O PRESENTE DE GINNY

De Ashwinder, tradução por Ligya Machado

CAPITULO 10

- Você acha que pode levantar?

Harry assentiu. Se Mundungo Fletcher pensou que havia algo de estranho em Harry usar o que parecia uma jóia feminina, ele não comentou. Enquanto Harry se levantava devagar, ele percebeu que havia um bom numero de estudantes o observando. No reflexo, levou a mão ao redor do colar, percebendo que o que fez, chamou só atenção pra aquilo. Ele enfiou o colar dentro das vestes. Ele pensou se não tinha sido derrubado pela força do feitiço e tinha ficado deitado na rua por tempo demais. Era a única explicação porque cada pessoa ali tinha aparecido tão rápido. Ao menos ele não tinha desmaiado dessa vez.

Ele olhou os rostos conhecidos dos estudantes. Malfoy estava ali perto, e Harry o viu sorrir misteriosamente, enquanto olhava o peito de Harry. Ele tinha notado o colar. Fred e Jorge tinham vindo da Zonko's com Pauline. Fred pareceu ser a única pessoa que não estava nem aí para Harry.Ele olhava como se toda sua atenção estivesse focada numa garota da Corvinal do 7º ano. Harry não lembrava o nome dela.

Harry finalmente se virou e encarou Ginny. Ela estava pálida. Ele achou que deveria pedir desculpas a ela por ter revelado seu segredo, mas que não era realmente sua culpa. Ele agiu por instinto.

Viktor Krum olhando e consultando os outros professores que tinham aparecido, enquanto Mundungo Fletcher orientava Harry mais uma vez.

- Você vai ter que falar com o Diretor. Vamos. – Harry não estava surpreso.

- Mas e quanto... – ele indicou Ginny, Ron e Hermione.

- Foi você que foi atacado. Se o Diretor quiser f alar com um deles, ele será chamado.

Mas Harry não estava certo de que aquilo era inteiramente verdade. Ele se jogou na frente do feitiço, mas não era capaz de dizer quem era o alvo. O alvo presumível era ele, mas Fletcher não via as coisas do mesmo ângulo que ele.

Ele começou a andar na direção da escola com Fletcher. Enquanto passava perto de Malfoy, ele ouviu:

- Belo colar, Potter. Você tem brincos que combinem também?

Harry não resistiu em replicar:

- E você seria o especialista, não é?

- Parem. – disse Fletcher, dando aos dois um olhar desaprovador. – Isto é um problema serio.

Harry se calou antes que recebesse uma detenção ou perdesse alguns pontos da Grifinória. Atrás dele, ele podia ouvir os outros professores falando com o restante dos estudantes. Parecia que o resto da visita de Hogsmeade seria cancelada.

Professor Dumbledore suspeitava de que alguma coisa estava acontecendo, então encontrou Harry e Fletcher na Gárgula de Pedra.

- Eu levarei Harry a o meu escritório. – ele disse a Fletcher. – Você pode descer para a Vila caso seja preciso.

Harry seguiu Dumbledore na escada de espiral e passou pela porta. O Diretor o olhava gravemente, sem dúvida prestando atenção nas suas vestes. Finalmente ele disse:

- Você pode me dizer o que aconteceu em Hogsmeade?

Então Harry contou ao Diretor o que aconteceu, o que não era muito, como se o incidente todos tivesse sido muito rápido. Depois que ele terminou, Dumbledore tirou seus óculos e esfregou seus olhos por um momento.

- Entendo. Isso parece muito similar com o que aconteceu com você no Beco Diagonal no ultimo verão. O que você acha que devolve aqueles feitiços? Eu tenho uma suspeita, sabe.

Harry relutantemente levou a mão as vestes e tirou o colar. Não havia motivo para esconde-lo mais. A maioria dos estudantes de Hogwarts acima do segundo ano sabiam agora. Dumbledore o olhou astutamente.

