Capítulo 10

Os primeiros dias de Novembro estavam chegando, e o clima já estava esfriando bem. A Armada de Dumbledore vinha sendo bastante procurada por mestiços que queriam fugir do castelo, e até alguns sangue-puros, que eram castigados por serem traidores do próprio sangue. O maior desafio da A.D. atualmente era achar um meio novo de fuga. Se esperassem até o Natal, o número de alunos que debandariam seria enorme... talvez alguns não aguentassem até lá. Além disso, a A.D. vinha sendo usada com cada vez mais freqüência como sala de enfermaria. Eram muito comuns nos últimos dias "missões de resgate". Aleto e Amico Carrow já não ligavam mais se alguém buscaria ou não os alunos castigados, e os deixavam na masmorra mesmo. Os membros da A.D. eram constantemente chamados para resgatar alunos das masmorras. Desde que grupos de três ou mais alunos foram proibidos, a Armada de Dumbledore não recebeu mais novos recrutas. O que era compreensível, pois ninguém queria arriscar mais um motivo para ficar de detenção. Mas os membros atuais faziam o que podiam, e ninguém abandou o grupo, o que os uniu ainda mais. E o grupo manter-se unido, não foi sem sacrifício. Todo dia, toda hora, tinha que ter alguém dentro da Sala Precisa para mantê-la segura dos Carrow. Por conseqüência, sempre tinha alguém que teria que matar aula, pelo menos uma vez a cada duas semanas de acordo com o rodízio que eles criaram. Matar aula era sinônimo de castigo. Alguns sofriam mais que outros, mas ninguém reclamava. Manter a A.D. viva era mais importante. Gina nunca se sentiu tão à vontade com um grupo de pessoas, um grupo de amigos, como nessa atual formação da A.D. Quando Rony, Hermione e Harry lideravam o grupo, Gina sentia que o grupo era mais um grupo de estudos mesmo, e alguns dos membros estavam lá só para se aproximar mais de Harry. Dessa vez não. Dessa vez eles eram um grupo de resistência a um poder dominador. Não era um grupo de luta, apesar de alguns acharem que estavam lá só no aguardo de Harry Potter, para serem seus soldados. Gina não pensava assim. Eles não estavam lá para serem soldados, eles estavam ali para se ajudarem, e para provarem para os Carrow que não é qualquer um que pode tomar o castelo. Hogwarts era dos alunos, e ele reagiriam.

Gina, Neville e Luna decidiram que tentariam sim roubar a espada de Gryffindor da sala do diretor. Cada um por seus motivos. Neville a queria, pois achou que poderia ser importante na missão de Harry; Gina pelo valor sentimental pessoal, e pela honra da Grifinória; Luna... bem, Luna não tinha um motivo muito sólido. Ela simplesmente queria ajudar os amigos. Talvez Luna quisesse alguma forma de "vingança". Nas últimas semanas, mais ou menos quando Aleto "desistiu" de Gina, a professora começou a perseguir Luna. A amiga não gostava de falar muito sobre o que sofria nos castigos, mas a própria Gina já tinha ajudado a amiga algumas vezes, e sabia que ela vinha sofrendo muito. Luna chegou a falar que o assunto durante esses castigos era O Pasquim, o jornal de seu pai. Xenofílio Lovegood vinha publicando em suas edições palavras de apoio a Harry Potter. É lógico que os comensais da morte não estavam gostando nem um pouco, e qualquer indicação do paradeiro de Harry era investigado com muito afinco.

Naquela noite, os três invadiriam a sala do diretor. Os três se prepararam psicologicamente o dia todo para o que talvez fosse o pior castigo que sofreriam até o momento. Se fossem pegos, castigo à toa. Se não fossem pegos, Severo Snape saberia com certeza quem eram os responsáveis pelo feito. Conclusão: castigo. Se bem que Snape tinha sido até que "bonzinho" com seus castigos. Ele não tinha o senso de humor perverso dos Carrow, e parecia muito ocupado ultimamente. Dava para ver que ser diretor de Hogwarts era só um disfarce, pois ele quase não ficava no castelo, e sua cabeça não estava mesmo nos acontecimentos da escola. Tanto que quase não se envolvia com os castigos. Nem para ajudar, nem para atrapalhar. E quando um aluno era mandado para sua sala, o máximo que Snape fazia era humilhá-lo com palavras, nunca ergueu a varinha para um aluno. Gina não conseguia entender essas atitudes, mas quem era ela para reclamar.

