Na terça-feira de manhã, Bella andava a passear os cães quando viu uma mulher que andava a pastar as ovelhas no prado junto à sua casa. Aproximou-se e sorriu.

- Bom dia – disse, e a mulher olhou-a e endireitou-se.

- Bom dia. Tu deves ser a Bella. Sou a Esme. Bem-vinda à zona. Lamento que tivéssemos tido tão mau tempo na semana passada.

Bella riu-se.

- Oh, não importa. Foi divertido.

- O Carlisle disse-me que tinhas uma visita.

- Sim. Ficamo-vos muito agradecidos pelos troncos, e pelo leite e o bolo.

- Não têm de quê – a Fofinha estava a cheirar a mulher. Esta agachou-se e afagou-lhe a cabeça. – Lembras-te de mim, Lassie? Tem bom aspecto. Parece que o teu cão a adoptou.

- São muito amigos. Espero que ninguém se chateie por eu ter ficado com ela.

- Oh, não! Não é de ninguém. Ainda bem que encontrou uma casa. É muito simpática.

Esme aproximou-se mais e olhou Bella dos pés à cabeça.

- Não pareces uma mulher do campo. Porque é que vieste para aqui? Andas a fugir? As pessoas costumam vir para aqui para isso.

Bella esboçou um sorriso.

- Estou apenas a estudar quais são as minhas prioridades. A pôr as ideias no sítio.

- Ah, sim? Deve ser agradável ter tempo para isso. Queres vir tomar um chá comigo mais tarde?

- Claro, mas primeiro vou levar os cães para casa.

Esme assentiu e Bella afastou-se. Não lhe apetecia muito ir tomar chá, mas pensou que seria bom conhecer os vizinhos. Carlisle tinha sido muito amável com ela.

Enviou umas mensagens urgentes e guardou os cães antes de se dirigir até à casa dos vizinhos. A porta de trás estava entreaberta, mas chamou e entrou ao ouvir uma resposta.

Esme tinha as mãos cheias de farinha e ergueu a cabeça.

- Põe água ao lume, tomaremos chá quando eu acabar isto. Senta-te…

Esme colocou uma bola de massa sobre a bancada e amassou-a com força até a água começar a ferver. A seguir, preparou um chá muito forte e Bella teve que lhe pedir mais leite.

- Quer dizer que vieste para cá para assentar as ideias?

- Sim, aluguei a casa por uma temporada.

Esme assentiu.

- O Carlisle acha que fugiste do teu marido; disse-me que o homem que estava em tua casa no fim-de-semana parecia teu amante. Bom, isso apenas a ti te diz respeito. Queria apenas dar-te um conselho… não nos importamos com aquilo que vocês fazem, mas existem pessoas que podem sentir-se ofendidas. Talvez tenhas que ser mais cuidadosa com o que fazes.

Bella ficou espantada, mas esboçou um sorriso.

- Lamento decepcionar-te, mas aquele é o meu marido e não o abandonei. Vim para aqui para esclarecer certos aspectos da minha vida. Queria um pouco de paz e tranquilidade. Tenho um negocio… que me rouba muito tempo e o Edward está sempre a trabalhar, passa muito tempo fora de casa…mal passamos tempo juntos. Queria apenas tempo para pensar.

- Parece que pensaste bastante. Sei como é. Não és a única que sente falta do marido. Durante a época de caça, o Carlisle mal tem tempo de vir comer a casa. Não há tempo para as coisas importantes. Temos que viver com isso… além disso, temos sempre muito que fazer, pelo que nunca me aborreço. Como dizia a minha avó, o diabo cria sempre trabalho para as mãos ociosas.

- Eu não tinha nada que fazer, era esse o problema. Ficava em casa como se fosse um móvel. Não gostava nada disso, por isso é que iniciei o meu próprio negócio.

Esme observou-a com curiosidade.

- Ainda não tens filhos?

- Não… ainda não.

- Hão-de chegar, mulher – Esme confortou-a, agarrando-a pelo braço. – Não te preocupes. Quando for o momento certo, eles chegam.

«E se isso nunca acontecer?», pensou Bella com tristeza. «E se perco o Edward por isso?».

- Espero que tenhas razão – olhou para o relógio. – Meu Deus, já é tardíssimo. Tenho que me ir embora. Tenho que fazer um telefonema importante. Muito obrigada pelo chá. Foi um prazer conhecer-te.

Bebeu o último gole e levantou-se.

- Não te incomodes, eu saio sozinha. Mais uma vez, obrigada pela vossa ajuda.

- De nada. Se precisares de alguma coisa, basta telefonares.

- Sim – sorriu e saiu.

Mais tarde, já em casa, recordou a atitude de Esme e interrogou-se sobre se conseguiria ser tão forte. O mais certo é que não. Queria um casamento a sério, um companheiro com quem compartilhar as coisas e não um marido ausente.

