Oi gentee

Vim avisar que Saint Seiya não me pertence, se me pertencesse eu faria um anime só com o filho do Shyriu^^. Ele é tão fofo! Só vou assistir esse Omega por causa dele, e das batalhas que eu adorei. As lutas são bem legais... mas o resto deixa muito a desejar. O Dragãozinho é muito melhor do que o novo Pegasus. Achei aquele Kouga tao xarope ¬¬ Bem se vê que esse Omega é mais voltado para o público adolescente e tal, com aquelas armaduras coloridas daqueles cavaleiros anorexicos. Saudade das costas saradas do Dohko e das coxas do Kardia... Nada se compara ao Lost Canvas, ai ai...

Passado o momento tietagem, vim entregar também o décimo capítulo desta fic. Esperam que curtam mesmo sendo gigantesco. Que apareça o título sob um jogo de luzes \o/


CAPÍTULO X – Os Cavaleiros Vão para a Balada

A preocupação de Shaka só aumentava cada vez que ele olhava para Jim. Ele viu toda a alegria dela sumir como num passe de mágica assim que eles botaram os pés em casa. Sem dizer nada, Jim entrou no quarto e se trancou. Olhar para aquela porta fechada depois de uma vitória numa luta dificílima era estranhíssimo. Nem no assunto da tal balada que ela queria tanto ir ela tocou. Contudo, ele achou que seria melhor deixa-la sozinha refletindo sobre tudo, principalmente sobre a conversa que eles tiveram na escadaria. Decidiu pedir às servas que providenciassem uma boa refeição para ela e depois a deixaria descansar durante o resto do dia. Uma mesa farta e cheia das guloseimas que Jim tanto gostava com certeza a animaria. Assim que as servas terminaram de colocar a mesa, foi chamar sua interna:

- Posso entrar Jim? – ele perguntou depois de bater na porta.

- Sim mestre, a porta ta aberta.

Quando ele entrou no quarto encontrou Jim deitada na cama fitando o teto. Estava com a mesma roupa da luta, não tinha tomado banho nem se limpado. A expressão era algo entre vazia e pensativa. Completamente oposta da alegria demonstrada horas atrás naquele mesmo cômodo. Shaka sentou-se ao lado dela e ficou observando seu perfil bonito. Uma pequena mancha de sangue no nariz ainda estava lá, mas não enfeiava de jeito nenhum o rosto de Jim:

- Você precisa comer.

- Não estou com fome mestre.

- Tem certeza? Nem na sobremesa de sorvete de napolitano que o Camus te mandou está interessada?

- Nop.

- Hummmmm... O que está sentindo? – perguntou serenamente, mas por dentro estava aflito. Algo de muito errado estava acontecendo para Jim recusar sorvete de napolitano.

- Vazio pós luta. É possível sentir isso mestre?

- Completamente possível. Venceu sua primeira luta oficial. Ainda virão muitas outras.

- Hummmm... – murmurou Jim ainda fitando o teto.

- E você pretende ficar trancada aqui para sempre?

- Talvez. – ela respondeu se sentando, mas ainda sem encarar o mestre.

- E se um deus malvado declarasse guerra contra o santuário nesse exato momento? Seria capaz de deixar o seu mestre lutar sozinho para defender esta casa?

- Provavelmente não iria precisar da minha ajuda, mestre. – respondeu formando covinhas nas bochechas evitando sorrir.

- Discípula ingrata... – disse em tom de brincadeira e olhou para o braço machucado de Jim que exibia um enorme hematoma logo acima do cotovelo. – Está doendo?

- Até que não.

- Posso dar uma olhada?

Jim ficou mais próximo do mestre e estendeu o braço para ele ver.

- Está sentindo esse cosmo? Acho que é alguém querendo passar pela minha casa... – disse Shaka apontando na direção da porta.

Assim que Jim inclinou a cabeça para a porta tentando ouvir alguma coisa ele deu um forte puxão no braço dela fazendo o osso estralar ruidosamente. O grito que ela deu pode ser ouvido da casa de Áries.

- AAAAAIIIIII, por que fez isso mestre? Doeu muito. – disse segurando o braço.

- Precisava te distrair para colocar o seu braço no lugar. O osso estava deslocado, sabia? Se te avisasse seria bem pior, provavelmente você ficaria com medo e não me deixaria tocar no braço machucado.

- ¬¬ Malvado, é isso que você é mestre.

- Não precisa me agradecer. "Raiva é melhor do que choro", ele pensou consigo mesmo. – Vamos comer logo antes que toda a comida que as servas fizeram esfrie.

- Quem sabe podia me liberar para comer carne hoje, heim mestre?

- Nada disso, carne não entra nesta casa enquanto eu a defender. Leia-se: dieta vegetariana... – e foram os dois para a cozinha.

Enquanto comiam, Shaka foi vendo a tristeza voltar para o semblante de Jim. Vazio pós luta... Ele sabia bem o que era aquilo. Ele mesmo já havia lutado muitas batalhas e visto inúmeros cavaleiros serem acometidos por aquele sentimento perturbador. Muitos o procuravam depois das lutas querendo ajuda para lidar com aquilo. O santuário o via como a reencarnação de Buda na Terra, um homem santo e de rara sabedoria, apto a aconselhar sobre diversos assuntos. Ele nunca recusou essa alcunha. Sabia perfeitamente seu papel para com a humanidade e seus seguidores. Quanto a ser um homem santo? Ultimamente andava se questionando muito sobre isso...

No entanto, detestava terrivelmente ver sua interna naquele estado. Gostava de sentir a alegria de Jim, de escutar sua risada pela casa. Saber que algo perturbava o coração dela a ponto de deixá-la triste incomodava muito Shaka. Faria qualquer coisa para vê-la sorrir de novo e para afastar aquelas tendências suicidas da cabeça dela:

- Melhor descansar depois de comer. Vá tirar um cochilo, vai ver que quando acordar se sentirá muito melhor.

- É, tem razão mestre.

- Achou tão ruim assim lutar?

- Não, muito pelo contrário. Eu me senti muito bem. Acho que gosto de lutar mestre. Me senti viva, sabe.

- Você nasceu para ser uma guerreira. Tem força e inteligência para isso.

- *.* nunca me elogiou desse jeito mestre.

- Eu sempre soube da sua capacidade, Jim. Hoje você conseguiu impressionar o santuário inteiro. Todos nós lutamos por um único propósito: proteger a humanidade representada pela nossa deusa. Pense nisso sempre que estiver lutando, assim não sentirá esse vazio quando a luta acabar.

- Eu vou fazer isso mestre e obrigada por toda confiança depositada em mim. – disse e sorrio finalmente. As palavras do mestre soaram como música para os ouvidos de Jim. Era bom saber que Shaka nunca deixou de acreditar nela, mesmo no início quando ela não demonstrava a menor aptidão para controlar telecinese.

Depois de comer, foi aproveitar a folga dada pelo mestre tirando um bom cochilo, conforme ele mesmo sugerira. Estava exausta, e ainda queria acordar em forma para ir comemorar na balada. Acordou no fim da tarde com o as ligações de Lucy dizendo que Afrodite já tinha comprado os ingressos para todo mundo. Estava quase tudo arranjado, mas faltava o mais complicado: convencer Shaka a ir aquela balada. Tirar aquele teimoso, carrancudo e anti-social de casa parecia tarefa impossível. Contudo, ela sabia exatamente o que fazer. Saiu do quarto com o celular na mão ainda com cara de sono e encontrou o mestre sentado nas almofadas meditando:

- Dormiu bem?

- Umhum. – respondeu deitando-se de frente para o mestre.

- Agora que está se sentindo melhor, podia dar continuidade ao treinamento meditando junto comigo, o que acha?

- É. Acho que vou fazer isso mesmo.

- Vai? – disse Shaka pouco convencido. "Assim, sem discussão? Sem, mas mestre isso, mas mestre aquilo? Aí tem Buda".

- Vou. Não pretendo contrariar o senhor insistindo com a promessa de ir à balada. Se não quer ir, eu não posso obrigá-lo, tão pouco posso obrigá-lo a me deixar ir... – disse com ar desolado. – E também, se o mestre não quer cumprir com a sua palavra, eu também posso descumprir a minha de vez em quando.

- Do que está falando Jim? – disse Shaka já desconfiado do rumo daquela conversa.

- Sobre aquela promessa que eu fiz de nunca mais beber. Talvez amanhã eu a descumpra.

- Não pode fazer isso.

- Posso, até por que não pode exigir de mim aquilo que não é capaz de fazer.

- Está deturpando os fatos, Jim...

- Não vejo desta forma. Então o que vale para mim não vale para o senhor, mestre?

- Sou seu superior...

- Por isso mesmo tem que dar o exemplo. – e olhou para ele com olhos inquiridores.

Naquele momento, Shaka sentiu o peso do olhar de Jim e não gostou nada. Nunca ninguém conseguia contra-argumentar com ele, só ela tinha essa capacidade de deixá-lo sem palavras com aquela lógica sagaz. Aquela garota era implacável às vezes quando queria algo. Em outras palavras, estava na típica situação: se correr o bicho pega se ficar o bicho come.

- Certo, eu irei. – disse vencido.

- Sério?

- Fiz uma promessa e vou cumpri-la.

- Ebaaa \o/, vou ligar para a Lucy e para o Mu para combinar tudo! – levantou-se feliz da vida. "Operação convencer Shaka a ir à balada através de chantagem realizada com sucesso!".

- Mas, não quero que ponha uma gota de álcool na boca, entendeu? – determinou Shaka firme. Já teve sua experiência com Jim bêbada e não queria repetir tão cedo.

- Entendido senhor! – disse Jim batendo continência.

Tratou de sair correndo da frente dele antes que ele mudasse de ideia. Acertou tudo com Lucy pelo celular e começou a se arrumar. Colocou um vestido preto sem mangas com detalhes em renda no decote. O vestido era levemente godê com a costura logo abaixo dos seios, sem apertar. Era curto, mas nada vulgar. Nos pés, optou por botas de salto alto na mesma cor do vestido. Desta vez, colocou bastante maquiagem para disfarçar as marcas da luta. Mesmo com todo o cuidado do mestre ainda sobrou um leve vermelhinho no nariz e um corte no supercílio. Fora isso, os outros machucados estavam devidamente escondidos pela roupa, salvo as ataduras brancas no braço machucado. Só que estas, Jim se orgulhava de exibir. Estava usando ataduras nos braços como os cavaleiros de ouro usavam para treinar. Sempre achou sexy aqueles braços musculosos envoltos naquelas ataduras de treinos. O seu braço estava longe de ser musculoso, mas a atadura representava que ela havia lutado como uma verdadeira amazona. Ornou os olhos com uma sombra azulada brilhante e carregou na mascara de cílios para realçar ainda mais os seus olhos castanhos. Os lábios pequenos e carnudos foram realçados por um batom vermelho escuro com efeito volume, indicados pelo próprio Afrodite de Peixes. Dividiu os cabelos no meio por que a franja aquela altura já havia crescido muito e cobria os seus olhos. Antes de sair do quarto espirrou seu perfume frutal em lugares estratégicos no corpo e se armou com um sorriso a procura de seu mestre pela casa.

Desanimou quando não o encontrou a sua espera. Contudo sabia aonde o indiano loiro tinha se escondido:

- Mestre, já to pronta. Vai demorar ai? – perguntou batendo na porta do quarto do mestre. Disposta a por abaixo se caso ouvisse que ele não ia mais.

- Vá na frente e me espere na casa de Áries. Eu vou descer em cinco minutos.

Foi tudo o que o mestre disse. Ela acatou, afinal sabia que Mu já estava esperando por eles. Se Shaka não descesse, subiriam Mu e ela para arrastá-lo se fosse preciso. Mas que ele ia naquela balada, ah ele ia.

~x~

Quando chegou a casa de Áries, Mu já tinha deixado Kiki com Aldebaram em Touro e esperava pelos baladeiros em casa. Jim não deixou de notar que Mu estava alinhadíssimo naquela noite. Usava uma calça jeans escura e uma camisa de botões com mangas estilo três-quartos preta, mas perto de tudo isso, nada se comparava ao lindo sorriso simpático que ele deu quando ela chegou:

- Esse carneiro lindo vai pega muita mulher hoje. – enlaçou o pescoço do ariano com um abraço. – E cheiroso desse jeito, não vai ter para ninguém. Milo que se cuide, hehehee.

- Heheheh, boba, linda é você. Cadê o Shaka? Não me diga que desistiu?

- Ta terminando de se arrumar. Ele que se atreva a desistir.

- Só você para conseguir convencer aquele enclausurado a ir a uma balada. Aliás, como foi que fez isso?

- Tenho os meus métodos...

- Sei...

Ficaram conversando alegremente sobre a luta com Gisty. Mu não cabia em si de tão orgulhoso pela vitória de Jim. Assim como Shaka, ele via um futuro promissor como amazona para ela. Dez minutos depois chegaram Afrodite, Lucy e Helena:

- Jiiiiiii! Ai, você ta lindaaaaa com essa maquiagem. Mas bem que poderia ter vestido uma coisinha mais alegrinha do que esse vestido preto, e também escondido essa atadura horrorosa, né? – disse Lucy entortando a boca para o braço quase completamente enfaixado de Jim.

- Não liga para ela Jim. Ela é como o mestre dela, só dá valor a beleza. – disse Helena em resposta a patricinha.

- Não é isso, loirona. Eu e o meu mestre lindo-perfeito-maravilhoso Afrodite acreditamos que uma amazona de Atena ou cavaleiro tem que ser tão forte quanto belo. Não é porque lutamos contra inimigos maléficos que devemos ser mal encarados e feios.

- Não adianta discutir sobre beleza com essa aí, Helena. Ta parecendo irmã gêmea do Afrodite hoje.

E de fato, a semelhança entre Afrodite e Lucy era espantosa. Tinham o mesmo tom de pele, mesmos olhos azuis brilhantes e divinos, até a pintinha embaixo do olho Lucy tinha em comum com o mestre! A única diferença era na cor dos cabelos: Lucy tinha os cabelos rosados como algodão doce e Afrodite exibia madeixas azul piscina. No mais, textura e corte eram iguais nos fios capilares, sem falar nos gostos, personalidade, jeitinho afetado de falar e delicadeza nos gestos. Por isso que tinham tanta afinidade. Pare aquela ocasião os dois estavam vestidos no mesmo tom. Lucy usava um vestido tubinho cinza de mangas bufantes com leve brilho. O decote generoso e o comprimento bem acima do joelho lhe davam muita sensualidade. As pernas torneadas foram valorizadas com uma sandália de salto alto preta. A gargantilha tipo coleira preta brilhante evidenciava seu estilo sexy, já no rosto, Lucy optou por uma maquiagem leve, em tons claros que combinava muito com seu rosto delicado e a cor de seus cabelos. Já Afrodite não usava tanto brilho no corpo. Não precisava, sua beleza estonteante já era o suficiente para deixá-lo elegante para qualquer ocasião. Vestia uma camisa de botões xadrez cinza com uma calça escura na cor azul. Os sapatos de bico fino pretos aveludados completavam seu visual discreto e fino.

