DDT6: FANTASMAS QUE SE VÃO
Capítulo 10
AUTORAS: Lady K & TowandaBR
DISCLAIMER: Todos os personagens da série "Sir Arthur Conan Doyle's The Lost World" são propriedade de John Landis, Telescene, Coote/Hayes, DirecTV, New Line Television, Space, Action Adventure Network, Goodman/Rosen Productions, e Richmel Productions (não venham nos pentelhar).
GÊNERO: Aventura, romance, mistério, terror, intrigas, comédia, drama e umas cenas calientes (quem sabe?). Eu sei q ninguém liga p/ esses avisos, MAS, fiquem fora desta fic, crianças! Não nos responsabilizamos por qualquer dano psicológico ou moral. lol.
AVISO IMPORTANTÍSSIMO: Esta fic é parte da série Depois da Tempestade, composta de DDT1: Páginas Perdidas, DDT2: Desvendando o Passado, DDT3: O Retorno de um Velho Amigo, DDT4: Segredos e Verdades e DDT5: Nossas Vidas na Outra Vida.
COMMENTS:
Lady Cris Krux – Que pensamentos maus para com a pobre Hellen... Tadinha. Sua pergunta será respondida nesse capítulo... Saiba que a Si jamais maltrataria o casal mais fofo de TLW... N&V é claro.
NinaMakea – Capítulo pequeno? Vocês estão é mal acostumadas. Vamos fazer capítulos só com uma frase para vocês se curarem. He, he, he! Pronto... já continuamos a escrever... agora publica a sua fic.
Luanna – Vê e Ned sempre tem idéias brilhantes. São mais bonitos, mais fofos e muito mais inteligentes... e se você me contrariar mataremos R&M.
Lady Anne RA – Ainda bem que você conseguiu postar o review, afinal é o que nos move. O que você quis dizer com "Mal posso esperar para..." rs, rs, rs
Margueritte – Viu como fomos rápidas? Gran finale quer dizer o que estamos pensando? Cenas de romance explícito entre N&V não é?
Jess N – RM estão juntos até eu mata-los é claro.
Mamma Corleone – Como você disse, N&V podem não darçar muito, mas são ótimos em outro tipo de diversão.
F – Demoramos, mas não falhamos. Não somos tão cruéis quanto os produtores de TLW.
Morringhan – Caraca. Demorou para você postar seu review. Foi por isso que ficamos deprimidas e demoramos para postar... culpa sua.
Leitora revoltada – Não chore... POR FAVOR! Senão choraremos também.
Morringhan Higurashi – Você realmente caprichou nos reviews. Calma... finalmente aí está o último capítulo... snif! Agora nós é que estamos deprimidas.
Fabi – Você voltou minha inimiga-amiga favorita.
Não que Verônica tivesse bebido muito durante a festa, na verdade ela bebera bem menos do que todos, mas, como não estava acostumada, sentiu os efeitos rapidamente. Malone se divertiu conduzindo-a pela pista de dança e, após a festa, colocou-a na cama, onde ela dormiu imediatamente.
"Está acordada?" – ao amanhecer, abraçado a loira, Ned sussurrou em seu ouvido. Ela não respondeu e o jornalista começou a acariciá-la por entre os lençóis – "Já acordou?" – repetiu.
"Não." – ela resmungou. Ele continuou.
"Quer mesmo dormir mais um pouco?"
"Quero."
"Está bem." – Malone segurou o seio da moça brincando com os dedos ao redor da aureola, depois correu a mão por suas costas, descendo até as nádegas – "Continue dormindo. Finja que nem estou aqui."
Verônica riu e continuou quieta. Adorava as carícias de Ned e relaxou enquanto ele prosseguia sua cuidadosa 'exploração'. Quando ele a virou delicadamente, correndo a mão por entre suas coxas, ela sabia que, de bom grado, abriria mão de seu sono.
Sentado na poltrona de vime, Roxton observava Marguerite, que dormia tranquilamente. Sorria. Tê-la finalmente em seus braços, sem nenhum segredo, nenhuma barreira, com, não só o amor os unindo, mas também a cumplicidade e a possibilidade concreta de um relacionamento maduro e duradouro, era tudo o que ele sempre desejara.
Deitada de bruços, ela se moveu preguiçosamente.
"O que está olhando?" – a herdeira já sabia a resposta a sua própria pergunta.
"Você."
"Devo me mexer?"
"Não, por favor."
Ela abaixou os olhos por um instante, sorrindo, e voltou a encará-lo.
"Posso falar, pelo menos?"
"Se quiser." - ele fingiu desdém.
"Está pensando se fez bem aceitando meu pedido de casamento?"
"Foi a resposta mais fácil de toda a minha vida. E você? Arrependeu-se de ter proposto?"
"De jeito nenhum." - respondeu seguramente e, em seus olhos esverdeados, ele não viu nada além de sinceridade. Ali, nenhuma dúvida pairava.
"O que fez com o oroborus, Marguerite?" - o tom de Roxton ficou um pouco mais sério, ao que ela também se retesou levemente. O medalhão, em si, não lhe trazia boas lembranças.
"Lembra do avatar que nocauteou você?"
"Quero esclarecer que ele me pegou desprevenido."
A herdeira não pode deixar de rir.
"Está com ele e sob a proteção dos outros guardas, no acampamento, fora de Avalon."
