Capítulo 9 – Draco e Gina


Ele olhou para Bellatrix, confuso com o que deveria fazer. A tia tinha no rosto um sorriso satisfeito, o que significava que pelo menos por enquanto ele não seria ameaçado de morte de novo.

Weasley estava de pé e livre, não mais presa por Rodolphus. Seu olhar era vago e estranhamente calmo. Ele sentia sua influência na mente dela, uma vibração amena em sua própria. E Draco ainda não acreditava que o feitiço havia funcionado.

Se não estivesse praticamente no fundo do poço, teria aberto um sorriso enorme – talvez até gargalhado. Afinal, tinha acabado de lançar com incrível sucesso uma maldição imperdoável. Um feitiço extremamente avançado... "Supere essa, Potter".

Mas o fato era que ele estava no fundo do poço. E perante a ameaça de morte e o prazo de um dia, mais o fato de que Weasley era testemunha potencial contra ele... Bem, até mesmo Draco tinha que admitir que lançar um feitiço não significava nada.

Os olhos de Weasley focaram no rosto dele por um breve instante. A vibração diminuiu.

- Mantenha-se focado, sobrinho. Ou vai perder o controle. Você não tem prática, então vai precisar de cuidado para mantê-la sob a maldição por muito tempo.

Assentiu, surpreso com a lição da tia, que agora parecia animada com os acontecimentos repentinos.

Encarou Weasley. "Você está bem. Está tudo bem. Aqui é seguro. Relaxe."

Ela quase abriu um sorriso, semi-demente e voltou com a expressão avoada.

Então, num piscar de olhos, Rodolphus e Bellatrix foram embora, com a promessa de dor e sangue se ele não voltasse para o hospital com a Taça na noite seguinte. Ele tentou não pensar em como estaria completamente morto em breve.

Mas não conseguiu.

Com apenas Weasley abobalhada e uma sala vazia como companhia, Draco sentiu as pernas tremerem de cansaço. Seu corpo inteiro pesado e os músculos tencionados. Estava exausto. E, ainda assim, não queria voltar para o Largo Grimmauld. Não queria deitar e fechar os olhos. Sabia que não conseguiria dormir de qualquer forma.

Como poderia?

Estava há horas de morrer e de ouvir como seu pai perdeu a alma para um Dementador.

Como tudo podia ter dado tão errado?

Engoliu em seco, fechando os olhos. Não conseguia pensar em nenhum plano mágico que pudesse tirá-lo daquele poço. A idéia de Bellatrix em usar a ruiva não era suficiente. Havia proteções demais e ela só duraria por algumas. Sem falar que teria que explicar sobre uma Weasley desacordada (no mínimo) de qualquer forma.

E com Dumbledore voltando, não havia tempo.

Em seu lugar, seu pai teria conjurado alguma solução extraordinária, e saber aquilo só aumentou a angústia de Draco.

Ele queria o pai de volta. Só isso. Queria voltar para casa e ir para escola. Tirar sarro de algum idiota cheio de espinhas. Ganhar uma partida de Quadribol. Ouvir Pansy reclamar de alguma coisa estúpida e mandar um novato arrumar o quarto dele.

Queria acordar na manhã de Natal e encontrar a árvore lotada de presentes. Passar a tarde abrindo cada um deles e deixar sua mãe enchê-lo de doces e bolos.

Queria ir à Copa Mundial com o pai e, Merlin, até queria ouvi-lo insistir num longo discurso sobre notas, responsabilidade e aparências.

Mais do que qualquer coisa, queria cair e chorar, fingir que era só um pesadelo ruim. Ignorar o fracasso e o final inevitável.

Mas Weasley estava ali. E a vibração diminuiu novamente.

Talvez ele devesse deixá-la ir. Algumas horas antes ou depois, não mudaria o resultado: total e completa aniquilação. Que diferença fazia se a Ordem soubesse ou não o que ele tentou fazer?

Não era justo. Não fora escolha dele. Por que tinha que ser punido por algo que sua mãe fez?

- Onde...

A voz de Weasley o acordou de sua miséria. Ela estava lutando contra o feitiço e Draco simplesmente não tinha vontade ou forças para reagir.


No começo ela estava vagamente ciente do que estava acontecendo, mas nada parecia particularmente preocupante. Pessoas falavam em volta dela, distantes. Havia um cheiro estranho no ar e ela sabia que alguém a esperava longe dali.