- Ainda não me conformei que você não vai, Heleninha. – disse Lucy fazendo biquinho.

- Pois é meninas, mas na próxima eu irei com certeza.

- Nós estamos indo comemorar a vitória da Jim. Até o Shaka vai e você vai perder?

- Infelizmente sim... E por falar em Shaka, eu até agora não to acreditando que ele vai numa balada.

- Confesso que também custo a acreditar... – disse Lucy arregalando os olhos. – Ele parece tão antisocial... Ele vem mesmo Ji?

- Vem, ele prometeu... – desviou o olhar para que as amigas não desconfiassem do método escuso que ela usou para convencer a reencarnação de Buda.

- Pode-se saber o motivo de você não vir com agente Helena? – perguntou Lucy.

- Bom, é que hoje tem FlaxFlu e o mestre Aldebaram acabou de chegar de uma missão, e nós vamos assistir ao jogo juntos, sabe... – tentou responde Helena com um ar tímido e as bochechas levemente coradas.

- Vai troca uma balada cheia de gatinhos e a companhia das suas amigas por um bando jogadores feios correndo atrás de uma bola? AFFE!

- Deixa ela, Lu. Apesar de eu não gostar de futebol, eu te entendo Helena. Eu sei o quanto é difícil ficar longe do nosso mestre. Se você ficasse longe do Afrodite ia saber o que a Helena ta sentindo, dona Lucy.

- Aiii Ji, nem me fale. Se Atena der uma missão para o meu Afrodite eu sou capaz de morre, sozinha naquela casa de saudade... Só ele que me salva das torturas daquela Cobra da Shina todo dia. – e lançou um olhar amoroso para Afrodite que conversava com Mu perto da porta. O sueco retribuiu o olhar da discípula com um beijo soprado.

A relação dos dois era de dar inveja. Afrodite fazia todo tipo de mimo para Lucy quando ela voltava dos treinos. Tudo para tornar esse primeiro ano de internato mais agradável. Ele tinha consciência de que os treinos com Shina não eram nada fáceis, e amava muito Lucy para permitir que ela ficasse triste por qualquer motivo.

- Vocês pegam muito no pé da mestra Shina. Ela não é tão malvada quanto parece. Ela é severa, mas cruel nunca...

- Não é cruel? Ela quase mata a Jim um dia destes com um treinamento totalmente louco e assassino...

No meio da exaltação de Lucy, Jim desvia sua atenção para dois cavaleiros de desciam as escadas. No momento que avistou os dois seu coração disparou, as pernas ficaram bambas, o estômago gelou ao mesmo tempo que ela tentou falar, mas sua boca não emitia som algum:

- Jim? O que aconteceu? Você ficou pálida de repente... – perguntou preocupada Helena segurando a mão trêmula de Jim no ar.

- Olha aquilo... – disse sem tirar a expressão de assombro maravilhado do rosto.

As três olharam para a escada onde os causadores do espanto de Jim desciam, os causadores não, o causador.

- Não me diga que aquele é o Shaka? Ta muito... Meu deus... – disse Helena de queixo caído.

- Deus não, mais próximo de Deus... Mother of God... Ta um arraso... – disse Lucy começando a se abanar freneticamente sem saber se olhava para Shaka ou Mascara da Morte.

Por sua vez, Jim começou a tossir descontroladamente com aquela visão dos deuses que era o seu mestre todo arrumado. Helena, se refez do susto para ajudar Jim a se desentalar abanando sua face corada e batendo nas costas da amiga. Mascara da Morte e Shaka terminaram de descer as escadas sorrindo, Shaka jogava os cabelos loiros para o lado conversando com o italiano, parecia tão animado... O espanto não foi exclusividade dela não, todos na casa de Áries tiveram seus queixos caídos momentaneamente com aquela entrada. Jim levanta o rosto ainda sem cor e vê seu mestre se aproximando, indo na direção dela ainda sorrindo. Ela queria morrer, por isso baixou a cabeça procurando um poço para se atirar:

- Jim, o que aconteceu? Não está se sentindo bem? Acaso estou tão feio assim a ponto de não conseguir olhar para mim?

- To-oo t-to-o, to bem sim... Feio? Disse feio? Não, nãoooo imagineee! Muito pelo contrário, hehehehe, eu quero dizer... aiii, não está nada mal... – disse numa tentativa frustrada de formular uma frase diante de tanta beleza na sua frente.

- Ela está bem Shaka, não se preocupe. Só um pouquinho chocada em ver o mestre todo enfeitadinho, não é fofinha? – socorreu Afrodite segurando nos ombros de Jim.

- Até que em fim chegaram. Estava-mos quase subindo para te buscar Shaka, disse Mu.

- Mil perdões por fazer vocês esperarem. O Mascara me pediu que o ajudasse a se arrumar por isso não vim antes.

- É, eu estava um pouco indeciso em qual camisa usar e o Buda aqui me deu uma luz. – diz Mascara da Morte secando Lucy de cima a baixo. – Lucy, amore mio, estás a coisa mais linda que já vi em toda minha vida... – e deu um beijo sensual na mão de Lucy que imediatamente corou como uma cereja.

- Shaka, por que raios você trouxe esse ai, heim? Podia ter deixado esse carcamano na toca dele. – disse Afrodite muito irritado.

- Ma por que ainda ta bravo comigo, Frô? Quê que eu fiz desta vez, caspita!

- Melhor eu dizer o que você não fez, não é Carlo...

- Ahhhh, vai começa com isso de novo cazzo! Eujá disse que Carlo é tua nona, e não adianta faze esse bico boiolado para cima de mim não ta...

Durante a discussão Shaka e Mu se olharam de novo, pensando no que o Mascara da Morte não tinha feito para deixar Afrodite tão irritado. Era notório que aqueles dois vez ou outra se estranhavam, mas nunca sem motivo aparente.

- Não vou mais discutir sobre isso com você, Afrodite. Vamos Lucy amore mio, vamos embora para longe desse fresco chato. – e tentou levar Lucy pela cintura mais foi impedido por Afrodite.

- Epaaaa, pode ir tirando as mãos dela seu carcamano abusado.

Mascara da Morte já mostrava os dentes para Afrodite quando Mu interveio:

- Querem parar de brigar? Depois reclamam quando dizem que vocês dois são um casal, não param de brigar como marido e mulher.

Diante do comentário do ariano os dois se olharam com nojo e deram as costas um para o outro ao mesmo tempo. Afrodite se refez do ódio e se voltou para Lucy com voz firme:

- Minha lindinha, quero que mantenha uma distância segura desse carcamano essa noite.

- Ta mestre... – e fez uma cara de espanto vendo que Shaka estava de olhos abertos. Rapidamente ela foi para perto de Jim comentar sobre aquela novidade:

- Agora entendi por que você ta tão chocada Jim, ele ta de olhos abertos! Nossa, nunca pensei que fosse viver para ver isso. Eu pensei que quando ele abrisse os olhos o mundo todo explodiria... – disse baixinho para Jim vendo que a discussão tinha dado lugar a brincadeiras graças a providencial interferência de Mu.

- Ahhh, isso é mito Lu. Meu mestre abre os olhos de vez em quando, e é inofensivo, vai por mim.

- Mesmo assim Jim, não deixa de ser chocante... – disse Helena entre as duas.

As três ficaram ainda fofocando entre elas. Contudo, Jim não conseguia tirar os olhos de cima de seu mestre, cada parte dele vestido naquela roupa informal tão simples e bonita. Alias, só alguém como Shaka ficaria tão lindo usando roupas tão básicas. Diferente dos outros cavaleiros, Shaka não colocou nenhum adorno no corpo, apenas um relógio de pulso. Os cabelos estavam soltos e pareciam até mais brilhantes e lisos naquela noite. Notou também que a franja estava penteada de modo a não cobrir os olhos. Pela primeira vez na vida, Shaka parecia ter intenção de exibir aquelas orbes azuis magníficas para o mundo e não de esconde-las como sempre fazia. A roupa, apesar de simples e sem nenhuma estampa, lhe caia muito bem, dando um charme todo especial ao cavaleiro alto e de porte esguio que ele era. Shaka usava uma camisa de manga dupla azul marinho, sendo que a manga que ia até o pulso era branca e justa nos braços de músculos discretos. A azul escuro da camisa não escondia o peitoral definido de cavaleiro, tendo em vista que a blusa de algodão estava um pouco justa, mas nada que ficasse evidente demais. A calça jeans dava ainda mais descontração ao visual de Shaka. Jim pensou no mesmo instante que vestido daquele jeito ele nem parecia quem era, parecia tão normal. Um jovem comum indo a uma balada comum, salvo pelo comprimento do cabelo loiro exuberante e o corpo... Diga-se de passagem, que corpo! A calça jeans justa poupava usar de imaginação qualquer um que vislumbrasse aquelas coxas tão bem torneadas. É claro que aquela produção mínima, para os olhos dos amigos já era motivo de brincadeiras infinitas. Shaka de Virgem com outra roupa que não fosse o seu traje de monge e indo para uma festa mundana seria o assunto do ano no santuário. Porém, naquela noite, a reencarnação de Buda vestiu a camisa da descontração e até sorria das brincadeiras de Mu e Afrodite sobre sua saída. Um sorriso que iluminava todo o local, a ponto de Jim só enxergar o indiano no meio daquelas pessoas e ninguém mais.

- Meu Zeus, esses cavaleiros hoje estão uma perdição. Olha só o Mu, ta gato demais de preto... – observou Helena.

- Jiii, se prepara, pois o teu mestre vai fazer um estrago na night grega. – comentou Lucy só para provocar.

- Nossa, eu nunca havia reparado que o Shaka era tão bonito... – disse Helena de boca aberta.

- Bonito é pouco... E eu tenho que fica olhando para isso todo dia em casa... – disse Jim suspirando.

- E de costas é ainda melhor... – respondeu Helena ainda de boca aberta inclinando a cabeça.

- Tem razão Heleninha... Que bundinha é essa? ai ai ai... – foi a vez de Lucy inclinar a cabeça para o lado.

- Pequenininha né?... Acho que cabe na minha mão... – disse Jim também inclinando a cabeça do mesmo jeito que as amigas. Antes de começar a babar no bumbum de bailarino do mestre, Jim se dá conta que não apenas ela está olhando para aquela parte mimosa de Shaka e fica irada. – òó O que as duas taradas estão pensando, heim? Podem ir tirando os olhares famintos de cima do meu mestre! Se não eu mando as duas para a China por teletransporte! Onde já se viu, oraaaasss!

- Aiii, Ji, desculpa. Foi involuntário.

- Sabe o que é isso Lucy? Ciúmeeeee. – disse Helena provocante.

- He he he ¬¬ as duas estão muito saidinhas pro meu gosto. – disse Jim na frente das duas de braços cruzados.

Depois de muito brincar com Shaka, Afrodite segura o rosto desesperado e quase grita:

- Gente, olha só a hora! Estamos atrasados para a nossa balada e primeira do Shakito.

- Sim, vamos acabar logo com isso. – disse Shaka já impaciente.

- Vamos meninas, antes que o iluminado aqui mude de ideia. – chamou Mu.

- Caracaaa, ta quase na hora do clássico começar! Vou indo meninas, boa balada para todos vocês! – se despediu Helena.

- Tchau Heleninha, e na próxima você vai com a gente e não tem desculpa.

- Vou sim Lucy! – soprou beijos para as duas e foi correndo em direção a Casa de Touro.

Jim e Lucy se juntaram aos cavaleiros que já estavam quase fora da Casa de Áries. De repente Afrodite ficou para trás como se tivesse acabado de lembrar de uma coisa importante:

- Para tudo! Temos que esperar os outros, eles disseram que viriam também.

- Nem pensar Afrodite. É como você disse antes, já estamos atrasados para esperar mais. – disse Shaka tentando disfarçar, mas no fundo ele não tinha a menor vontade de aturar Milo pulando em cima de Jim gritando pudinzinhooooo.

- Vem logo Frô. Eles já devem estar nos esperando lá, relaxa. – disse Mascara da Morte aproveitando para passar um braço pelos ombros de Lucy no que ela aceitou muito sorridente.

Chegaram à trilha que dava acesso ao portal dimensional conversando alegremente. Jim não conseguia desviar os olhos de seu mestre, que nem parecia a mesma pessoa com aquela roupa casual e participando das brincadeiras de Mu e Mascara da Morte. E virginiano parecia estar de ótimo humor, totalmente oposto do que ela esperava, já que só estava indo aquela balada para não quebrar uma promessa e não por vontade própria. É claro que Shaka percebeu todos os olhares em cima dele, mas só um entre os presentes interessava: o de Jim. Ele esperou os amigos se distraírem no meio da conversa sobre perfumes de Afrodite para se chegar na morena. Vendo a aproximação do mestre. Jim não consegue esconder seu nervosismo na forma de bochechas coradas:

- Você está muito bonita.

- Por causa do meu cheiro de novo, mestre?

- Do cheiro e de todo resto. – e olhou para a atadura que ele mesmo fez no braço dela. – Por que não escondeu estas faixas? – perguntou curioso.

- Não podia fazer isso, elas são a prova de que eu venci minha primeira luta. Me sinto orgulhosa em carrega-las. O senhor não gosta mestre? Também acha que elas me enfeiam essa noite?

- De jeito nenhum. Nada nesse mundo poderia te deixar feia, Jim.

- Hehehhe, - apenas riu sentindo seu rosto esquentar mais trinta graus. – O senhor também está muito bem mestre. Podia se vestir assim mais vezes.

- É mesmo? A julgar pela cara que você fez quando eu entrei, pensei que tinha reprovado meu visual.

- Longe de mim reprovar, mestre. Apenas fiquei chocada... Quero dizer, um pouco surpresa de ver o senhor tão diferente. Nem parece ser quem é, parece um de nós... – e olhou para o rosto de Shaka encontrando os olhos azuis pousados nos dela.

- Falando desse jeito mais parece que me julga um ser de outro planeta... – sustentou o olhar nos olhos castanhos de Jim.

- Ainda bem que não é. – o nervosismo aumentou e ela não conseguiu sustentar mais o olhar, baixou a cabeça e segurou as mãos na frente do corpo.

Antes de passar pelo portal Mu segurou o braço de Shaka:

- Preciso falar uma coisa com você.

- Sobre?

- Sobre o seu ciúme. Quero que me prometa que vai se controlar essa noite.

- Já conversamos sobre isso. Não há o que se preocupar.