Queria a sua antiga vida, a mesma que tinha quando trabalhava com Edward e tomavam decisões em conjunto, mas isso era impossível, já que a vida dele mudara bastante nos últimos dois anos.

Ampliara a sua área de operações financeiras e trabalhava cada vez mais no estrangeiro.

Bella suspirou.

De facto, em muitos aspectos, fora ele quem a abandonara a ela e não ao contrário. Bella apenas mudara de sítio. Tinha-o perdido e parecia que a única maneira que tinha para o recuperar era ficar ali e conseguir que Edward lá fosse aos fins-de-semana.

Tentou localizá-lo durante o dia, mas não estava no escritório de Nova Iorque e, pelos vistos, não o esperavam. Tinha o telemóvel desligado e isso desconcertou-a. Deixou uma mensagem.

Era quase meia-noite quando viu que umas luzes se aproximavam pelo caminho. Os cães ladravam furiosamente.

Não conseguia ver grande coisa, apenas que se tratava de um carro pequeno. Quando o condutor abriu a porta e acendeu a luz do interior, viu que era Edward. Desceu as escadas a correr, abriu a porta e foi até junto dele.

- Olá, pensei que era melhor vir cá pessoalmente para ver o teu trabalho.

Não era isso que dizia o seu sorriso e Bella abraçou-o e beijou-o.

- Parece-me muito boa ideia.

Dirigiram-se para casa.

- Queres um café?

- Ainda há uísque?

- Há.

- Quero as duas coisas e quero ver a tua página web. Já tiveste tempo para estudar as minhas ideias?

- Já terminei.

- És uma estrela!

Bella preparou um café e serviu-lhe um copo com uísque. Depois, foram para o escritório e Bella mostrou-lhe o que tinha feito. Edward colocou-se atrás dela, pelo que foi difícil concentrarem-se.

- Gosto. Vamos fazê-lo.

Bella girou a cadeira e observou-o.

- Obrigada.

- É um prazer. Não achas que está na hora de nos irmos deitar?

- Acho que essa foi a melhor ideia que tiveste nos últimos tempos.

- Fico feliz que gostes.

Foi como o último fim-de-semana em que tinham estado juntos. Adormeceram depois das três e, às seis, ele acordou e beijou-a.

Bella preparou-lhe um café, enquanto ele tomava um duche. Sentaram-se à mesa da cozinha, enquanto ela pensava durante quanto tempo iam conseguir viver assim. Era uma loucura…

Edward tomou o pequeno-almoço.

- Tenho que me ir embora. O avião não espera. Se continuarmos assim, vou ter que comprar um avião só para mim.

- Lamento – afirmou, abraçando-o. Edward beijou-a na cabeça.

- Não. As coisas são mesmo assim. Vai deitar-te e logo te digo quando é que posso cá vir de novo. Talvez dentro de dez dias.

- Está bem.

Os seus lábios encontraram-se e demostraram a sua enorme paixão.

- Cuida bem de ti… e obrigado pelo excelente trabalho. És uma menina muito inteligente.

Bella subiu as escadas envolta no aroma de Edward. Deitou-se e chorou por ele ter partido.

- És uma parva – disse, esmurrando a almofada. – Chega!

Mas só parou quando adormeceu.

Na segunda-feira seguinte, Edward estava no seu escritório com um monte de papelada na mesa, tinha um aspecto horrível e até Kate, a sua secretária lhe dissera que tentava abarcar demasiadas tarefas.

- Oh, Bella! – murmurou. – O que é que se está a passar? Onde é que erramos? – fechou os olhos, apoiou os cotovelos na mesa e tapou o rosto com as mãos. Estava esgotado. Estivera em Nova Iorque até sexta-feira à noite, depois regressara a casa e dormira umas horas, antes de convocar uma reunião urgente com os membros da sua nova empresa para o dia anterior.

Ainda por cima, Kate queixava-se que ele nunca ali estava e que não fazia o seu trabalho.

Levantou-se e aproximou-se da janela. Era hora de ponta e o trânsito estava parado, como sempre. De súbito, a calma da Escócia surgiu na mente como um oásis não meio de um deserto.

Desejou ter tempo para lá ir, mas não tinha. Muito menos com Kate em pé de guerra e Jasper a pedir-lhe ajuda para tomar decisões.

Kate entrou no gabinete.

- Estás com um aspecto horrível. Vou buscar-te um copo de água.

- Quero um café.

- Azar. Vais beber água.

Voltou a sair e Edward suspirou, passando a mão pelo cabelo. A sua secretária estava a transformar-se numa bruxa.

- Toma. Bebe isto. Quando é que foi a última vez que bebeste algo que não tivesse nem cafeína nem álcool?

Edward encolheu os ombros.

- De manhã, lavei os dentes com água – respondeu, mas Kate lançou-lhe um olhar fulminante.

