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Capítulo 10
- O quê? – Sam perguntou sem acreditar.
- Vão para a cozinha! – Jim ordenou aos dois.
- Tio... Não... Deixa que eu vou atender. – Sam respondeu preocupado com Beaver.
- Não Sam... Vão logo, que vou ver o que ele quer.
Sam e Dean foram para a cozinha no exato momento em que a campanhia tocou.
Jim esperou uns segundos e abriu a porta.
- Pois não?
- Jim Beaver?
- Quem quer saber?
- Não está me reconhecendo? – Gerald perguntou e abriu um sorriso.
- Hummm... Não. – Jim mentiu.
- Sou Gerald Campbell, pai do Jared, seu sobrinho... Ele está?
- Ah! Sim... Gerald! Desculpe não ter te reconhecido.
- Tudo bem, já fazem muitos anos mesmo... Mas, ele está?
Jim gaguejou um pouco e levou um susto quando ouviu a voz de Sam atrás de si.
- Estou.
Os olhos de Gerald brilharam quando ele viu Sam.
- Não vai me convidar para entrar, Jared? – Gerald perguntou encarando Sam.
O moreno olhou na direção onde Dean estava e o loiro assentiu com a cabeça.
- Entre...
Gerald entrou olhando a sua volta e parou em frente ao filho, abrindo os braços querendo um abraço, mas o moreno ignorou e perguntou.
- O que está fazendo aqui?
Gerald limpou a garganta, sem graça.
- Queria conversar com você em particular... Será que podemos?
- Nós não temos nada para conversar. – Sam respondeu rispidamente.
- Jared, por favor, não quero brigar com você. Somente conversar ok?
- Sam... – Dean se aproximou e sentiu um frio na espinha quando encarou o pai de Sam.
- Olá, meu nome é Gerald... – O homem estendeu a mão para Dean que a ignorou deixando Gerald com raiva.
- Eu e o Jim estaremos ali na cozinha, nos chame se precisar... – O loiro disse e se retirou da sala, juntamente com Beaver, mas não antes de pegar uma das malas que estava na sala.
Pai e filho ficaram se encarando por alguns minutos e Gerald foi o primeiro a falar.
- Porque aquele rapaz chamou você de Sam?
- Diga logo o que você quer... – Sam respondeu com desprezo na voz. – E como me achou aqui?
- Eu sempre soube que você estava aqui, mas sua mãe ficou muito doente depois que você fugiu e eu prometi a ela que te deixaria em paz. Tive medo que ela piorasse.
- Como se você fosse se importar com isso!
- Eu sempre amei a sua mãe e você sabe disso! Se eu não te cacei até hoje, agradeça a ela...
- E decidiu vir agora por quê? – O moreno quis saber.
- Bom... Sua mãe... Se foi, Jared. A doença a venceu.
Sam sentou no sofá e sentiu seus olhos se encherem de lágrimas. Sua mãe estava morta e ele nunca mais a veria. Nem teve a chance de se despedir. Sentiu uma dor forte no peito e gritou.
- Isso tudo é culpa sua! – O moreno se levantou com ódio no olhar.
- Eu sei e por isso eu vim me redimir com você. Não quero mais brigar, não quero mais que você fuja! – Gerald não alterou o tom de sua voz.
- Eu te odeio! – Sam se sentou novamente e começou a chorar.
Dean, que estava ouvindo a conversa toda queria entrar na sala e matar aquele desgraçado, mas não podia. Não ainda. Precisava saber se tinha sido ele que matara seus pais.
- Jared, eu sinto muito por tudo o que aconteceu, se eu pudesse voltar atrás, eu teria te escutado, te entendido e não teria te perdido... E nem a sua mãe.
- Acha que eu vou acreditar nessas suas baboseiras? – Sam perguntou.
- Não são baboseiras... Eu realmente estou arrependido, filho.
- Não me chame assim, você não tem esse direito!
- Jared... – Gerald suspirou e sorriu. – Tudo bem. Eu não vou brigar mais com você, não é isso que eu quero. Não foi por isso que eu vim.
- Então o que você quer? – Sam gritou.
- Eu quero que volte para Butte comigo.
Primeiro Sam arregalou os olhos, depois deu uma gargalhada como se tivessem contado a piada mais engraçada do mundo.
- Você só pode estar louco!
- Jared é sério! Volte comigo, por favor...
- Está se sentindo sozinho nas suas matanças? – Sam fechou a cara novamente.
- Eu nunca mais... Eu... – Gerald baixou os olhos. – Eu não me transformo mais.
