Ela suspirou e continuou a conversa, disposta á desabafar:
– Está vendo tudo isso? –começou apontando para toda a sala. – É do Sasuke. –disse e o queixo de Ino caiu.
– Como assim? Mas não é ele quem estava te acusando pela morte de Konan? Não se dá uma cobertura como essa á alguém que se odeia. –exclamou indignada.
– Ele não acredita tanto quanto antes que sou a culpada. Porém o verdadeiro motivo de tudo isso é uma chantagem.
– Chantagem?
– Ele mandou um bando de capangas apontarem armas na cabeça de meus pais e não parou por aí, até você corria risco.
– Mas o quê?! Quem esse Uchiha pensa que é?!
– Um dos homens mais poderosos do Japão se não o próprio. –respondeu simplesmente.
– E então? O que você fez á esse respeito?
– Ele me propôs um trato: a segurança de vocês pela minha total obediência.
– Obediência?
– Eu também não havia entendido muito isso, mas depois percebi o que ele queria. Mas as coisas pioraram mesmo quando encontrei Gaara e ele me beijou. O único problema é que Sasuke viu tudo e ficou furioso. Então ele concluiu que eu devo ficar trancafiada aqui e me isolar de tudo e de todos.
– Esse homem é louco! Mas qual é o preço de tudo isso?
– Ontem eu e ele... Nós... –começou sem graça procurando as palavras certas.
– Não precisa nem terminar! Kami, você foi pra cama com ele! –afirmou e a rosada corada acenou com a cabeça. – Por mais que Sasuke seja lindo e gostoso, isso não tem cabimento. É cárcere privado! Olha, saí dessa eu posso providenciar segurança para você e seus pais. –propôs.
– Ino, não adiantaria... Seu pai tem dinheiro e influência, mas ele está acima disso e não quero nem cogitar a ideia de por em risco a vida dos meus pais e até mesmo a sua.
– E vai ficar aqui como uma boneca inflável? –a rosada encolheu-se envergonhada. – Desculpe Cherry, mas é assim que ele te vê.
– Eu sei Ino e não sabe o quanto me sinto mal por isso. Não foi a vida que eu sonhei para mim.
– A minha vontade é de socar aquele rosto perfeito do Uchiha! –manifestou-se estralando os dedos.
– Ino... –advertiu.
– Eu sei, eu sei. Prometi não fazer nada e não vou fazer, mas quero que saiba que estou contigo ok? –indagou olhando dentro dos olhos verdes de Sakura.
– Obrigada. –agradeceu abraçando-a.
– Você o quê?! –Naruto perguntou enquanto dava mais uma tacada na mesa de bilhar da casa do Uchiha.
– Ela está no loft. Hinata providenciou tudo para mim em tempo recorde. –respondeu simplesmente.
– E aí simplesmente a puxou pelo braço como um homem das cavernas e levou-a pra cama?
– Ela estava aos beijos com um cara lá... –justificou lembrando-se do ruivo com desprezo. – Quanto à parte da cama eu admito, que foi isso mesmo. Ela era virgem ainda Naruto, sabe o quanto isso é difícil nos dias de hoje. –comentou malicioso.
– Tem razão. –concordou sorrindo. – E agora? Vai deixá-la lá presa como uma leoa adestrada?
– Só até ela aprender a me respeitar ou até eu me cansar dela.
Foi aí que alguém bateu na porta de entrada do cômodo:
– Entre. –Sasuke ordenou sem pensar e lá estava seu irmão mais velho.
– Itachi, está sumido cara! –o loiro exclamou quando o outro se aproximou batendo nas costas dele com certa força.
– É bom te ver também Naruto. –retribuiu mais formalmente ao cumprimento do loiro.
– Oneesan nem avisou que viria. –era o jeito Sasuke de saudar o irmão: totalmente curto e grosso.
– Pois é. Na verdade eu vim te buscar.
– Me buscar?
– Não acredito que você se esqueceu do aniversário da mamãe. –falou o mais velho.
– Droga, me esqueci totalmente. Mas o que vai ser? Mais uma daquelas reuniões cheia de velhos?
– Pode crer que sim. –respondeu sorrindo.
– Puxa teme, então nem vai dar pra você desfrutar do final de semana com sua leoa adestrada. –comentou Naruto rindo.
– Tem uma nova gata na parada otouto? –foi a vez de Itachi tomar a palavra. – É só levá-la junto.
– Não acredito que seja uma boa ideia. –afirmou pensando que seria melhor não expor Sakura tanto assim, afinal, mal a conhecia e apesar de tudo, não era qualquer garota que ele apresentava á sua família.
