Não podia deixar de se sentir emocionada. Saber que tinha alguém para lhe confortar naquele momento difícil era realmente bom:

– Espero que não se incomode, mas em breve teremos ir para Londres, lá você receberá todo o cuidado necessário e tudo dará certo. –propôs gentilmente.

– Tudo bem para mim só não quero ser um fardo para você. Digo, não somos nada uma da outra, você não tem obrigação alguma de me ajudar.

– Já disse para não se incomodar. O que importa para mim é que seu bebê nasça com saúde e que possa prosseguir sua carreira depois. –Sakura entendeu que a loira queria mesmo dar-lhe a oportunidade que ela própria não havia tido e que sentia até hoje pela morte de sua filha, porém ela esperava um dia retribuir todo o apoio que recebia agora. – Mas Sakura, tem mesmo certeza que não quer avisar o pai do bebê? –perguntou sem jeito.

– Depois do que fez comigo, percebi que ele seria o tipo de pessoa que faria mal ao meu filho, assim como a minha mãe. Se depender de mim, essa criança não vai conhecer nenhum dos dois. –a magoa em seu coração ainda era grande. Mesmo achando errado, Tsunade não disse nada.

Após descansarem, no dia seguinte a loira indagou:

– Embarcaremos em pouco tempo, tem alguém que gostaria de se despedir?

– Minha melhor amiga está viajando, mas Suigetsu... –a rosada recordou com carinho do amigo e decidiu que não contaria nada á ele, apenas que viajaria pela oportunidade que já havia recebido.

Combinara um encontro com ele numa sorveteria que costumavam frequentar:

– Sui. –abraçou-o.

– Saky isso é uma despedida? –disse tristonho.

– Sim, mas sabe que vamos manter contato e que eu não vou me esquecer de você.

– É bom mesmo, se não eu serei obrigado a pegar um avião e dar um puxão no seu cabelo.

– Não será preciso. –entre risos continuou a conversa com o amigo, o melhor era mesmo que não soubesse da verdade.

Assim que chegaram a Londres, Tsunade fez questão de lhe mostrar a cidade e sua casa:

– Quero que fique á vontade, sinta-se em sua própria residência.

A Haruno olhava o lugar admirada, ia ser difícil se sentir em casa naquela mansão já que nunca esteve acostumada aquele tipo de ambiente.

Posteriormente, ela também foi ao médico que acompanharia toda a sua gestação, para se certificar de que estava tudo bem.

Alguns dias mais tarde, conseguiu falar com Karin pelo telefone e contou á ela o real motivo por ter ido embora:

– Não acredito Saky! Sabia que Mei não era lá muita coisa, mas daí a querer que a filha tire o próprio neto e ainda expulsá-la de casa? Jamais imaginei que ela fosse capaz disso! –a ruiva exclamava, mas não imaginava que alguém estivesse ouvindo a conversa.

– Pois é, ainda bem que Tsunade me acolheu.

– Com certeza, mas se eu tivesse aqui teria te ajudado.

– Eu sei que sim Ka, mas o que seus pais diriam se tivesse uma amiga grávida? Má influencia no mínimo.

– É... Provavelmente. –a ruiva sabia que seus pais não permitiriam mesmo, já que eram bem rígidos. – Não contou nada para o Suigetsu, contou?

– Não e quero que permaneça assim, ele ia ficar muito desapontado.

– O que a Saky não me contou? –Karin segurou um grito ao ver o garoto ali na sua casa.

– Tenho que desligar Saky até mais. –nem esperou resposta. – Suigetsu! O que está fazendo aqui na minha casa? –tentou disfarçar, mudar de assunto.

– Não mude o rumo da conversa ruiva! O que eu não sei? E aquela história da Mei querer o aborto do próprio neto?!

– Não é nada disso... –negava.

– Diga agora Karin Uzumaki ou eu grito aos quatro cantos que você me agarrou aquela noite na escola.

– O que?! Mas foi você quem me agarrou.

– E alguém estava lá para desmentir a história? –sorriu sugestivo.

– Argh! Está bem, só me prometa que não fará nenhuma besteira.

– Eu prometo. –disse ansioso.

– Sakura está em Londres com aquela tal de Tsunade por que ela a acolheu. Mei a expulsou de casa depois de saber que ela estava grávida.

– Saky tá grávida?!

– Fala baixo seu imbecil!

– Mas quem é o pai?

– Por isso fiz você prometer... O pai é Uchiha Sasuke.

