Ela bateu a porta do quarto daquele motel usando uma força descomunal. Não que Regina precisasse usar qualquer tipo de força, ela apenas queria descarregar toda a adrenalina que se acumulava em seu corpo, o que acabou destoando de seu comportamento frio de sempre.

O corredor, que normalmente ela não prestaria nenhuma atenção sobre sua extensão, parecia que não tinha fim. Regina queria ignorar seu coração, mas a verdade era que ele batia cada vez mais acelerado. E como ela faria para ignorar os compassos que queriam sambar dentro de seu peito?

A verdade era que pela primeira vez em muitos anos, Regina Mills não sabia o que fazer. E para a empresária admitir isso era porque realmente ela se encontrava em conflito, já que ela odiava se sentir tão vulnerável daquela maneira.

E a culpada de tudo era Emma Swan. Enquanto todo mundo a temia, a loira a única que erguia seus olhos verdes cor de esmeralda e a enfrentava de igual para igual. E que conseguia a deixar sem reação. E ela sabia exatamente como desafiar Regina Mills.

E por mais que tentasse se afastar daqueles programas, Regina se via cada vez mais presa neles. "O que está acontecendo comigo?" Ela se questionava enquanto caminhava até o estacionamento para entrar em sua Mercedes e querer fugir logo dali.

Sim... Fugir. Essa era a palavra. Ninguém acreditaria na hipótese da temida Regina Mills fugindo de qualquer problema. Logo ela que sempre procurava passar uma imagem de autonomia a todos que a cercassem. Mas, era a verdade. Se Regina pudesse ela se esconderia em outro planeta e nunca mais voltava.

Mas, como não poderia se fechar numa redoma de vidro ela teria que conviver com sua fraqueza. Ela colocou uma de suas mãos em seu lábio e suspirou por alguns segundos enquanto pensava em tudo o que tinha acontecido. "O que foi que eu fiz?" Ela pensava no beijo, que tinha sido responsável por todos os sentimentos conturbados de agora.

Por mais que Regina tenha brigado com Emma por causa daquele beijo atrevido, ela não podia negar o fato de ter retribuído ao gesto. E de logo em seguida tê-la beijado por sua própria iniciativa. E ela não podia negar que a sensação de ter os lábios de Emma Swan colados aos seus lhe trouxe conforto durante o beijo, e naqueles poucos minutos foi como se um pouco de sua solidão fosse dissipada. Solidão que desde sua infância a acompanhava.


Fazia um belo dia de sol e Regina Mills ainda dormia quando a empregada entrou em seu quarto para acordá-la para a sua classe de etiqueta. A primeira coisa que Sally fez foi ir até a janela e a abriu para que os raios do sol entrassem no quarto. Porém, logo a empregada notou que a menina de dez anos de idade suava frio, seus cabelos estavam grudados em sua testa e ela se encolhia toda em sua coberta.

– Senhorita Mills, está na hora de acordar. – apesar de ver que a menina não estava se sentindo bem, Sally tinha que acordá-la por causa da aula de etiqueta que Regina tinha naquela manhã. A empregada a chamou e nada da menina acordar. Somente após algumas tentativas Regina começou a despertar, mas logo em seguida fechou seus olhos com força.

– Eu não estou me sentindo bem. – choramingou a menina. – Está tudo rodando. – disse colocando as mãos na cabeça.

– Não precisa se preocupar. – disse Sally se sentando na cama de Regina. – É só um mal-estar. Tenho certeza que depois de um banho se sentirá melhor.

– Tem certeza que ficarei melhor? – perguntou a menina ainda de olhos fechados. – Minha cabeça dói tanto.

Mesmo sem ter certeza do que responder para Regina, Sally afirmou que ela se sentiria melhor depois de um banho morno. Assim que a menina se levantou com a ajuda da empregada ela se desequilibrou. "Provavelmente deve ser por causa de uma tontura." Foi o que a empregada deduziu e a levou até o banheiro de seu quarto onde lhe deu um banho. Após o banho, Regina ainda não se sentia bem, e agora estava se queixando de estar enjoada. E de fato Regina não estava bem. Ela não conseguia andar por estar sem equilíbrio, se queixava de dores de cabeça, e enjoo, e ainda tinha o fato dela ainda estar suando frio. Sally a deitou na cama novamente e foi falar com Cora.

Sally bateu na porta do escritório de Cora e após um entre mal humorado ela entrou no cômodo da casa.

– Com licença, a Senhorita Mills acordou e está se queixando sobre um mal- estar. – a empregada dissera a Cora que bem tirou seus olhos dos importantes documentos que analisava.

