As Cinzas da Fênix
Peter e Bill passaram o resto da noite ao lado de Mirna, que permanecia inconsciente, sem demonstrar qualquer sinal de recuperação. Madame Pomfrey utilizou todos os feitiços possíveis, mas nenhum foi capaz de fazer a jovem bruxa despertar.
- Ei Peter acho melhor você dormir um pouco, você precisa descansar. Eu cuido da Mirna, não se preocupe – disse Bill tentando convencer o amigo a dormir um pouco. Peter estava bastante abatido, com o rosto pálido e olheiras fundas.
- Não Bill, eu quero ficar ao lado dela. Quero estar aqui quando ela acordar – Peter não tirava os olhos Mirna, na esperança dela despertar.
- Você é quem sabe... Mas será que você pode me contar o que está acontecendo? Por que eu não entendi nada do que aconteceu hoje - disse Bill um tanto sem graça por tocar no assunto.
- Tudo bem Bill, acho que você o direito de saber, mais do que qualquer um...
Então, Peter contou toda a história a Bill. Que Mirna na verdade era Sofia Gryffindor, o porquê de ela ter escondido isso durante tanto tempo e claro, sobre a Maldição de Slytherin.
Bill estava pasmo. Nunca imaginara que sua grande amiga fosse outra pessoa e as coisas pelas quais ela passara desde sua infância... Era horrível só de imaginar. Mas agora, tudo fazia sentido. A recusa do pedido de casamento de Peter na primeira vez, a mudança para o Brasil...
- Eu não sei com ela conseguiu suportar tudo isso, Peter – disse Bill aos sussurros – Perder os pais tão cedo, depois os padrinhos, a maldição.
- Não deve ter sido nada fácil, mas acho que tivemos alguma influência positiva nisso – disse Peter fitando tristemente o rosto da garota - Pelo menos enquanto estudávamos aqui, ela parecia feliz com a nossa companhia, sem falar que a sua família sempre a acolheu muito bem, como se ela fosse um Weasley de verdade. Acho que isso ajudou muito. Mas lá no fundo nós sempre soubemos que havia alguma coisa errada, só não tínhamos idéia que pudesse ser algo tão sério.
- Eu sei Peter, se ela tivesse dito alguma coisa, talvez pudéssemos ter ajudado mais. Mas ela nunca contou nada... Ela nunca falava nada do passado dela. Lembra quando a conhecemos no Expresso Hogwarts? Ela parecia distante, quase nem conversou com nós. Até hoje consigo lembrar da expressão dos olhos dela... Era cheia de tristeza. E lembra quando perguntamos sobre aquele ferimento que ela tinha no rosto? Ficou completamente desconcertada, como se não pudesse revelar o que havia acontecido...
- É, eu lembro disso... Ela disse que havia sofrido um acidente de carro e os pais haviam morrido nele. Se não tivesse entrado nas lembranças dela, talvez acreditasse nisso até hoje – Peter parou de falar e retirou uma mecha de cabelo que caia sobre os olhos cerrados de Mirna
- Acho que ela só ficou menos apática, quando o chapéu a escolheu para a Grifinória – complementou.
- Ah sim, o Chapéu Seletor, lembro como se fosse hoje. A Mirna foi uma das últimas a ser chamada. Ela estava tão nervosa, não que nós também não estivéssemos, é claro. Lembro até das palavras dele "Hummm, interessante, muito interessante, uma verdadeira Gryffindor. Sim, sim, Grifinória". E logo depois foi a minha vez – disse Bill em tom saudoso, com um sorriso tímido nos lábios.
Peter e Bill ficaram conversando até muito tarde, quando o cansaço não permitiu que continuassem acordados.
Algumas horas depois, os primeiros raios de sol surgiam no horizonte. Peter despertou assustado ao escutar um canto estranho dentro do aposento. Ficou indignado consigo mesmo por ter pego no sono, mas logo sua atenção foi desviada para algo no mínimo incomum. Não sabia dizer ao certo o que estava acontecendo... Fawkes, estava sobre cabeceira da cama de Mirna e de seus olhos vertiam lágrimas, que pingavam sobre a jovem bruxa. Logo depois, a Fênix de Dumbledore deu uma bicadinha de leve na mão de Peter e desapareceu pela janela.
Como que por encantamento, Mirna foi abrindo os olhos lentamente, até finalmente encontrar os de Peter. Ela pareceu não acreditar no que estava vendo, assim como ele.
- Oh Peter, eu não acredito... Você está aqui! – disse Mirna com uma voz fraca e quase inaudível, levando uma das mãos ao rosto dele - Graças a Merlim!
