Lily

Ia completar dois meses que James havia se mudado. Era raro ele ligar para casa. Quem sempre ligava era Dorea. Podia apostar que estava se esbaldando em um monte de festas cheias de mulheres. Tentava não pensar nele, mas às vezes parecia impossível. O livro que roubei de seu quarto permanecia no mesmo lugar. Ainda não tinha tido coragem de pegar e ler. Pelo visto nunca teria. Não enquanto tinha tantas lembranças dele.

Demorei para me dar conta de que o que eu sentia por James não era saudável e só estava fazendo mal para mim. Eu depositei nele todas as esperanças da minha vida. Toda minha carência e amor. Como se ele pudesse me salvar. Mas isso era errado. Não podia ater toda minha felicidade em uma única pessoa. Ainda mais em alguém que só me machucava.

Precisava pensar em mim. Na minha felicidade. No meu futuro. E era justamente isso que faria a partir de agora. James era passado.

Infelizmente por causa do sobrenome Potter, seria impossível conseguir uma bolsa de estudos nas universidades que eu queria. Nem mesmo um empréstimo estudantil poderia pedir.

Decidi então, ter uma conversa séria com Dorea e Charlus e pedir um empréstimo.

Expliquei que começaria a pagar assim que me formasse e arrumasse um emprego. Quando terminei de falar, eles me deram um sermão. Dizendo que eu não precisava de empréstimo algum, já que tudo que era deles era meu também.

Vi pelos olhos de Dorea que ela havia ficado magoada com minha atitude, Charlus disse que ia pagar a faculdade da minha escolha com muito prazer e que já estava mais do que na hora de aceitar que eles eram meus pais. Eu não pude ir contra seu argumento e aceitei que pagasse minha faculdade. Quanto a parte de aceitar que eram meus pais, expliquei que eu sempre os vi dessa forma, mas que ainda era muito difícil chamá-los de pai e mãe. Eles entenderam e disseram que quando eu estivesse pronta, estariam ali, prontos para ouvir. Eu seria eternamente grata por ter pessoas como Dorea e Charlus Potter em minha vida. Não podia sequer imaginar o que teria sido de mim sem os dois. Por fim os abracei e contei quais eram meu planos.

Após escolher as faculdades que iria mandar minha inscrição, me joguei nos livros. Passava quase todo o meu tempo livre estudando ou em atividades extracurriculares. Isso ajudava a dormir também. Estudava até cair no sono e como resultado não tinha qualquer sonho ruim. Minha vida ia voltando ao normal. Na escola nem me importava mais com os comentários ao meu respeito. Colocava meu fone de ouvido e me concentrava nos estudos.

Logo que estava terminando o colégio, comecei a receber as cartas das faculdades. Dorea estava comigo quando recebi a primeira e a que eu mais esperava, de Yale. Era um envelope grande e grosso, e eu sabia que isso era um bom sinal.

- Abra, meu bem - Dorea incentivou.

Abri sorrindo. Retirei a carta que estava dentro e a li em seguida.

Cara Senhorita Potter,

Nós ficamos honrados em lhe oferecer uma vaga em nossa Universidade...

Nem terminei de ler e comecei a pular de alegria.

- Consegui, Dorea! - gritei a abraçando. - Consegui!

- Eu sabia que iria conseguir, meu bem - parabenizou me abraçando apertado.

- Nem posso acreditar - falei tremendo enquanto segurava o papel na minha mão.

- Posso saber a razão dessa alegria toda? - perguntou Charlus entrando na sala.

- Lily passou em Yale, amor - Dorea lhe contou sorrindo largamente. Ele me olhou admirado.

- Isso é incrível. Parabéns, filha! - me cumprimentou com um abraço.

- Estou tão feliz - olhei para Dorea e ela parecia triste. - Eu achei que tinha gostado da notícia? - questionei intrigada.

- Claro que gostei, meu bem. É só que irei sentir sua falta.

- Foi bom você tocar nesse assunto - eles me olharam confusos.

- Por que? - Charlus me perguntou, estava sem jeito de pedir mais isso a eles.

- Eu sei que isso não é o normal e eu não quero atrapalhar, mas eu gostaria de continuar aqui com vocês - Dorea me olhou espantada.

- Filha, se você estiver fazendo isso por nossa causa - Charlus começou a dizer.

- Não - interrompi. - É por mim. Quero poder ficar mais um tempo aqui - confessei.

Eu não queria ir para um alojamento e ficar com um monte de gente estranha. Precisava me adaptar antes. Além disso, queria aproveitar o máximo que podia da companhia dos dois. Depois que saísse de casa sabia que seria difícil vê-los com frequência.

- Se não se importarem, é claro - completei sem graça.

- É claro que não nos importamos, Lily! Ah, meu amor. Não sabe como me sinto feliz em saber que continuará morando conosco - Dorea declarou me abraçando.

- Vou adorar, principalmente se puder me mostrar seus truques de decoração - Dorea, como uma eximia decoradora, tinha muito a me ensinar para complementar minha profissão.

