Reação de Coragem
Conceitos básicos e necessários:
Doenças auto-imunes: O nosso corpo tem uma defesa natural que sabe o que é do nosso corpo (órgãos e todo o resto que temos dentro da gente) e o que não é e pode nos fazer mal. A doença auto-imune ocorre quando o nosso sistema de proteção começa a atacar o próprio corpo como se fosse uma coisa ruim. Em cada doença ele ataca de uma forma diferente.
Lúpus:O Lupus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença crônica de causa desconhecida, onde acontecem alterações fundamentais no sistema imunológico da pessoa, atingindo predominantemente mulheres. Uma pessoa que tem LES, desenvolve anticorpos que reagem contra as suas células normais, podendo consequentemente afetar a pele, as articulações, rins e outros órgãos. Ou seja, a pessoa se torna "alérgica" a ela mesma, o que caracteriza o LES como uma doença auto-imune. (retirado do site: lupusonline)
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Capítulo 9: Insônia em Chicago.
"Solidão: um lugar bom de visitar uma vez ou outra, mas ruim de adotar como morada." – Josh Billings.
Edward POV.
10:00 p.m.
Meus dedos batucam a mesa da sala enquanto leio um artigo médico. São dez da noite de um sábado e, depois de tanto café que tomei, acho difícil dormir essa noite. Aliás, faz tempo que não durmo.
Olhei para o retrato de meu pai mais uma vez no mesmo dia. Como será que ele está? Caminhei até o lugar onde o porta-retrato estava e peguei-o. Ele sorria feliz na foto. Sorri também.
Coloquei no lugar e parei para admirar a foto de toda a nossa pequena família reunida. Minha mãe segurava a minha irmã mais velha, Sherry, no colo mesmo que na época da foto ela já tinha os seus quase dezoito anos. Eu sorria abobalhadamente com o meu rosto infantil de treze anos. Éramos felizes naquela época. Éramos felizes até dois anos depois.
Sacudi a cabeça levemente tentando afastar as lembranças ruins que me vinham do passado.
Suspirei e voltei para a mesa da sala, me concentrando novamente na leitura do artigo.
Bella POV.
10:45 p.m
Estava sozinha em casa, aparentemente. Acho que Charlie e Renée haviam saído para jantar fora com um casal de amigos e Alice estava passando uns tempos na casa de Jasper – eles estavam começando a ajeitar tudo para o bebê.
Era apenas eu, a casa enorme dos Swan e uma pilha de livros de medicina na minha frente.
De uns tempos para cá toda a história de deixar o gás ligado e tentar suicídio foi esquecida e confesso que senti falta de poder ficar um pouco sozinha em casa. É bom não ser mais taxada de louca pelos seus pais.
Me concentrei nos estudos e perdi o tempo. Quando fui ver já era quase meia-noite.
Não tinha mais o que estudar por hoje e também precisava dar um tempo para a minha cabeça. Resolvi que iria tomar mais uma xícara de café, mas lembrei que já era tarde e se eu continuasse ingerindo cafeína, não dormiria hoje.
Encarei meu celular em cima da cama e sorri comigo mesma. Vou ligar para ele.
Edward POV.
12:15 p.m
Ótimo. Já passa da meia-noite e não sinto nem sinal de sono vindo. Ainda bem que amanhã é domingo, não é mesmo? Não! Plantão no domingo! Pelo menos é noturno, então eu tenho o dia todo antes do trabalho. Beleza! Vamos ser eu e os cadáveres do necrotério do Chicago Memorial Hospital.
Meu celular tocou e não pude deixar de sorrir abertamente quando vi a foto de Bella na tela do celular.
- Parece que mais alguém está estudando até tarde. – disse ao atender. Ouvi seu riso abafado.
- Como está? – perguntou ainda com tom de riso em sua voz.
- Bem. – respondi. Era isso que pessoas educadas respondiam para essa pergunta, não é? – E você?
- Eu estou sozinha em casa e sem neurônios restantes para continuar estudando. – dessa vez fui eu que ri. – Resolvi te ligar. – podia a ver dando de ombros.
- E se eu estivesse dormindo? – brinquei.
- Eu apenas iria te acordar! – retrucou marota.
- Estudou muito?
- Sim. Estou desde manhã estudando. Aproveitei a folga de hoje para isso.
