Oi, oi povo!

Os problemas estão começando a aparecer...

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Carla Balsinha: oi, oi flor, minha Páscoa foi ótima e a sua?
Então, vou deixar sua teorias aflorarem, vamos ver no que vai dar... Muita coisa vai acontecer a partir de agora.
Aproveite o capítulo.

Guest: Obrigada por acompanhar a fic, não se preocupe a próxima será uma SS/HG.

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Lembre-se, comentar nunca é demais!

Bjs e boa leitura!


— Deveríamos nos reunir com os outros — disse Draco, com inapetência, enquanto observava sua esposa emergir do rio.

Ela quase não tinha descansado depois de sua sessão de amor antes de atirar-se outra vez na água. O loiro esteve menos disposto a mover-se e simplesmente se sentou em uma rocha e a tinha observado saltar na água fria. Agora seus olhos percorriam o corpo da esposa, enquanto ela corria para a margem, notando como o frio fez os mamilos ficarem eretos e como a água brilhava como diamantes sobre a pele com os últimos raios do moribundo sol.

Logo se tornou óbvio que, apesar do que tinham feito na noite anterior e um pouco antes, ela ainda era tímida diante dele. Não que Hermione cobrisse o corpo com as mãos, mas se movia rapidamente e tinha lhe dado às costas, enquanto rapidamente usava sua regata para secar-se. Privado da visão de seus generosos seios, Draco deixou que seus olhos caíssem sobre seu traseiro, enquanto ela colocava o tecido pelo corpo com movimentos rápidos. Seu olhar deslizou pelas arredondadas nádegas, recordando como eram macias em suas mãos, até que sumiram, quando a castanha enfiou o vestido pela cabeça.

Suspirou, decepcionado, quando o tecido azul pálido caiu como uma cortina, terminando com sua visão, mas sabia que provavelmente era melhor assim. Observá-la nua naqueles breves momentos tinha feito com que seu interesse retornasse, esticando seu pênis de forma extraordinária, e sabia que mais daquele espetáculo e teria levantado da rocha, caminhado até ela e dado motivos para lavar-se de novo.

Não que isso fosse uma má ideia, pensou draco, mas estava escurecendo e tinha fome de comida. Realmente deviam retornar com os outros antes que enviassem uma patrulha atrás deles.

O acampamento já devia estar montado e estariam preparando o jantar. Além disso, sempre podia tomá-la mais tarde, na comodidade e privacidade de sua tenda. Ali, ao ar livre, a privacidade era algo incerto. Qualquer um de seus homens poderia ter encontrado com eles em sua busca de caça para o jantar ou de um lugar para suas necessidades.

Um murmúrio de Hermione fez com que o loiro olhasse para ela e franziu o cenho ao vê-la mover-se entre as árvores. Ia chamá-la para que retornassem, quando compreendeu que disse algo sobre ocupar-se de seus assuntos pessoais. Notou que estava procurando um lugar para aliviar-se e só a chamou para dizer que não se afastasse. Desceu da rocha e mergulhou. Somente tocar a água fria do rio encarregou-se da incipiente ereção que surgiu ao observar sua esposa. Secou-se e começou a vestir-se. Acabava de amarrar os calções quando compreendeu que também tinha que aliviar-se.

Deteve-se e olhou ao seu redor. Não estava preocupado com sua privacidade. Temia envergonhar sua jovem esposa, se por acaso a encontrasse entre as árvores. Encolheu os ombros e se dirigiu a um local com matagais que se erguiam ao fundo da clareira, próximo a um pequeno penhasco. Acabava de cuidar de suas necessidades e começava a amarrar seus calções quando ouviu um ligeiro som arrastado que parecia vir de cima. Detendo-se, levantou a cabeça. Não podia ver nada exceto a parede do pequeno penhasco daquele ângulo, assim começou a dar passos para trás e logo inspirou alarmado e se deu meia volta para começar a correr quando uma pedra rolou do alto do penhasco e se dirigia velozmente para ele.

