Esse é o Epílogo.

Vivian Malfoy – que sempre comentou aqui, não podia deixar de te mandar um beijo em especial. Beijos, querida.

De Zabini – anda meio sumida, mas também não poderia deixar de te agradecer especialmente, né? Então, obrigada por tudo e beijo grande pra ti.


"Eu encontrei quando não quis mais
Procurar o meu amor
E quanto levou?
Foi para eu merecer.
Antes um mês e eu já não sei"

"Gin, ela está fazendo de novo!" – Draco gritou da sala.

Gina riu. Apoiada no balcão da cozinha, balançou a cabeça achando graça no tom desesperado com o qual Draco gritava.

"Ela só está brincando com você" – Gina respondeu.

Ela ainda ouviu Draco resmungar alguma coisa. Depois, mirando a aliança no dedo anular da mão direita, sorriu satisfeita para ela mesma.

Eles estavam juntos há algum tempo agora. Era quase uma vida nova que eles tinham começado a compartilhar juntos. Ele tinha dado a ela tudo aquilo que ela sempre quisera de um homem. Mas acima de tudo, ele a tinha feito perceber que merecia isso.

Estar com Draco Malfoy era tudo ao mesmo tempo: uma onda imensa de situações e sentimentos. Ele era incrível em muitas coisas e de longe, não lembrava o garotinho petulante que ela conhecera na infância. E ela tinha mudado também. Tinha deixado para trás o passado que a machucara tanto. Harry Potter – o menino que destruiu o coração dela – não era mais nada do que uma lembrança desagradável.

Claro, ela nunca o esqueceria. De fato, ele tinha sido o herói dela. Mas Harry era apenas isso, um herói. Como homem, Harry não era nada.

E ela ainda sentia alguma magoa dele, não podia ser diferente. Mas já não era aquele sentimento sufocado de dor e decepção. Era mais parecido com o sentimento que se tem quando algo dá errado. Não chegava a doer mais. Não incomodava.

"Gin" – outro grito desesperado.

Gina foi até a porta da cozinha espiar o que tanto Draco reclamava.

"Você tem que segurá-la direito, querido" – ela aconselhou, abafando uma risada inevitável.

Voltando para a cozinha novamente, ela mediu a temperatura da mamadeira. Ainda estava quente demais. Suspirando, ela voltou a analisar a aliança de noivado.

Se, há alguns anos, alguém diria que ela estaria noiva de Draco Malfoy, ela riria bastante. Provavelmente, teria mandado essa pessoa para se tratar em St. Mungus.

Mas agora, ela sorriria e agradeceria a Merlin por ter entrado na B&B aquele dia.

E não era assim que a vida deveria ser? As pessoas não devem ser um pouco diferentes para darem certo? Qual a graça de se estar com alguém absurdamente parecido com você? É como ficar com um espelho. Mas ela e Draco, ah, eles eram opostos em mais coisas do que ela poderia contar. E era isso que os fazia tão especial juntos. Eles se completavam, sempre adicionando coisas um no outro. Era em razão dessa diferença que eles se davam tão bem.

E não é assim que a vida age? Misteriosamente, mostrando os caminhos certos e nos desviando dos caminhos errados?

Gina sentia que estar com ele era um desafio novo a cada dia.

Receber a aprovação dos sogros, contar com o apoio da família dela, aceitar resignadamente aparecer nos jornais como destaque, agüentar as crises de mau-humor de Draco, receber o desagrado da população feminina...o que poderia ser mais interessante do que isso?

"E até quem me vê lendo jornal
Na fila do pão
Sabe que eu te encontrei."

Gina se lembrava constantemente sobre aquilo que Draco tinha dito a ela uma vez, logo no dia seguinte do casamento de Ronald.

Era uma verdade irrevogável. Ela passou tanto tempo querendo que Harry Potter quisesse ficar com ela, desejando e rezando para que isso acontecesse, que quando não aconteceu, ela se revoltou. Intimamente, ela achava que o merecia e não conseguia compreender o porquê de não poder ficar com o homem que tanto amava.

E então, Draco entrou na vida dela e ela entendeu. Entendeu que ás vezes, as coisas acontecem de uma forma porque é o certo de se acontecer. Nem sempre se pode ficar com a pessoa que achamos ser a pessoa certa, pelo simples fato de não ser a pessoa certa. Mas estamos sempre cegos demais para perceber isso.