- Será mesmo? Parece que esqueceu para onde estamos indo. Já reparou que a Jim está linda, e nós estamos indo para uma balada cheia de rapazes da idade dela que com certeza vão dar em cima dela? Portanto, resta saber se você vai aturar tudo isso sem dar um de seus ataques.

Depois daquelas palavras, Shaka parou e avaliou. Seria uma tarefa das mais complicadas, mas necessária. Depois da conversa que teve com Mu na noite que fizeram as pazes, percebeu os erros da sua conduta. No entanto, tinha aceitado ir aquela balada, não tinha? Seria um bom momento para mostrar o quanto tinha mudado.

- Pode ficar tranquilo Mu. Nunca mais vou bancar o mestre ciumento. – disse o que Mu queria ouvir, mas por dentro sabia que estava ali para ficar de olho na sua discípula. Jamais permitiria que ela saísse sozinha para uma balada cheia de bebidas alcoólicas e caçadores. Em todo caso, suas maiores ameaças, Camus e Milo, não estariam por perto, o que lhe dava certo alivio.

- É bom saber disto Shaka. Espero mesmo que você não estrague a noite da Jim. Sinto que essa balada vai estar mais lotada do que imagina...

Depois da conversa, os retardatários passaram pelo portal dimensional rumo a balada de Atenas.

~x~

Não chegaram a caminhar muito pelas badaladas ruas de Atenas, já que Afrodite tratou logo de ligar para a locadora de carros que tinha contratado. Queria causar sempre a melhor impressão possível por onde passava, por isso pagou por uma limusine com chofer para circular pela noite grega e ir às baladas escolhidas, leia-se: a melhor. Afrodite de Peixes não pisava em qualquer ambiente, tão pouco levaria seus amigos para uma baladinha de quinta, cheia de pessoas horrorosas. Depois de dar uma breve circulada, pararam em frente a um prédio luxuoso que abrigava uma das boates mais chics e caras de todo mediterrâneo.

O clima era de pura descontração quando os cavaleiros e suas acompanhantes desceram. Shaka estava mentalizando todos os mantras conhecidos para não perder a paciência com Afrodite que tirava fotos com o seu smarthphone a cada segundo:

- Já chega de fotografias Afrodite. – disse Shaka emburrado depois de levar mais um flash na cara.

- Aiiiinn Budinhaaaa, você nunca sai de casa e ainda não quer deixar registrado? Sorria gato! – mais um flash.

- Guarda essa coisa Frô, ta parecendo um mini Relâmpago de Plasma do Aioria. – reclamou Mascara da Morte.

- Nossa, quanta gente! Nunca vamos sair dessa fila. – disse Mu observando o aglomerado de gente na porta da boate.

- Não se preocupe carneirinho, para isso eu arranjei credenciais vips para todo mundo. Fila é para os feios e fracos ;).

Assim que os cavaleiros entraram na boate arrebataram todos os olhares. Eram tantos olhos em cima deles que Jim se sentiu incomodada. Até quando eles sentaram em uma mesa numa área mais discreta da casa causou frisson, já que muitos e muitas comiam os cavaleiros com os olhos quando passavam. Depois de tomar as bebidas trazidas pelo garçom, Lucy e Afrodite arrastam Jim para a pista de dança. Elas também ganhavam muitos olhares de cobiça. Principalmente Lucy com seu cabelo exótico vestida num estilo muito sexy. Os três se meteram no meio da pequena multidão que dançava as musicas da Kate Perry e mais uma vez, chamaram muita atenção. Afrodite era o mais desavergonhado de todos. Fez as duas seu par de dança, rebolando sensualmente entre elas, ora atrás de Lucy, ora atrás de Jim. O sueco fazia o que queria com suas dançarinas, até distribuía carícias despudoradas. Quem via não sabia se ele estava se mostrando ou seduzindo, tamanha era a sensualidade da dança. Quando Smarty da Lana Del Rey começou a tocar ele puxou Lucy colando o seu corpo no dela. A interna não se fez de rogada e começou a subir e descer no ritmo sexy da música, esfregando seu corpo no do mestre. Aproveitando o embalo, Afrodite puxou Jim com a outra mão fazendo o corpo da morena se grudar nas suas costas. O movimento ritmado do bumbum de Afrodite fez logo o corpo de Jim esquentar. Ela até ficou constrangida no começo por dançar tão próxima do mestre da amiga, mas a dança aliada aos sorrisos safados do sueco, tiraram a vergonha da brasileira por completo. Passou a rebolar no mesmo ritmo do pisciano, sentindo o inebriante cheiro de rosas dos cabelos de Afrodite. Jim parecia hipnotizada, testou roçar sua mão no abdômen sarado do cavaleiro de Peixes, ele inclinou a cabeça no corpo de Jim, segurando o pescoço dela... Quando o refrão terminou quase se beijaram.

Na mesa, Mu observava o trio dançar de queixo caído. Já Mascara da Morte mordia os lábios morrendo de vontade de entrar no meio daquela dança quente. Shaka parecia alheio, apenas tomava seu refrigerante quando viu Mu ficar vermelho e sem cor ao mesmo tempo:

- Ta passando mal, Mu?

- Veja com seus próprios olhos Shaka... – disse o ariano indicando os dançarinos com o olhar.

- Ahhh, com o Afrodite pode. Peixes não oferece perigo. – e tomou mais um gole de refrigerante.

- Se você diz... – disse Mu ainda de queixo caído. Por sua vez, Mascara só deu uma risadinha safada.

O quase beijo deixou Jim muito confusa, sempre achou que Afrodite fosse gay, e agora ele queria beija-la? Baixou a cabeça e viu Lucy acariciando as coxas do mestre também parecendo hipnotizada. Antes que a música acabasse e a confusão se estabelecesse soberana na mente de Jim, Afrodite se virou e passou abraçar Jim por trás rebolando ainda mais eroticamente. Ela foi até o céu com aquele movimento, mas ainda estava incrédula, parecia que Afrodite estava... Encoxando ela? Tinha que tirar a prova dos nove: continuou dançando num ritmo mais lento para ver o que acontecia. A cada esfregada de Afrodite ela sentia um enorme volume pressionando seu bumbum. Nunca poderia imaginar que aquele homem tão delicado fosse bem dotado, mas parecia que era.

Quando a música terminou Afrodite saiu do meio das meninas com o mesmo sorriso safado. As suas internas estavam completamente suadas, amarrotas e acabadas, mas ele ainda estava belo e impecável. Beijou os rostos das duas e foi pegar mais bebidas. Lucy logo fez biquinho de descontente pedindo para ele voltar logo.

- Me explica o que foi aquilo, Lu? – perguntou Jim se abanando.

- Não falei que o meu mestre era perfeito?

- Nossa... – disse segurando os cabelos e abanando a nuca suada.

As duas se refizeram da dança e tomaram a bebida gelada que Afrodite trouxe. Lucy ainda tentou fazer o mestre dançar outra música, mas desta vez ele recusou com o sorriso carinhoso dizendo que tinha uma reencarnação de Buda para zoar. As duas voltaram a dançar sozinhas e conversar ao mesmo tempo:

- Ta vestida para matar o Mascara da Morte é Lu?

- Para matar o mundo todo, minha cara. – disse Lucy girando e piscando faceiramente.

- Já ta assim é? O que foi feito do Ikki?

- Aiii Ji, o Ikki foi maravilhoso naquele dia, mas "já passou". – respondeu fazendo uma carinha triste.

- "Já passou" ou você descobriu que ama o Mascara?

- Que nada! Eu amar um troglodita daqueles? Zeus me livre! – e fez uma careta olhando para Mascara da Morte que gargalhava da cara de novo que Shaka fez quando tomou um drink não alcoólico oferecido por Afrodite.

- Se não ama, então por que não deu certo com o Ikki?

- Não sei Ji, dizem que ele é super ausente, vive sumindo pelo mundo, um horror. Eu percebi que não queria alguém assim perto de mim. Mesmo ele sendo um gato de arrasar quarteirão. E tem uma pegada amiga, você nem sabe... – terminou de dizer se abanando.

- Mas ele te ligou depois do encontro? Vocês mantiveram contato?

- Não. Ele sumiu e eu pouco me importei. Não sou esse tipo de garota carente que espera sentada uma ligação do carinha que ficou na noite anterior. Agente se divertiu juntos, foi legal, mas eu sou uma interna do primeiro ano. Talvez não seja apropriado eu me envolver emocionalmente com um cavaleiro de Bronze, ainda mais um como o Ikki que não para em lugar nenhum. Provavelmente ele ia me deixaria esperando a vida toda por notícias. E isso não é vida amiga!

- Sei... E com um cavaleiro de ouro que mora pertinho de você. – e apontou discretamente para Mascara da Morte.

- Aiiii Ji, se ele não fosse tão bruto... – e mordeu os lábios olhando para Mascara que percebeu o olhar de cobiça da jovem e devolveu com uma piscadinha sexy.

- Hahahahahah, isso ainda vai dar em casamento.

- Ta louca Jim? Zeus me livre! – e corou muito.

Enquanto isso a mesa dos cavaleiros recebe Shura de Capricórnio, Milo de Escorpião e Camus de Aquário:

- SantaAtena! És tu Shaka ou és una ilusión? – disse Shura fazendo cara de espantado olhando para Shaka.

- Pode crer Shura, você está diante da reencarnação de Buda que atende pelo nome de Shaka de Virgem e numa balada! Só pode ser um sinal do fim dos tempos – disse Milo muito sorridente para os amigos.

Diante da chegada daqueles cavaleiros regada a comentários sem noção, Shaka voltou imediatamente a sua postura séria. Principalmente depois da chegada de Camus. Não gostou nada do olhar que o aquariano dirigiu para sua interna que dançava um pouco distante com Lucy.

- Estou achando que tem muito cavaleiro fora de seu posto. Quem além de Aldebaram ficou no santuário para tomar conta das doze casas? – perguntou Shaka.

- Ficaram Aldebaram, Saga, Shion, Aioros e Aioria. Leão só não veio por que a Marim pegou uma virose e ele está cuidando dela nesse momento. O restante está fora de seu posto assim como você. – disse Camus se sentando ao lado de Afrodite.

- E ai Buda loiro, se divertindo? – perguntou Milo.

- Não está de todo mal. É bem verdade que eu preferiria estar em meu templo meditando, mas prometi a Jim que a levaria para comemorar sua primeira vitória numa luta e aqui estou. Faço tudo pela minha discípula.

- Jim lutou muito bem. Dá para ver que está muito bem treinada. Eu logo percebi que Gisty não seria páreo para ela.

- De fato Camus, ela vai longe com o meu treinamento... – respondeu Shaka secamente enquanto bebia outro gole do drink não alcoólico sem tirar os olhos de Camus depois de vê-lo acenar com simpatia para Jim no meio da multidão.

Shura e Milo torraram a paciência de Shaka tentando faze-lo beber alguma coisa mais forte, mas este permaneceu irredutível. Afrodite estava a postos com sua câmera querendo muito flagrar o momento exato em que o budista bebesse nem que fosse um gole de cerveja, mas Shaka não estava disposto a colaborar de jeito nenhum. Mascara da Morte era outro que não tirava os olhos de cima das meninas dançando, precisamente em cima de Lucy. Aproveitou o momento de distração de Afrodite e tratou de inventar uma boa desculpa para se chegar na sua interna preferida chamando Mu para pegar mais bebidas para todo mundo.

Na pista, as duas amigas dançavam uma de frente para a outra jogando os cabelos para o lado no ritmo da música alta. Não demorou muito para começar a chamar atenção dos ricaços que frequentavam aquela balada recebendo olhares de todos os lados. Porém, as duas não davam a menor bola para aqueles almofadinhas. Principalmente Jim que não tirava os olhos da mesa onde estava seu mestre, foi ai que viu algo que a fez perder completamente o rebolado. Várias mulheres bonitas passavam pela mesa lançando olhares de interesse para os cavaleiros. Mas o que irritou Jim para valer foi ver que um amontoado de lindas mulheres paquerando seus amigos sentadas numa mesa próxima. Pelo menos umas três comiam Shaka com os olhos depois de mandarem uma garrafa de champagne diretamente para o loiro pelo garçom.

- Não acredito no que eu to vendo? Mas será o Benedito! – disse Jim muito enfurecida parando de dançar imediatamente.

- O que foi Jim? Não ta gostando da música?

- Não to gostando é da quantidade de piriguete que tem nessa boate ¬¬

Lucy olhou para a mesa dos cavaleiros e rio da algazarra que todos faziam diante do presente recebido por Shaka.

- Eu te avisei. E você não me diga que vai banca a discípula ciumenta agora? – perguntou Lucy com a mão na cintura. - Vem, vamos continuar dançando... – e puxou Jim para outro ponto da pista de dança. Mas não adiantou muita coisa, ela continuava mais interessada na mesa onde estava seu mestre do que na música.

A cena seguinte fez o sangue de Jim ferver: uma das três que secavam seu mestre levantou da mesa e caminhou em direção aos cavaleiros de ouro. Ela era muito bonita, morena, corpo escultural e muito sexy. Todos os cavaleiros olham para a moça de cima a baixo, menos Afrodite que se dobrava de rir da cara de vergonha de Shaka.

A moça para na frente das mesa e passa a conversar com os cavaleiros mais interessada em Shaka, diga-se de passagem. De onde Jim estava não conseguia ver direito, mas percebeu que Milo respondia pelo seu mestre que permanecia como se estivesse o congelado na cadeira. A moça se afasta do grupo com cara de desapontada e volta a se sentar na mesa com as amigas.

- Vou manda essa filha da mãe para a Austrália via teletransporte para aprender a não assediar o mestre alheio.- disse Jim subindo as mangas imaginárias do vestido.

- Por Atena Jim, controle-se. Ta todo mundo olhando para a agente... – sussurrou Lucy no ouvido de Jim tentando faze-la se acalmar, mas era inútil. Jim já soltava fogo pelas ventas e ouvidos por que outra mulher bonita ia na direção do seu mestre. Desta vez uma ruiva de cabelos cacheados.

- Mas heim? Essa piriguete vai encontra a morte hoje... – e avançou furiosa em direção a mesa, mas foi detida por Lucy.

- Ji, Jii, Jiii, Jiiiimmmm, olha o vexame criaturaaa! – Lucy já tava desesperada segurando o braço de Jim temendo ver uma bola de energia ser disparada na direção da ruiva.

- Calma Lu, eu só vou dar uma liçãozinha naquela desenxabida. Não se preocupe ninguém vai perceber.

Jim se soltou de Lucy e caminhou alguns passos. Esperou um garçom passar perto de seu alvo e com um movimento de seu dedo usou sua telecinese para fazer uma bandeja de bebidas virar toda em cima da moça antes que ela chegasse a mesa onde estava o seu mestre. A ruiva deu um grito e logo depois um ataque se vendo toda suja de bebidas vermelhas. Jim riu muito quando a viu correr em direção ao banheiro desesperada. Os cavaleiros ficaram sem entender nada diante da cena, mas logo voltaram a fazer festa vendo Jim se aproximar. Milo foi o primeiro a receber a jovem:

- Que carinha de brava é essa pudinzinho?