- Onde você conseguiu isso? – ele perguntou. Ele soou com desagrado por alguma coisa.

- Foi presente de aniversário.

- Quem te deu?

- Ginny.

- E você sabe onde ela conseguiu?

- Ela me disse que fez.

Dumbledore olhou surpreso depois disso. Ele se aproximou como se fosse pegar a pedra com suas mãos mas percebeu que a corrente era muito curta.

- Pode tirar por um momento?

Harry realmente não queria fazer isto. Ele não tinha idéia se, tirando, ele podia quebrar a mágica nele. Ele voltou ao seu aniversario e, bem, o ritual que Ginny fez. Qualquer que fosse a magia por trás do talismã, era certamente complicado.

- Não tenho certeza se deveria. Vai fazer alguma coisa na magia?

- O que foi que a Srta. Weasley lhe disse sobre a magia dele?

Harry pensou por um momento.

- Não muito realmente. Apenas que ela fez e que não deveria dizer a ninguém.

- Mas ela lhe contou o que ele faz.

- Ela disse que era um talismã. Parecia que havia alguns tipos de feitiços complicados envolvidos na criação, mas não perguntei a ela sobre eles, e ela não me disse.

- O que ela lhe disse então?

Harry pensou na conversa que ele tinha tido com Ginny no galpão do Sr. Weasley no seu aniversário.

- Apenas que ela tinha ouvido falar sobre talismãs porque tinha estudado em Defesa contra Arte das Trevas. E ela procurou saber mais e decidiu tentar. Ela nunca esperou que funcionasse.

- Entendo. Pode ficar de pé por um momento?

Harry se levantou, e Dumbledore deu a volta e ficou na frente de Harry, onde pudesse examinar a pedra sem Harry ter que remover o colar. Ele disse:

- Desde que você começou a usar esse talismã, que efeitos você notou?

- Bem, já devolveu feitiços duas vezes agora.

- Sabe que feitiços eram?

- Não ouvi o encanto durante o ataque hoje. Tudo aconteceu rápido demais. A vez no Beco Diagonal, era a Maldição Cruciatus. – a voz dele acabou num sussurro na ultima palavra.

Ao invés de falar qualquer coisa, Dumbledore soltou a pedra e se virou para a lareira. Ele colocou a mão numa jarra – Pó de Flú, Harry percebeu – e jogou um pouco da substância nas chamas.

- Argo Filch. – ele chamou. Filch? Harry ia pegar uma detenção? Ele nem tinha certeza o que tinha feito.

A cabeça de Filch aparece na grade.

- Sim.

- Os estudantes já voltaram de Hogsmeade?

- Sim, estão voltando agora.

- Eu preciso falar com Ginny Weasley imediatamente. Tenha certeza de que ela virá para meu escritório assim que possível?

O coração de Harry quase parou. Não apenas parecia que ele estava numa enrascada, como acabou colocando Ginny metida nisso. Ele lhe deu um chute mental por contar os segredos dela. Ele tinha a sensação de que ela não ia gostar muito.

Dumbledore se virou para Harry.

- Enquanto esperamos pela Srta. Weasley, acho que deveria lhe explicar algumas coisas sobre talismãs protetores. Primeiro de tudo, eles são extremamente raros, funcionando como está em qualquer hora. A razão para isto, se precisa um talento mágico especial para criar um cristal, ou uma gema, que carregue magia protetora. Enquanto é possível procurar métodos envolvidos, você precisa ter o talento em você para funcionar propriamente. Não se encontra um bruxo ou bruxa que tenha esse talento a mais de um século.

Ele parou, e Harry deixou suas palavras fazerem sentido. Agora ele entendeu porque Ginny achava que o colar não funcionasse. Ela tinha dito alguma coisa parecida com aquilo, também.

- Mas alguém pode ter esse talento e não saber?