- Você tem turno amanhã também, né?- indaguei esperançoso. Era bom ter Bella comigo durante o plantão.
- Sim. Da meia-noite ao meio-dia. – respondeu tediosamente. Ninguém gostava de trabalhar no domingo. Ainda mais em um turno da noite e 12 horas.
- Eu também.
- Mesmo horário? – pediu curiosa.
- Mesmo horário. – afirmei.
- Que bom! – comemorou e riu em seguida. Ri junto.
- Também gosto de trabalhar com você. – declarei. Pelo silêncio, ela corou. Sorri com isso.
- Você leu o último artigo que saiu do Dr. Wyle? – disse, mudando de assunto. Ri de leve e continuei a conversa.
2:00 a.m.
- Você disse que tinha visto, seu mentiroso! – me acusou gargalhando quando confessei nunca ter assistido ao filme Tempo de Despertar ¹ que ela havia dito para eu ver quando ainda estávamos nos primeiros anos da faculdade.
- É drama, Bella! – revirei os olhos. – Você sabe que eu não gosto de drama.
- Mas você sabia tudo do filme quando foi falar comigo! Eu jurava que você tinha visto!
- Google it, querida. – retruquei rindo.
- Seu mentiroso filho da mãe! – xingou. – Nunca mais vou acreditar em você quando disser que viu o filme que eu indiquei!
- Mas os outros eu vi. Eu acho.
- Edward! – gritou e ambos voltamos a rir.
Olhei para o relógio da parede da minha sala.
- Nossa! Já estamos a quase duas horas no telefone. A sua conta vai vir imensa. – disse preocupado.
- Vale a pena. – disse. – Além do mais, daqui alguns minutos a ligação será encerrada.
- Tudo bem. Se eu soubesse que te lembrar da hora faria com que você quisesse desligar, eu não teria lembrado. – zombei.
- E quem disse que é esse o motivo?
- Não é? – de repente entendi. – Ah! Você deve estar com sono.
- Não. Estou com insônia hoje. – falou simplesmente.
- Eu também estou com insônia.
- Percebi. – comentou divertida.
- Boba.
- Panaca.
- Essa ofendeu! – fiz uma voz manhosa teatralmente.
- Você quem começou.
- Ta bem. Desculpa.
- Está na hora de desligar. – anunciou.
- Já? – suspirei. – Ta bom. Até amanhã.
- Espera! Você vai mesmo me deixar plantada aqui fora?- perguntou com falsa indignação.
- Aí fora? – minha voz saiu confusa.
- Abre a porta panaca da minha vida.
Sorri ao compreender e corri até a porta. Quando abri encontrei Bella com o celular no ouvido e um sorriso no rosto.
- Acho que agora eu já posso desligar mesmo. – falou ainda no aparelho.
- Concordo. – disse também ainda no celular.
- Tchau.
- Tchau.
Desligamos e ela veio me abraçar.
- Oi, Edward. – cumprimentou divertida.
- Oi, Bella. – retribuí o abraço, sorrindo.
- Não vai me convidar para entrar? – levantou uma sobrancelha.
- Claro. – fiz uma reverência e ela passou fazendo graça.
- Ah! Eu também estava lendo esse livro! – apontou para um dos muitos livros que estavam em cima da mesa da sala.
- Nós compramos juntos. – lembrei, fechando a porta.
- Eu sei. – se esparramou no sofá. – Eu já disse que eu amo o seu sofá?
- Toda vez que você vem aqui. – falei me sentando ao seu lado.
- Então? – começou, me encarando de uma forma curiosa.
- Então o quê? – indaguei.
- O que anda passando por essa sua cabecinha? – puxou meu cabelo levemente e eu resmunguei um 'ai'.
- Não está passando nada pela minha cabecinha. – revirei os olhos para ela.
- Meu Deus! Ela é tão oca assim? – arregalou os olhos, fingindo espanto.
- Bella! – a repreendi rindo e a puxei para o meu colo. – Você anda muito saidinha para o meu gosto. – toquei a ponta de seu nariz.
-Você que anda muito sério. – mostrou a língua infantilmente.
- Olha que quem mostra a língua quer beijo. – ameacei.
Ela riu e mostrou a língua de novo.
