Consequência

Capítulo 9

Escrita por Blanxe

Revisada por Andréia Kennen

Agradecimentos à Bruna Uzumaki pela indicação da música deste capítulo!


Posso dizer, não há lugar aonde não possamos ir

Ponha apenas a sua mão no vidro

Estarei aqui tentando puxar você

Você só tem de ser forte...

Mirrors – Justin Timberlake

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Itachi havia entrado no covil. Em outros tempos teria avaliado o esconderijo, observado as possíveis rotas de fuga, inimigos, e teria arquitetado mais de um plano para invadir o lugar e lidar com os cenários que pudessem surgir em sua incursão. Correndo pelos corredores do lugar, o único plano que tinha era encontrar Naruto e assegurar que estivesse bem.

Seu semblante endurecido como mármore não demonstrava qualquer emoção, embora o coração batesse em um ritmo de ansiedade e receio.

O lugar estava guardado por ninjas, os quais Itachi fez questão de eliminar, sem hesitação. Desconhecia o símbolo que usavam em suas bandanas, mas era uma amostra de que Orochimaru realmente vivia e que continuava com suas ambições e experimentos em esconderijos subterrâneos.

Ele poderia ter pensado em verificar aquele local anteriormente. Tivera tanta certeza de que eliminara Orochimaru no passado que subestimou o medo de Hoshi. O adolescente tinha razão afinal, mas Itachi não tinha tempo para se culpar por seu relaxamento.

Os corredores escuros, iluminados parcamente por tochas, eram opressivos, como geralmente os covis de Orochimaru pareciam ser. E quanto mais perto chegava de seu objetivo, mais ninjas se interpunham em seu caminho. Nenhum deles possuía técnica suficiente para fazer frente a si; mesmo não tendo lutado durante anos, continuava tão ágil quanto sempre fora.

Seria fácil se perder por aquele labirinto de paredes e curvas tão semelhantes. Havia quartos e salas vazios. Mas Itachi, em seu modo de pensar mais racional, intencionava encontrar o laboratório seguindo a indicação que Hoshi lhe dera.

Se Orochimaru pretendia usar algum experimento em Naruto, certamente o manteria em um lugar em que ele tivesse domínio para manipular sua presa.

Trincou os dentes ante o pensamento, impedindo-se de imaginar que algum mal irreversível houvesse recaído sobre o jinchuuriki, praguejando quando mais ninjas se interpuseram em seu caminho.

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Ele o estava abraçando, envolvendo-o com seu chakra. Sem sua permissão, ou talvez a tivesse dado, a prisão fora aberta. Em seu subconsciente Kyuubi rosnava.

Os olhos que se abriram não eram mais azuis, e sim vermelhos, e seus dentes agora ostentavam caninos afiados. O sorriso do nukenin, com aqueles olhos amarelados e pele pálida, parecia mais satisfeito, só que não por muito tempo.

O corpo de seu hospedeiro ainda estremecia pela sensação provocada pelos toques lascivos, por um prazer resultante de uma condição que ele próprio oferecera para Naruto. Dada a situação, arrependia-se de ter atiçado a libido do loiro. Sua intenção nunca fora prejudicá-lo, mas incentivá-lo a esquecer aquele Uchiha que vinha lhe trazendo desgostos através dos anos.

Jamais imaginaria que ele seria exposto àquele homem.

Orochimaru libertara completamente a lembrança lacrada pelo Uchiha mais velho, brincando com a fragilidade atual de seu hospedeiro; o deleite de quebrar o jinchuuriki estivera em cada palavra usada minuciosamente para infligir humilhação. E o toque que retroagia do interior de Naruto fazia com que Kyuubi sentisse mais vontade de matar Orochimaru, sem preâmbulos.

— O fluxo de chakra mudou inteiramente — Orochimaru observou, seus dedos longos indo em direção ao líquido branco e viscoso sobre o abdômen do loiro. — Perfeito.

Um rosnado acompanhou seu movimento.

O corpo de Naruto cobriu-se com um manto de chakra alaranjado intenso, mas… estava preso. Braços e pernas presos de forma que só lhe davam espaço para tentar lutar contra as amarras. Haviam-no restringindo com algo que não permitia que expandisse sua energia em sua totalidade.

— Kyuubi… — Orochimaru chamou com a voz mansa. — Não tentaria isso, se fosse você. A não ser que deseje retornar a sua jaula e que Naruto-kun volte para arcar com a realidade. E ele já estava bem transtornado com as descobertas que fez.