- Pode, Harry. É possível ter o talento e não usá-lo, claro. Então talvez não seja tão raro quanto tudo, mas não é isso que me preocupa aqui. Duas coisas me preocupam, na verdade. Uma, é que Voldemort com certeza deduziu agora que você está em posse de um talismã que funcione. Ele com certeza percebeu isso nos eventos no Beco Diagonal no ultimo verão, se não percebeu nos eventos de hoje. Ele vai ficar interessado em saber quem fez este talismã pra você. Ele não pode descobrir.

- Agora a segunda preocupação é maior. Sabe, o talismã te protege mais do que feitiços nocivos. Também vai lhe proteger de coisas que natureza insidiosa. Você por favor pode me lembrar quando sua cicatriz parou de te incomodar? – O tom de voz de Dumbledore estava de um jeito que Harry nunca tinha ouvido antes. Ele parecia... impaciente.

- Acho que no meu aniversário... – Harry disse, como se o seu cérebro tivesse vomitado a conclusão. – Você esta dizendo que este colar esta afetando minha dores de cabeça?

- Exatamente, Harry, e é imperativo que nós saibamos a verdade. – o coração de Harry disparou enquanto ele lembrava a decisão de Dumbledore de deixar as operações dele no Continente como estão, em parte baseados na informação de que a cicatriz de Harry não estava ruim. Ele começou a passar mal.

- Posso saber por que não me contou sobre isso antes?

Harry engoliu seco. Ele se sentiu pequeno e estúpido por não fazer conexão com isso agora.

- Bem, Ginny me pediu pra não dizer, e ela não pensou que não funcionaria, na verdade.

- Mas quando conversamos da ultima vez, você sabia que tinha funcionado, e mesmo assim não disse nada. – Dumbledore não tinha levantado a voz, mas alguma coisa que fazia era pior. Harry podia dizer que ele não estava contente.

- Mas não sabia que iria parar minha cicatriz de doer. – Harry se desculpou. – Eu não sabia que faria isso. Era o projeto de Ginny, não meu. Não sei, só não perguntei.

Dumbledore assentiu. Harry de repente achou que ele pareceu mais velho e cansado do que nunca.

- O que está feito está feito. – ele disse, e soou como se ele tivesse lembrando de algum fato. – Mas vou lhe pedir que remova o colar por alguns dias para termos certeza que Voldemort está atualmente no Continente...

Uma batida na porta interrompeu o Diretor. Com uma palavra de Dumbledore, a porta abriu e admitiu para a sala uma bem confusa Ginny Weasley.

- Ah, Srta. Weasley. Gostaria de ter uma palavrinha com a senhorita.

- O que eu fiz? – ela perguntou.

- Isso vamos ver. Antes de Harry nos deixar para termos nossa conversa, preciso lhe perguntar se afetará a magia do talismã de alguma maneira se ele tirar por alguns dias?

Ginny olhou de Harry para Dumbledore.

- Ah, não, vai ficar tudo bem.

O diretor olhou esperançoso para Harry, que lentamente tirou o colar.

- Vamos só tentar por uma semana ou duas, Harry, e se qualquer tipo de aviso vier da sua cicatriz quero que se reporte a mim imediatamente. Entendeu? – sua voz estava um pouco mais alta de que Harry estava acostumado a ouvir. Ele esperava que Ginny não estivesse em problemas.

Ele assentiu e colocou o colar no bolso.

- Bem, então. Depois de uma semana eu vou lhe deixar colocar o colar se quiser. É tudo.

Harry deixou o escritório do diretor, com a esperança de que sua cicatriz começasse a doer naquele momento, mas nada aconteceu. Nem mesmo um ligeiro tremor. Ele parou no inicio da escada em espiral. Ele não estava pronto para voltar a Torre da Grifinória ainda. Ele não queria encarar as inevitáveis questões de Ron e Hermione. Ele ficou numa sala de aula próxima a espera de Ginny enquanto pensava em algumas coisas.

