Olhei em seus olhos, novamente eu tentava encontrar algum sinal de arrependimento, repulsa ou qualquer sentimento que me fizesse recuar naquele instante

Por trás das Lentes

Minha Menina

Olhei em seus olhos; novamente eu tentava encontrar algum sinal de arrependimento, repulsa ou qualquer sentimento que me fizesse recuar naquele instante. Nada. Ela parecia jogar com meu subconsciente...

Vi a camisa preta descer sob seus ombros até atingir o chão com suavidade. As mãos pequenas, delicadas, tatearam até encontrar o fecho do sutiã, encontrado, em instantes foi aberto.

Seus seios, uma obra de arte. Pareciam moldados de cerâmica, perfeitos. Tão perfeitos e delicados quanto os de Tayuya, nada que se compare aos seios fartos de Hinata, mas com certeza superavam-na pela beleza. Tinham formato de taça, eram rijos, ligeiramente pequenos – comparados aos da Hyuuga -, mas suficientemente grandes para que uma de minhas mãos não sirva como sustento total para um deles.

A cintura tinha curvas singelas, fina. O quadril agora revelado com mais clareza, era arredondado, mágico. Algo digno de um corpo moldado a cada centímetro. Nada era exagerado, tampouco faltava... Era simplesmente perfeito.

Não me movi ao que fazia a analise. Ela não avançava um milímetro sequer...

Suas mãos correram pelo seu corpo, chegaram ao cós da calça justa, que moldava-o com perfeição. Os dedos hábeis, não levaram 3 segundos para desprender o fecho. Meus olhos acompanhavam tudo, nenhum detalhe se passava despercebido.

A peça intima, ao que surgia sob a veste que deixava o corpo, revelava-se numa renda miúda. O preto da peça destacava ainda mais a curvatura do quadril... Um espetáculo digno de um Deus. As sandálias abertas saíram de seus pés, revelando uma mulher dez centímetros mais baixa que eu. O salto trazia uma ilusão de falsa altura, ela não tinha o meu tamanho.

Levemente empurrada para baixo, a calça, deixava-se revelar as coxas, as pernas daquela mulher... Torneadas, esbeltas, sem marca alguma. Ao que o tecido tocou o chão e seus pés desvencilharam-se dela, um passo a frente foi dado. Outro, mais outro...

A minha aparente calma dissipou-se no instante que ela tocou meu rosto. Sua mão era fria, tão gelada quanto um cadáver. É estranho pensar nisso, ainda mais num instante como esse, mas era assim que eu a via. Sua beleza era tão profunda, tão irretocável, que se perecia com a beleza da morte. Uma beleza que não é fingida, tampouco manipulada. Levei seu cabelo para trás da orelha, num ato maquinal. Eu queria analisar seu rosto, gravar sua expressão. Expressão única; de morte. A mais bela de todas que eu jamais vou esquecer.

Ela levou seu rosto de encontro ao meu. Roçou suavemente o pequeno nariz gélido ao meu. Eu acompanhava o movimento, fazendo nossos rostos dançarem conforme o silêncio.

Os lábios se tocaram, os dela frios como todo o resto. Os meus mornos, nem quentes, nem frios... Algo que se limitava a ser da temperatura normal de qualquer ser humano. Entreabri meus lábios na esperança que ela fizesse o mesmo. Ela fez.

Meu corpo foi inundado por uma onda de calor tão grande, tão forte, a tal ponto que não consegui encontrar palavras para descrever. Sua língua, quente, macia... Bailava dentre meus lábios de uma forma sedutora, encantadora. Algo que nenhuma mulher conseguiu, até hoje.

Meu corpo começou a tremer. Eu me sentia como um virgem, que nem ao menos havia tocado a si próprio, para conhecer-se. Naquele instante eu estava rendido aos braços dela. Minhas mãos tremulas tocaram o espaldar das suas costas. A pele quente dela; as minhas mãos frias ao que se chocaram, explodiram em sensações transmitidas a todo meu corpo. Eu sentia uma onda de calor subir pelos meus dedos, escorrer pelos meus braços, até chegar ao ponto onde se localizava a origem do meu prazer.

As mãos dela deslizaram pelos meus ombros, prendendo-se preguiçosamente à minha camisa. Um passo para trás foi dado, outro... Fui guiado pelos seus lábios.

