Capítulo 9.

Ciúmes e romances.

- Dar o mapa do maroto para o Harry? – Ágatha perguntou surpresa. Já passava da meia noite, mas ela fora convocada pelos gêmeos para descer até o sofá para que conversassem. Seu gato estava aninhado em seus braços, ao contrário dela, ele dormia.

- É. Ele não tem como ir para Hogsmeade. – Fred explicou.

- Sem falar que sabemos as passagens de trás pra frente e de ponta cabeça até. – George argumentou.

- É... – ela ponderou um pouco, bocejando logo depois.

- Tamanha a animação dela em George. – Fred comentou.

- Nós aqui, decidindo o destino do nosso querido mapa...

-... E ela querendo tirar um ronco.

- Ah, parem de ser chatos. Eu estou morrendo de sono ta legal? E amanhã ainda tem a visita pra Hogsmeade. – ela bocejou novamente.

- Ah, é, seu encontro né? – Ágatha virou-se para Fred com um olhar mortal, mas ele apenas sorriu.

- É, meu encontro. – retrucou.

- Muito bem, concentração no mapa! – George pediu.

- Olha. Por mim, tudo bem. – Fred deu de ombros. – O Harry está precisando mesmo de uma ajudinha.

- Auxilio aos necessitados agora. – Ágatha brincou risonha. – Por mim tudo bem também.

- Beleza. Vamos entregar pro Harry amanhã. – George parou um instante. – Você vem com a gente entregar?

- Vou, ué, por que não? – Ágatha indagou confusa.

- Por causa do seu... Encontro? – Fred indagou sarcástico, fazendo-a rolar os olhos.

- Vão ser apenas alguns minutinhos, não custa ir. – ela deu de ombros. – Agora, sabe o que eu e vocês vamos fazer?

- Uma festa? – George brincou.

- Vamos subir aquelas escadas e deitar em nossas camas, e dormir muito. – os dois riram, mas não contestaram.


- Presente de Natal antecipado pra você, Harry. – anunciou Fred.

Ele, Harry, George e Ágatha estavam dentro de uma sala vazia, próximos à estátua da bruxa de um olho só.

Fred tirou o pergaminho do mapa e entregou na mão de Harry, que o olhou confusamente.

- E o que é isso? – indagou.

- Isso, Harry, é o segredo do nosso sucesso. – disse George, dando uma palmadinha carinhosa no pergaminho.

- Dói pra gente dar esse presente pra você, acredite. – disse Fred. – Mas decidimos, na noite passada, que você precisa muito mais dele do que nós. E, de qualquer maneira, já o conhecemos de cor. É uma herança que vamos lhe deixar.

- E para que eu preciso de um pedaço de pergaminho velho?

- Um pedaço de pergaminho velho! – exclamou Fred, fechando os olhos com uma careta. Parecia que Harry o havia ofendido mortalmente. – Explique a ele George.

- Bem... Quando estávamos no primeiro ano, Harry... Jovens descuidados e inocentes.

Harry abafou uma risada, e Ágatha gargalhou.

- Inocentes? Não pareciam inocentes na época. – ela comentou para Harry, apoiando o braço no ombro de Fred.

- Você nunca foi uma santa. – George replicou risonho.

- Touché.

- Bem, mais inocentes do que somos hoje... Nos metemos em uma confusão com Filch. Ficamos sozinhos no seu escritório e acidentalmente, conseguimos encontrar o pergaminho.

- Acidentalmente. – Fred disse, olhando para Ágatha. Ela deu de ombros.

- Naquela época eu era mais desastrada.

- Muito bem Harry, para funcionar, é bem simples. – George pigarreou, colocando a varinha sobre o pergaminho. – Eu juro solenemente que não vou fazer nada de bom.

Os riscos surgiram lentamente no mapa, descrevendo os corredores. Depois, os pés que simulavam as pessoas. Harry ficou maravilhado.

- Só pode ser brincadeira... Essa é mesmo...

- Hogwarts. – os gêmeos assentiram juntos.

- E... Não... Esse é mesmo?

- Dumbledore.

- Em seu escritório.

- Andando.

- Ele faz muito isso. – disseram em seqüência, e Harry continuou eufórico.

- Harry, há sete passagens para sair de Hogwarts. Nós indicamos essa daqui. – os dois apontaram o dedo para a passagem marcada no mapa. – Da bruxa de um olho só. Te leva direto ao porão da Dedosdemel.

- Agora, Harry, não se esqueça. Quando terminar, é só dar um tapinha e dizer. Malfeito feito. – Ágatha alertou, fazendo o que dissera. As linhas sumiram, trazendo de volta à vida o pergaminho velho e vazio.

- Senão qualquer pode ler. – Fred e George disseram.

- Vejo você na Dedosdemel! – Fred exclamou e os três saíram dali, deixando Harry com o mapa.

- Ah, missão cumprida. – George sorriu. – Foi triste me separar dele, admito.

- Mas de qualquer jeito, ele está dentro da sua cabeça. – Ágatha argumentou dando de ombros.

- É, tem razão. – Fred assentiu pensativo. – Agora, Hogsmeade.

- É, mas vamos pelo caminho permitido. Hoje a passagem secreta fica só pro Harry. – George disse.

- Ahm... Eu vou... vocês sabem. – Ágatha parou, coçando a nuca. Os gêmeos entreolharam-se, rolando os olhos e assentindo.

- Vai logo procurar o príncipe encantado.

- Nos vemos no Três Vassouras! – exclamou, correndo pela direção contrária.

Foi questão de segundos, que Fred e George fizeram questão de contar, para Ágatha tropeçar no chão cheio de neve e escorregar, caindo de costas.

- Eu to bem! – exclamou, erguendo-se em seguida e correndo pela mesma direção. Fred encarou George, e os dois riram.


- Ah, encontros são tão lindos. – Alicia comentou animada. Estava com Ágatha e Abigail, enquanto a primeira esperava seu "par" chegar. Ela parecia mais nervosa do que normalmente ficava.

- McGonagall precisava falar com o Olívio justo agora. – Abigail disse indignada.

- Não custa esperar. – Ágatha rolou os olhos, dando de ombros.

- Nem vai precisar esperar tanto. – Alicia sorriu marotamente, fazendo um sinal para o fim do corredor. Abigail também sorriu, distanciando-se da amiga lentamente. – Então... A gente se vê mais tarde no Três Vassouras!

- Desculpe a demora. – Ágatha virou-se imediatamente para Wood. – McGonagall precisava mesmo falar comigo.

- Não tem problema nenhum. – ela deu de ombros, sorrindo sem graça.

- Vamos então? – ele esticou o braço para ela, e sorrindo, Ágatha aceitou, abraçando-o.

- Claro.

Uma boa parte do caminho até Hogsmeade, eles foram conversando sobre coisas bobas. Ágatha se soltava mais conforme conversava com ele, perdendo bastante da sua timidez.

