10. Branco
O toque de seu celular poderia muito bem ser um martelo decidido a esmigalhar seu crânio. Ele resmungou, virando de barriga para cima e alcançando o aparelho sem abrir os olhos.
_Merquise falando.
_Tenente, há uma correspondência importante esperando-o aqui na portaria, senhor.
_O carteiro está trabalhando de domingos agora também?
_É da Marinha, senhor.
_Certo. Muito obrigado, Pagan. –ele encerrou a ligação, sem nem ao menos mencionar se iria buscar a carta. Ele não precisava de poderes psíquicos para saber sobre o que era. Ele tinha sido aceito na equipe de EOD no Iraque assim como havia pedido seis meses atrás.
Quando ele se juntou a Marinha, seus planos eram entrar em um esquadrão aéreo, seguindo os passos de seu pai. Ele tinha tudo que era necessário para se tornar um piloto e foi aprovado com louvor em todos os seus testes, mas seu sangue frio e audácia chamaram a atenção da divisão de EOD. Zechs não poderia recusar a honra e o desafio de ser convidado para o treinamento especial e, como o esperando, ele se tornou o líder em tempo recorde.
_Pensei que nem iam me chamar mais, depois do que aprontei… –ele observou, pensando alto, soltando todo seu corpo na cama e alongando cada musculo, espaçoso.
_E eu que achava que você atendia o telefone dizendo "ahoy"… –e Zechs se sobressaltou com um súbito comentário sonolento.
Ele abriu os olhos e foi atacado pela luz do sol, precisando de alguns segundos para se recuperar. Tinha esquecido as cortinas blackout abertas.
_Desapontador. –e ouviu de novo a voz macia reclamar ao seu lado, mas agora ele estava pronto para investigá-la.
Abrindo os olhos, encontrou Noin deitada com as costas voltadas para ele. Seus ombros de alabastro surgiam como pequenas montanhas de dentro do cobertor branco de microfibra que ela monopolizava por se enrolar completamente.
Flutuou em um instante de surpresa enquanto contemplava a figura dela até que as imagens da noite anterior começaram a fluir para sua mente.
_Eles são lilases. –foi o que ele disse e sua resposta funcionou como um código secreto, dando-lhe o acesso às afeições dela que ele tanto ambicionava.
Depois de ela ter oferecido seus lábios ao beijo dele, ele a agarrou com veemência e derramou toda sua paixão nela. Ela se despiu de quaisquer reservas e o beijou de volta pronta para provar e ser provada. O beijo partilhado parecia durar para sempre, servindo apenas para que percebessem quão grande era o desejo que tinham um pelo outro. Ela conseguia pensar apenas nele, obcecada pela ideia de tê-lo para sim, esquecendo onde estavam, abandonando toda modéstia.
Abrindo caminho pela multidão desatenta, ele a encurralou contra uma parede e colocou as mãos dentro da saia rodada dela. Apenas um movimento ágil foi necessário para baixar sua calcinha, que escorregou para o chão. Ele beijava o pescoço dela e alisava as coxas sedosas enquanto ela alcançou seu zíper, eliminando o último obstáculo. A força que ele usou para erguê-la do chão não a surpreendeu, seus joelhos indo alto junto à cintura dele, seus corpos se movendo até se encaixarem.
Completamente perdidos um no outro, eles se beijaram o tempo todo, gemendo baixinho, as mãos dela correndo pelas costas da camisa dele, seus dedos se embaraçando em seus cabelos prateados. As mãos dele viajam pelas pernas dela, sentindo sua carne em um ritmo definido. Era difícil de respirar e impossível pensar, o êxtase preenchendo cada espacinho disponível, prometendo transbordar.
Quando o calor que seus corpos criavam juntos beirava o insuportável, foram engolfados por uma onda poderosa. Noin deixou sua cabeça cair para trás, aproveitando cada segundo do langor, os nós de tensões em seus nervos sendo desfeitos um a um. Zechs ofegava em cima do pescoço dela, e apesar do cansaço, a intensa carga de prazer tinha revigorado seus sentidos. A onda recuou vagarosa, deixando para trás um ímpeto de sangue fervente correndo por suas veias.
Usando seus olhos embebidos em satisfação, ela procurou os dele. Ele lhe sorriu, raspando a bochecha dela com seus dentes e sussurrando em seu ouvido:
_Vamos embora. –e a soltou devagar, ajudando-a a por um pé de cada vez no chão.
_Você quer mais? –ela provocou com malícia calculada.
_Eu quero tudo. –ele mordeu o lóbulo da orelha dela antes de sugá-lo, deixando claras suas intenções tanto selvagens quanto carinhosas.
Ele queria dizer muitas coisas ao se referir a "tudo", mas naquele momento, ele só conseguia pensar em admirar o corpo dela e acariciá-la até descobrir todas as maneiras exatas de excitá-la. Ele cobiçava sentir o peso dela sobre ele e sua oscilação ágil debaixo dele. E foi isto o que os trouxe a seu quarto, a sua cama, àquele momento de deliciosa percepção: não tinha sido apenas um sonho.