— Bom, não adianta nada a gente ficar aqui olhando um pra cara do outro... Vamos nessa. – Neville disse levantando-se, encorajando Gina e Luna a fazerem o mesmo.

— Vocês vão mesmo fazer isso? – Simas perguntou. Ele estava de "plantão" na Sala Precisa no momento.

— É claro! – Neville respondeu enfático. – Aquela espada é nossa! O Snape não tem nenhum direito sobre ela...

Simas abriu a boca para dizer algo, mas desistiu. Balançou a cabeça de um lado para o outro, suspirou, e olhou para Gina com um sorriso.

— Volta inteira para mim, viu? Eu não vou agüentar de saudades se você não voltar.

— Pode deixar, benzinho. – Gina sorriu de leve. Era bom Simas aliviar a tensão com brincadeiras, mas ela não estava muito no clima. Gina estava um pouco nervosa.

— Eu sonhei com Harry essa noite. – Luna disse como se o assunto fosse sonhos o tempo todo, nem percebeu a mudança brusca. – Ele corria muito, e o seu cabelo caía. Ronald também estava lá, mas o seu cabelo era verde...

Gina olhou para Simas e Neville. Nenhum dos dois quis arriscar dizer nada.

— Bem, eu não faço Adivinhações, então não tenho idéia do que isso pode querer dizer, Luna. Mas acho melhor a gente não se preocupar com isso agora. Vamos? – Gina estendeu a mão para Luna, que pegou a mão da amiga, e as duas saíram de mãos dadas, Neville logo atrás.

— Bom, a gente vai junto, evita monitores, o Filch e o Peeves. Se um deles aparecer, cada um vai para um lado para despistar, mas tentamos os três chegar à sala do Snape mesmo assim. Ouvi dizer que ele não tá no castelo hoje, mas nunca se sabe... – Neville disse enquanto caminhavam.

— Se ele não estiver, vai ser mais difícil convencer a gárgula a nos deixar entrar. – lembrou Luna.

— Quando chegarmos lá, a gente vê. – Gina concluiu, e os três se mantiveram em silêncio.

Não passava ainda do horário do toque de recolher, então teoricamente, eles poderiam estar no corredor naquele momento. Mas estavam em três pessoas, e isso poderia ser um problema. Ainda mais sendo eles três. Filch estava adorando a nova política de castigo dos Carrow, e não podia ver três pessoas juntas, que já as acusavam de ser um grupo, para entregá-las aos Carrow. Eles decidiram que chegariam à sala do diretor perto do toque de recolher, entrariam na sala, e lá ficariam por um tempo. Snape não era visto no castelo há três dias, então eles suspeitavam que o diretor estivesse fora, o que era muito comum ultimamente. Seria bom para matarem tempo, e só sairiam bem tarde, para evitar que fossem vistos com a espada na mão. Se Snape estivesse na sala, eles teriam que tentar enrolá-lo. Dois deles tentariam prender sua atenção, enquanto o outro enfeitiçava a espada, ou algo assim. Seria na base do improviso. Se tudo mais falhasse, voltariam outro dia em que Snape estivesse fora.

Ao chegaram à gárgula em frente à sala, respiraram aliviados por não terem passado por ninguém que achasse estranho os três andando juntos. Apenas alguns outros alunos voltando para suas salas comunais.

— A gente precisa falar com o diretor. – Neville disse à gárgula que guarda a porta da sala do diretor.

A estátua nem abriu o olho.

— Ué... – Gina disse, passando a mão na gárgula. – É impressão minha, ou ela está inanimada?

Neville e Luna também não tinham explicações. Neville tentou forçar a porta, mas ela não cedia. Luna tentou alguns feitiços, também em vão. Gina olhou em volta e avistou um quadro com o fundo verde escuro, lembrando uma floresta. No centro, havia uma mulher voluptuosa, de cabelos compridos e escuros. Suas vestes eram amarelas, e suas bochechas rosadas. Ela observava o trio em silêncio.

— O que aconteceu com a gárgula? – Gina perguntou para a moça no quadro. Neville e Luna prestaram atenção na conversa.

— O diretor a enfeitiçou. – o quadro respondeu simplesmente.

— Como assim? – Luna perguntou aproximando-se da mulher.

— A gárgula se rebelava muitas vezes. Em várias ocasiões não deixava o diretor entrar na própria sala... ele a petrificou.

— Como é seu nome? – Gina manteve conversa, sorrindo para ela. – Você me parece familiar.