Não demorou muito até Harry ficar cansado e começar a pensar, batendo os dedos no colar no seu bolso enquanto pensava. Ele tinha a sensação que iria ficar ali por um tempo. Lhe pareceu que Dumbledore teria um grande conversa com Ginny. O estomago de Harry gritava enquanto continuava a andar em círculos como um animal enjaulado. Por alguma razão ele lembrava dos animais que tinha visto no zoológico no aniversário de onze anos de Duda.

As palavras de Dumbledore sobre que o colar prevenia sua cicatriz de doer ecoava na mente de Harry. Era um alivio que sua cicatriz não começou a doer no momento que ele retirou o colar, embora ele estivesse certo de que poderia acontecer a qualquer momento. Ele disse a si mesmo que não tinha perdido nenhum aviso importante até ali. Era verdade, ele esperava que fosse verdade. Se qualquer coisa tivesse acontecido a Sirius, Remo ou irmãos de Ginny, teria sido sua culpa. Ele tentou colocar esse pensamento de lado, mas aquilo ainda pipocava de novo sem ele querer. Parecia que crescia e ganhava vida sozinho. Por que não tinha percebido a conexão das suas dores de cabeça com o talismã? Por que? Por que não tinha dito nada a Dumbledore logo? Dumbledore tinha perguntado, e ele, Harry, não tinha dito nada. Alguma coisa terrível podia ter acontecido a alguém que ele gostava e seria toda sua culpa. As palavras de Firenze voltavam a sua mente: "Guarde o que lhe é mais precioso." O que era mais precioso do que as pessoas que eram a coisa mais próxima do que era uma família? Ele chutou a escrivaninha de frustração. Ele tinha que parar de pensar desse jeito. Não era produtivo.

Mas o fio do pensamento que encontrou para o substituir não era muito mais melhor. Pensando em vão em alguma coisa em que culpar sua burrice, ele culpou Ginny por pedir para manter tudo em segredo. Se não fosse por aquilo, teria dito a Dumbledore. Tentou ignorar para o momento a voz em sua cabeça que insistia em lembrar que ele escolheu em aceitar os desejos de Ginny. Por que ele queria que tudo fosse tão secreto? Ela implicou em dizer que era para evitar a encheção de saco dos irmãos. Mas ela não tinha dito: "Não deixe meus irmãos descobrirem." Ela disse para não dizer pra ninguém. E ele ouviu. Ela tinha que ter uma razão melhor do aquela, pra não dizer pra ele. Ele pegou o talismã e olhou. Qual seria o problema se ele contasse a Dumbledore? Ele lembrou que Dumbledore tinha dito que o talento em fazer talismãs protetores eram raros. Ele tinha que saber sobre isso. Então por que ela não tinha sido totalmente verdadeira com ele?

Um barulho no corredor interrompeu os pensamentos de Harry. Era o som da gárgula de pedra se mexendo. Dumbledore deve ter terminado de conversar com Ginny. Ele não tinha parado pra considerar que tipo de perguntas o Diretor podia ter feito a ela. Suas próprias perguntas eram as primeiras na sua mente, e ele estava indo as perguntar agora. Ele andou até a porta da sala.

- Ginny!

Ela se virou.

- Harry, você esperou por mim.

Ele achou que ela parecia irritada, mas ele não podia deixar pra pensar nisso agora.

- É, precisamos conversar. Preciso que me diga umas coisas. Como por que não era para eu dizer pra ninguém sobre o colar.

Ela o olhou e entrou na sala.

- Harry, nós já falamos disso.

Ele levantou as sobrancelhas.

- Já?

- Claro que sim. – ela soou irritada, mas ele continuou.

- Gostaria de ouvir de novo.

- Não queria que meus irmãos soubessem. Eu te disse.

- Não foi o que você disse, disse? Você me disse pra não contar a ninguém, e eu tomei a sua palavra. Eu queria saber porque. – a ultima palavra ecoou estranha atravessando a sala vazia, e Harry percebeu que tinha falado mais alto que o necessário.