Os dois ficaram quietos depois, seguindo para o Três Vassouras. Para a sorte dele, não havia muita gente ali, então achar uma mesa mais reservada foi fácil. Pediram cervejas amanteigadas e depois ficaram se olhando, meio quietos.

- O que vai fazer quando sair de Hogwarts? – Ágatha indagou curiosa. Afinal de contas, era o último ano de Wood ali na escola.

- Queria tentar entrar em algum time de quadribol. – ela assentiu imediatamente, rindo um pouco. – O que, sou tão previsível assim?

- Digamos que você tem certo fascínio obsessivo pelo quadribol. – Ágatha comentou rindo novamente. Ele acompanhou-a.

- É algo de dentro, não consigo me controlar.

- Você é um ótimo jogador, vai se dar bem lá fora. – Ágatha disse.

- É, mas é tão complicado entrar em um dos times bons. Meu pai torce pelo Puddlemere United, acho que ele seria o homem mais feliz do mundo se eu entrasse. Mas é difícil, eles são muito exigentes. O Chudley Cannons também é muito legal, e... – Wood parou de falar de repente, vendo a expressão de Ágatha misturar-se entre divertida e desconfiada.

- Você me chamou pra sair ou pra discutir sobre quadribol? Sabe que eu torço pras Holyhead Harpies. – ela cruzou os braços, e ele riu.

- Er... Desculpe, eu acho que sou focado demais no quadribol. – ela assentiu imediatamente, rindo com ele. – Então, quer falar sobre o que?

- Ah, sei lá, sobre a vida. – ela deu de ombros. – Como anda a sua?

- Depende da categoria. – ele ponderou um pouco. – No quesito da escola, os N.I.E.M.s estão me matando. Os professores acham que nós somos de aço, sem contar o quadribol pra me preocupar. Família está tudo na mesma, briga de irmãos o tempo todo, normal. – Ágatha riu, assentindo. – E no quesito romance... Uma lástima. Scarlett quer um namorado perfeito que faça todas as vontades dela e que seja onipresente. Eu não sou assim, tudo bem, entendo que falo demais de quadribol e tudo, mas não agüento a futilidade dela.

- Talvez seja só uma fase e passe logo... – Ágatha comentou. – Ou não. – murmurou baixinho.

- Fase ou não, nós já terminamos faz tempo. E mesmo que ela me encha para voltar, não vai dar certo. – Wood deu de ombros. – Bem, vamos parar de falar de mim. E a sua vida? – ele sorriu, e Ágatha encarou-o confusa.

- Bem... No meu caso de estudos, as N.O.M.s é que estão matando. Ultimamente mal sei o que é família pra ser sincera. Minha mãe é muito ausente, e pra ajudar eu fugi de casa antes do começo das aulas. – ela sorriu sem graça quando viu ele ficar assombrado. – Mas nada que um bom papo não resolva. E minha vida amorosa? Melhor deixar pra lá. – ela riu nervosamente, desviando os olhos dele.

- Fale. – ele pediu. – Você me escutou reclamar da Scarlett, é justo que desabafe também. – riu um pouco, mas Ágatha engoliu em seco.

- Acho que eu estou gostando de um cara... – ela começou, tentando não olhar nos olhos dele. – Mas para ele eu sou só uma boa amiga. Não sei o que fazer, eu não tenho coragem de me declarar nem nada do tipo.

- Ah, quem sabe não tem mais alguém interessado em você. – Wood deu de ombros, seu olhar era indecifrável. – Você é uma garota muito bonita e inteligente, é impossível que um cara seja idiota o bastante pra não querer namorar você.

- Você acha? – o rosto de Ágatha estava vermelho feito um pimentão, mas o local que eles haviam escolhido era um pouco mais escuro, então ela agradeceu a Merlin por estar ali.

- Acho não, tenho certeza disso. – ele sorriu um pouco. – Acho que você só precisa andar mais sozinha um pouco, talvez ele não consiga se aproximar do jeito certo porque você está sempre com os gêmeos ou com as meninas.

- É, pode ser... Se bem que eu não sou muito de ficar sozinha. Então não seria uma boa opção. Ele teria que tomar coragem e falar na frente deles. – ela comentou pensativa.

- Agora você está sozinha. – Ágatha nem notou que ele havia se aproximado um pouco, e assentiu inocentemente.

- É, agora, mas depois eu não estarei mais. – ela disse.

- Então fique comigo.

- Nada contra sua companhia, mas não vejo porque ele ficaria à vontade com você e não com os outr... – Ágatha foi interrompida quando Wood puxou-a para si, encostando seus lábios nos dela sem deixar ela protestar.

Fifteen – Taylor Swift.

Claro, ela nunca fez isso. Seus olhos ficaram arregalados certo tempo, principalmente porque era a primeira vez que um garoto chegava àquela distância dela. Sem falar que era o cara que ela desejava tanto que a beijasse que estava ali, naquele momento, abraçando-a.

O beijo não durou muito, até porque ele não o aprofundou. Foi apenas um toque dos lábios, que para Ágatha, pareceu estar flutuando nas nuvens. Ela ainda estava meio surpresa pelo ato, então ficou meio congelada. Wood olhou-a bem nos olhos quando se separaram, segurando o rosto dela entre suas mãos. Ele sorriu ao vê-la com o rosto todo vermelho e os olhos meio arregalados.

- Tudo bem? – ela engoliu em seco, assentindo.

- T-tudo.

- Mesmo? – ele indagou encarando-a desconfiadamente.

- É. – ela respirou fundo. – Não sabia, bem... Sei lá... Que você... Você entende né? Que você gostava de mim.

- Sério mesmo? – ele indagou surpreso. – Achei que você tivesse descoberto há muito tempo.

Ágatha não sabia se ficava mais assombrada com o beijo repentino dele ou com a confissão. Nem em mil anos ela pensara que ele gostava dela do mesmo jeito que ela gostava dele.

- Então... – ele coçou a nuca, parecendo encabulado. – Você aceita?

- O que? – ela perguntou de imediato, voltando em si.

- Ficar. Namorar, essas coisas. – ele encarou-a divertidamente. Ágatha nervosa era muito engraçada.

- É... – ela sorriu abertamente, mal acreditando. – Aceito.

- Sério? – agora Wood era o surpreso.

- Sério. – ela assentiu, sorrindo.

- Dessa vez não vai ficar congelada quando eu te beijar? – ele brincou, aproximando-se um pouco.

- Não. – ela sorriu, passando a mão pelos ombros dele. Abraçou-o pelo pescoço quando seus lábios se encontraram novamente. Dessa vez, o beijo não foi apenas um selinho. Ágatha mesma fez questão de deixá-lo aprofundar, sentindo-se agora navegar num oceano de corações.

Ela subiu as mãos pelo cabelo dele, bagunçando um pouco. Wood fez o mesmo, mas acariciando as mechas loiras da garota. Ela não soube dizer quanto tempo ficaram assim, mas quando o beijo acabou só seus lábios ficaram separados. Ela abraçou-o, encostando seu rosto no pescoço dele. Ágatha riu levemente, achando que estava num sonho.

