"Então, como estou?" Rachel perguntou sorridente para Quinn que estava sentada na cama de seu quarto em um apart-hotel, sua residência temporária em Los Angeles. As duas estavam se arrumando para o almoço na residência de Judy e Russel Fabray
A morena estava com um vestido branco até os joelhos, e os cabelos presos em um coque. Quinn, por sua vez, usava seu típico All Star preto, sua calça jeans e uma camiseta. Não precisava impressionar ninguém, seus pais conheciam bem seu jeito e seu estilo.
"Você está linda demais." Quinn respondeu. "De tirar o fôlego."
"Você acha que os seus pais vão gostar de mim?" Estava um pouco insegura, ser aceita pelos Fabray era algo que ela queria muito, já que não sabia quando veria algum membro de sua família outra vez, e não queria o mesmo para Quinn.
"Nunca se sabe, os pais sempre acham que os filhos podem ser ou fazer melhor, mas eu não acredito que eles serão rudes com você." A loira respondeu, e suspirou. "Mas não espere muito também, eu só estou fazendo isso porque é importante para você, porque se dependesse de mim..."
"Quinn, família é importante, você devia pensar diferente." Rachel argumentou, porque apesar de todos os problemas entre ela e a mãe, ela tinha consciência que não chegaria aonde chegou sem a sua ajuda.
"Claro, eles são importantes para estragarem sua vida e serem os primeiros a julgarem quando você faz algo que eles consideram errado, e você sabe bem disso." Sua namorada era um exemplo vivo disso, e ela também. Rachel rolou os olhos, e sacudiu a cabeça. Era melhor falarem de outra coisa. "É melhor irmos agora, afinal, meu pai adora falar e reclamar de tudo mesmo sem motivo, se nos atrasarmos vamos dar um motivo para ele fazer isso." Quinn explicou. Só ela sabia o quão insuportável os sermões pedantes de Russel, e seu vocabulário extenso graças à formação de direito, lhe ajudava a falar a mesma coisa de várias formas diferentes.
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Assim que chegaram na casa da família Fabray, a morena se surpreendeu com o lugar, tão bonito e espaçoso, bem diferente do lugar onde sua namorada vivia, então ela pôde entender e enxergar uma parte da realidade de Quinn e o motivo de sua implicância com seus pais. Eles provavelmente jamais lhe estenderam a mão para lhe ajudar, pelo menos financeiramente.
Quando desceram foram recebidas por uma mulher loira de meia idade, que provavelmente seria sua mãe.
"Olá." A mulher disse educadamente, e com um sorriso simpático. "Rachel Berry? Que prazer em conhecê-la." A mulher deu um beijo no rosto da morena. "Sou Judy Fabray, a mãe de Lucy." Rachel olhou para Quinn que revirou os olhos. Ela não sabia que esse era o verdadeiro nome da loira.
"Quinn mãe, me chame de Quinn." A garota falou com certa impaciência.
"O prazer é todo meu, Sra. Fabray." Rachel lhe disse.
"Tudo bem, como você está Quinn?" Judy também beijou o rosto da filha.
"Estou bem melhor agora." A loira respondeu, e sorriu para a namorada.
"Entrem meninas, filha seu pai está na sala de estar conversando com a sua irmã." As duas acompanharam a mulher, que as levou até o local onde um homem de terno estava sentado em uma poltrona conversando com uma jovem muito bonita com uma criança pequena em seu colo.
"Russ, Frannie, Quinn e Rachel chegaram." Os dois pararam de conversar e olharam para a entrada, onde Judy estava com as duas garotas. Ambos se levantaram e foram na direção de Rachel.
"Sou Russel Fabray, é um prazer em conhecê-la, menina." Ele apertou a mão de Rachel e em seguida a de Quinn. "É bom ver você, filha."
"Olá, sou Francine Fabray-Reed, mas você pode me chamar de Frannie." A garota também apertou a mão de Rachel. "E essa é Pâmela, minha filha."
"Muito linda a sua filha." Rachel adorava crianças.
"Pam é o nosso orgulho, não vemos a hora de Quinn nos dar um neto também." Russel comentou.
"Isso vai demorar, ou talvez nunca acontecer." Quinn respondeu rápido, odiava imaginar que alguém iria tocar nesse assunto na frente de Rachel, e seu pai o fizera.
"Eu adoro crianças, quem sabe no futuro?" Rachel desconversou, fazendo os membros da família Fabray, com exceção de Quinn, sorrir.
"Isso é definitivamente uma boa notícia." Judy comentou. "É melhor ficarmos por aqui mesmo, daqui a pouco o almoço estará pronto."
Os Fabray e Rachel se acomodaram nos sofás, enquanto Russel se serviu com um copo de uísque.
"Servida Rachel?" Ele perguntou educadamente.
"Não, muito obrigada, estou procurando evitar o álcool." A morena respondeu.
Então o homem sentou-se também, e após um curto silêncio o homem quebrou o silêncio.
"Eu li artigos elogiando o seu trabalho na Broadway, fico orgulhoso em ver uma moça tão jovem e tão bem-sucedida, imagino como os seus pais devem se sentir a seu respeito."
"Sua mãe é tão talentosa, eu sou muito fã dela." Judy comentou e sorriu para Rachel, inocentemente, pois nenhum dos Fabray fazia a menor idéia sobre a complicada situação entre a jovem atriz e sua mãe.
