10. Uma importante decisão.
— Interrompo? - Viktor encarou o casal no quarto, com olhos afiados e desconfiados.
— Nada além de uma conversa sem importância. - Heero contestou monótono.
Ainda sentindo o coração pulando em seu peito, Relena tentou se manter o mais neutra possível, implorando mentalmente para que seu pai não suspeitasse de nada, enquanto mantinha o sorriso no rosto, torcendo para que o mesmo não parecesse trêmulo ou falso sob o escrutínio de Viktor. Levantou-se de seu lugar e foi abraçá-lo.
— Pai… Pensei que não fosse te ver…
O recém-chegado não conseguiu evitar sorrir em retorno a sua menina e a abraçou como se não houvesse uma amanhã, apegando-se a filha com todo seu coração. A atitude inusitada não passou despercebida por ninguém na habitação. Enquanto ela estranhava, mas se preocupava em retribuir o carinho com a mesma intensidade da qual recebia, Heero franziu o cenho, observando a cena, que apesar de bonita, lhe causou um estranho sentimento.
Naquele instante ele soube que maus tempos estavam por vir…
O mais velho soltou a moça com relutância e sem perdê-la de vista acariciou o rosto da loira, quem já havia perdido o medo e agora analisava o pai, com curiosidade.
Silêncio.
— Pai? - se arriscou.
A tensão que se formou no ambiente estava incomodando até mesmo Heero que era conhecido por suas longas pausas silenciosas. Como quem finalmente cai em si, o mafioso tentou disfarçar sua atitude, tarde demais.
— Desculpe. Acho que estava com saudades. - sorriu fraco e não convenceu.
— Aham… - foi à resposta curta da jovem.
— A quem procurava? - Heero assumiu a seriedade e espantou todo o constrangimento que se formou no local.
— Ambos em realidade.
O momento esquecido, Darlian assumiu sua postura e se lembrou da razão de estar ali.
— Relena, vim ver como você estava e saber sobre a preparação de sua festa, aproveitando para te dar um aviso muito importante.
Foi à vez de ela franzir as sobrancelhas bem desenhadas, no entanto não disse nada, ficou quieta a espera do porvir.
— A partir de hoje, você não irá a lugar nenhum sem estar acompanhada.
Pasmada, a loira arregalou os olhos e abriu a boca, surpresa com a novidade. Tartamudeou algo incompreensível e o matador teve cem por cento de certeza que algo estava fora do habitual e que era aí que ele entraria.
— Isso é um absurdo, posso saber o porquê? - recuperando-se, questionou irritada.
Parou a reclamação da filha com um movimento de mão, calando-a de imediato. — Não haverá nenhum tipo de reclamos e nem negociação sobre esse assunto, por tanto me poupe e poupe-se. A partir de agora, o único assunto que vamos discutir será sobre a organização de sua festa.
Os olhos azuis da moça se inflamaram de raiva e antes que uma discussão interminável começasse, o segundo em comando se manifestou.
— E eu? Em que lhe sou útil?
— Me acompanhe…
Deu meia volta se saiu do quarto, deixando-a plantada no mesmo lugar, boquiaberta. O de cabelo café passou pela jovem, observando-a de esgueira, calado, abandonou a habitação atrás do chefe.
Tardou um tempo em recuperar-se e seguir a ambos os homens.
-/-/-
Os homens andaram tão rápido que quando a jovem chegou ao andar de baixo, demorou em localizar algum deles. Heero estava na sala em companhia de Rick conversando de algo que não foi informada, mas recebeu a informação de que seu pai havia se fechado no escritório em companhia de Paigan, com indicações para que ninguém os interrompesse...
— Em que posso servir-lhe senhor Darlian? - o mordomo indagou logo após fechar a porta, como foi ordenado.
Viktor estava inquieto, andava de um lado ao outro, ora passando a mão no rosto, ora apoiando-a na cintura, sem conseguir se acalmar. Se sentia desesperado. Não escutou da primeira vez, apenas quando o idoso o chamou por seu primeiro nome que o magnata criminoso voltou à realidade. Olhou para o rosto sereno do outro, assimilando onde estava e fazendo o que.