- O que é tão engraçado? - ele indagou divertido, separando-se para olhá-la nos olhos.

- A vida. - ela murmurou, mordendo o lábio inferior. Wood sorriu, puxando-a para si novamente. Os dois recomeçaram o beijo, agora, sem a intenção de pará-lo tão cedo.


- Aquela é a Ágatha? - Angelina exclamou surpresa, mas em tom de voz baixo. Ela, os gêmeos, Abigail e Lino haviam entrado no Três Vassouras para tomar algumas cervejas amanteigadas, e qual foi à surpresa deles quando encontrou um casal aos amassos no fim do bar.

- É. - Fred murmurou em tom de voz baixo, mas Abigail sentiu uma onda de fúria naquela simples palavra.

- Já vi que agora vai ficar grudada nele o tempo todo. - George comentou amargurado. - Namoros são um tormento, por Merlin!

- Eu não acho. - Abigail retrucou. - É tão lindo ver dois apaixonados juntos. - ela sorriu sonhadora, seguindo para a mesa que Angelina escolhera.

Era afastada do casal, mas ainda tinha visão para a mesa deles, o que pareceu deixar Fred mais irritado.

- Hei Fred, você tá legal? - Angelina indagou tocando o braço dele.

- Tô ótimo gata. - ele sentou-se de costas para o casal aos beijos, ignorando totalmente eles. George encarou o irmão desconfiadamente.

- Tudo bem então. - Angelina deu de ombros, sem deixar de olhar o ruivo um pouco confusamente.

- E ai... Já foram às Zonko's? - Abigail perguntou, assim que fizeram o pedido de cervejas amanteigadas.

- Já... Estava abarrotado, mas sabe né. Somos os clientes favoritos deles. - George sorriu abertamente.

- Imagino. - Angelina olhou-o severamente, mas eles riram depois. - Fred, você está mesmo bem? - ela indagou novamente, ao ver que o ruivo estava quieto, só olhando para a mesa.

- Tô bem, meu Merlin! - ele exclamou indignado. - É só dor de cabeça.

- Sei...

- E ai galera, como vão os estudos? - Lino exclamou de repente, desviando o assunto.

Só que Abigail já havia percebido que Fred só tinha ficado daquele jeito a partir do momento que viu aquele casal.


- Oi Fred. - Ágatha exclamou sorridente. Já era noite, mas ela havia ficado com Wood no salão comunal até àquela hora. Nem tinha reparado quando Fred desceu as escadas. - Tudo bem? - ela encarou-o meio confusa, principalmente pela cara de irritação dele.

- Tudo. - ele respondeu secamente.

- Sério?

- É Ágatha, tudo. - ele respondeu, rolando os olhos.

- Ah, desculpa, só perguntei. - ela bufou.

- E ai, como foi o encontro? - ele indagou distraidamente, sentando-se na poltrona ao lado de Ágatha.

- Foi bom. - ela sorriu sonhadoramente, e Fred rolou os olhos. - Vocês estavam lá não estavam? Mas saíram antes que eu fosse falar um oi.

- É, cansamos de ser plateia pra amassos dos outros. - ele replicou.

- A gente está junto agora, queria o que? Um show de dança? - ela retrucou indignada.

- Algo menos indecente. - ele deu de ombros.

- INDECENTE? - Ágatha exclamou furiosa. - INDECENTE FRED WEASLEY, COMO OUSA FALAR ISSO? Eu não fui indecente, estávamos apenas nos beijando!

- Agarrando é o termo certo. - ele sorriu falsamente.

- Ora seu... - ela grunhiu, erguendo-se para ficar à frente dele. - Não fomos indecentes, nos gostamos e nos beijamos isso que importa para mim! Aposto que você foi o único que reclamou de ficar lá!

- Na verdade fui mesmo. Os outros acharam bonitinho e fofinho. - ele levantou-se também, agora encarando-a de cima.

- E você reclamou por quê? Estava com ciúmes? - ele gargalhou.

- Ciúmes Ágatha? Eu só achei falta de vergonha. Ficar se agarrando em público daquele jeito. - Ágatha sentiu os olhos marejarem, mas permaneceu em posição de ataque.

- Problema seu se achou isso! Eu gosto dele tá bem? Não se importa de me ver com quem eu gosto?

- Não se ele for tão mais velho e metido que você. Sem falar que ele sai da escola esse ano, você vai ficar o que, chorando pelo resto da sua vida escolar? Ainda achei falta de vergonha ficar se agarrando daquele jeito em público.

- Você está sendo insensível. - ela murmurou meio chorosa. Fred pareceu engolir em seco, mas não revogou sua cara de irritação.

- Quer saber? Eu não me importo. Fique com ele se quiser, eu não ligo mais.

- NÃO LIGA? E QUEM DISSE QUE EU PRECISO DA SUA PERMISSÃO PRA ALGUMA COISA EM? - ela exclamou raivosa. - AH, eu te odeio por isso Fred! - gritou, agora chorando, e se afastou dele, correndo escadaria acima. Fred bufou, sentando-se na poltrona de novo.


- Ah, droga. - Ágatha murmurou, olhando a carta em suas mãos. A coruja havia acabado de deixar cair, e ela se sentia amaldiçoada no primeiro dia de férias.

- O que houve? - Abigail perguntou.

- Minha mãe está no castelo. E quer falar comigo. Na sala do meu pai. - ela gemeu, enterrando as mãos no cabelo.

- Vai lá falar com ela. Ai você se acerta logo. - Abigail incitou.

- Acho que a guilhotina é menos dolorosa. - Ágatha retrucou fazendo a amiga rir.

Ágatha levantou-se, suspirando. Abigail fez um gesto positivo, mas não pareceu animá-la demais.

Quando estava passando pela porta do salão principal, Ágatha encontrou os gêmeos. Seus olhos foram imediatamente para Fred, já que ela conseguia, incrivelmente, diferenciar os dois no instante em que os via.

- Hei Ágatha, faz um tempo em. - George brincou, já que sentiu o clima meio tenso.

- É. - ela murmurou. - Oi George. - ela sorriu para ele.

- Pra onde tá indo?

- Falar com meus pais. - ela bufou, jogando a cabeça para trás. - E provavelmente ser morta naquela sala. Saiba que eu amo você viu? - George riu, assentindo. Ele olhou de relance para Fred, e Ágatha olhou para ele também. - Tchau. - disse o mais secamente que pode.

George encarou Fred indignado, cruzando os braços.

- Deixa de ser criança. - ele disse.

- Ela que saiu furiosa, ela que peça desculpas. - Fred retrucou.

- Você começou a discussão, que eu saiba. - Abigail havia parado ao lado deles, assustando-os.

- Avisa quando chega garota, quer me matar do coração? - George exclamou fazendo-a rir.

- Eu não vou pedir desculpas. - Fred disse.

- Por isso eu digo que os homens são problemáticos. - Abigail rolou os olhos. - Olha, a Ágatha ficou realmente magoada tá bem? Foi bem difícil fazer ela parar de chorar naquela noite.