Não foi suficientemente rápido. Embora conseguisse evitar que a grande rocha o golpeasse diretamente na cabeça, mesmo assim atingiu seu ombro. Grunhiu de dor quando e logo voltou a grunhir quando caiu e bateu a cabeça em algo duro.

*.*.*.*.*

Nervosa pela ideia de que alguém encontrasse com ela em um momento tão privado, Hermione demorou bastante tempo para escolher um lugar. Também se afastou um pouco mais no bosque do que normalmente teria feito. Mas não preocupou-se porque somente teria que seguir o som da cascata para encontrar o caminho de volta, assim não se perderia. De qualquer forma, quando acabou e começou a voltar estava certa de que Draco já estaria vestido e esperando impaciente seu retorno. Uma desculpa tremia na ponta da língua quando entrou na clareira, mas morreu quando ouviu um ruído surdo e viu seu marido olhando para o penhasco que se erguia diante dele. Seguiu seu olhar e arregalou os olhos alarmada quando viu uma pedra rolar para ele.

Pensou ter avistado uma figura desaparecendo entre as árvores acima do penhasco, mas prestou pouca atenção nisso. Sua preocupação estava com seu marido quando viu que a rocha caía, golpeando-o no ombro e fazendo-o cair no chão.

Soltando um grito, correu velozmente para a clareira para ajoelhar-se ao seu lado e observar seu corpo imóvel. Estava de bruços, somente de calças e a primeira ferida que viu foi a de seu ombro e parte superior do braço. A pedra havia esfolado a pele e sabia que na manhã seguinte estaria dolorido, intumescido e arroxeado, mas estava mais preocupada com o sangue que surgia de um lado da têmpora.

Podia ver uma pedra de bom tamanho se sobressair por baixo de sua cabeça e amaldiçoou, ao compreender que bateu a cabeça com a pedra quando caiu, para piorar as coisas.

Hermione virou o corpo do loiro e o esforço foi suficiente para deixá-la sem fôlego quando conseguiu. Na verdade seu marido era um homem grande, e inerte como estava, mudá-lo de posição foi difícil. Mas conseguiu fazê-lo e se inclinou para frente para observar a ferida da cabeça. Não parecia tão ruim. De qualquer forma, as feridas na cabeça eram enganosas e o fato de que todas as sacudidelas e empurrões que tinha dado para virá-lo não o tivessem despertado era algo perturbador.

Com a preocupação franzindo o cenho, sentou-se e percorreu com o olhar a clareira. Então voltou a ficar de pé e se apressou a pegar sua regata, que estava presa a sela de seu cavalo. Draco devia tê-la posto aí. Quando foi procurar um local para se aliviar, deixou-a no chão com a intenção de recolhê-la quando retornasse. Levou a roupa até a margem da água e rapidamente a umedeceu no rio antes de retornar rapidamente para seu marido.

Limpou o sangue e entrecerrou os olhos ao ver a ferida que se sobressaia. Na realidade, não era muito profunda e não parecia muito séria depois de limpa, mas aquilo não a fazia preocupar-se menos. Feridas na cabeça era um assunto sério e ainda não dava sinais de despertar. Manteve o tecido frio e úmido sobre sua fronte e o chamou pelo nome, mas não se moveu. Depois de repetir ambas as ações muitas vezes, finalmente se sentou e olhou ao redor outra vez.

O sol estava se pondo, o dia ia embora e a clareira que tinha sido tão clara e ensolarada quando tinham chegado estava se tornando cheia de sombras, o que a fazia ficar ansiosa. Logo seria noite. Hermione estava certa de que enquanto houvesse luz poderia encontrar o caminho de volta ao lugar onde iriam acampar, mas não sabia se seria capaz de fazê-lo na escuridão. Era muito fácil perder-se nos bosques à noite.

E ainda por cima não estava certa de que o acampamento estivesse onde pensava. Não tinha perguntado, mas presumido. E se não estivesse ali e tivesse que procurar? Encontraria-o na escuridão? E mesmo se o fizesse, seria capaz de voltar a encontrar o caminho para trazer ajuda até seu marido?