— Você… Falou com ela? - perguntou temeroso.
— Não senhor. Pensei que o mais adequado seria se o senhor falasse após seu aniversário.
Soltou o ar com força, aliviado, debruçando sobre a mesa, espalmando as mãos sobre ela, sentindo o peso sair de seus ombros. O de cabelo branco apenas ergueu uma sobrancelha, confuso.
— Ela não deve saber de nada. - declarou convicto.
— Mas… Ela está completando vinte e um anos. - questionou. - Está na hora de conhecer a verdade.
— Mas, não irá! - afirmou, olhando felino para o mais antigo empregado e amigo. - Eu tomei uma decisão. Ela herdará a rede de hotéis e tudo o que for ligado a isso. No entanto será outro que assumirá meu outro negócio… E ela nunca deverá ser envolvida nisso. Nunca!
— Senhor… Ela é sua filha legítima… Cabe a ela seguir com…
A frase morreu na boca quando viu o olhar assassino do chefe em sua direção. Era a primeira vez que Viktor se expressava tão agressivamente para com ele em mais de décadas trabalhando para a família Darlian.
— A ligação da máfia com minha linhagem sanguínea acaba aqui… O negócio irá continuar e já tenho um herdeiro em mente, então ela não deve saber nunca de nada disso.
— Posso saber a razão? Se não julgar atrevimento demais de minha parte?
O magnata suspirou, recuperando a calma e voltou a olhar o antigo amigo e sorriu triste.
— Ele voltou. O passado ressuscitou e quer minha filha. Isso, eu não posso permitir nunca. Vou garantir o futuro dela, confiar ela a alguém que possa protegê-la.
— Se refere ao senhor Yui?
Viktor encarou o homem, sério, confuso, com uma expressão estranha.
— Não. - respondeu ainda se sentindo atordoado com a pergunta. - Heero é meu herdeiro na máfia.
— Uma excelente escolha se me permite dizer. Mas, ainda não vejo ninguém melhor capacitado para proteger ela.
— Ele a cuidará das sombras, a protegerá do mal, porém não deverá se aproximar mais do que o necessário, quero que se vejam como irmãos.
Paigan ergueu sutilmente uma sobrancelha e se manteve o mais neutro que pode perante tal anúncio. Não precisava de mais informações do que as que já possuía para saber que o sentimento que ambos jovens nutriam entre si estava muito distante do fraternal. Ainda assim, sabia que deveria ser discreto sobre o assunto.
— Existe algo mais em que posso ajudar? - não especificou e não precisou, o outro integrante do escritório entendeu perfeitamente.
— Não. Por agora, apenas mantenha a vigilância dobrada sobre ela e proíba as saídas solitárias. Fique atento a tudo o que estiver fora do comum. Encarregarei Heero para que a proteja dia e noite.
A conversa foi finalizada e com a decisão final do chefe, Paigan teve uma estranha sensação.
Saíram sem dizer nada mais e foram em busca dos outros.
-/-/-
Darlian se despediu da filha de forma rápida. A convidou para jantar aquela noite e se retirou acompanhado de Heero - que apenas trocou um olhar discreto e cheio de significado silencioso com a moça - e Rick, que efusivamente abanou a mão em despedida, ganhando um sorriso sincero e divertido da anfitriã.
Já do lado de fora, Viktor parou bruscamente exigindo a atenção dos dois homens. Principalmente, do de olhos azuis gelo.
— Temos um problema.
— De que tamanho? - Heero se expressou monótono.
— Diria eu que do tipo que devo colocar toda a atenção com urgência.
Não acrescentou nada, manteve-se estoico, mesmo sentindo cada músculo de seu corpo se enrijecer. A última vez que ouviu aquela expressão, alguém que ele se importava morreu. Esperou o chefe continuar. Rick mais parecida uma estátua assistindo a conversa.
— Alguém do passado voltou... E o alvo sou eu, através de Relena. - se o matador já estava tenso, nesse momento sentiu o corpo arder com a descoberta. Mas se manteve serio. - Não sei como, mas ele não só descobriu o paradeiro de Relena como a seguiu. Veja.