- Ah é assim? – fiz cócegas nela que se retorceu no meu colo.
Depois de gargalhar, olhou para mim e mostrou a língua novamente. Sorri para ela.
- Vem cá. – disse e juntei meu rosto do dela. – Isso é para você aprender a não ser mais mal-criada. – sussurrei em seus lábios e os tomei em um beijo cheio de paixão.
Como senti falta do seu gosto. Como senti falta do seu calor. Da sua risada. Da sua presença.
Sentia falta dessas madrugadas improdutivas da gente. Nos afastamos muito nesses últimos meses.
- Me lembre de ser mal-criada mais vezes. – disse ofegante quando nos separamos. Sorri e lhe dei um beijo rápido nos lábios. – Eu trouxe uma coisa. – se levantou do meu colo e pegou a sua bolsa que estava caída no chão.
- O quê? – pedi curioso.
- Surpresa! – riu e tirou da bolsa o DVD do filme Tempo de Despertar.
- Ah não! – reclamei.
- Ninguém engana a Bellinha aqui e sai ileso. – declarou já se dirigindo ao aparelho de DVD e colocando o CD. – Aliás, o filme é muito bom!
- Tudo bem! Você venceu!
Bella sorriu vitoriosa e veio se sentar ao meu lado no sofá, se aconchegando no meu peito.
- Só não dorme. – murmurei em seus cabelos, risonho.
- Cala a boca que vai começar. – reclamou.
Ri baixo e voltei a minha atenção ao tão maravilhoso filme.
4:30 a.m.
Bella tentava enxugar as lágrimas que caiam. Ela chorou praticamente o filme inteiro.
- É um bebê. – brinquei, acariciando os seus cabelos.
- O filme não é lindo? – indagou ainda teimando com as lágrimas.
- É sim. Eu me rendo. – levantei os meus braços em sinal de rendimento. Ela riu. – Passou? – perguntei.
- Passou. – respirou fundo. – Que horas são?
- Quatro e meia da manhã passada. – respondi, olhando o meu relógio.
- Ainda bem que a gente só começa a trabalhar a meia-noite. – se levantou e tirou o CD do aparelho. – Você ainda tira fotos? – perguntou quando viu a minha câmera em cima da estante.
- Não muito. – dei de ombros. – Não tenho mais tempo.
- Você tirava fotos muito boas! – elogiou. – Olha essas aqui! Foi você que tirou, não foi? – mostrou os porta-retratos com fotos da minha família.
Levantei rápido e fui até lá.
- Sim, sim. – tirei o retrato de meu pai de sua mão rapidamente e peguei sua mão antes que ela perguntasse alguma coisa. – Te lembra dessa aqui? – mostrei a que estava ela rindo e toda lambuzada de sorvete. – Foi naquela viagem para a...
- Califórnia. – me completou. Assenti. – Eu estou terrível! Olha só! Eu ainda era loira! Credo, Edward! Muda de foto! – fez careta.
- Mas eu gosto dessa! – retruquei rindo.
- Mas eu não! – pegou a câmera e me deu. – Toma. Tira outra.
- Agora?
- É! Daí você tem uma foto mais decente minha para por aí.
Tirei uma foto.
- Hey! – reclamou. – Eu tenho que fazer pose, né? – colocou as mãos na cintura, séria.
- Ah é? – cutuquei a sua barriga, a fazendo rir e dar um pulo para trás. – Tem quer fazer pose, é? – cutuquei de novo e quando ela ria, eu batia as fotos.
Bella começou a fazer caretas, andando pela casa e eu fui batendo fotos. Ela fazia pose, gargalhava, se escondia e eu lá disparando a câmera.
- Vem cá. – me puxou pela camisa e roubou a máquina das minhas mãos. – Eu e você agora. – me beijou no rosto e tirou a foto.
Estávamos na varanda da minha cobertura e eu a levei até a sacada e mostrei o céu.
- Já vai nascer o sol. – apontei.
- Eu tinha me esquecido como aqui é lindo. – murmurou maravilhada.
Aproveitei a sua distração e coloquei a câmera de modo que a pegasse junto com o sol que surgia. Coloquei para bater automático.
- Não se mexa. – sibilei para ela, envolvendo a sua cintura a fazendo ficar de frente para mim.
