Capítulo 10 - Um jogo de espera e tensão

Spending my time

Watching the days go by

Feeling so small, I stare at the wall

Hoping that you are missing me too

(Roxette: Spending my time – Joyride, 1991)


Vegeta nunca tinha entrado em um automóvel antes. Bulma pacientemente o ensinou a usar um cinto de segurança, avisando a ele que não, não podia deixar de usar por mais que soubesse que se batessem nada aconteceria a ele, porque se achava forte e indestrutível.

– Não quero pagar uma multa por sua causa, sabichão.

– O que é uma multa?

Bulma explicou a ele brevemente como funcionavam leis de trânsito, enquanto dirigia até seu restaurante favorito. Fingiu para si mesma ignorar que estava levando ele ao mesmo restaurante que costumava ir com Yamcha. Sabia, lá no fundinho, que essa era uma forma de se vingar do ex. Logo todo mundo esportivo estaria comentando que a ex-namorada quase noiva do capitão dos Taitans tinha sido vista com outro rapaz. Era ótimo, afinal, descobrira no dia seguinte do término do namoro que a traição de Yamcha não havia acontecido em segredo e estava em várias revistas de fofocas. Chumbo trocado, afinal, não doía nada.

Apesar de comer com a mesma voracidade, Vegeta tinha modos à mesa incomparavelmente melhores que os de Goku. Enquanto comiam, ela falava bem mais que ele, contando banalidades sobre a festa de Chichi e comentando sobre o pouco que vira do treinamento de Goku com Gohan e Piccolo.

– Eles tem sorte – disse Vegeta – ter um adversário para treinar é sempre melhor.

– Você podia engolir seu orgulho e ir treinar com eles. Isso deixaria Goku radiante.

– Eu não estou interessado. Não preciso da ajuda de Kakarotto. E muito menos quero deixá-lo "radiante".

– Ah, esse orgulho... – ela suspirou – Vegeta, eu preciso te dizer algumas coisas.

Ele parou de mastigar e a encarou, desconfiado. Havia percebido uma coisa desde que ela havia chegado, mas ficara imaginando se era verdade: ela estava impondo a si mesma uma distância em relação a ele, agindo de forma simpática e amigável, mas ao mesmo tempo quase formal. Mas deixou que ela falasse:

– Eu pensei sobre aquilo que você me disse sobre mim e Yamcha... era realmente uma parceria de sexo recreativo que nós tínhamos. Muito tempo atrás foi algo além disso... mas tudo mudou e eu não percebi. – ele a olhava, calado, até porque não saberia o que dizer. – e eu te peço desculpas se fui tão irritante contigo naquele dia. Acho que eu estava chateada e acabei descontando em você.

– Percebi. – ele disse – mas me avise da próxima vez que for me deixar sozinho com seus pais para que eu fuja para outro planeta.

Ela riu. Então olhou para ele séria e disse:

– Eu fui imatura e grosseira naquele dia contigo. Eu sei que você é um adulto e provavelmente sabe seus limites. Não vou mais, nunca mais, te impedir de treinar e vou te ajudar ao máximo para que você fique mais forte. Essa semana eu prometo que vou te entregar sua nova armadura, e eu vou pedir para o meu pai para fazer uma câmara de gravidade aumentada interna. Pode demorar um pouco para ficar pronta, mas vai ser ainda melhor que a da nave, e mais estável.

– E eu deveria ter te agradecido, você tratou muito bem dos meus ferimentos.

– Eu espero que você não se machuque de novo, mas, precisando tratar novos ferimentos, conte comigo. Eu farei tudo ao meu alcance para ajudá-lo, sempre.

Ele a encarou, estranhando a forma gentil, porém ainda distante e quase formal como ela falava com ele. Então ele soube. Bulma o estava tratando como um amigo, procurando deixar de lado aquele jeito provocante, sendo franca e aberta. Por um instante, sentiu um certo alívio. Poderia se concentrar no que precisava. Mas algo dentro dele sentiu uma certa tristeza e ele soube que sentiria falta daquela estranha tensão entre eles, que sugeria que poderiam se agarrar a qualquer momento.

