Oi, meninas! :D voltei! (e rápido!)

Antes de mais nada, feliz dia dos namorados! Tia Dame esse ano passou longe de aproveitar esse dia acompanhada, mas um dia ainda acho meu Kakashi hahahahaha espero que vocês tenham mais sorte que eu hahahaha

Como prometido, capítulo em primeira pessoa... Espero, de coração, que agrade. O capítulo ficou fofo, eu acho, mas fofo demacho, né?! uahuahauhau

Fic não betada, perdoem minha falta analfabetisse.

Naruto não me pertence, só o Kakashi mesmo.

Hope u enjoy!


Capítulo 9: Aquele em que sou eu que falo

Sempre ouvi dizer que o ser humano só é capaz realmente de dar valor a algo quando o perde. Particularmente eu sempre achei isso uma besteira.

Ininterruptamente dei a importância devida a minha Vila, nunca colocando minhas obrigações em segundo plano, e arriscando minha vida por inúmeras vezes para defendê-la. Já morri por Konoha, e morreria de novo.

Família eu, basicamente, nunca tive, e por isso aprendi a valorizar a importância de uma.

Mantive de perto a amizade daqueles que realmente se importavam comigo, a vida não permitiu que sobrassem muitos, é verdade, e eu nunca fui lá uma pessoa muito aberta – mais verdade ainda -, mas jamais me neguei a comparecer aos desafios malucos de Gai e a ceder mulheres para Genma nas voltas de missões; Comprei leite, brinquei de ninja e ensinei o filho de Kurenai com Asuma a arremessar kunais como nenhum outro estudante da Academia faz; Rego regularmente a planta da falecida velhinha que era minha vizinha – ela sempre deixava biscoitos frescos na porta de meu apartamento quando eu voltava de missões, com bilhetes de agradecimento por meu trabalho prestado; E sempre faço carinho quando um gato vira-lata me procura ocasionalmente.

E assim eu estava levando a minha vida muito tranquilamente. Eu achava que a fórmula: muitas missões bem sucedidas, mais incontáveis mulheres, mais descanso merecido; era tudo que eu precisava pra ter paz. Entenda, ter paz e ser feliz são coisas completamente distintas, mas eu já havia me contentado há muito tempo com apenas uma delas. Eu achava que não precisava de mais nada da minha vida.

Achava.

Até que um dia, que eu ainda não consigo classificar entre abençoado ou maldito, eu entrei num pub e lá estava ela. E bem, daí em diante vocês já sabem.

11 dias 17 horas e 33 minutos.

Esse é o tempo que eu não a vejo. Malditos onze dias. Tenho evitado até mesmo pensar no nome dela, então não ache estranha a repetição demasiada dos pronomes.

E é exatamente isso que me faz perceber como eu estava errado quando acreditava que perder algo não fazia com que revessemos os valores das coisas na vida. Pareço um adolescente me lamentando, eu sei, e acredite, eu realmente me sinto mal por isso.

Talvez se eu conseguisse pensar um pouco menos nela, nem estivesse aqui para contar essa história reprovável – ou improvável? -, mas a minha situação está complicada. Se pensar repetidamente em uma pessoa fosse encarado como uma doença – deveria ser -, e se cada lembrança repetida mentalmente fizesse ficar mais grave sua situação, eu estaria na UTI, provavelmente em coma.

Para falar a verdade, eu já teria morrido. Em apenas onze dias.

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O julgamento de Sasuke aconteceu no dia zero. Foi o último dia que eu a vi.

Eu prometi pra ela que ajudaria o Uchiha no que eu pudesse, então eu compareci ao julgamento do pivete-traidor (acho que vou chamá-lo assim de agora em diante), ainda que vê-la toda angustiada por ele me enjoasse.

Os dois dias que antecederam o julgamento foram tão tensos quanto tempos de guerra. Eu sei que Naruto sempre lutou para trazer Sasuke de volta, mas chegou um momento que isso não era mais possível, mesmo antes de sua suposta morte. O Uchiha tinha conseguido foder com toda a história trágica de um Clã tão importante dentro de Konoha com suas atitudes sempre tão mesquinhas e inconsequentes. Ele não ligava se pessoas morreriam, que dirá se ficariam magoadas com suas atitudes. E ele magoou profundamente a Naruto e a minha garota. Tudo ficou melhor quando ele morreu, a verdade é essa.

Se você está pensando que eu odeio o traidorzinho, você tem completa razão.