Pensando naquilo, lembrou-se do som arrastado que ouviu antes da pedra despencar e do vulto que pareceu ver sumindo entre as árvores. Mordendo o lábio, levantou a cabeça e observou. O estranho som parecia indicar que a rocha havia sido deliberadamente empurrada e tinha visto alguém se afastando depressa. Por azar, não tinha visto a pessoa claramente para dizer sequer se era homem ou mulher. De qualquer forma, sugeria que não tinha sido um acidente o que indicava que deixar Draco sozinho para procurar ajuda não seria uma boa ideia.

A castanha preocupou-se ainda mais ao olhar para seu marido. Parecia tão indefeso deitado ali, inconsciente. Se não podia deixá-lo ali enquanto procurava ajuda, teria que ficar com ele ou encontrar uma maneira de carregá-lo.

Seu olhar voltou a deslizar pela clareira. Talvez fosse sua imaginação, mas parecia que estava mais escuro que momentos antes. De repente, notou um som entre as árvores do bosque. Sua parte sensata dizia que certamente eram bichinhos movendo-se, procurando os últimos restos de comida antes que acabasse o dia, mas uma parte menos sensata estava imaginando bandidos e espíritos dos bosques deslizando, preparados para atacá-la no momento em que o último raio de sol desaparecesse.

Uma brisa fria roçou sua pele e o cabelo, levantando várias mechas, e Hermione sentiu que seus lábios se comprimiam. Não tinha nenhuma vontade de ficar ali sozinha com seu marido inconsciente esperando que despertasse. Tinha que, de algum modo, conseguir colocá-lo em seu cavalo e encontrar o acampamento. Mas, como?

Seu olhar voltou à clareira novamente, procurando inspiração. Não havia como levar o homem até seu cavalo usando seus músculos. Somente virá-lo tinha sido um grande esforço. Levantá-lo e jogá-lo sobre sua sela… bom, simplesmente não podia fazer.

Um relincho suave atraiu sua atenção do outro lado da clareira onde sua égua, Beauty, assim como a montaria de seu marido, estavam esperando pacientemente que seus donos os reclamassem.

Os olhos da castanha se entrecerraram ao olhar os animais enquanto considerava suas opções e de repente estava de pé, cruzando o local uma vez mais.

Murmurou palavras suaves e ofereceu a cada cavalo um tapinha enquanto rapidamente soltava as bridas da árvore ao qual Draco os tinha amarrado. Foi suficiente para acalmar Beauty, mas o cavalo do loiro seguiu meneando a cabeça e dando passadas bruscas, enquanto ela o acariciava. Gostaria de saber o nome do animal. Por azar, se seu marido o tinha usado em sua presença não tinha prestado atenção, assim teve que tentar acalmar o animal antes de conduzir ambos os cavalos até onde estava seu marido. Hermione então amarrou as rédeas do cavalo de Draco a uma árvore próxima antes de conduzir sua égua até um lugar afastado do garanhão para que o cavalo maior ficasse entre o loiro e a égua.

O pedaço de corda que Draco, naquele dia, tinha amarrado nas rédeas da égua ainda estava lá. Hermione passou-o por cima do lombo do garanhão e depois rodeou rapidamente o animal para ver se era suficientemente longo para alcançar o chão onde estava deitado seu marido. Aliviada, tomou a corda e olhou seu marido.

Pensava que se amarrasse Draco com a corda e depois fizesse com que sua égua se afastasse, aquilo deveria içá-lo do chão e subi-lo até sua sela. Isso se o garanhão ficasse quieto e se sua égua cooperasse e fosse para trás quando ordenasse e depois se detivesse quando mandasse também. Senão, aquilo seria uma grande perda de tempo.