- Não é nada Milo. E não começa com essa coisa de pudinzinho que hoje eu não to boa. – disse Jim se sentando entre Milo e Shaka obrigando Milo a se afastar. Assim que sentou ela fuzilou Shaka com olhar cruzando os braços emburrada.

- Não me diga que não está se divertindo? – perguntou Milo diante do mau humor da brasileira.

- Oh sim, me divertindo muiiito. Assim como vocês aqui, não é mestre? – e fuzilou mais uma vez Shaka com o olhar.

- Eu?

- Hellooooo, ela ta se referindo ao seu presentinho Shakito. – disse Afrodite mostrando a garrafa de champagne.

- E essa é das mais caras, devem estar muy interessadas... – observou Shura analisando a garrafa.

- Ei, do que estão falando? Eu não aceitei presente nenhum. Foram vocês que quiseram ficar com isso. Por que eu ia querer uma coisa que eu não vou beber? Podem ficar para vocês se quiserem, façam bom proveito.

- Será mesmo que não está interessado mestre...

- Ora Jim, sabe que eu não bebo. É contra os princípios da minha religião.

- Umhum... sei ¬¬ Cadê o Mu, heim? – perguntou Jim temendo que ele houvesse sido seduzido por umas das mulheres que continuavam paquerando discaradamente os cavaleiros.

- Foi com o Mascara da Morte pegar mais bebidas e ainda não... Olha ele ai! – respondeu Camus vendo que Mu acabara de chegar com muitas garrafinhas de smirnoff ice.

- E o carcamano?

- Não sei Afrodite. Ele estava logo atrás de mim, de repente sumiu... – respondeu Mu se sentando perto de Shura.

- Perai, se o Mascara não voltou com você e a Jim está aqui, significa que a Lucy está sozinha por ai... ah, mais se aquele caranguejo pensa que eu vou deixar ele encosta na minha interna depois do que ele fez, ta muito enganado. – e Afrodite se levantou quase pulando a procura de Lucy.

Depois do que ele fez? Mais uma vez, as anteninhas de vinil de Shaka e Mu apitaram. Eles ficaram observando Afrodite se afastar em direção a pista e logo depois sumir entre os dançarinos. Não demorou muito para Afrodite avistar Lucy dançando com um rapaz muito bem afeiçoado. Pareciam muito animados pulando ao som de Movie Like JaggerdoMaroon 5. Aquilo o fez respirar aliviado. Aceitaria qualquer um perto da sua querida Lucy, menos o psicopata do Mascara da Morte. Ao contrário de Shaka, ele não era um mestre ciumento, até por que sabia que sua interna era linda e arrebatava corações por onde passava, assim como ele. Passado o susto, se virou e pensou em voltar para a mesa de seus amigos, mas um moreno alto e musculoso o fez mudar de ideia. Não pensou duas vezes e partiu para o ataque. Vendo o sueco se aproximar o moreno sorriu não antes de dar uma bela secada no cavaleiro de Peixes.

Na mesa, as brincadeiras com Shaka só pioraram depois que Jim se sentou:

- Pudinzinhooouu, docinho do Milo, fica bravinha não. Ta tão linda com esse vestido rendado... – disse Milo secando Jim com um sorriso sedutor.

- Pudinzinho¬¬, que pudinzinho? Eu tenho nome ta lembrado? – disse Jim ainda brava por que mais duas piriguetes haviam se juntado as três que estavam secando o seu mestre na maior cara de pau. Soltavam até beijinho para ele!

- Eu nunca seria capaz de esquecer o seu nome minha bela. O que você acha de seguir o exemplo da sua amiga Lucy e dançar um pouquinho comigo naquela pista de dança? O Shaka deixa...

- Quem disse? ¬¬ - perguntou Shaka com olhos ameaçadores.

- Shaka... – pediu Mu encarando o amigo com olhar de "Shaka você prometeu..."

~x~

Sob o jogo de luz psicodélico, Lucy viu o rosto de seu partner adquirir uma expressão de medo. Era Mascara da Morte que havia se posicionado atrás de Lucy e encarava o jovem grego com olhar de matador paraguaio.

- Mascara, de onde você surgiu? – perguntou a jovem se virando.

- Sai de perto da minha garota seu verme. – ordenou Mascara da Morte num tom seco ameaçador. O rapaz tremeu como vara verde e saiu correndo tal como diabo da cruz.

- O que você ta fazendo?

- Tomando conta do que é meu... – e agarrou Lucy a cintura de Lucy com um braço fazendo uma garrafinha gelada de vodca encostar nas costas dela.

- Aiiii... ta achando que eu sou o que heim, para me tratar dessa maneira? Seu bruto... – e suspirou cheia de tesão sentindo o gelado e o braço forte do Canceriano nas suas costas lhe apertando.

- Isso, me chama de bruto que eu gosto... Minha coisinha delicada... – e deu um chupão demorado no pescoço de Lucy arrancando outro suspiro lascivo.

- Aiiii paraaaa, o mestre Afrodite vai ver... – pediu Lucy empurrando o italiano com a menor força possível.

- Não to nem ai para aquele frutinha... – disse depois tascou um beijo selvagem em Lucy apertando com força o pescoço dela com uma mão e com a outra permaneceu roçando a garrafa gelada nas costas dela. Lucy ficou tão derretida com o contato que esqueceu que estava no meio de uma multidão e gemeu alto espremida naqueles braços fortes que ela tanto gostava. Não conseguia mais negar que desejava aquele italiano de sangue quente. Mascara da Morte ainda deu duas mordidas no beiço da jovem para então sussurrar no ouvido dela aquilo que ela tanto gostava de ouvir:

- Amore mio...

- A-aii-i Mask... – disse com voz sumida sentindo as pernas bambas depois do beijo ardente.

- Reservei um lugarzinho só para nós dois lá em cima. O que me diz amore mio, interessada, hum? – e desceu a mão até o bumbum redondo da jovem apertando-o contra a sua arma já engatilhada.

- Não posso, o mestre vai me procurar... e, aa-aii... é melhor você me soltar seu cafusu. – nem força para empurrar minimamente mais ela tinha, estava perdida olhando para aqueles olhos azuis selvagens do canceriano em cima dela. Sentia um volume enorme colado a sua feminilidade que a fazia entrar em chamas a cada segundo.

- Depois eu me entendo com o Frô. Quanto a você, se disser não mais uma vez, eu te levo calmamente. Mas se disser sim, eu te arrasto pelos cabelos. O que vai ser amore mio, sim ou não?

- Aaa-ii-i... Não... – e sorriu sensualmente para o cavaleiro. No seu íntimo, ela queria dizer sim, sim, sim...

Mascara sorriu de volta e deu um último beijo antes de levá-la pela mão do meio daquelas pessoas, só que desta vez, o beijo foi delicado. Guardaria os beijos selvagens para quando estivessem na intimidade.

~x~

Pouco a pouco a raiva de Jim foi passando. Ainda podia ver as mulheres do outro lado paquerando os cavaleiros, mas como Shaka não correspondeu e lhe deu toda a atenção, resolveu não criar mais caso. Os únicos que estavam gostando daquilo eram Milo e Shura, que até já se comunicavam com elas por sinais. Camus e Mu também ignoravam as moças saidinhas e participavam da conversa de Jim e Shaka. Como nem Lucy, nem Afrodite, nem Mascarada da Morte voltaram, e já tinha se passado mais de meia hora, os amigos começaram a estranhar aquela ausência:

- Por onde será que andam aqueles três? Só espero que Afrodite não esteja batendo boca por ai com o Mascara de novo. – disse Camus depois que olhou para o relógio pela segunda vez.

- Qual será o motivo de tanta discussão heim, Camus? – perguntou Mu jogando verde para descobrir o que Mascara e Afrodite escondiam, se é que escondiam alguma coisa...

- Não faço ideia. Aqueles lá sempre brigaram, mas de uns tempos para cá, pioraram bastante.

- Depois da luta de hoje cedo você quer dizer, não é Camus? – perguntou Shaka querendo saber mais.

- De fato, mas as animosidades andam exaltadas já há algum tempo entre Câncer e Peixes.

- Sei... – disse Shaka no meio de um bocejo.

- Você parece cansaço Shaka. Bem se vê que não está acostumado dormir tarde e a toda essa agitação.

- Não se preocupe comigo Camus. Eu estou ótimo.

- Mais alguém parece que está caindo pelas tabelas, não é Jim? – brincou Mu vendo ela também dar um bocejo.

- Eu to bem, só um pouco cansada. Faz tanto tempo que não saiu. Acho que perdi a resistência.

- Podia ter deixado ela descansar um pouco depois da luta, Shaka.

- Eu deixei Camus ¬¬. Jim dormiu praticamente o dia inteiro depois da luta. Não sou um mestre cruel, se é isto que está pensando.

- Pardon, longe de mim pensar uma coisa destas, Shaka. Mas me diga Jim, como aprendeu aquela técnica de vôo tão interessante?

- Foi graças ao Mu, e ainda não aprendi totalmente, apesar do Mu ter me ensinado muito bem ^^.

- É incrível o que a Jim consegue fazer mesmo recebendo praticamente só teoria. Você é daqueles discípulos que dá gosto de ensinar, aprende muito rápido essa menina ^^. – disse Mu sorrindo satisfeito.

- Sei como vocês se sentem, o Hyoga era desse mesmo jeito. Assim como o Issak. Ambos muito esforçados.

- Habilidades de vôo são inerentes aos guerreiros telecinéticos. Se movimentar pelo espaço livremente se teletransportanto ou voando é quase como andar ou falar para os outros. Mesmo antes de receber as lições, antes da hora, devo salientar, Jim já demonstrava essa habilidade com algum desenvolvimento.

- Gentileza sua dizer "com algum desenvolvimento", já que eu era um desastre. – e se lembrou da vez que quebrou a cama e de quando flutuou de cabeça para baixo na casa de Áries. – Hoje em dia, eu não sou uma coisa que se diga: nossa, como ela levita, mas dá pro gasto.

- Você é tão modesta pudinzinho. – disse Milo com o queixo apoiado na mão depois de prestar atenção em toda a conversa da jovem.

- Si. Mas não deixe de treinar duro depois desta vitória. Daqui para frente a tendência do treinamento é só piorar, assim como as lutas. – disse Shura

- Como assim? – perguntou fazendo cara de assustada.

- Não há motivos para preocupações, minha pequena. Depois desta luta, Shina viu do que você é capaz de fato e vai lhe passar lições mais complexas. Assim como eu também.

- Hummm... Já posso até imaginar mestre. – e se viu sendo torturada na arena por Shina e pelo mestre em casa.

- Onde será que estão aqueles três, heim? – perguntou Mu preocupado.

- Não te preocupa Mu, eles sabem se cuidar. Afrodite conhece a casa, devem estar batendo perna por ai. – disse Shura.

Por incrível que pareça, Jim não estava preocupada com a amiga. Suspeitava que ela estivesse na companhia de Afrodite em algum canto sendo muito paquerados. Só não voltou para a pista de dança para não deixar seu mestre a mercê daquele assedio de novo. Shura terminou seu martini e se levantou para pegar outro, já que se ficasse esperando pelo garçom, esperaria a vida toda. Assim que ele se levantou, uma das mulheres que se insinuavam para os cavaleiros o seguiu arrumando os seus cabelos loiros e puxando o micro vestido que usava. A capricorniano foi andando bem devagar sabendo que estava sendo seguido pela loira que mais tinha lhe agradado naquela mesa.

- Não precisava o Shura se dar ao trabalho de pegar mais birita. Temos uma ótima garrafa de champagne graças ao iluminado aqui, não é Shaka? – disse Milo pegando a garrafa e analisando o rótulo com muita vontade de abri-la.

- É mestre, isso vai ficar ai na mesa a noite toda ou o senhor pretende levar para casa o presentinho? – perguntou Jim ficando de cara fechada imediatamente depois do comentário de Milo.

- Por mim vocês podem tomar tudo se quiserem. Muito me admira você insinuar uma coisa destas Jim, sabendo que no meu templo não entra bebida alcoólica.

- Não vai agradecer o presente, Shaka? Com toda certeza foram uma daquelas três belas mulheres que não param de olhar para você desde que chegamos... – provocou Camus olhando discretamente para as autoras do flerte.

- Não estou com a menor vontade ¬¬.

- Vai fazer essa desfeita com damas tão gentis? – disse Milo entregando a garrafa para Shaka.

- Vou.

- Dê pelo menos um aceno educado para as moças, Shaka. – disse Mu rindo da cara de vergonha do amigo olhando para a garrafa na mão de Milo.

- Até tu, Mu? Pensei que fosse meu amigo... – disse Shaka sem conseguir disfarçar o incomodo. Ao seu lado, Jim batia os dedos na mesa com vontade de matar um.

- Bom, já que ninguém quer, tomo eu... – fez menção de abrir a garrafa, mas ela foi roubada de suas mãos por Jim.

- Dá isso aqui, Milo! Ninguém vai tomar o conteúdo desta garrafa, entenderam? Está confiscada até segunda ordem. – ela tratou de esconder em baixo da mesa num lugar visível, mas a vontade mesmo era de mandar via telecinese na cabeça das três piriguetes.

- Ah, devolve pudinzinho... – pediu Milo fazendo cara de cachorro pidão.

- Não ¬¬.

- Tal mestre, tal discípula... hehhehee. – disse Milo rindo da cara de vergonha que Shaka fazia depois que uma moça passou e piscou discaradamente para ele. – O Shaka ta agindo igualzinho aquele dia, lembra Camus?

- Que dia? – perguntou Jim curiosa.

- O dia do aniversário de 18 anos? – soltou Camus só para aumentar a curiosidade da interna.

- Não se atrevam a falar sobre esse dia! Até por que eu Já esqueci, ficou no passado. – pediu Shaka suando frio.

- Mas o que aconteceu no dia do aniversário de 18 anos do mestre?

- Nada Jim, e não seja tão curiosa! – disse Shaka firme.

- Ahh, mais eu quero saber. Me conta Mu?

- "Se você contar eu te mando para um dos seis infernos agora mesmo carneiro." – ameaçou através de telepatia.

- "Mas ela não vai sossegar até saber, Shaka... até parece que você não conhece a sua interna" – respondeu por telepatia sem conseguir esconder o embaraço.

- Não adianta disfarçar, eu preciso saber a verdade! Podem ir falando cavaleiros. O que aconteceu no dia do aniversário de 18 anos do mestre? – perguntou mais uma vez decidida.