Mas tudo estava bem. Ela estava segura e... Deveria relaxar.

Relaxar era sempre uma boa idéia.

Até que uma parte dela acordou. Uma sensação de que era errado relaxar. Que ela precisava reagir e ir para longe dali.

A voz insistiu de que não precisava ter medo.

Gradualmente, ela discordou, finalmente percebendo que havia uma voz que não era dela. Alguém lhe dando ordens.

E Gina odiava quando as pessoas tentavam mandar nela.

- Onde... Eu... O que...

Seus olhos focaram em Draco Malfoy. As memórias voltaram de imediato. Bellatrix, as ameaças, o homem a encontrando... O quão próximo ela esteve de morrer.

Principalmente, no entanto, raiva e medo voltaram com todo vigor. A raiva a fez empurrar Malfoy com força, ignorando a possibilidade de ele não estar sozinho ou de ele lançar um Avada Kedavra como reação.

O medo a fez correr em direção à porta mais próxima.

- Petrificus Totalus!

Seu corpo enrijeceu e por pouco ela não caiu no chão, imobilizada. Pelo menos sua posição lhe deu equilíbrio para ficar de pé. Não mudava o fato de que estava sozinha, sem varinha e a mercê de Malfoy.

Ele andou devagar, dando a volta para que ficassem frente a frente. Sua aparência estava cada vez pior.

- Bellatrix foi embora. Não precisa correr.

Se pudesse falar, teria gritado na cara dele muitos xingamentos e ameaças. "Não precisa correr? Está maluco?". Não podia acreditar que ele fingia inocência. Ridículo!

- Eu vou te libertar do feitiço. E você não vai gritar, nem correr, nem me empurrar de novo. Só tem uma saída daqui e a porta está trancada de qualquer jeito. – ele limpou a garganta, antes de continuar. – E eu tenho uma varinha. Você não.

Fez a única coisa que podia e olhou para a mão dele. Segurava a varinha, mas ainda estava tremendo. Quem sabe Gina tinha uma chance de jogá-lo no chão e lhe roubar a varinha?

Em seguida, sentiu o corpo voltar ao normal e podia se mexer. Surpreendentemente não fez uma tentativa de atacá-lo outra vez. Decidiu que não era o momento.

- Eu não vou fazer seu trabalho sujo – anunciou, quebrando o silêncio. – Vou resistir à maldição e então contar para a Ordem o que está fazendo.

Ele não respondeu, preferindo fitá-la com uma expressão neutra. Ou seria cansada?

- Provavelmente.

Não era a resposta que Gina esperava.

- Provavelmente...?

- Você ouviu minha tia. Eu tenho um dia, Weasley. E... Snape não vai deixar ninguém entrar lá. Então, vá em frente. Conte para todo mundo. Não faz diferença.

Deu um passo para trás, para garantir mais espaço para fugir assim que ele ficasse mais distraído.

- É isso o que você ganha por ser um idiota e se aliar de novo com os Comensais.

A resposta veio num quase murmúrio.

- Talvez. Mas é tarde demais para voltar no tempo.

O que era aquilo? Malfoy admitindo estar errado? Mais: desistindo? Merlin, Bellatrix a tinha matado, pois o que estava vendo era algum tipo de alucinação pós-morte. Só podia ser. Seu lado curioso e parcialmente egoísta reconheceu aquele momento como sua chance. Ela tinha que aproveitar.

- Afinal... O que tem de tão importante naquele quarto?

Malfoy riu. Era uma risada vazia, sem muito ânimo por trás.

- Eu. Não. Tenho. Idéia. Algo que o Lorde das Trevas quer o suficiente para me matar e matar meu pai se eu não recuperar. Faz diferença? Eu não vou descobrir. E você também não vai.

Poderia ter sido uma ameaça, mas na voz quase rouca dele era apenas um fato. Deixou que ficassem em silêncio, não sabendo exatamente o que responder.

E então, uma idéia lhe veio à mente.

- Você-Sabe-Quem ou Bellatrix?

- O quê?

- Quem... Quem quer? Você-Sabe-Quem ou Bellatrix?

- Do que está falando Weasel?