– Não deve ser nada demais. Henry que anda mimando demais essa garota. – disse Cora rispidamente enquanto fazia algumas anotações em sua agenda. – Henry só sabe fazer as vontades dessa garota. Dê um banho que logo ela melhora. Ah... E diz para Regina que essas desculpas não funcionam comigo. Que podem funcionar com o pai dela, mas comigo não.

– Desculpas? – questionou a empregada.

– Ela sempre quer arranjar pretextos para não ir às aulas de etiqueta. Eu já cansei de lhe lembrar de que ela é uma dama e que precisa aprender a se portar como uma, e ela não aprenderá nunca isso andando de cavalo feito um homem. E a avise também que é feio mentir, ainda mais sobre doença. – finalizou a senhora.

– Senhora Mills, assim que ela acordou e se queixou do mal-estar eu imediatamente lhe dei um banho, porém ela ainda se queixa de tonturas, enjoo e dor de cabeça. E ela realmente não parece estar bem.

– Logo hoje Regina resolve ficar doente. – resmunga baixo. – Logo hoje que tem o chá beneficente da União das Senhoras Abastadas de Nova Iorque. – logo em seguida sai de seu escritório.

Assim que entra no quarto de Regina, Cora nota que de fato sua filha não está bem. Seu rosto está pálido e seus olhos cerrados. A senhora caminha até a cama e coloca a mão na testa da filha e vê que ela não tem febre.

– O que você está sentindo Regina? – pergunta Cora, mas sem nem demonstrar qualquer tipo de afeição.

– Mamãe... Eu estou passando mal. – responde Regina com a voz arrastada.

– Você não tem mais idade para ficar me chamando de mamãe. Regina você é uma moça de dez anos de idade já. E com sua idade pega mal ficar me chamando de uma forma tão infantil. – esbraveja a senhora, o que faz Regina estremecer, por causa do volume da voz da mãe e pela forma bruta com que Cora lhe tratou. Tudo o que Regina queria naquele momento era que sua mãe ficasse ao seu lado.

– Mamãe. Eu realmente não estou me sentindo bem. Minha cabeça dói, e tudo gira e... – a menina não consegue terminar a frase, já que tudo o que está a sua frente fica embaçado e de repente tudo ficou escuro.


Uma lágrima solitária escorreu por seu rosto. Sempre quis ser suficiente para sua mãe, que ela acabou se condicionando a isso. De não ser suficiente para nada.

Depois, naquele dia, ela só se lembra de ter acordado num quarto de hospital com seu pai preocupado sentado numa cadeira à beira da cama. Não sentia mais dor, apenas muito cansaço. Aquela tinha sido sua primeira crise de cinetose, que mais tarde foi explicado pelo médico o porquê de ter passado mal. Todo o mal-estar tinha sido desencadeado por causa de um passeio de Regina a um parque de diversões com o pai no dia anterior, e logo em seguida tinha iniciado a terapia de reabilitação vestibular, que era um dos tratamentos mais eficazes para a doença, além da medicação.

Regina nunca se esquecera das palavras de Cora. Nunca mais a chamou de mamãe, nem de mãe ou outra palavra maternal. Apenas usava a palavra hoje em dia quando queria ser irônica.

Nem tinha se dado conta, mas logo chegou a sua mansão. Cumprimentou Gillian, sua governanta, e logo subiu ao quarto e não conseguia tirar Emma de seus pensamentos. Por mais que tentasse, não conseguia parar de pensar na loira.


Uma semana depois, e Regina ainda não havia dado o braço a torcer que sentia falta de Emma. Não era a mesma coisa. Ela sentia que faltava algo, só não queria dar o braço a torcer.

Passou por uma vitrine de loja e viu um casaco de couro vermelho, e logo já pensou em Emma, que numa das noites chegou usando um modelo bem parecido ao que vendia na loja. Quando deu por si, ela já havia começado a relacionar a loira a quase tudo o que via. Passou na MAC e viu o Ruby Woo, e logo pensou na falsificação descarada que a loira usou no primeiro encontro.

"Por que estou me lembrando dessas coisas?" Questionou a morena enquanto tentava dissipar seus pensamentos. Tudo o que via lhe remetia a loira. Essa era a verdade. E ela não sabia o que faria.

Assim que colocou os pés em casa, ela subiu correndo ao seu quarto, pegou sua agenda que ficava na mesinha de cabeceira e caçou o telefone celular de Emma. Ela tinha que fazer isso. Ela precisava disso. Tentou ligar, mas nas primeiras tentativas, acabou desligando, por nervosismo ou por medo. Mesmo que ela falasse que medo era uma palavra eu não existia em seu vocabulário.

Até que dessa vez ela deixou a ligação se completar... Chamou uma, duas, três vezes...

– Senhorita Swan... –disse Regina assim que Emma atendeu ao telefone.