Se ela tivesse apenas fechado os olhos e percebido os sinais, ela não teria sofrido tanto. A separação dela e de Harry não teria doido tanto. Mas era passado.

Ela tinha sido acordada em tempo.

E estava bem e feliz e com um homem maravilhoso ao lado dela. Ela não podia ser mais agradecida aos céus por terem-na separado de Harry Potter.

E a felicidade dela era visível e quase palpável.

Draco tinha mostrado a Gina que Harry Potter não era o melhor homem do mundo.

Ele tinha se provado merecedor do amor dela. Tinha lhe comprado um bichinho. Tinha dado a ela nova oportunidade de ser feliz. E ele também havia lhe comprado uma estrela. E lhe dado a resposta que tanto procurara.

Draco era verdadeiramente, o homem certo para ficar com ela. Gina gostava até mesmo dos defeitos dele. E apreciava imensamente as diferenças entre os dois. Mesmo quando essas diferenças eram motivo de alguma briga ou discussão.

Porque nada disso importava, no fim das contas.

Era só olhar para o céu, de noite, para que ela se lembrasse a quem o coração dela pertencia.


"E ninguém dirá
Que é tarde demais
Que é tão diferente assim
Do nosso amor
A gente é que sabe, pequena"

Draco mirou os olhinhos azuis da menina e a levantou, analisando o rostinho rechonchudo. Ela ria, balançando as perninhas no ar e tentando alcançar qualquer fio de cabelo loiro da cabeça de Draco. Sentado no sofá da casa de Gina, ele virou o pescoço para trás para se certificar de que Gina ainda estava na cozinha.

"Espertinha" – ele sussurrou, virando o pescoço novamente e afastando as mãozinhas da criança do próprio cabelo.

A criança riu ainda mais com o movimento e careta dele e levantou os bracinhos, lutando contra a distância e tentando novamente puxar o cabelo loiro.

"Eu entendo. Nenhuma mulher dessa família resiste ao meu cabelo" – ele disse divertido, enquanto o bebezinho o olhava curioso.

Isotta tremeu os lábios e Draco achou que ela ia começar a chorar novamente. Ele nunca sabia o que fazer quando a menina chorava. Mas para a surpresa dele, ela começou a brincar com a boca, fazendo pequenos barulhos e babando na roupa dele.

"Gin, ela está babando em cima de mim" – ele gritou, esticando para frente seus braços, que seguravam o bebê .

A cabeça ruiva de Gina apareceu na porta da cozinha. Ela deu uma risadinha, balançou a cabeça e entrou novamente.

Draco deu um sorriso maldoso. Ficou imaginando o que os pais de Isotta fariam se encontrassem a menina se divertindo tanto com ele.

Se Ronald e Hermione vissem essa cena, não iriam acreditar. Ronald provavelmente ficaria vermelho e possesso em ver a princesinha dele nos braços de Draco. Não que fosse a primeira vez; ele ainda tinha alguma dificuldade em aceitar que a irmã estava apaixonada pela 'doninha quicante'. E Hermione provavelmente daria a Draco um dos olhares encorajadores dela. Sempre querendo trazer paz ao lar dos Weasley. Mas eles estavam bem longe dali, provavelmente fabricando o segundo filho em algum lugar. Francamente, quem viaja em segunda lua de mel menos de dois anos depois da primeira? Draco não conseguia entender a cabeça dos dois. Mas ele não podia reclamar. Com os pais de Isotta fora, ele podia ficar ali, mimando e brincando com a criança a vontade. E fazia isso com ainda mais gosto ao pensar que Harry Potter morria de ciúmes disso.

"Você não vai ficar babando em cima da minha camisa nova, vai?" – ele olhou com seriedade para Isotta. Os olhinhos azuis brilharam com toda a malicia infantil que um bebê de um ano pode ter e ela tremeu a boca novamente. Em segundos, ela repetia os barulhinhos feitos com a boca entreaberta. Era só um jeito de soltar o ar de forma que a divertia, mas Draco achava que ela estava tentando manchar de saliva a camisa dele. Mas ele não podia culpá-la, com um nome daqueles, quem seria completamente normal?