E ela cumpriu a promessa de ajudá-lo: naquela mesma semana entregou a ele uma armadura nova em folha, muito semelhante a que ele usava antes. Quando perguntou a ela como conseguira, ela disse apenas:

– Análise molecular para descobrir qual o material na Terra que poderia emular o da armadura e uma boa moldagem. É fácil chegar quando se sabe o caminho.

A armadura que ela fez se provou mais incrível ainda quando ele a usou no treinamento. Deixou os robôs baterem nele com toda força, mas nada sofreu. Tão eficiente como as melhores armaduras do império Cold. Aquela mulher era mesmo um demônio de inteligência e eficiência.

Logo, a rotina do treinamento dele se intensificou, mas ele seguia frustrado, irritado. Ele sentia que faltava um passo curto para chegar à transformação, mas não conseguia saber o que faltava para dar esse passo. Achava que a chave era a raiva, mas não conseguia entender como ele, com tanta raiva dentro de si, não conseguia ultrapassar aquele limite que ele seguia tentando empurrar à força, nem que para isso precisasse se ferir seriamente.

Bulma, por sua vez, se convenceu que era melhor manter aquela distância segura. Seguia encontrando-o no café da manhã e à noite. Mas, com a desculpa de ajudá-lo no treinamento, passou a mandar que entregassem a ele as demais refeições diretamente na nave. Quanto menos contato com ele, melhor para os dois.

Mas às vezes acordava no meio da noite pensando nele, a poucos metros de distância, sozinho. Nessas horas, sua cama parecia enorme e fria. Imaginara os dois nela, inúmeras vezes, e chegara a ter estranhos sonhos com isso, mas acreditava com todas as forças que era melhor permanecer na seara da fantasia. Não sabia que muitas e muitas noites era ele quem estava acordado, atormentado por pensamentos parecidos.

Mas às vezes ela tinha a impressão que ele queria encurtar a distância. Várias noites, quando ele entrava após o treino e a via vendo filme, parava num canto da sala, de pé, os braços cruzados, e começava a assistir o filme, raras vezes desde o começo.

E sempre fazia perguntas ridículas, sem perceber:

– Mas então, quem são esses sujeitos?

– Samurais. Foram contratados para defender a aldeia.

– E quem garante que eles vão manter a promessa? Podem depois tomar o lugar dos sujeitos que atormentam a aldeia.

– Vegeta, são samurais, não sayajins. Têm um código de honra.

– Sayajins também têm um código de honra, ora essa...

– Ele inclui ficar atrapalhando quem quer apenas assistir um filme em paz? E porque você não se senta logo na droga do sofá em vez de ficar aí ainda por cima com o pé na parede, sujando tudo?

– Eu estou bem aqui. – ele disse, tirando o pé da parede um tanto envergonhado.

Às vezes ele nem assistia o filme até o final e quando se tratava de um romance ou musical ele nem mesmo parava na sala:

– De novo essa coisa idiota de gente cantando e dançando?

– Ora, Vegeta, faça-me o favor. No seu planeta não tinha música?

– Tinha, e era tão chata quanto a da Terra. Vou dormir.

Mas um filme sobre música chamou sua atenção.

– Então esse músico tem inveja do outro músico?

– Sim. O outro é um gênio, ele não consegue alcançá-lo. Me lembra alguém...

Ele bufou de raiva. Foi o primeiro e único caso de pessoa que assistiu "Amadeus" torcendo para Salieri matar Mozart. E o filme foi longo o suficiente para fazê-lo sentar no sofá, na ponta oposta a ela. Ele nunca admitiria, mas a música de Mozart foi a primeira música da Terra que ele autenticamente apreciou e achou bela, e só isso bastava para caracterizar o compositor como um gênio, realmente. Quando o filme acabou, ele disse:

– Que sujeito mais idiota. Eliminou o rival e depois se arrependeu.

