso aqui..." Ela ergueu o livro. "'Exposição acidental a objetos contendo magia das trevas', como disse o Curandeiro Holloway. A comida foi exposta a alguma coisa... provavelmente no armazenamento, ou antes de chegar à escola. Os efeitos em particular... fazer três alunos perderem seus instintos de autodefesa, provavelmente são apenas resultado de uma perfeita tempestade de ocasiões imprevisíveis: o suco armazenado incorretamente, eles não comendo carne, etecetera. A única parte que não faz sentido é que Adam e a garota da Lufa-Lufa só foram afetados no dia seguinte, e a comida que comemos no banquete é diferente da do resto do ano."

"Não," disse Sirius pensativo. "Não, faz sentido. Quando os elfos domésticos pedem comida em excesso para os banquetes, eles guardam e a preparam para o dia seguinte. Teve sobras de comida por dias esse ano... eu saberia. Vou às cozinhas quase todo dia. Deve ter sobrado suco de abóbora do banquete."

"E isso desencadeou tudo."

"Quem for o responsável por armazenar a comida dessa maneira vai estar com sérios problemas."

Lily assentiu. "Temos que encontrar Lathe."

Sirius balançou a cabeça. "Ele não volta até às dez da noite... Eu ouvi McGonagall e Slughorn conversando depois do jantar. Longa história: estávamos alterando todos os troféus da Sala de Troféus para aparecer: 'Peeves o Poltergeist, por Serviços Prestados à Escola.'"

"Por que diabos vocês fariam isso?" indagou Lily.

"Mais para aborrecer Filch." Ele se levantou do sofá. "E aí, você vem?"

"Para onde?"

"Esperar por Lathe, é claro."


"Sabe," comentou Lily, enquanto os dois se sentavam do lado de fora do escritório de Lathe algum tempo depois, "a gente podia ter esperado na sala comunal."

"Nem me fale na sala comunal," respondeu Sirius de forma provocativamente seca. "Eu ainda não entendo porque não me deixa arrombar o escritório. Seria fichinha."

"Nós iríamos nos encrencar!"

"Antes ou depois de darmos a Lathe a pista que ele precisa para continuar a investigação na escola?" Sirius olhou para ela. Lily não o encarou. "Você é paranoica, Evans."

"Bom, isso é verdade. Como você soube sobre Lathe ter saído?"

"Meu tio me disse," falou Sirius casualmente. "Mas não espalhe por aí... nepotismo e tudo mais."

"Por favor," zombou Lily. "Eu não sabia que nepotismo era desaprovado na sociedade mágica. Sempre pareceu mais incentivado que qualquer outra cosia."

"É justo," admitiu o outro. "Mas não é algo de que todos nós nos orgulhamos. Acredite, se fosse por mim, eu estaria numa árvore genealógica mais nascida-trouxa."

Lily assentiu sem jeito. "Mas... mas seu tio… ele é legal, não é? Quer dizer, ele é um professor excelente, e ele parece incrível."

"É," Sirius confirmou com a cabeça, encarando um pedaço de gaze no degrau abaixo. "É, ele é legal. Quero dizer, eu não o conheço tão bem... antes desse trimestre, a gente só se via uma ou duas vezes ao ano."

"E por que isso? Eu pensei que as famílias mágicas antigas eram mais... unidas."

"Geralmente, nós somos. Eu cresci com meus primos como irmãos, e todos os outros tios e tias jantavam lá em casa toda semana. Mas tio Alphard é mais... sabe... normal. Ele viajava muito, não ficava muito na Inglaterra, assim não tinha que confrontar a irmã – que é minha mãe – sobre todas as coisas das quais discordavam. É por isso que ele nunca foi renegado. Ele apenas mantém a boca fechada. Você pode ver..." isso ele acrescentou comum sorriso irônico, "… que nós dois não temos tudo em comum."

Lily sorriu com sinceridade. "Você se parece com ele."

"Bem, eu sou cerca de 80 anos mais jovem," disse Sirius, e então – em resposta ao olhar curioso que ela lhe lançou – explicou: "É, o Professor Black tem quase 100 anos. Não parece, não é? Mas essa é a beleza de ser mágico, não é mesmo? Não se começa a parecer realmente velho até... 105 anos, talvez 110. Naturalmente, eu não pretendo passar dos 40 anos."

"Não," disse Lily, "você não ia querer isso, não é?"

"Vocês precisam de alguma coisa?" disse uma nova voz, Lathe apareceu no patamar abaixo deles, confuso pela presença dos dois alunos, que impediam o caminho para seu escritório. Ele voltara mais cedo.

