Mal eles sabiam que Charlie Potter não havia acreditado no que James falou, pedindo uma semana para matá-la. Mal James e Lily sabiam que a felicidade deles, à sós, estava se esgotando.

Enquanto James e Lily trocavam confidências e comentavam como era a vida deles, suas amizades, seus princípios e valores, Charlie Potter fumegava de raiva. E assim também estava seu chá, fumegando. Ele estava sentado na sala de chá da mansão Potter, uma varanda no orquidário da mansão. Era todo feito de vidro, inclusive o teto. Seria lindo, muitas pessoas apreciariam estar em um lugar daqueles, mas não Charlie Potter. Tudo que ele pensava era na situação que, antes rápida e prática, virou um problema com efeito cascata.

Quanto mais a Evans e o traidor do seu primo davam um tempo, mais a herança demoraria a chegar em suas mãos. É óbvio que ele teria que dar parte da herança para os Evans, mas pelo menos 50% ficaria com ele. Ou seja, quando seu primo falou para esperar uma semana, Charlie Potter decidiu que ele, James Potter, é um curinga. Uma carta fora do baralho para ser mais exato. E a Sra. Evans também concordou com seu plano.

A mesma, com sua aparência de senhora dócil escondia uma personalidade obscura e cínica. Quem adivinharia que a própria mãe da herdeira dos Evans iria matar a própria filha para ficar com o dinheiro? Devo dizer que é espetacular a frieza com que a Sra. Potter tratava a trama de assassinato que planejava para sua filha, o que a fazia melhor amiga de Charlie Potter.

Os dois tomavam chá, que estava fumegando, e pensando na proposta que seu primo fez à eles.

- Você não acreditou nele, acreditou? – Perguntou a Sra. Evans, tomando um pouco do chá.

Eu negou seguramente.

- Óbvio que não – Respondeu enquanto colocava algumas pedras de açúcar em sua xícara – Mas fiquei surpreso com a iniciativa dele de proteger sua filha mais nova. O James Potter que sempre conheci não se importava com os sentimentos das mulheres que ele se relacionava. Confesso que não esperava vê-lo nessa situação.

Ela assentiu, também pegando algumas pedras de açúcar e colocando em seu chá. Charlie Potter a analisou atentamente, procurando algum sinal de que ela ia falar, mas foi em vão. A Sra. Evans permaneceu calada após seu comentário. Os minutos foram se passando, mas ele sabia que se tivesse paciência o suficiente, ela daria uma resposta calculadamente elaborada. E não deu outra.

- Quando seu primo elaborou o plano, eu tive a impressão que ele era como nós – Ela o analisou por alguns segundos – E foi outra surpresa a Lily, sempre uma excluída e anti-social, atrair a atenção de um rapaz como Potter. Também estou surpresa, embora é um ponto positivo para nós.

Charlie Potter levantou uma sobrancelha de forma interrogativa.

- Não vejo ponto positivo nessa situação, apenas deu mais problema para recebermos a herança – Reclamou impacientemente.

A Sra. Evans negou com um sorriso divertido.

- Meu jovem, nós mataremos dois coelhos com uma cajadada só. Não vamos precisar dar parte da herança para o seu primo, o que já aumenta significativamente o que podemos receber da herança – Explicou calmamente.

Charlie Potter fez uma careta.

- Mas mesmo assim, meu primo é bem esquivo, bem inteligente – Rebateu, aparentando estar pensativo – Ele pode muito bem tramar alguma coisa para que não encontremos a sua filha. Conheço meu primo embora não conheça sua filha. Mas eu tive uma leve impressão que ela seja difícil de se lidar.

A Sra. Evans riu por alguns segundos e Charlie Potter sorriu.

- Lily é assim – Comentou divertida – Seu nariz está melhor?

Ele passou a mão no curativo em seu nariz e bufou.

- Espero que esteja, sua filha parece uma bonequinha embora tem a força de um touro – Respondeu, automaticamente de mau humor.

- Oras, não fique assim – Consolou a Sra. Evans enquanto bebia o chá fumegante – Ela pode ter feito um estrago em você, mas não acredito que ela mate alguém. Lily sempre foi muito emotivo, ela faz o que dá na telha, o que a torna imprevisível, porém essa imprevisibilidade dela tenha um certo limite. Ela não herdou minha frieza.

Charlie Potter a olhou descrente.

- Tem certeza? – Perguntou com uma careta – Não foi isso que eu percebi há dois dias. Ela é psicótica.

A Sra. Evans arqueou as sobrancelhas.