Entregou o envelope, que tirou de dentro do carro parado ao lado, com as fotos para seu segundo, que sem demora o tomou e passou a ver com atenção. Uma pontinha de medo o envolveu por uma razão egoísta, temendo que em alguma delas fosse descoberto seu relacionamento proibido, no entanto, em todas elas estava sozinha. O que apagou o medo o preocupou de forma imensurável.
— Não se preocupe... Vou achar ele.
E essa foi a simples resposta do assassino considerado como o perfeito. Guardou as fotos de volta no envelope e o colocou no bolso interno do paletó ao mesmo tempo em que via o chefe se despedir com um gesto de mão e partir em seu carro.
Após ficarem a sós, se voltou para seu parceiro e amigo, por mais que gostasse de perturbar a vida do de cabelo negro, dizendo que não tinham nenhum tipo de vínculo, sabia que não existia ninguém mais confiável que ele e Rosalie.
— Quero que investigue cada um dos que trabalham para Viktor.
— Desconfia de alguém?
— Ainda não sei, mas a informação da existência de Relena sempre foi confidencial, sendo revelada recentemente por causa do casamento da Silvia... Então, se vazou, saiu de lá de dentro.
Rick assentiu em concordância, fazia sentido o raciocínio do parceiro.
— Pede pra Rosa achar um tempo, quero que ela seja à sombra da Relena. Vou apresentar elas.
— Como fará a princesinha Darlian aceitar ser escoltada? - perguntou burlesco e intrigado.
— Darei um jeito. Agora vamos... Tenho que sair hoje.
— Vai perguntar por aí? - Rick se dirigiu ao banco do motorista enquanto o de cabelo castanho ocupava o do passageiro.
— Isso depende... - o de olhos negros indagou com a mirada. - Se você chama o que farei de perguntar... Então, sim.
O motorista riu divertido ao mesmo tempo em que o outro expressava um diminuto sorriso de canto. Apesar de parecer descontraído, não gostou de saber que sua indevida amante corrida perigo e se precisasse cobrar favores ou quebrar algumas mandíbulas para descobrir onde estava esse fantasma do passado, faria com prazer.
-/-/-
Já era de noite, a pedido de Heero, Rick se encontrava seguindo a limusine de Viktor, escoltando pai e filha para seu jantar familiar a um dos restaurantes francês mais conceituado da cidade. Observava a dupla entrar no estabelecimento, enquanto se conformava com seu fast food.
Heero por sua vez, entrava em um beco escuro e com iluminação tênue. Usava uma roupa toda preta, a blusa de gola alta e manga longa era bem ajustada, quase uma segunda pele que lhe proporcionava total mobilidade. A calça era justa na medida certa, demarcando suas grossas pernas e nos pés um sapato confortável e de sola silenciosa. Sua arma era uma faca de caça escondida na parte de trás da cintura da calça.
Seu caminhar era firme e constante, observado por todo o tipo de pessoa de índole duvidosa. O local frequentado por bandidos de baixa categoria, usuários e vendedores de drogas, prostitutas e clientes mal-encarados.
Passou sem se importar em olhar para ninguém, virou a esquina entrando em um local totalmente novo e contrario de onde saiu. Parecia uma cidade nova, toda destruída e empobrecida, em cada canto alguém esquisito o observava, alguns com curiosidade, já outros que sabia quem era, oscilavam entre temerários e agressivos, preparando-se para qualquer confusão que pudesse ocorrer. Mas, todos foram ignorados. O matador seguiu reta rua abaixo até chegar a uma casa que mais parecia uma ruina e sem pedir licença, entrou, procurando alguém com o olhar.
— Onde está seu chefe?
— Ocupado. – respondeu o bandidinho de bairro, de cara chupada e expressão cansada, desafiando com o olhar a Heero, que simplesmente o olhava com tédio.
— Onde está? – insistiu.
— Por que deveria te responder? – provocou.
No entanto, antes de responder, um garotinho entrou correndo pela mesma porta que havia passado antes.
— Senhor Yui? Então, era verdade... O chefe o espera na casa do fim da rua.