E pensar que eu me vi nele quando criança, acabei por criar um laço, cheguei a ensinar meu jutsu exclusivo para ele, aconselhei-o como se fosse um irmão mais novo; e mesmo assim ele desertou. Aprontou calamidades, abusando maleficamente do que aprendeu em Konoha, foi responsável por inúmeras mortes de ninjas da Vila que ele um dia jurou lealdade. Quando se pensava que o equilíbrio do universo tinha sido reestabelecido, e Sasuke tinha pagado seus atos com a morte, pondo fim a sua breve história, o pérfido volta para Vila que ele desonrou de maneira infame. É exatamente essa minha opinião sobre o pivete-traidor.

Contudo, ele voltou sendo outro. Não que seu péssimo caráter tivesse sido apagado junto com sua memória, isso eu duvido, mas ele não se lembrava da pessoa lamentável que tinha sido antes da Guerra.

E mesmo depois de todo o mal que ele foi capaz, Naruto o perdoou e o trouxe de volta com sua autoridade de hokage, arriscando-se amplamente com isso, mas o fez. O Uchiha ainda tinha conseguido reacender seu laço com Naruto, e como muito me amargurava perceber, com ela ele também tinha conseguido.

E bem por isso eu sabia que ela e Naruto ficariam inconsoláveis caso o Uchiha fosse morto ou exilado da Vila, e então ali estava eu, muito contrariado, uma vez que meu coração já não é tão nobre e, pra mim, dádiva do perdão não se aplica a traidores.

Mas o pior ainda estava por vir, mal sabia eu...

Quando adentrei pela porta da sala de Reuniões de Estratégia de Guerra, um dos membros do conselho já falava, ou seja, eu estava atrasado. Pra variar. Enquanto ouvia o ancião enunciar os crimes cometidos por Sasuke, notei o semblante de alívio pela minha chegada de Tsunade-sama e de Naruto. Certo, notei o dela também, porque miseravelmente falhei ao desviar minha atenção, e meu olhar pairou demoradamente sobre seus olhos verdes. Exigi minha própria concentração internamente e passei a procurar um lugar para sentar.

O Uchiha encontrava-se algemado ao centro do auditório circular, e as mesas e cadeiras encontravam-se ao redor dele; ele estava de frente para o Conselho e de costas para o resto das testemunhas, então era lá que eu devia me sentar. Fugi do lugar vago ao lado dela, e rapidamente me sentei ao lado de Hyuuga Hiashi, passando a prestar atenção no que estava sendo dito, na boa intenção de ser útil caso fosse necessário.

Se você está pensando que eu fui covarde, é provável que tenha razão; talvez eu estivesse fugindo de ouvir da boca dela que nós não deveríamos mais nos ver. Mas a justificativa que eu dei para mim mesmo é que estava evitando forçar uma situação, não queria que ela fosse obrigada a falar comigo, eu era capaz de respeitar aquele momento dela e era isso que eu acreditava estar fazendo. Entende, não é como se eu tivesse mesmo fugido... Ah, droga, é sim. Contudo isso não importa mais.

Como eu estava dizendo, o julgamento prosseguiu com o término da acusação, e então foi a vez de Sasuke se manifestar em sua própria defesa, já que não foi permitido a ele um advogado ou mesmo um representante. O Uchiha, como de se esperar, mostrou-se um homem de poucas palavras: não implorou pela piedade do Conselho, apenas levantou-se e disse que uma vez tinha jurado lealdade a Konoha e que, em um passado que agora não mais existia para ele, tinha quebrado seu juramento, mas que como homem, era seu dever voltar para o lugar ao qual seu coração pertencia, e reaver suas dívidas com aqueles que confiaram nele.

Até parece, traidorzinho de merda. Confesso que me frustrei por não ter presenciado a cena de Uchiha Sasuke implorando pela sua vida. Não que ela valesse grandes coisas, não é... Mas Naruto parecia orgulhoso dele, e eu preferi nem olhar para ela.

Tsunade pediu para falar, mas o ancião que fazia o papel de juiz negou; foi visível a insatisfação da Quinta, que não estava nem um pouco acostumada em ter seu poder subjulgado. Naruto ter trazido um nukenin para Vila diminuiu em boa parte o poder dos hokages no caso, e certamente o Conselho se aproveitaria dessa oportunidade para vingar-se das vezes que Tsunade simplesmente calou-os. Incrível como rivalidade entre hokages e o Conselho comporta-se como uma constante desde a fundação da Vila.

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Houve um recesso de quase uma hora para que o Conselho formalmente se reunisse e voltasse com o veredicto, que obviamente já estava tomado bem antes daquele julgamento se iniciar. Conversei com Shikaku por praticamente todo esse tempo, evitando deliberadamente a mesa da hokage, que graças a Kami estava sendo requisitada a todo o momento e não notou minha ausência ao seu lado.