O demônio de nove caudas se debateu, indiferente a nudez do corpo que habitava, e ameaçou:

— Deixe-me solto por um segundo, Orochimaru.

— Eu pretendo soltá-lo, não se preocupe — o nukenin avisou. — Mas me mate e seu hospedeiro morrerá comigo.

Kyuubi riu com sua voz rouca, puro deboche reverberando pelas paredes esterilizadas e frias daquele laboratório.

— Tente outra vez, criatura tola. Não acredito em blefes.

Uma risadinha abafada escapou dos lábios finos do homem.

— Enquanto você estava compartilhando do sedativo com seu jinchuuriki, acha que fiquei docemente esperando que viesse conversar comigo? — Os olhos de Kyuubi se estreitaram e Orochimaru prosseguiu: — Eu aguardei por esse momento por tempo demais, as margens de erros para este plano foram estudadas e anuladas. Mas não canso de me surpreender com Naruto-kun. Usar o próprio bijuu como escudo, como um meio de defesa… é excitante.

— Reverter os papéis não é uma coisa tão difícil quando nos dão armas prontas para isso — Kyuubi retorquiu. — O que me faz querer saber como você sabia da lembrança lacrada.

Alisando o abdômen do hospedeiro, as unhas longas raspando pela superfície do lacre em torno do umbigo, Orochimaru esclareceu:

— Hn… o herdeiro promissor de Sasuke-kun me contou. Kisho-kun só não sabia que se tratava de uma lembrança quando se deparou com ela enquanto brincava com seu sharingan.

— Ele não teria como ter visto essa lembrança sem que eu percebesse — repudiou a especulação do nukenin.

— Não seja arrogante — aconselhou Orochimaru. — Dê créditos ao garoto, ele passou pelo seu radar ainda muito jovem, não é incrível?

— Aquela fruta podre não poderia saber sobre a lembrança — insistiu entre dentes.

Kyuubi não tinha certeza sobre a capacidade do filhote de nome Kisho. O menino se afastara de seu hospedeiro em certo ponto de seu crescimento e adotara uma postura agressiva contra ele. Nunca houvera explicações para a revolta do menor, mas o apego crescente pelo irmão caçula, que vivia entre idas e vindas de internações por causa da doença, era a maior desconfiança que Naruto tinha sobre os motivos de seu filho.

— Mas ele sabe — confirmou Orochimaru. — E odeia Naruto-kun a ponto de entregá-lo a mim.

— Da mesma maneira que fez com o idiota do pai dele — debochou Kyuubi. — É fácil manipular gente fraca, Orochimaru, não se gabe por isso.

Sem se afetar por seu comentário ácido, o nukenin subiu os dedos pelo peito do loiro.

— Até certo ponto, concordo com você. Eu percebi uma oportunidade de outro nível, Kyuubi-san. — Os dedos friccionaram sobre um dos mamilos de Naruto, eriçando-o, aumentando o sorriso de Orochimaru. — Eu lhe dou a chance de impedir mais sofrimentos ao seu hospedeiro e você me serve contra Sasuke-kun e Konohagakure.

Kyuubi gargalhou alto. Orochimaru estava sendo pretensioso, mais uma vez.

— Acha que me importo? — indagou com escárnio. — Acha que não estou ansioso pra me livrar da carcaça deste idiota?

— Eu duvido que você queira realmente que eu faça o que tenho em mente. Posso libertá-lo e tudo o que tenho de fazer é manter a consciência de seu hospedeiro dormente. Pense, Kyuubi-san, é um acordo que sei que interessa a você. Poder, controle e a destruição de tudo o que você mais despreza…

oOo

Tsuki e Kiseki estavam isolados em um ponto à margem da floresta. O moreno de olhos azuis avisara a Hoshi que iria procurá-la para conversar, pedindo que esperasse onde estava, não se distanciasse e a qualquer sinal de problemas, para que o gritasse.

Não era uma reação muito digna de se fazer, mas tinha de se lembrar que não sabia sequer empunhar uma kunai, quanto mais se defender se algum perigo real que surgisse.

Entretanto, ficar parado e pensando só lhe dera um impulso para que tomasse as rédeas da situação. Podia ver de longe os dois jovens conversando, Kiseki geniosa, gesticulando, Tsuki calmo como se a voz da razão estivesse com ele.