Não sabia o motivo, mas parecia claro para ela o que estava acontecendo. E como poderia mudar a situação. Quem sabe estava louca. Afinal, lá estava Draco Malfoy, com as mãos tremendo, olhar distraído e fisicamente exausto à sua frente... E ela estava ocupada conversando com ele, em vez de sair correndo daquele lugar.

- Quem quer a tal taça? Porque para mim quem estava desesperada era Bellatrix. Não Você-Sabe-Quem.

Por um momento viu a confusão no rosto dele. Mas se esvaiu rapidamente.

- Ela é o Lorde das Trevas. Praticamente parte do corpo dele. Não faz nada que ele não queira.

- É? E quem te garante que ela não está te usando?

- Por que ela faria isso? – riu.

- Porque você é o único idiota o suficiente para ir contra a Ordem depois de tudo que Dumbledore fez por você e sua mãe.

Ele levantou a varinha, ofendido o suficiente para conjurar uma expressão de raiva. Gina continuou, compelida pela força da sua conclusão. Parecia tão claro... Tão certo. Que tinha que jogar na cara dele. Uma pequena vingança pelas frustrações que ele lhe causara.

- O que você esperava que acontecesse? A mulher é louca. Todo mundo sabe. Acha que ela não ia ameaçar você de morte? Depois do fato de que ela simplesmente destruiu minha casa procurando pela sua mãe? Por alguém que nem sequer tinha chances de estar lá?

- É diferente. Minha mãe traiu tudo o que acreditávamos. Eu não.

Ignorou a varinha praticamente em seu nariz.

- Uau. Você é muito burro.

- Cale a boca!

Esperava um feitiço vir com o grito, mas nada aconteceu.

- Seu grande plano era voltar para Você-Sabe-Quem... E depois o que, Malfoy? Ser ameaçado pelo resto da sua vida patética? Merlin, você um idiota.

- Ela vai tirar meu pai de Azkaban! Onde vocês o colocaram! – o berro ecoou pela sala, mas Gina não se deixou intimidar.

- Certo. Ela vai fazer isso logo depois de comprar sorvete para você. E te dar muitos abraços. Acorde! Se depender dela, seu pai vai apodrecer naquela prisão para sempre.

- CALE A BOCA!

Finalmente o feitiço veio. Sentiu uma dor pulsante no rosto e o tocou devagar, sentindo o sangue. Era um corte superficial em sua bochecha. Ela deu um passo para trás e ele mal notou.

– Eu vou salvá-lo! Entendeu? Eu VOU. Eu... Vou salvá-lo. Eu tenho que salvar.

A varinha na mão dele tremia tanto que se quisesse Gina, poderia tê-la arrancado da mão dele com facilidade. Mas ela só podia olhar, surpresa, enquanto Malfoy continuava com seu mantra... Olhos cada vez mais vermelhos.

- Eu... Ia salvá-lo – terminou, abaixando a varinha.

E então Gina percebeu algo muito importante, apesar de insano: ela estava com pena dele. Se estivesse na posição dele e fosse seu pai em Azkaban... Ela faria de tudo para tirá-lo de lá. Inclusive se enganar a ponto colocar suas esperanças em uma mulher louca.

Ficaram longos minutos apenas em silêncio. Malfoy olhando para o chão, depois para sua varinha e finalmente para Gina. E ela contemplando o que fazer.

Abriu a boca para falar, mas antes ele apontou a varinha para a porta e ouviu-se um click.

- Está aberta agora – anunciou, sem tirar os olhos dela.

Reconhecia aquele tom de voz. Era derrota, misturada com a amargura de uma humilhação.

Não se moveu.

- O que está esperando? Vá embora.

Três passos para frente. Não sabia o que estava fazendo... Mas lá estava ela: se aproximando de Draco Malfoy.

- Ainda há tempo.

- Tempo? Para quê?

- Consertar seu erro.

- Como, Weasley? A taça está... – parou um instante. Depois a olhou suspeito - Por que você se importa?

- Eu não sei – confessou, engolindo seco. - Mas esqueça a taça. Avise a Ordem. Eles vão proteger seu pai. Dumbledore fez um trato com sua mãe, não fez?

A risada foi alta, mas Gina não se deixou abalar. Sabia que ele poderia ser convencido, ela podia ver em seus olhos uma súplica por alguma solução.

- Minha mãe não sabe o que faz.

- E você sabe?

Ele se calou a contragosto.