- Eu não queria que ninguém soubesse, ta bem? – Ginny quase gritou. – Não era pra funcionar, você sabe disso. Eu não esperava. Você acha que eu queria que alguém soubesse que eu fiz pra você um talismã protetor?

- Que diferença faria se soubessem? Especialmente agora? Não é como se nós estivéssemos nos escondendo.

- Naquela época nós não estávamos juntos. O que as pessoas iriam pensar? Pessoas como Malfoy? "Oh, olhem! Ali vai a idiota da Ginny!" – a voz dela pegou outro tom. – "Ainda tem uma queda por Harry Potter. Pensa que consegue a atenção dele lhe dando uma jóia. Ela não é patética?" – ela olhou para longe, estreitando os olhos furiosa.

Harry se sentiu pior do que antes. Ele não queria fazê-la chorar.

- Ginny. – ele tentou de novo, mais gentil. – É a razão porque fez isto?

- NÃO. – ela gritou. – Eu te disse porque fiz isso. – os olhos dela brilhavam lhe avisando que estava um grau acima da sua paciência. – Por que todas essas perguntas? - ela disse. – Eu já não respondia tudo para Dumbledore?

- Eu tenho que saber o que está acontecendo, Ginny. Você sabia que isto está afetando a dor que sinto na minha cicatriz? Eu não sabia. Não até Dumbledore me contar. – ele segurou a pedra que estava na sua mão desde que Ginny veio do escritório de Dumbledore.

- Se você não sabia o que fazia, por que não perguntou? Você está um ano na minha frente. Eu achava que você tinha estudado isto em Defesa Contra Arte das Trevas.

- Não estudei. Nós temos um professor de Defesa diferente todo ano. Você sabe disto. – Ginny meramente o olhava, e ele sabia que a desculpa soava tão lamentável para ela quanto para ele. Estava se tornando cada vez mais difícil achar um culpado ali, mas ele continuou. – Diz pra mim, Ginny. Você sabia que afetaria minha cicatriz?

- É claro que não! Não era pra funcionar. – ela disse cuidadosamente, como se ele fosse uma criança.

Ele queria gritar com ela agora, mas se conteve.

- Ginny, você sabia que funcionava. Você sabe desde aquele dia no Beco Diagonal. – ele a esperou reconhecer a verdade nisto, mas ela o fitou com a face dura, seus lábios pressionados numa linha bem fina. – Por que não admite que funciona, Ginny? – ainda não houve resposta. – Dumbledore lhe contou o que significa? Ele te contou que essa habilidade de fazer essas coisas é rara?

- DISSE! – ela finalmente gritou. – Sim, ele me contou. Ele não precisava, eu já sabia.

- Então por que você não podia admitir?

- Eu não quero! Nunca pedi por isso!

- Então por que você nunca tentou?

- Eu não podia evitar, Harry. Havia algo em mim, me guiando para fazer. Eu achei que podia fazer essa maldita coisa, que não funcionaria, e que... – ela estava começando a soar distraída. – Mas funciona. Taí, eu disse. Está feliz? E isso complica tudo.

Harry tinha certeza que Dumbledore tinha a advertido sobre o perigo que ela agora corria de Voldemort, que ele iria procurar quem tinha feito o talismã. Não que ele achasse que ela estava com medo mas isso ainda era algo que ela não tinha pedido.

- Não quero nada disto. – ela repetiu em voz baixa.

Harry sabia como ela se sentia. Ele não queria muitas coisas que tinham acontecido com ele também. De repente toda a frustração que ele sentia por ela se foi. Ele andou na direção dela, tocou seu ombro e a puxou para seus braços.

- Me desculpe. – ele sussurrou, e queria realmente dizer isto. Ele estava lamentando por ter gritado com ela, e lamentava agora por a deixado daquele jeito. – Ginny. – ele disse depois de alguns momentos. – Eu vou ter que parar de usar o colar por um tempo.