"Sim," disse Lily, levantando-se.

"Sim," concordou Sirius. "E depois que você nos entregar todo dinheiro que tem consigo, vamos te contar algo muito interessante." Lily lhe deu uma cotovelada. "Foi uma piada."

"Nós temos algo para lhe contar," disse a ruiva em voz alta, esperando evitar mais piadas. Sirius assentiu. Lathe olhou para ele. "É muito importante."

(Quer Saber um Segredo?)

Minerva McGonagall estava deixando a sala dos professores quando James Potter a alcançou naquela noite. Ele sabia exatamente onde ela estava (graças ao Mapa do Maroto), mas, mesmo assim, ficou agradecido de alcançá-la de saída, pois era mais provável que ela lhe desse uma detenção por invadir a sala dos professores vinte minutos depois do toque de recolher do que por alcançá-la no corredor naquela hora.

"Professora McGonagall!" chamou o capitão de quadribol, e ela parou, confusa, enquanto ele a alcançava. "Professora, eu..."

"Já passou do toque de recolher, Potter," disse McGonagall friamente. "É bom que seja importante."

"Eu vim procurá-la, Professora, eu prometo..." Tecnicamente, aquilo constituía uma mentira, porque estivera em um encontro nas últimas horas. No entanto, a maior parte do encontro transcorrera antes do toque de recolher, então James se sentiu mais verdadeiro. "Eu só queria falar com a senhora antes de amanhã, porque sei que está encarregada de relacionar quem vai ficar no castelo e quem vai para casa... e eu queria comunicar com a maior antecedência possível. Sei que não assinei a lista, mas eu decidi ir para casa no feriado."

McGonagall examinou o jovem bruxo, bastante confusa. "Isso podia ter esperado até amanhã," disse ela, obviamente sem ver a importância, mas James sentiu-a agudamente.

"Me desculpe. Como eu disse – eu queria comunicar à senhora com a maior antecedência possível."

Ela ficou em silêncio, e em seguida assentiu. "Muito bem. É melhor retornar ao seu dormitório agora..."

"Sim, professora." Ele começou a se retirar.

"E, Potter," acrescentou a professora de Transfiguração, "se não quiser uma detenção, é melhor ter cuidado para que o Sr. Filch não perceba que você está acordado andando por aí."

O bruxo assentiu, sorrindo um pouco. "Sim, Professora." E ele se virou e partiu.

James estava a meio caminho da sala comunal quando topou com Sirius. "Prongs, cara," disse o último, alegremente, "boas notícias: vimos Lathe."

"Eu vou precisar de mais detalhes do que isso, Padfoot."

"Certo. É claro. Lily descobriu tudo, e nós dois fomos ver Lathe… contamos tudo a ele, o que é muito complicado, e eu não estou muito a fim de tentar explicar tudo... algo sobre álcool, materiais das trevas, suco de abóbora... eu mal prestei atenção," acrescentou casualmente. James arqueou as sobrancelhas. "A questão é, muito em breve Lathe vai partir para Hogsmeade para investigar porque itens extremamente amaldiçoados estavam sendo armazenados perto da comida... ou sendo armazenados de qualquer forma, na verdade, e o mundo é salvo, graças a Sirius Black."

"Por que é que eu duvido disso?"

"Você está certo. Lily fez a maior parte ou até todo o trabalho... ela até foi à biblioteca por isso, Prongs... acho que não estive na biblioteca desde quando estávamos tentando resolver os problemas de... saúde de Moony. Mostra dedicação por parte da encantadora Senhorita Evans, você não acha?"

"Sirius, você ainda nem me disse do que se trata. Por que os três tentaram se matar? O que isso tem a ver com álcool?"

"Depois," disse Sirius secamente. "Mais importante, como foi seu encontro?"

James revirou os olhos. "Bem. Foi bem. Larisa Montanez ficou muito impressionada com o mais simples feitiço que eu realizei e riu de todas as minhas piadas… até das que não entendeu muito bem. Foi bem."

"E aí, deu sorte?"

"Não. Nós… demos uns amassos."

"Um cavalheiro."

"Cai fora." James se lembrou de alguma coisa: "E onde você estava indo agora?"

"Te encontrar, é claro."

"Isso teria sido inútil, já que não fazia ideia de onde eu estava."

"Não fazia?" perguntou Sirius enigmaticamente.

"Bem, eu estou com o mapa, então você não tinha como saber."