"Não receia que algo aconteça?"
"Espero que esteja seguro, afinal, não posso pajear uma peça de metal o tempo todo. Tenho coisas mais importantes para fazer por aqui." - ela deu de ombros e virou, se espreguiçando. Estava completamente relaxada. Levantou-se, enrolando o lençol em volta do corpo. Começou a caminhar lentamente na direção do caçador.
"Pare, Marguerite!" – a herdeira obedeceu sem entender. Ele deu um olhar malicioso – "Agora tire isso." – a morena devolveu o sorriso deixando o tecido escorregar para o chão, expondo seu corpo nu. John a observou por alguns segundos e, então, levantou deixando ele mesmo cair seu lençol, mostrando todo o seu desejo. Se aproximou e começou a correr os dedos suavemente pelo corpo da mulher.
"Está com fome?"
"Muita... mas acho que o café da manhã pode esperar um pouco mais." – respondeu ela invadindo a boca de Roxton com a sua.
"Charlote, querida, fiquei horrorizada quando soube!" - ao ler a notícia sobre Hellen nos jornais, lady Roxton foi imediatamente visitar sua 'amiga', acompanhada da sobrinha Laureana.
"Para você ver como as pessoas podem ser invejosas e maledicentes. Esta ex-noiva de lorde Harold pagou ao jornal para que publicasse a nota, na esperança de que ele, ao saber da notícia, terminasse com Hellen. É óbvio que ele não acreditou em nada disso, mas ficou tão abalado que, para evitar mais comentários, viajou para Paris até que a imprensa pare de persegui-lo e a Hellen." - explicou Charlotte a mesma história que havia inventado a todos os amigos, conhecidos e quem mais aparecesse. Ela quase começava a acreditar na mentira que criou.
"É uma desgraça, minha querida! Pobre Hellen!" - Elizabeth a consolava.
Pouco depois, a conversa tornou-se menos tensa e pairou sobre outros assuntos mais amenos, até que Laureana derrubou um pouco de creme na roupa.
"Que desastrada! Não sei quantos vestidos já perdi desta forma. Preciso limpar antes que esta mancha seque! Com licença."
A criada a acompanhou mostrando-lhe o caminho até o toalete, e se retirou em seguida. Ao ver-se sozinha, a garota rapidamente limpou a mancha com um pano. Em seguida, caminhou silenciosamente pelos corredores até onde a tia lhe dissera ser a biblioteca.
"Estou ficando boa nisso." - pensou consigo mesma.
Rapidamente abriu as gavetas da escrivaninha, encontrando apenas alguns papéis sem relevância. Seu coração bateu desesperadamente forte ao ouvir passos no corredor.
Sem pensar duas vezes, Lara correu para se esconder embaixo de uma mesa no canto, coberta com uma longa toalha de renda e um magnífico arranjo floral.
O forte perfume adocicado e o salto batendo contra o piso de madeira lhe advertiram que seria Hellen a entrar, o que de fato ocorreu.
A mulher tirou do bolso o oroborus e o colocou sobre a mesa, olhando-o detidamente por alguns segundos. Logo depois, afastou um pequeno quadro da parede. Atrás dele havia um cofre, simples, antigo e pesado.
A jovem Roxton ainda pensou se valeria a pena se posicionar melhor, mesmo arriscando ser descoberta, afinal aquela era uma oportunidade única e ela tinha um ótimo ouvido e uma boa memória. E, se a sorte lhe havia sorrido, por que desperdiça-la? Moveu-se até o extremo da mesa e observou a mulher. Hellen finalmente o abriu o cofre, colocou a peça lá dentro e saiu.
Laureana esperou um pouco, repetindo mentalmente os movimentos da mulher. Saiu de baixo da mesa e se concentrou. Tirou o quadro e começou a girar delicada e lentamente a pequena engrenagem. Estava nervosa, mas ao mesmo tempo sentia a adrenalina ser bombeada em seu corpo. Aquilo era muito perigoso, mas extremamente divertido. Quando ouviu o estalido seco da fechadura, precisou se conter para não gritar de felicidade. Tirou o amuleto de dentro da pequena caixa onde Hellen o guardara e o prendeu por dentro de suas roupas íntimas. Depois, com cuidado, retornou ao banheiro para terminar de limpar o vestido.
O sol já ia alto quando finalmente os dois casais sentaram no banco comprido na grande mesa de madeira colocada na área externa de Avalon, cada um carregando seu café da manhã.
"Bom dia!" – cumprimentou Marguerite.
"Dormiram bem?" – perguntou Ned.
Roxton foi pego de surpresa e começou a tossir. Era óbvio que o jornalista nada sabia, mas, se havia uma coisa que tanto o caçador quanto a herdeira pouco fizeram, foi dormir. Rindo, ela bateu em suas costas.
"Respire fundo... vai melhorar."
"Estou bem." – quando melhorou deu uma olhada para a morena e sorriu – "O que acha?"
"Hummm!... acho que eles merecem saber." - a resposta de Marguerite fez o rosto de Roxton se iluminar. Há muito ansiava poder amá-la publicamente e anunciar suas intenções. Agora, não havia nenhuma restrição: seu amor estava, enfim, liberto.
"Saber o que?" – Verônica estava curiosa.
"Vamos nos casar." – anunciou o caçador.