Ela se afastou e o olhou.

- Eu sei. Eu estava lá, lembra?

- Evita de sentir dor na minha cicatriz, e agora é importante para Dumbledore saber onde Voldemort está. Ele precisa de toda ajuda que conseguir.

- Pelo jeito não é uma boa coisa afinal. O talismã quero dizer.

- Eu preferia não ter as dores de cabeça, na verdade. Mas, bem, isso é importante.

- Você está em problemas?

- Com Dumbledore? – ela assentiu . – Não é fácil falar com ele, mas sim, ele não estava muito feliz com isso. – ele hesitou. – Não tenho muita certeza o quanto estou permitido lhe contar, mas Dumbledore está tentando descobrir onde Voldemort está, e ele pode usar a dor que sinto na minha cicatriz para ter uma idéia de saber se ele está longe ou não. Eu disse a ele que não sentia nenhuma dor desde o mês passado, então Dumbledore achou que significava que Voldemort está longe. Mas não sabia que o colar afetava as coisas. Podemos ter perdido alguma coisa.

Ela visivelmente estava arrasada.

- Sinto muito. Eu não fazia idéia. Acho que não deveria ter feito essa coisa estúpida.

Ele a puxou para mais perto.

- É minha culpa. Realmente, eu tive a chance de contar a Dumbledore no mês passado, e não contei. É que não tinha idéia de que ele bloqueava a dor. Foi estupidez minha não ter percebido alguma coisa.

Ele sentiu ela tremer no seu peito.

- Podemos ficar aqui?

- Por quê?

- Porque quando voltarmos a Torre da Grifinória, todos vão encher de perguntas e não estou com muito humor agora.

- Nós vamos sentir fome em algum momento, embora eu ache que um dos Elfos-domésticos virá aqui, e nós podemos lhe pedir algo para comer. – ela riu um pouco com isso, e Harry se sentiu melhor ao ouvi-la. Ele não tinha gostado de ficar bravo com ela. – Nós vamos ter que contar a Ron e Hermione, mas podemos mantê-los longe por enquanto, se prometermos uma explicação mais tarde. Os outros podemos deixar pra lá.

X

- Eu não acredito! – Ron gritou. Ele tinha acabado de jantar e estava andando de volta a Torre da Grifinória com Harry, Hermione e Ginny.

- O que você esperava, Ron, depois do que aconteceu hoje? – perguntou Hermione.

- Não esperava que ele cancelasse o Quadribol também! – Dumbledore tinha feito o anuncio antes da refeição. Com o ataque em Hogsmeade, as visitas para a vila tinham sido canceladas para o resto do ano. Não era tanta surpresa, mas ninguém esperava que os jogos de Quadribol também fossem cancelados.

- É claro que sim. – devolveu Hermione. – É muito trabalhoso supervisionar os treinos. Os professores tem muito trabalho, e Madame Hooch não tem tempo.

- Mas não é justo! Nós estávamos perto de estraçalhar a Sonserina! Eu não podia esperar para ver a cara de Malfoy quando nós acabarmos com todas suas estratégias.

Hermione colocou a mão no ombro dele enquanto andavam.

- Você terá boas lembranças do ano passado. Ninguém vai tira-las de você.

Harry estava andando com Ginny atrás de Ron e Hermione, então não puderam ver o olhar no rosto de Ron. Era fácil pra ele imaginar, contudo. Ele podia ver a expressão de satisfação espalhada no rosto de Ron varias vezes enquanto lembrava sua primeira vitória como Capitão do time de Quadribol da Grifinória. O placar foi bem apertado, e talvez tinha sido o sabor da vitória um pouco mais doce.

- Além do mais, - Hermione continuou. – nós temos coisas mais importantes para discutir. – Harry e Ginny tinha prometido uma explicação dos eventos do dia depois do jantar, e agora estava no momento.