– Vegeta, em primeiro lugar essa história não aconteceu assim. Ela foi escrita, usando personagens reais numa situação fictícia, para mostrar o poder destrutivo da inveja. – ela se levantou e seguiu para o seu quarto – não me admira realmente você se identificar com o Salieri...

– O que você quer dizer com isso? – disse ele, seguindo-a

– Deixa pra lá – ela disse, evitando a discussão. Ele se aproximou e a segurou, obrigando-a a se virar.

– Você sempre tem uma lição de integridade para mim, não é mesmo? Sempre tão magnânima e perfeita. Se acha assim, tão moralmente superior? – Os olhos pretos dele encaravam os dela, com um ar intrigado, mas ao mesmo tempo com raiva, tensos. Por um instante, ela achou que ele fosse beijá-la e ele chegou a cogitar a ideia. Mas Bulma espalmou a mão no peito dele, num contato físico que eles raramente tinham e o afastou dizendo:

– Eu sou humana. Cheia de erros e defeitos. Mas pelo menos eu não sou pura inveja e maldade que nem você, que não admite que odeia Goku apenas porque sabe que ele é mais forte! – ela correu para o seu quarto, deixando-o tenso e excitado atrás de si.

Como seus quartos eram lado a lado, os dois puderam ouvir a movimentação um do outro, sabendo que ambos estavam acordados. Bulma o ouviu no chuveiro, mas não imaginou que ele naquele instante se tocava, imaginando-a ali com ele. Por sua vez, ele a ouviu fechar a porta do quarto, passando o trinco, coisa que raramente fazia. Imaginou que ela fazia aquilo para evitar que ele a procurasse, não sabendo que fora a forma que ela encontrara para não sentir-se tentada a invadir seu quarto e calar aquela boca pretensiosa com um beijo. Quando a casa ficou em silêncio, ficaram os dois, cada um em sua cama, insones e perdidos de desejo um pelo outro.


Depois desse dia, Vegeta parou de prestar atenção nos filmes dela, passando direto pela sala, murmurando apenas um cínico "boa noite" entre os dentes. Seus encontros no café da manhã se tornaram mais silenciosos e distantes, ainda que educados.

Vegeta estava mais concentrado que nunca em seu objetivo, ainda mais depois que passara a treinar na nova sala de gravidade, dentro da construção, e ela muito focada em seu trabalho, lotando-se de projetos e pesquisas ao ponto quase da estafa. Mas a distância que se impuseram não ajudou nenhum dos dois a ser mais eficiente ou mais concentrado, porque a tensão permanecia ali, como um espinho na alma de cada um dos dois.

Nos fins de semana, Bulma saía com amigas e amigos da época da faculdade normalmente para dançar. Às vezes ela se deparava com um carrancudo Vegeta, principalmente na hora que saía, mas em mais de uma ocasião, quando chegou o encontrou na cozinha, sempre bebendo água. Aparentemente ele tinha muita sede à noite.

Uma única vez, porém, percebeu, ainda estacionando o carro, a silhueta dele na janela do quarto, no escuro, observando a rua. Por coincidência isso aconteceu na única ocasião em que, no meio da balada, incentivada pelas amigas que a cercavam, permitiu que um rapaz a beijasse. Apesar de bonitinho, ela sequer pegou o telefone dele. Disse a si mesma que ainda não estava pronta para outro romance, mas no fundo ela sabia que era porque já se sentia vivendo outro romance...

Ela não fazia ideia que sempre que saía ele não conseguia deixar de rastrear seu ki, e naquela noite ele havia sentido uma oscilação diferente e um outro ki, muito próximo ao dela. Quebrou três robôs, furioso, e foi para o seu quarto, onde ficou olhando pela janela. Mas quando ela se aproximou, estava sozinha e ele sorriu, sem saber direito por quê.