Seu corpo caiu como uma pluma sobre a cama de lençóis vermelhos, sedosos. Por alguns instantes fiquei parado, apenas para avaliar a beleza da cena que eu via, algo magnífico. O contraste das cores era contagiante, fazia meu coração acelerar, meus olhos perdiam-se naquela brancura acentuada pelo mar vermelho a sua volta, com apenas um pequeno pedaço de pano preto que lhe escondia a feminilidade.

A renda era fina, mas suficientemente fechada para esconder com perfeição a parte mais intima. Prendi meus olhos àquela região. A linha suave que se fazia coxa abaixo confundia-se na minha visão turva. Ergui os olhos, avistei seu rosto: semblante calmo, seguro de cada ato. A boca vibrava, o vermelho que a acometia era tão intenso quanto o que cobria a cama, para mim ao menos.

Levei minha boca ao tornozelo desnudo, beijei-o. Subindo, pela perna gelada, que não sabia esconder os arrepios que meus beijos causavam. Os pés deslizavam pelo tecido, tentando talvez escapar das sensações, ou até mesmo aplacar um pouco o prazer que tais causavam-lhe.

Seda, assim eu descreveria sua pele. Quente por entre as coxas, macia, cheirosa.

Passei reto pelo pequeno pedaço de pano que encobria minha visão, desta vez eu seria cavalheiro, se ela o deixou ali, que ficasse. Até o momento que ela achasse mais apropriado para livrar-se dele.

Deixei que meus lábios escorregassem provocantemente sobre a pele do ventre, raspando a língua de pouco em pouco, fazendo seus olhos fecharem diante do frio do abandono.

Quando aproximei meus lábios do seu seio direito, ela apenas virou-se. Deitou de lado, dando as costas para mim. Rendido, deitei-me. Ao sentir que meu corpo tocara o colchão ela rapidamente veio para cima de mim. Sentou-se em meu colo, e com a maior calma do mundo, começou a desabotoar minha camisa.

A cada botão, ela tocava seus dedos gélidos na pele quente do meu peito, a cada toque meu corpo parecia receber uma descarga 220 voltz. Eu sentia-a cada vez mais perto, mais provocante, mais intensa a cada toque...

A cada segundo que se passava, eu me via mais inexperiente diante dela. Como um virgem a primeira vez que vê uma mulher semi-nua à sua frente. O rosto queimando, de nenhum jeito fui capaz de esconder minha excitação dela. Era evidente que ela tinha a situação completamente sob seu comando, eu estava de corpo e alma em suas mãos.

Fechei meus olhos e deixei-me levar, por um sentimento terno, que até agora era desconhecido para mim. Senti-me como uma criança sendo guiada para dar o primeiro passo; sendo guiada para descobrir como é bom sentir o vento bater em seus cabelos levemente, fazendo-o sentir o cheiro da brisa...

Aquela cama de motel parecia forrada por nuvens, da espécie mais macia que pode existir. O quarto que inicialmente cheirava a sexo, agora cheirava o mais doce aroma, o cheiro dela. Eu inspirava fundo, tentava sorver o máximo possível daquele momento para mim, para alimentar minha alma. Suprir minha necessidade de possuí-la, de te-la em meus braços, mesmo não conseguindo imaginar o quão bom possa ser.

Eu tentava procura na minha mente algo que se equiparasse ao que eu vivia naquele momento, nada. Mais uma vez meu cérebro resolveu não contribuir comigo, ele estava mais interessado em render-se ao prazer nas mãos daquela dama que beijava meu peito carinhosamente, como se fosse quebrar a um toque mais agressivo.

Minha camisa desapareceu do meu corpo, tão envolvido eu estava. Sentia suas mãos viajando pela extensão desnuda, sua boca calar-me com beijos abrasadores. Abri meus olhos, tentando entrar em contato com a realidade novamente, encontrei-a olhando para mim. Ela perecia um ser de outro mundo, não um anjo.

Anjos são castos, pessoas que cuidam das outras, que se doam completamente a uma causa, mesmo que tal não lhe pertença, apenas para ajudar o outro. Anjos são criaturas que no seu ímpeto ajudam o próximo, se doam ao máximo, sem receber nada em troca.

Ela parecia uma ninfa, uma ninfa grega. Com seus mistérios e seu encanto sem fim. Enfeitiçou-me com seu olhar, com sua beleza. Se seguir a lenda, um dia ainda me jogará aos lobos, de forma que eu seja devorado vivo. Estarei aqui para saber, para sofrer a conseqüência pelo meu pecado.