- Para que lembrar disso agora não é mesmo, heehhe... onde está a garrafa de champagne? – disse Shaka numa tentativa desesperada de mudar de assunto diante da possível revelação. Camus e Milo se dobravam de rir vendo o medo tomar conta da expressão de Shaka.

- "Faz alguma coisa Mu, por favooorr! Teleporta ela daqui para o santuário..." – pedia Shaka por telepatia com voz suplicante.

- "Agora é tarde Shaka. Se ela não ficar sabendo agora vai acabar descobrindo depois e será pior. Mas eu vou tentar te ajudar de alguma forma..." - O Shaka tem razão, rapazes. Isso já faz tanto tempo e ninguém lembra mais disso. É uma coisa totalmente desinteressante, Jim. Não vale a pena saber e não vai ajudar em nada o seu treinamento...

- Tanto segredo só ta me deixando mais curiosa ¬¬. Que droga foi essa que aconteceu no seu aniversário de 18 anos mestre? Um assassinato? Festa do cabide?

- Hahahahahahahahahahahaahaha, você quase acertou pudinzinho. – disse Milo quase chorando de rir.

- ÒÓ Como é que é?

- Fique calma mon cheri... pardon Shaka, mas se você não falar ela vai ficar chateada e a curiosidade dela só vai aumentar...

- Ele não tem coragem de contar, Camus. Deixa que eu conto. Escute com atenção Jim, no dia do seu aniversário de 18 aninhos, o Shaka recebeu o melhor presente da vida dele... Não se preocupem amigos. Eu vou relatar os fatos exatamente como eles aconteceram. Muito bem Jim, no dia em questão, levamos o nosso amigo Shaka para uma festinha...

- Eu fui enganado! Ludibriado pelo meus próprios amigos! Se soubesse o que me esperava nunca teria posto os pés naquele antro...

- Até parece que alguém consegue te enganar facilmente mestre... ¬¬

- Na verdade o Shaka estava num estado passível de ser enganado por qualquer um...- disse Mu em defesa do amigo.

- Como assim "estado passível de ser enganado"?

- Milo colocou uma droga no chá do Shaka, Jim. – disse Camus sério de olhos fechados.

- Eu Não diria droga, Camus. Foi mais um estimulante da alegria... mas a nossa intenção foi das melhores...

- "Nossa"? Quem mais estava envolvido nisso?

- Aioros, Shura, Aioria, eu, Kanon, Afrodite, Máscara da Morte...

- Praticamente todo mundo! E tramando contra mim...

- Non, todo mundo non Shaka , eu não estava no santuário. Estava treinando o Hyoga na Sibéria. Lembro que o Saga também ficou de fora. Assim como o Mu...

- De inocentes como vocês os seis infernos estão cheios ¬¬ - disse Shaka fuzilando Aquário e Áries com o olhar.

- Depois de fazer o Buda tomar o nosso preparado o levamos para o local da festinha, a casa de madame Fifi...

- Casa de madame Fifi? "isso lá é nome de gente?", pensou Jim furiosa olhando para Shaka que permanecia congelado e suando frio.

- Que fique bem claro que eu nunca teria ido, se vocês não tivessem me enganado com suas mentiras...

- Nós dissemos ao Shaka que o estava-mos levando para ensinar meditação a um grupo de senhoras doentes a beira da morte. E não faça essa cara de Buda raivoso, só mentimos por que se falasse-mos a verdade você não iria e você precisava ir! – disse Milo sério.

- Seu louco pervertido. Como pode dizer uma coisa destas? Você não sabe o que é bom nem para você mesmo, quanto mais para os outros. – e se virou para Jim tentando se explicar. – Não dê ouvidos a esse artrópode venenoso Jim, eu fui praticamente coagido, arrastado, não tive escolha, foi tudo um grande mal entendido.

Depois de ouvir aquelas revelações cabeludas, Jim não sabia mais quem era ela. Nunca poderia imaginar seu imaculado mestre enfiado num bordel no meio de prostitutas. Estava estupefata, furiosa, se mordendo de ciúmes e com um pouco de nojo também, mas a curiosidade falou mais alto:

- O que aconteceu na tal casa de madame Fufu?

- Fifi, Jim. – corrigiu Camus.

- Que seja! É tudo a mesma coisa. O que aconteceu lá?

- Bom, ai é com o Buda... – disse Milo desviando o olhar.

- Pode ir falando mestre. Você não... Com um bando de... – e abriu a boca sugando ar sentindo um instinto assassino crescer dentro de si.

- Ei, não vá pensando insanidades de novo. Nada aconteceu naquela residência. Eu sai assim que descobri onde estava metido.

- Exatamente, três horas depois, é bem verdade...

- Cala essa boca Milo, já falou besteira o suficiente. Não sei por que não te tiro o sentido da fala nesse instante! – disse Shaka muito exaltado por cima de Jim.

- Não devia ficar tão irritado. Devia me agradecer por acabar com a sua..

- Chega disso, por favor. Aqui não é lugar para brigas nem para esse tipo de assunto! – interveio Camus antes que Escorpião e Virgem iniciassem uma guerra de 1000 dias, depois de Shaka largar os ouvidos de Jim, é claro.

Muito irritada, Jim solta as mãos do mestre dos seus ouvidos e bufa de raiva.

- É por isso que eu sou contra bebidas alcoólicas e também não tomo nada que eu mesmo não tenha preparado.

- É nisso que dá pensar nos amigos. Só recebo em troca ingratidão... – assim que Milo olhou para a carranca de Shaka desatou a rir: HHAHAHAHAHAHAH... me perdoa Shaka, não fiz por mal.

Todos riram alto depois das revelações. Até Jim se rendeu a comicidade da estória e rio baixinho escondendo a boca com a mão fechada. Só Shaka não achou graça nenhuma na sessão nostalgia. Ela ficou imaginando o que teria acontecido naquelas três horas na vida de Shaka num bordel.

- Que tal ir-mos para perto do palco, vai começar o show daquela cantora gostosa. – disse Milo procurando uma boa desculpa para se retirar da mesa antes que fosse mandado para um dos seis infernos.

As luzes do palco central da boate se ascenderam anunciando que o show começaria. Uma pequena multidão já tomava conta da frente do palco esperando a banda começar a tocar. Houve muita gritaria quando a banda subiu ao palco iniciando o show:

Take a piece of my life

(Pegue um pedaço da minha vida)

Take a piece of my soul

(Pegue um pedaço da minha alma)

Take a piece of my face

(Pegue um pedaço do meu rosto)

So I can never grow old…

(Então eu nunca poderei envelhecer)

Everybody wants to see me down

(Todos querem me ver triste)

My body on the dirty ground

(Meu corpo no chão sujo)

Everybody wants

(Todos querem)

I want you to abuse me, use me

(Eu quero que você abuse de mim, me use)

Shut up and do me

(Cale a boca e faça)

'Cuz everybody wants something from me

(Porque todos querem algo de mim)

Grab me, stab me

(Me agarre, me apunhale)

Go on and have me

(Vá em frente e me tenha)

'Cuz everybody wants something from me

(Porque todos querem algo de mim)

Everybody wants something from me (1)

(Todos querem algo de mim)

O clima na mesa já não estava dos melhores. Jim passou a ignorar Shaka depois das revelações. Ela não conseguia deixar de sentir ciúmes mesmo por fato ocorrido no passado e contra a vontade do mestre. Estava irritada também com Milo por ele ter levado seu querido santo de Virgem para o mau caminho. Ela ficou conversando com Camus a maior parte do tempo, sob os olhares nada contentes de Shaka. Ele estava ali só por causa dela, e ela o estava ignorando para tagarelar com Camus de Aquário? Não aguentava mais o francês falando com aquele sotaque empolado o tempo todo, mon cheri isso, mon ange aquilo. Definitivamente a noite já tinha dado o que tinha que dar e tudo o que ele queria era ir para a paz de seu templo. Não demorou muito, Milo de escorpião ficou vidrado na vocalista loira da banda e tratou de arranjar uma desculpa para sair da mesa e ir para perto do palco observar a sexy cantora mais de perto. De cima do palco, a loira não demorou muito também a encontrar os olhares do escorpião no meio da multidão, que diga-se de passagem, era o mais bonito de seus admiradores. Logo ela estava cantando e dançando só para ele. Depois de muita gritaria a vocalista loira da banda surgiu com um violão e começou a cantar uma musica mais lenta:

You don't want me, no

(Você não me quer, não)

You don't need me

(Você não precisa de mim)

Like I want you, oh

(Como eu quero você, oh)

Like I need you

(Como eu preciso de você)

And I want you in my life

(E eu quero você na minha vida)

And I need you in my life

(E eu preciso de você na minha vida)

- Quer dançar mon cheri? – perguntou Camus se levantando e estendendo a mão para Jim.

- Quero sim, Camyu... – e segurou a mão de Camus depois deu um olhar de desprezo para Shaka que diante da cena, permaneceu como se nada estivesse acontecendo. Mas por dentro o ódio era tanto que teve vontade de puxar o seu rosário da mão para usá-lo como corda para enforcar o francês metido. Já Jim, só aceitou dançar com o ruivo para irritar Shaka. Ela queria que ele sentisse a mesma coisa que ela sentiu ouvindo o conto da casa de madame Fifi. Ainda imaginava que ele só a via como uma discípula, mas queria inexplicavelmente feri-lo. Não estava nada satisfeita em saber que aquele tido como homem santo pelo santuário já tinha passado por um bordel.

You can't see me, no

(Você não pode me ver, não)

Like I see you

(Como eu vejo você)

I can't have you, no

(Eu não posso ter você, não)

Like you have me

(Como você me tem)

And I want you in my life

(E eu quero você na minha vida)

And I need you in my life

(E eu preciso de você na minha vida)

Shaka ficou observando os dois saírem da mesa e se meterem no meio de vários casais de dançarinos. Ele bebeu um gole de refrigerante e disse para Mu soprando a franja com raiva:

- Vês Mu? Agora é assim, mon cheri para cá, mon cheri para lá, mon ange, pardons e ela fica toda derretida por esse francês sem vergonha.

- Não é bem assim Shaka. Jim trata Camus do mesmo jeito que trata os outros cavaleiros, como um amigo. Pelo menos por enquanto...

- O que significa 'por enquanto'?

- Significa que isso pode mudar se você não tomar nenhuma atitude.

- Tem toda razão, Mu. Quando chegar-mos no santuário, vou tratar de colocar esse francês na linha... "mando ele para um dos seis infernos, sem direito a escolha. Vou ensina-lo a não chegar perto da minha interna..." e Shaka imaginou a casa de Aquário pegando fogo com Camus amarrado dentro. A raiva e o ciúme era tanto que ele nem tinha coragem de olhar para sua interna dançando com o aquariano.

- Não é disso que eu to falando, Shaka, acorda! Você só está passando por isso por que quer... Desde que tivemos aquela conversa na minha casa o que você fez para melhorar sua relação com a Jim? Nada. E quer saber o que eu acho? Que se você continuar assim, vai acabar perdendo a Jim para o Camus. Escuta o seu amigo...

- Se você tivesse teletransportado ela naquele momento, isso não estaria acontecendo. Agora não adianta ficar aí bancando o sábio carneiro lemuriano... ¬¬ Não estou com ciúmes dela, se é isso que pensa. Não vim para essa balada para seduzir a minha própria aprendiz. Vim apenas para não ter que quebrar uma promessa...

- Vou fingir que acredito em você.

- Estou sendo sincero, Mu. Ainda não esqueci a estória dela pensar que nós somos gays.

- Jura? Pois eu já esqueci. Tudo não passou de um grande mal entendido. Não adianta ficar criando caso com isso mais.

- Não pretendo deixar passar tão facilmente, Mu. Alguém pôs aquelas ideias na cabeça da Jim e eu vou descobrir quem foi. Ela não pensaria isso de nós se não fosse "estimulada".

- Esquece essa estória Shaka, ta perdendo tempo com bobagens, isso sim.

- Tempo eu estou perdendo aqui, devia estar no santuário tomando conta da minha casa. Já imaginou se Atena descobre que saímos por um motivo tão fútil? Ou se o santuário for invadido enquanto estamos fora...

- Deixa de paranóia Shaka, ficaram muitos cavaleiros poderosos para defender o santuário, e até Atena sabe que você nunca sai. Tenho certeza que ela ficaria feliz se soubesse que você está procurando aproveitar a vida. Se todos podem, por que você não?

- Não sei não Mu...

- Relaxa Shaka. Para isso eu estou aqui, para impedir que você tenha um ataque de ciúmes e estrague tudo. Vou pegar mais algumas bebidas para te ajudar a esfriar a cabeça. Nada de perder o controle enquanto eu estiver fora, heim. Volto num minuto. – bateu no ombro de Shaka e foi caminhando até o bar. Não queria deixar o amigo sozinho numa hora como aquela, mas estava com muita vontade de ir ao banheiro depois de tomar tanto líquido. Esperava que o virginiano refletisse no que ele tinha dito enquanto estivesse sozinho. Shaka era muito sensato, logo ia perceber que implicar com Camus não levaria a nada.

Love, love, love

(Amor, amor, amor)

Love, love, love

(Amor, amor, amor)

You can't feel me, no

(Você não pode me sentir, não)

Like I feel you

(Como eu sinto você)

I can't steal you, no

(Eu não posso te roubar, não)

Like you stole me

(Como você me roubou)

And I want you in my life

(E eu quero você na minha vida)

And I need you in my life (2)

(E eu preciso de você na minha vida)

Depois de dançar aquelas músicas lentas com Camus, Jim se sentiu bem mais calma. Sempre que ficava perto de Camus ela sentia aquela sensação estranha. Como se algo nele chamasse muito a atenção dela, algo que ela não sabia o que era. Camus dançava muito bem, sabia conduzir com presteza. Seus braços eram firmes e seu perfume... Ah, o perfume do cavaleiro de Aquário era um caso a parte. Simplesmente uma delícia! Camus exalava frescor e charme por onde passava. Ali abraçada durante a dança, Jim sentia aquele aroma inebriante vindo dos cabelos, do pescoço e da roupa do francês. Era até difícil não pensar em coisas luxuriosas. O que teria acontecido se ela tivesse ido jantar com ele em vez de ter vindo para a balada com os seus amigos?

Uma voz conhecida interrompeu a dança dos dois:

- "Jiiii? Jiiii?"

- Ouviu isso Camus? – perguntou sem interromper a dança.

- Non, non ouvi nada. Alguma coisa errada cheri?

- Tive a impressão de ouvir alguém me chamando, só que dentro da minha mente... – ouviu de novo o chamado telepático. Parecia... Lucy?

- "Jiiiii, sou euuuu. Responde logooo. O que ta fazendo que não responde?"

- "Lucy? É você mesmo? Como conseguiu entrar na minha mente?" – e sorriu para Camus como e nada estivesse acontecendo.