- Confesse para a Ordem. Diga qualquer informação útil para Dumbledore. Você não precisa se preocupar com ela estando dentro da sede.

- E meu pai?

- Bellatrix está te enganando. Colocando medo em você, mas é blefe. Ela não tem como atingir seu pai em Azkaban.

- Agora quem é o burro, Weasley?

Mordeu o lábio.

- Então prenda-a.

- O quê?

- Você tem acesso fácil a Bellatrix Lestrange. Usamos a taça como isca e a Ordem a captura. Presa, ela não pode fazer nada contra seu pai.

Ele a fitou como nunca a tivesse visto antes.

- Mas... – a hesitação a incentivou.

- Mas, o quê? Quais são suas opções, Malfoy? Sério? Você pode ficar parado e arriscar que ela não esteja blefando. Nesse caso, você e seu pai morrem. Pode tentar pegar a taça de novo e não conseguir. Aí o resultado é sua captura e eventual morte. Ou pode me ouvir e fazer algo de útil, finalmente.

Era claro que ele ainda estava em conflito. Ela estendeu a mão, num gesto de paz.

- E então... O que vai ser?

Um arrepio percorreu seu pescoço quando ele finalmente retribuiu e os dois selaram o plano com um aperto de mãos.

Ela abriu um sorriso, a adrenalina subindo sua cabeça. Seu coração batia rápido e tinha certeza que estava vermelha de nervoso e agitação. Era assim que Harry se sentia quando encontrava o vilão ou solucionava um mistério?

Parecia que um peso enorme tinha sido retirado de suas costas e dado lugar a uma sensação de estar nas alturas. De ter controle. De estar certa. De que a chave para todas suas frustrações tinha sido encontrada. Era bom. Era fantástico.

- Você... Não é o que eu esperava.

Virou para Malfoy, tinha esquecido por um momento de que ele estava perto dela.

- Nem você – respondeu, com extrema sinceridade.

Realmente não esperava que... Malfoy tivesse algo parecido com um coração.

Saíram juntos da sala em silêncio. Ele não parava de olhar para ela de esgueira, como se suspeitasse de que sairia correndo ou tentaria estrangulá-lo. Gina só conseguia imaginar a cara de Hermione e Rony quando chegasse com Malfoy ao lado, civilizadamente. Estava orgulhosa de si mesma, tinha que admitir.

Pegou uma situação horrível e transformou em algo potencialmente positivo para a Ordem, Malfoy e ela.

Agora só o que faltava era o plano ser aceito.


O tempo passou rápido, mas em câmera lenta, como se ele estivesse num sonho muito esquisito. Num momento estava numa sala vazia com Weasley... Em outro, estava encarando o outro Weasley e Granger. Depois, parado à porta da sede da Ordem.

E então estava frente a frente com Dumbledore e era tarde demais para sair correndo para bem longe daquela ideia demente.

O que o fez seguir Weasley? Entre desespero estava o desejo de deixar alguém tomar as rédeas e resolver tudo. Era fácil (não, não era) aceitar o plano maluco dela. Era só desligar o cérebro e fingir que era possível acreditar nela.

Não mudava o fato de que todo seu corpo gritava: isso é errado! Mas que escolha tinha? Era aceitar a realidade de seu fracasso e conseguir ajuda com o inimigo ou desistir, sentar no chão e pateticamente fechar os olhos em desespero.

Decidiu que não seria patético a esse ponto.

Enquanto argumentava contra si mesmo, Weasley estava narrando a situação para Dumbledore, Potter, Snape e, para sua incrível vergonha, sua mãe. Não conseguia encará-la, mas podia sentir seus olhos o observando intensamente.

Quando Weasley chegou ao ponto em que ouviu Bellatrix o ameaçar, sua mãe decidiu que era o bastante.

- Draco... Por quê? Depois de tudo que...

- Você sabe porque – disse, em tom irritado. Não sabia aonde arranjara forças para a revolta, mas foi fácil de qualquer forma. – Você tirou tudo de mim. A minha chance de me provar. A oportunidade de tirar meu pai daquele lugar!

- Eu expliquei que...

- Não importa agora, não é?

Snape interveio e Draco não pôde deixar de notar a incrível satisfação do mestre de poções no minuto que aquela reunião começara.