Na semana seguinte ela perguntou, quase de farra, se ele não queria sair para dançar e a resposta foi um olhar ofendido e um seco "não". Mas sair com amigas, eventualmente paquerar e beber um pouco não davam conta da pressão que as responsabilidades que ela assumira na empresa traziam.

Numa tarde de sexta-feira, no entanto, ela realmente resolveu jogar tudo para o alto e largou uma pesquisa onde estava completamente perdida nos cálculos. Decidiu que tiraria o resto do dia para relaxar e esquecer preocupações. Foi para o banheiro do seu quarto, encheu a banheira de água quente e muita espuma e entrou, querendo apenas esvaziar a mente.

Coincidência ou não, quase ao mesmo tempo, na sala de treino, um robô apresentou defeito sério e explodiu, atirando estilhaços para todos os lados. Um pedaço de metal passou raspando no braço esquerdo de Vegeta, que urrou de dor e frustração quando percebeu que não conseguira evitar um corte profundo. Pingos de sangue espalharam-se pelo chão e ele praguejou vendo que precisaria de cuidados que ele mesmo não conseguiria prover. A contragosto, pensou na oferta dela de cuidar dos seus ferimentos quando ele precisasse.

Ele desligou a câmara de gravidade e procurou Bulma pelo comunicador, mas um ajudante disse que ela saíra do laboratório, informando que estaria em casa. Apertando o ferimento com a mão direita, ele começou a procurar o ki dela mentalmente, até achá-la no quarto, onde entrou sem bater, afinal, ela nunca fechava a porta. Sem imaginar que a encontraria na banheira, ele chegou até a porta do banheiro conjugado, que estava aberta, e a viu, imersa até o pescoço numa espuma branca e brilhante, os cabelos enrolados numa toalha e os olhos fechados, o rosto relaxado com um sorriso de evidente prazer.

Ficou um longo instante parado à porta, sem conseguir parar de admirar aquela expressão de paz em seu rosto. De repente, ela abriu os olhos e deu um grito, que o fez finalmente perceber que ele estava sendo inconveniente.

– Eu não vi nada! – ele disse, virando-se de costas para o banheiro. – Diabos, mulher, você nunca fecha essa porta?

– Eu estou na minha casa, no meu quarto e você é o invasor, Vegeta!

– Me disseram que você estava em casa e eu vim te procurar... preciso de ajuda. Eu cortei meu braço.

– Oh – ela disse – não saia daí nem se vire, vou sair da banheira.

– Está bem – ele disse, percebendo tarde demais que estava, na verdade, de frente para um enorme espelho do quarto dela.

Constrangido mas ao mesmo tempo, curioso, ele viu pelo espelho quando ela saiu da banheira, se enxugou com uma toalha e andou nua pelo banheiro até chegar a um gancho onde pendurara um roupão.

Ele fechou os olhos. Vinte segundos de nudez molhada que ele sabia que assombrariam suas fantasias dali em diante. Quando ela se virou e o viu, refletido no espelho e com os olhos fechados, tomou aquilo como um grande gesto de nobreza: fechar os olhos para não vê-la nua! Jamais imaginaria o quanto estava enganada. Logo chegou ao lado dele e tocou seu braço de leve, sorrindo:

– Vamos cuidar desse negócio – disse com suavidade – e tratar para que não infeccione, ok?

Ele não disse nada, apenas meneou a cabeça para administrar seu autocontrole. Ela voltou ao banheiro, de onde trouxe algodões, curativos e um antisséptico indicando a ele a cadeira de sua penteadeira, onde ele sentou, rezando para que ela não percebesse sua excitação.

– Posso ver esse ferimento? – ela sorriu para ele, que tirou a mão ensanguentada de cima do corte, fazendo o sangue escorrer pelo seu braço, pingar pelo cotovelo e formar uma pequena poça no chão.