– Se eu fosse você otouto, faria de tudo para não aparecer lá sozinho. Sabe quem okaasan convidou?
– Ah não... –lamentou-se.
– Ah sim. A sua louca e obcecada fã número um. –confirmou dando o sorriso típico dos Uchihas.
– Devo mesmo estar acompanhado nessa ocasião. –cedeu lembrando-se de Tenten. Uma garota que conheciam desde sua infância e desde aquele tempo ela sempre fora perdidamente apaixonada por Sasuke e já havia mostrado ser capaz de cometer loucuras pelo moreno. Certa vez, ela aproveitou que o caçula havia bebido além da conta e espalhado á todos que passaram a noite juntos, dentre muitas outras mentiras que inventou á respeito dos dois.
Sakura estava cansada. Cansada de não fazer nada. Em plena tarde de sábado, um dia lindo lá fora e ela trancafiada naquele apartamento como uma prisioneira.
Tomou um banho e vestiu-se com um vestidinho florido que encontrou no armário. Não sabia quem havia escolhido aquelas roupas, mas parecia conhecê-la muito bem.
Muitas garotas do tipo interesseiras dariam tudo para estar no lugar dela agora. Tinha tudo o que precisava naquele apartamento, tudo exceto sua liberdade e isso tirava totalmente seu sossego.
Estava na sala de estar observando os quadros da parede e se perguntando como um bando de rabiscos coloridos podia ser considerado arte, quando ouviu um barulho na porta e o moreno entrar por ela. Ele usava uma calça jeans meio desbotada e uma camisa básica cinza, parecia despojado. Quando a viu, sorriu de canto e disparou:
– Onde está o meu beijo de boas vindas?
Olhou-o mal humorada, mas não adiantou. Encaminhou-se até ela e deu um beijo breve parando para sussurrar em seu ouvido:
– Sei que gostou tanto da noite passada quanto eu.
– Será que você não se afoga em meio á tanto autoconvencimento? –perguntou sarcástica.
– Só não lhe provo agora mesmo que estou certo porque não temos tempo. Arrume uma pequena mala. –ordenou se afastando e jogando-se sobre o sofá.
– Como assim? Pra onde iremos? –perguntou confusa.
– Ei sem perguntas. Meu irmão está nos esperando lá embaixo. –falou de olhos fechados. Ela ficou ainda parada e ele ainda na mesma posição disse mais alto: – Vá logo Sakura, antes que eu lhe arraste apenas com a roupa do corpo mesmo.
Bufando, foi até o quarto e juntou as peças que achou necessário embora nem soubesse qual seria seu destino.
– Pronta? –perguntou quando ela apareceu com uma mala nas mãos.
Desceram o prédio e diante de um carro prata, recostado estava um moreno. Na verdade ela notou algumas semelhanças entre ele e Sasuke e se perguntou se este seria tão insuportável e sem escrúpulos quanto o caçula.
– Sakura este é meu oneesan Itachi, esta é Sakura... Uma amiga. –falou procurando um termo para descrevê-la.
– Sei... Bem, prazer em conhecê-la Sakura-san. –o moreno disse simpático lhe apertando a mão e ao mesmo em tempo em que se sentiu tímida perto daquele homem, notou também um aperto de Sasuke em sua cintura.
A viagem foi extremamente silenciosa. Itachi dirigia, Sasuke no banco do passageiro e a rosada no banco de trás. Ela se contentava em assistir enquanto a urbana vista de Tóquio dava lugar ás paisagens do campo. Sempre gostou de viajar e se pudesse rodaria o mundo conhecendo todos os cantos, era uma sensação de liberdade e paz incrível.
De vez em quando, ela sentia que estava sendo observada e quando olhava no retrovisor via as duas pedras negras do motorista sobre si, mas ele logo tratava de disfarçar de modo que ela também preferia concluir que estava imaginando coisas.
Adentraram os limites da propriedade já á noite. A festa seria realizada apenas no dia seguinte, então a casa ainda estava vazia. Lá dentro, além dos criados apenas Mikoto os esperava de braços abertos:
– Finalmente vocês chegaram! Itachi nem me avisou para onde ia. Eu fiquei preocupada. –exclamou.
– Eu fui resolver umas pendências na cidade e Sasuke resolveu vir comigo. –justificou preferindo esconder o fato de que o caçula não havia nem lembrado do aniversário da mãe.
– Oh Sasuke! Por que não retornou minhas ligações hein mocinho? –lhe cobrou enquanto dava um verdadeiro abraço de urso.
– Não tive tempo okaasan. –ele respondeu abafado com o aperto.
– E essa linda garota quem é? –perguntou afrouxando um pouco o abraço.