- Pelo contrário. Suas ações irresponsáveis e imaturas importam muito. O que você fez colocou em risco toda sua família, essa Ordem e talvez a guerra e você ainda é incapaz de entender isso.

Estava pronto para retrucar com um insulto, mas a mão escurecida de Dumbledore levantou e, de repente, Draco não queria mais discutir.

- Essa discussão não levará a nada. O que aconteceu, aconteceu. Resta pensar numa maneira para consertarmos isso.

- É onde eu estava chegando, diretor – Weasley acrescentou, sua prepotência trasbordando. – Se eu pudesse continuar?

Dumbledore assentiu.

- Sugeri que Bellatrix estava blefando e...

- E como você chegou essa conclusão? – cortou sua mãe. – Exatamente?

Draco não se surpreendeu quando Weasley vacilou na resposta. Era uma boa pergunta.

- Instinto? – sugeriu, hesitante.

Narcissa Malfoy não gostava de respostas tolas. Ela levantou uma sobrancelha, pronta para questionar as capacidades do "instinto" de Weasley, mas Snape falou primeiro.

- Apesar da conclusão sem nenhuma base razoável, a Srta. Weasley acertou seu palpite. Se Draco tivesse me perguntando antes, ficaria sabendo que Bellatrix manteve o segredo da Ordem. O Lorde das Trevas não sabe do roubo da Taça. Ainda. O que é conveniente para nós.

Parte dele ainda ficou surpresa com essa revelação. A outra ficou humilhada com o fato que estava realmente sendo usado pela tia. Também ficou irritado que Snape tivesse guardado essa informação mesmo depois de provocá-lo tanto com "sei o que você está fazendo". Se ele sabia desde o começo, por que não tinha falado? Oleoso pomposo.

- O desespero deve ter-lhe obrigado a guardar a informação. Talvez na esperança de que pudesse recuperar o objeto antes que outros ficassem sabendo – Narcissa concordou. – É algo que ela faria.

- O que significa que ainda há tempo para aproveitar essa oportunidade – Potter finalmente abriu a boca.

Dumbledore assentiu e as incertezas de Draco voltaram com força total. Weasley então descreveu a idéia de capturar Bellatrix.

- Pode funcionar – Potter concordou, para a felicidade clara da ruiva. – É perfeito usar a Taça como isca.

- Você quer dizer Draco como isca! – sua mãe disse, revoltada. – Jamais deixarei que ele se arrisque tanto!

- Narcissa... Essa é uma chance que não podemos perder – Snape argumentou, só a deixando mais furiosa.

- Não importa! Ele é só um menino!

Aquela foi a gota d'água. Entre ser nocauteado por maldições, usado pela tia maluca, humilhado, não conseguir cumprir uma missão, não conseguir salvar seu pai e ser um total fracasso, Draco simplesmente não agüentou mais. Seu orgulho estava despedaçado e fez a única coisa que sabia fazer numa situação daquelas: foi contra a mãe.

- Eu faço. Eu vou ser a isca.

- Não! Ele não vai.

Até então estava sentado, desviando o olhar de todos, mas agora fitava Dumbledore e o velho o encarava de volta, sério.

- Mãe, eu vou – insistiu, voz rouca.

O tom determinado a fez pausar antes de outro protesto.

- Tem que entender que está se voluntariando para algo perigoso. A Ordem estará lá para protegê-lo, mas não será fácil – o diretor explicou, calmamente.

- Dumbledore! O que está fazendo? Não pode concordar com isso! Eu o trouxe para ficar seguro! Tínhamos um acordo!

A fúria dela quase se tornara desespero, mas Draco não queria saber. Era sua culpa que seu pai estava correndo risco de morte. Essa era sua única chance de salvá-lo.

- Eu faço. Mas quero meu pai a salvo e livre.

Potter soltou uma risadinha incrédula abafada. Snape revirou os olhos. Weasley desviou o olhar. Sua mãe arregalou os olhos e sua expressão de raiva se desfez para pena.

Dumbledore apenas continuou observando Draco com minúcia.

- Seu pai está sob a proteção da Ordem desde que Narcissa nos trouxe a Taça – respondeu o diretor, diplomático.

- Sob a proteção de dementadores?

- Não posso prometer que iremos libertá-lo – Draco abriu a boca, mas a mão escura de Dumbledore levantou e ele continuou. – Mas colocarei meu testemunho a favor dele. E aumentaremos a proteção com mais membros da Ordem.

