CAPÍTULO X

— Está pronta para ir?

Rosalie olhou por cima do computador. Emmett estava à porta, tão lindo que seu coração revirou.

— Pensei que você tivesse muita coisa para fazer e que não sairia na hora hoje. Passamos a manhã no médico e na livraria. Estou surpresa por sua secretá ria não estar subindo pelas paredes para reagendar reuniões.

Ele deu de ombros.

— Ela é bem paga para fazer o que faz e as reuniões podem esperar. As questões mais urgentes podem ser resolvidas do meu escritório, em casa.

— Não precisa sair por minha causa. Eu também ainda tenho muita coisa para fazer.

Ele entrou na sala e fechou a porta.

— Não acho que trabalhar horas extras seja uma boa idéia. Precisa descansar.

— Estou grávida e não doente, Emmett.

— Engraçado, podia jurar que estava enjoada quando correu para o banheiro do consultório médico hoje cedo.

— Nem me fale. Mas não estou sentindo isso ago ra e prefiro trabalhar quando tenho energia.

— De quanto tempo mais precisa?

— Duas ou três horas.

Ele revirou os olhos e sacudiu a cabeça.

— Não exagere, querida. Mesmo antes de sua gravidez eu não aprovava essas horas extras. Volta rei em uma hora e meia, esteja pronta para irmos em bora.

Ela podia amá-lo loucamente, mas não deixaria que ele conduzisse cada minuto da sua vida.

— Não vou terminar em menos de duas horas. Cla ro que você pode ir para casa sem mim.

— Isso não vai acontecer.

— Então nos vemos em duas horas.

— Certo.

— Está demonstrando novamente sua natureza mandona — ela informou.

Ele deu de ombros, sorrindo discretamente ao sair.

— E sua forte teimosia está em evidência, mas posso lidar com ela, assim como você aprenderá a li dar com minha suposta tendência a mandar.

— Desde que perceba que tenho o direito de retri buir o favor, tenho certeza de que tem razão.

Ele parou com a mão na maçaneta.

— Como assim?

Para ele, a idéia de uma mulher ser autoritária es tava totalmente fora de cogitação.

— Se eu achar que está trabalhando demais, vou exigir que vá para casa — ela avisou.

— Vou me lembrar disso — ele falou, parecendo estranhamente satisfeito e não consternado diante da quela possibilidade. Depois, ele saiu.

Dez minutos depois, uma jovem que trabalhava na cafeteria da empresa entrou no escritório de Rosalie com uma bandeja de biscoitos nutritivos e água mine ral, seguindo as instruções de Emmett.

— Ele pediu alguma coisa para comer? — Rosalie perguntou.

— Não, signorina — respondeu a jovem, com os olhos cheios de curiosidade sobre a funcionária pela qual o presidente da empresa dedicava seu precioso tempo para pedir comida.

— Sei. — Ela pegou dinheiro na bolsa e entregou à moça. — Então, por favor, leve para ele uma garra fa de suco de fruta e um prato de biscoitos como esse que me trouxe.

— Não sei...

— Tudo bem. Confie em mim. — No final, Rosalie chegou à conclusão de que agira assim mais pela curiosidade da moça do que pelas próprias con vicções.

— Oh, e coloque esse bilhete junto. — Ela escre veu uma nota, dobrou e entregou à moça.

Dez minutos depois, o telefone dela tocou. Ela atendeu.

— Rosalie Hale falando.

— Obrigado, tesoro.

Ela sorriu e se recostou na cadeira.

— De nada. Fico contente por ter tido a idéia.

Ela conseguia dominar mais o enjôo quando con sumia porções pequenas mais vezes ao dia. Aprendeu isso bem rapidamente.

— Gostei do bilhete também.

Ela havia escrito: Na mesma moeda. Com amor, Rosalie.

— Gostou? — Ela imaginava de qual parte ele ha via gostado mais. Se da brincadeirinha ou da declara ção de amor.

Provavelmente da brincadeira, ela admitiu. Ele não acreditava que ela o amava, mas seu objetivo era convencê-lo do contrário. Mesmo que não a amasse, ela percebeu que não poderia se casar se ele tivesse dúvidas de que o que sentia por ele ia além de luxúria e amizade. Isso não era uma definição ruim para o amor, mas certamente não explicava a profundidade de sentimento de que daria sua vida por ele também.

— Sim. Esteja pronta para sairmos às sete.

— E se eu não estiver, o que vai fazer?

— Arrastá-la do seu escritório.

Ela não duvidava disso.

— Isso vai parecer meio estranho para os demais funcionários.

— Não estou preocupado com isso... E você?

Ela sabia o que ele perguntava. Eles haviam che gado juntos à tarde e ele não se esforçara para escon der que estavam juntos. Considerando os rumores já existentes por causa de sua corrida ao banheiro na noite anterior, os fofoqueiros da empresa já deviam ter feito as devidas associações. Ela recebeu olhares estranhos durante toda a tarde, mas a verdade era que... não se importava.