Heero ouviu a informação sem desviar o olhar do traficante que o estava instigando anteriormente. Depois que o menino completou seu relato, deu meia volta e agradeceu o mesmo bagunçando o cabelo dele. Saiu e seguiu o caminho indicado, não se dignou em responder ao encrenqueiro de antes, dando-lhe as costas e deixando explicito a insignificância do mesmo, que por sua vez ficou cuspindo marimbondo.
Chegou à casa indicada e foi recebido pelo olhar dos seguranças de quem procurava. Ninguém se atreveu a barrar sua entrada, nem mesmo para a corriqueira revista. Ninguém que o conhecia de verdade se atrevia a pará-lo por nada.
— Meu amigo Heero... – falou alto e espalhafatoso o homem transvestido com o perfil estereotipado da máfia italiana, mas que não passava de um descartável chefezinho do crime de um bairro vagabundo e abandonado. – Há quanto tempo!
— Não o suficiente. – desprezo.
— Sempre tão simpático... – riu. – Então, em que posso ajuda-lo?
— Goran Vozdovac.
O homem engasgou com a própria saliva, enquanto o moreno continuava em pé observando-o sério.
— Eu não sei quem é. – informou temeroso.
— Mesmo? – esboçou um sorriso de canto. – Porque eu posso jurar que conhece.
— Eu? – bateu a mão no peito e levantou se fazendo de indignado. – Como pode me acusar?
— Não acusei. Afirmei. – retirou do bolso da calça uma foto onde mostrava o homem a sua frente conversando com um europeu que tinha no braço uma insígnia com as iniciais do mafioso nórdico.
— Isso... – riu sem graça. – Isso... – meneou a cabeça. – Isso... – encarou o segundo em comando de Viktor com desassossego. – Não quer dizer nada...
— Porque o medo Jonathan?
— Não estou com medo... - sorriu mordaz e olhou para algo atrás do visitante. - Mas, infelizmente... Você não deveria ter vindo aqui. - Heero estreitou os olhos, desconfiado. - Sabe meu caro... Eu realmente o aprecio... Mas, Viktor... - balançou a cabeça em afirmativa, como quem conclui algo com pesar. - Viktor tem contas a acertar.
Com essa ultima afirmação, o homem de confiança de Darlian se viu cercado por dois brutamontes que o observavam com cara de poucos amigos. Esboçou um sorriso de canto, os olhos azuis ficaram tão frios e rígidos que causou arrepio em Jonathan, que se obrigou a engolir seco.
— Sabe de uma coisa? - sua voz soou assustadoramente carente de emoção. - Infelizmente, quem cometeu um erro, foi você, caro amigo. - desdenhou. - Última chance... Onde ele está?
O chefe do bairro riu nervoso, tentando se manter confiante.
— Acho que você está em desvantagem. - provocou em uma tentativa de se autoconvencer.
Mais dois seguranças se uniram a equação e Heero soltou um suspiro cansado, fechou os olhos e meneou a cabeça em negação. Quando voltou a abri-los, já não era o mediador que foi fazer uma pergunta, e sim o assassino sanguinário, famoso por assustar até o pior dos criminosos.
Não teve segundo aviso, nem mais uma chance, baixou os olhos e pela visão periférica viu onde estavam todos. Antes que pudessem pensar, soltou um chute médio lateral com a perna direita acertando o homem do mesmo lado, que se curvou com dor.
Girou o corpo para o outro lado e com um jab de esquerda, seguido de um direto de direita, quebrou o nariz do outro. Deu as costas para o chefe do lugar e com alguns passos a frente se preparou para enfrentar os restantes. Sobressaltados, cometeram o erro de sacarem suas armas.
Passou a mão direita para trás e segurou a empunhadura da faca, sem dar tempo para eles se preparem, atacou. Chutou a mão armada de um, enquanto enfiava sua faca entre o pescoço e a clavícula do outro. Um já era. O sangue jorrou fortemente quando ele retirou a lâmina e o ferido caiu no chão, agonizando.