Potter protestou, mas Draco já não estava ouvindo. Tinha que tomar uma decisão: aceitar migalhas ou arriscar tudo?

- Esse é o melhor acordo que irá conseguir, Draco – Snape disse, enquanto Dumbledore e Potter argumentavam. – Sugiro aceitar.

Assentiu. Seus olhos encontram os de Weasley, por algum motivo, e ela sorria. Contente por ter seu plano aceito, provavelmente.

- Está certo – falou, alto o bastante para interromper Potter e suas lamúrias. – Temos um acordo.

Que escolha tinha, afinal?


Não conseguia parar de sorrir. Entre a surpresa de Rony e Hermione e a risada triunfal de Harry para ela, Gina estava em completo transe. Harry a chamou de "genial", "espetacular" e "incrível". Ele a encarou com aquele brilho inesquecível nos olhos finalmente direcionado a ela. E ela.

Os gêmeos a carregaram pelas escadas, sua mãe lhe deu um longo discurso sobre perigos e responsabilidades e seu pai estava completamente sem palavras. Era maravilhoso.

Não bastasse toda atenção e validação, Dumbledore a chamou para uma reunião da Ordem. As coisas não podiam ficar melhores do que aquilo. Para fechar com chave de ouro? Seu plano foi aceito. Malfoy concordara em chamar Bellatrix outra vez, com a promessa da Taça. Gina ainda não sabia o que era a tal taça, mas no momento estava feliz demais para pensar no assunto.

Só podia comemorar. Assim que os detalhes do plano (o qual ela não participaria infelizmente) foram delineados, a reunião terminou, dispersando os participantes. Harry saiu da cozinha lhe dando um olhar orgulhoso e um sorriso perfeito. Queria ir atrás dele, conversar sobre sua aventura (e talvez ouvir a dele), mas então percebeu Malfoy sentado ainda no mesmo lugar, com sua mãe sussurrando ao seu lado.

Não conseguia ouvir o que falavam, mas estava claro de qualquer forma que estavam brigando. Malfoy gritou para que ela o deixasse em paz e relutantemente Narcissa assentiu e foi embora. Lembrou do desespero dele em salvar o pai e, agora, vendo a briga com a mãe, a pena que sentiu naquela hora voltou.

- O plano vai funcionar – disse, sentando ao lado dele. – Bellatrix não vai chegar perto do seu pai.

Malfoy a encarou com desgosto.

- Não preciso da sua pena, Weasley.

Revirou os olhos. É claro que Draco Malfoy não queria uma Weasley o consolando.

- Bem, você a tem de qualquer forma.

- Maravilha – riu sarcástico, depois a olhou de esgueira. – Por que se importa, afinal?

- Porque... Eu faria a mesma coisa se meu pai estivesse no lugar do seu.

Agora ele a olhava de frente, surpresa no rosto.

- Vai dar tudo certo – repetiu o encorajamento.

Devagar, ele assentiu. Havia suspeita em sua expressão, mas também havia algo diferente.

Esperança.


Viram? Foi mais rápido dessa vez! E bem vindos finalmente a parte DG da história! Haha. Respostas:

Lucy: Valeu! Demorei para engatar a segunda, mas eis eu aqui de novo. Muuuito brigada por continuar betando viu? (E ps. Harry ainda não está apaixonado por mais que Gina queira haha)

Nacilme: Yay! Brigada! Sim, sim, finalmente temos ação! Haha, mal acredito, mas a fic está indo para a parte DG finalmente! Please continue lendo :)

Jennifer Malfoy Weasley: Sorry, é díficil arranjar tempo e inspiração para escrever quando você está trabalhando que nem uma camela e cansada :( Mas dessa vez fui mais rápida! Brigada por continuar lendo mesmo com a demora!

cah: Hauahua, ela sabia o que era, mas esqueceu como combater. Ainda bem que veio natural para ela (e o Draco perdendo a concentração ajudou também hauahua). Hahaha, sim, ele é totalmente apertável e ela está começando a perceber isso ;) Thankkkksss pela revieww! (Vë se aparece mais no 6v!)

SamaraKiss: Ele é muito enrolado mesmo, não? Gina vai dar um jeito nele ;) Brigadão pela review!

Kitty Pride: Não esquece mais dessa fic não :( Thanks por ler!