Afastando aqueles pensamentos negativos, começou a amarrar a corda ao redor dos pulsos do marido, mas logo se deteve para amarrar sua regata ao redor dos pulsos dele, quando compreendeu que a corda poderia machucá-lo. Uma vez satisfeita por ter feito tudo o que podia para evitar causar mais danos a seu marido, endireitou-se e rodeou a sua égua para começar a afastá-la do garanhão. Tentou observar o que estava acontecendo com seu marido enquanto estava com a égua, mas o garanhão estava no meio e depois de apenas dois passos, deteve a égua e correu para olhar. Os braços de Draco agora estavam erguidos, mas aquilo era tudo.

Fazendo uma careta, correu para sua égua e a animou a dar meia dúzia de passos daquela vez antes de retornar para observá-lo. Hermione estava contente por ter feito isso, quando viu o perigo que corria seu marido. Enquanto seu truque pareceu funcionar, e Draco estava meio erguido do chão com os pulsos quase encostados na sela, sua cabeça estava caída para frente justamente debaixo do ventre de seu cavalo. Mais dois passos e a nuca ficaria presa no estômago do cavalo e se ela tivesse continuado movendo a égua, erguendo-o… bom, ainda bem que havia parado para observar.

Deu ao garanhão uma suave carícia por ficar tão calmo durante a operação, e logo foi para junto de Draco para subir sua cabeça e jogá-la para trás para que não enganchasse no cavalo. De qualquer forma, assim que a soltou voltou a cair para frente.

Amaldiçoando, olhou ao redor, sua vista caindo sobre um ramo que estava a alguns passos. Tinha quase um metro de comprimento e uns dois centímetros de largura e deveria servir. Deixando que a cabeça do loiro caísse uma vez mais, correu para agarrar o objeto. Retornando ao seu lado, levantou-lhe a cabeça de novo, murmurou uma desculpa a seu inconsciente marido e tomando sua cabeça, afastou-lhe o cabelo, enquanto colocava o pedaço de pau sobre a parte superior dos braços. Então lhe soltou o cabelo. Um lento suspiro de alívio saiu de seus lábios quando sua cabeça se moveu para frente só para ver-se detida pelo ramo.

Satisfeita por ter resolvido o problema, apressou-se a rodear o garanhão para animar Beauty para que desse outros passos mais e assim continuou, animando à égua a dar uns passos e logo correndo para ver Draco, antes de voltar a repetir a ação. A estratégia levou muito mais tempo do que esperava e o sol se foi, seus últimos raios deixando uma luz sombria quando conseguiu posicionar seu marido de bruços, na sela.

Ansiosa para começar a mover-se antes que o pouco de luz que restava desaparecesse, Hermione rapidamente desamarrou a corda das rédeas da égua e se inclinou para agachar-se sob o garanhão de seu marido para amarrar o outro lado da corda em seus tornozelos para que não tivesse que temer se por acaso caísse do animal e tivesse que fazer tudo aquilo de novo. Uma vez que o teve amarrado, tomou as rédeas do garanhão e montou a sua égua.

Enquanto o sol se despedia, a lua se ergueu e na clareira ainda havia luz suficiente, quando por fim esporeou suavemente os flancos da égua e a animou a mover-se lentamente. De qualquer forma, o caminho junto ao rio tinha um bosque denso de um lado e árvores nas margens da água do outro lado. Era suficiente para parecer escuro e um pouco tenebroso, assim esporeou sua égua para que fosse um pouco mais rápido. Queria ir mais depressa, mas temia que ao fazê-lo sacudisse demais seu marido e este deslizasse da sela. Amarrado como estava, acabaria pendurando sob o ventre do cavalo, e havia o risco de que uma das patas o golpeasse, enquanto o animal trotava, e não desejava aquilo.

Mesmo assim Hermione teria gostado de ir mais depressa e notou que seu olhar deslizava nervoso sobre as escuras figuras que os rodeavam enquanto se moviam. Tinha a perturbadora sensação de que estava sendo observada enquanto colocava Draco sobre seu cavalo e, lembrando-se da figura no penhasco, seguiu olhando, preocupada, entre as árvores. Mas isso tornava a marcha mais lenta, assim se obrigou a ignorar e concentrar-se no que estava fazendo. Agora, olhava à escuridão que a rodeava com bastante ansiedade.