Padfoot assentiu. "Então, isso significa que você não estava falando com a Professora McGonagall do lado de fora da sala dos professores?"

James olhou confuso para o amigo. "Como sabia disso?"

"Eu conheço você", respondeu Sirius. "Prongs, somos amigos desde sempre. Somos amigos antes de qualquer um de nós saber o que era uma maldição Confundus... quando éramos tão alheios que desejávamos que Hogwarts não fosse mista. Passamos por praticamente todas as experiências importantes da vida juntos... exceto o nascimento. Quero dizer, quando estava recebendo sua primeira detenção, a quem estava encobrindo? A mim. E quando eu recebi minha primeira detenção, quem eu estava tentando livrar da primeira detenção? Você. Nós ouvimos O Álbum Branco a primeira vez juntos. Descobrimos como entrar nos dormitórios femininos juntos. Convencemos Marvin Eggers de que ele era uma garota por um dia inteiro juntos. Eu estava até na sala no seu primeiro beijo, que, deixe-me dizer, foi estranho, e estou muito satisfeito por Carlotta nunca ter descoberto que eu estava no armário. A questão é, nós temos gestos e códigos secretos para praticamente tudo que a gente queira dizer de forma escondida... Você sempre foi meu melhor amigo, Prongs, e eu te conheço."

Sirius bateu no ombro de James, que assentiu lentamente. "Mas, sério, como você sabia?"

"Encontrei Larisa Montanez quando estava voltando do escritório de Lathe... ela me disse que você tinha ido encontrar McGonagall na sala dos professores."

"Certo." No que ele esperava ser um tom casual, James acrescentou: "Eu pensei que você e Evans tinham ido ver Lathe juntos. Para onde ela foi?"

E porque – apesar de tudo – Padfoot realmente conhecia Prongs muito bem, Sirius reprimiu o comentário provocativo que surgiu na ponta da língua, reprimiu o olhar de quem sabe das coisas que queria lançar ao amigo, e arriscou apenas um pequeno sorriso ao responder: "Ela teve que parar na ala hospitalar. Acho que queria visitar alguém."

James assentiu. "E, você sabe que vai ter que me contar do que isso tudo se trata... sobre Lathe, e os suicídios..."

"Ah, eu sei. Vou explicar tudo quando Moony e Wormtail estiverem por aqui."


Inexplicavelmente, Lily hesitou antes de entrar na enfermaria. Tinha ido ver se Severus – que não aparecera em nenhuma aula ou refeição o dia inteiro – estava doente e consequente internado. Ao empurrar a porta e passar por ela, a monitora formulava mentalmente uma desculpa para dar ao Curandeiro Holloway, pois já passava do toque de recolher, e não estava muito a fim de receber detenção.

A princípio, a enfermaria parecia vazia: o Curandeiro não estava à vista, e todas as camas estavam vazias. "Holloway deve estar no escritório," pensou a ruiva. Estava prestes a rumar nessa direção quando avistou uma cama fechada no canto. Holloway estava ao lado da cortina, e falava com quem estava por trás dela.

"Como Curandeiro, eu devo lhe aconselhar a deixar a escolar," disse Holloway com a voz séria. Lily teve a sensação que essa era o tipo de conversa que não deveria escutar. Embora a curiosidade ardesse dentro dela, a garota estava prestes a sair quando uma voz masculina – familiar, mas momentaneamente não identificável – respondeu ao conselho.

"Eu não posso ir embora. Eu me comprometi: com Dumbledore e com... bem, eu me comprometi a ficar aqui. Não posso simplesmente partir agora. Só preciso de poções para dor que me ajudem pelo resto do ano..."

"Você pode não viver o resto do ano," respondeu Holloway rispidamente. "Você pode não sobreviver ao Natal. Pelo amor de Merlin, você não quer passar seus últimos dias aqui, quer?"

Houve um breve momento de silêncio, e então: "E onde mais eu ia querer estar, Holloway? Eu passei alguns dos meus melhores dias aqui, afinal."

"Mas sua família…"

"Eu tenho família aqui."

"Pode haver algo que eles possam fazer em St. Mungo's. Há experiências sendo conduzidas enquanto falamos..."

"Não há cura," interrompeu o homem por trás da cortina. "Holloway, eu vou morrer. Eu vou morrer muito em breve, e, muito provavelmente, vou morrer aqui. Não vamos camuflar a verdade."

"Eu não camuflo a verdade," resmungou o Curandeiro.