No dia em que o Uchiha chegou, tive uma conversa particular com a Godaime, que me confessou já saber que Sasuke voltaria assim que Naruto fosse nomeado o Sexto, e que precisava saber se podia contar comigo nessa empreitada conflituosa que seria conseguir sua permanência em Konoha. Jurei novamente minha lealdade a ela, como minha honra requisitava. Então eu era um dos poucos a quem ela realmente estava depositando sua confiança.

Confiando ela ou não, quase todos os chefes de Clãs eram a favor de que Sasuke ficasse, visando o poder do sharingan, já que se ele permanecesse, não poderia colocar imposições a estudos, como os Uchiha sempre fizeram com seu – ou devo dizer nosso? - lendário doujutsu; dos presentes apenas dois eram a favor do exílio, e um da pena de morte.

Quando o ancião que estava no comando do júri voltou a falar, os ruídos cessaram imediatamente, mesmo que sua voz fosse baixa e ecoasse muito pouco pela sala. Caso se prestasse atenção, era possível ouvir as respirações tensas e ruidosas de alguns dos presentes.

- Eu, Koharu Utatane, representando o Conselho de Konohagakure trago o veredicto do julgamento do nukenin e criminoso de Guerra Uchiha Sasuke. - nesse momento desviei meu olhar para minha garota, e pude ver a maneira aflita como ela prendeu a respiração e fechou os olhos. – O réu é considerado culpado por seus crimes contra a humanidade e contra Konoha, porém, pelos presentes acontecimentos o Conselho demonstra sua piedade, e decreta exílio à Uchiha Sasuke.

O murmúrio aumentou imediatamente, e vários dos presentes se levantaram em protesto, inconformados. Limitei-me a cruzar os braços a frente do peito, e ergui uma sobrancelha involuntariamente me perguntando sobre como toda a situação se desenrolaria a partir daquele desfecho; quando o ancião bateu com o martelinho três vezes, o silêncio retornou. Antes que o velho pudesse falar qualquer coisa, Naruto saiu de trás da mesa dos hokages e posicionou-se ao lado de Sasuke, começando a falar sem pedir permissão:

- Uchiha Sasuke agradece a piedade do Conselho, mas a decisão foi reprovada pelos dois hokages de Konoha. – E então foi a vez dos membros do Conselho se exaltarem, e tenho certeza que a cara de ódio que o velho que presidia a sessão fez para Naruto só podia dizer 'eu jamais deveria ter permitido que você assumisse esse cargo, sua raposa insolente'. Não nega de quem é filho. Quem diria que o garoto podia se comportar tão bem...

– Como contra proposta, sugerimos que Sasuke permaneça na Vila com o intuito de reestruturação do Clã Uchiha, o que inegavelmente fortaleceria Konoha inúmeras vezes. – Naruto fez uma pausa permeada de silêncio, que o dizia para prosseguir. - Como prova da boa fé de nossa proposta, deixamos que o Conselho imponha as condições para que Sasuke possa ficar, desde que ele tenha o direito de voltar a exercer suas atividades como ninja após passar por treinamento específico.

Quando o Rokudaime – mereceu o adjetivo - terminou de falar, trocou um olhar breve com Tsunade, que discretamente lhe balançou a cabeça positivamente por detrás das mãos cruzadas a frente do rosto.

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O julgamento entrou em recesso novamente e dessa vez demorou horas para voltar. Já era noite quando a sessão voltou, e enquanto isso todos nós ficamos presos no prédio jounin. Me escondi em um dos banheiros e fiquei lendo Icha Icha por horas tentando me distrair, cheguei até a dormir, e a droga da sessão não voltava. Eu não queria ficar pensando sobre o assunto, eu não queria ficar pensando sobre ela.

Eu só queria que aquilo passasse logo, e que eu pudesse ter paz. Sinceramente, Sasuke não era uma boa razão para eu me estressar, não valia a pena.

Não tinham restado muitas opções ao Conselho. Restava aos velhos dificultar ao máximo a vida de Sasuke na Vila, de maneira que talvez nem ele mesmo quisesse ficar.

Vou resumir o que foi decidido.

Lembra que eu disse que ia ficar pior? Então, foi aí.

Nas palavras de Utatane:

"O Conselho aceita a permanência de Uchiha Sasuke na Vila Oculta da Folha, assim como sua readequação a rotina ninja, com as seguintes condições:

Número um: fica estabelecido o período de um mês para que Uchiha Sasuke se case, visando a aceleração do processo de herdeiros para reconstrução do Clã Uchiha.

Número dois: dentro do processo de readequação a rotina ninja, Uchiha Sasuke estará em vigilância permanente, sendo designado como seu tutor Hatake Kakashi, caso este aceite, por ser o único capaz de controlar o sharingan. O réu permanecerá preso até que seu treinamento comece.

