Capitulo 9
Bela sentia o coração a bater no peito, e o seu estômago contorcia-se de nervosismo. Naquele dia iam chegar os gémeos, os dois que andavam na escola, e para o natal ainda vinha mais gente, o filho mais velho, a noiva dele e um amigo de família. Escusado era pensar no apoio do pai. Talvez o pai se sentisse como nos dias em que era novo por estar finalmente entre feiticeiros ou por outro motivo qualquer, mas ela sentia que já não tinha lugar na vida do pai. Claro que não iria revelar-lhe os seus pensamentos, o pai iria dizer que eram disparates.
Mrs. Weasley estava em pulgas e tinha feito um almoço reforçado de aspecto delicioso mas que Bela sabia não conseguir engolir nem um bocadinho pequeno. Para mas iria ter que partilhar o quarto com Ginny e não sabia como é que ela era. Finalmente três ponteiros moveram-se, de perigo de morte para cá chegar a casa. Pelo que Mrs. Weasely explicara o relógio estava agora sempre em perigo de morte. Bela teve vontade de correr para o quarto e nunca mais sair, mas manteve-se na cozinha ao pé de Mrs. Weasley. Finalmente chegaram, Mr. Weasley bateu à porta e entrou acompanhado por uma ruiva um ruivo e um rapaz moreno de óculos. Como de costume encheu-os de beijos e notava-se que os três estavam felizes por estarem em casa. O moreno que Bela identificou como Harry Potter, pelos vistos o herói da nação, olhou-a de soslaio e assustado olhou-a outra vez. Bela só deu conta quando viu um punho na direcção da cara dela. Ficou apavorada mas o seu instinto ganho por vários anos de defesa pessoal levou-a a dominar o rapaz em um segundo deitando ao chão numa posição da qual não conseguia sair. Apercebendo-se do que tinha acontecido saiu a correr. Começou a correr pelo vale abaixo e apenas aí se apercebeu da sua ideia idiota estava um frio de rachar, ao seu lado com um "plop" apareceu Mr. Weasley.
- Que susto – queixou-se ela, apercebendo-se que as lágrimas começavam a congelar.
- Tens que te acalmar, de certeza que sabes que és muito parecida com alguém muito mau…
- Eu sei, essa doida varrida é a minha mãe – berrou Bela e só depois se apercebeu da asneira que fizera. – Oh meu deus eu não devia ter dito isto.
Mr. Weasley olhou-a espantado, tão espantado que quase parecia amedrontado.
- O que estás a dizer é verdade?
- Tão verdade como estarmos aqui neste momento – confessou Bela subitamente muito mais calma, o berro tinha libertado alguma da sua frustração.
- Isso é grave – observou Mr. Weasley.
- Ora vá dizer isso ao meu pai, ele que tivesse controlado as suas hormonas de macho – respondeu Bela num tom agressivo. Que se passava com ela? Ela não era agressiva.
Mr. Weasley riu-se. O seu humor tinha sido tão seco e frio que o obrigara a partir-se a rir. Bela não percebeu mas depois lembrou-se do que dissera e riu-se também.
- Vamos para casa que está frio – sugeriu Mr. Weasley.
Bela dividida entre lágrimas e riso concordou e os dois voltaram. Mrs Weasley andava aflita na cozinha de um lado para o outro.
- Ai que susto, Bela tu és sempre tão calminha não sabes que é perigoso fugir assim dessa maneira?
- Eu recebi um soco na cara – respondeu Bela sentando-se ao pé da fogueira – Aquele rapaz devia praticar menos desporto tem a força de um cavalo.
- Ele bateu-te? – perguntou Mrs. Weasley chocada – eu não percebi nada, foi tudo tão rápido quando dei conta estavas tu lá fora e os meus filhos lá em cima com Harry.
Bela não respondeu mas subitamente sentiu uma dor no lábio levou ao de ao lábio e verificou que tinha sangue.
- Mrs. Weasley pode tratar-me do lábio?
- Harry fez-te isso? Eu vou falar com eles, ai vou – decidiu ficando furiosa mas tratando de Bela com a varinha e uma pomada. – Vai inchar um bocadinho querida, mas logo passa.