Ela apenas sorriu, envolvendo a minha também e me permiti me perder naquele mar de chocolates que eram seus olhos.
Logo o alaranjado do céu antes escuro iluminou os nossos rostos e nesse momento me senti aquecer por dentro.
- Já posso me mexer agora? – sua voz saiu baixa. Olhei rapidamente para a máquina e vi que já havia tirado a foto.
- Pode.
Ela se aproximou e colou seus lábios nos meus.
O beijo era calmo e doce. Explorávamos um a boca do outro em um movimento lento. Era como se estivéssemos nos apaixonando novamente.
Quando nos afastamos, encostamos nossas testas. Bella fechou seus olhos e eu fechei os meus também.
Não sei quanto tempo ficamos assim, mas sei que, depois de tanto tempo, eu consegui preencher aquele vazio já permanente em meu peito.
Era como se todo o meu passado conturbado e escondido e todos os problemas que vieram à tona nesses últimos meses não existissem.
Ela era o meu tudo.
Não falamos mais nada. Me detive em espalhar beijos pela sua face, pescoço, colo, boca... Sentia as suas pequenas mãos afagando o meu cabelo, as minhas costas.
(Nc-17 a seguir. Se você não quiser ler, tudo bem. É só passar para o aviso de que acabou a cena. Garanto que não irá interferir na história se não for lida essa parte.).
Nossos olhares se fixaram um no outro e, sem desviá-los, a peguei no colo e fui me encaminhando para o meu quarto. A deitei delicadamente no colchão macio e comecei a beijá-la com devoção.
Suas mãos foram para dentro da minha camiseta e tremi com seu toque quente. Meus lábios percorreram um caminho do seu pescoço a sua barriga. Levantei a sua blusa até os seios e continuei a depositar beijos ali.
Ela tirou a minha camiseta e não pude deixar de notar quando mordeu seus lábios e seus olhos brilharam. Sorri com isso e a levantei junto ao meu corpo.
Ficamos ajoelhados no centro da cama e tomamos um os lábios do outro em um beijo urgente. Tirei sua blusa e suas mãos foram para o cós da minha calça.
- Senti tanta falta de você... - falei no pé de seu ouvido. A senti estremecer e fiz o mesmo quando ela mordeu o lóbulo de minha orelha.
Nossos corpos estavam próximos demais e o cheiro doce de sua pele me deixava louco.
Nos livramos de nossas calças nos afastando o mínimo e sem nunca quebrar o olhar. Me separei dela para a admirar apenas nas suas roupas íntimas.
- Tão linda...
Bella sorriu e me puxou contra si, fazendo com que eu deitasse sobre ela.
- Tão perfeita... – continuei, minha voz rouca e minhas mãos passeando pelo seu corpo.
- Tão sua... – declarou antes de colocar seus lábios nos meus. Minha. Gostei do som dessa palavra.
Mordisquei de leve o seu maxilar e a ouvi gemer baixinho. Sorri comigo mesmo e comecei a trilhar beijos do maxilar, passando pelo seu pescoço, o vão entre os seus seios, chegando até o seu ventre. Retirei sua calcinha e Bella envolveu a minha cintura com as pernas. Meu corpo tremeu de prazer e desejo.
- Eu também senti muito a sua falta... – falou e retirou a minha boxer preta.
Nossos corpos se uniram o máximo que podia e não podia e nossas bocas se devoraram em uma sincronia completa. Sentir as suas mãos explorando o meu corpo era algo inenarrável.
A minha intimidade tocou na sua. Seu corpo arqueou sob o meu.
- Edward... – clamou. Entendi e em um gesto breve coloquei a camisinha para em seguida tomar seus lábios com paixão e suas mãos acariciavam o meu corpo. Deslizei para dentro dela e depois disso, tudo o que se ouvia eram as nossas palavras desconexas e nossas respirações ofegantes. Nossos corpos se encaixavam em um movimento perfeito, em uma dança sem igual. Era apenas nós dois e o resto do mundo não fazia mais sentido nenhum. O meu tudo estava aqui, comigo, em um só corpo.
Chegamos ao clímax juntos e me deliciei ao vê-la fechando os olhos e chamando meu nome. Me deixei cair ao seu lado. O nosso peito subia e descia denunciando as nossas respirações descompassadas.