— Chamo-me Violeta. Já vi vocês antes. Especialmente vocês dois. – Violeta apontou para Gina e Harry. – Sou muito amiga de Pérola.

Era para Gina conhecer Pérola? Ela não tinha idéia de quem Violeta estava falando. A moça do quadro deve ter percebido a dúvida no rosto deles, pois resolveu esclarecer:

— A guardiã da Torre da Grifinória...

— Ah! – Neville reconheceu, mas nenhum dos dois quis dizer para ela que só conheciam Pérola por "Mulher Gorda". – E você sabe dizer como podemos entrar na sala do diretor?

— Acho que ele não está na sala... – Violeta disse em tom de suspeita.

— A gente arrisca. – Gina disse. – Precisamos muito falar com ele... se ele não estiver, a gente sai e procura por ele.

— Eu não falaria isso para qualquer um, mas nós quadros sabemos que tem algo errado acontecendo no castelo. Alguns de nós têm visto coisas horríveis acontecendo, e Pérola sempre se gaba de vocês serem da casa dela, e que não estão aceitando quietos esse novo sistema. Sendo assim, eu vou ajudá-los.

— Muito obrigada, Srta Violeta. – Neville sorriu para a moça, que abaixou os olhos tímida, e as bochechas coraram ainda mais.

— Da última vez que o diretor Snape esteve aqui, ele usou a senha "semper pugnare". Mesmo com a gárgula parada, ela saiu da frente, e as paredes abriram.

Luna fez como instruído, e eles conseguiram acesso à sala do diretor, que de fato estava vazia. A espada de Gryffindor continuava em sua redoma de vidro.

— E aí? Quem vai? – Luna perguntou, inclinando a cabeça na direção da espada.

— Eu vou! – Gina disse se encaminhando.

Gina pegou a espada sem problema algum, e ficou até meio decepcionada por não ter tido trabalho. Ela já teve que fazer mil coisas diferentes para conseguir pegar algo do quarto de Fred e Jorge enquanto crescia. Foi meio anticlimático.

— A gente fica ou a gente espera? – Neville perguntou olhando para a porta.

— Acho melhor a gente ir logo... vai que o Snape volta. – Gina disse. A verdade é que a menina era um pouco impaciente, e ficar sentada sem fazer nada, esperando os minutos passarem não lhe apetecia muito.

— Então vamos. – Luna concordou.

Gina deveria saber que tinha sido fácil demais pegar a espada. Afinal de contas, ela era irmã de Fred e Jorge. Ela deveria saber, mas como não se preparou para isso, foi pega totalmente de surpresa quando, ao sair da torre e colocar os dois pés no chão, não conseguiu dar mais um passo. Seus pés pareciam colados. E além dos pés, toda ela estava imóvel, não conseguia mexer um fio de cabelo. E ao mesmo tempo em que se deu conta disso, ouviu um barulho ensurdecedor de sirene.

— Feitiço antiladrão... – Neville sussurrou.

— Com alarme... – Luna completou.

— O que vocês estão fazendo aqui ainda? Corram! – Gina disse alarmada, querendo que os amigos saíssem logo dali. Não tinha porque os três pagarem por aquilo, se só um poderia fazê-lo.

— Acho que é tarde demais. – Neville apontou para frente. No final do corredor, já se podia ver alguns bruxos se aproximando deles. – Quem tá no fogo, tem que estar preparado para se queimar...

— Além de tudo, são ladrões! – Amico Carrow chegou primeiro, mas se aproximando também, Gina podia ver a professora McGonagall, Filch, Aleto Carrow. Como essas pessoas conseguiam chegar tão rápido à cena do crime, era um mistério. Parecia que o castelo tinha atalhos só para professores. Gina não duvidava.

— Vocês vivem nos dando ótimas oportunidades! – Aleto ria irônica. – Castigo é pouco para o que vai acontecer com vocês. Eu diria até que vocês deveriam ser expulsos, mas por serem sangue-puros, não podemos diminuir ainda mais nossos números... mas vocês vão pegar muuuuuitas detenções por isso.

Gina quis olhar para os amigos, mas só conseguia mover os olhos, e não a cabeça inteira. Agora estavam numa fria mesmo.