"Gin, ela está fazendo de novo!" – ele gritou.

Ele ouviu Gina rindo antes de responder – "Ela só está brincando com você."

A criança riu gostosamente dele. Draco tinha quase certeza que ela tinha sido instruída para fazer aquilo. Sim, sim, faria todo sentido do mundo. Um pequeno demoniozinho, era isso que Isotta era. E os cabelos vermelhos serviam para comprovar a teoria dele.

"Gin" – ele gritou desesperado quando a criança parou de rir e fez novamente o barulhinho com a boca.

Gina apareceu novamente na porta da cozinha. Draco segurava a criança longe do corpo, como se ela fosse algo notavelmente assustador.

"Você tem que segurá-la direito, querido" – Draco ouviu Gina aconselhando antes de se voltar novamente para a cozinha.

"Segurar direito" – ele resmungou. Isotta sorriu para Draco quando ele a segurou corretamente, aproximando o bebê do corpo dele e a colocando deitada em seu colo. Ela coçou os olhinhos com as mãos e deitou a cabeça no braço dele, enquanto esticava as perninhas sobre as pernas de Draco.

Ele ficou numa posição ruim, mas se ajeitou o melhor que pôde para a criança ficar confortável. Draco já sabia que Isotta estava se preparando para dormir. No colo dele. Draco acariciou os cabelos lisos e avermelhados da menina; ele não tinha muito jeito com crianças, mas não podia negar que adorava quando Isotta dormia no colo dele. Ele tinha aprendido a amar a menina desde a primeira que a tinha visto.

Em poucos minutos, Isotta adormeceu.

Draco ficou olhando a criança dormir e não conseguiu evitar um sorriso. Ele imaginava que Gina deveria ter sido assim quando era bebê.

"Você até que não até tão ruim para a mistura do idiota com a sangue-ruim" – ele murmurou baixinho para que Gina não ouvisse.

"Eu ouvi isso" – a voz dela soou atrás dele – "Meu irmão não é idiota e não chame a Hermione de sangue-ruim" – ela ralhou, brava.

Ele deu um sorriso sem graça e se concentrou na pequena que dormia nos braços dele.

Gina se aproximou dele, sentando-se ao seu lado no sofá.

"Ela dormiu antes de comer" – Gina mostrou a mamadeira nas mãos, antes de colocá-la sobre a mesa no centro da sala – "Isotta gosta de você, Draco" – ela passou delicadamente a mão pela cabeça de Isotta.

"É um mal de família" – ele sorriu para Gina e depois voltou-se para o bebê.

Gina rolou os olhos. Não que Draco não tivesse razão. Atualmente, até Molly não conseguia mais esconder o quanto gostava de Draco.

"Você acha que nossos filhos serão loiros ou ruivos?" – Gina perguntou, olhando carinhosamente para a afilhada.

Isotta era uma mistura perfeita de Hermione e Ronald. Os olhos e os cabelos eram inegavelmente do pai, mas as feições eram da mãe. Gina sempre se perguntava como seria uma mistura dela e de Draco.

"Eu espero que eles sejam parecidos comigo" – Draco disse, pensativo. Gina deu um tapa no braço dele e ele fez uma careta, para logo depois apontar Isotta com a cabeça.

"Você não quer acordar o demoniozinho, quer?" – ele sussurrou.

Gina balançou a cabeça, mas deu outro tapa em Draco, por ter chamado a criança daquele jeito.

"Então, se nossos filhos forem ruivos, o pai deles não vai gostar?" – ela inquiriu em falsa seriedade.

"Se o pai em questão for como eu..." – ele olhou sério para Gina – "Garanto que vai amar as crianças como se elas fossem loiras" – ele gargalhou com a resposta, recebendo um olhar irritado de Gina.

"Muito engraçado, Draco Malfoy" – ela se emburrou e encostou as costas no sofá, cruzando os braços na frente do corpo.

"Querida" – ele se encostou ao lado dela – "Eu amarei nossos filhos, não importa como nasçam."

Ela sorriu e Draco viu o conhecido sorriso maldoso se formando nos lábios dela.

"Amará mesmo se eles forem morenos de olhos verdes?"

Draco arregalou os olhos em espanto. Gina sempre o podia surpreender com essas respostas malucas.