(Acabou a Nc-17 =D)
Bella se arrastou até mim e se aconchegou nos meus braços.
- Me promete uma coisa? – perguntou, beijando o meu pescoço.
- Qualquer coisa. – sorri.
- Promete que nunca mais vamos nos afastar um do outro? – se ergueu para me encarar. – Eu não digo só nesse sentido. – riu e eu ri junto. – Mas em todos os outros também. – tocou meu rosto e eu fechei meus olhos para apreciar o carinho. – Eu não posso mais te deixar tão sozinho. Eu sei que você precisa de mim e eu preciso de você.
Não respondi. Dei-lhe o meu mais sincero sorriso e a coloquei sobre mim.
- Prometo. – disse por fim e a beijei profundamente.
E mais uma vez, os nossos corpos se uniram um com o outro.
7:30 a.m
Acordei com Bella abraçada em mim. Acariciei seus longos cabelos castanhos e admirei a sua face tranqüila e adormecida.
Como eu a amo... Nossa, chega a doer.
Por muito tempo ela foi tudo para mim. O centro da minha vida. Porém as coisas começaram a ficar complicadas...
As crises de TOC dela, a sua mania de fugir de tudo, o meu medo de demonstrar realmente todo o meu amor, as barreiras que construímos com os anos sem nem sequer perceber. Tudo conspirou contra nós.
Agora as histórias da minha família vieram me assombrar de novo e mais uma vez me deixei afastar da minha Bella. Não poderia deixar isso acontecer.
Não posso perder mais uma pessoa que eu amo...
Balancei minha cabeça para espantar esses pensamentos e me levantei da cama, ajeitando Bella nos lençóis. Vesti a minha boxer e me dirigi à janela grande que dava para a varanda. Vi que câmera ainda estava lá e a peguei, começando a olhar a fotos.
Bella POV.
Já era quase oito da manhã quando despertei.
Passei minha mão no outro lado da cama, mas não encontrei Edward. Saí da cama, vesti uma calcinha e coloquei a camiseta preta dele que estava jogada no chão.
Segui para a sala e me deparei com ele de costas, olhando a cidade através da janela que dava para varanda. Sorri e me aproximei, o abraçando por trás e beijando a sua nuca.
- Bom dia... – desejei.
- Bom dia, Bella. – se virou para mim e enlaçou a minha cintura. – Você fica linda com a minha camiseta. – me deu um beijo rápido nos lábios.
- Eu estava pensando em roubar ela para mim. – brinquei. Ele riu, porém notei que algo estava errado. – Edward, está tudo bem? – pedi, fazendo carinhos no seu braço que ainda me envolvia.
- Claro. – afirmou. Não me convenceu. – Vem, vamos tomar café da manhã... – pegou minha mão e começou a me dirigir para a cozinha. Parei no meio do caminho.
- Edward. – ele parou também e virou-se para mim. – Você está com problemas e precisa se abrir. Pare de se esconder! Eu fiz por muito tempo e você sabe muito bem o quanto mal eu fiquei.
- É complicado demais... – passou a mão que não estava na minha nos cabelos.
- Se queremos que esse relacionamento comece a funcionar realmente, nós vamos ter que aprender a lidar com os problemas juntos. – nossa! Me senti a própria Ângela falando!
Pareceu funcionar. Edward suspirou e me encarou sério.
- Vem... – me levou até o sofá da sala e se sentou ao meu lado. – Espero que você tenha tempo... É uma longa história.
- Sou toda sua. – literalmente, completei mentalmente.
- Bem, acho que para entender toda a história, você precisa saber de algumas verdades sobre o meu passado que eu nunca contei para ninguém. – começou.
- Verdades? – pedi confusa.
- Lembra da minha mãe que vivia em Londres e do meu pai que me criou junto com a minha irmã mais velha, porque eles se divorciaram quando eu ainda era muito pequeno? – concordei com a cabeça. – Bom, os meus pais nunca foram divorciados. – continuou.
- E porque exatamente você mentira sobre isso? – cada vez entendia menos o que ele falava.
Ele tomou ar demoradamente e fechou os olhos. Parecia tomar coragem para contar alguma coisa muito ruim. Segurei a sua mão para mostrar que eu estava ali.