Não conseguia escutar exatamente o que diziam e esperava que eles continuassem com argumentos e contra-argumentos por um bom tempo, seus pés sozinhos já davam alguns passos para trás, embora seus olhos se mantivessem fixos no local onde os outros dois estavam.

As suas passadas furtivas pararam abruptamente quando a cena que se desenrolou diante de seus olhos negros o estarreceu.

A Hyuuga tinha uma ousadia admirável, não podia negar, mas no momento foi algo que fez algo em seu estômago pesar. O que via eram os lábios dela nos de um, inicialmente surpreso, Tsuki.

Bem, não era algo imprevisto. Ela era apaixonada pelo irmão, só Tsuki acreditava que não. Talvez daí viesse a surpresa dele pela garota ter invadido o seu espaço pessoal, mesmo com hesitação e o rosto vermelho, e o beijado direto na boca. Certamente o ciúme que Tsuki sentia de Hoshi, achando que Kiseki gostava dele, acabaria naquele instante.

O mais novo poderia corresponder ao sentimento dela, como de fato correspondia ao beijo que ela lhe dava.

Os dois ficavam bem juntos, afirmou Hoshi, ignorando aquela sensação estranha.

E, aproveitando do momento de intimidade entre os dois, Hoshi virou as costas e tomando todo o cuidado para não fazer barulho, saiu da linha da floresta, rumo à entrada do esconderijo de Orochimaru.

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Quando encontrara Kiseki, pedira a Hoshi para conversar sozinho com ela. Queria que o irmão mais velho ficasse longe do tipo de discussão que poderia escalar entre a Hyuuga e ele, ainda mais porque sabiam quais as intenções de Hoshi que criaram toda aquela situação desconfortável.

O irmão sempre arrumava um jeito de tirar Kiseki do sério. Embora, desta vez, a situação também afetasse gravemente Tsuki, ele via algo que permeava o relacionamento daqueles dois. Muitas vezes tentara se convencer de que se tratava de uma amizade exacerbada que ligava o irmão e a Hyuuga, que eram definitivamente tão opostos. Mas, após algum tempo observando-os, notou a forma como ela se dedicava e se preocupava com Hoshi e em como ele confiava nela… Tsuki chegara à conclusão que ela sentia mais do que amizade por seu irmão.

E constatou que o fato era um tanto desolador.

Mas o ponto principal de sua conversa com a Hyuuga ali não era esse, ele não queria que fosse, pelo menos. Sua maior vontade era que Kiseki concordasse que ambos precisavam manter os ânimos calmos para assim manter Hoshi seguro.

— Eu sei que pode parecer estupidez dele, mas o Ho-chan só está pensando nos nossos pais – argumentou, vendo a expressão fechada da morena, que dava amostras de ser uma ouvinte difícil de se alcançar.

— E isso já é o bastante pra ele ser um idiota – ela retorquiu, brava –- Negligenciar a própria vida por causa dos seus pais não é a solução.

— Você pode culpá-lo? – perguntou lembrando-se do que ouvira anteriormente do irmão. – Ele contou que você também estava disposta a fazer qualquer coisa para salvar o seu pai na realidade da qual ele veio.

Kiseki mostrou-se constrangida por um instante, olhando-o com reserva de quem não saberia como contestar. Como previa, ela evadiu a resposta somente para não perder a razão. Kiseki odiava estar errada.

— Eu ainda me pergunto se toda essa baboseira é verdade ou se esse idiota não pirou de vez. – Ela gesticulou ao redor, como se quisesse enfatizar seu ponto, através de gestos. – Olha, nós estamos quebrando regras pra segui-lo para um esconderijo de um inimigo que não fomos convocados a combater.

Ele sabia como Kiseki era rígida quanto a quebrar as regras, mas não estava surpreso em constatar o quanto algo tão importante era facilmente ignorado quando Hoshi estava envolvido. Ela não faria isso por ninguém mais.

— Eu acredito nele – Tsuki discordou do que ela havia primeiramente atestado, voltando à premissa que o levara a querer ter aquela conversa com ela. – E não estou preocupado com quebra de conduta no momento, só em não deixar que algo de mal aconteça ao meu irmão. Não é por isso que o seguiu também, Kiseki-san?

Ela abaixou o olhar, sinal claro que não queria que visse a fragilidade de sua confissão.

— Ele é um idiota, teria vindo sozinho se eu não ajudasse.

Mesmo com o sentimento que ela nutria por Hoshi, Tsuki foi incapaz de impedir o sorriso de simpatia que surgiu. Podia confiar que ela faria qualquer coisa para que Hoshi não se machucasse, tendo em vista que ele sequer tinha como se defender.