- "Não entrei na sua mente. Estou me comunicando por cosmo-telepatia. Não escuto os seus pensamentos, se é esse o seu medo. Alias como consegue oculta-los tão bem?"

- "Não faço a menor ideia! Todo mundo diz isso de mim e eu acho até bom. Como consegue fazer isso? E onde você está?"

- "Hehehehh :P ta pensando que só você tem truques escondidos na manga? Meu mestre me ensinou tudo de telepatia. É muito útil durante as lutas, sabia?"

- "Ta, mas o que a dona telepata quer comigo?" – e encostou a cabeça no ombro de Camus ainda embalada pelo ritmo dos passos do cavaleiro.

- "Preciso de você urgente! Vem voando para cá, e rápido!"

- "Como espera que eu saia voando por ai na frente de todo mundo? Iriam me chamar de bruxa sem vassoura! Seria mais fácil eu me teletransportar para onde você está."

- "´ÉEEE, foi isso que eu quis dizer! Se teleporta para cá o mais rápido possível. Antes que seja tarde..."

- "O que ta pegando? Como vou chegar ai se você não me diz onde está? Me descreve o lugar pelo menos, é no primeiro andar? É perto da pista de dança?" – e olhou em volta procurando por uma cabeleira rosa inconfundível.

- "NÃO TENTE ME ENCONTRAR! Preciso que me tire de uma robada via teletransporte. Só você pode me ajudar amigaaaa. Se teleporta para o primeiro andar, me acha pelo cosmo. Andaaaa logoooo. Quando você chegar aqui vai entender tudo." – e desligou a linha da cosmo-telepatia. Mesmo sem entender nada, Jim se virou para Camus e pediu muito séria:

- Eu preciso dar uma sumida rápida, e quando eu digo sumida, é literalmente sumir usando teletransporte. Você ficaria chateado comigo? É para ajudar uma amiga...

- De maneira nenhuma, mon ange. Vão demorar?

- Não, não. Eu volto num segundo. – e sumiu como por encanto da frente de Camus seguindo o rastro do cosmo de Lucy. Por sorte, ninguém viu.

Jim apareceu no que parecia ser uma sala. Era pequena e iluminada por uma luz vermelha. Não havia móveis, só um grande sofá vermelho brilhante com um espelho no teto. Assim que viu o espelho entendeu: estava num motel de boate. Cubículos reservados para aqueles que não desejavam ficar só dançando. Lucy estava bem na sua frente, completamente descabelada, diga-se de passagem e com o vestido do avesso.

- Que bom que chegou Jim. Só você pode me tirar dessa enrascada.

- Como é que você chegou aqui?

- Ai, é uma longa estória. Precisa me tirar daqui, antes que o mestre Afrodite entre e me veja.

Pela cara da amiga, Jim percebeu na hora que aquele não era um lugar seguro. Do lado de fora da porta ela ouvia alguém discutindo em italiano com outro falando afetado.

- Vou te levar para o banheiro. Se tiver-mos sorte não terá ninguém lá.

- Não, não! Me leva para fora da boate. Confia em mim, quando estiver-mos seguras eu te conto tudo.

Fez o que a amiga pediu. Jim tocou o ombro de Lucy e as duas desapareceram daquele quartinho numa fração de segundo bem antes de Afrodite arrombar a porta com um pontapé tendo Mascara da Morte atrás de si. Reapareceram do lado de fora da boate, bem na entrada e atrás de uma planta. Quando se viu fora da sala vermelha, Lucy respirou fundo muito aliviada.

- Agora você vai me contar tudo sua louca. Anda, desembucha logo.

- Ai Jim, eu vou ficar te devendo essa para todo sempre. Imagina que eu encontrei com o Mascara da Morte e ele me levou para aquele quartinho. Até ai tudo bem. Só que o mestre Afrodite ligou para o Mascara quando agente estava... Você sabe. Ele estava na área lá dos quartinhos e ouviu quando o celular do Mascara tocou. Daí ele acabou encontrando agente! Ele Começou a bater na porta do quarto... foi uma loucura. Então o Mascara saiu para tenta despistar. Foi então que eles começaram a brigar do lado de fora. O cosmo do mestre até se elevou, foi horrível. Daí eu fiquei desesperada e te chamei por cosmo-telepatia...

- ... para eu te tirar de lá via teletransporte e ninguém te ver. Entendi tudo amiga.

- Nossa, você me salvou e salvou o mestre Afrodite também. Já pensou se ele briga com o Mascara e perde a cabeça?

- Ou então o Afrodite picota o cafusu do Mascara com as rosas piranhas, Heheheheheh. – as duas riram juntas da situação cômica e trágica.

As duas ainda foram para um banheiro de um posto de gasolina próximo a boate. Enquanto Lucy se endireitava e contava todos os detalhes da ficada com Mascara da Morte, Afrodite não entendia o porquê do quarto estar vazio:

- Io te disse que ela não estava qui, caspita!

- Vai dizer que estava aqui dentro sozinho, carcamano?

- Estava ué. Você nunca se divertiu sozinho não?

- Aii, que nojo Carlo. – e fez cara de quem ia vomitar.

- Você parece o Shaka de tão paranóico e ciumento que é.

- Jamais vou permitir que você toque na minha Lucy, sei animal! Ainda mais por que você, Carlo, não está cooperando... Fique sabendo que eu vou procurá-la e ai de você se tiver algum vestígio da sua presença nela. – e se virou jogando os cabelos na cara de Mascara.

O italiano o seguiu sorrindo por dentro, não foi pego a ainda deu tempo de aproveitar bastante o corpinho daquela ragazza.

~x~

Assim que saiu do banheiro Mu esbarra numa mulher que segurava uma taça de vinho:

- Oh! – exclamou a moça vendo todo o conteúdo da taça cair em cima de seu decote.

- Mil perdões moça! Eu me distrai, a culpa foi minha. – disse Mu muito sem jeito.

- Não se preocupe, eu também tive culpa por não olhar por onde ando. – disse a jovem sentindo toda a raiva passar quando se deparou com o par de olhos cor de esmeralda do cavaleiro de Áries.

- Mas foi você quem acabou com a roupa toda suja...

- Ah isso não é nada. Pode me acompanhar até o banheiro feminino do primeiro andar? Lá o espelho é maior e me facilitaria bastante na operação de limpeza dessa sujeirinha.

- Claro senhorita, faço questão de ajudar.

Mu acompanhou a moça até a porta do banheiro feminino do primeiro andar. Estava muito envergonhado por ter estragado o vestido da jovem, mas não deixou de notar que ela era bastante atraente. Ele a recebeu com um sorriso assim que ela saiu do banheiro:

- Fico feliz que não tenha estragado muito o seu vestido.

- Não se preocupe. Acho que ninguém vai reparar nessas manchinhas num ambiente como esse, não é mesmo?

- Eu espero que não.

- Você foi muito gentil em me acompanhar até aqui... Mas ainda não me disse o seu nome... – disse admirando o sorriso do cavaleiro. Ela subiu com ele para o primeiro andar só para ficar a sós no corredor deserto.

- Me chamo Mu, e você?

- Mu? Que incomum. "assim como o cabelo e estes olhos maravilhosos", pensou mordendo o lábio.

- É, de onde eu venho os nomes são bem diferentes mesmo...

- Na verdade eu fico até aliviada em saber disto, pois o meu nome também é bem esquisito...

- Acredite, eu já ouvi e vi de tudo nessa vida. Com certeza não vai me surpreender.

- Ta eu falo, mas não vai me zoar, ta Mu. Eu me chamo Hera. – e logo ficou corada de vergonha. Sempre dava um nome falso quando conhecia alguém numa balada, por vergonha do próprio nome, já que o julgava muito feio, e por precaução. Baladas não eram lugares propícios para intimidades, ainda mais para ela sendo filha de um milionário grego. Gostava de manter o sigilo sempre durante as noitadas. Contudo, algo naquele rapaz passava uma enorme confiança.

- Por que eu zoaria um nome tão belo? Alias belo assim como a portadora. É o nome de uma deusa grega, sabia. Hera, rainha dos deuses, esposa de Zeus... – disse se aproximando da jovem admirando sua beleza. Hera tinha longos cabelos negros e cacheados, grandes olhos azuis turquesa e a pele era branca, levemente bronzeada pelo sol. Usava um vestido nude com alcinhas finas douradas muito justo no corpo de curvas generosas. Hera tinha a aparência digna do nome de batismo, uma verdadeira deusa grega.

- Eu sei, minha mãe se liga nessas coisas. Mas eu preferiria que ela tivesse me dado um nome mais bonito, tipo Éris, por exemplo.

- Acredite, Hera é muito melhor do que Éris...

- Que bom que pensa assim. E você também é muito bonito Mu. Gostaria de dançar um pouco para afastar de vez essa má impressão do nosso primeiro encontro? – convidou enquanto passava a mão no peitoral forte do ariano.

- Eu gostaria muito.

E desceram de mãos dadas até a pista de dança lotada que ficava perto do palco principal. Mu não era um exímio dançarino como Camus, mas dava para enrolar. Até por que ele percebeu logo que sua acompanhante não estava muito interessada em dançar. Discretamente a jovem lhe dava conferidas e ele também se atinha ao corpo escultural dela. Embalada pelo ritmo quente da música, Hera se virou e esfregou seus quadris no corpo do cavaleiro, descendo até o chão sem vergonha nenhuma. Naturalmente, Mu estava adorando tudo aquilo, e gostou mais ainda quando ela colou o corpo no dele acariciando sua nuca:

- Eu adorei a cor dos seus cabelos, são tão macios e gostosos de pegar... – disse a jovem enquanto observava atentamente a raiz dos fios, e para sua surpresa, eram naturais! Como era possível?

- Me surpreende que tenha gostado. Normalmente as pessoas acham estranha a minha aparência... – disse Mu ficando muito corado.

- Estranho? Hahahahah, como podem achar uma coisa destas de uma pessoa tão linda como você?

- Hehehe, são seus olhos... – e ficou ainda mais corado depois do comentário de Hera.

Diante daquele gesto de timidez e daquele rosto de anjo, Hera não se conteve mais e tascou um beijo inicialmente delicado, depois voluptuoso nos lábios de Mu. Era impossível resistir àquela beleza exótica, aquele jeito polido, aqueles olhos cor de esmeralda que pareciam tão puros... Sua preferência sempre fora de homens tímidos. Gostava de conquistar, de seduzir, de envolver calmamente. Só que naquela noite e perto daquele homem, Hera tinha pressa. Queria deixá-lo aos seus pés o quanto antes. Enquanto beijava, ela sentia cada músculo do ariano, aram definidos e suaves ao mesmo tempo. De que canto do céu havia caído aquele anjo tão sexy?

- Que acha de ir-mos para um lugar mais calmo? – disse sussurrando nos ouvidos de Mu, estava exitada demais para esperar mais.

- Acho ótimo. Aonde gostaria de ir?

- Hummm... Não sei, só queria ficar a sós com você.

- Posso te levar para qualquer lugar do mundo. É só escolher.

- Jura? Na verdade eu estava pensando no meu iate, mas ele está ancorado a muitos quilômetros daqui, na praia de Mykonos...

- Sei onde fica. Gostaria de ir para lá agora mesmo?

- Gostaria muito! Mas acho que não é possível... – e fez uma cara triste.

- Pelo contrário, eu posso te levar para lá mais rápido do que pensa. Você confia em mim Hera?

- Confio. – disse sem pensar duas vezes e sem sentir um pingo de medo. A voz, a expressão, a beleza, tudo naquele homem lhe passava muita confiança. Como se estivesse diante de um legítimo santo.

Mu a pegou pela mão e a levou para um lugar discreto na boate. Quando se viu sem ninguém por perto, segurou o queixo da jovem e disse olhando nos olhos dela:

- Feche os olhos.

Ela fechou sentindo o coração bater muito rápido. Mu usou o seu teletransporte e reapareceu na praia de Mykonos próximo a área onde estavam ancorados vários iates de luxo. Hera abriu os olhos e tomou um grande susto quando se viu fora da boate:

- Meu Deus! Como chegamos aqui?

- Encare como um pequeno truque de mágica. Você está com medo Hera? – perguntou enquanto segurava as mãos da jovem.

- Não. Ah Mu, isso parece um sonho... – e se beijaram mais uma vez. – veja, aquele é o meu iate! Vamos até lá. – e foi a vez dela puxar o cavaleiro pela mão.

Entraram no navio luxuoso ainda de mãos dadas. Hera o levou diretamente para um dos quartos. Estava maravilhada e exitada demais para sentir medo ou qualquer preocupação. Tinha a nítida sensação que estava mesmo vivendo um sonho. Sob a luz clara do quarto, o jovem Mu lhe pareceu ainda mais bonito. Ela o agarrou possessiva girando até caírem sentados na cama. Com um sorriso sensual, ela foi desabotoando cada botão da camisa com os dentes. Vendo aquela cena, Mu ficou ainda mais exitado. Sentia sua respiração falhar e todo o seu corpo esquentar com aquelas carícias daquela mulher sexy e envolvente. Ainda em cima dele, Hera terminou de desabotoar os botões e foi deslizando as mãos pelos ombros fortes do ariano querendo tirar a camisa. Antes dela tirar completamente a peça, Mu teve um lampejo de memória: Shaka. Havia deixado o loiro sozinho na boate, assim como o restante dos seus amigos. Imaginou que eles poderiam ficar preocupados com sua ausência ou Shaka poderia perder o controle a qualquer momento com ciúmes da Jim e armar o maior barraco sem ele para impedir. Sua mente estava entorpecida pelo desejo, mas ele não parava de pensar nas consequências de sua escapada. Foi quando viu Hera se afastar dele e tirar o vestido bem na sua frente.

Assim que a peça caiu do corpo dela, todas as dúvidas sumiram da mente de Mu. "Acho que o Shaka sabe se cuidar sozinho muito bem", pensou por fim e trouxe a morena para junto de si, beijando e acariciando o pescoço da jovem. Quando finalmente deitaram na ampla cama, já estavam completamente nus. Mu deixou que ela ficasse por cima a maior parte do tempo, estava adorando a visão do corpo escultural a sua frente. Cada vez que Hera se remexia em cima dele e gemia era como se estivesse no próprio Olimpo, de tanto prazer que sentia. Já não lembrava mais se quer que um dia estivera naquela boate. Mas a boate lembrava dele, jogado sob suas roupas, seu celular tocava repetidamente. Por sorte o aparelho estava no silencioso, provando que os deuses não permitiriam que nada atrapalhasse aquela noite de amor do cavaleiro de Áries e Hera.