Sam se levantou.
- Como assim, não se transforma mais? Isso é possível?
- Na verdade, agora eu só me transformo quando eu quero. – Gerald respondeu.
- Mas como? Como conseguiu isso? – Sam sentia que seu coração poderia sair pela boca a qualquer momento.
- Eu só posso te dizer que é possível, Jared, e se vier comigo eu...
- Seu filho da puta egoísta! – Sam se descontrolou.
- Não fale assim comigo! – Gerald gritou de volta.
Dean engatilhou a arma que tirara de dentro da mala, mas Beaver o impediu de sair da cozinha.
- Ainda não, Dean! – Jim sussurrou.
- Jared, você quer continuar escravo da lua? Quer continuar sofrendo desse jeito?
- Você nunca se importou comigo, nem com o meu sofrimento.
- Mas agora eu me importo!
- E por quê? Porque você se importa? – Sam ainda continuava com o tom da voz alto.
- Porque eu prometi a sua mãe em seu leito de morte que eu faria de tudo por você. Faria de tudo para amenizar o seu sofrimento. – Gerald fez uma pausa. – Ela morreu em meus braços, me implorando por isso... E eu...
- Não me venha com essa! Eu não acredito em nenhuma palavra do que você diz. Você nunca se importou com ninguém a não ser com você mesmo.
Gerald já estava ficando sem paciência com aquela conversa. Sua pose de pai arrependido não estava fazendo efeito. E o que ele mais queria era se transformar e matar todos ali, inclusive Sam. Mas não podia. Ele precisava que Sam confiasse nele para poder completar o ritual.
Flash Back On
- Eu sabia que aquele desgraçado ia fugir, eu sabia! – Gerald gritava com a esposa assim que chegou de viagem. – Mas ele não vai escapar de mim, não vai mesmo!
- Gerald, por favor, não faça nada... – Sharon implorou.
- Cala a boca! Tenho certeza que você tem tudo a ver com isso! – Gerald berrou deixando a mulher apavorada. – E depois que eu matá-lo você será a próxima!
- Gerald, me escute...
- Eu sabia que não podia confiar em você... Pra onde mandou ele, hein? Pra casa do seu tio Jim em Anaconda?
- Gerald...
- Pois eu vou atrás dele agora mesmo!
- Gerald! – Sharon deu um grito tão alto que até ela mesmo se assustou. – Me escute!
- Se você não calar essa sua boca agora mesmo eu vou... – Gerald levantou a mão.
- Eu sei um feitiço que pode fazer você se transformar fora da lua cheia, somente quando quiser... – Ela falou rapidamente, já se preparando para levar uma bofetada do marido.
- Como? – Gerald perguntou. – Ficou maluca mulher?
- Se você me deixar explicar, você vai entender... Mas tem uma condição... Esqueça a existência do nosso filho, esqueça essa história de matar ele, senão, não irá funcionar.
Gerald se preparou para responder e gritar com a esposa, mas ficou calado quando ela completou.
- Eu sou uma bruxa... wiccan. E eu posso fazer isso por você... Mas se você matar seu filho, seu primogênito, que carrega seu gene de lobisomem, o feitiço se desfaz imediatamente e você viverá como lobo pelo resto de seus dias.
- Se tiver me enganado, mulher...
- Eu sei, você mai me matar... Eu sei... Vem comigo que eu vou te mostrar.
Gerald seguiu sua esposa até o quarto dela. Sharon abriu um compartimento secreto que havia em seu armário e tirou um livro onde estava escrito "Witchcraft".
- Aqui está, vamos ver o que precisa ser feito...
- Porque nunca me contou que era uma bruxa? – Gerald perguntou.
- Eu não mexo com bruxaria há muito tempo, pra falar a verdade às vezes eu até esqueço que sou uma, Gerald.
- O Jared sabia?
- Não... – Só em ouvir o nome do filho, Sharon ficava emocionada. – Ninguém sabe.
- E você nunca percebeu que eu era um...
- Sinceramente? Eu sempre senti uma energia muito estranha vinda de você. Obscura. Mas só percebi o que significava essa energia, quando você me contou que era um lobisomem, quando eu engravidei. Aí eu entendi. – Sharon ria, mas no fundo estava em pânico. Será que Gerald confiaria nela ou desconfiaria de alguma coisa?
Gerald observava a mulher enquanto ela folhava o livro e pensava que talvez fosse uma troca justa. Desistiria de matar Jared em troca de sua liberdade. Se transformaria quando e onde quisesse e ele sorriu com esse pensamento.