— Obrigado por se preocupar com meu irmão – teve de dizer.

— Alguém tem que colocar algum senso naquela cabeça oca. – Ela levantou o olhar, sorrindo para ele, timidamente.

Ele conseguia ver Hoshi facilmente se apaixonando por ela. Longos cabelos castanhos escuros, enfeitados por aquelas finas tranças nas laterais, olhos perolados e uma gentileza mascarada pela personalidade agressiva.

— Ele não precisa de mais tensão sobre os ombros do que já está carregando, e eu só preciso que seja compreensiva quando ele diz aquelas coisas – pediu finalmente. – Você e eu não concordamos e não vamos deixar que ele tome tal atitude, então, não há necessidade pra descontar sua frustração diretamente nele.

A Hyuuga ficou olhando-o e pode notar um pouco de vergonha pela forma como ele expôs com clareza e calma o pedido. Esperava que ela viesse esbravejar, defender seu modo de agir, mas depois de um tempo ela somente assentiu, parecendo um pouco constrangida.

— Eu sabia que você me entenderia – ele agradeceu, aliviado por ter chegado mais fácil do que esperava a um acordo.

Mas levou uns segundos para ele entender que ela o estava beijando e mais outros para perceber que estava correspondendo. Fora um gesto instintivo, não intencional, mas que fez retornar seu lado racional ao lembrar que Hoshi estava perto o suficiente para ver o que acontecia.

Tsuki tentou ser delicado ao apartar o beijo, não queria passar uma impressão que magoasse a Hyuuga. Viu nos olhos dela uma expectativa, mesclada com embaraçamento. E Tsuki entendeu que aquele fora o meio que ela encontrara para se declarar para ele.

Para ele e não para Hoshi?

A confusão tornou-se mais densa, mas ao se recordar que Hoshi lhe dissera que Kiseki era, de fato, apaixonada por ele, quis se estapear mentalmente por seu ciúme tê-lo cegado a ponto de distorcer tudo.

Tsuki sorriu, pela súbita constatação de sua tolice, dando-se conta que o gesto causou um novo rubor na Hyuuga e um sorriso tímido.

Não conseguiu dizer nada, mas olhou ao redor, em busca do ponto em que deixara o irmão e, de imediato, seus olhos azuis se estreitaram.

— Ho-chan? – chamou, despertando a preocupação de Kiseki no processo.

Não houve resposta.

Um medo lhe caiu na boca do estômago, assim como parecia ter um punho apertando seu coração. Kiseki já estava em movimento, correndo na direção da margem da floresta. Ele a acompanhou, se recriminando por ter permitido que a situação fugisse de seu controle, ao fazer exatamente o que nunca deveria ter feito.

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Moichi saiu do quarto onde mantinha Kisho em cárcere quando o Hokage apareceu ordenando-o para que o deixasse sozinho com o filho.

Escondeu bem sua curiosidade e deu privacidade aos dois, mas ficou no corredor, esperando para saber se seria dispensado ou teria mais ordens a cumprir. Viu a amiga de time se aproximar, o que o fez erguer uma sobrancelha ante o vinco de preocupação entre as sobrancelhas escuras dela.

— Kaede? O que faz aqui?

— Fui chamada para ficar no seu lugar – ela mencionou.

— Isso quer dizer que o Hokage pretende manter o demoniozinho aqui por mais tempo?

Ela assentiu, os cabelos negros curtos e muito lisos acompanhando o movimento.

— Acredito que enquanto o companheiro dele não for encontrado e trazido de volta, é exatamente onde o Hokage vai mantê-lo.

— Deve ser uma decisão difícil, ter que julgar o próprio filho – ponderou, pensando realmente sobre a questão.

— Acredita que ele vai dizer a verdade ao Hokage? – ela indagou, olhando para a porta trancada.

Moichi acompanhou o olhar para a madeira que se mostrava como um grande bloqueio para o mundo que antes Kisho conhecia. Depois tornou a fitar a amiga com seus olhos azuis pálidos.

— Não.

Dito isto, Moichi passou por Kaede com as mãos firmemente enfiadas dentro dos bolsos da calça.

— Venho te render amanhã, neste mesmo horário — avisou, assumindo que haveria turnos. — Já descendo as escadas, resolveu avisar: — Não deixe que o moleque te assuste com aqueles olhos horríveis.