— A pessoa lesada fui eu, quem deve lidar com eles sou eu... – Gina nunca esteve tão feliz ao ouvir aquela voz oleosa insuportável. Ela sabia que era Snape que tinha descido pela torre do diretor, mas de onde ele veio? Ele não estava na sala há minutos atrás, e de repente apareceu... Com um balançar de varinha, o diretor suspendeu os feitiços, e Gina pôde mover-se novamente. Ao olhar para Snape, reparou que ele ainda estava com capa de viagem e casaco. Estava vestido demais para quem estava dentro do castelo. Ele deve ter acabado de chegar a Hogwarts, e a única opção era a lareira dentro da sala do diretor. Gina voltou a atenção à conversa dos docentes quando ouviu Aleto rir.

— Tenho certeza que você os castigará muito bem. – a professora disse, dando as costas para a cena. – Eu tenho mais o que fazer.

Todos se retiraram, exceto McGonagall e Snape. A professora parecia nervosa, e seus lábios quase não apareciam, de tão franzido que estavam.

— Talvez seja melhor eu repreendê-los. – disse Minerva. – Você acabou de chegar ao castelo, não precisa lidar com isso.

— Eles nem são todos da sua casa, Minerva. Eu disse que lidaria com isso, e vou. A autoridade máxima aqui sou eu!

Minerva assentiu com a cabeça, e parecia engolir as palavras que queria dizer ao diretor. Olhou para os alunos sem transparecer nenhuma emoção especificamente, deu meia volta e os deixou a sós.

— Quero os três lá em cima. Essas paredes já ouviram demais... – Snape olhou insatisfeito para o quadro de Violeta, que baixou a cabeça, e saiu de sua moldura.

O diretor esperou os três passarem por ele. Gina foi a última, e ao passar por Snape, ele pegou a espada de sua mão, e carregou com ele. Chegando à sala, o diretor a colocou no lugar e voltou-se para os três.

— Eu não quero ouvir nada, então mantenham a matraca fechada. – Snape começou, voltando-se para os alunos. – Em outras épocas vocês seriam expulsos, mas eu tenho que manter as aparências. Hagrid, amanhã à noite, sairá do castelo para fazer algumas coisas para mim. Mas antes disso, quero que vocês três o procurem para sua detenção. Não me importo onde vai ser a detenção, se na Floresta Proibida, no quintal dele ou no Salgueiro Lutador. Procurem por ele, e ele cuidará de vocês. Só não dêem mancadas de novo. Não quero reclamações dos Carrow. Entendido? – E antes mesmo que eles pudessem concordar, estavam sendo arrastado pelos braços escadaria abaixo.

— É impressão minha, ou a gente escapou de um furto só com uma detenção com o Hagrid? – Neville sussurrou para as meninas depois que já estavam a uma certa distância da torre do diretor, e o choque passou um pouco.

— Melhor que isso... – Luna disse, contemplativa. – A gente escapou de um furto com uma possibilidade, não com um castigo. – Gina olhou para a amiga tentando entender o que ela queria dizer. – Duas coisas me chamaram a atenção no discurso de Snape. – Luna estava séria, e Gina tentou lembrar-se do que o diretor havia dito.

— Salgueiro Lutador, e Hagrid saindo do castelo... – Gina disse olhando para a amiga com um sorriso, e Luna assentiu.

— E se for uma armadilha? – Neville perguntou, desconfiando da súbita bondade de Snape.

— E se não for? – Luna retrucou.

— Estamos com poucas oportunidades, Nev. Acho que devemos tentar. Ele não teria falado para evitarmos erros e sermos pegos pelos Carrow. – Gina completou. – Acho que o Snape está disposto a fechar os olhos se não sobrar pra ele. Deve ser algo da Sonserina, porque Blásio me disse algo assim outro dia.

— Bom, então amanhã de manhã, é hora da gente se reunir. – Neville disse, enquanto marcava reunião no seu galeão falso. – Missão resgate, parte 2. – Ele disse enquanto sorria para as amigas. Talvez não ter conseguido a espada, daria a eles uma oportunidade de algo muito melhor...

Notas da Autora: E eu que achei que essa fic teria umas vinte mil palavras no máximo, que seria curtinha, bem... já estou encaminhando para uma fic média... Obrigada, como sempre aos meus ótimos reviewers. Lia Croft levantou ótimos pontos, e minha resposta foi enoooorme, desculpa por isso! ;) May Costa e João Paulo, não se preocupem, que eu sou uma H/G fiel, mas nem tudo são flores. É difícil manter um relacionamento à distância, e a Gina vai descobrir isso. Mas no final, tudo se acerta... quero ser fiel aos livros, lembra? Lari, obrigada por escrever.

Obrigada pelos reviews! Aguardo os próximos! Beijos!