Trocou a pegada e abriu a garganta do que antes havia desarmado. Seus olhos observavam o vermelho pintar o chão, com indiferença. Aquele que antes recebeu o chute no baixo ventre tentou agarra-lo por trás, envolvendo os braços do matador, que se soltou habilmente, desferiu uma sequência de golpes no tórax e rosto de seu adversário e finalizou com misericórdia. Uma facada na têmpora o matou de imediato.
Assustado, o que teve o nariz quebrado saiu correndo, tropeçando nos corpos caídos de seus colegas, escorregando no sangue, caindo e se sujando pelo desespero, ainda assim, se levantando e partindo.
Heero estava salpicado de vermelho e totalmente intacto e imutável. Trocou novamente a pegada na faca, deixando a lâmina para baixo e se voltou para o chefe daquela espelunca. O olhar frio fixou-se no rosto aterrorizado do homem encolhido no chão, que tinha os joelhos dobrados e encostados no peito, as mãos segurando a cabeça, olhos e boca arregalados e pavor total nas íris escuras.
Caminhou lentamente, feito um leão espreitando sua vítima e se agachou em frente ao covarde, joelho esquerdo no chão o direito servindo de apoio para o antebraço da mão que segurava a faca de caça.
— Última chance... Podemos fazer isso de forma fácil e indolor ou demorada e muito, mas muito insuportável.
O homem tremeu e ele sorriu maldoso de canto.
— Eu falo... Eu prometo. Falo tudo o que quiser... Mas me poupe... - falou, gritou, chorou e desesperou.
— Seja homem e basta de escândalo - repreendeu. - Agora diga o que quero saber.
Jonathan informou tudo o que sabia sobre o homem que ele buscava, jurou não saber muito e pareceu ser sincero, mas confirmou que o alvo de Goran era Viktor e que o cara não parecia ser nada amável. Andou comprando muitas pessoas com altas quantias em dinheiro com o intuito de tirar os aliados de Darlian. Ele foi um dos que aceitou o suborno. Deu mais uns dois nomes que também cederam à ganância e informou o ponto de encontro e como fazia para entrar em contato com o homem.
Heero se levantou sem comentar nada e caminhou em direção à porta, antes de sair deu seu último aviso.
— Saía da cidade, ponha fogo nessa casa com os corpos dentro e saia hoje mesmo. Não volte e não entre em contato com ele. Não conte a ninguém suas razões, não se despeça e desapareça do mapa. Caso contrário, se quebrar uma sequer dessas ordens, eu vou te caçar e farei com que tenha uma morte tão terrível que fará você preferir não ter nascido. E vou te encontrar.
Saiu.
Deixou atrás os destroços de sua passagem e um homem tão traumatizado que na única coisa que pensava era em obedecer ao pé da letra.
-/-/-
Entrou em casa e o primeiro que fez foi cumprimentar a Paigan com um amplo sorriso, que foi retribuído por outro mais contido, mas igual de cúmplice.
— Como foi o jantar, senhorita?
— Foi ótimo. Papai me levou para comer em um ótimo restaurante francês e falamos de nós apenas, até estranhei que não saísse nada sobre negócios. Foi tão bom... - o sorriso começou a diminuir... - Que estranhei. - o perdeu completamente.
— E por quê? Se posso perguntar?
— Bem... – seguiu em direção à sala, seguida pelo mordomo e se deixou cair pesadamente no sofá. – Sabe como é meu pai. Sempre existe uma razão para tudo. – suspirou.
— Talvez ele só estivesse com saudades, senhorita.
A encarou com compaixão e ela o encarou, sorriu marota e estreitou os olhos.
— Sabe Paigan... Você é um péssimo mentiroso. – e riu divertida.
O homem não pronunciou palavra, surpreendeu-se e logo se rendeu, relaxando a fisionomia.
— Eu não sei o que meu pai está tramando, nem a razão de toda essa movimentação nova ao meu redor. Mas, não sou boba. Ai tem coisa e cedo ou tarde descobrirei.
Levantou, pegou os sapatos, que tirou do pé, com a mão esquerda, a bolsa na direita e deu um beijo rápido na bochecha do velho mordomo, a quem considerava um pai. Depois subiu as escadas sem dizer mais nada. Não era preciso. Ela sempre fazia igual na hora de dormir.