- Tens que cuidar mais de ti se pretendes continuar com uma vida tão agitada. No entanto, se pretendes recuperar a Bella, esse mau aspecto até tem um lado positivo. Pelo menos, assim ele terá pena de ti. E não me digas que estou a exceder as minhas funções – continuou. – Trabalho para ti há seis anos e, sinceramente, não estranho nada o facto de a Bella ter-se ido embora. Se queres recuperá-la, tens que fazer mudanças radicais na tua vida.

A seguir, virou-se e saiu, deixando-o imóvel.

De facto, começou a reflectir que a sua empresa já era suficiente grande e tinha mais dinheiro do que necessitava, e pouco tempo para o gastar, excepto para investir mais ou comprar empresas que requeriam a sua atenção.

Queria regressar à Escócia, mas não podia fazê-lo!

Voltou a olhar pela janela e, subitamente, não gostou do que viu. A cidade era como um formigueiro e, depois, de Bella lhe ter mostrado um pedaço do céu, só via ali caos e lixo.

De repente, engoliu em seco e pestanejou.

Abriu a porta.

-Tens que ver aqueles papéis, Edward – disse Kate. – O trabalho não se faz sozinho.

- Traz o teu caderno. Temos um pequeno trabalho e depois tenho que fazer uns telefonemas.

- O Jasper quer falar contigo… diz que não importa a hora que for. Está em Paris, podes localizá-lo no telemóvel. E tens de telefonar ao Jacob Black para falar da nova página web. Gostam, mas há um problema. Acham que não encaixa com a imagem da empresa.

- Não… a imagem que têm deles é que na encaixa na página – corrigiu, e Kate arqueou as sobrancelhas.

- Estás muito zangado… disse que devias tê-lo consultado – Kate enumerou outros telefonemas pendentes e Edward sentou-se. De repente, sentiu-se agoniado. Há quanto tempo viviam assim? Era uma loucura. Ninguém conseguia trabalhar àquele ritmo.

- És feliz?

- Feliz? – Kate ficou espantada. – Não especialmente.

- Então, porque é que continuas a trabalhar aqui?

Kate sentou-se à frente dele e olhou-o nos olhos.

- Não sei. Por ti? Pela Bella? Porque se eu não estivesse aqui não podias passar tempo nenhum com ela?

- Então, e a tua própria vida social?

- Mal temos vida social. Como o Garrett está em casa todo o dia, não temos muitos problemas. Cuida dos miúdos quando estão de férias e, por vezes, saímos durante os fins-de-semana. Somos uma família normal.

- Ele acha que tu trabalhas demasiado?

Ela riu-se.

- Um pouco. É essa a única razão pela qual discutimos.

- Lamento, devias ter-me dito. Necessitas de uma secretária?

- Eu tenho uma secretária. A Jéssica. Lembras-te?

Recordava-a vagamente.

- Desculpa. Parece que perdi o contacto com tudo o que me rodeia.

Kate deixou o lápis e os caderno, e adiantou:

- E o que é que vais fazer a respeito disso, Edward? Não podes continuar assim, nem eu. E já sabes o que é que a tua esposa pensa acerca de tudo isto.

Edward engoliu em seco e olhou para o outro lado. Não queria que Kate, por muitas boas que fossem as suas intenções, se adentrasse no mais profundo da sua alma.

- Tens alguma ideia?

- Deixa o escritório de Nova Iorque e o Jasper. Ele sabe tomar decisões, tu é que não o deixas agir por si mesmo. Pára de comprar empresas só porque gostas do aspecto que têm. Compra-as, mas vende-as a seguir. Esquece a empresa de Paris. Não significa nada. Dá-te muito pouco dinheiro comparativamente com o resto.

Edward olhou-a com o sobrolho franzido.

- É só isso?

Kate sorriu.

- Por enquanto… e foste tu que me perguntaste.

- E a Bella? Fazes alguma ideia?

- Primeiro, põe ordem na tua casa. A Bella esperará. Depois, vai ter com ela. Diz-lhe o que fizeste e pede-lhe que volte.

- Não sei se aceita.

- Bom, não tens nada a perder. Tens que ser radical, Edward.

Ele assentiu.

- Sim! Telefona ao Jasper.

Kate sorriu e levantou-se, e Edward olhou-a, apercebendo-se pela primeira vez que era uma mulher encantadora.

- Kate? – ela virou-se. – Obrigado.

- Foi um prazer.

- Há café?

- Vou fazer.

Ele sorriu, ela piscou-lhe o olho e fechou a porta.

Edward esfregou as mãos. Tinha as palmas suadas e o seu coração batia com força. Adrenalina. Ou ia à luta ou fugia. Edward estava a preparar-se para a batalha da sua vida.

Olá a todos.

O que acharam deste capítulo? Acham que é desta que o Edward abranda e consegue reconquistar a Bella?

Muito obrigada por todos os comentários que têm deixado, são muito especiais para mim.

Só quero avisar que o próximo capítulo é o último e depois é o epílogo.

Deixem comentários.

Beijinhos e até ao próximo capítulo.