Não podia tirar da cabeça aquele som arrastado. Se não fosse por isso, poderia ter se convencido de que tudo tinha sido um acidente, mas o som sugeria que mover a pedra bruta tinha sido difícil. Alguém tinha empurrado a pedra com a intenção de atingir Draco. Não tinha nem ideia de por que alguém iria querer fazer isso, mas parecia que era a dedução mais lógica e gerava uma tonelada de preocupações e ansiedades em sua mente. Por que desejaria alguém matar Draco? E mais importante ainda, atacariam outra vez apesar de sua presença? Estavam o marido e ela em perigo?

Obrigou-se a respirar profundamente varias vezes para acalmar os nervos, dizendo-se que se quisessem atacá-los teriam feito na clareira, enquanto estava distraída tentando colocar o loiro sobre seu cavalo. Então se concentrou nos escuros arredores. Não tinha prestado muita atenção onde Draco tinha saído dos bosques para entrar no atalho junto à margem do rio, mas parecia que tinham percorrido o rio durante bastante tempo até chegar. Recordou-se que estava trotando muito mais lentamente agora que na ida, mas ainda estava preocupada se não teria passado por ele, sem ver.

Estava começando a pensar que deveria deter-se e voltar quando alguém saiu e se colocou no atalho diante dela. Nem o teria visto na escuridão se um raio de lua não se refletisse na espada que levava. Tensa como estava, não pôde conter um grito de surpresa enquanto puxava as rédeas de sua égua para fazer com que esta parasse.

— Minha senhora?

Hermione soltou o fôlego lentamente, envergonhada quando reconheceu a voz do escudeiro de seu marido.

— Arthur — suspirou com alívio.

— Sim, minha senhora — afastou sua espada e se aproximou da égua — Por que está sozinha? Onde está…? — a segunda pergunta acabou com um gemido quando o rapaz avistou seu senhor de bruços sobre a sela no segundo cavalo. De repente estava junto a Draco, erguendo sua cabeça para ver seu rosto. A voz trovejou, alarmado, quando perguntou — O que aconteceu?

— Alguém empurrou uma grande rocha, fazendo-a rolar do penhasco junto à clareira onde paramos para nos banharmos — disse a castanha sem rodeios.

— O que? — perguntou o jovem, voltando seu alarmado rosto para ela.

Hermione assentiu infeliz.

— Golpeou Draco no ombro e o atirou no chão. Bateu a cabeça em uma pedra quando caiu.

— Ele não está… — Arthur voltou a olhar para seu senhor, pensando se deveria dizer que o homem parecia morto.

— Nay, é obvio que não — disse ela sem hesitar, e desmontou prestativa.

Uniu-se ao homem ao lado de seu marido para ter certeza de que era verdade. O loiro estava vivo quando tinham saído da clareira, mas com as feridas na cabeça não podia ter certeza. Por sorte, ainda respirava. Colocou a mão diante do rosto dele para comprovar.

Hermione deixou cair sua mão e olhou para o rapaz.

— Que bom que veio. Estava começando a temer não achar o caminho de volta.

— Não aconteceria isso. Estamos logo adiante. A qualquer momento teria visto o fogo através das árvores.

A castanha ergueu uma sobrancelha e perguntou, curiosa.

— Para onde estava indo?

— Esvaziar o dragão — murmurou, seu olhar distraído ainda em seu senhor. Então, compreendeu o que havia dito e a olhou rapidamente — Quero dizer…

— Está bem — tranquilizou-o com o primeiro sorriso que tinha surgido em seu rosto desde que seu marido tinha sido golpeado e ficou inconsciente — Tenho irmãos que dão apelidos piores e não se importam em proferi-los em minha presença — Arthur não pareceu sentir-se melhor com suas palavras.