"Um com o outro?" – Ned surpreendeu-se – "Ai!" - gemeu quando a loira cutucou-lhe as costelas.
"Que notícia maravilhosa." – a futura protetora correu para abraçar os amigos. Malone fez o mesmo - "Estou tão feliz... finalmente deixaram de lado toda aquela teimosia!"
"Ei, mocinha, a quem está chamando de teimosa?" - A herdeira fingiu se zangar, arrancando o riso de todos.
"Desculpem... apenas foi inesperado... mas estou muito feliz por vocês... de verdade." – disse o rapaz.
"Será que os mais velhos são sempre os últimos a saberem das coisas? Por que não compartilham conosco o motivo de estarem tão felizes?" - acompanhado de Challenger, Summerlee chegava.
"Marguerite e Roxton vão se casar!" - Verônica e Ned anunciaram ao mesmo tempo.
Foi a vez dos cientistas darem os parabéns ao casal. Conversaram mais um pouco, se divertindo com a novidade.
"Ei, Verônica, podemos conversar em particular?"
"Claro, Marguerite." - a herdeira se afastou e a loira a acompanhou. De longe os homens viram as duas conversando, gesticulando, rindo e finalmente se abraçando.
Verônica aproximou-se da mesa e desta vez chamou Malone para uma conversa reservada. De longe, viram os dois conversando, gesticulando, rindo e finalmente se beijando. Uma vez mais a loira retornou.
"Marguerite, Ned concordou... Casaremos todos no mesmo dia... aqui em Avalon."
"Mãe!... mãe!"
"John?... Meu filho! Apareça!" - Elizabeth corria em desespero por entre as árvores e arbustos espessos da floresta. Seguia apenas a voz do filho, chamando-a incessantemente. Com a escuridão, era difícil enxergar o que havia à frente e, vez ou outra algum galho lhe arranhava o rosto.
Com a respiração ofegante, suando, ela quase podia sentir suas pernas prestes a falharem. Entretanto, a cada vez que o filho a chamava parecia que suas forças se renovavam.
"Mãe! Por que está demorando?"
"Filho... estou chegando! Espere por mim."
Inesperadamente, ela tropeçou em algo, caindo num pequeno barranco. Demorou um pouco para que conseguisse voltar a si outra vez, livrando-se da confusão. Havia corrido à exaustão e, agora, era como se suas pernas pesassem toneladas.
"Mãe?" - a voz do filho soou mais uma vez. Levantou a cabeça e o viu a apenas alguns metros a sua frente. Encarando-o, levou a mão à boca para conter a surpresa e o choro.
"John... meu filho... onde esteve?"
Ele se abaixou, segurando carinhosamente suas mãos.
"Mãe, nada disso importa. Estou feliz com tudo que tem feito para reparar seus erros. Saiba que muito em breve, estaremos juntos outra vez."
"Eu estou morrendo, é isso?"
Roxton sorriu e, em seus olhos, havia uma profunda paz. Não foi necessário responder-lhe e ela apenas compreendeu que seu filho voltaria para casa.
"Tia... tia... a senhora está bem?" - Elizabeth Roxton acordou com o toque e o som suave da voz que a chamava - "A senhora estava gritando, acho que teve um pesadelo. Está tudo bem?"
Elizabeth esticou o braço para pegar um lenço sobre o criado-mudo, enxugando o suor que escorria pelo rosto. Lembrando-se do sonho, sentiu-se confortada.
"Está tudo bem, minha querida. Tudo bem."
Deitado de bruços, com o lençol a cobrir-lhe da cintura para baixo, John agitava-se levemente na cama. A seu lado, Marguerite o observava.
Ela levou uma das mãos às costas largas dele, numa carícia delicada, esperando acalmá-lo, mas ele logo despertou.
"Por que está acordada?" - perguntou ao vê-la apoiada sobre o cotovelo.
"Você estava se debatendo... sonho ruim?"
Ele se sentou na cama.
"Tive um sonho estranho com minha mãe. Deve ser a proximidade da volta à Londres me deixando ansioso."
"Está com medo, John?"
"Medo? Não."
"Ah, claro, o grande caçador branco não tem medo de nada, esqueci desse detalhe." - John percebeu um tom de impaciência na voz de Marguerite.
"Está falando de mim quando, na verdade, acho que você está com medo." - ela apertou os olhos, irritada, e ia virar-se de costas quando ele a segurou pelo pulso.
"Sei que teme voltar a Londres e que minha mãe seja um empecilho em nossa vida." - ele falou firme, sem soltá-la e sem que seus olhos deixassem de fitá-la. Quando ela desviou o olhar, ele teve a confirmação que precisava.
"Não seja ridículo, Roxton."
"Não vamos nos preocupar agora em como serão as coisas porque eu realmente não sei como serão. Só quero que saiba que você e eu é a única coisa que não vai mudar. Você é a mulher que eu escolhi, para sempre." - ele afrouxou a pressão sobre o pulso dela. A herdeira o puxou, beijando-o. Depois sorriu.
"Quer saber? Eu nem estava pensando nisso."
"Ah, não?"
"Não... as coisas mudaram, Roxton. Não sei como vamos resolver isso, mas o faremos da forma como viveremos a partir de agora... juntos."
Sem deixar de fitá-la, John começou, lentamente, a sugar-lhe a ponta do dedo indicador, mordiscando-o. As pupilas dilatadas diziam a Marguerite que sua excitação era crescente.