~x~

Já haviam se passado vinte minutos e nada de Mu voltar com as bebidas. Shaka não aguentava mais ouvir a mensagem de caixa postal cada vez que ligava para o amigo. Também não aguentava mais ficar ali sozinho sabendo que Jim estava em algum lugar daquela boate dançando com Camus de Aquário. Aquilo sim, havia acabado completamente com a sua noite. Sentia uma vontade cavalar de mandar aquele francês para um dos seis mundos, mas não ia fazer isso. Estava se controlando ao máximo. Prometeu ao Mu não dar vexame e ia cumprir. Via aquilo como uma boa oportunidade para demonstrar que não daria mais ataques de ciúmes, também não daria o braço a torcer assumindo seu ciúme. "e Mu que não volta. Cadê esse carneiro, Buda..." e pegou o seu celular para telefonar mas uma vez.

Enquanto isso, um homem de sorriso malicioso caminha entre a multidão recebendo inúmeros olhares. Ele sabe que o estão comendo com os olhos, mas não se importa. Ninguém naquele local o interessava a ponto de fazê-lo olhar para os lados. Parou de andar quando avistou um velho conhecido sentado em uma das mesas. Shaka estava tão absorvido esperando Mu atender do outro lado sua ligação que não percebeu a aproximação de Kanon:

- Tinha que ver com os meus próprios olhos, por que se me contassem, eu não acreditaria. Shaka de Virgem numa balada? Eu não sei mais quem eu sou.

- Não me admira você não saber quem você é, Kanon, deve ter enganado tanta gente durante a sua vida que já deve ter esquecido.

- Hehehe, eu já imaginava que bebidas e gente bonita não melhorariam o seu humor. E por falar em gente bonita, onde está a sua interna?

- Foi buscar mais bebidas com o Mu. – preferiu mentir a revelar que ela estava em lugar incerto, e pior ainda, com o Camus.

- Você mente muito mal Shaka. Aposto que a Jim te largou aqui sozinho por não te aguentar mais. Acho até difícil ela voltar para o santuário depois de sentir o gostinho da liberdade. – e se sentou de frente para Shaka, mesmo sem ser convidado.

- Ela faria isso com toda certeza se tivesse um mestre como você. Jim tem muita sorte em receber os meus ensinamentos, ao passo que se fosse discípula de outro cavaleiro seus dias seriam infernais, tal como viver em um labirinto...

Kanon contou até dez para não mandar aquele metido para outra dimensão. Aquele projeto de Buda sempre possuiu aquela postura arrogante, desde criança vivia respondendo a tudo o que Kanon falava. Desde pequeno Shaka tinha aquele ar de superior. Aquilo irritava muito o Dragão Marinho. Resolveu continuar provocando Shaka naquilo que era o seu ponto fraco: Jim.

- Na verdade eu perguntei por sua interna por que estou com saudades dela. Nos encontramos hoje cedo depois da luta, mas mal tivemos tempo de conversar. Você a tirou da arena com tanta pressa... Nem deu tempo de parabeniza-la pela formidável luta. Por isso estou aqui, para parabeniza-la devidamente... alias, devo dizer que a bonequinha da sua interna está cada dia mais forte.

- Os poderes telecinéticos de Jim são bastante aflorados. É natural que ela se sobressaia em relação aos outros internos, ainda mais recebendo o meu treinamento.

- Hummm, concordo com você. Ah, Jim... sempre tão graciosa quando luta. Devo dizer que vê-la flutuando foi uma visão deveras agradável. Você não achou Shaka?

- Sim, fiquei satisfeito com a vitória dela. Nunca tive dúvidas de que ela venceria. – disse depois tomou o seu drink não alcoólico sem dar maiores atenção à presença de Kanon.

- É claro que você não reparou naquele corpo de ninfa flutuando pelos céus. Não estou surpreso, sei que essas coisas não te interessam. Mas tudo bem, gosto não se discute.

As palavras do geminiano fizeram ascender uma luz de alerta na mente de Shaka. Não terminou de beber o drink, voltou-se para seu irônico interlocutor e perguntou muito sério, quase num tom de ameaça:

- O que disse?

- Hehehe, ora não precisa ficar tão sério. Não há nada de mal nisso. Se o Afrodite pode você também pode, não se preocupe com nada...

- Que quer dizer com isso seu folgado? Está insinuando que eu... – disse encarando, olhos verdes contra olhos azuis.

- Calma budista. Logo o Mu estará de volta para te deixar tranquilo... – continuou encarando e disse sorrindo com malicia. – Não se preocupe com a Jim, eu tomarei conta dela com muito carinho.

Depois da provocação, Kanon deu as costas ainda rindo querendo sair de perto do budista, mas foi detido por Shaka que segurou firme seu braço o trazendo para o lugar onde estava. Depois de ouvir aquilo, Shaka teve certeza de suas suspeitas. Já a muito estava com a estória de Jim achar que ele era gay entalada e agora que estava diante do autor dos boatos, não estava nem um pouco disposto a deixar isso barato:

- Então foi você quem disse para a Jim que Mu e eu éramos um casal... Como ousa inventar uma mentira destas, seu maldito?

- Tira a mão de mim barbie de armadura! Falei alguma mentira por acaso? Fiz um favor para ela abrindo os olhos dela antes que fosse tarde e ela soubesse da pior forma possível, tipo flagrando vocês dois juntos na cama. Devia me agradecer, sabia.

- Patife... – foi tudo que Shaka disse cerrando o punho com força a ponto de machucar a mão. Tudo de ruim que ele passou, a bebedeira de Jim, a briga com Mu, foi culpa das intrigas daquele homem...

Kanon se afastou rindo da cara de raiva de Shaka, mas não deu muitos passos. Foi impedido mais uma vez pelo loiro, só que desta vez ele estava preparado. Manteve o braço firme a ponto de se chocar com o corpo do cavaleiro de Virgem violentamente. Shaka o encarou de olhos abertos e com uma expressão dura. Não ia sair no tapa com aquele ex-marina ali em plena boate, apenas ia jogar umas verdades incomodas na cara dele. Porém, a proximidade com o geminiano revelou uma informação que fez seu sangue ferver: o cheiro. Shaka sentiu um cheiro familiar vindo do corpo de Kanon, o mesmo cheiro que... Puxou uma grande mecha de cabelo azulado para próximo do seu nariz para ter certeza, e teve. Era aquele cheiro. O mesmo cheiro que tinha ficado no corpo de Jim na noite em que ela bebeu. O perfume cítrico misturado a suor que ele sentiu antes de a beijar. Seu olfato nunca o enganava. Aquele cavaleiro esteve com sua interna naquela noite. No mesmo instante, sua mente foi invadida por imagens de Kanon muito próximo a ela, a tocando... Com certeza, para aquele perfume se impregnar no corpo de Jim daquela maneira não foi um contato simples. Imaginar as mãos sujas de Kanon em cima da sua Jim fez um ódio assassino tomar conta de seu ser.

- Vai pagar por ter tocado na minha interna, seu sujo. – e voltou a segurar Kanon pela beca, só que Kanon foi mais rápido, já que não estava cego de ódio, e deu um soco no queixo de Shaka o fazendo cair pesadamente em cima da mesa.

- Eu disse para tirar as patas de mim. Se quiser brigar pode vir, não tenho medo de você, barbie de armadura. Depois que terminar com você, vou procurar a Jim para terminar o que comecei outro dia... – e deu um sorriso malicioso.

Depois de ouvir mais aquelas palavras, Shaka sentiu a raiva subir a cabeça de vez. Sem demora ele se levantou e puxou seu rosário de cento e oito contas de uma de suas mãos. Elevou o cosmo e avançou em cima de Kanon com grande velocidade desferindo um soco poderoso. Kanon se defendeu, mas ainda assim foi jogado a grande distancia, indo parar no meio da prateleira de bebidas do bar da boate. Ele caiu sentindo todas as garrafas quebrarem em cima dele. O barulho de vidro se estilhaçando era quase ensurdecedor.

Próximo dali, o barulho e os cosmos de Virgem e Dragão Marinho se elevando interromperam mais uma discussão de Afrodite e Mascara da Morte. Os dois olharam em direção a grande confusão que se formava na área onde um homem tinha sido arremessado violentamente contra a estante de bebidas com um só golpe. Muitas pessoas corriam e gritavam histéricas. Peixes e Câncer se olharam sem entender nada daquilo.

Antes que os dois pudessem fazer alguma coisa, Kanon salta de trás do balcão de onde foi atirado já com o punho em riste para acertar Shaka mais uma vez. Kanon não estava nem ai se estava em um local público. Só queria quebrar a cara daquele budista arrogante em mil pedaços. Já há muito tempo estava com Shaka entalado na garganta, se os deuses haviam lhe dado uma oportunidade para dar uma bela lição naquele santo do pau oco, ele não ia desperdiçar. O punho de Kanon foi habilmente defendido por Shaka, que usou os dois braços na frente do rosto para se defender do impacto. Shaka sabia que Kanon não estava ligando para as consequências, por isso tratou de pensar num jeito de continuar aquela luta em outro lugar. Concentrou o seu cosmo e empurrou Kanon com toda a sua força usando uma mão contra a parede da boate. O impacto da mão de Virgem no peito de Kanon foi tão grande que o fez voar como uma flecha em direção a parede abrindo um enorme buraco de modo que Kanon só parou a muitos metros dali. O choque dos cosmos monstruosos fez toda a estrutura do prédio tremer. Houve muita gritaria e corre-corre. As pessoas se jogavam no chão crentes que estavam passando por um terremoto ou um ataque terrorista. Felizmente, ninguém viu quando Shaka ou Kanon deram os seus golpes, já que eles o fizeram na velocidade da luz. Shaka enrolou o seu rosário numa mão e saltou com grande velocidade para além do buraco aberto na parede.

As luzes piscaram por toda boate. Milo também sentiu o choque do cosmo de Shaka. Não teve tempo de pensar em muita coisa antes de ver um enorme holofote suspenso em cima do palco pender e caiu em cima da banda. Ele pulou no mesmo segundo usando sua velocidade de cavaleiro de ouro e salvou a vocalista loira que ficou parada em cima do palco sem saber o que fazer. Só deu tempo de perguntar se a moça estava bem e olhar para o enorme buraco aberto na parede leste da boate.

Afrodite ficou desesperado quando viu Shaka ir atrás de Kanon pelo buraco na parede:

- O que aqueles dois idiotas estão pensando?

- Não sei, mas vão acabar destruindo toda a cidade se continuar nesse ritmo.

- Faz alguma coisa, vai atrás deles Mascara! Eu vou procurar a Lucy e a Jim.

Afrodite se meteu no meio da multidão histérica a procura das meninas enquanto Mascara da Morte seguiu na direção oposta. Câncer atravessou o buraco na parede atrás de Shaka. Correu alguns metros, quase foi atropelado por um carro em alta velocidade, mas conseguiu encontrar os dois briguentos:

- Parem com isso caspita! O que deu em vocês para brigar assim no meio de tanta gente? – disse Mascara entre Shaka e Kanon tentando apartar a briga.

- Sai da frente italiano, se não é capaz de sobrar para você também. – disse Kanon mostrando os dentes para Shaka.

- Por que não se enfrentam no santuário e longe dos olhos de Atena e Shion? Aqui não é lugar para dois cavaleiros de ouro se matarem. – sugeriu Mascara da Morte sabendo que não adiantaria muita coisa convencer os dois a pararem.

- Vamos para o santuário, Kanon. Aqui não é ambiente para acertamos nossas contas. – disse Shaka se afastando. Tinha muita vontade de trucidar o geminiano ali mesmo, mas era sensato suficiente para esperar chegar ao santuário.

- Você é quem sabe barbie de armadura... – disse Kanon também se afastando.

Shaka teletransportou os três para frente do portal dimensional. Não queria perder tempo com outros meios de transporte. Mascara da Morte acompanhou os dois para se certificar que eles não mudariam de ideia no caminho. Os três passaram pelo portal e foram direto para a arena. Mascara ficou de tocaia para ninguém ver a luta dos dois. Estava também muito curioso para saber quem levaria a melhor naquele combate e também muito a fim de ver sangue.

~x~

Há muitos quilômetros dali, Jim e Lucy veem o rebuliço que se tornou a balada em que elas estavam cada uma com um olhar de espanto e medo:

- O que aconteceu para ter tanta polícia na frente dessa boate, minha santa Atena?

- Não sei Lu, mas boa coisa não deve ter rolado... Drogaaaa! Eu disse ao Camus que voltaria em um segundo e olha só quanto tempo passou! – disse Jim levando as mãos à cabeça.

- Perai, você tava com o Camus? E o Shaka? – perguntou Lucy correndo atrás de Jim pela rua.

- Agente só tava dançando, nada de mais. To preocupada com o meu mestre... É melhor agente entrar por outra porta... – disse Jim para logo em seguida tocar o braço de Lucy, teletransportando ambas para dentro da boate.

Assim que entraram foram empurradas contra a parede por uma multidão de homens e mulheres apavorada correndo em direção a saída da boate. Jim viu Milo em cima do palco da boate tentando acalmar a vocalista loira e os membros da banda que pareciam muito nervosos. Ela olhou para todos os lados, mas não viu nem Mu nem Shaka. Elas andam com muita dificuldade contra a turba de gente descontrolada e acabam encontrando, ou sendo encontradas por Afrodite:

- Ai, graças a Atena, vocês estão bem. – diz Afrodite se abraçando a Lucy.

- Onde está o meu mestre, o Mu e os outros, Afrodite? – pergunta Jim.

- O Mu tomou chá de sumiço. Camus, Milo e Shura ainda estão aqui dentro, pois sinto os cosmos deles... Jim, me escute com atenção, o seu mestre meio que causou isso tudo aqui... Mas não se preocupe, Mascara está com ele e...

- Como assim causou isso tudo? Onde ele está Afrodite? – pergunta Jim já ficando aflita.

- Temos que sair daqui primeiro, depois eu te explico...

- Não! Vão vocês. Eu vou procurar o meu mestre agora! – disse e sem demora, tratou de se teletransportar da frente de Afrodite e Lucy.

- Mais será possível! Onde essa menina foi parar agora, Atena? – disse Afrodite olhando para os lados.

Jim reapareceu na frente do enorme buraco na parede leste da boate. Ela caminhou até a destruição com uma expressão vazia. Parecia que um caminhão tinha emburacado a toda velocidade contra a boate, tudo em volta estava em pedaços. Parou quase dentro do buraco sentindo o vento do mundo exterior soprar por todo o seu corpo. Só conseguia pensar em Shaka, em onde ele estava, se ele estava bem... Tinha um forte pressentimento que ele estava em perigo.

~x~

*** Enquanto isso no Santuário...

- Não vai chamar sua amardura barbie? – perguntou Kanon fazendo sua pose de luta.

- Não preciso dela para te dar uma lição.

- Vai se arrepender de não ter chamado...

- Você é quem vai se arrepender de ter encostado na minha discípula...