- Não deveríamos ir para um lugar mais particular pra tudo isso? – perguntou Harry. – Eu não acho que todo o Salão Comunal precisa ouvir isto. – ele achou que tinha ouvido um suspiro de alivio de Ginny atrás dele.

Ron se virou e olhou para Harry.

- Você tem um lugar mais particular em mente? – perguntou sarcasticamente.

- De fato, eu tenho.

Harry se virou na direção do quarto andar, mostrando a eles o estoque, Uma vez que estavam dentro e fechou a porta, Ron guardou sua varinha e deu uma boa olhada em volta.

- Quando você encontrou esse lugar? – ele perguntou. – E por quê nunca me falou sobre ele?

- Foi no ano passado, e não havia uma razão real pra... por quê?

- Parece que você disse algo... digo isso parece um lugar ideal pra... – ele parou e olhou de Harry para Ginny. Ele começou a ficar embaraçado.

- Bem, porque não ficamos confortáveis. – Hermione diz antes que Ron diga mais alguma coisa.

Eles se sentaram, e Harry começou a contar sobre o colar e como devolveu a maldição no dia do Beco Diagonal e depois de novo em Hogsmeade. Então ele disse sobre Dumbledore e as operações na Europa. Enquanto ele falava, ele tirou o colar do bolso e mostrou a eles. Hermione estava extremamente curiosa.

- Você fez isto, Gin? – ela perguntou.

Ginny não tinha dito uma única palavra o tempo todo, e agora meramente assentiu.

- Então significa... – Hermione disse. – Digo, ninguém tem essa habilidade há anos. Séculos talvez.

- É, eu sei. Dumbledore já me disse tudo isso.

- Mas onde você aprendeu a fazer isso? Isto é mágica muito antiga. Eu já vi referencias, mas nunca encontrei como de fato é realizado.

Ginny suspirou. Harry sabia que ela não queria aquele talento por uma razão. Ele sabia disso, só não sabia porque.

- No ano passado, eu fiz um trabalho especial sobre talismãs protetores em Defesa Contra Arte das Trevas. Por alguma razão eu fiquei curiosa sobre ele uma vez que eu tinha toda a informação que precisava para meu trabalho, então eu pesquisei um pouco mais. Eu tinha a permissão para usar a sessão restrita para este projeto em qualquer caso, então usei para olhar e ver se encontrava qualquer coisa em como fazer de fato um talismã.

- Mas não havia nada, não é? – perguntou Hermione.

- Havia sim. – devolveu Ginny. – Mas o livro não estava em Inglês. Era um tipo de escrito antigo. Eu fui capaz de ler o suficiente para saber como fazer o objeto. Depois disso era um problema de tradução. Levou um tempo, mas aos poucos consegui decifrar.

Hermione meramente a olhava. Ela tinha largado Runas Antigas no fim do terceiro ano quando ela voltou a ter um horário normal. Ela mantinha seus dicionários, contudo, e tinha os emprestado para Ginny na ocasião. Agora ela pensava se tivesse continuado com as aulas.

- Mas mesmo se você soubesse como fazer...

- É, eu sei, qualquer um pode tentar, mas ninguém vai conseguir. Ms alguém me guiou. Eu o fiz no verão antes do aniversário de Harry. Não quero passar por aquilo de novo. – ela soou bem triste.

- Isso explica. – disse Ron. – Explica porque você ficava no galpão do papai o tempo todo. Era por isso que você ficava tão cansada?

- É. Você não sabe como isso me deixava. Eu ficava exausta no fim. Não posso lhe dizer quanto poder tomou.

Harry não sabia o que dizer. Ele lembrava como ela parecia cansada. Agora que vários meses se passaram e ela tinha uma boa reserva de energia, ele percebeu como ela parecia fraca e sem vida naquele primeiro dia quando ela foi até a casa dos Dursley. A mudança tinha sido tão repentina que ele não notou, mas agora que ele lembrava e comparava suas lembranças do verão com agora, a diferença era gritante. Ele pegou sua mão e apertou, mas parecia tão pouco em comparação com o que ela fez pra ele. Ele pensou de novo no que a motivou. As razões que ela tinha dado no verão não pareciam ser verdade.