Número três: o réu deverá passar por acompanhamento médico constante com intuito de reavaliar frequentemente seu processo de memória, além da realização de estudos obrigatórios sobre sua kekkei genkai. Fica designada para o cargo a médica-nin, caso esta aceite, Haruno Sakura.

Número quatro: o réu dormirá no presídio de Konoha, todos os dias, pelos próximos cinco anos.

Número cinco: o réu não receberá pagamento pelos serviços prestado a Konoha, como missões ou serviços de qualquer outro caráter, como forma de indenizar a Vila pelos danos de seus crimes. Contudo, pertence à Uchiha Sasuke o bairro em Konoha que abrigou o Clã Uchiha no passado.

Número seis: Uchiha Sasuke jamais poderá ser capitão de um time de shinobis."

Dá pra imaginar a minha pequena insatisfação, não é?

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Sim, eu tenho treinado o traidorzinho nos últimos nove dias (demorei dois dias pra criar coragem de aceitar ser seu tutor). E não, eu não tive como negar, por mais que essa fosse minha mais profunda vontade. Só perde pra minha vontade de ter ela aqui, pra falar a verdade. Mas tinha minha promessa a ela, e minha lealdade a Godaime e a Konoha.

O lado bom é posso socar a cara dele com toda minha força e dizer que é por causa treinamento. O lado ruim é que quando eu soco ele, quem cuida é ela. O que me deixa num impasse gigantesco. Não vale a pena bater nele, se for dar mais tempo pra que ele fique com ela. Infelizmente.

O maldito aprende rápido, para a sorte dele, por que eu não tenho sido o professor mais paciente do mundo. O pior é que ele parece simpatizar comigo. Eu não encho o saco dele como Naruto, na verdade, eu nunca dirijo a palavra a ele quando posso não fazê-lo, e acho que ele gosta disso. Não faço perguntas como os outros. Eu só digo o que ele tem que fazer, e se está fazendo direito. Nós treinamos durante toda a tarde, e quando escurece é meu dever levá-lo até a prisão. Minha parte favorita do dia.

Determinadas manhãs o Uchiha passa com ela, outras ele tem reformado a casa que fora de seus pais. Não que eu quisesse saber disso, mas ouvi-o conversando com Naruto um dia desses.

O rokudaime vem com frequência assistir o treinamento, mas se entedia fácil, já que fui instruído a primeiramente ajudá-lo com o controle sharingan, que é o que temos feito a maior parte do tempo. Antes de chegarmos ao treino físico, o hokage já dormiu ou foi embora.

Ela não apareceu nem um dia para assisti-lo. Ou ela não está interessada o suficiente nele, ou o problema é o tutor dele. Não consigo me convencer que é o primeiro caso, por mais que eu tente.

Eu queria ir atrás dela, e fingir que não me importei com esse tempo que não nos vimos, que não nos falamos, queria perguntar como ela está, e se eu fosse muito mais corajoso, se é ela que vai casar com ele. Essa possibilidade me atormenta a cada segundo. Ela jamais vai ser feliz com ele. E talvez eu não possa nunca mais ser feliz sem ela.

Eu não pretendia que as coisas fossem tão longe entre nós dois, eu não pretendia me aproximar tanto, e compartilhar aqueles momentos. Não pretendia sentir arrepios quando ela me beijava, nem pretendia fazer dela minha cúmplice de pecado. Eu não pretendia me apaixonar, mas não consegui evitar. Às vezes as pessoas se esquecem como pequenos flocos de neve são os responsáveis pela formação das nevascas, afinal.

E ela também não pretendia sentir aquelas coisas que eu a fazia sentir, mas eu sei que sentiu. Contudo por mais que ela correspondesse, seu laço com ele era anterior ao nosso, e consolidado por anos.

Era como se ela estivesse escolhendo entre nós dois, e essa era uma luta perdida para mim.

E então eu fico sozinho no meu quarto, onde todas as coisas me fazem lembrar a maneira como ela gemia meu nome, tentando me convencer que eu não sou o cara certo pra ela. Ficarmos juntos não é uma coisa inteligente a se fazer, não mesmo... Mas eu daria qualquer coisa pra ter mais uma chance com ela hoje à noite.

Merda de pensamentos que não me levam pra lugar nenhum. Ficar querendo que ela apareça aqui, por mágica, não vai resolver em nada minha vida. Não consigo decidir o que é realmente certo com ela nublando meus pensamentos, me ludibriando a procurá-la com tanta saudade do seu cheiro, do seu gosto...

Preciso conversar com alguém. Mas antes eu preciso beber – beber muito! -, caso contrário, não vou conseguir confessar que virei um babaca apaixonado em voz alta.