- Bom, eu vou falar com eles – decidiu Mr. Weasley, conhecendo o feitio da mulher como conhecia era melhor ser ele a faze-lo. Levantou-se e subiu as escadas.
- O meu pai Mr. Weasley? – perguntou Bela interrompendo o almoço horrivelmente silencioso.
- Acho que só vai voltar para o natal – confessou Mr. Weasley lançando-lhe um olhar de compaixão.
Bela abriu a boca de surpresa, fechou-a e voltou as atenções ao prato, não falando mais.
Depois do almoço bela subiu ao quarto para buscar alguns livros e voltar para a sala. Mas os planos saíram-lhe furados quando encontrou Ginny no quarto.
- Ah desculpa…
- Não vás – pediu Ginny olhando com curiosidade. Tal como todos os Wealeys tinha cabelos ruivos, pele clara e sardas mas sorriu de uma maneira tão simpática, parecida à da mãe, que Bela ficou.
- Está bem.
- Bom eu sou Ginny Weasley sou a única rapariga desta casa e a mais nova – apresentou-se Ginny esticando a mão.
- Bela Martins.
- Bela? Apenas Bela? – perguntou Ginny.
- Sim, não sou Bellatrix como pensais – respondeu Bela.
- Oh, não, ninguém pensou isso
Bela limitou-se a olha-la num ar de "estás gozar comigo"?
- Talvez tenhamos, mas sabes é inevitável.
- Eu sei que é – interrompeu-a Bela. – Mas que querem, é apenas uma infeliz coincidência.
- Claro, claro – concordou Ginny – afinal dizem que todos temos um sósia. Bem, Harry foi um pouco bruto.
- É assim que ele salva nação? – perguntou Bela num trocista, era obvio que não ia simpatizar com alguém que lhe tinha dado um murro.
O sorriso de Ginny morreu Bela arrependeu-se, tinha estragado o bom ambiente entre as duas.
- Desculpa, deve ter sido do abano que fiquei apanhada da cabeça. Já ouvi falar muito dele e já ouvi a história dele é realmente triste.
- Para quem esta por fora é apenas triste. Mas harry carrega muito mais que apenas uma historia triste.
- Não consigo apanhar o significado disso mas acredito que sim – disse bela.
- É normal, afinal foste criada como muggle e só agora descobriste a verdade. Desculpa a pergunta, mas onde é que aprendeste aquilo? – questionou Ginny curiosa.
- Aquilo? – perguntou Bela sem perceber.
- Sim deitastes Harry ao chão mais rápido do que com um feitiço – afirmou Ginny.
- Anos e anos de judo – respondeu Bela indiferente.
- Ah?
- Coisas de muggle. Desculpa a pergunta mas porque é que Harry detesta Bellatrix?
- Toda a gente detesta.
- Sim, mas tu e o teu irmão não me bateram.
- Bellatrix matou o padrinho de Harry e eles eram muito amigos, era mais que amizade. Harry via Sirius como uma ligação ao pai, a única coisa que lhe restava desse tempo percebes?
- Sim. Coitado todos lhe morrem, parece que o destino esta a gozar com ele.
- Tu acreditas no destino? – perguntou Ginny apanhando Bela de surpresa.
- Às vezes sim, às vezes não, ainda não tenho a certeza.
- Eu não acredito, acho que somos nos que fazemos o nosso destino, temos que ser nos a faze-lo, se não estamos perdidos.
Bela encolheu os ombros. – Talvez.
- Olhem só se não é a Bela adormecida e a nossa irmãzinha adorada – exclamou Fred ao entrar no quarto sem bater.
- Eu que saiba o quarto ainda é meu – reclamou Ginny.
- Olá maninha e olá pequenina – saudou George aparecendo depois do irmão.
- Intimidades são essas? – perguntou Ginny surpreendida a Geroge.
- Que tens tu a ver com isso maninha?
Ginny não disse nada os irmãos que fizessem o que quisessem.
- Que fizeste no lábio? – perguntou Fred admirado.
- Foi o Harry Potter.
- Desde quando é que Harry anda aos murros em raparigas? - perguntou George admirado.
- Ele confundiu-me com outra pessoa – disse Bela.