"Bem, se eles forem morenos de olhos verdes, provavelmente serão órfãos. Para não quebrar a tradição" – ele respondeu, satisfeito consigo mesmo quando ela abriu a boca mas não conseguiu responder.

"Nem brinque com isso, Draco Malfoy!" – ela ralhou.

Ele deu de ombros. "Eu espero que você não brinque com isso, Ginevra Weasley."

Ela riu da cara emburrada dele e encostou a cabeça no ombro de Draco.

Draco encostou a cabeça na cabeça dela e ficou pensando em tudo o que tinha acontecido até ali.

Ele nunca tinha querido ter filhos. Nem mesmo quando era noivo de Madeleine ele tinha querido isso. Mas essa era uma, entre tantas coisas, que tinham mudado desde que tinha conhecido Gina de verdade.

Naquele dia em que ela entrou apressada na B&B, ele soube que a vida dele ia mudar.

Eles eram tão diferentes e ao mesmo tempo, eram dois iguais. Iguais porque queriam a mesma coisa, buscavam a mesma coisa.

E foi isso que ele encontrou nela. O companheirismo, a amizade, o apoio incondicional, o amor, o carinho. Ela era tudo isso para e com ele. E eles se completavam porque as diferenças de um se acoplavam na personalidade do outro.

Eles eram improváveis de darem certo e essa era a receita mágica para que o relacionamento deles funcionasse. Eles eram diferentes, mas respeitavam e entendiam um a diferença do outro.

Draco sabia que Gina lhe era grata por tê-la ajudado a superar Harry Potter. Mas o que ela não sabia, era que ele lhe era ainda mais grato.

Passando por cima das diferenças e do passado dele, Gina aceitou ficar ao seu lado. Aceitou quem ele era, sem pestanejar. Assumiu os riscos de ser a companheira dele e ele jamais poderia ser grato o suficiente.

Enquanto Gina achava que Draco a tinha salvo do buraco emocional que ela se metera, Draco era grato por Gina ter permitido que ele próprio reconstruísse – ou melhor – construísse uma vida nova. Longe do passado obscuro da família dele, ou dos interesses financeiros que ele poderia proporcionar. Mesmo sendo mal-humorado, irônico e muitas vezes, arrogante. Ela gostava dele. Ela gostava dele não pelo que ele era, mas apesar do que ele era. Era o amor mais verdadeiro que ele poderia ter encontrado. E era uma coisa deles, apenas. Que somente Draco e Gina poderiam entender e viver.

Ele não era como Harry Potter. Não seria o herói do mundo bruxo e não seria serviria para aparecer nos jornais pelas boas ações que faria. Também não contaria com o apoio e veneração de todos os irmãos dela. Nunca seria Harry Potter. Mas naquele momento, Draco sabia, Gina estava bastante feliz com essa constatação. Porque ele também jamais destruiria o coração dela.

"Eu queria saber como nossos filhos vão ser" – ela comentou distraída. Ele sorriu, pensando na mesma coisa. Não via a hora de segurar nos braços um filho deles.

"Não sei como eles serão, Gin. Mas de uma coisa eu sei. Eu é que vou escolher o nome das crianças."

F I M.


Música: Los Hermanos - Último Romance.

Bem, cá está o epílogo dessa historinha. Chegamos ao fim, finalmente.

Gostaria de agradecer a todos os que leram até e comentaram até aqui. E os que leram e nunca comentaram também. Para falar a verdade, eu fiquei até surpresa quando vi a quantidade de hits que essa história tem.

Então, mesmo que não tenham comentado, obrigada por terem lido. Ah sim, obrigada também aos que add a história como favorita. Fiquei muito contente.

Espero que tenham gostado do fim que eu dei. Sem casamentos ou crianças para os dois, porque nunca tinha pensado em dar esse fim. Eles estão noivos e o futuro deles, cabe à imaginação de cada leitor.

É isso gente!

Obrigada a todos! Beijos.

Annie

Ps: gostaria de citar todos os nomes de todas as pessoas que comentavam e que andam sumidas. Mas pela falta de tempo e condições, fica aqui meu muito obrigada geral. Meninas, vocês são lindas e eu amei cada comentário e sugestão. Beijos, queridos.