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O prédio de Genma não fica muito longe do meu, e eu espero mesmo que esse maldito esteja em casa e disposto a me ouvir. E que não dê muita risada.

Não, isso não adianta me iludir, ele vai rir muito. Já consigo imaginar o sorriso de otário dele ao dizer que minha cachorrice serviu de inspiração pra ele um dia. Mas ele é minha melhor opção, vai se honesto se achar que devo ir atrás dela.

Bati na porta três vezes, e nenhum sinal dele. O filho da puta não faz uma pra me ajudar mesmo... Antes que eu pudesse pensar em outra pessoa para procurar, Shikamaru abriu a porta de seu apartamento em frente ao de Genma, com um cigarro na boca e uma cara de quem tinha acabado de acordar.

Provavelmente fui eu que acordei.

- Genma saiu em missão ontem a noite, senpai. – disse ele com a voz arrastada, fechando os olhos para tragar o cigarro. Bufei sem querer de insatisfação. – Você não parece muito bem... Só o Genma pode resolver seu problema?

A primeira coisa que eu pensei é que isso soou muito gay. Quem vai resolver meu problema é ela, e só ela. Genma só ia me fazer companhia enquanto eu fico bêbado e lamento minha paixão. Mas pensando bem, ele estava me oferecendo ajuda. Não era ele que eu estava procurando, assim como não era eu que ela procurava quando me ofereci para ajudá-la num pub uns meses atrás.

Bem, talvez Shikamaru fosse bom dando conselhos.

- Você é tão bom com mulheres quanto com estratégias de guerra, Shikamaru? – perguntei, com um tom meio zombeteiro, meio amargurado por ter que confessar que meu problema é uma garota.

- Sou melhor. – ele afirmou, soltando fumaça pelos dentes e me sorrindo como quem entendia muito bem o que era sofrer de amor. – Vamos beber.

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- Acho que eu não entendi direito... Você o que?! – perguntou ele, soltando uma risada calma, e eu sorvi todo o conteúdo do copo de whisky a minha frente com uma careta. Shikamaru só tinha uma garrafa de sake no apartamento, mas pra minha sorte tinha mais duas de whisky.

Quando senti meu interior esquentar, e o aperto no meu peito ser substituído lentamente por uma paz que só o álcool consegue conceder, eu ri junto com ele, e repeti:

- Eu aceitei ensiná-la a fazer sexo... – e eu ri mais, por que mesmo depois de beber tanto, ainda parecia absurdo uma coisa dessas.

- E você realmente deu aula prática pra Sakura? Você chegou a... consumar o ato? – seu tom não me julgava, ele só continha curiosidade, o que me fez perceber que nunca achei Shikamaru tão gente boa quanto naquele momento.

Ou talvez fosse o álcool me induzindo a gostar dele, mas isso não importa. Ouvir o nome dela me incomodou, mas eu preferi não dizer nada.

- Fiz pior, meu amigo, eu me apaixonei por ela. – minha voz saiu mais lenta que comum. Soltei minha cabeça pra encostar no sofá sentindo-a mais pesada do que nunca, estávamos sentados no chão da sala, e provavelmente eu passaria a noite lá. – Eu tentei nem começar aquilo, mas não consegui resistir. Ela é tão inocente, e ao mesmo tempo tão safada, sabe exatamente o que fazer pra me deixar completamente louco... – Shikamaru levantou as sobrancelhas, provavelmente pensando nela de um jeito que me faria socá-lo se eu estivesse sóbrio, e encheu nossos copos. – Escolhi todas as lingeries dela, invadi a sua dela de noite, fomos flagrados semi nus por um ANBU idiota, peguei ela na sala, no chuveiro, na cama, com os pais dela em casa... Não consigo esquecer os detalhes do corpo dela.

Shikamaru deu dois tapinhas no meu ombro, tentando me consolar.

- Mas você tem certeza que gosta mesmo dela, ou só ta louco de tesão? – ele perguntou, e eu bebi mais.

- As duas coisas. – respondi, dando de ombros. – É completamente excitante saber que fui o primeiro que toquei nela, que eu fui que dei seu primeiro orgasmo, falar besteira e ver como ela fica constrangida por isso... Mas é melhor ainda ter ela nos meus braços depois de cansá-la tanto que ela só consegue dormir, é melhor ainda esperar o tempo dela, e ver como ela vai perdendo o medo comigo.

Shikamaru riu não sei por que, mas eu o acompanhei. Era bom falar, me sentia mais leve, muito mais leve.

- E o problema é o Uchiha? Ou as coisas estavam confusas mesmo antes de ele voltar?

Ouvir o nome dele fez meu interior esquentar ainda mais, dessa vez não pelo álcool, mas pela raiva.