Houve um momento de silêncio constrangedor.
- E coisas sobre Ron maninha? – perguntou Fred achando o silencio insuportável.
Ginny riu maliciosamente. - Arranjou uma namorada.
- Não! – exclamaram os gémeos em uníssono.
Bela riu-se.
Era véspera de natal, e era a pior noite consoada que Bela já tivera em toda a sua vida. O famoso Harry Potter nunca lhe tinha dirigido a palavra e Bela não fazia tenções de o fazer. Entretanto o Potter estava sentado ao pé de um amigo da família com ar bastante desgastado. Ron nem sequer a olhava, não sabia se era por ser melhor amigo de Harry. Os gémeos garantiram que não o fazia porque ela era uma rapariga, e das bonitas, e que o irmão não sabia comportar-se com essas. Ginny também se mostrara bastante querida, um pouco temperamental como a mãe mas era isso que dava piada à sua personalidade.
- Olha querida eu se fosse a ti ia para beuxxbotums – sugeriu Fleur.
Fleur era a noiva do mais velho dos irmãos Weasleys. Apesar de Ginny a odiar, Bela achava-a o máximo. Era bonita, inteligente, extremamente bem disposta e querida. Bill estava sentado ao lado da noiva parecendo estar na lua. Bill era ruivo tal como todos, mas tinha um rabo-de-cavalo e um brinco na orelha, à primeira vista não tinha nada a ver com Fleur.
- Esta música é horrível – queixou-se Fleur quando a cantora da música que estava a ouvir subiu ainda mais o tom.
- Já ouvi melhor – disse Bela, a musica não era realmente agradável. A única pessoa que parecia gostar era Mrs. Weasley, o resto das pessoas conversava e os gémeos e Ginny tinham começado a jogar.
- Com que então és portuguesa, eu uma vez fui a Portugal ao colégio deles, não é lá grande coisa, mas adorei o país.
- Sim, Portugal é um país lindo – concordou Bela sentindo-se invadida por saudade.
Finalmente a musica acabou e todos se deitaram. Ginny e Bela deitaram-se na mesma cama como tinham feito ao longo das ferias e Fleur deitou-se na cama que tinha sido colocado lá. Bela acordou e deu com Ginny a abrir os presentes enquanto que Fleur ainda dormia ferradinha.
- Então muitas prendas?
- Algumas – respondeu Ginny abrindo a seguinte.
Bela manteve-se deitada cheia de preguiça e só nesse momento lembrou-se que o pai chegaria nesse dia logo de manhãzinha. Levantou-se, ignorou os presentes, saiu de pijama e correu até à cozinha. Quando chegou à cozinha deu com Mrs. Weasley fazer o pequeno-almoço e o pai sentado na cozinha a comer.
- Papá! – exclamou Bela lançando-se nos braços do pai.
- Desculpa ter ido e não te ter dito nada, a missão surgiu do nada – explicou Xavier.
- Não faz mal, ao menos chegaste para o dia de natal – disse Bela contente por ter finalmente o pai.
- Molly acho que é escusado por hoje a mesa para mim e Bela.
- Ai é? – perguntou Bela surpreendida.
- Sim vou-te levar a passear não tens saído de casa, e já tiveste melhor ar.
- Fazem muito bem – exclamou Mrs. Weasley feliz por ver pai e filho bem outra vez.
Bela correu escadas acima e abriu a porta tão de rompante que acordou Fleur.
- Onde vais com tanta pressa? – perguntou Ginny estranhando a pressa de Bela.
- O meu pai chegou vamos passar o dia fora.
- O meu pai coitadinho lá em França sem mim – lamentou-se Fleur num súbito ataque de saudade.
Ginny revirou os olhos e Bela e riu.
- Mas as minhas roupas ficam-te mesmo bem – observou Fleur, esquecendo o pai.
Quando Bela chegou ao Reino Unido quem tinha oferecido as roupas usadas tinha sido Fleur.
- Tchau e tenham um bom dia – despediu-se Bela.
Xavier transformou a filha em loira e Bela teve que por lentes de contacto azuis para sair de casa. Encasacaram-se para sair e apareceram na Diagon-al.