"Excelente. Estamos falando a mesma língua, então. Excelente."

E Lily percebeu quem estava por trás da cortina. O Professor Black.

Tinha que sair dali antes que qualquer um deles notasse que ela ouvira tal conversa, mas quando se virou para sair, o Curandeiro Holloway percebeu o movimento.

"Espere aí!" gritou ele, e Lily parou. Com os punhos cerrados de puro nervosismo, ela esperou ele começar o sermão, começar a tirar pontos e distribuir algumas detenções. "O que diabos está fazendo aqui?" vociferou, claramente mais zangado por ter sido descuidado do que pela presença dela. "Já passou do toque de recolher!"

"Eu, eu sinto muito, Professor, eu só... eu vim pegar alg-algum medicamente para dor de cabeça. Estou com uma dor de cabeça terrível e não consigo dormir."

"Bem," rosnou Holloway, "você pode apenas…"

"Espere," disse com suavidade a voz desencarnada do Professor Black, "pegue a poção para ela, Holloway. Está tudo bem." Resmungando, o Curandeiro rumou para seu estoque pessoal. Lily esperou sem jeito por alguns segundos, antes de o Professor se dirigir a ela. Ele afastou a cortina para que pudesse ver a aluna, e educadamente perguntou: "Será que pode se aproximar, Senhorita Evans? Receio ter acabado de tomar um tônico que pode induzir tontura, e..." Mas Lily já estava ao seu lado.

Tenha tato, pensou ela. Finja não ter ouvido nada. É óbvio que ele não quer que isso se espalhe, e talvez ele não vá saber que você ouviu...

Mas Lily não conseguiu se conter. "Sirius não sabe, não é?" perguntou temerosa. Black, surpreso, arqueou as sobrancelhas.

Por fim, ele respondeu: "Não, Sirius não sabe. E eu peço que isso permaneça entre nós dois. Não conte a ele."

Vinte quatro horas atrás, Lily teria assentindo e aceitado isso. A escolha era de Black: era ele quem estava morrendo e era ele quem tinha que escolher a quem contar. Mas a imagem de Sirius, sentando ao seu lado na escada, fazendo gracejos e tentando parecer que não se importava com o tio (embora ele obviamente se importasse) ficou com ela. "Eu não vou contar a ele, mas o senhor simplesmente tem que contar," disse ela. "Professor Black, eu sinto muito ter escutado isso... eu daria tudo para voltar atrás, e se o senhor quiser lançar um feitiço de memória em mim, tudo bem, mas... mas Sirius se importa com o senhor... ele conta com você e confia em você, e se não contar a ele, ele vai... ele vai..."

"Ele vai o quê, Senhorita Evans?"

"Ele vai perder a fé," disse Lily em voz baixa. "Eu sinto muito. Isso... Isso não é da minha conta. Eu nem deveria estar aqui." Ela começou a se retirar.

"Seu medicamento, Senhorita Evans," lembrou-lhe Black calmamente.

"Eu não estou com dor de cabeça," confessou. "Eu vim porque Severus Snape faltou a todas as aulas, e queria ver se ele tinha vindo à ala hospitalar."

Antes que o Professor Black pudesse responder, porém, o Curandeiro Holloway retornou. Trouxe consigo um pequeno frasco com um liquido roxo transparente. "Tome isso," ordenou, mais calmo agora, "nada de comida ou bebida meia hora antes e meia hora depois. Entendido?"

Lily assentiu. Ela pegou o frasco e mais uma vez começou a se retirar. Dera alguns passos, porém, antes de o Professor Black falar, dirigindo-se ao Curandeiro. "Holloway," disse ele, "Severus Snape passou por aqui hoje?"

"Aham… estava com um pouco de gripe... Eu lhe dei uma poção e disse para ficar aqui, mas ele insistiu em descansar no dormitório."

"Entendo."

Lily parou à porta e sorriu de forma agradecida, mas fraca, para o Professor Black. Ele acenou discretamente com a cabeça e a ruiva saiu da enfermaria.

A Torre da Grifinória ainda estava lotada quando a sextanista voltou, mas Sirius Black felizmente estava ausente. Não podia encará-lo agora... Precisava de tempo para digerir tudo aquilo. O Professor Black estava morrendo... Ele podia não sobreviver ao Natal, e ela sabia disso. Pelo que parecia, era uma das poucas que sabiam.