- Com certeza, meu bem. Quando se formar seremos uma dupla imbatível.

- Poxa! E eu? - Charlus perguntou se fazendo de ofendido. Eu e Dorea o abraçamos ao mesmo tempo.

- Seremos um trio imbatível, amor. Lily desenha, você constrói e eu decoro – essas palavras trouxeram uma lembrança amarga.

"Você desenha e eu construo."

Meu peito se apertou ao recordar o que James havia me dito certa noite.

- Tudo bem, Lily? - Dorea perguntou percebendo que eu estava aérea.

- Tudo ótimo - respondi sorrindo, tentando disfarçar. - Eu amei a ideia do trio – falei empolgada mudando de assunto.

- Iremos arrasar! - Charlus exclamou animado e decidimos sair para jantar para comemorar. Fazendo com que esquecesse qualquer coisa que não fosse meu presente.


Eu fiquei exultante quando terminei o colégio. Odiei cada momento que passei naquele lugar. Só esperava que na faculdade fosse diferente. Dorea e Charlus me deram um carro como presente de formatura. Antes que me negasse a aceitar, eles disseram que era um presente e que presente não se recusa, ainda mais de pai e mãe. Eu não pude ir contra o raciocínio deles.

O que mais amei é que não era um carro chamativo e nem caro. Era praticamente minha versão em quatro rodas. Dorea disse que conhecia meu gosto e sabia como me agradar. Ela tinha razão. Eu me apaixonei pelo meu New Beetle azul escuro. Foi com ele que enfrentei minha primeira semana na faculdade, que felizmente, era o oposto do colégio. Ainda não tinha feito nenhuma amizade, mas me dava muito melhor com as pessoas ali do que na escola.

Passava o dia na faculdade e à noite acompanhava Dorea em seus projetos de decoração. Eu aprendia muito com ela. Decidi até fazer uma extensão universitária na área de decoração e também edificação para complementar meu currículo.

Finalmente as coisas estavam dando certo para mim.

A única coisa que precisava melhorar e muito era o meu senso de direção. Já estava na faculdade há uma semana e ainda não havia decorado o raio do mapa. Olhei em volta tentando localizar algum ponto de referência quando trombei com alguém.

- Nossa, me desculpa - pedi ajudando a garota a pegar os papéis que haviam caído de seu caderno. Eram lindos modelos de roupas.

- Tudo bem, não se preocupe - respondeu sorrindo. A tal garota era uma graça. Tinha o rosto delicado, alta, olhos cor de mel e o cabelo loiro bem longo.

- Meu nome é Emmeline, e o seu? - ajeitei minhas coisas em um dos braços e estendi a mão.

- Lily.

- Prazer, Lily. - disse me cumprimentando. - Que curso você faz?

- Arquitetura e você?

- Moda - sorri lhe entregando algumas folhas de seu caderno que ainda estavam comigo.

- São lindos - elogiei os desenhos. - Você que fez?

- Sim, são minhas roupas da próxima estação - explicou sorrindo largamente. Aproveitei o papo e pedi instruções.

- Você por acaso sabe onde fica o prédio de artes? Tenho uma aula agora e me perdi - disse sem graça.

- Relaxa, isso é normal. Vem, eu te ajudo - ela passou o braço no meu e fomos juntas procurar o local da minha aula.

Emmeline era extremamente sociável e não parava de falar. Contou que estava no segundo ano e que namorava um rapaz chamado Remus, que fazia mestrado em filosofia e história. Eu somente contei que era adotada e falei o básico sobre minha vida sem entrar em muitos detalhes.

Toda animada ela me intimou a conhecer seus amigos. Marlene era prima de Remus, ela estudava economia e namorava Sirius, que estava terminando o curso de engenharia mecânica.

Emmeline disse que eu ia me adaptar super bem ao grupo e que tinha percebido assim que me conheceu que iríamos nos tornar grandes amigas. A cada momento que passava com ela eu também tinha essa sensação.

Enfim, minha vida parecia estar caminhando para algum lugar.


James

Abri os olhos lentamente. Acostumando aos poucos com a claridade que entrava pelas janelas. Tentei mover meu braço, mas ele estava imobilizado por uma morena. No meu peito, estava deitada uma loira. Minha mente ia gradativamente reconstruindo as cenas da noite passada. Festa. Bebida. Duas gatas. Sexo. Muito sexo. Puxei meu braço debaixo da garota morena e esfreguei o rosto. Olhei ao meu redor e percebi que mais uma vez não tinha passado a noite no meu apartamento. No chão várias embalagens de camisinhas usadas. Felizmente, isso era algo que eu nunca esquecia. Tentei tirar a loira com cuidado do meu peito, mas ela acabou acordando.

- Bom dia - saudou com um sorriso preguiçoso, sentando na cama e espreguiçando.

- Bom dia - respondi levantando e pegando minhas roupas no chão.

