Capitulo 10: Dia de... Visitar um velho amigo...

" Não importa para onde eu vá, não importa onde eu esteja, contando que você esteja lá, por mim, tudo bem..."

Os olhos do meio demônio estavam perdidos enquanto se lembrava de seu passado, sequer percebeu que o jovem Keelh lhe chamara a atenção, há um bom tempo pelo visto.

Seu olhar foi do encontro ao garoto, sorrindo, e pegando em sua mão. Foram para dentro da casa.

A visão que seguiu na sala não foi das melhores, o jovem príncipe não entendia, é claro, o que estavam fazendo, já Matilde sabia bem.

Ciel estava entre as pernas de Sebastian, puxando a gravata deste, que por sinal, faltava poço para voar no garoto. Matilde pediu que o garoto subisse que ela já estava indo, e ele o fez correndo, odiava a presença daqueles dois, afinal.

Antes de voltar a encarar os dois, ela pode ver o mordomo fechando o zíper da calça e murmurarem algo, levantando-se e colocando-se de pé. Ela sorriu, se aproximando deles.

" – Da próxima vez, não façam em um lugar onde qualquer um pode ver."

" – Por que não? Eu adoro a sensação de perigo iminente... "– disse sorrindo, Ciel.

" – Minhas desculpas..."

" – Sebastian! " – Ciel ditou se levantando e começando a andar "– Vamos para o quarto... Ainda há alguém que não se satisfez aqui... "– disse já subindo as escadas.

Sebastian suspirou, levando dois dedos a testa e depois seguindo a ordem se seu mestre, sob o sorriso da empregada quanto à cara séria de Nathan, que havia entrado um pouco antes no cômodo.

Matilde fez uma suave reverencia e saiu, deixando o príncipe sozinho na sala. Ele suspirou e se sentou, levando os braços ao rosto, corado. Não conseguia entender, sinceramente, como Ciel podia ser tão depravado; pior, podia jurar que aquilo era para lhe atingir, apesar de esconder, sem muito sucesso, o amor que sentia pelo demônio, sabia que aquela criança tinha ciência de tudo.

Deixou os braços caírem, e sem querer, teve contato com algo viscoso, limpou rapidamente a mão e foi para o quarto.

Seus olhos se pousaram na cama e jogou-se lá, afundando a cara no travesseiro.

Não era tão ingênuo para não saber o que eles estavam fazendo nem o que era aquilo, mas ainda sim, não conseguia acreditar que eles dois tinham aquele tipo de relacionamento. Não que os recriminasse, só não queria acreditar realmente.

Apesar de em certa conversa com o ex-conde ter desconfiado do que acontecia, não queria realmente que fosse verdade, não suportaria ter de ficar mais longe do demônio. Somente vê-lo, já estava bom, antes.

Foi pensando nisso que adormeceu, só acordando para o jantar. Desanimado, seguiu para a mesa, vendo apenas o irmão menor e a empregada.

'' – Matilde, onde estão Sebastian e Ciel?''

'' – Eles saíram há algum tempo... ''

'' – Sei... – disse sentando-se na cadeira. ''

Matilde foi até o menino, dando-lhe um suave beijo na testa.

'' – Fique bem, meu príncipe... Um dia, todos os seus desejos vão se realizar... ''

'' – Obrigado... É o que eu espero... '' - disse essa ultima num sussurro.

Matilde voltou para o seu lugar, ao lado de Keehl. Nathan comeu tudo calmamente e sem animação. Sem querer seus pensamentos sempre iam de encontro ao demônio. Pensando agora, ele deduziu que talvez Ciel também amasse o demônio. Isso fez seu coração doer.

Matilde por sua vez, tinha um grande sorriso no rosto. De certa forma, os planos de sua mãe estavam se desenvolvendo fluentemente. Só ainda restava um problema, o qual deveria ser resolvido o quanto antes. E o nome desse problema era Robert, atual Rei de Fhörx.

Ele havia chegado de viagem há três dias, justamente quando estava conversando com Sebastian no jardim de casa, e por azar ele houvera escutado tudo. Matilde culpava-se por ter sido tão idiota ao ponto de deixar sua guarda baixa perto do demônio. Mas tudo bem, se o rei se tornasse um empecilho, não custaria nada mata-lo, seria até mais conveniente. Ele era o único que sabia sobre o que conversaram.

Enquanto os príncipes apreciavam um delicioso jantar, Sebastian e Ciel trabalhavam. Até que o mordomo insistiu que o garoto ficasse em casa, mas ele ditou severo que iria junto do demônio. Estavam na área comercial da cidade, e pretendiam entrar na loja funerária.

Há certo tempo Sebastian sabia quem trabalhava ali, e não gostava nada da idéia de ter de voltar aquele lugar, principalmente por seu mestre.

Há dois dias ele agiu estranhamente no castelo, e chegou até a pensar que ele havia ficado louco. E não foi muito diferente disto.

Ele havia invadido o quarto de Nathan e tentou sufoca-lo dizendo que ele não poderia ficar no seu caminho. O demoniozinho só parou depois de poucos segundos Sebastian aparecer e pega-lo no colo. Mas ainda sim se debateu, caindo no chão e finalmente acordando, sem saber de nada do que acontecia. É Sebastian não podia negar que precisava da ajuda daquele homem.

Ao entrarem, a boca do homem cresceu em um largo sorriso. Seus cabelos eram longos e prateados, com uma trança ao lado do rosto.

''- Ora, ora... Sebastian Michaellis''

''- Undertaker...''

''- É um prazer revê-lo, conde... ''– disse numa reverencia ''– Se bem que o termo já não lhe cai...''

Ciel apenas rodou os olhos, voltando-se para o mordomo que tinha as sobrancelhas franzidas. Pode perceber a tensão em seus músculos, apesar de quase imperceptível. Ao olhar novamente para o agente funerário, sua visão começou a falhar, e sem querar, desmaiou, atraindo a atenção dos dois mais velhos.

Sebastian, como bom mordomo não deixou que ele caísse, mas ainda havia se assustado com o ocorrido. Com o garoto no colo, voltou-se para o agente, que apontava para um caixão, onde provavelmente queria que colocasse o corpo do garoto.

'' – Eu não posso ajudar, Sebastian..." riu.

'' – Ah, você pode sim...'' – disse colocando o garoto no caixão, cuidadosamente.

Undertaker apenas observava o cuidado que o mordomo tinha, tendo um sorriso perigoso no rosto. Depois de devidamente arrumado naquele lugar, Sebastian voltou sua atenção novamente para o agente funerário.

'' – Quero saber com quem é o pai de Matilde...''

'' – Não me envolvo com assuntos de demônios... O que houve com você?''

'' – Pare de brincar comigo, Undertaker... ''

'' – Você acha que ainda pode me fazer rir?'' – disse sorrindo.

'' – Como ninguém nunca o fez... '' – puxou a luva branca que levava na mão direita.