O quarto amplo, embora todo preenchido com a cálida luz da tarde, mantinha um humor preguiçoso e os lençóis revirados se apresentavam como um convite persuasivo para ficar na cama para sempre, cochilando abraçadinhos e fazendo amor.
Ele se virou na direção dela, beijando-a no ombro e a envolvendo com seu corpo.
_Sobre o que era o telefonema? –ela se virou para ele exibindo seu sorriso perene.
Com um movimento de cabeça, ele pediu para que ela desconsiderasse aquela intrusão inconveniente.
_Por que você gosta tanto de branco? –ela se referia ao quarto, então. O chão, as parede, todos os móveis e a decoração eram todos em branco.
_Eu sou uma pessoa que se distrai fácil, tenho problemas para dormir… esse foi um jeito que encontrei para recuperar o foco.
_Nunca pensei que fosse uma pessoa monocromática assim… Você não fica com frio?
Ele nunca tinha pensado sobre isso. Ele gostava de seu quarto branco porque era limpo, refinado e sereno e, no escuro, tudo se fundia e ele tinha o exatamente à dissociação da realidade que precisava para descansar.
_Você já está pensando em redecorar? –ele a importunou, sem deixar oportunidade para ela retrucar, beijando os lábios dela lentamente. –O tenente aqui não precisa de nenhuma Junior Grade para tomar conta dele, senhora.
A risada dela se transformou em um gemido preso em sua garganta. Noin instantaneamente se rendeu a gentileza do toque dele, desenrolando-se do cobertor e o recebendo em seus braços.
Desde o começo, ela sabia que ele seria um amante incansável, mas nunca tinha imaginado que ele seria tão carinhoso e amável, de fato. Estar com ele fazia tão bem a seu coração, ela se sentia com vontade de sorrir o tempo todo, se sentindo como a coisa mais querida por ele no mundo todo. Quanto tempo isso ia durar não era importante ali. Ela simplesmente ia se refestelar naquela experiência maravilhosa e lidar com o estrago depois. Por ora, era como se não houvesse outro lugar melhor no universo inteiro para estar além daquela chuva de beijos.
Eles tinham passado tempo demais na escuridão e agora, debaixo daquela luz clara e pura, ele conseguia vê-la de verdade. Seus olhos lilases se turvavam de volúpia e um minuto depois raivam como uma estrela guia. Sua pele estava sob efeito do mesmo milagre de Galateia, o marfim se enchendo de vida diante dos olhos dele, o corado de prazer florescendo nas bochechas dela ao passo que os lábios intumesciam sensuais com cada beijo.
_O que quer fazer agora? –dando uma pausa na diversão, Zechs beijou o alto da cabeça de Noin e quis saber.
_Que horas são?
_Ah… UTC 1000 T. –alcançou seu celular de novo e verificou.
_Tonto. –ela riu pelo nariz, usando seu dedo para tracejar uma das clavículas dele.
_Senhora, este é um conhecimento básico, senhora.
Ela o empurrou com o mínimo de força:
_Estou com fome.
_Então vamos sair para comer. Que tal umas Mimosas?
_Me parece ótimo. –ela sentou na cama e beliscou o nariz dele. –Vamos tomar banho juntos para economizar tempo?
_Nem precisava pedir.
_Agora… –e alguns minutos depois, enquanto ele tomava um golinho de café solúvel, já todo vestido, assistiu ela descendo as escadas e dizer. –Será que podemos dar uma passadinha nos dormitórios?
_Mas por que você quer se trocar? Você está linda.
_Muito obrigada. –e mesurou com a cabeça, cantarolando, risonha. –Só que eu preciso de uma calcinha.
EOD – Explosive Ordnance Disposal, em inglês, Esquadrão de desarmamento e neutralização de explosivos.
Ahoy – interjeição utilizada para sinalizar navios ou barcos. Nas linhas telefônicas dos Estados Unidos, o inventor Alexander Graham Bell propôs a utilização da palavra ahoy para iniciar uma conversa, mas a intenção não prevaleceu contra o hello (em português: alô) sugerido por Thomas Alva Edison. - Wikipedia
Tenente Junior Grade - ou Lieutenant Junior Grade, em inglês, o mesmo que o Primeiro Tenente
UTC – Universal Time Coordinated, em inglês,Tempo Universal Coordenado, é o fuso horário de referência a partir do qual se calculam todas as outras zonas horárias do mundo.
Um capítulo pimentinha. Mas acho que não chega nem a um Dedo de Moça. ^^' rs
Obrigada a todos que acompanham e me dão o apoio tão valioso para sempre continuar! S2
Espero que estejam gostando!
Deixem seus comentários, por favor!
Beijos e abraços!
27.07.2018