Seus olhos eram sôfregos, cheios de emoção. Inclinei-me para tomar seus lábios, ela apenas entregou-se. Rendendo-se à minha boca, atirando-se nos meus braços, como uma pequena ninfa faria.

Rapidamente, as posições se inverteram. Pude ver seu rosto de cima. Uma lágrima escapou-lhe os olhos, meu coração quase se despedaçou quando a vi. Estava tudo tão perfeito, o que fazia aquele prelúdio da dor surgir ali?

- Anjo... Perfeito... Queria ser tua desde o primeiro instante que te vi. – quando escutei tais palavras proferidas pelos seus lábios, senti meu coração voltar a bater. Agora mais acelerado, com vida. Com uma das mãos, retirei a nova lágrima que surgia. Ela sorriu, iluminando minha alma com seu sorriso.

- Minha menina... – foram as palavras que consegui desferir. Estranho isso. Ela é mais velha que eu, mais experiente... Eu não tenho o direito de tratá-la desta forma...

- Tua, sempre... – Suas palavras calaram meus argumentos. Nada eu tinha a dizer diante do que ela disse. Entreguei-me a um beijo ainda mais intenso que me foi ordenado.

Cada movimento da sua língua, eu sentia meu corpo reagir. De formas inesperadas, talvez desconhecidas...

Num salto ela livrou-se da veste. Não senti-me obrigado a fazer o mesmo. Ataquei-lhe os seios, tomando-os para mim, sedento. A calidez do toque embriagava, eu tinha meu corpo tomado pelo êxtase do momento. A respiração dela parecia não surtir efeito, a falta de ar era visível.

Sem pensar livrei-me das roupas, eu a queria. Agora.

Enquanto eu estava entretido, tirando aqueles tecidos que me sufocavam, ela deitou-se na cama como uma sereia. Estava a minha espera. Linda, tão linda que as palavras de um sábio não seriam capazes de descrevê-la naquele momento.

Larguei meu peso sobre ela, a cada milímetro que nós encostávamos, eu sentia nossos corpos se fundirem... Unirem-se num só. Nossas carnes se misturavam com o toque, algo esplendido. Maravilhoso.

Senti-me envolvido levemente pelas suas pernas. O rosto sereno, os olhos fechados. Nada me impedia, ela era minha naquele momento. Um movimento meu consumaria o fato de que somos um do outro para a eternidade.

Fundi-me completamente a ela. Eu sentia seu corpo pulsar. O calor o qual fui enlaçado inundava meu corpo completamente, desde a origem até a ponta do ultimo fio de cabelo que me caia sobre o rosto.

Abracei-a, não pude fazer outra coisa a não ser isso. Nossos corpos tornaram-se um só, não tenho como explicar, apenas aconteceu.

Olhando em seus olhos, comecei a movimentar-me. Estocadas firmes, longas. Ela sorria, deliciada com meu amor. Com o tempo, veio o desespero. A necessidade, os instintos tomaram conta de mim. Apenas deixei que me guiassem num ato completo como aquele.

Sentia-me homem, viril, possante como um motor sobre ela. Nos momentos de calmaria, nos beijávamos. Sentíamos a paixão que nos envolvia brotar por cada poro...

Gotas de suor começaram a habitar meu peito, e em seguida molhavam os lençóis. Ela parecia nas nuvens, a expressão que a pouco eu congelara na minha mente, havia se tornado algo esplendoroso: olhos semi-cerrados; boca levemente inchada, tomada por um vermelho intenso; bochechas coradas e respiração ofegante.

Seu rosto era um espelho. Refletia tudo que seu corpo sentia. Um sorriso envergonhado, ao que surgiu, desfez-se. Deu lugar a um gemido surdo que lhe escapou à garganta. Ela foi ao céu e voltou, deixando por lá parte da sua vitalidade.

Mais cansada, ela sorria ternamente para mim. Eu apenas sentia meu peito acelerar, batia tão forte que eu podia jurar que escutava. Ela enlaçou meu pescoço com os braços, puxando-me mais para perto. O êxtase elevou-se ao que senti seu cheiro, mais perto... Mais embriagante.

Unhas cravadas nas minhas costas; a boca aproximando-se perigosamente da minha orelha para conter os gemidos. O frenesi foi ao máximo. Não pude conter a força com que veio e a velocidade com que foi embora. Fui até o céu e voltei, talvez repetidas vezes numa só... Apenas perfeito.