- Não há a menor possibilidade de ela elaborar um plano para nos matar – Respondeu com segurança – Ela e Potter podem até contratar alguém ou o próprio Potter tentar nos matar, mas Lily não mata uma mosca. Como eu disse, ela é muito sentimental. Teve uma vez que o cachorro da vizinha morreu, ela chorou por semanas.

Charlie Potter sorriu divertido.

- Ok, acredito no que você diz – Falou convencido, terminando com seu chá – Mas meu primo não deixa de ser uma opção perigosa. O que faremos se ele tiver um plano para se livrar da gente?

- Sinceramente, Charlie, você acha que ele irá voltar contra a gente assim? Não temos certeza se ele contará para Lily que eu estou envolvida e que ele faz, ou fazia, parte de nosso acordo. O Potter não seria tão suicida assim só por causa de uma adolescentezinha estranha – Respondeu secamente – Se quer minha opinião, eu mataria primeiro o Potter e depois a Lily. Assim acaba com a dúvida, o Potter, e depois para o nosso objetivo, a Lily.

Charlie Potter assentiu, concordando com a opinião da Sra. Evans.

- Eles não continuarão no chalé de Potter – Começou ele, pensativo – Ele procurará Sirius Black.

A Sra. Evans fez uma careta de desgosto.

- Seria um problema estarrecedor se Black se juntasse a eles – Comentou ela, com um ar de desprezo – Black é perigoso. Mas desconheço essa ligação com o Potter.

Charlie Potter arqueou suas sobrancelhas.

- James e Black são melhores amigos de infância, viajaram juntos pelo mundo, se conhecem muito bem. É uma ameaça os dois juntos. Mesmo se Lily não concordar com o plano de nos matar, ou mesmo se ela nem souber desse plano, meu primo e Black o fariam – Explicou pacientemente, procurando convencer a Sra. Evans de que o problema estava com o efeito cascata e que ficar parado só os deixaria é constante desvantagem – Temos que formular um plano. E rápido.

Ela revirou os olhos.

- E o que você sugere? – Perguntou, ironizando a pressa dele – Pegar Potter, Black e Lily e matar?

Agora foi a vez dele revirar os olhos impacientemente.

- É óbvio! – Respondeu enquanto colocava mais chá na xícara.

Ela negou a idéia dele balançando a cabeça.

- Seria muito óbvio de que fomos nós que armamos a morte deles – Rebateu a Sra. Evans, utilizando a paciência que ela aprendeu a usar como arma à medida que envelhecia – A herança não cairia em nossas mãos se ficássemos como suspeitos.

- Verdade – Concordou Charlie Potter enquanto olhava distraidamente para a chuva que tinha acabado de começar, uma chuva de verão – Então o que você sugere?

Ela sorriu satisfeita.

- É simples...

Enquanto isso, lá no chalé...

Eu estava dormindo em uma cama de dossel. Estávamos no quarto principal do chalé e eu acabava de ter uma noite extremamente perfeita. Finalmente a dor de que meu hímen havia rompido, tinha ido embora assim que eu e James transamos de novo. Com o decorrer das horas, James não aguentou mais e pediu um tempo, que me fez rir durante alguns minutos.

- Eu preciso descansar, sua ninfomaníaca – Justificou enquanto sorria divertidamente e eu soltava gargalhadas. Ficamos acordados durante toda a madrugada e depois fomos para essa cama de dossel, onde dormimos abraçados, com minha cabeça apoiada em seu peito definido. Cada vez mais que eu observava James dormir, mais eu ficava encantada de tê-lo perto de mim.

Dizem que sempre tem uma coisa boa dentro de um problema. Como se fosse uma razão para você passar aquele problema tão difícil, complexo e surreal. Tenho uma vaga, leve e boa impressão de que sem esse problema, com minha própria e cínica mãe envolvida, eu não estaria passando tudo isso com James. Bem, eu confesso que nossa situação é muito, mas muito complexa mas isso não deixa de significar que, se não fosse isso, eu não o conheceria. Agora que eu estou aqui, fico feliz de tê-lo conhecido. Ele caiu na minha vida me salvando, mas não só da minha mãe, dos meus cunhados e de Charlie Potter, mas salvando meu interior. Assim, visto dessa forma, fico eternamente grata à ele.

Eu ainda estava com os olhos fechados e embrulhada com alguns lençóis quando senti alguém deitar na cama novamente. Pela respiração e pelo carinho que ele fez em meu rosto, eu sorri.

- Pára de ficar me observando dormir – Pedi toda manhosa enquanto abria os olhos. Estava nu na cama junto comigo, que também estava nua, mas nós dois estávamos embrulhados por lençóis. Já era de manhã e caía uma chuva finíssima lá fora. Uma chuva de verão.