Hermione lhe deu um tapinha no ombro e voltou-se para tomar as rédeas de sua égua com uma mão. Não perguntou por que tinha a espada na mão ou se somente ia procurar um lugar para aliviar-se.

Teria ficado grata se tivesse uma espada durante aquele trajeto. Teria acalmado um pouco seus temores e suspeitava que este fosse o motivo para o homem carregá-la consigo.

Não querendo envergonhá-lo mais fazendo-o admitir, desejou-lhe boa noite e começou a animar os cavalos para que voltassem a avançar, mas o olhou surpresa, quando Arthur continuou ao seu lado.

— Vou acompanhá-la para que chegue a salvo — disse o rapaz, empertigando os ombros e erguendo a cabeça em uma posição que, imaginava ela, ele devia pensar que era bem máscula.

— Não há necessidade de se preocupar. Se estiver tão perto, encontrá-lo-ei. Pode ir cuidar de seus assuntos — animou-o serenamente, mas não se surpreendeu quando ignorou sua sugestão e continuou ao seu lado.

Caminharam não mais de meia dúzia de passos quando Hermione avistou o caminho e também o brilho do fogo através das árvores. Outro par de passos e o aroma da carne assada a alcançou e, deixando as árvores, entraram na clareira.

Os olhos da castanha se arregalaram quando observou ao seu redor. Fizeram muito enquanto Draco e ela estavam na cascata. Os cavalos tinham sido atendidos, capturaram-se muitos coelhos que estavam sendo assados sobre o fogo, e agora uma tenda se erguia na zona mais afastada da clareira. Arregalou ainda mais os olhos, surpresa ao ver o luxo que era a tenda e então se voltou para os homens que de repente tinham deixado de mover-se e estavam olhando-a com os olhos tão arregalados quanto os dela. E de repente todos começaram a mover-se e falar de uma vez só.

Hermione deu um passo para afastar-se da confusão de perguntas que lhe dirigiam. Foi um alívio quando Blaise apareceu de repente ao seu lado, sua voz mais alta e com mais autoridade que as dos outros quando perguntou:

— O que aconteceu?

— Acredito que alguém empurrou uma grande pedra em Draco depois que acabamos nosso banho — admitiu enquanto ele levantava a cabeça do loiro para olhar seu rosto. Então explicou o que tinha acontecido antes de acrescentar — Não vi a pessoa que empurrou a rocha, mas… — encolheu os ombros, infeliz.

Com a expressão sombria, Blaise assentiu e soltou a cabeça de Draco, permitindo que pendesse, enquanto se inclinava para desamarrar suas mãos e pés. Muitos homens deram um passo para ajudar a descer seu senhor da garupa de seu cavalo e então olharam para Zabini.

— A tenda —disse Hermione antes que ele pudesse responder.

Os homens imediatamente se dirigiram para lá com seu senhor e a castanha os seguiu.

O suave brilho das velas enchia a tenda quando entraram e Ginevra se endireitava depois de ter acabado de fazer uma cama de peles no chão. Quando se voltou para encontrar os homens que traziam para dentro um inconsciente Draco, seus olhos arregalaram-se pela surpresa e disparou em Hermione uma enorme quantidade de perguntas.

— Preciso de meus remédios — disse a castanha com serenidade enquanto esperava que os homens recostassem Draco nas mantas e saíssem do caminho.

Por sorte, não demoraram, e saíram da tenda assim que acomodaram seu marido. Imediatamente se ajoelhou ao seu lado, ansiosa ao ver como estava pálido.

— Tome.

Hermione olhou ao redor ao ver a ruiva segurando sua bolsa de remédios. Tomando-a com alívio, abriu-a e tirou vários bálsamos e unguentos.

— Devo rezar para que se cure ou para que não o faça? — perguntou Ginevra irônica.

A pergunta a surpreendeu, mas Hermione supôs que não deveria. Não estava exatamente exultante de felicidade com seu casamento naquelas últimas três semanas, e em sua noite de bodas a resposta teria sido simples: Reze para que morra e me liberte deste casamento. Mas as coisas mudaram. A castanha descobriu que gostava muito deste homem, e se tivesse oportunidade, pensava que poderia chegar a amá-lo… e tinha prometido que daria uma oportunidade à relação.