- Já vai? - perguntou ajeitando o longo cabelo loiro com os dedos. Observei seu belo corpo nu. Era provocante. Assim como o da morena que ainda dormia. Só que não o suficiente para me excitar. Não quando estava lúcido.

- Já - terminei de colocar a calça e me aproximei dando um beijo rápido nela. – Talvez possamos repetir outro dia. O que acha? - ofereci piscando. Ela sorriu.

- Pode apostar! - concordou alegre. Vesti minha camiseta, peguei meu casaco e saí do apartamento. Desci as escadas ao invés de esperar pelo elevador.

A noite havia sido uma boa distração. Era sempre assim. Mulheres. Sexo. Bebida. Não era isso o que ela esperava de mim? Que eu fosse fútil e egoísta? Então esta seria minha vida.

Deixei o prédio que estava e fiz sinal para um táxi que, por sorte, estava passando pela rua. No caminho para meu apartamento, fui refletindo em como meu ano tinha sido chato e sem graça. E a única culpada era ela, Lily.

Minha mãe cobrava explicações do porquê eu não ligava para eles e da minha decisão de não ir para a casa nas férias. Sempre inventava qualquer desculpa para fugir de seus interrogatórios. Quando ia tocar no nome dela, eu mudava de assunto e falava sobre a faculdade.

O curso estava bem tranquilo. Fazia o número máximo de matérias e claro, ia bem em todas. No meu tempo livre, saía com meus colegas para beber e foder com quantas mulheres eu quisesse. Assim como havia sido na noite passada. Bebia até ser capaz de olhar uma mulher e não ver ela na minha frente. Ver aqueles lindos olhos verdes.

Achei que com a distância seria mais fácil esquecer tudo o que passei com ela. Não podia estar mais errado. Todas as lembranças pareciam ainda mais vivas, mais presentes.

Maldita hora que eu fui me envolver com Lily!

Praguejei mentalmente passando as mãos pelo cabelo sem conseguir esconder minha irritação. Lutei com todas as minhas forças contra esse sentimento. Tentei negar para mim mesmo o que sentia naquela época. Só que fracassei.

Encostei a testa na janela do carro enquanto o passado voltava a me atormentar.

Lembrando de tudo o que queria fugir. E daqueles breves momentos em que me senti realmente feliz.

Eu me odiava e odiava ainda mais o fato de sentir tanto a sua falta. Saudade de sua risada. Seu sorriso. Seu carinho. Seus beijos. Seu corpo. Fechei os olhos com raiva de mim mesmo. Essa paixonite ridícula precisava passar! Eu queria minha vida de volta e faria tudo o que estivesse ao meu alcance para tirá-la da minha mente.


Olá gente! Lily está finalmente acertando sua vida e agora quem sofre por ela é o James. Como o mundo da voltas, não é?

Quem diria mesmo hein Nanda que James lê poemas de Lord Byron, o poeta britânico mais influente do romantismo, isso é para a gente ver que James não é só músculos. Você é bem observadora hein Nanda, aposto que aquilo sobre o Malfoy passou despercebido por muita gente, talvez ele tenha gosto pela coisa, mas para ter certeza teremos que aguardar o retorno dele, é claro que ele ainda vai incomodar. E quanto a saudade, os dois sentem falta um do outro, porém Lily está dando um novo rumo na sua vida, enquanto James tenta de todas as formas esquecê-la.

Foi triste mesmo o último capítulo Deby e embora esse capítulo não seja inteiramente feliz, ficamos contentes que a Lily esteja melhorando sua vida, fazendo amizades e realizando seus sonhos e também que James esteja sentido na pele, na alma e no coração a ausência dela. Vou tentar ao máximo atualizar logo. Por mais que eu saiba o que vai acontecer, também fico na expectativa, vai entender, não é? Hehehehe.

Ninha Souma que bom ter você de novo por aqui, fico muito contente :D É claro que James é um imbecil de carteirinha e Lily deveria sem duvida nenhuma dar uma lição nele, mas ela é boa demais, incapaz de fazer mal a alguém, mesmo que esse alguém já a tenha feito sofrer muito. E já deu para ver que os Marotos vão ser amigos dela, praticamente irmãos, porém vou ficar devendo os pegas do Sirius na Lily, já que ele é namorado da Marlene, mas já no próximo capítulo vamos conhecer alguém que vai mudar o mundo da Lily e vai fazer um bem danado para ela e é claro vamos ver ele de certa forma "se resolvendo com o James" ;)

Me diga, quem não ficou com raiva do James, ClauMS? Se prepare para rir bastante, pois ele está apaixonado (ele mesmo admitiu isso no final desse capítulo), ele vai sofrer bastante (isso eu garanto com toda a certeza do mundo) e de quebra ainda vai ficar sem a Lily. No próximo capítulo tem um pouco de Marotos, só que James e Sirius não vão se encontrar em Cambridge, na verdade Lily e Emmeline se encontraram (leia-se: se esbarraram) em Yale, e isso foi a melhor coisa que poderia ter acontecido :)

Muito obrigada meninas pelas reviews e até o próximo capítulo. Beijos :*