Desfaleci sobre ela e senti que ela tinha me acompanhado, ao meu lado entregou-se ao êxtase das sensações.

Levantei um pouco meu rosto – com o resto de forças que eu ainda tinha – e pude contemplar seu rosto: cansado, com um sorriso infantil, satisfeito. Ela, sorrindo, veio até meu rosto, beijando minha testa, abraçou-me.

Não posso descrever sensação mais completa e mais perfeita que esta. Deixei que meu peso caísse sobre o colchão. Ela em seguida veio ao meu colo, enroscando-se a mim como uma criança que recorre ao colo do pai depois de muito brincar. Eu enlacei meus braços sobre ela e a protegi. Protegi como se ela fosse ser ferida ou levada de mim, não soltaria ela nem que o mundo estivesse no inicio do seu fim. Ela era minha, e jamais deixaria de ser.

Ali permanecemos e dormimos por horas. Não sei dizer ao certo em que momento acordei, mas quando retomei minha consciência pude ver sua mão brincando sobre o meu peito. Afaguei-lhe os cabelos e sorri. Nada poderia ser melhor e mais perfeito do que vivi ao lado desta mulher esta tarde.

A minha ninfeta estava feliz, sua expressão não deixava-a esconder tal sentimento. Esfregando-se como um gato, chegou mais perto. Tão perto que tomou meus lábios para outro beijo. Calmo, sem pressa nem desejo. Cheio de carinho e afeto, amor.

Desvencilhou-se dos meus braços e levantou.

- Eu tenho que ir... Preciso voltar à vida real. – Não havia pesar na sua voz, talvez até algum tipo de insinuação de que aquilo poderia se repetir. – Tenho que dar muitas explicações... Afinal deixei a turma lá, plantada... Esperando por uma professora que nunca veio.

Uma leve gargalhada deixou sua garganta. Ela se divertia com isso, deixou sua turma à deriva apenas para se entregar ao repente do momento. Nada a preocupava, nada aturdia sua mente a não ser o que ela achasse válido.

- Você vai voltar para mim? – eu sabia que estava sendo imprudente com a pergunta, mas precisava saber.

- Talvez... – Pegou do bolso do jeans um colar com um pingente, o pingente parecia conter um liquido vermelho, parecia sangue. Colocou-o e escondeu-o em meio aos seios – Um dia você possa viver isso novamente num sonho. – O silencio que se fez foi desesperador para mim. Eu sabia o que aquilo queria dizer, ela não queria se entregar novamente a mim. Não queria mais ser minha... – Ou se a minha disponibilidade permitir, ao vivo.

Um balde de água morna foi jogado sobre mim, ela fez aquilo só para castigar-me. Apenas para brincar com meu ímpeto e com meus pensamentos ágeis. Ela queria ser minha novamente, queria entregar-se ao impossível.

Pronta, com a roupa recomposta com perfeição e visivelmente abatida foi em direção à porta.

- Espera... Em três minutos eu me apronto e te levo de volta. Afinal fui eu quem te trouxe para cá. – ela sorriu e sentou na base da cama. Não tive tempo de me levantar e vi que ela levantou-se novamente, acometida por uma expressão de profundo desprazer.

- Eu tenho que ir... pego um táxi. Fica ai e 'curte' até o fim o nosso momento... – " O nosso momento", aquilo fez com que meu rosto corasse. Não tive argumentos se não deixar que a vontade dela fosse atendida. Ao que ela saia na porta ocorreu-me algo...

- Você se previne...

- Não. Mas em anos com uma relação com o Genma, nunca engravidei. Até esqueço disso... Não se preocupe. O problema é comigo, o Genma tem uma filha afinal. – Sorrindo me abandonou.

Relaxei sobre o colchão e deixei minha mente ser invadida pelo nada, até o momento que adormeci.

--xXx—

Demorei, mas finalmente dei fim a este capitulo. Ai esta ele, com todos os pormenores possíveis, ou não.

Creio que eu tenha obtido um desempenho satisfatório! 8D

Não estou respondendo os reviews aqui, mas procurarei responde-los um a um ao que forem mandados a mim.

Como sempre: Não posto o seguinte capitulo sem ter 3 reviews, sim 3. Este capitulo me rendeu algumas noites insones... u.u ... portanto ele merece mais carinho que os outros. – Mesmo que noite insone não seja o termo, demorei a escreve-lo.

É isso, obrigada a todos, até mais ver.