Soltando o ar lentamente, Hermione assentiu.

— Reze para que se cure.

— Imaginava.

Hermione notou o lento sorriso que foi aparecendo nos lábios da donzela. Entrecerrando os olhos perguntou:

— O que imaginava?

— Que está se apaixonando por ele.

A castanha empertigou-se de repente.

— Eu…

— Oh, não se incomode em negar. Observei-a olhando para ele nestas últimas semanas. Talvez ele beba um pouquinho demais a noite e arraste as palavras, mas não é como seu pai ou seus irmãos. Este é um homem. Não se livra de suas responsabilidades e as deixa para você. É justo com seu povo e se preocupa com eles, e isso se vê em tudo o que faz — assentiu muito séria e deu um tapinha em seu ombro — Ninguém é perfeito e ele é um bom homem apesar de beber. Vai tratá-la bem.

As palavras mal tinham saído de sua boca quando a cortina da tenda se abriu e Blaise entrou.

— Como vai? — perguntou o soldado.

— Ainda inconsciente — respondeu Hermione sombria, enquanto voltava a buscar entre seus remédios, procurando algo que pudesse usar.

Tinha um unguento que acalmaria a dor de seu ombro e o ajudaria a curar-se, mas estava mais preocupada com a ferida na cabeça. Por azar, havia pouco que pudesse fazer com isso exceto manter uma compressa fria para que baixasse o inchaço. O resto dependia de Draco.

*.*.*.*.*

Draco estava começando a pensar que tinha sido amaldiçoado. Tinha dores de cabeça durante as últimas três semanas. Na maioria das manhãs despertava com uma dor surda na parte de trás da cabeça. É obvio que nenhuma delas foi tão forte como a que teve na tarde em que arrancaram um dente, depois de entornar uma jarra de uísque… até agora. A dor que tomou conta dele, quando despertou e obrigou seus olhos a abrirem-se na tenda, foi seguramente tão forte quanto aquela, mas dessa vez estava focada na parte esquerda frontal da cabeça, e foi o suficiente para lhe fazer soltar um gemido enquanto voltava a fechar os olhos, tentando fazer com que a dor sumisse.

— Está acordado.

Aquela brilhante dedução soou como se tivesse saído dos doces lábios de sua esposa e o fez piscar e abrir os olhos de novo para encontrá-la inclinada sobre ele. Draco franziu o cenho quando a viu, não pela aliviada expressão de seu rosto, mas sim pelos escuros círculos sob seus olhos.

Estava a ponto de perguntar por que estava tão esgotada quando um ruído fez com que olhasse além dela para ver que estavam em sua tenda. Normalmente não se incomodava em levantá-la quando viajava sozinho, mas tinha decidido fazê-lo para tornar a viagem mais suportável para sua esposa. Aquele pensamento cruzou sua memória, fazendo-o recordar-se da viagem desse dia, de Hermione na cascata, e tudo o que tinha acontecido. Incluise a rocha caindo sobre ele.

— Como se sente? — perguntou a castanha.

Draco ficou muito surpreso ao escutar o tom de preocupação em sua voz. Embora estivessem se dando muito bem desde que consumaram seu casamento, as três semanas anteriores tinham sido um pouco difíceis e não ficaria surpreso caso o tratasse com indiferença, em vez de soar como se seu bem-estar lhe importasse.

— Dói minha cabeça — disse sinceramente e logo perguntou — Que horas são?

— Perto do amanhecer, acredito — respondeu ela, seu olhar movendo-se para a lona aberta da tenda onde a luz era visível. Então voltou-se de repente para pegar algo. Quando virou-se viu que era uma tigela com um líquido. Passou um braço por debaixo do pescoço, usou-o para erguê-lo e aproximou a tigela de sua boca, prometendo — Isto o ajudará com a dor de cabeça.