- Que seja. - Fred fingiu não ter ficado abalado quando ela disse aquilo.

- Ah, por que você é tão teimoso? - ela exclamou indignada. - George, ajuda! - virou-se para ele, enquanto que ele apenas a encarava confusamente.

- Como? Eu sou gêmeo dele, não a consciência.

- Ah, que ótimo! - Abigail bufou longamente.


- Alô? – Ágatha esperou a porta se abrir. Lupin sorriu para ela, de um jeito acolhedor, que a fez sorrir também. Mas foi a segunda pessoa que a deixou assustada.

- ÁGATHA BLAKE LUPIN, COMO VOCÊ OUSOU FUGIR DE CASA E NÃO ME MANDAR UMA CARTA DEPOIS?

- Porque quando você foge de casa, não tem a intenção de ficar se correspondendo com seu carrasco. E segundo, agora tá colocando Lupin no meu nome? Mudou de ideia sobre a proibição? – Ágatha retrucou entrando no recinto. Lupin parou ao lado da filha, enquanto Sally apenas encarava Ágatha indignada.

Agora que Ágatha estava mais velha, dava-se para perceber a muita semelhança física dela com a mãe. Desde o rosto sério, os olhos furiosos, o cabelo dourado (que no caso de Sally estava na altura do queixo) e a altura.

- Sally, vamos com calma está bem? – Lupin pediu.

- Calma nada Remus! – ela retrucou. – Não adianta tentar resolver as coisas agora porque essa garota está perdendo o rumo! Você não lidou com a educação dela todos esses anos, não é agora que vai começar. – Lupin pareceu atingido por essas palavras, e Sally suspirou. – Desculpe Rem, não era minha intenção...

- Não Sally, está tudo bem. – ele sorriu compreensivo. – Eu entendo que você queira lidar com Ágatha de um jeito seu, mas agora que eu estou aqui, que tal resolver as coisas com calma?

- Longe dos chicotes. – Ágatha murmurou irritada.

- Moçinha, eu nunca encostei um dedo em você e sabe disso. Mas eu posso começar agora. – Sally encarou-a severamente, mas Ágatha não se intimidou.

- Ágatha, por favor. – Lupin pediu, erguendo as mãos. – Pode me dizer por que fugiu de casa?

- Porque eu não agüentava mais ela. – Ágatha falou olhando nos olhos dele, sem conseguir encarar a mãe. – Ela me irritava muito, brigando o tempo todo, sem paciência, e ainda por cima ausente. Eu não conseguia aceitar que ela me mantivesse na linha sem nem ao menos passar uma semana comigo! Também o fato dela ter surtado quando soube que você daria aula em Hogwarts. Eu sei da sua condição, mas imagino que ela esteja mais é com ciúmes de você do que com medo.

- Ciúmes? – Sally parou ao lado de Lupin, encarando a filha indignada.

- É. Porque ele tem o tempo todo comigo nessa escola, mesmo que tenha que dar aulas. E você quase nunca está do meu lado. – Ágatha não encarou a mãe por muito tempo, desviando os olhos dela. – Eu sinto sua falta mãe, mas você ficar discutindo o tempo todo e brigando sempre que eu toco no assunto do papai não vai ajudar. Isso me cansa, por isso eu fugi.

Sally ficou quieta, parecendo surpresa. Lupin encarou a filha pensativo e depois a mulher ao seu lado. Ambas não se encaravam, o que complicava a situação.

- Ágatha, está tudo bem. – ele abraçou-a pelo ombro quando a garota começou a chorar. – Sally, por favor. – ele encarou Sally severamente, e ela voltou a si. – Não acha que está mais do que na hora de sentar e conversar com ela?

Ela assentiu, parecendo perturbada.

- Amor. – ela puxou Ágatha para si, abraçando-a. – Desculpe. – Sally fechou os olhos com força, contendo as lágrimas.

- Vou deixá-las a sós.

- Não! – Ágatha pediu, segurando o braço dele. – Fica, por favor. Você faz parte dessa conversa como ela.

- Ela tem razão Rem. – Sally sorriu para ele. Lupin assentiu. – Desculpe Ágatha. Eu sei que eu sou muito ausente, mas eu não queria que você sofresse com isso. Acontece que tudo acaba caindo sobre mim, e o máximo que eu posso fazer é passar um pouco tempo com você. E eu admito que fiquei com ciúmes de seu pai. – Lupin achou graça, fazendo Sally franzir o cenho.

- Não tem porque ter ciúmes. Você a teve a vida toda... – Lupin bagunçou o cabelo da filha carinhosamente. – Eu só consegui encontrá-la agora. Tem mais sorte do que eu.

- Não sei por que nunca ficaram juntos. – Ágatha comentou. Os dois entreolharam-se, parecendo encabulados.

- Porque não deu. Eu já tinha sua irmã, e ainda por cima, era quase casada. Foi um amor de verão, nada mais.

- Amor de verão? Nada mais? – Ágatha encarou Sally indignada.

- Nada mais. – Lupin riu. – Então, está tudo bem agora?

- É, vai ficar tudo bem. – Ágatha abraçou a mãe. – Só se você parar de gritar comigo nas férias. – Sally riu.

- Posso tentar.

- E me deixar visitar o papai. Chega desse negócio de familiares brigados, é uma chatice, sério. – Ágatha pediu.

- Ágatha, não sei se... – Lupin argumentou, mas a garota o cortou.

- Não vou durante semana de lua cheia, só isso. – ela deu de ombros. – Não vejo nada demais. – Sally encarou Lupin durante um tempo. – AH, e vou usar Lupin agora. – Sally encarou-a desconfiada. – Me deixa aproveitar seu momento de generosidade valeu?

- Podemos pensar. – ela disse, fazendo Ágatha rir. Ela abraçou os dois ao mesmo tempo dessa vez, fazendo-os rir.


- Ágatha? – ela virou-se surpresa. Estava a caminho do vestiário de quadribol, para o jogo que teriam contra a Corvinal. Estava mais nervosa que Olívio, já que este parecia muito animado. Ele ficara o dia anterior todo falando sobre a Firebolt, a nova vassoura do Potter. Ela mal teve como conversar com ele, a não ser quando Wood lhe dava umas dicas de jogada.

- O que você quer? – ela armou uma carranca no momento em que pôs os olhos em Fred.

- Falar com você.

- Já está falando. – Fred suspirou pesadamente, aproximando-se dela.

- Desculpe.

- O que?

- Desculpe.

- Como é? – ela sorriu um pouco, aproveitando-se do momento.

- DESCULPE! POR MERLIN ÁGATHA, EU FUI IDIOTA VALEU? FOI MAL TER DITO AQUELAS COISAS PRA VOCÊ, EU FIQUEI UM POUCO ENRAIVECIDO COM TUDO ISSO QUE TÁ ROLANDO! – Fred exclamou puxando o cabelo.

Ágatha achou graça, sorrindo um pouco mais.