A adolescente abafou o riso, mas nada respondeu. Moichi saiu da casa dos Uchiha, sentindo o ar mais leve, o qual respirou profundamente. Antes de continuar seu caminho para o final da rua do Distrito elevou seu olhar para o andar superior da casa, diretamente para a janela onde Kisho costumava passar horas de pé, olhando o nada.

— Espero que o dia demore a passar – concluiu ele, não se sentindo à vontade com a ideia de retornar ao casarão.

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Os ninjas que encontrou espalhados pelo chão das galerias escuras do esconderijo subterrâneo fizeram Hoshi focar-se apenas na direção que deveria tomar. Sabia muito bem quem matara aquelas pessoas e, pela brutalidade encontrada nos primeiros corpos, soube que alguém estava extremamente irritado.

Ou desesperado.

Hoshi assumia que poderia ser ambos. Não conhecia bem Itachi para entender seus meios. O irmão de seu pai mostrara parte de sua frieza quando Hoshi e Kiseki estiveram no passado, mas as lembranças daquela realidade só lhe ofereciam um tio pacífico e, muitas vezes, dedicado e amoroso. Ele era uma incógnita em vários quesitos que Hoshi, às vezes, se pegava tentando decifrar.

Nem o amor que Itachi sentia por Naruto podia confirmar com certeza. Só que, mesmo que o tio não admitisse, desconfiava que ele ainda nutria sentimentos pelo loiro. Isso fazia com que o admirasse em sua abnegação. Não era ato para qualquer um, mas com Itachi as ações fluíam de modo estranho, prova disso era o que havia feito por Sasuke, acima de tudo.

E no momento se via agindo de forma parecida, ao menos era o que concluía. Podia fazer tudo se isso garantisse a felicidade de Sasuke e Naruto. Havia encontrado mais em comum com o tio do que a mera aparência física.

E isso o incomodava.

Fora entre aquelas paredes que Orochimaru levantara a dúvida sobre sua paternidade. Apesar de o ofídio afirmar convicto que esta era uma verdade.

Como ele descobrira sobre o que houve entre Itachi e Naruto naquela realidade? Ainda se recordava que em seu tempo, quem dera respaldo ao que Orochimaru lhe contara, fora Kyuubi.

Naquela época, o demônio de nove caudas nada significava além de um ser maligno, sedento por vingança, que tomara o corpo de Naruto graças à ajuda do Sannin. Atualmente, ele continuava lacrado em seu jinchuuriki, mas suas atitudes seriam diferentes agora que nada tinha contra Sasuke?

Ou será que existia algum rancor?

Hoshi apressou-se, querendo ganhar distância para não ser alcançado repentinamente por seu irmão e Kiseki, seguindo pelo caminho de mortos deixado por Itachi. Inconscientemente, rezava para que nos próximos corredores não fosse o corpo dele que encontrasse pelo chão.

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Itachi olhou com decisão a porta dupla do que seria o laboratório de Orochimaru, mas hesitou. Seu instinto o fez olhar com apreensão a entrada do laboratório, e aguçar seus sentidos. A energia que emanava e transbordava da sala pelas frestas, era opressora e inconfundível.

— Kyuubi…

A urgência de avançar por aquelas portas o fez dar o primeiro passo para correr, mas a energia sinistra se expandiu, abrindo as portas em uma explosão que o jogou violentamente para trás.

Suas costas colidiram com a parede atrás de si e pode sentir o poder sinistro de Kyuubi estremecer as estruturas do esconderijo.

Desnorteado por um instante, apoiou-se na parede para ficar de pé.

Olhou para a entrada do laboratório e em meio ao fluir de chakra ele viu.

O corpo do jinchuuriki estava completamente coberto pelo manto do demônio e seu rosnar era quase parecido com uma risada direcionada a si.

— Naruto-kun?

— Tarde demais, Uchiha — a voz gutural da criatura o atingiu.

E em um ataque de energia que escapou de sua boca escancarada, o demônio no corpo consumido de Naruto o atacou. Esquivando-se em um salto, Itachi evitou o ataque, as paredes atrás de si desmoronaram com a esfera de chakra.

Não houve outro ataque de Kyuubi, ele havia sumido ao virar um dos corredores em uma fuga da qual Itachi só foi capaz de ver a cauda do manto desaparecendo.

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Continua...


Notas da Blanxe:

O capítulo foi meio transitório, mas prometo que será melhor no próximo! Espero que gostem mesmo assim!