James estava sorrindo bobamente enquanto eu o abraçava e me deitava sobre seu peito nu.

- Mas porquê? – Perguntou com bom humor – Dá vontade de te abraçar e não largar mais. Você fica com uma aparência muito delicada e frágil.

Eu sorri abertamente enquanto ele me dava um beijo na testa que foi bastante demorado. Suas mãos acariciavam meu cabelo enquanto a outra estava na minha cintura. Eu beijei seu pescoço e percebi que ele havia fechado os olhos com uma expressão de prazer.

- Fico feliz em ter te conhecido – Sussurrei em seu ouvido, o que o fez abrir os olhos rapidamente.

Ele me olhou por alguns segundos.

- O que quer dizer com isso? – Perguntou confuso – Não vai me dizer que isso é uma despedida e que você se entregará a aquelas cobras!

Eu arregalei os olhos.

- Mas é óbvio que não! – Respondi rapidamente, abraçando-o mais forte – É só que eu não vejo muito saída...

Ele me analisou por alguns segundos e me puxou fortemente contra ele, deixando-o acariciar minha nuca com a mão esquerda e ficar passando a mão em minha barriga com a mão direito. Um arrepio subiu em minha espinha.

- Não fale isso – Sussurrou em meu ouvido. Eu fechei os olhos – Nós vamos achar uma maneira de contornar isso. Você já ouviu falar de Sirius Black?

Eu assenti, agora com os olhos aberto e olhando para James. Eu mordi meu lábio inferior.

- Sim, eu já ouvi falar dele – Respondi prontamente – É aquele homem que fazia serviços para o Rei?

James sorriu divertidamente.

- Serviços? – Repetiu divertido e eu fechei a cara – Eu matou metade das pessoas que eram contra o Rei. Ele é meu melhor amigo. Quando eu fui para a Índia, ele foi comigo. Sempre me ajudou, me amparou e me acompanhou. Hoje, ele é uma carta importante no baralho do Rei. E no nosso.

Eu arqueei minhas sobrancelhas.

- Você acha que ele concordaria em matar Charlie Potter, minha mãe e meus cunhados? – Perguntei desconfiada – Todos esses são partidários do Rei.

- Mas é aí que você se engana, minha Lily – Começou com um sorriso – Sirius Black só é fiel a si mesmo e a seus amigos. Ou seja, eu e Remo Lupin, que é um dos conselheiros do Rei.

Eu arregalei os olhos. Eu estava bastante surpresa com as conexões e os melhores amigos de James. Sirius Black e Remo Lupin são figuras extremamente importantes no cenário da Inglaterra atual. Eu sempre escutei a fama lendária dessas pessoas, mas nunca passou pela minha cabeça que minha vida poderia se cruzar com eles. Nunca mesmo! A fama de Sirius Black como um dos homens de confiança do Rei era inteiramente feita em toda a Europa, o que fazia com que as pessoas que ficavam contra o Rei desaparecessem misteriosamente. Ou seja, Sirius Black.

Já Remo Lupin tinha total influência no Rei. Minha nossa. Será que eu sei no que eu entrei ou só pensava que era tudo uma brincadeira que alguém iria aparecer no final e falar 'Te peguei!'. Agora vejo que tudo está bem mais... nu e cru. Real.

- Nossa, James Potter, você é tão importante assim? – Perguntei com um tom de brincadeira. Ele sorriu divertido.

- Bem, eu tenho meus amigos de infância – Respondeu prontamente – E somos leais uns aos outros.

- Não são iguais minha mãe – Falei tristemente, o que fez meus olhos arderem. Eu estava prestes a chorar. Sabe, a gente nunca espera isso da própria mãe. É extremamente surreal pra mim.

Vendo minha tristeza e meu choro iminente, James me beijou enquanto me abraçava mais forte. Sua mão permanecia em minha barriga, acariciando-a. Seus dedos brincavam com meu umbigo e iam e vinham pelo espaço que havia entre meus seios em meio a minha pele alva.

- Não se preocupe, ruiva – Ele estava bem perto de meu rosto agora enquanto enxugava as lágrimas que escorriam por minha bochecha que agora estava corada por causa dos movimentos de sua mão em minha barriga – Sirius e Remo são meus melhores amigos. Eu já mandei um recado para os dois virem aqui ao anoitecer. Não se preocupe, eles sabem não serem seguidos por ninguém. Sirius Black e Remo Lupin são experientes nesse ramo.

- Ah, eu espero que sim, James – Falei enquanto deitava no travesseiro que James estava deitado. Nós ficamos nos olhando por alguns segundos – Quanto mais cedo resolvermos essa situação, melhor. Mas e você?