- É... Pode até ser. – ela deu de ombros, virando-se de costas e voltando a andar. Fred rolou os olhos, alcançando-a em dois passos. Virou-a para si, esperando uma resposta.

- E ai?

- E ai o que?

- Me perdoa? – Ágatha cruzou os braços, seus olhos percorrendo o rosto dele. Por fim, ela suspirou.

- Perdôo. – ela balançou a cabeça quando ele sorriu. – Idiota. – virou-se de costas novamente, só que desta vez, Fred ergueu-a no ar. Ágatha chutou à sua frente quando se sentiu levantada, gritando enquanto ria.

- Me larga! – exclamou. Fred o fez, rindo de novo. – Tonto.

- Baixinha. – ele replicou, passando por ela com um ar de sabichão. Ágatha deixou o queixo cair, armando uma cara de fúria.

- BAIXINHA É A TIA AVÓ! – ela jogou-se sobre as costas dele, abraçando-o pelo pescoço. Fred começou a rir e ela também.

- A tia Muriel é mesmo uma sujeita baixinha sabe. – outra voz soou atrás deles. George vinha trazendo duas vassouras, com Abigail e Alicia com ele. – Então, os velhos rabugentos finalmente fizeram as pazes?

- Hei boa sorte no jogo! – Alicia exclamou. – Sinto muito ter que torcer pra minha casa, mas são as regras não. – ela piscou divertida.

- Abigail torce por nós. – Ágatha sorriu para as duas.

- Vamos, temos que ir derrotar alguns corvinais. – George exclamou brincalhão, fazendo Alicia mostrar-lhe a língua.

Já no campo, os jogadores se preparavam para a partida.

- É, agora que voltamos a ser amigos, não vou precisar te acertar com um balaço. – Fred brincou para Ágatha.

- Eu arrancaria sua cabeça num chute antes disso Weasley. – ele deu risada.

- Foi dado início à partida, e a grande novidade é a Firebolt que Harry Potter está montando pelo time da Grifinória. Segundo o Qual Vassoura, a Firebolt será a montaria escolhida pelos times nacionais no Campeonato Mundial deste ano...

- Jordan, você se importa de nos dizer o que está acontecendo no campo? – a professora McGonagall interrompeu a narração de Lino.

- Certo, professora, eu só estava situando os ouvintes... A Firebolt, aliás, tem um freio automático e...

- Jordan!

- Ok, Ok, Grifinória tem a posse da goles, Ágatha Blake da Grifinória está voando em direção á baliza...

- Grifinória lidera por oitenta pontos a zero, e olhe só o desempenho daquela Firebolt! Potter agora está realmente mostrando do que ela é capaz de fazer, vejam como muda de direção – a Comet de Chang simplesmente não é páreo para ela, o balanceamento preciso da Firebolt é visível nesses longos...

- JORDAN! VOCÊ ESTÁ GANHANDO PARA ANUNCIAR A FIREBOLT? VOLTE A NARRAR O JOGO!

Corvinal começou a jogar na retranca, e já tinha marcado três gols, o que deixava a Grifinória apenas cinqüenta pontos á frente. E se Cho Chang apanhasse o pomo antes de Harry, Corvinal ganharia.

Enquanto Ágatha e Angelina dividiam-se em fazer os gols, Harry quase apanhou o pomo, mas para evitar a colisão com Cho, guinou no último momento.

- HARRY, ISSO NÃO É HORA PARA CAVALHEIRISMO! – berrou Olívio. – SE FOR PRECISO, DERRUBE-A DA VASSOURA!

O que aconteceu depois foi rápido. Harry avistou três dementadores em campo, e usou um feitiço do Patrono para afugentá-los. E com isso, também, conseguiu agarrar o pomo de ouro.

- ISSO AI GAROTO! – Olívio gritou animado.

Ágatha, Angelina e Katie, todas tinham beijado Harry. Fred abraçou-o com força, todos muito felizes pela captura do pomo. Haviam vencido aquele jogo, e isso os colocava mais próximos da taça de quadribol.

- Não eram dementadores. – Ágatha comentou rindo. Angelina, ao seu lado, começou a rir também.

Amontoados no chão estavam Malfoy, Crabbe e Goyle, e Minerva, claro, dando-lhes uma bronca daquelas.

- Vamos, Harry! – disse George. – Festa! Sala Comunal da Grifinória agora!

- Foi impressionante. – Lupin comentou parando ao lado de Ágatha. Ela virou-se surpresa para ele.

- Não sabia que estava na plateia. – ela disse.

- Pois é. – ele sorriu um pouco. – É uma ótima jogadora.

- Obrigada papai. – ela sorriu agradecida. – Nos vemos na aula.

- Com certeza. – ele assentiu.

A festa na sala comunal durou o dia inteiro e se prolongou até tarde da noite. Fred e George desapareceram algumas horas e voltaram com várias garrafinhas de cerveja amanteigada, abóbora espumante e vários sacos de doces da Dedosdemel.

- Como foi que você fez isso? – Angelina gritou assombrada.

- Com uma pequena ajuda de Aluado, Rabicho, Almofadinhas e Pontas. – murmurou Fred próximo à Harry. Ágatha, que também estava próxima, riu.

- Ganhamos! – ela se sentiu abraçada por Wood, virando-se para ele sorridente.

- Vamos conseguir Olívio, acredite. – ela abraçou-o, beijando seus lábios rapidamente.

- Eu rezo para que sim. – ele sorriu sonhadoramente.


- Vai dar certo. – Ágatha segurou a mão de Olívio rapidamente, enquanto seguiam para o vestiário. Era o jogo final, contra Sonserina, e se vencessem a taça de quadribol seria deles.

O time entrou em campo sob uma onda gigantesca de aplausos. Três quartos da torcida usava rosetas vermelhas, agitavam bandeiras vermelhas ou faixas com as palavras de ordem: "PRA FRENTE GRIFINÓRIA!" e "A COPA DOS LEÕES!".

- E ai vem o time da Grifinória! – Lino Jordan exclamou animado. – Potter, Bell, Johnson, Lupin – espera LUPIN? Ágatha, você é filha do professor... Ta bem, professora McGonagall, desculpe... Weasley, Weasley e Wood. Considerado por todos o melhor time que Hogwarts já viu em muitos anos.

As vaias da Sonserina vieram logo depois, mas ninguém se importou.

O aperto de mãos entre Flint, capitão da Sonserina, e Wood, parecia mais uma queda de braço. Ágatha olhou hesitante para a arquibancada, e depois para os companheiros de time. Sorriu para Fred e George por fim.

- E Grifinória com a posse da bola, Ágatha Blake – força do hábito - da Grifinória, voando direito para as balizas da Sonserina, em boa forma, Ágatha! Arre, não, a goles foi interceptada por Warrington. Warrington da Sonserina partindo em velocidade pelo campo...

PAM!

- Uma boa rebatida de um balaço por George Weasley, Warrington deixa cair a goles, que é apanhada por Johnson, Grifinória com a posse da bola outra vez, aí Angelina, bom desvio de Montague! Se abaixe Angelina, ai vem um balaço! ELA MARCA! DEZ A ZERO PARA GRIFINÓRIA!