- Eu estava prestes a arrancar a calcinha dela com a boca quando o aviso que esse maldito tinha voltado chegou. – respondi amargurado, e se fosse minha casa eu teria descontado minha frustração quebrando alguma coisa.

- Kakashi, se você realmente gosta dela como ta me fazendo acreditar que gosta, por que não luta por ela?

Com ele falando assim me senti tolo, fez parecer tão simples. Mas não era, infelizmente.

- Eu não sou o cara certo pra ela. – rebati quase que imediatamente, ele me olhou como quem dizia para que eu prosseguisse. – O que as pessoas vão dizer? Eu sou velho demais, entende? Não posso roubar a juventude dela, não posso decepcioná-la. Ela tem sonhos, ela merece realizá-los, ela merece ser feliz...

- E você não merece? – indagou, e eu não respondi. – Tá com medo de ser feliz, senpai? – talvez eu estivesse mesmo, e me assustou um pouco perceber, me restou ignorá-lo de novo. – Você consegue se imaginar aceitando ela sendo feliz com outro?

Não. Muito menos com o traidor do Sasuke. Mas...

- Eu não a mereço.

Ela é um raio de luz, ilumina onde entra e aquece onde passa.

- Então quem merece? – rebateu, num tom provocativo.

Balancei a cabeça negativamente buscando resposta pra essa pergunta que eu nunca havia me feito.

- Todos que eu amo morrem, Shikamaru. – mais uma vez acabei com o conteúdo do meu copo, sentindo minha garganta queimar.

- Então proteja-a de perto, por que deixar de amar não é tão fácil quanto parece, acredite em mim. – respondeu-me, e foi sua vez de soar amargurado e finalizar seu copo. – Eu amo a mesma mulher há anos, e vou amá-la pra sempre, mas ao contrario de Sakura, ela não me quer. Nossa diferença de idades é parecida com a de vocês. Ela é cabeça dura demais pra aceitar que gosta de mim também, e eu sou fraco demais pra me afastar pra que ela perceba o que sente. – ele soltou um riso de escárnio entre os dentes, e acendeu um cigarro. – Na verdade, é isso que eu quero acreditar, tenho medo de me afastar, e simplesmente não fazer diferença pra ela.

Dei a ele meu melhor olhar de compaixão. Amar é uma bosta, ainda bem que era a primeira vez em anos que eu me sentia assim. Sexo é muito mais divertido e simples.

Enchi nossos copos.

Todos temos nossos demônios no amor... Talvez se eu fosse um pouco menos covarde pudesse vencer o meu.

Mas bêbado era fácil me sentir corajoso.

Shikamaru foi pra perto da janela fumar e eu encostei a cabeça no sofá mais uma vez, sentindo o sono me vencer.

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Acordei no apartamento de Shikamaru com o Sol no meu rosto, sentindo todo meu corpo doer, mas não mais do que minha cabeça. Dormi meio sentado meio deitado no chão, o que explicava a dor no corpo, e obviamente estava de ressaca. O dono da casa dormiu jogado no sofá, abraçado com uma garrafa quase vazia de whisky, o que, se não fosse trágico, seria engraçado. Tirei a garrafa de seus braços, e agradeci com um aceno em silêncio pela hospedagem, ele retribuiu o gesto, virou-se no sofá e caiu novamente no sono.

Sai pela janela para não acordá-lo de novo, e decidi que precisava pensar nas coisas que ele havia me dito. Passei em casa o mais rápido que pude, apenas para tomar um banho e trocar de roupa, fugindo de todas as lembranças contidas no meu apartamento.

Decidi treinar para por os pensamentos em ordem, resolver sobre qual seria de fato minha posição quanto ao meu futuro. Escolhi um campo de treinamento meio abandonado, que costumava levar o time 7 para treinar, tendo a certeza que poderia ficar sozinho.

Acordei mais otimista, e parecia que parte do incomodo que havia se instalado nos últimos dias em meu peito tinha dado espaço para a dor de cabeça da ressaca. E isso era bom. Se eu mereço realmente ser feliz, e não simplesmente conformado com as situações, eu não sei.

Talvez eu devesse aceitar que outra pessoa, quem sabe Sasuke, faça-a feliz. É melhor que ela esteja nos braços de um outro qualquer do que sofrendo de saudade de mim, como eu estou dela. Afinal de contas, é o bem dela que eu desejo, independentemente se é ou não ao meu lado que ela está. Isso é um pensamento correto e nobre, e parte de mim acredita mesmo nisso.

Mas outra parte chama esse meu lado que cede de covarde. Ruge em meu peito que vou perdê-la por medo, afirmando que eu posso fazê-la feliz, eu vou me esforçar todos os dias para realizar seus desejos, eu a conheço de verdade, e eu, somente eu, gosto dela como ela merece. Por mais que eu tenha acabado de perceber todas essas coisas.

