Capítulo 10
– O Escudo de Ravenclaw –
Harry Potter estava se sentindo muito desconfortável.
Depois de "dispensar" os amigos utilizando uma estuporação fora extremamente fácil levitá-los e colocar os dois em um vagão do trem.
Então ele aumentara os malões reduzidos que a Sra. Weasley tinha posto em seu bolso e trancar a porta por fora.
Harry sabia que a essa hora os amigos já deviam ter acordado e deveeriam estar jantando.
Sorte deles.
Harry estava no Caldeirão Furado, mas não em uma das mesas tomando uma Cerveja Amanteigada, não ele estava dentro da lareira.
Encolhido no meio da fuligem secular que revestia toda a superfície interna da lareira, coberto com um longo manto invisível.
Ele havia encomendado secretamente com os Gêmeos um manto com capuz que o tornasse invisível.
Ao colocar o capuz ele ativava o feitiço de invisibilidade que fora colocado no manto, embora nem tão eficiente quanto a Capa da Invisibilidade era bem maior e mais prático.
Harry se mexeu incomodado no espaço minúsculo enquanto esperava impacientemente que o bar se esvaziasse.
Finalmente o último homem terminou seu copo de Uísque de Fogo e saiu cambaleando.
Harry olhou no relógio e viu que eram quase dez da noite, levantando rapidamente, antes que o bar enchesse de novo ele saiu para os fundos do estabelecimento.
Sentindo o ar noturno batendo em seu rosto ele apanhou a varinha e abriu o arco que dava passagem ao Beco Diagonal.
Passando pelas vielas quase desertas, Harry virou e entro na Travessa do Tranco.
Sem qualquer desvio e ignorando as pessoas a sua volta Harry entrou na mais respeitada loja da Travessa: A Borgin & Bunkes.
Harry tirou o capuz da cabeça e imediatamente ele ficou visível. A Loja estava vazia.
Ele reparou que o armário em que se escondera em seu segundo ano não estava mais lá, ao que parecia Malfoy o retirara em sua empreitada no ano anterior.
Harry tinha a respiração acelerada ao abrir a porta que dava para os fundos da loja.
Ele penetrou lentamente em uma grande sala às escuras, completamente vazia, exceto por uma escrivaninha onde um homem roncava ruidosamente.
Harry se aproximou e empunhou a varinha com força.
– Olá Borgin, como vai? – perguntou o rapaz.
O homem acordou de imediato e começou a procurar sua varinha, que coincidentemente estava nas mãos de Harry.
– Quem é você, garoto, o que quer comigo? – gaguejou o homem.
– Com você eu não quero nada, mas tenho um grande interesse por um objeto em seu poder... – respondeu Harry.
Borgin saltou em direção ao rapaz e tentou estrangulá-lo com as mãos nuas.
Harry se esquivou habilmente e encarou as costas de Borgin.
– Que violência, acha que conseguirá me matar tão facilmente? – debochou ele.
Borgin virou a cabeça em sua direção e Harry sentiu seu estômago embrulhar ao perceber que o homem virara sua cabeça em 180 graus sem precisar virar o corpo junto, como uma coruja.
– O que quer com o "objeto"? – perguntou Borgin de forma ameaçadora.
– Quero ele para mim – respondeu Harry com simplicidade.
– O que sabe sobre isso?
– Percebi que a loja está aberta há muito tempo, tempo demais para falar a verdade – começou Harry. – Então eu descobri que você um dia havia empregado Tom Riddle aqui.
– Continue...
– Descobri também que não fora um parente seu que abrira a loja, mas sim você mesmo... Sendo assim hoje você teria em torno de... – Harry começou a fazer um cálculo mental.
– Cento e oitenta anos – respondeu Borgin. – Cento e oitenta logos anos, sim.
Harry assentiu.
– Então eu achei que Tom havia o incumbido de proteger o "objeto", sendo assim você não pode morrer naturalmente e nem vender o "objeto" – terminou Harry. – Sabendo disso foi fácil vir até aqui.
– Sim, você está certo, minha missão é simples: matar qualquer um que tente se apoderar do que guardo – confirmou Borgin.
Harry sentiu uma gota de suor passear por sua nuca, e não era graças ao calor.
– Pois eu tenho uma proposta para você – disse ele.
– Uma...proposta? – repetiu o homem.