De repente, ela quase foi derrubada da vassoura por Marcos Flint, que colidira em cheio com ela. Fred lançou um balaço contra Flint pouco tempo depois, o fazendo bater o nariz na vassoura.

Madame Hooch deu pênalti para Grifinória e para Sonserina.

- Ah nem vem! – berrou Fred, mas Madame Hooch já havia apitado. Ágatha se adiantou para cobrar o pênalti

- AÍ ÁGATHA! – gritou Lino. – SIM, SENHORES! ELA FUROU O GOLEIRO! VINTE A ZERO PARA GRIFINÓRIA!

- É claro que Wood é um esplendido goleiro! – comentou Lino. – Esplêndido! Difícil de vazar – muito difícil mesmo – SIM SENHORES! EU NÃO ACREDITO! ELE AGARROU A BOLA!

Mais para frente, Montague, um artilheiro da Sonserina, cortou a frente de Katie Bell e agarrou a cabeça dela invés da bola, fazendo-a derrubar a goles. Pênalti a favor da Grifinória.

- TRINTA A ZERO! TOMA SEU SUJO, SEU COVARDE!

- Jordan, se você não consegue narrar imparcialmente...

- Estou narrando o que acontece, professora!

- Mau jeito, rapazes! – Lino exclamou quando os batedores da Sonserina colidiram ao tentar acertar Harry. – Vão ter que acordar mais cedo para vencer uma Firebolt! E Grifinória fica com a posse da bola mais uma vez, quando Blake toma a goles, Flint emparelhado com ela, mete o dedo no olho dele, Ágatha! – foi só uma brincadeira professora, só uma brincadeira – ah, não, Flint toma a bola, Flint voa para as balizas da Grifinória. Vamos lá Wood, agarra...

Mais para frente, Ágatha marcou novamente, dando à Grifinória quarenta a dez. Depois, foi à vez de Katie, que elevou dez pontos o placar da Grifinória. Dois balaços acertaram em Wood quando Fred e George estavam protegendo Katie, o que deixou Madame Hooch fora de si.

- Não se ataca o goleiro a não ser que a goles esteja na área. Pênalti a favor da Grifinória!

- Angelina marcou. Sessenta a dez.

Instantes depois, Fred arremessou um balaço contra Warrington, derrubando a goles de suas mãos. Ágatha apanhou a bola e enterrou-a no gol da Sonserina.

- Setenta a dez.

- SEU SAFADO NOJENTO! – Lino disparou. Malfoy segurava a cauda da vassoura de Harry, impedindo-o de alcançar o pomo. – SEU SAFADO NOJENTO, FILHO...

Nem mesmo McGonagall se agüentou. Ela apontava o dedo para Malfoy, gritando palavras furiosamente.

- Sonserina com a posse, Sonserina corre para o gol. Montague marca. – gemeu Lino. – Setenta a vinte para a Grifinória.

- Angelina Johnson pega a goles para Grifinória, aí Angelina, VAI, VAI! – ELA MARCOU, ELA MARCOU! Grifinória lidera por oitenta a vinte!

Harry fez um mergulho de repente, mais à frente de Malfoy, e todos dos dois times pareceram prender a respiração por aqueles segundos.

- PEGOU!

O estádio explodiu, Harry ergueu o pomo enquanto sobrevoava as arquibancadas. Depois, Wood voou até ele, quase cego pelas lágrimas. Depois grandes trancos quando Fred e George colidiram com eles. E por fim, as vozes de Ágatha e Angelina.

- GANHAMOS A TAÇA! GANHAMOS A TAÇA!

Já em terra firme, Harry foi carregado até a arquibancada onde estava Dumbledore, em pé, com a enorme taça de quadribol em mãos. Wood passou a taça para as mãos de Harry, enquanto o capitão da Grifinória era abraçado com força por Ágatha.

No vestiário, todos se trocaram apressados para a comemoração na sala comunal da Grifinória. Ágatha enrolou um pouco, querendo poder ficar sozinha com Wood, já que na festa, não teriam privacidade.

- Ganhamos. – ele ergueu-a no ar, assim que ficaram sozinhos no vestiário. Ágatha riu, abraçando-o. – Sabe o quanto eu sonhei com isso? Merlin, nem consigo acreditar!

- Eu sei Olívio, é incrível mesmo. – ela abraçou-o mais forte.

Olívio sentou-se, com Ágatha em seu colo. Ele acariciou o rosto da garota, a felicidade estampada em seu olhar. Ele não chorava mais, mas estava tão animado que nem mesmo as provas finais poderiam deixá-lo para baixo.

- Eu... – ele murmurou, olhando nos olhos dela. Ágatha encarou-o divertida.

- Você o que? – indagou curiosa.

- Gosto muito de você. – Wood sorriu. – Muito mesmo. – Ágatha sorriu.

- Eu também. – ela pôs os braços em volta do pescoço dele, aproximando seus rostos. – Muito mesmo. – eles se beijaram, longamente.

Ágatha sentiu-se um pouco nervosa de estar sozinha com ele ali, mas não achou que ele fosse forçar a barra para qualquer coisa. Só de estar ali, sentada com ele, beijando-o, ela já estava muito feliz.

Ficaram quase meia hora assim, grudados, principalmente seus lábios. Os amassos não eram mais tão suaves, ficavam mais intensos a cada momento. Quando eles chegaram ao salão, muitas pessoas soltaram uivos e deram risadinhas, fazendo Ágatha esconder o rosto, enquanto Wood apenas ria.

Nada estragou a felicidade de qualquer Grifinório naquela noite.


Foi apenas uma semana para a felicidade por terem ganhado a taça de quadribol acabar. Ah, e também a notícia de Ágatha ser filha do professor Lupin se espalhar. Mas agora, tanto alunos da Grifinória, como todos os outros de todas as casas, passaram a se dedicar apenas a estudar. Junho chegara, trazendo os exames para todos eles.

Ágatha conseguira fazer os gêmeos ficarem estudando. Eles passaram o dia na biblioteca, revisando as matérias e tudo mais que podiam fazer. Os horários das N.O.M.s já haviam sido entregues.

Estava calor, mas nenhum deles poderia aproveitar para passar o dia deitados debaixo de uma árvore. Teriam exames teóricos e práticos para se preocupar, durante duas semanas. Os exames escritos eram pela manhã, e os práticos à tarde. Teriam apenas à noite para revisar a matéria do dia seguinte.

O primeiro exame foi de Transfiguração. Até mesmo Fred e George pareciam nervosos quanto às provas.

O exame teórico foi realizado no Salão Principal. As mesas foram afastadas, dando lugar às carteiras individuais. As perguntas não eram complicadas, mas quem fizesse com pressa acabaria mal. Ágatha e Abigail achavam que tinham se saído bem na prova, mas os gêmeos saíram do salão reclamando.