"John... ainda estamos conversando."
"Continue... estou ouvindo."
Mas ela não pôde. Sua carícia, apesar de suave, conseguia ser extremamente intensa, como se as mãos fortes que ela conhecia tão bem estivessem tocando seu corpo inteiro. Era inegável que Roxton tinha o dom de incendiá-la com um mero olhar ou um mero toque. Sentiu seu corpo inteiro vibrar, pulsante. O calor irradiava-se por suas coxas. Com a ponta dos dedos, acompanhou o contorno da boca dele.
"Você é minha, Marguerite. Sempre minha."
Ela sorriu - "Então me mostre."
Ele passou a acariciar-lhe as coxas e procurou seu sexo. Marguerite entreabriu as pernas para receber seu toque. Estava quente e úmida. Se não a conhecesse tão bem, mal perceberia o gemido quase inaudível escapar de seus lábios e os quadris se arqueando levemente, ansiosos pelo contato.
Naquela noite, amaram-se com mais intensidade do que nunca, como se isso fosse possível, até que, exaustos, adormeceram, mais uma vez, um nos braços do outro.
Leon chegou animado.
"Onde está Anne?" – perguntou à criada.
"No jardim."
"Obrigado!" – disse o homem correndo para a parte de trás da casa. Encontrou a esposa de joelhos cercada de terra e plantas. Rapidamente ele se ajoelhou ao lado dela sem se importar com a sujeira em suas calças. Abraçou-a.
"Leon, eu estou imunda. Vai se sujar todo."
"E daí?" – riu ele.
"O que aconteceu?"
"Acabei de vir do escritório do advogado... o juiz emitiu a notificação. Agora é apenas uma questão de tempo."
Ela sorriu – "Isto é fantástico."
"Estamos perto, Anne... muito perto."
Ela parou pensativa.
"O que foi?" – perguntou ele.
"Você sabe que nada vai mudar o que aconteceu e nem o que perdemos."
"Quer desistir?"
"Não. Apenas acho que as coisas não precisavam ter chegado a esse ponto. Mas quero ir até o fim. Merecemos isso."
Ele pegou uma das flores que estavam no chão enlameado e entregou a esposa.
"Acho que precisamos de um banho."
Anne acariciou o rosto dele.
"O jardim pode esperar." – disse beijando-o intensamente.
Ned vestia a melhor roupa que trouxera ao platô. Na verdade era o mesmo traje com que desembarcara na América do Sul anos antes: paletó, calça social escuros, camisa branca, gravata borboleta vinho e colete. O rosto barbeado, os cabelos curtos penteados e um olhar de menino que aguarda a hora de abrir os presentes de natal. Estava absolutamente inquieto.
"Pare quieto, Malone." - Roxton colocou a mão no ombro do amigo enquanto ele dava uma última olhada no espelho.
O caçador, vestido impecavelmente com a melhor roupa que viera em sua bagagem. O terno negro de corte alinhado feito no melhor alfaiate de Londres, sobre os ombros largos e fortes, ressaltavam a forma física masculina e sedutora. A camisa lavada e colocada ao sol para que perdesse o amarelado que o tempo deixara, a gravata escura. As botas impecavelmente lustradas. A barba feita e os cabelos penteados e assentados com água tiravam-lhe a aparência do caçador e revelavam claramente sua origem nobre.
"Estou tentando me acalmar."
"Está é me deixando mais nervoso ainda... e arrume a sua gravata. Está torta." – resmungou John, olhando finalmente para os pés do amigo – "É impressão minha ou você está descalço, Malone?"
"É confortável... devia experimentar."
"Não, obrigado." – John torceu o nariz.
"Ainda bem que não sou lorde. Nem vou me casar com uma fera, porque sei que Marguerite faria picadinho de você." – riu o rapaz.
"Ela mudou muito, seu jornalista insolente."
"Mas ainda é Marguerite. Então, tenha cuidado." – Ned deu uma risada.
"Não me provoque, Malone... E vamos andando, não quero me atrasar para o meu próprio casamento... e nem para o seu."
Rindo, os dois caminharam ao local onde seria realizada a cerimônia: a céu aberto, sob as estrelas.
Abigail interceptou os noivos no meio do caminho. A protetora vestia uma túnica clara presa com um cinto dourado e com o trion ornamentando seu colo. Uma longa trança descia pelo ombro esquerdo.
"Vocês estão muito elegantes, rapazes."
"Se permite dizer, a senhora está maravilhosa." – Roxton sorriu galanteador.
"Por favor, senhora Layton." – Malone ofereceu o braço a ela e John fez o mesmo. A protetora aceitou.
"Não poderia ter melhor escolta." – elogiou ela.
Quando os noivos e Abigail chegaram, todos os moradores de Avalon já os aguardavam. Assim como Summerlee, que fora honrado com o pedido dos casais para que conduzisse a cerimônia. Emocionado, o botânico aceitou sem hesitar, a importante tarefa.
Sob a implacável supervisão de Marguerite, nos dias anteriores o lugar havia sido cercado de belíssimas plantas ornamentais. As árvores foram decoradas, com flores, fitas e lampiões. Tochas, devidamente espaçadas em forma de círculo, completavam a iluminação. Bem perto dali, mesas enfeitadas estavam cheias de comida e muita bebida.