O rosto de Suigetsu foi ficando vermelho até que ele explodiu:

– Como ela se atreveu a chegar perto dele, mesmo com todos os meus avisos? Eu vou matar aquele infeliz! –a ruiva barrou a porta de seu quarto.

– Por isso a Sakura não te contou. Não é para aprontar escândalos, ela não quer que ele saiba.

Foi difícil, mas Karin conseguiu acalmar a fera.

Depois disso, quando a rosada conversou com Suigetsu esse se mostrara mais compreensivo do que ela imaginava e disse que mesmo desapontado, apoiaria a amiga sempre que preciso.

E assim os meses passaram... Tsunade quando não estava viajando para descobrir novos talentos, ficava em casa e comprava roupinhas para a filha de Sakura, isso mesmo a Haruno teria uma menina.

O dia do nascimento já havia sido marcado e a garota estava ansiosa para a data em que sua pequena viria ao mundo.

Em Nova York, Karin um dia se surpreendera com uma visita no mínimo inesperada:

– Sasuke?

– Posso entrar?

– Entre. –deu licença para que ele passasse.

– Você é prima do Naruto não é? E amiga da Sakura também.

– Sim. Sou as duas coisas. Sei de tudo que aconteceu entre vocês dois e estou muito intrigada com essa sua vinda aqui. –foi direta ao ponto.

Sasuke tinha seu orgulho, mas estava se sentindo mal com a situação em que deixara Sakura. Geralmente ele agia daquela maneira, usava as garotas e depois as dispensava, porém essas garotas já estavam acostumadas com esse tratamento e se envolviam com ele sabendo justamente que o único objetivo era se divertir. Mas Sakura foi totalmente diferente, ela foi muito mais ingênua do que qualquer outra e se mostrou apaixonada de verdade. Em compensação, ele quebrou seu coração inocente sem dó nem piedade. Sua própria consciência já não o deixava em paz, por isso sem encontrar a rosada procurou por Karin:

– A Sakura sumiu, sabe por onde ela anda?

– Mas é muita cara de pau sua querer saber dela agora. –a ruiva respondeu arrogante.

– Eu sei que errei e não é o que está pensando, eu quero apenas pedir perdão. –por um momento Karin analisou suas expressões querendo ter certeza se falava a verdade, foi quando Suigetsu apareceu de surpresa mais uma vez, na verdade agora que eram só os dois eles estavam mais próximos.

– O que esse crápula faz aqui?!

– Suigetsu? –o moreno disse estranhando sua presença ali.

– Ele está aqui pela Saky. –Karin justificou.

– Como tem a coragem? –o garoto totalmente alterado foi para cima do outro dando lhe um murro: – Esse é pela Sakura. –seguido de outro: – E esse é pela bebê. –até que Sasuke conseguiu segurar os punhos do outro e acertou-o em cheio.

– Eu não vim aqui para brigar Suigetsu.

– Sasuke é melhor você ir. A Sakura nem está no país e não quer falar com você. –a ruiva tentava segurar Suigetsu.

Seguiu as palavras da ruiva saindo dali. Entretanto, não pôde deixar de ficar confuso com as palavras do garoto: "– E esse é pela bebê.", logo uma ideia veio para explicar essas palavras, mas ele balançou a cabeça para afastar tais pensamentos.

Nesse mesmo dia em Londres, Tsunade levava Sakura, que estava enorme, para o hospital. O médico checou a dilatação e concluiu que a hora havia chegado.

As enfermeiras lhe vestiram e colocaram uma touca em seu longo cabelo róseo. Tsunade também foi preparada para entrar com ela na sala de parto. A loira vinha sendo uma verdadeira mãe para ela nos últimos meses, sempre preocupada e dando o carinho necessário. Sakura sentia que uma compensava a carência da outra. A rosada era como a filha que a outra havia perdido e Tsunade era como a mãe que nunca tivera.

Com as dores cada vez mais fortes, a Haruno juntava todas as suas forças para expulsar o feto de seu ventre. Todos da equipe apoiavam a futura jovem mamãe que estava nascendo hoje juntamente com aquele bebê. E assim que uma única e cristalina lágrima escorreu por um de seus olhos, o choro invadiu a sala.

Tsunade ao seu lado chorava e lhe dava os parabéns enquanto o médico erguia a menina para que lhe cortassem o cordão umbilical. Sakura não se sentia uma idiota como antes, pois ao menos todas as burradas haviam valido á pena e lá estava sua pequena e preciosa recompensa.

E quando a enfermeira trouxe-a para perto de si pela primeira vez, Sakura não teve dúvida: aquela era sua pequena Hana.