Os dois elevaram o cosmo e avançaram um na direção do outro. O combate corpo a corpo se iniciou de maneira muito intensa. Cada vez que Shaka lembrava do cheiro de Kanon no corpo de Jim, sentia a raiva crescer dentro de si. Lembrou também que não foi só o perfume que ficou na pele dela. Ele viu marcas vermelhas no pescoço e braços de Jim enquanto a vestia com o pijama. Eram marcas de chupões e machucados em forma de dedos, evidencias do contato com aquele homem libidinoso. É claro que ele sabia que se perguntasse com quem ela esteve naquela noite, ela nunca diria. Mas ele suspeitou na hora que sentiu o cheiro e viu aquelas marcas na pele branca que ela não bebeu sozinha. Não seria surpresa que toda aquela bebedeira também tivesse o dedo de Kanon envolvido.

O clima era de ciúme e vingança em ambos os lados. Era sabido por todo o santuário que Kanon nunca gostou de Shaka. Sempre detestou aquele que se dizia o homem mais próximo de deus. Para Kanon, Shaka não passava de um arrogante metido a puritano que vivia o tempo todo pregando a moral e a castidade. Nunca acreditou nestes valores nem engolia tanta pureza. Sua santidade Shaka fora um dos que mais perseguiu Kanon e Saga naquele santuário no passado. Mesmo depois de lutarem juntos na guerra santa pela humanidade o virginiano ainda agia como se fosse superior a todo mundo, se achando no direito de apontar o dedo e condenar seu irmão e ele. Estava disposto a tirar aquela arrogância na base da porrada naquela noite. Não devia nada a ninguém nesse mundo, só ao irmão e a Atena. As únicas pessoas na Terra que valiam a pena lutar. Atena por que perdoou os seus pecados do passado e Saga por que sempre estivera ao seu lado, nos bons e nos maus momentos.

Os golpes se seguiram cada vez mais violentos. Shaka elevou o seu cosmo e lançou uma enorme bola de energia na direção de Kanon, que saltou muito alto para escapar do golpe. A bola de energia acertou uma coluna no fundo da arena a fazendo em pedaços em segundos. Assim que Kanon pisou no chão, Shaka o recebeu com um soco no estomago. Kanon sentiu o golpe recuando dois passos e cuspindo muito sangue, mas antes que fosse atacado mais uma vez, atingiu Shaka com um gancho poderoso. O sangue voo do nariz do loiro a grande altura. Os dois se afastaram preparando cada um seu golpe mais poderoso:

- Sinta a fúria dos deuses, Dragão Marinho: RENDIÇÃO DIVINA! – assim que Shaka invocou seu golpe, o espaço ficou tomado de imagens budistas e todo o céu escureceu.

- Você é quem vai se render, budista cretino: TRIÂNGULO DE OURO! – dito isso um enorme triângulo dourado apareceu na frente de Kanon fazendo tremer o chão sob seus pés ao mesmo tempo que estraçalhava tudo a sua volta a medida que crescia.

Os dois cosmos monstruosos se chocaram produzindo um barulho ensurdecedor. Toda a arena tremia devido à explosão. O santuário inteiro sentiu aquele embate de titãs. Dois cavaleiros saltaram de suas camas e chegaram primeiro a arena por que moravam mais próximos. Mascara observava tudo com um sorriso diabólico nos lábios. Então era assim uma guerra de mil dias? Era melhor do que ele imaginava! Assim que a poeira baixou, os dois lutadores correram um na direção do outro a fim de reinicia a batalha, mas desta vez foram detidos:

- PARE KANON, JÁ CHEGA! – disse Saga segurando o pulso do irmão a trinta centímetros do rosto de Shaka.

- PELOS DEUSES, O QUE DEU EM VOCÊ SHAKA? – disse Aldebaram também segurando o punho de Shaka na mesma distancia do de Kanon.

- Me solte Saga! Eu estava a ponto de vencer a luta, não vês?

- Que vencer o que? A luta estava empatada e tudo o que conseguiriam era destruir todo o santuário com essa batalha sem sentido! – disse Saga tentando afastar o irmão de cima de Shaka.

- Saga tem razão cavaleiros. Atena ficaria muito triste vendo dois cavaleiros de ouro lutando desse jeito! – disse Aldebaram retendo Shaka com um braço.

- Está se escondendo atrás de Saga, Kanon? Chamou o seu irmão para te salvar, é isso? – disse Shaka ainda enfurecido.

- Ta me chamando de covarde, barbie de armadura? Eu acabo com você na presença de qualquer um, seu cretino de uma figa... – e se precipitou mais uma vez, mas Saga o impediu empurrando o irmão.

- Eu disse para parar! O que você fez desta vez Kanon, tenho certeza que essa loucura é culpa sua...

- Minha culpa? Eu não comecei esta briga não...

- Não tente passar a mão na cabeça deste ai mais uma vez, Saga. Seu irmão jogou minha interna contra mim com suas intrigas, e ainda se aproveitou dela naquela noite em que ela bebeu. Ele merece um castigo e sou eu quem vai dar...

- Isso é verdade Kanon?

- Eu não fiz intrigas, eu abri os olhos da Jim para aquilo que todo o santuário suspeita. E não me aproveitei dela em nenhum momento, ela bebeu por que quis. Eu não obriguei...

- Cale-se desgraçado! Não se faça de santo por que isso também é culpa sua... – disse Shaka sendo segurado por Aldebaram.

- Basta cavaleiros! Como acham que resolverão suas diferenças brigando deste jeito? Shaka, achei que você fosse mais sensato... – disse Aldebaram segurando os ombros de Shaka que diante do comentário do Touro e do olhar imponente de Saga recuou.

- Seja qual for o motivo desta luta, ela acaba aqui e agora. O que fariam se Atena e Shion tivessem chegado aqui em vez de Aldebaram e eu? – perguntou Saga impondo sua autoridade. Ele era um dos poucos cavaleiros com autoridade suficiente para se fazer ouvido. Fora comandante do santuário e mestre de muitos cavaleiros ali no passado. Mascara da Morte só se aproximou da confusão quando Saga apareceu. Gêmeos era um dos poucos que ele admirava naquele santuário, tanto que fora um de seus seguidores no passado... Apesar de detestar a personalidade bondosa de Saga, lhe tinha muito respeito. Vendo que tinha chamado a atenção dos dois briguentos, Saga continuou:

- Atena trabalhou duro para manter a paz neste santuário. Acredito que todos vocês foram testemunha do esforço sobre-humano da nossa deusa para re-erguer esse lugar sagrado de ruínas. É assim que vocês retribuem a nova vida que ela nos deu? Lutando sem motivo no solo sagrado onde mora a deusa a qual juramos proteger cavaleiros?

- Você tem toda a razão, Saga. Não devia ter deixado a raiva me dominar dessa maneira. – Eu entendo que você queira defender a sua interna, Shaka. Eu no seu lugar faria o mesmo. – disse Saga com um tom de voz ainda de autoridade, mas bondoso.

- Quanto a você Kanon, se chegar perto da minha interna de novo, não respondo por mim. E garanto que nem Saga nem ninguém será capaz de te salvar... – e deu as costas caminhando em direção às doze casas seguido por Aldebaram de Touro. Kanon por sua vez só não mandou o loiro à merda por que estava sob o olhar de autoridade de Saga.

- Não adianta olhar para mim com esse olhar de grande mestre, Saga. Cara feia para mim é fome. E quer saber? Mil dias seriam pouco para eu encher aquele budista de porrada. Eu esperei por isso quase a vida toda, e você cortou o meu barato de novo.

- Cortei o seu barato ou salvei a sua vida? Teve sorte dele não ter tirado alguns dos seus cinco sentidos...

- iiihh, mesmo que tirasse os cinco logo de uma vez eu ainda venceria. Nunca tive medo dessa barbie de armadura, aiii... – e gemeu segurando o abdômen dolorido.

- A ta, olha só para você, mal consegue ficar em pé. Anda logo seu moleque, vamos para casa antes que você desmaie e eu não to nem um pouco a fim de te carregar... Vai ficar ai Mascara?

- Daqui a pouco eu alcanço vocês.

Depois que os gêmeos saíram, Mascara se pôs a observar a arena destruída pela luta de Kanon e Shaka. Havia uma enorme cratera aberta no chão e várias colunas viraram pó. Com certeza Shion daria um ataque de acabar o mundo quando visse aquilo.

~x~

Um forte puxão no braço interrompeu os pensamentos de Jim:

- Não pode ficar ai parada, é perigoso.

- Onde está o meu mestre e o Mu, Camus?

- Nem Shaka nem Mu estão aqui. Precisamos sair daqui também o quanto antes e precisamos de você para isso mon ange.

- Precisam de mim? Para que? ...Não vou sair daqui sem o meu mestre...

- Shaka está em segurança. Mascara da Morte foi com ele para outro lugar. Precisamos que se concentre e nos tire daqui usando o seu poder. Acha que pode fazer isso? – disse segurando o rosto de Jim com as duas mãos com intenção de passar segurança a jovem

- Acho que sim.

- Ótimo...

Um som de metal se retorcendo vindo do palco central da boate interrompeu a concentração de Jim. Toda a estrutura de luz e refletores estava desabando em cima da multidão que tentava fugir em desespero. O impulso de ajudar fez Jim se teletransportar junto com Camus para cima do palco. Assim que reapareceu ela esticou a mão usando o seu poder telecinético para parar a enorme estrutura de metal que jazia do teto. Concentrou-se e conseguiu guiar a estrutura para local seguro, longe dos presentes. Uma lâmpada pequena desabou em cima de um enorme refletor posicionado próximo a umas cortinas decorativas no fundo do palco causando uma explosão, logo após um pequeno incêndio se formou imediatamente, causando mais gritaria.

- Camus, temos que fazer alguma coisa. A vocalista me contou que atrás daquelas cortinas tem uma saída de emergência. – disse Milo indo ao encontro de Camus e Jim.

- Eu já entendi Milo, distraia as pessoas junto com a Jim. Eu vou dar um fim aquele fogo. – disso Camus depois foi até o incêndio que a essa altura tomava conta de boa parte da cortina, exibindo altas labaredas.

Milo ficou na frente da ação de Camus tentando acalmar a pequena multidão que tinha procurado o palco para se abrigar da correria:

- Não se preocupem gente, vai ficar tudo bem. – diz o escorpião sorrindo tentando passar alguma segurança.

- O que aquele louco vai fazer no meio daquele fogo, não vê que é perigoso? – pergunta a vocalista loira.

- Não se preocupe, o meu amigo é bombeiro, sabe o que está fazendo. – respondeu Milo para a loira ainda sorrindo.

Milo e Jim tentam afastar todo mundo de perto das cortinas enquanto Camus usava o seu cosmo gelado fazendo as chamas baixarem e se extinguirem em poucos segundos apenas com o movimento de suas mãos. Toda a ação foi feita com muita discrição pelo francês, mas não escapou do olhar atento da vocalista loira que observava tudo com uma expressão de assombro e curiosidade por de baixo do braço de Milo. Ela também viu quando Jim parou a estrutura de metal com a mente.

Assim que a saída de emergência é liberada, os cavaleiros conduzem as pessoas pela passagem. O corre-corre para a saída principal é reduzido consideravelmente, tendo em vista que boa parte das pessoas foram para a passagem descoberta pelos cavaleiros. Afrodite, Lucy e Shura se juntam a Camus, Milo e Jim próximo ao palco principal:

- Temos que sair rápido daqui. Antes que polícia entre perceba que somos estrangeiros. – disse Shura.

- Céus, eu sou muito bonito para ir em cana! – exclama Afrodite com a mão no peito e cara de horrorizado.

- Consegue teletransportar todos daqui mon cherí? – pede Camus segurando os ombros de Jim.

- Acho que consigo. Coloquem todo mundo a mão em mim e não se mecham... – os cinco colocaram uma mão no corpo de Jim e esperaram ela se concentrar. Jim fechou os olhos e pensou firme no portal de acesso ao santuário. A vontade era tanta de sair dali que nem pensou no esforço que estava fazendo. O grupo reapareceu próximo ao portal dimensional, longe de toda a confusão. Assim que abriu os olhos, Jim sente sua vista embaçar e suas pernas fraquejarem devido ao grande esforço que fez teletransportanto tanta gente e ao mesmo tempo. Ela quase vai ao chão sendo amparada a tempo por Camus:

- Você está bem Jim? – pergunta o francês preocupado com a falta de cor no rosto da interna.

- To, to-o... Eu só preciso de um minuto. – responde de olhos fechados sentindo a cabeça rodar.

- Deve ter sido muito esforço tirar todo mundo daquela boate. Sobrecarregamos os poderes do pudinzinho... – diz Milo acariciando a testa de Jim carinhosamente. Lucy estava ao lado dele, muito preocupada com a amiga.

- E onde está aquele carneiro roxo numa hora destas? – pergunta Afrodite ligando para Mu sendo atendido pela caixa postal. – Você o viu, Shura?

- No, e também não senti o cosmo dele na boate. Ele deve estar muito longe daqui a essa hora... Temos que atravessar logo o portal, já ficamos tempo demais fora.

O grupo passa pelo portal indo em direção as doze casas. Camus leva Jim nos braços mesmo sob os protestos da jovem, que dizia se sentir melhor mais ainda exibia uma palidez cansada no rosto. Já era de madrugada quando Camus chegou à casa de Virgem ainda com Jim nos braços:

- Está entregue. – diz o francês colocando Jim de pé na frente da sexta casa.

- Obrigada Camyu. Não precisava se dar ao trabalho de me carregar até aqui. Eu já tinha voltado ao normal há séculos. – diz Jim muito sem jeito.

- Non foi trabalho nenhum mon cheri. É melhor entrar. Precisa descansar, pois daqui a algumas horas recomeça mais uma jornada de treinos. – disse Camus segurando o queixo da morena. – Shaka deve estar a sua espera.

Estava tão distraída com a presença de Camus que esqueceu da preocupação com o mestre.


1 – Trechos da música "Everybody Wants Something From Me" do The Pretty Reckless.

2 – "You", também do The Pretty Reckless.

(só colocarei agora músicas traduzidas atendendo a pedidos)

**CCADMCF: A balada dos cavaleiros entrou pelo "kanon" eheehehehhh :P

Cosmo-telepatia: segundo o manual de treinamento dos cavaleiros de ouro, ao qual eu tive acesso exclusivo, significa comunicação via cosmo energia. É na hora que eles se comunicam através do cosmo bunitinho. Praticamente todos os cavaleiros de Atena fazem essa mágica. Diferente de telepatia que é mais "complexa", digamos assim. Telepatia sim, entra-se na mente e se pode ouvir os pensamentos, se comunicar e tal. O bloqueio mental não deixa ninguém entrar na mente de Jim, portanto, telepatia é inviável. Mas cosmo-telepatia é possível, já que não envolve a mente e sim o cosmo. Ta explicado? ;)