— Pensei que me incomodaria mais se meus cole gas soubessem que é meu amante, mas não. Estou bem no meu trabalho e não tiro proveito de nossa re lação.

— Então eu sou seu amante?

— Hum... não entendi a pergunta.

— Apenas uma questão de quantas camas serão ocupadas na minha casa hoje à noite.

Momento decisivo. Não esperava ter de decidir so bre isso no telefone.

— Você parecia ter intenção de usar uma das ca mas de hóspedes.

— Se é o que precisa para se sentir confortável e se mudar para a minha casa, que seja assim.

Não sabia do que precisava. Esperava que soubes se, mas saber que estava grávida a deixava mais con fusa e seu coração estava totalmente desesperançoso.

— Gosto de dormir em seus braços — ela admitiu.

— Eu também gosto disso.

— Eu sei, mas...

— Mas? — ele perguntou, manifestando uma enorme tensão com essa única palavra.

— Não sei se estou pronta para fazer amor com você. Se eu fizesse, você entenderia isso como uma rendição e começaria a preparar o casamento.

— Você me conhece bem.

— Acho que sim. De algumas formas.

— Então permitiria que eu dormisse ao seu lado, mas sem contato íntimo?

— Sim, mas...

— Outro mas?

— Não é justo com você. Sei que gostaria de fazer amor.

— Vou me contentar com o que posso agora.

Ele não parecia contente, apenas resignado. Mas também não parecia muito desapontado.

— A minha gravidez não o desestimula?

— Como pode me perguntar isso?

— Bem, está aceitando de uma forma melhor do que eu poderia imaginar.

— Tenho alternativa?

— Apenas na forma como reage, eu acho.

— Você acha?

— Quero dizer, sei do que preciso agora...

— E isso é?

— Espaço.

— Não posso lhe dar isso.

— Se não tentar fazer amor comigo, será a maior concessão de espaço que poderei esperar do seu esta do protetor no momento.

— Acredita que meu estado protetor, como diz, re sulta de sua gravidez?

— Sim.

— Mesmo que eu não quisesse que nossa relação acabasse, antes de descobrir isso?

Ele tinha razão, aquilo não fazia sentido, mas...

— Está tudo confuso na minha cabeça e sexo só vai piorar. Tenho certeza disso.

— Talvez possa melhorar. É assim comigo.

— Sem pressão. Você prometeu.

— Quando?

— Agora? — ela perguntou, em vez de afirmar, pois não tinha certeza se ele havia prometido.

— Prometi dormir com você sem tocá-la na inti midade.

— Sim.

— Não prometi fingir que não a quero mais. Na rea lidade, se fingisse, sua imaginação fértil certamente pensaria em todos os tipos de possíveis situações.

— Isso não é verdade!

— Pode dizer isso depois de me perguntar se eu não a acho mais sexualmente irresistível por causa da gravidez, simplesmente porque não reagi com frus tração suficiente à sua restrição de sexo?

— Oh... bem, acho que sim. Você acha que é a gra videz ou o fato de ter finalmente aceito que o amo que me deixa tão confusa? — ela perguntou.

— A gravidez. — A voz dele era firme.

— Eu amo você — ela falou, com a voz trêmula. — Gostaria que acreditasse nisso.

— Dê-me razões para acreditar.

— Por exemplo?

— Casando-se comigo.

Ela devia ter imaginado.

— Algo mais?

— O que mais? Você recusa que eu a ajude e o conforto de dar a você e ao nosso filho meu nome. Não quero ofendê-la, Rosalie, mas não consigo reco nhecer esse amor.

Os olhos dela começaram a arder. Ele não queria magoá-la, mas sua incredulidade machucava mesmo assim.

— Preciso voltar ao trabalho.

— Eu também.

— Eu... bem, tem certeza de que vai ficar tudo bem se dormir comigo e não fizermos nada? Não está acostumado a essa situação — ela balbuciou, sem se quer saber o que tentava dizer. — Mesmo quando eu estava menstruada, nunca dormimos platonicamente.

E Rosalie tinha medo de que a mais leve das carícias por parte dela derrubasse suas defesas depois de fazerem amor.

Ela ouviu uma explosão de ar do outro lado do te lefone.

— Se está tão preocupada em dividir a cama comi go, é melhor ficar no quarto de hóspedes. Não quero importuná-la.

— Não quis dizer...

— Você foi clara. Não se preocupe. Preciso ir. Até logo, bella.

Até.

Mas ela não trabalhou depois de desligar o telefo ne, não por muitos minutos, pois deixou as lágrimas caírem e remoeu as palavras dele. Obviamente, era importante para ele que dormissem juntos. Por que não podia ceder?

Mas ela sabia por quê. Não podia confiar em suas fracas defesas. Se fizessem amor, para ela seria reconfortante... para ele, um compromisso para o qual ela não estava pronta.