O ambiente de alegria e satisfação era contagiante, estampado na face dos habitantes do lugar.
Todos tomaram seus lugares e passaram a aguardar ansiosos, pelo grande momento. Malone não tirava os olhos de onde Verônica entraria e, Roxton, por sua vez, além de fazer o mesmo, consultava sem parar o relógio de bolso.
"Elas estão atrasadas." – resmungou ele.
"Como sabe? Ninguém marcou hora exata. Só disseram que seria quando a noite caísse."
O caçador bateu de leve no vidro do relógio, mostrando para o jornalista e para Arthur.
"Estou vendo aqui."
"Você é o único que está usando isso." – riu Summerlee.
De repente, um enorme sorriso iluminou o rosto de Malone.
Roxton, por sua vez ficou estático e soube que, mesmo que tentasse, seu olhar não desviaria de sua dama.
Um jovem começou a tocar uma rabeca(*). Uma música passada de geração em geração, obviamente inspirada nos antecessores celtas. Uma doce voz feminina o acompanhava em um canto suave.
Usando um vestido reformado e muito simples que havia sido da mãe, Verônica lembrava a Ned uma fada como as que imaginava nas histórias de sua infância. De algodão cru a roupa deixava as costas expostas enquanto, na frente, um profundo decote de onde, na parte interna, saíam pequenos babados feitos em renda. Uma faixa branca de cetim enlaçava sua cintura, onde estava presa uma grande flor branca. Por baixo da flor, pendia uma joia, uma correntinha de pérolas que ia até os joelhos da moça. O vestido seguia, mais rodado, até seus calcanhares. Os cabelos soltos eram adornados por uma única flor e, assim como Malone, estava descalça.
Marguerite trajava o elegante vestido que trouxera ao platô, mas que nunca chegou a usá-lo nem mesmo na viagem de navio de Londres para a América do Sul. Durante os anos na casa da árvore às vezes imaginava por que havia incluído tão rico traje na bagagem que trouxera. Agora, ao ver o brilho nos olhos de Roxton, sabia. Era um vestido de cetim vinho que lhe dava toda a imponência de uma dama londrina. À altura do lugar que viria a ocupar, em breve. As costas ficavam parcialmente descobertas, onde um trançado de fitas mostravam parte da pele leitosa. Na frente, o decote em V era cercado de um delicado e fino bordado repleto de pequenos brilhantes. O vestido, por si só, era uma verdadeira joia, mesmo assim, ela fez questão de usar um par de brincos de diamante. Os cabelos anelados, parcialmente presos, foram adornados com uma tiara, em combinação com as demais joias.
Juntas, as duas amigas, conduzidas uma de cada lado pelo orgulhoso altivo e elegante Challenger, completamente diferentes em suas aparências uma da outra, mas absolutamente iguais na felicidade, foram entregues a seus pares, John Roxton e Edward Malone, que as beijaram suavemente nos lábios antes de se virarem para o celebrante, Arthur Summerlee. Dispostos em circulo, os convidados os cercavam.
"Caros amigos, fui convidado a presidir esta cerimônia e, muito honrado, aceitei. Como estou muito emocionado, tentarei ser breve, para não chorar e estragar tudo." – todos riram.
"Este é um momento especial na vida de cada um de nós que conhecem Roxton, Marguerite, Malone e Verônica... velhos e novos amigos... principalmente para George e eu que sabemos o quanto eles são importantes para nós."
"Tem toda a razão, Arthur." – concordou Challenger. O botânico continuou.
"E um momento ainda mais especial para vocês que, oficialmente, começam mais uma etapa de suas jornadas." – o velho senhor fez uma pequena pausa, limpando a garganta.
"John Roxton, aceita Marguerite Krux..."
"Mayfair." – sussurrou a herdeira para o botânico que corrigiu.
"Desculpe... John Roxton, aceita Marguerite Mayfair como sua esposa?
"Sem nenhuma dúvida." – o caçador sorriu para ela.
"Marguerite Mayfair, aceita John Roxton como seu esposo?"
"Sim."
Então, Roxton tirou de seu dedo mínimo seu inseparável anel, aquele que pertencera a seu ancestral, colocando-o na mão esquerda de Marguerite.
"Tudo o que sou e tenho neste momento e no resto de minha vida, Marguerite, é seu agora e sempre. E o que sou e tenho é muito mais do que toda a riqueza, todo poder, todos os títulos que qualquer homem possa ter." - disse ele, deslizando o anel no dedo.
"Nós temos um futuro juntos. Amo-o mais do que jamais poderei lhe dizer." - sussurrou ela, os olhos brilhantes como duas esmeraldas e um largo sorriso nos lábios, desejando ter um anel para poder dar a ele. Mas não tinha nada, além dela própria, seu coração, sua vida, sua confiança, que era algo que não dera a ninguém antes de Roxton. E ela confiava nele completamente. Enquanto ela olhava feliz para o anel em seu dedo, Summerlee virou-se para o outro casal.
O jornalista e a futura protetora se olharam emocionados.
"Edward Malone, aceita Verônica Layton como sua esposa?"
"Aceito."
"Verônica Layton, aceita Edward Malone como seu esposo?"
"Desde o primeiro dia."
Do bolso, Ned tirou o anel de casamento que Abigail havia dado e colocou no dedo da mão esquerda da noiva.