O exame prático consistia em uma série de transformações de um animal, para objetos grandes e pequenos, e por fim, reconstituí-lo como era no inicio. Deveria haver pelo menos meia dúzia de feitiços para se recordar, e até Ágatha se enroscou no meio.

No dia seguinte, Ágatha e Alicia tiveram Trato de Criaturas Mágicas. O exame teórico foi bem fácil, e o prático, bem, digamos que era meio esquisito. Era apenas encontrar alguns vermes-cegos e um tronquilho, e também capturar um amasso. Hagrid havia colocado alguns vermes-cegos e tronquilhos na floresta proibida, e como os últimos eram pequenos demais, foram os mais difíceis de localizar. Depois de localizá-los, era apenas levá-los para Hagrid e a prova estava cumprida. Os amassos precisaram ser enfrentados com uma azaração leve, mas foram os mais fáceis de achar.

O exame de Herbologia foi realmente mais difícil na prática. Havia uma série de arbustos tremulantes que eles teriam que replantar, cuidadosamente, já que aquelas plantas eram agitadas demais e poderiam ser danificadas. Também teriam que colher folhas de cocleária, que seria usada no exame de Poções do dia seguinte.

E foi exatamente isso. Além da alta dificuldade na prova teórica, Snape parecia feliz em ver os alunos serem castigados com as poções na prova prática. Eles tiveram que fazer uma Poção Fortificante (com os ingredientes principais de Suco de Romã e Sangue de Salamandra) e enquanto ela ficava pronta, iam preparando Poção para Confundir (a que usava as folhas de cocleária). Ágatha foi à única otimista ao sair do teste.

Na sexta-feira, tiveram o exame de Feitiços. Tanto na prática quanto na teórica, eles se saíram bem.

Durante o fim de semana, Ágatha, os gêmeos, Abigail, Angelina, Lino e Alicia reuniram-se para estudar para os exames de DCAT da quarta-feira. Era a matéria mais exigida para a carreira de auror, além de ter o exame prático mais complexo.

O teórico não foi tão assustador quanto eles pensavam. E o prático consistia em uma série de criaturas que eles teriam que enfrentar. Primeiro começavam com os Grindylows, que eles deveriam usar o feitiço 'Relaxo'. Depois, seguiam para um Barrete Vermelho, que era repelido com uma azaração. Havia uma dupla de salamandras para serem colocadas em uma jaula e por fim, um hinkypunk para ser enganado antes que o aluno fosse, já que foram colocados em um local escuro.

Foi, enfim, o último teste deles.

- Ah, nem acredito que acabou! – Lino exclamou, jogando-se no sofá da sala comunal da Grifinória. – Vocês viram os testes de DCAT? Foi muito complicado controlar aquele hinkypunk, eu quase caí graças a ele.

- Eu achei divertido. – Ágatha comentou. Ela sentou-se na poltrona, com o gato Anúbis no colo. – Esperava algo mais complicado, tipo, um bicho-papão virando dementador ou um Inferi.

- Inferis fazem parte dos testes de N.I.E.M.s para nossa sorte. – Abigail disse. – Eles são assustadores.

- É, mas são interessantes. Nós os estudamos. – Ágatha ponderou.

- Ágatha, o professor Lupin teria que colocar um lobisomem e um bando de inferis se a prova prática tivesse tudo o que vimos. – Fred comentou.

- Eu definitivamente não queria encontrar um lobisomem. – George disse.

- É... – ela assentiu.

- Então, que tal nós pararmos de falar de aulas e descansar um pouco? – Lino propôs.

- To dentro. – todos disseram juntos, rindo depois.


- O que? – Ágatha exclamou deixando o queixo cair.

- É, achei que já soubesse. O professor Snape anunciou para os alunos da Sonserina que o professor Lupin é um lobisomem, por causa de tudo que aconteceu ontem... – Alicia explicou em voz baixa, parecendo temerosa que a fofoca se espalhasse. Não que já não estivesse feito, já que todo o castelo parecia saber. – o professor está fazendo as malas.

- Mas, por quê? – Ágatha indagou assombrada.

- Disseram que pediu demissão logo de manhã. – Alicia disse tristemente. – Justo ele, era nosso melhor professor.

- Ah, eu vou envenenar o Snape! – Ágatha exclamou furiosa.

- Calma, vai ter tempo pra isso. – Fred segurou seu braço.

- Não é melhor ir falar com o seu pai? – George indagou.

- É, é melhor. – ela assentiu cabisbaixa. – Justo agora que estava tudo legal, tudo bem. Merlin viu! – ela saiu reclamando, apressando o passo.

- Hei Lupin! – ela virou-se surpresa quando ouviu alguém chamando-a. Era Malfoy, ele vinha caminhando pelo mesmo corredor que ela. – Au. – ele imitou um uivo, rindo junto com os amigos dele.

- Hei Malfoy. – ela sorriu cinicamente, dando alguns passos para alcançá-lo. – Faz de novo.

- Au? – assim que ele indagou entre risos, Ágatha acertou um soco forte no nariz do garoto, ouviu um estralo e o sangue começou a escorrer do nariz dele. O Au seguinte foi o gemido dele de dor.

Fred e George começaram a gargalhar, assim como Alicia, Abigail e Lino.

- Nos vemos mais tarde! – ela exclamou sorridente para os amigos, correndo para as escadarias. Ouviu Draco praguejar, mas isso a fez rir ainda mais.

Chegando à sala de Lupin, encontrou-o fazendo as malas. Quando ia bater na porta, mesmo de costas, ele cumprimentou-a.

- Olá Ágatha. – ela encarou-o curiosa, e viu aberto em sua mesa um pergaminho conhecido.

- O mapa? – indagou risonha.

- Acho que o conhece então. – ele virou-se sorrindo para ela. Exibia uma dúzia de novas cicatrizes recentes, todas pelo rosto.

- Por que se demitiu? – ela indagou entrando na sala. – Não podia se demitir, essa escola merece ter você.

- Fico feliz que ache isso. Mas imagino que os pais não vão ficar satisfeitos com minha condição. Principalmente sendo eu quem ensinarei seus filhos. – Lupin argumentou, terminando de guardar alguns pergaminhos.

- Mas... Você foi o melhor professor de Defesa Contra a Arte das Trevas que tivemos. – ela murmurou indignada. – Não é justo.

- Muitas vezes a vida não é justa. Mas Ágatha, não estou saindo triste desse ano que lecionei. – ele sorriu, colocando a mão no ombro dela. – Foi uma oportunidade de me aproximar de você filha, e você de mim. Sem contar que eu pude ver o quanto você se tornou brilhante. E tantos outros alunos que eu fico orgulhoso de ter sido professor.

Ágatha assentiu, sentindo os olhos marejarem. Lupin sorriu, abraçando-a. Ágatha retribuiu o abraço com força, sentindo algumas lágrimas escorrendo por seu rosto.

- Não ache que eu não vou visitá-lo nas férias ouviu? – Ágatha exclamou separando-se dele. – Agora eu sou uma Lupin oficial, mamãe consentiu nisso. – Lupin sorriu, assentindo. – Nos vemos nas férias papai. – ela abraçou-o novamente, só que mais rápido.