-/-/-
Heero entrou em seu duplex e foi direto para o banho, se dissesse que essa noite havia mudado em algo seu psicológico ou vida, mentiria. Continuava o mesmo, era apenas mais um dia de trabalho a seu ver. Assim como para qualquer outra profissão.
Após sair do chuveiro e vestir apenas uma cueca boxer, seguiu para seu escritório particular, abriu a porta e foi direto para uma lousa de vidro que continha cada um dos integrantes da teia de aliados e inimigos que a facção de Darlian possuía. Até mesmo aqueles que respondiam apenas a Heero e seus informantes. Alguns trabalhavam até mesmo para a polícia, mas deviam favores a ele. Pegou uma caneta vermelha e riscou Jonathan da lista, assim como mais um ou outro descartável e fez uma anotação para visitar aos outros dois chefes que o homem havia delatado.
Observou uma vez mais seu mural e saiu do cômodo, apagando a luz ao passar e seguiu direto para a cama, precisava descansar e pensar no seu próximo passo.
-/-/-
Já era de manhã e Relena terminava seu café da manhã para poder sair para a aula, estava com folga, havia dormido placidamente e pela primeira vez não se sentia cansada e triste. Perguntava-se o que estava mudando nela quando uma empregada entrou na sala e após uma desculpa informou que havia um visitante. Estranhou, mas agradeceu e pediu que mandasse esperar.
Bebeu o restante de seu suco de laranja, limpou com delicadeza a boca com seu guardanapo de pano e se levantou toda nobre, caminhando em direção à sala onde a esperavam.
Ao entrar, não conseguiu evitar um sorriso sensual nos lábios rosados ao ver seu galante visitante, Treize estava de costas para a porta, em sua impecável postura nobre, observando algo pela janela e se virou no momento em que ouviu os passos pararem atrás dele, bem a tempo de presenciar aquele delicioso sorriso que fez seu sangue ferver. Retribuiu de forma astuta e se aproximou para cumprimenta-la.
Primeiro tomou a mão da moça e depositou um casto beijo, reverenciando-a, adorando-a. Logo, não resistiu ao desejo e a puxou, enlaçando a cintura da mesma e a beijando nos lábios, com desejo não contido. Ela o retribuiu com afã, envolvendo seu pescoço com os braços, o atraindo ainda mais para ela.
Ninguém notou estar sendo observado, tão pouco se importariam. Perdidos demais em seu próprio mundo naquele instante. O ar fez falta e tiveram que se separar, com desgosto.
— A que devo tamanha surpresa? – suspirou satisfeita.
— Falei com seu pai ontem e soube que hoje é seu aniversário... Então... Quis trazer um presente.
Ela riu quando se desvencilharam e ele pegou uma pequena sacola de cima da mesa de centro. De dentro, retirou um estojo aveludado e ao abri-lo ela pode visualizar uma delicada pulseira de ouro branco com pedras se safira. Boquiaberta, o encarou.
— Gostou? – se aventurou em perguntar.
— É maravilhosa. – sorriu brilhante. – Mas, realmente não precisava se incomodar.
— Nada feito para você é um incomodo.
Respondeu ao passo que tomava a jóia e a abotoava em volta do fino pulso feminino. A loira ficou alguns instantes admirando a beleza da mesma, enquanto ele admirava a ela, satisfeito com o sucesso de seu presente.
— Você estava de saída? – quebrou o feitiço e ela sorriu em resposta.
— Sim. Tenho aula, apesar de ser meu aniversário.
— Posso te levar? – incitado.
— Sim. Mas, creio que deixarei meu presente em casa e o usarei amanhã à noite. – informou, desabotoando a peça e a guardando de volta no estojo. Sob o olhar atento dele. – A propósito... Virá na festa?
Ele a observou com maior atenção, indeciso sobre o que responder.
— Estou sendo convidado? – arriscou.
— Depois de um presente desses, já pagou o convite. – riu marota e brincalhona, seguida de um sorriso genuíno do homem.
— Já que já paguei, com certeza virei. – ela riu mais ainda.
— Vou pegar minha bolsa, um minuto.