- Não, graças a você, que preferiu dar a sua vida para salvar a minha. Você quebrou a maldição Mirna, foi você – Peter pegou a mão da garota e a beijou com ternura – Mas por favor, agora trate de ficar bem quietinha aí, ou terei que dar uma poção do sono pra você, ok?
Neste instante, Bill que dormia na cadeira ao lado despertou com a conversa dos dois, ficando feliz ao ver sua amiga acordada.
- Olá Mirna, que bom ter você de volta. Como você está se sentindo?
- Bem, parece que despenquei de uma vassoura em queda livre, mas você vai ver que logo, logo levanto daqui, pronta para jogar uma partidinha de quadribol contra vocês dois.
Os três riram timidamente.
- Ora, ora, quem resolveu acordar – disse Dumbledore animadamente ao se aproximar deles – Você nos deu um grande susto, sabia? Acho bom que isso não se repetia - parou aos pés da cama e começou a fuçar nos frascos de poção que havia na mesinha - Soube que Fawkes passou aqui mais cedo para dar uma forcinha. Você tem um coração puro Sofia... E demonstrou uma nobreza de espírito fora do comum essa noite, caso contrário Fawkes jamais teria intervido.
Mirna fez uma cara de espanto Jamais poderia imaginar que Fawkes salvaria a sua vida, e estava ainda mais surpresa por ouvir Dumbledore chamá-la pelo seu nome verdadeiro.
- Não se espante Sofia, agora podemos chamá-la assim. Como você sabe, o que aconteceu ontem no baile e a história do seu passado deveria ser segredo absoluto. Por isso, é claro, a escola inteira já sabe a verdade. Os alunos estão animados por ter uma professora descendente de Godric Gryffindor. Você é a nova heroína de Hogwarts. Não só por quebrar a Maldição de Slytherin, o que digamos de passagem é muita coisa, mas também por ter sobrevivido ao ataque de Voldemort e seus comensais...
- Infelizmente, você terá que ter muito cuidado a partir de agora, pois ainda existem seguidores de Voldemort em liberdade e você corre perigo – o diretor complementou amargamente.
- Sim, eu sei. Mas pelo menos a maldição foi quebrada e Peter não corre mais risco de vida – disse Sofia mais aliviada – Com os Comensais eu me preocuparei depois. Eles não irão arriscar sair do anonimato sem a presença de seu mestre e, eu não sou mais aquela garotinha indefesa de anos atrás. Seria muito arriscado para eles virem atrás de mim agora.
- Acho que você tem razão Sofia, mas fique de olhos abertos. Nós não conhecemos a identidade de todos os seguidores de Voldemort e eles podem estar mais perto do que pensamos – disse Peter em tom preocupado, envolvendo Sofia em seus braços.
- Eu prometo tomar cuidado, mas... Será que agora posso sair daqui? Tenho aula esta manhã e não quero deixar os alunos esperando – disse Sofia, que não suportava a idéia de ficar numa cama, se não fosse para dormir.
- Não, ainda não. Se eu permitir que você saia daqui vou ter que me entender com Madame Pomfrey. Aproveite e descanse um pouco mais. Ah, antes que eu esqueça, tem mais visitas aguardando pra entrar – disse Dumbledore despedindo-se com uma aceno.
Logo após a saída do diretor, apareceram na porta Harry, o Sr. e a Sra. Weasley.
- Oh Mirna, minha querida... Quer dizer, Sofia... Assim que recebemos uma coruja de Bill contando o que houve viemos voando para cá – disse a Sra. Weasley com ar maternal, enquanto Harry e Arthur sentavam próximos à cama - Como você está?
- Ah, muito obrigada por terem vindo. Já estou me sentindo bem melhor. Vocês não precisam se preocupar, está tudo bem. Eu só não saí daqui ainda porque Dumbledore não deixou.
Peter e Bill apenas se entreolharam. Conheciam muito bem a garota e sabiam que ela faria de tudo para sair dali o quanto antes.
Molly havia trazido uma sacola cheia de guloseimas e não sossegou até que Sofia provasse um pouquinho de cada coisa. Depois de algum tempo, todos foram embora e apenas Peter e Bill permaneceram ali. Harry estava relutante em voltar para aula, mas Madame Pomfrey o expulsou e ele não teve outra opção.
No dia seguinte Sofia deixou a ala hospitalar e foi muito bem recebida por todos em Hogwarts. Logo já estava dando aulas novamente e pela primeira vez em anos, podia estar próxima de Peter, sem qualquer medo ou sentimento de culpa.