"Verônica, a partir de hoje, estamos casados diante de nossos próprios olhos, e diante dos olhos de Deus, porque não tenho dúvidas de que Ele quis que nos encontrássemos... outra vez." - continuou segurando-lhe a mão - "Me apossei do seu coração e você tomou posse do meu. A partir de hoje, serei seu marido. Prometo a você o meu amor, carinho, a minha vida, e toda a minha honra."
"Ned, você me faz tão feliz quanto jamais imaginei poder ser. Eu te amo." - disse ela com os olhos marejados.
Abigail adiantou-se e derramou um pouco de água sobre as mãos unidas de cada um dos casais.
"Sejam felizes." – desejou ela com um doce sorriso. Arthur continuou.
"Que vocês possam compartilhar suas vidas enriquecendo sempre um ao outro com o que existe de mais precioso. O amor que vocês sentem será ainda mais rico se cultivarem amizade, gentileza, carinho, respeito, solidariedade, paciência e risos... Eu os declaro marido e mulher. Rapazes, podem beijar as noivas."
O botânico mal terminou de dizer a última frase e os lábios dos casais já se encontravam apaixonadamente.
Mesmo cientes de que a filha da protetora e seus amigos partiriam em breve, muitos moradores de Avalon insistiram em oferecer-lhes presentes, lembranças que gostariam que os recém-casados, George e Arthur levassem com eles. Apesar do pouco tempo na cidade, todos se afeiçoaram à doçura e à coragem de Verônica; à inteligência e sagacidade de Ned; à vivacidade e à personalidade intrigante de Marguerite e à lealdade e habilidades dignas de um guerreiro de Roxton, a curiosidade e inteligência de Challenger e a tranquilidade e sabedoria de Summerlee. De certa forma, todos queriam ser lembrados pelo grupo.
Marguerite já havia advertido a Verônica que, em uma festa de casamento, quem menos aproveita são os noivos. Agora entendia o motivo. Quando finalmente já havia recebido os cumprimentos e votos de felicidade, a futura protetora, já estava exausta. Não fosse por insistência de sua mãe e Ned, teria ido para o quarto logo em seguida.
"Será que uma mãe não pode ter o gosto de mimar sua filha em um dia tão importante?" - Abigail não conseguia conter a felicidade e a emoção diante da filha.
"Mamãe, também já estou com saudades... Acredite, passará rápido e, quando menos esperar, estaremos de volta."
"Eu sei, querida. É coisa de mãe. Impossível não sentir um aperto no coração por vê-la partir, embora saiba que tem o direito de conhecer o mundo, como eu fiz um dia."
"Meu lar... nosso lar" - ela olhou para Ned - "é aqui. É onde estão nossos corações."
Na área improvisada como pista de dança, Marguerite e Roxton encantavam a todos com os movimentos graciosos e elegantes. Entretanto, estavam tão concentrados um no outro, que mal notaram os olhares de admiração.
"Percebeu que nos últimos dias dançamos mais que durante todos esses anos em que estamos no platô?" - ela perguntou, vez por outra olhando orgulhosa para o anel em sua mão, que descansava no ombro de Roxton.
"É quase como se estivéssemos em Londres!" - ele sorriu, conduzindo-a a um giro - "É bom que se acostume lady Roxton, pois pretendo levá-la a todos os bailes."
"Pare, John, estou ficando tonta!" - gargalhava com os giros velozes de seu marido.
"Venha, vamos beber alguma coisa" - Roxton a levou pela mão, mas ela o puxou, falando em seu ouvido.
"Por que não bebemos alguma coisa... a sós."
O sorriso que tantas vezes deixou-a sem fôlego, desenhou-se no rosto forte de Roxton - "O que minha rainha desejar..."
Finalmente Abigail soube que era hora dos amigos partirem de volta para casa. Com a chegada do inverno na Amazônia, a seca se instalava na região tornando a viagem possível.
Além de desenhar mapas, ela explicou detalhadamente o caminho que os exploradores deviam percorrer. Também fez desenhos que deveriam ser entregues caso encontrassem algum problema com as comunidades locais. Além disso, entregou a cada um deles inúmeras pedras preciosas que seriam mais do que suficiente, não só para levá-los de volta a civilização, mas também para que Malone e Verônica, assim como Thomas e ela fizeram anos antes, pudessem viver confortavelmente pelo tempo que fosse necessário.
A protetora os orientou que, ainda em Manaus, deveriam procurar uma família de confiança que lá morava. Eles não só os ajudariam com tudo que precisassem, mas também providenciariam todos os documentos para que Verônica pudesse viajar sem nenhum problema. Embora falsa, a moça finalmente teria uma certidão de nascimento, de acordo com os padrões do mundo exterior.
Finalmente, com o coração apertado, havia chegado a hora de se despedirem.
"Dois avatares os acompanharão até próximo a Manaus. Assim poderão fazer uma viagem mais tranquila."
"Obrigada, senhora Layton." – George se aproximou beijando cavalheirescamente a mão da protetora – "Conhece-la, e a Avalon foi uma experiência única e maravilhosa, aliás, como tudo no platô."
"O prazer foi meu, professor."
Summerlee foi o próximo a se despedir.
"Se não fosse por minha vontade de reencontrar meu sobrinho e Anne, eu pensaria seriamente em ficar. Este lugar me faz muito feliz."