Será que os pais de Sakura entenderiam isso? Tsunade, Naruto, e o resto da Vila? Será que poderíamos sair de domingo para comer fora sem sermos fuzilados com olhares maldosos? E se daqui alguns anos ela pensar que eu fiquei velho demais?

Essas perguntas martelavam minha cabeça. Como eu estava afastado das missões para treinar ao traidorzinho, decidi alterar o treino físico para genjutsu quando cansei de arremessar shurikens, afinal, tudo bem gastar meu chakra. Hoje colocaria Sasuke num genjutsu para estimulá-lo a despertar o sharingan, agora que ele já tinha algum controle sobre seu chakra novamente.

Daqui um tempo ela terá decorado meu rosto, não haverá máscaras entre nós, e eu deixarei de ser tão misterioso. Ela vai conhecer meus hábitos e meus defeitos, e talvez eu deixe de ser interessante como antes.

Me concentrar na ilusão não estava das tarefas mais fáceis...

Covarde, alguma coisa dentro de mim sussurrou, e eu ignorei.

Precisava pensar numa situação que o faria querer ter esse poder.

Sasuke é jovem, e agora que não se lembra de nada, não vai ser difícil que ele se apaixone por ela. Todos seriam a favor de um relacionamento entre eles, os herdeiros Uchiha nasceriam fortes com uma combinação tão favorável. Ele não tem um passado que o atormente, que o faça ter medo de amar, que faça dele uma pessoa culpada.

Covarde.

Uma ilusão sobre a família dele, talvez algo com Naruto...

Talvez o melhor para ela seja Sasuke.

Coragem, Kakashi.

Não, melhor, ele mesmo matando alguém; ele vai querer deter a si próprio, com certeza.

Será que eu vou conseguir esquecê-la? Será que vou ser torturado com as lembranças sobre nós sempre que a ver? Será que ela sequer está sentindo minha falta?

Esse alguém será Naruto.

Vá atrás dela!

Quando finalmente visualizei a imagem de Sasuke cortando a cabeça de Naruto e sorrindo maleficamente por isso, abri os olhos e percebi que estava muito suado. A falta de concentração fez com que eu usasse muito mais chakra do que deveria para uma ilusão simples, e eu amaldiçoei baixinho por isso.

Minha cabeça ia explodir, na somatória de tudo que estava acontecendo e a ressaca pela noite passada. Ficar sem controle de mim mesmo e das minhas vontades era uma coisa que eu não estava acostumado a lidar. E que merda de sentimentos conflituosos!

Lembrei que havia uma espécie de vestiário naquele campo de treinamento, e torci pra que tivesse ao menos água. Tentei silenciar o que quer que fosse que estivesse falando na minha cabeça, e passei a sentir a água gelada de um chuveiro velho contra mais minhas mãos e pulsos, acalmando-me um segundo após o outro. Juntei um pouco de água nas mãos e molhei a nuca, esforçando-me para prestar atenção somente na água que escorria pelo ralo quebrado e enferrujado, e assim fiquei por um tempo que não seria capaz de dizer se muito ou pouco.

De repente a luz que entrava pela porta quebrada foi diminuída por alguma coisa em seu caminho. Demorei meio segundo até ter certeza de quem era, e quando tive, pensei estar alucinando. Se fosse esse o caso, eu precisava de tratamento psiquiátrico, e pela realidade da suposta alucinação, eu precisava com urgência de ajuda.

- Sakura? – perguntei, meio incerto, vendo sua respiração pesada e no momento seguinte ela se aproximar rapidamente de mim.

Minha máscara foi abaixada e um segundo depois nossos lábios estavam colados. Tudo aconteceu tão rápido que eu ainda não havia conseguido saber se aquilo estava realmente acontecendo, me deixando sem reação. Ela se afastou seu rosto de meu, e varreu com seus olhos verdíssimos minha expressão a procura de algo. Decidi que realidade ou sonho, ela estava ali, e eu iria aproveitar o tempo que eu tivesse.

Busquei seus lábios, puxando seu corpo para o mais perto possível do meu, e a empurrei para baixo do chuveiro, sentindo o contraste entre a água gelada e seu corpo pequeno quente. Pedi passagem com a língua por entre seus lábios, concedida imediatamente junto com um suspiro. Não consegui evitar um sorriso ao sentir o gosto adocicado de sua boca novamente. Sua língua digladiava com a minha para decidir quem conquistava mais espaço da boca do outro, enquanto minhas mãos apertavam-na contra mim, uma envolvendo sua cintura, e a outra no quadril.