- Boa sorte. – ele desejou. – Daqui pra frente.

- É. Pro senhor também. – ela sorriu.


- Vocês deram sorte em. – Ágatha comentou brincando. Ela e os gêmeos estavam na sala comunal, eles examinavam seus resultados nos N.O.M.s. Haviam passado raspando em todos eles, enquanto que Ágatha, bem... Ela tinha a melhor nota em quase todas.

- É, chega de falar de notas. – George deu de ombros.

- Passamos, é isso que importa. – Fred disse.

- Agora, vamos para o salão principal. Estou morto de fome. – George exclamou, fazendo Ágatha rir.

A Grifinória havia ganhado o Campeonato das Casas, principalmente pelo ótimo desempenho na conquista da Taça de Quadribol. A festa para o fim do ano letivo foi em meio a bandeiras vermelhas e douradas, e muita comemoração dos Grifinórios.

No outro dia, Ágatha estava sentada na sala comunal, já com seu malão. Aguardava Abigail, Lino e os gêmeos. Sorriu quando Olívio terminou de descer as escadas, um pouco cabisbaixo. Ela correu até ele, abraçando-o com força.

- Vai me escrever nas férias não é? E durante o meu ano letivo, sempre. – ela pediu, beijando-o longamente. Olívio assentiu, sorrindo.

- Então, como ficamos? – ele indagou.

Ágatha parou um pouco, sem imaginar como poderiam manter um relacionamento à distância. Ainda mais com ele indo tentar tantos times em tantos lugares agora.

- Não sei... – ela pensou um pouco.

- Namoro por correspondência? – ele brincou fazendo-a rir. – Acho que podemos dar um tempo.

- É, sem compromisso. – ela disse, sorrindo marota. – Mas enquanto não estamos fora de Hogwarts... – ele sorriu, assentindo, enquanto a puxava para um beijo.

- Ah, melação não, por favor! – ouviram George ao fundo.

- É, Olívio, quer que sua última impressão para nós seja o que? – Fred exclamou indignado. Ágatha e Wood separaram-se aos risos.

- Ah, deixem de ser tão chatos! – Abigail murmurou indignada.

- Tudo bem, mas arranjem uma cabine só de vocês beleza? – Lino pediu rindo.

- Claro, claro. – Ágatha rolou os olhos.


- Ah, acho que vou chorar Fred. – George murmurou, enquanto via Ágatha acenando para Olívio. Haviam acabado de chegar à estação King's Cross, e Wood partia com Abigail para encontrar os pais.

- É, um amor realmente tocante. Aposto que ano que vem ela já vai estar apaixonada por outro. – Fred brincou.

- Verdade, como vocês ficam? – George indagou curioso.

- Demos um tempo. – Ágatha deu de ombros, pegando o gato Anúbis no colo. – Se o destino quiser, vamos nos encontrar de novo.

- Ah, se o destino quiser. Fred, ela está tão comovente! – George exclamou dramaticamente.

- Cala a boca! – Ágatha gritou gargalhando. – Hei! Vocês me devem um presente de Natal! – ela exclamou indignada.

- Você e o Fred estavam de birra esse Natal, foi meio difícil pensar com vocês se alfinetando o tempo todo. – George comentou.

- É, tem razão. – ela assentiu. – Me compensam no próximo. – sorriu marota.

- ÁGATHA! – ela virou-se assustada quando ouviu sua irmã mais nova, Isabelle, gritando. Ela veio até Ágatha, e quando a encontrou com os gêmeos, seu rosto branco ficou completamente escarlate. – Mamãe está chamando.

Isabelle era uma miniatura de Ágatha, com exceção de ter herdado algumas coisas do pai. Era baixinha, principalmente próxima da irmã mais velha, tinha olhos verdes como os de Ágatha e cabelo louro escuro, curto, na altura dos ombros. Ela iria fazer 11 anos no próximo mês, e ingressaria em Hogwarts no sexto ano de Ágatha.

- Já estou indo Bell. – Ágatha murmurou tediosamente. Isabelle permaneceu mais afastada, ainda corada.

- Oi. – Fred e George disseram juntos, e a garota corou ainda mais. Eles entreolharam-se divertidamente, enquanto Ágatha rolava os olhos entre risos.

- Nos vemos nas férias. – ela abraçou um por um.

- É...

- Copa Mundial de Quadribol, se lembra? – Fred exclamou animado.

- Como esquecer não é? – ela sorriu.

- VAMOS! – Isabelle exclamou, puxando a irmã pelo pulso. Ela podia ser bem mais baixa, mas era bem forte. Os gêmeos riram da situação, enquanto localizavam os pais a espera deles.

Continua...

N/A: HOHOE! [Pedras são jogadas contra a escritora] CALMA LÁ, CAAALMA LÁ, EU TENHO A EXPLICAÇÃO!

É, é sempre a mesma baboseira... Eu não tive tempo MESMO pra atualizar, tanto que pode-se notar como as fanfics estão à mingua aqui no nosso profile. Sinto muito gente linda, sério mesmo. Eu não queria demorar tanto, mas saca só:

Provas, trabalhos, provas, MUITOS TRABALHOS, CONVENÇÃO DE SUPERNATURAL (nem pensar em fazer nada em um fim de semana na presença de MISHA COLLINS, Chad e Matt né amores?) MUITO MAIS PROVAS E MAIS TRABALHOS. =C

Sério, esse fim de semestre está sendo o APOCALIPSE! Então peço mil desculpas pela demora absurda, mas em compensação, ta ai um capítulo cheio de romance :D

Então, vamos às reviews?

V Weasley Malfoy: EAE amiga, como vaai? Aposto que você quer jogar pedras em mim também (corre) - mas eu expliquei o porque da minha absurda ausência o_o Você me perdooa né? *-*

Sobre sua dúvida cruel em shipp, amiga... Minha outra amiga tem a mesma incerteza - Fred/Ágatha são fofos, mas Wood... Tem aquela magiia (A) O seu dilema vai ser meio que tirado no próximo capítulo, mas nesse dá pra ter uma ideia x). O Draco levando um soco nesse capítulo também merece um prêmio em, falae? ASHUHUASHUASUHASUHASUHAUSH'

Fred sentindo ciúmes da Ágatha é uma coisa muito neném - nas suas palavras *-* E no próximo capítulo vai ser o contrário MUAHAHA. Eu acho que eu demorei demais né? O_O Mas NÃO SE PREOCUPE, eu estou mais sossegada de provas e tals, na próxima semana já ponho capítulo novo :B

BEIJÕES XUXU, até o próximo cap!

Maluh: ASHUASHUASUHASUHAUSHUHAS e ae doidinha, como vai a vida? ;B Sorry pela absurda demora, mas entenda meus termos lá de cima ;/ Bueno, espero que tenha gostado do capítulo - com os gêmeos deliciosos (hehe) ASHUHUASUHASUHAS até o próximo! Beeijos ;D

Xoxo.

Nizz :P