– Um jogo, na verdade – explicou o rapaz.
Harry viu um lampejo de curiosidade nos olhos fundos de Borgin, ele mordera a isca.
– É bem simples, se eu ganhar você me dá, de livre e espontânea vontade, o "objeto" – contou Harry.
– E se você perder... – saboreou Borgin.
– Eu te dou a minha vida, pode me matar ou me entregar ao seu mestre, ganhando assim a liberdade – disse Harry.
Borgin pensou durante alguns minutos.
– Que tipo de jogo? – disse por fim.
Harry retirou do bolso uma pilha de pequenas placas de metal, muito finas e parecidas com cartões de crédito.
– Aqui tenho duzentas placas – começou Harry. – Tudo o que temos que fazer é enfeitiçá-las para desaparecerem.
– E como se ganha? – perguntou Borgin.
Harry sorriu.
– Colocamos a pilha sobre a mão esquerda, apontamos com a varinha e dizemos "deletrius", o feitiço da deletação, as placas absorverão parte do encanto e de acordo com a força deste algumas vão sumir – explicou. – Depois passamos o que restou da pilha para o outro e este faz o mesmo.
– Mas você não disse como se faz para ganhar – disse o homem.
– Quando a pilha acabar quem tiver mais ganhará, se algum de nós trapacear, fugir perderá – respondeu Harry. – Se o feitiço for fraco ele retirará poucas placas, se for muito forte ele vai atingir a mão e a deletará, se tirar a mão também perde.
Borgin assentiu, parecia apenas um teste, se ele colocasse força o suficiente no seu feitiço ele deixaria poucas placas para o garoto, este então desistiria ou perderia a mão, de todo o jeito iria perder.
Harry ergueu a varinha.
– Você vai jogar? – perguntou.
Diante da resposta positiva ele emendou:
– Você promete usar apenas o feitiço "deletrius" e promete que se eu ganhar entregará o "objeto" sem tentar fazer nada contra?
Nova resposta positiva.
Então da varinha do rapaz saiu um jato branco que acertou o homem em cheio, este percebeu que Harry anulara seus poderes, fazendo assim que eles só pudessem usar o feitiço da deletação.
O jogo começara.
Decidiram que Harry começaria.
Ele colocou as placas em cima das costas da mão esquerda e se concentrou, não podia arriscar.
Quando acertou o feitiço na pilha as placas começaram a sugar parte da mágica, apenas umas poucas desapareceram.
Um pequeno número em fumaça apareceu ao lado dele, tinha tirado menos de dez placas.
Borgin fez o mesmo, mas seu número de placas era mais de dez, ele estava ganhando.
– Deletrius.
– Deletrius.
– Deletrius.
– Deletrius.
Turno após turno eles retiravam as placas e os números aumentavam.
Borgin pegou a pilha e a pôs sobre a mão esquerda.
Olhando fixamente para a pilha de placas – agora menos de cem – ele começou a pensar.
O jogo já o estava aborrecendo, o fetitiço das placas era bem forte, não dava para calcular o quanto de poder atingiria a pilha, era difícil retirar um bom número, encurralando assim o garoto.
Mas havia um jeito! Um jeito fácil e rápido de acabar o jogo, ganhando e usando apenas o feitiço permitido.
– Deletrius. – gritou ele apontando para Harry.
A última coisa que viu foi, no lugar da cadeira onde o garoto estava sentado, um grande espelho.
O feitiço bateu na superfície reflexiva e voltou com tudo contra seu conjurador, acertando em cheio no seu peito.
Depois não viu mais nada.
Harry suspirou e saiu de debaixo da mesa, seu plano funcionara.
Ele sabia que uma hora Borgin iria tentar atacá-lo, por isso depois de entregar as placas para ele Harry trocava de lugar com o espelho.
Demorou, mas Borgin finalmente tentara trapacear.
Harry abriu as gavetas da escrivaninha e revirou a sala inteira.
Depois de muito tempo que ele achou o "objeto".
Um escudo dourado, com uma grande águia no centro e extremamente pesado.
O escudo que pertencera a Ravenclaw.
Harry não sabia ao certo como o "objeto" seria, nem sabia qual dos "objetos" seria aquele.
Mas agora que o tinha nas mãos ele sorriu, ele vencera uma batalha.
A Horcrux desconhecida havia sido encontrada.