– Ah, Vegeta, foi bem sério. Precisamos lavar esse negócio antes de passar o remédio.

Ela o levou até o banheiro e abriu o chuveiro, ordenando que ele lavasse o braço. Ele fez uma careta por causa da água fria, mas ela logo fechou o chuveiro, enxugando o braço e parte do tórax dele com uma toalha, que ficou um pouco suja de sangue. Ela disse a ele que segurasse a toalha sobre o ferimento e pediu que ele deitasse em sua cama.

Com o algodão, ela terminou de limpar o ferimento, agora com o antisséptico e então pegou um pequeno aparelho em forma de cubo, digitou um número nele e alinhou no corte, acionando-o em seguida. Ele fez uma careta de dor quando o pequeno cubo juntou os dois lados de sua pele, unindo-os num ponto de sutura. O cubo deslizou um pouco para frente e repetiu o processo, até que todo corte foi suturado e ele parou. Bulma pegou o aparelho, finalizou a sutura com um adesivo curativo, sorrindo, e disse, mostrando o pequeno cubo:

– Uma invenção minha. Um cubo de sutura, com uma pequena dose de anestésico. Fique um pouco deitado aí, vou guardar o material.

Ele ficou olhando para o teto enquanto a ouvia movimentando-se no banheiro. Pensou que se ficasse deitado ali não ia mais querer levantar, pelo contrário, ia querê-la deitada ali, com ele. Sentou-se, então, e quando ela voltou, já estava de pé, movendo o braço para se acostumar com os pontos. Ela o olhou com estranhamento.

– Você vai continuar treinando? Os pontos podem abrir

– Ferimentos mais sérios não pararam meu treinamento antes, você sabe disso – ele disse, entregando a ela a toalha ensanguentada. – desculpe pela toalha. E obrigado.

Saiu porta a fora, em passos apressados, tentando não pensar no que havia debaixo daquele roupão.

Bulma fechou a porta do quarto e deitou-se na cama, aspirando o cheiro da toalha, com um certo sentimento de culpa. Cheirava ao sangue e ao suor dele. Sangue e suor: nada definia Vegeta melhor que isso.


Nota: "Ain, Aline, ela beijou outro gostando do Vegeta?" beijou sim. Até mesmo pra ajudar a perceber que não adiantava fugir, né? Mas queria dizer mesmo para vocês que esse é um dos capítulos que eu mais gostei de escrever, com essa aproximação furtiva e essa tensão de coisa mal resolvida pairando entre eles. Será que no próximo acontece alguma coisa e a tensão explode? Me aguardem.

Nota 2: Os filmes que eu cito nesse capítulo são:

"Os sete Samurais", de 1954, dirigido por Akira Kurosawa estrelado por Takeshi Shimura e Toshro Mifune, onde uma aldeia é atacada por bandidos e os aldeões decidem procurar samurais para defendê-los. É um clássico que serviu de inspiração para outros filmes, como "Sete homens e um destino" (!970) , "Mercenários das Galáxias" (1978) e até desenhos animados como o Animê "Samuray 7" (2004) e o clássico da Pixar, "Vida de inseto" (1998).

"Amadeus" de 1984 (o filme que eu mais amo na vida): a história romanceada de Wolfgang Amadeus Mozart baseada na peça de mesmo nome e estreada por Tom Hulce e F. Murray Abraham interpretando respectivamente Mozart e Salieri, um compositor e copista musical da época, que (a história é ficcional e não aconteceu assim) inveja e odeia Mozart e deseja sua morte, porque acredita que Deus foi generoso com um homem que não merecia o talento que possuía. Acho isso tão Goku x Vegeta que TIVE que colocar na história.

Nota 3: Um clássico dos anos 90 para quem não sabe inglês, a música do Roxette, "Spending My time":

Passando meu tempo

vendo os dias irem embora

me sentindo tão pequeno eu olho para a parede

esperando que você sinta falta de mim também