A pele molhada dela era muito tentadora para que eu me contentasse em permanecer sem explorá-la, de maneira que poucos segundos depois eu apertava sua bunda sob a saia que ela usava, e foi minha vez de suspirar. Ela puxou meu lábio inferior entre os dentes, interrompendo o beijo a procura de ar, e eu aproveitei o espaço para atacar seu pescoço alvo, alternando mordidas e lambidas na pele macia da região, sentindo-a arrepiar. Sua mão deixou meu cabelo e adentrou o tecido molhado da minha camiseta, passeando pelas minhas costas. A água continuava a cair sobre nossos corpos, ensopando-nos.

Achei sua ideia fantástica, e foi a vez da minha mão passear sob o tecido de sua blusa. Eu podia sentir o bico do seu peito duro roçando-se contra meu corpo, me clamando atenção, mas demorei acariciando sua barriga deliciosa, que se contraia com meus toques cada vez mais próximos da intimidade dela.

Voltei a beijar sua boca com ainda mais vontade, praticamente feroz, e subi minha mão para seu peito, apertando-o e capturando seu bico entre meus dedos. Ela soltou um gemido dentro da minha boca, e eu pressionei meu quadril contra seu ventre, fazendo-a sentir meu pau duro.

Continuei massageando seu bico e sugando sua língua com a minha, quando ela apoiou todo seu braço ao redor dos meus ombros, trazendo seu corpo uns centímetros mais para cima com o gesto, e eu a ajudei a permanecer assim prendendo com firmeza sua coxa a lateral de meu quadril.

Pressionei meu quadril contra o seu mais uma vez, sem conseguir me conter.

- Sensei... – ela gemeu baixinho, necessitada, me trazendo um flash de consciência.

Terminei o beijo com o selinho, soltei sua coxa e tentei controlar minha respiração. Ela tinha os olhos verdes nublados e confusos quando me olhou.

- Precisamos conversar, Sakura. – respondi a pergunta que não foi feita verbalmente. Ela comprimiu os lábios numa linha reta, e concordou com a cabeça uma única vez.

O clima ficou tenso, de repente, mas eu não me importei e lacei sua mão com a minha, entrelaçando nossos dedos, puxando-a para perto de mim, logo após beijar o dorso de sua mão.

Ela me sorriu de um jeito tímido, encostando sua cabeça no meu braço enquanto andávamos.

- Senti sua falta. – ela confessou baixinho, fazendo meu coração que se acalmava disparar mais uma vez, e o ar então pareceu entrar com mais facilidade à medida que eu inspirava.

- Eu também, pequena.

x

Não falamos mais nada no caminho até minha casa, apenas ficamos de mãos dadas sentindo a presença e o calor um do outro.

Quando chegamos, troquei de roupa rapidamente, e lhe entreguei uma camiseta seca para que ela também o fizesse. Sai do quarto, ela virou de costas para a porta; eu disfarcei quando fui pego observando-a, ela riu baixo e me olhou com cara de repreensão, mas divertida, não brava.

Sentamos no tapete da sala de meu apartamento, um de frente pro outro. Ela secou o cabelo pacientemente com uma toalha que eu emprestei, e eu fingi que não prestei atenção na maneira como as mãos dela tremiam. Quando os cabelos cor de rosa lhe caiam soltos e úmidos nos ombros, ela interrompeu o processo, e me olhou profundamente nos olhos, prendendo o lábio inferior entre os dentes.

- Tenho uma coisa pra te falar. – disse ela, e eu respirei fundo. Não sei se queria saber o que estava prestes a dizer, então tomei a frente da conversa, aproveitando que estava com coragem suficiente para falar tudo.

- Eu preciso te falar uma coisa antes.


E aí? E aí? Curtiram?

[leia cantando] Sensei ta apaixonado, sensei ta apaixonado! [/leia cantando] hahahahaha

Quem diria que o Shika daria um bom conselheiro amoroso, hein? haha aliás, deixo pra vocês pensarem quem é o amor dele...

Parece que o Kakashi não está disposto a ser o best friend do Sasuke, né hahahha mas não tinha como escolher outro cara pra treinar o Sasukezinho...

Prevejo declaração de amor em breeeeve hahaha pro desgosto de vocês, já adianto que não é no próximo, já que o que aconteceu com a Sakura nesses mesmos doze dias também tem que ser explicado hahaha

A parte boa é que estou de féeeeerias, então to com bastante tempo pra escrever!

Se vocêscomentaremrapidinho,postorapidinho :D

Beeeijos, perverts lindas do meu coração! 3

Dame ;))

P.S.: que todas nós encontremos Kakakshis para passarmos o dia dos namorados ano que vem hahahaha enquanto isso deixe sua declaração de amor ao Kakashi abaixo, nesse dia tão especial. AUHSUAHUA