- Eu não gosto nada disto – queixou-se Bela.
Apesar de natal as lojas estavam todas abertas e andaram a passear a ver as montras.
- Oh que lindo – exclamou Bela ao ver um vestido numa das montras. - Vamos entrar só para ver.
O pai fez a vontade à filha e entraram. Tinha vestidos, fatos e mantos maravilhosos, Bela ficou encantada.
- Posso ajudar? – perguntou uma senhora que devia trabalhar na loja.
Bela ia prepara-se para dizer que estavam apenas a ver mas o pai respondeu.
- Por acaso pode, queria oferecer algo à minha filha.
A mulher mostrou várias coisas mas Bela apaixonou-se por um par de luvas cinzentas com reflexos prateados.
- Ah sim são lindas 50 pele de dragão, 50 pelos de unicórnio o que dá a tonalidade prateada, ficam muito confortáveis e não prendem as mãos – explicou a senhora enquanto as dava a experimentar a Bela. – Duram uma vida inteira.
- Levamo-las – decidiu Xavier.
Bela nem sequer esperou por sair à rua, assim que o pai as pagou vestiu-as e pôs as velhas na sua mala.
- E se fossem almoçar ao Três Vassouras? – sugeriu o pai.
- Ao que?
- Vais adorar - decidiu o pai e desapareceram. Quando Bela olhou outra vez em volta estavam numa aldeola pequena coberta por neve.
Foram até a um estabelecimento que tinha uma grandes letras a dizer Três vassouras. Entraram e sentaram-se num cantinho confortável à janela. Pediram ao almoço e Bela começou a falar.
- Onde é que andaste este tempo todo?
- A ajudar o director e Hogwarts.
Bela ficou espantada na só pela resposta mas pela prontidão e honestidade com que a tinha dado.
- Em que? – continuou Bela.
- Estamos a tentar encontrar maneira de matar quem-nos-sabemos. Mas vai ser mais difícil que imaginávamos, ele usou horcruxes.
- Que é isso?
- Não sabes, nem sabe ninguém. Horcruxes é dividir a alma em duas partes e assim se morreres podes ir buscar a outra parte da alma.
Bela abriu a boca, não gritou porque estavam num local publico.
- Isso parece coisa do diabo. Como é que se divide a alma em dois?
- Matando, mas ele não a dividiu em dois desconfiamos que sejam mais.
- Isso é possível? – perguntou Bela horrorizada.
- Tanto é como o fez. Mas Bela tu não podes contar nada a ninguém, isto é um dos maiores segredos de todos os tempos.
- Como é que o pai foi chamado para trabalhar com esse professor?
Xavier poisou o talher e olhou a filha muito sério.
- Bela não existe quase ninguém que saiba o que é um Horcruxe e eu preferia não sabe-lo, o professor Dumbeldore pediu a minha ajuda devido aos meus conhecimentos.
- Como é que sabe tanta coisa sobre isso?
- A minha avó fez isso
Bela ficou sem respirar, olhou-o pai chocada.
- Ela estava a morrer e o meu avô estava desesperado, então matou uma pessoa em fase terminal e … - contou Xavier parando – bom eu assisti a tudo, acredita Bela a morte é preferível, não imaginas como isso pode ser horrível.
Bela não perguntou mais nada, falar apenas no assunto arrepiava-a toda.
- Eu pensava que não havia feiticeiros na nossa família além de ti e mim.
- A minha avó vinha das mas antigas famílias portuguesas, tudo gente de magia negra. Ela recusou tudo quando fugiu com um muggle, mas as nossas raízes e conhecimentos nunca se esquecem, a minha avó não foi excepção. Por isso é que dumbledore pediu a minha ajuda após termos uma longa conversa.
- Porque é que nunca ouvi na falar na tua avó?
- Ela suicidou-se passado um ano, e passamos uma esponja sobre o assunto quando no ano a seguir o meu avô se suicidou também. É obvio que o teu avô, o meu pai e filho da minha avó nunca soube de nada, nem sequer sabia que mãe era feiticeira.
- Isso é assustador – comentou Bela ainda chocada e um pouco perturbada só com a ideia de dividir a alma.