"Isso faria ao povo de Avalon, e a mim, muito felizes. Mas entendo perfeitamente seus motivos. O senhor será sempre bem-vindo. Aliás, todos vocês."
Roxton sorriu – "Obrigado por tudo, senhora. Não preciso dizer que aqui o caçador foi vencido." – ele deu um olhar para a esposa que abraçou a protetora.
"Dê o meu abraço carinhoso a Anne e Leon. Eles são os mais generosos amigos que Thomas e eu poderíamos ter. Não imagina o quanto estou feliz por vocês."
Abi se aproximou da filha.
"Lembre-se, Verônica. O trion é o seu legado, mas a decisão sobre aceitá-lo ou não é sua. Seja qual for a sua escolha, tem a minha benção."
"Minha escolha já foi feita." – com os olhos marejados a moça e Abigail se abraçaram demoradamente – "Eu te amo, mãe."
"Também te amo, minha filha."
"Nós voltaremos, senhora." – Malone se aproximou.
"Cuide dela, Ned."
"Cuidarei."
"Enviarei alguém a Manaus a cada inverno. Para o caso de voltarem e precisarem de ajuda... e Verônica..." - Abigail desejava dar um importante conselho a filha – "... Afaste-se do perigo. Não deixe que Ned tente lhe ensinar a andar de bicicleta." (**)
Sentada à mesa da sala de jantar, Charlote tomava um chá, na esperança de que a bebida fumegante retirasse um pouco do gosto amargo que impregnava sua boca. Sua expressão tensa não deixava dúvidas de que estava contendo uma grande insatisfação.
A tempestade havia chegado naquela casa, e o piorou ainda mais quando Hellen adentrou furiosa no recinto, com seus sapatos elegantes se chocando ruidosamente contra o assoalho de madeira.
"Como pode ficar aí sentada enquanto o mundo está desabando, mamãe? Você não passa de uma inútil, maldita sanguessuga!" - a ruiva despejou uma enxurrada de gritos e ofensas contra a mãe.
Charlotte não moveu um músculo sequer, apenas a fúria em seus olhos dava sinais de estar prestes a explodir, como a água de uma represa. Num tom de voz seco, ela apenas perguntou:
"Quer explicar o porquê do ataque histérico?"
"Histérica? Histérica, mamãe?" - Com um movimento brusco, empurrou as louças sobre a mesa, quebrando a porcelana fina. Assustada com o barulho, a criada, imediatamente, apareceu, mas Hellen a empurrou e a expulsou - "FORA, DAQUI! FORA!"
"E você, mamãe! Não estou histérica, estou possessa!" - da pequena bolsa, retirou as joias dadas por lorde Harold e as jogou sobre a mãe. "Sabe o que é isso, mamãe? As joias daquele desgraçado! Ele me enganou! Acabo de voltar do ourives. Todas que me deu são falsas! Quando Harold voltar a Londres, irei matá-lo com minhas próprias mãos. E a culpa é sua! Sempre se achando muito superior, mas não foi capaz de reconhecer joias falsas!"
Ao dizer a última frase, Hellen segurou Charlote pelos ombros e começou a sacudi-la, porém, para sua surpresa e com uma força nunca vista antes, sua mãe livrou-se de seus braços e acertou em cheio uma bofetada em seu rosto, fazendo-a recuar.
Com a mão no rosto dolorido e avermelhado, Hellen começou a chorar - "Mamãe... nunca havia me batido antes..."
"Cale a boca! Deveria ter feito isso anos atrás... Não fui eu quem empurrou você para os braços daquele vagabundo, pelo contrário... eu avisei... E se você pensa que seu problema com Harold é o pior que poderia acontecer, tenho uma notícia para você, filhinha. Nada é tão ruim que não possa ficar pior... muito pior."
Do bolso, Charlote tirou um papel dobrado e o abriu, colocando-o sobre à mesa à frente de Hellen que pegou, lendo em seguida.
"O que é isso?... Não, isso tem que estar errado!... Esta casa é nossa!"
"Não, a casa ERA nossa, querida. Estamos sendo despejadas. Temos um mês para sair daqui."
"Não faremos isso. Eu sou a herdeira dos Mayfair e conheço meus direitos."
"Acha que já não procurei nosso advogado? Não seja burra, Hellen! Você não é a herdeira enquanto Anne estiver viva, e a maldita já andou mexendo os pauzinhos e é por isso que estamos perdendo a casa. Não sei o que mais ela pode ter feito, mas estamos em desvantagem. Melhor sairmos enquanto ainda nos resta algo. Portanto, sugiro que retiremos imediatamente nosso dinheiro do banco, antes que também seja confiscado, e deixemos Londres."
"E faremos o que? Já sei, compraremos uma fazenda e viveremos como duas roceiras, criadoras de galinhas? Sinto muito, mamãe! Mas não sairei desta casa. Além disso, pretendo vender o oroboros a alguém que me dará muito dinheiro e, de qualquer forma, continuaremos ricas. E já que tia Anne quer entrar na briga, ótimo, darei um fim em nossos problemas."
"Não poderá mais cometer erros, Hellen. Estamos atoladas nessa lama de mentiras e escândalos em que você nos meteu. Não torne as coisas piores do que já estão."
"Não cometerei erros. Não mais."