Se Hermione estava pensando nas mesmas coisas, ela não comentou.

- Você estava certa de manter isso em segredo.

Ron olhou chocado.

- Eu ouvi direito? Você acha que Ginny tinha que esconder isso de Dumbledore?

- Não, não de Dumbledore. Mas ela tinha que manter em segredo de todo mundo o maior tempo possível. – Ron a olhava sem entender. – Vamos Ron, pense comigo. Isto é uma coisa rara. Ginny tem a habilidade de fazer talismãs protetores. Não existe registro disso há séculos. Nós estamos em guerra. Você não acha que vai ser um problema esse tipo de coisa?

O coração de Harry parou. Agora ele entendia a recusa mais cedo de Ginny em admitir sua habilidade. Ele não tinha parado para considerar as implicações disto, mas Ginny obviamente tinha. Ou ao menos ela sabia no seu coração onde isto a podia levar. As palavras dela agora ecoavam na sua cabeça: "Não quero passar por isto de novo." Parecia a ele que ela não tinha escolha se isso viesse a publico. E agora a maioria sabiam. Ao menos ninguém, além de Dumbledore e aqueles ali presentes naquela sala sabiam quem tinha feito. Isso nunca devia ter vindo a publico.

- Então o que vai ser feito sobre isto agora? – perguntou Ron.

- Não há nada que possamos fazer além de manter isso conosco. – disse Harry. – Dumbledore não vai dizer a ninguém e nós também não. Concordamos com isso, certo?

Ron e Hermione assentiram. Harry não tinha olhado para Ginny para ter seu consentimento. Ela sabia que ela estava desesperada para manter isso em segredo.

- Então fizemos um pacto. – disse Harry. – Se alguém perguntar sobre este colar, nenhum de vocês sabem de nada. E se alguém perguntar pra mim, vou inventar qualquer coisa.

Não havia mais nada para discutirem, e foram de volta para a Torre da Grifinória. Mais tarde naquela noite, enquanto se preparavam para ir pra cama, Harry chamou Hermione de lado.

- Você notou mais cedo quando Ginny estava falando... – ele parou, mas tinha certeza que Hermione estava entendendo. – Bem, você notou o jeito que ela disse que estava sendo guiada? – Hermione assentiu. – Ginny me disse isso antes. Você tem alguma idéia o que é?

Hermione pensou um momento.

- Você perguntou a ela?

- Sim e não. Digo perguntou a ela por que ela fez.

- E o que ela disse?

Embora eles já estivessem falando baixo, Harry baixou mais ainda a voz.

- Ela disse algo sobre estar em divida comigo. Porque eu salvei a vida dela no segundo ano.

- Bem, provavelmente é isso, Harry. Você não se lembra como Professor Snape foi guiado a te proteger do Quirell no primeiro ano? Não era porque ele tinha um débito com seu pai?

- É, acho que sim.

- Então se o poder de debito por salvar uma vida é forte o suficiente de alguém que já morreu, não é suficiente para fazer Ginny tentar o impossível?

Harry tinha que admitir que parecia plausível.

- Hey, Potter, o que você está fazendo num canto com minha namorada? – a voz de Ron veio das escadas do dormitório masculino. – Não me faça ir aí e te azarar!

- Queria ver você tentar, Weasley. – devolveu Harry. – Que tal um duelo até de manhã? Tenho certeza que eu te canso antes da l da manhã.

E com isso foram todos para cama.

X

N/A: A referencia sobre Monty Phyton no ultimo capitulo é bem difícil. Era a senha do escritório de Dumbledore, do esquete do chocolate Whizzo. Naquele esquete haviam sapos e outras coisas. Pensei se JKR não é fã também.