- Quando eu conheci você e o Jasper na faculdade, fazia cinco anos que a minha irmã mais velha, a Sherry, havia morrido. – abriu os olhos e eu arregalei os olhos assustada. – Sim, eu sei que eu sempre disse que ainda viva lá no Canadá com o meu pai, mas é que eu fiquei com medo de contar para vocês a verdade e eu também pensei que se eu inventasse uma nova vida, a morte da minha irmã e o impacto que isso causou na minha família poderiam ser esquecidos.
- Mas não foram. – afirmei com a voz baixa. Eu entendo dessa coisa de inventar uma história para esquecer outra.
- Não. – apertou a minha mão. – Bella, a Sherry se matou quando eu tinha quinze anos de idade. Ela era uma jovem de vinte anos na época e sempre foi muito inconseqüente, muito mimada e fazia só o que queria. Ela dependia demais dos outros para fazerem tudo para ela... Daí o namorado dela terminou o namoro e ela resolveu acabar com a própria vida, porque não aceitou o término. – contou. – Meu pai, Peter, se culpou por ela ter feito isso, pois garante que não foi um bom pai e não soube dar assistência à filha. Minha mãe, Esme, bem... – seus olhos começaram a encher de lágrimas e a sua voz ficar pesada. Acariciei sua mão. – Minha mãe... Ela enlouqueceu de uma forma que se fechou em um atelier de pintura e passou os últimos anos só pintando quadros com o rosto da minha irmã. – enxugou uma lágrima que iria cair. – Faz dois anos que eu internei ela em uma clínica... Não tinha mais como cuidar dela, já que o meu pai desistiu de ajudá-la. Eu não podia voltar para o Canadá, eu tenho que me formar e eu montei toda uma vida aqui. – ele parecia tentar convencer a si mesmo. – Essa é a minha verdadeira história, Bella. Esse é o meu passado.
- Está tudo bem, Edward. Vai ficar tudo bem. – garanti.
- O pior de tudo é que quando o meu pai disse que não iria mais cuidar de Esme, eu fiquei com tanta raiva dele por estar atrapalhando a minha vida, por não se preocupar com o meu futuro, por largar ela sozinha que eu briguei feio com ele. – agora as lágrimas caiam e Edward nem se preocupava em limpá-las. – Faz dois anos que eu não falo com o meu pai. Mal lembrava que um dia tive um. Só que faz seis meses que me ligaram e era um tal de Carlisle... Sabe quem ele é? – meu coração ia ficando cada vez menor à medida que o desespero em sua voz ia aumentando. – É o novo namorado de minha mãe. Ele é médico da clinica que ela estava e agora eles estão morando juntos agora. Disse que a minha mãe está bem melhor...
- E isso não é bom? – tentei mostrar um lado positivo.
- É. – deu de ombros. – Eu também não falava muito com ela. Como pode ver: não sou um bom filho. – riu sem humor.
- Não fale assim.
- A minha mãe enlouqueceu, o meu pai a largou e eu a internei em uma clinica. Parei de falar com meu pai, porque ele atrapalhou a minha vida e nem pensei no que ela poderia estar passando. Agora ela está bem, porém o novo namorado dela, que cuida dela muito melhor do que eu cuidei algum dia, me liga informando que Esme está bem, mas Peter está sendo cuidado por eles, porque faz quatro anos que ele começou a desenvolver Alzheimer² e esta incapaz de se cuidar! – sua voz era alta. – Não, Bella! Definitivamente eu NÃO SOU um bom filho. – berrou por último. Fiquei parada, pasma, o olhando. Soltou minha mão e se levantando, chorando.
- Desculpa. – disse, depois de se acalmar. – Desculpa. – voltou a sentar na minha frente e pegar minhas mãos.
- Está tudo bem. – o abracei, senti a camiseta dele que estava usando ser molhada por suas lágrimas. – Calma, vai dar tudo certo. – alisei seus cabelos.
- Eu não cuidei deles, Bella. – soluçava, agarrado a mim. – Eu os deixei ficarem assim, eu não fui um bom filho, eu os abandonei. – apertei mais o abraço. – Eu sou um cafajeste, eu não presto.