Ao chegarem a Manaus, os exploradores perceberam com tristeza que o lugar resplandecente que Abi descrevera nos diários praticamente não existia mais. Com a queda das exportações da borracha, a cidade e sua população fora praticamente deixada a própria sorte.
Estar ali fez com que Verônica finalmente lembrasse cada descrição do que seu pai vira quando chegara a América do Sul. Mas ao contrário dele, que viajara da civilização para os confins do mundo, ela saíra dos confins do mundo, para a civilização. E se assustou com tanto movimento.
Lá embarcaram no navio Itapagé(***) e navegaram por longos dias até chegarem ao porto de Recife de onde finalmente rumaram para a Europa.
Ainda que a criada tivesse avisado a Anne das visitas que a aguardavam na sala, a visão de lady Elizabeth Roxton e sua sobrinha ali, em sua casa, ainda era desconfortável a ela.
"Como vai, Anne?" - a matriarca dos Roxton perguntou em tom sério.
"Bem, obrigada." - respondeu.
"Lembra de minha sobrinha? Laureana Roxton?"
"Claro que sim." - Anne sorriu para a moça – "Por favor, sentem-se."
As três mulheres se acomodaram com a anfitriã e lady Roxton visivelmente constrangidas. Finalmente a velha senhora rompeu o silêncio.
"Penso ser desnecessário perdermos tempo quando há assuntos importantes a serem tratados." - Elizabeth começou assim que sua sobrinha e Anne trocaram algumas palavras - "Como lhe disse em nosso último encontro, até então, eu ainda não tinha consciência da totalidade do que fiz e de quem, em realidade, era aquela que eu julgava ser minha amiga."
"Elizabeth, eu..."
"Sra. Mayfair, acredito em rendição e em justiça divina. Antes que minha tia prossiga, talvez deva ver isso." - Lara intercedeu e, retirando um lenço da bolsa, colocou-o nas mãos de Anne que o abriu lentamente.
Seus olhos de um azul quase violeta refletiam o brilho do amuleto enquanto seu rosto demonstrava grande surpresa. Fez uma longa pausa tentando se recuperar da surpresa.
"Pois, prossiga, Elizabeth..." - disse Anne enfim após se recompor.
Após o jantar, Verônica sentou-se ouvindo Marguerite e outras mulheres que conversavam em um dos salões da primeira classe do navio. Um pouco adiante outros senhores bem vestidos conversavam e fumavam charutos. Roxton, Malone, Challenger e Summerlee também participavam da conversa, ao mesmo tempo em que jogavam cartas. Ao contrário dos outros cavalheiros que bebiam licor, preferiam o sabor amargo da cerveja gelada.
Verônica se levantou:
"Se me permitem, eu estou um pouco cansada e vou me deitar."
"Está tudo bem?" – a herdeira quis saber.
"Tudo ótimo, Marguerite. De verdade... Boa noite." – a loira retirou-se, mas, ao contrário de voltar para a cabine, resolveu caminhar um pouco no deck praticamente vazio.
Com os braços apoiados na amurada, Verônica observava a noite iluminada pela lua cheia. Era estranho não ver terra por tantos dias, mas gostava do leve balanço da embarcação cortando o mar em direção ao norte. Sentia-se bem.
"Uma moeda por seus pensamentos." – virou e viu a amiga caminhando em sua direção. Trazia duas taças.
"Por incrível que pareça, não estou pensando em absolutamente nada."
"Tome, champanhe para mim e suco de laranja para você... Não leve a mal, mas você é péssima bebedora. Melhor garantir." – entregou a taça a loira.
"Não queria estragar sua reunião com as mulheres."
"Estragar? Você me fez um favor... Falando sério, é incrível como meu interesse por reuniões maçantes diminuiu... perdi a prática."
"Acha que vou aprender a gostar?"
Marguerite riu.
"Claro que não... mas você vai se divertir com outras coisas." – a herdeira ergueu sua taça e a loira fez o mesmo – "Um brinde a nossa volta a um mundo antigo e a sua entrada em um novo."
(tã... rã... rã... rã... rã... Musiquinha tema e encerramento de TLW... tã... rã... rã... rã... rã)
E vem aí DDT7, a última (snif! snif!) parte da mais espetacular (somos modestas não é?) saga no mundo do entretenimento. Em 3D Max Plus, com som hiper, mega digital. Mais famosa do que 'O Senhor dos Anéis' e 'Avatar' (o filme e não os fofos sarados que protegem a Abi) e a série 'Lost' juntos. A diferença é que é de grátis... rs, rs, rs.
Da série fic também é cultura:
(*) Rabeca - É um instrumento rústico, precursor do violino. Ainda hoje muito usado em todo o Brasil, principalmente no interior.
(*) DDT1 – Páginas Perdidas – cap 5.
(**)Itapagé – A Companhia Nacional de Navegação Costeira era proprietária dos navios, que faziam o percurso entre o Norte e o Sul do Brasil e que inspiraram a canção 'Peguei um Ita no Norte' de Dorival Caymmi. Eram chamados assim por causa do prefixo das embarcações: Itatinga, Itaquatiá, Itaimbé, Itaberá, Itapuca, Itagiba, Itapuhy, Itassucé, Itajubá,Itaquara,Itaipé, Itahité e Itapagé, entre outros.
REVIEW! REVIEW! REVIEW!
(Ou afundaremos o navio em que eles estão viajando igual ao Titanic)