Movendo-se rapidamente pela sala comunal, Lily nem sequer parou para conversar com as amigas, mas foi direito para o dormitório, rezando para que estivesse vazio. Precisava da solução: precisava sentar na cama e escutar algo alegre – talvez Help! ou Please, Please Me – e esvaziar a mente de tudo que a congestionava.

Quando ela entrou, o dormitório pareceu vazio a princípio, mas Lily estava pegando a camisola na gaveta quando Carlotta Meloni saiu do banheiro. Em um primeiro instante, a bela morena parecia apenas surpresa, mas sua expressão rapidamente mudou para uma de indignação fria e superior. "Ora, se não é a Santa Lily," murmurou ela, depositando alguns itens pessoais sobre a cama.

Mas era tarde demais, e era o bastante.

"Cai fora, Carlotta," retrucou ela.

Carlotta olhou para ela, arqueando uma sobrancelha perfeita. "E por que eu deveria?" desafiou. Lily cruzou os braços.

"Você é uma vadia," disse ela. "E todo mundo acha isso. Saiba que todas as pessoas nessa escola estão do lado de Alice... até os rapazes, cujo único interesse no assunto é 'será que Frank Longbottom deu sorte?', não estão impressionados por você, porque, afinal de contas, você é uma vadia."

Carlotta abriu a boca, fosse para protestar ou simplesmente por surpresa, mas Lily não tinha acabado.

"Você é fácil e todo mundo sabe disso, e, você está certa – não vou mais tentar ser legal com você. Então, se acha que manter minha boca fechada sobre o fato de que você machucou uma das minhas amigas é 'artificial', não vou fazer isso. Não vou me forçar a pensar que 'talvez Carlotta seja mal compreendida', porque o fato é que você não é. Você não é complicada, Carlotta; você é apenas mesquinha e egoísta, e, no fim das contas, uma espécie de piranha. E, o que não é tão ruim, mas em sua mente deve ser cem vezes pior: você é perfeitamente comum. Gosta de Frank Longbottom porque ele é algo que você nunca pode ter de verdade, porque ele nunca gostou de você de verdade. Você não se importa em machucar Alice porque ela é alguém que você não consegue sequer entender. Ela não dormiu com metade da escola, e aposto que não acorda pela manhã parecendo ter surgido de uma revista de moda, mas ela é doce e as pessoas a admiram. Ninguém te admira, Carlotta. Então, no fim, a única razão pela qual você fez qualquer dessas coisas não é algo grande, o destino maior ou algo assim... é a tipicamente dolorosa e extremamente clichê: inveja. E não fique irritadinha comigo quando estou tentando ser honesta com você, Carlotta; eu já entendi. O fato é que você fez algo errado, e não importa o quanto raciocine, não vai conseguir consertar isso em sua mente. Você se sente culpada." Carlotta a encarou. "Não seja tão dura consigo mesma, Car," acrescentou Lily doce e venenosamente, "é perfeitamente comum se sentir culpada. E se está procurando sua escova de cabelo, está debaixo da cômoda."

Pela primeira vez, Lily dissera a coisa perfeita no momento perfeito. Ela girou nos calcanhares e dirigiu-se ao banheiro, orgulho e culpa surgindo simultaneamente dentro de si.


O Professor Black estava morrendo. Carlotta era uma vadia. Sirius Black era um cara bacana. As tentativas de suicídio tinham sido acidentais. Lathe ia investigar em Hogsmeade. O Professor Black estava morrendo.

Lily teve dificuldade para dormir naquela noite, e não apenas porque uma pequena parte dela acreditava que Carlotta podia estar esperando ela adormecer para poder azará-la enquanto dormia. Os acontecimentos do dia passavam em sua cabeça como imagens de um rolo de filme que estava no modo de repetição.

O Professor Black estava morrendo. Carlotta era uma vadia. Sirius Black era um cara bacana. As tentativas de suicídio tinham sido acidentais. Lathe ia investigar em Hogsmeade...

E então, quase de repente, dois e dois somaram quatro.

Lathe ia investigar em Hogsmeade.

Então, foi a voz de Luke Harper que Lily ouviu em sua cabeça. "É claro..." e a imagem dele, sentado ao seu lado na festa de Halloween, estava clara como se o episódio tivesse acontecido no dia anterior "... a comida não vai ser tão boa quanto geralmente é nessas festas. Eles encomendaram de alguma loja em Londres, em vez da loja da minha família em Hogsmeade."

Porque era a loja dos Harpers que geralmente fornecia a comida para as festas da escola.

Lily se sentou na cama.

Eram os Harpes que estavam armazenando materiais contendo magia das trevas.