- Para com isso! – repreendi, me afastando e segurando seu rosto firmemente entre minhas mãos. – Todos nós erramos, Edward. Isso não nos faz pessoas melhores ou piores. Isso nos faz sermos humanos. – mantive meu olhar no dele. – Eu já errei demais também e sei o quanto é difícil voltar atrás e recomeçar, mas todos nós podemos. E nós vamos enfrentar isso juntos. – prometi. – Você não está mais sozinho. – retirei minhas mãos de sua face. – E me desculpa por ter te deixado ficar só.
Comecei a chorar também e Edward me abraçou fortemente.
Ficamos assim, um nos braços do outro, chorando por algum tempo. Choramos pelo passado, pelos nossos erros, pelos outros. Choramos por nós mesmos.
Edward POV.
10:00 a.m.
Havíamos terminado o nosso café da manhã e estávamos andando pelas ruas de mãos dadas. Iríamos revelar as fotos que tiramos.
Me sentia mais leve e até menos triste. Sem dúvidas não me sentia mais sozinho.
Tudo porque revelei tudo para Bella e ela me apoiava.
As fotos não demoraram a ficarem prontas.
- Meu Deus do céu! – exclamou. – Olha a minha careta! – riu e me encantei com o som.
- Você está linda. – ela me olhou séria. – Sério mesmo. – ri.
Seguimos para minha casa. Quando entramos, ela correu para a estante onde estavam os porta-retratos e pegou o que estava a sua foto tomando sorvete. Abriu e retirou-a.
- Agora vamos colocar algo que preste aqui. – declarou e roubou o envelope com as fotos novas de mim. – Não olha! – virou-se de costas.
- Eu não posso nem escolher a foto? – indaguei manhoso.
- Não! – respondeu perversa. – Deu!
Me aproximei e vi a foto escolhida. Era a de nós dois nos olhando, durante o pôr-do-sol. Sorri e a abracei por trás, encaixando o meu queixo no seu ombro, admirando o retrato.
- Boa escolha. – elogiei.
- Agora você não tem apenas uma foto minha, mas nossa. – disse, encostando a cabeça em mim.
- Obrigada por isso. – disse a virando de frente para mim.
- Obrigada você.
E nos beijamos de uma forma tão cheia de amor e companheirismo que nada mais me preocupava, enquanto Bella estivesse comigo.
"Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo... Isto é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar...Isto é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que
a
gente se impõe, às vezes,
para realinhar os pensamentos... Isto
é equilíbrio.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida... Isto é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto é circunstância.
Solidão é muito mais do que isto.
Solidão é
quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa
alma..." – Chico Buarque de Holanda.
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¹ : Tempo de Desperta: Filme estrelado por Robert De Niro e Robin Williams em 1990. Sinopse: Inspirado em fatos reais e baseado nas experiências do médico Oliver Sacks para encontrar a cura da encefalite letárgica, também conhecida como doença do sono. O ponto de partida é Leonard Lowe, que passou trinta anos adormecido.
² : Alzheimer ou Mal de Alzheimer: Doença que acomete inicialmente a parte de memória no cérebro, fazendo com os portadores de Alzheimer esqueçam de lembranças, pessoas e coisas. Ainda não existe cura, mas já existem drogas que tentam retardar a evolução da doença. Afeta todos os grupos da sociedade, não tendo influência a classe social, o sexo, o grupo étnico ou a localização geográfica. Embora seja mais comum em pessoas idosas, também as pessoas jovens podem ser afetadas. (fonte: abraz. com . br )
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Olá,pessoa!
Então? Gostaram do capítulo completamente apenas o nosso casal preferido? E o passado do Edward? Entenderam o porque que ele andou se fechando para o mundo?
Bem, tenho algumas coisinhas para comentar sobre a história:
Não se preocupem: a Ângela já vai dar as caras novamente. No próximo capitulo ela voltará para a nossa alegria.
Eu coloquei o verdadeiro pai do Edward com o nome de Peter, porque eu não queria fazer o nosso Carlisle estar doente e muito menos separado da Esme.
Logo,logo a vida da Bella terá um reviravolta GIGANTESCA.
É o que eu posso apurar! ^^
Respondendo reviews:
Sunshine: Obrigada por sempre acompanhar,querida! Beijos!
O resto respondido por e-mail! =D
Muito obrigada a todos que dedicam seu tempo lendo isso aqui.
Mil beijos,
Isa