- Aqui está. Preciso ver se tenho tudo que preciso. O ritual será feito na última noite de lua cheia durante a transformação.
- E nunca mais serei escravo da lua!
- Mas tem que cumprir o trato! Se for atrás do Jared...
- Eu sei, eu sei, se eu matá-lo, eu viro lobo pro resto dos meus dias... Eu aceito... Acho que é um preço justo a se pagar. – Gerald sorria. – Vem, vamos comemorar.
- Deixa eu guardar minhas coisas e eu já vou.
Enquanto observava Gerald deixar o aposento, Sharon desfez o sorriso e deixou uma lágrima descer pelo seu rosto. Ela sentiria muito a falta de Jared e Gerald era o culpado de tudo, por toda a sua desgraça, mas pelo menos seu filho estaria a salvo e isso era a única coisa que a confortava.
O último dia de lua cheia finalmente chegara e Sharon havia preparado tudo para o ritual.
- É minha última noite de escravidão Sharon. – Gerald pegou no rosto da esposa. – Eu queria te agradecer e te dizer que depois dessa noite, nossa vida irá mudar completamente. Eu sei que você senta falta do Jared, mas nós ainda podemos ter outro filho, se você quiser.
Sharon encarou o marido. Sua vontade era de esganá-lo ali mesmo. Ele nunca se preocupara com seu sofrimento e nem com o filho que fora embora. Gerald só se preocupava com ele mesmo e Sharon sorriu fraco, pensando que finalmente estava colocando seu plano de vingança em prática. Mais alguns anos e ela poderia se reencontrar com o filho sem se preocuparem com nada.
Na semana seguinte, Gerald se trancou em sua jaula e se transformou fora da lua cheia. O ritual dera certo e agora ele estava livre. Finalmente.
Sharon passava seus dias pensando em Jared e em como ele estaria. Ela havia ligado uma vez para Jim, mas Gerald descobrira e ficou tão fora de si que quase se transformara na frente da esposa, então ela achou melhor não fazer mais contato. A única coisa que a fazia não desejar morrer todas as manhãs, era a esperança que quando chegasse à hora, ela veria seu filho de novo. Sharon vivia para esse dia, mas a saudade era tanta que ela acabou ficando muito deprimida e adoeceu gravemente, por fim não resistindo e morrendo.
Gerald preparou o enterro de sua esposa e voltou arrasado do cemitério. No fundo, do seu jeito, ele gostava de Sharon. E era agradecido por tudo que ela fizera por ele.
Após algumas semanas da morte da mulher, Gerald decidiu se desfazer de suas coisas e quando estava arrumando o armário dela, achou o livro de bruxaria e começou a folheá-lo, chegando a parte do ritual. Gerald começou a ler e quando chegou à parte final da página, seus olhos se arregalaram e o ódio invadiu seu ser. Fez as contas mentalmente e percebeu que Jared tinha acabado de completar 29 anos.
- Aquela desgraçada!
Gerald largou o livro em cima da cama e deixou a parte que lera aberta, onde estava escrito:
"O ritual só estará totalmente completo se o Lobisomem matar e beber o sangue do primeiro filho que carregar seu gene de lobo, durante a última lua cheia da semana, antes que este complete trinta anos, senão, o feitiço será revertido, deixando o lobisomem em sua forma de lobo até o fim de seus dias."
Flash Back Off
- Jared, eu sei que é pedir demais, mas venha comigo. E eu te livrarei dessa maldição!
- Agora é maldição? E quando deixou de ser uma benção? – Sam sorriu sarcasticamente.
Os dois ficaram em silêncio por alguns minutos até que Sam se lembrou de uma coisa e seu coração acelerou. Imaginou que Dean estaria ouvindo e não teria outra chance como aquela.
- Eu vou com você, se me responder uma pergunta.
- Qualquer uma.
- Quando eu tinha doze anos, eu ouvi um boato, em Butte, de que um lobo selvagem atacou uma família e matou o pai e a mãe, deixando somente o filho vivo.
Gerald baixou a cabeça e sorriu.
- Jared, já te falei que eu nunca mais...
- Só me responda! Foi você quem matou aquelas pessoas? – Sam se aproximou sentindo que a raiva o invadia, sentindo que poderia matá-lo com as próprias mãos, se Gerald continuasse sorrindo.
Dean tremia dentro da cozinha e não conseguiu respirar até ouvir a resposta que ele buscou por tantos anos.
Continua...