- O que tem eu ? – Perguntou confuso. Sua mão ainda estava acariciando minha barriga de forma delicada.

Eu sorri abertamente.

- É tão importante e experiente quanto seus amigos? – Perguntei fazendo uma careta.

Ele riu por alguns segundos. Seu riso era tão gostoso, meio que irradiva pelo quarto em que estávamos. Seus dentes brancos e alinhados, o que era uma coisa extremamente rara na Europa e na Inglaterra, que, juntamente com o formato másculo de sua mandíbula, o deixavam com um certo tom... hum... erótico. Defitivamente erótico.

- Posso te ensinar cem jeitos de matar uma pessoa... – Começou lentamente - ... sem qualquer tipo de espada ou lâmina.

Eu sorri sedutoramente. Propositalmente sedutora. Esse tom lento e conquistador dele me fizeram tremer nas bases. Eu senti um arrepio subindo pela minha espinha novamente. James ainda estava com seu sorriso conquistador, exibindo aquela mandíbula que eu achava extremamente erótica.

- Posso te ensinar cem jeitos de influenciar alguém – Continuou, ainda com a voz lenta, nos sussurros – Também posso ensinar cem jeitos de te fazer feliz.

Eu sorri sem-graça. Sua mão passou delicadamente por meu rosto, parecendo que ele queria decorar, sentir, todos os poros que ali moravam. Ele se demorou ao passar as mãos por meu lábio, que ficou trêmulo.

- Parece que faz tempo que nos conhecemos, não? – Comentei baixinho, no ouvido dele. Senti um arrepio passar por James, que me observava pensativamente.

- Estava pensando nisso – Comentou baixinho, no meu ouvido – Também estava pensando em outra coisa. Uma coisa muito importante.

Eu arqueei minhas sobrancelhas de forma interrogativa.

- Muito importante? – Repeti confusa e ele assentiu – O quê?

Ele me analisou atentamente por alguns segundos, pensando, provavelmente, se deveria ou não falar. Mordi meu lábio, apreensiva.

- Você tem o controle de sua menstruação? – Perguntou sério.

Meus olhos se arregalaram. HÃ?

Vendo minha reação, ele resolveu explicar melhor do que estava falando.

- Sabe, sua mãe ou suas irmãs, quando não querem engravidar, usam um método chamado tabelinha – Eu continuava com uma interrogação grudada na testa – Sabe, quando vê nos dias que você não está fértil e não pode engravidar?

Eu balancei a cabeça, negando. Nunca havia ouvido falar nisso. Nem sabia que existiam dias férteis ou não-férteis. Eu... eu sou totalmente despreparada e inexperiente.

- Não, mas o que tem a ver conosco? – Perguntei confusa. James ficou apreensivo instantaneamente. Ele se sentou na cama, de frente pra mim.

- Quando você menstrua? – Perguntou objetivamente enquanto eu ainda estava confusa, mas agora constrangida.

- No fim do mês, dura quatro dias – Respondi rapidamente tamanho era o desespero de James – É bem regular. Nunca falha.

Eu vi James contando alguns dedos e pensando silenciosamente. Ele estava totalmente apreensivo. Eu esperei aquilo passar para perguntar qual era o motivo de todo aquele incêndio em relação a minha menstruação. Eu continuava com a interrogação grudada em minha testa, mas agora a reação dele me preocupava mais. Assim, eu esperei silenciosamente enquanto ele contava os dedos, que supus que eram dias do mês pois de vez em quando ele falava baixinho o nome de algum dia. Quando ele terminou seus olhos se arregalaram.

- Você está em um dos seus dias férteis – Afirmou com toda segurança, mas eu via que ele estava extremamente pensativo. E preocupado. Seus olhos agora emitiam um brilho diferente. Não soube definir.

- E o que isso significa? – Perguntei confusa. Ele fechou os olhos por alguns segundos e os abriu novamente.

- Nós transamos, pelas minhas contas, oito vezes desde que viemos para cá... – Começou lentamente, como se ele mesmo estivesse tentando raciocinar o que falava – A possibilidade de você estar grávida é muito alta.

Eu arregalei os olho, chocada.

N/A : Olá! Gente, eu adorei escrever esse cap. *-* E eu espero mais comentários, viu? Assim eu vejo para que rumo a história vai andar *malvada*. Tomara que tenham gostado! Suas reviews me animam bastante.

Thaty – Eu adoro todas as vezes que você comenta *-* Me anima bastante!

Giovanna Evans Black – Casal fofo mesmo. Mas a coisa vai complicar. E MUITO!

Beeijos para os anônimos que também leêm a fic, mas não comentam.