"Ela é." Rachel concordou com certo pesar em imaginar sua mãe, e como ela queria que ela realmente tivesse orgulho por quem ela era, e não vergonha por quem ela queria estar. "Mas vocês devem estar orgulhosos da Quinn também, agora que ela vai lançar sua própria revista em quadrinhos." Quinn suspirou e abaixou sua cabeça, seus familiares se entreolharam confusos, então Judy abriu um sorriso que misturava tristeza e decepção.
"Nós não sabíamos disso." Ela explicou, fazendo a morena se arrepender de suas palavras no mesmo momento.
"Que bom que você está fazendo algo que você gosta Quinn." Frannie sorriu para a irmã. "Fico muito feliz por você." A loira acenou com a cabeça.
"Você poderia pelo menos nos avisar, não é?" Russel estava visivelmente ofendido.
"Para quê?" Quinn perguntou com certa impaciência.
"Talvez porquê nós somos seus pais, e pagamos escolas, roupas, te demos um lugar para dormir e comer durante a maior parte de sua vida, e perdemos inúmeras noites de sono por sua causa!" Russel respondeu e depois riu. "Mas você só se lembra das broncas..."
"Russel, por favor, nós temos visita." Judy repreendeu o marido, que parecia arrasado, mas resolveu calar-se pela visita. Rachel por sua vez queria sumir dali o mais rápido possível, porque muito provavelmente Quinn estaria muito irritada com ela, mas ela não avisara nada, e a morena nem imaginava que os Fabray fossem tão distantes assim de sua filha.
A empregada da família apareceu ali e avisou que o almoço já estava servido, então a família seguiu até a elegante sala de jantar da casa. Russel sentou na ponta, Judy sentou-se ao lado de Frannie, de frente para Rachel que estava ao lado de Quinn.
"Então filha, sobre o que é o seu novo trabalho?" Judy perguntou cordialmente, e quando Quinn abrira a boca para responder foi interrompida.
"Pare de perguntar Judy, se ela quisesse que nós soubéssemos de algo, teria dito de própria vontade!" Russel respondeu.
"Papai, por favor..." Frannie começou, mas o homem estava realmente aborrecido.
"Francine, não defenda ela, eu tenho certeza que você sabe como nós nos sentimos, você é mãe!" Ele falou para a filha.
"Para quê falar alguma coisa para você pai? A vida toda você só ficou me julgando e me falando que tudo que eu fazia ou gostava era uma grande perda de tempo, você nunca me elogiou por nada..." Quinn se defendeu.
"Quinn, pare com isso!" Rachel lhe disse.
"Você não merece essa garota!" Russel falou bem baixo, mas foi como se ela tivesse gritado, Quinn arregalou os olhos, não acreditando no que ouvira. "Ei Rachel, você parece ser uma boa garota, então se afaste da Lucy o mais rápido possível, porque ela só vai te trazer problemas e depois se esquecer de tudo o que você fizer por ela!" O silêncio foi absoluto durante alguns instantes.
"Para mim chega, nunca mais piso aqui outra vez!" Quinn disse assim que se levantou da cadeira. "Vamos embora Rachel!" A jovem atriz estava em estado de choque, mas se levantou e acompanhou a namorada. Judy e Frannie apenas observaram com um grande pesar, mas era tarde demais, e conhecendo Quinn como conheciam desculpas baratas não iriam adiantar. Ela precisaria de tempo.
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"Quinn, me desculpa, eu sinto muito pelo o que aconteceu na casa dos seus pais..." Rachel começou, mordendo o lábio e segurando as mãos, afinal fora por causa de sua boca grande que aquela confusão começara.
"Não é sua culpa, eu disse que minha família era um pesadelo." A loira respondeu sem olhar para ela, apenas prestando a atenção no calmo trânsito. Mas o que ela não sabia, eram das numerosas dúvidas e questionamentos que rondavam a cabeça de sua namorada. As palavras de Russel Fabray foram assustadoramente parecidas com a de sua mãe, e aquilo estava lhe torturando.
Talvez eles estivessem certos, ou não, não sabia o que fazer. Aquele comportamento de Quinn em relação à sua família era algo que ela não aprovava e muito menos apoiava. Talvez sua namorada uma adolescente que esquecera de crescer, talvez uma marginalzinha como sua mãe lhe dissera, problemática e ingrata como o próprio pai dela lhe dissera, ou apenas uma doce e solitária pessoa incompreendida como ela via. Não sabia mais o que pensar e sua cabeça doía. Só queria deitar em sua cama e relaxar, não precisava mais de nenhum problema naquele dia.
Seu celular tocou, e quando ela olhou o número reconheceu que era de sua antiga casa em Nova York, o que era estranho, afinal, desde que ela saira de casa, nenhum membro de sua família, amigos, ou mesmo um empregado de sua casa havia lhe ligado, ou tentado manter algum tipo de contato.
"Alô, quem é?"
"Rachel..." Ela reconheceu a voz chorosa daquela empregada que fora sua babá no mesmo instante. "Rachel você precisa voltar para cá, sua mãe tomou uma caixa inteira de calmantes e está no hospital em estado grave."
A visão de Rachel ficou escuras, suas pernas pesadas, e ela sentiu como se fosse desmaiar. Aquilo não podia estar acontecendo. Era um terrível pesadelo.
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