Ele assentiu e sentou no sofá, enquanto ela subia as escadas, apressada.
Estava chegando à porta do quarto quando a viu se abrir e por ela passar o mordomo.
— Paigan? – estranhou.
— Vim conferir o serviço da nova empregada.
— Ah. Tudo bem. – sorriu e segurou a maçaneta para entrar.
— Senhorita, posso lhe fazer uma pergunta?
— Claro que sim. – ela parou seu caminho e o olhou com atenção.
— O que o senhor que está na sala é da senhorita?
Sorriu diminuta e acanhada. Não sabia o que responder, desviou o olhar e analisou a situação com cuidado.
— Ele... É alguém... Importante, acho. – foi sincera.
— E se me permite uma segunda pergunta... – foi mais uma confirmação que ela assentiu o encorajando. – E o que a senhorita considera o senhor Yui?
Ficou lívida, estática e boquiaberta. Esperava qualquer coisa menos aquela pergunta. Seu coração disparou abruptamente e o moreno tomou conta de sua mente, apagando qualquer vestígio de felicidade em sua pequena bolha formada.
— Eu... – gaguejou.
— Eu posso ser velho, senhorita, mas não estou cego. – manteve o olhar dela com gentileza. – Eu não sou tão inocente quanto seu pai para não saber que algo muito forte se passa entre a senhorita e o senhor Yui, mas nenhum dos dois quer ou pode assumir seus sentimentos. Então, aparece um homem interessante na sua vida e a senhorita busca nele tudo o que não encontra no outro. Se puder tomar o atrevimento de dar minha opinião, ambos são ótimos partidos, cada um a sua devida maneira e são bastante distintos também...
— Aonde quer chegar? – perguntou fraca e aturdida.
— Analise com cuidado seus verdadeiros sentimentos, para que nenhum deles e menos ainda a senhorita saia machucado dessa situação. Pense com clareza, não tome decisões precipitadas. Por que esse tipo de ferimento tende a ser muito traumático quando não é atendido com cuidado. E eu não quero vê-la sofrer.
Com uma pequena reverencia se despediu e partiu. Relena se manteve parada ali, no mesmo lugar por mais alguns segundos, a mente vazia e ao mesmo tempo atribulada, deu um respingo quando ouviu seu nome ser dito por uma empregada que a informou que Treize seguia a esperando. Agradeceu com um movimento de cabeça, entrou correndo, escovou os dentes e passou batom, depois pegou sua bolsa e saiu. Foi recebida aos pés da escada por seu galante acompanhante que sorrindo a tomou pela mão e ambos seguiram para o carro.
Não seria ali, naquele momento que decidiria o que fazer, nem sabia como solucionar tudo, no entanto, Paigan tinha razão. Precisava tomar logo uma decisão.
Continua...
Oieee...
Feliz Ano Novo pra quem eu não tive a oportunidade de dizer antes. :D
E Feliz Aniversário Jessica Yoko por seu niver ness dia 16 passado. :D Queria ter postado nesse dia, como uma forma de comemoração, mas infelizmente não foi possivel. Sorry. u.u
Também aproveito para agradecer e dar as boas vindas a minha leitora nova elisa lucia v. Gracias mi linda, eres muy bien venida y te lo agradezco de corazón por tus lindas reviews. Espero que te haya gustado ese nuevo capitulo. :3
Bom, bom, bom... Aqui estamos... Esse capitulo foi bem movimentado ao meu ver e deu um empurrão na fic, ou só eu fiquei com essa sesação? O.o
Aquelas que não sabem, Eu tenho uma novidade, recentemente fui convidada por uma autora do fandom em espanhol de Rurouni Kenshin para escrever uma fic om ela. Eu aceitei, começamos e estamos publicando nos dois idiomas, isso também se tornou outra fanfic que esta a caminho. Convido a todas interessada a conferir e deixar sua lindas opiniões lá também. :D
E é isso. :D
Quero reviews.. Muitas, detalhadas, Lindas e cheias de opiniões e teorias. hehehehe
Amo vocês e até loguinho, espero não sumir mais. u.u
19/01/2017