O loiro duvidou, mas abriu a boca e permitiu-se sorver um pouco da mistura. Imediatamente uma careta formou-se em seus lábios, sentiu a forte necessidade de afastar a beberagem, mas aguentou e bebeu tanto quanto pôde antes que seu estômago ameaçasse devolver tudo. Então levantou uma mão para dar a entender que já tinha sido bastante, aliviado quando ela afastou a taça e acomodou-o nas mantas.

Então Draco fez outra careta, seus lábios e língua movendo-se e esfregando-se contra os dentes num esforço para fazer sumir o asqueroso sabor que os impregnava.

— É horrível, sei, mas ajudará — disse Hermione, compassiva.

Ele só assentiu e fechou os olhos, esperando que diminuísse a dor aguda de sua cabeça.

Se a mistura da esposa fosse como as de Winky, sabia que deveria começar a funcionar depois de um quarto de hora, mais ou menos. E se era tão horrível quanto às de Winky, sem dúvida, funcionaria, pensou com asco, e se perguntou por que os bons remédios tinham que ter um gosto tão medonho.

Os momentos passaram lentamente para Draco. Tinha muitas perguntas que gostaria de fazer, mas sua mente estava dominada pela dor que o consumia e manteve a boca fechada. Pareceu passar um bom tempo antes de perceber que Hermione estava passando os dedos calmamente sobre sua fronte. Quando notou, o loiro soube que a beberagem estava começando a funcionar. Piscou e abriu os olhos, aliviado quando a dor não reapareceu e soltou um pequeno gemido e os fechou por mais alguns minutos. Mas quando começou a sentir vontade de aliviar-se, decidiu que era hora de levantar.

— O que está fazendo? — perguntou Hermione consternada quando ele começou a sentar-se — Volte a deitar, levou um golpe terrível na cabeça e esteve inconsciente por toda a noite. Tem que ficar quieto e deixar que seu corpo se recupere.

— Como disse, estive inconsciente toda a noite. É tempo suficiente para recuperar-me. Agora preciso me levantar — disse firmemente.

— Não tem nenhuma necessidade de se levantar — respondeu, colocando as mãos em seus ombros e empurrando-o, em um esforço para colocá-lo em posição horizontal.

Para sua total surpresa, a ação funcionou e Draco se encontrou caído de volta sobre as mantas e as peles. O fato de que estivesse tão fraco somente o instigou ainda mais a levantar-se. Sua esposa simplesmente manteve as mãos em seu peito, segurando-o no lugar. Aborrecido por sua própria fraqueza, admitiu:

— Preciso me aliviar.

— Ah — mordeu o lábio e olhou ao redor, logo fixou o olhar na tigela em sua mão — Talvez pudesse…

— Nem sequer sugira — disse ele, sombrio, certo de que ia dizer que deveria aliviar-se na tigela.

Talvez estivesse fraco, mas o inferno congelaria antes que fizesse algo assim.

Hermione afastou a tigela, e olhou-o um pouco impaciente.

— Muito bem, terei que ajudá-lo então.

Parecia extremamente aborrecida. Considerando que era sua cabeça que continuava doendo, Draco pensou que não digno de sua parte, mas então voltou a notar os círculos sob seus olhos e a palidez de seu rosto e pensou que tivesse todo o direito a estar irritada. De repente teve certeza de que não tinha dormido nada, mas sentada toda a noite vigiando-o como uma mãe vigia seus filhotes.

O loiro não estava certo de como se sentia sobre isso. Uma parte dele estava agradecida e feliz de que se importasse o suficiente para preocupar-se, e a outra estava aborrecida e pensava que deveria ter dormido e cuidado de si mesma. Começou a menear a cabeça por seus pensamentos contrários, mas se deteve no último momento e economizou a dor.

— Venha, deixe-me te ajudar — murmurou a castanha.

Draco pensou em rechaçar sua oferta, mas no momento em que se sentou a tenda mostrou uma terrível tendência a dar voltas, assim cedeu graciosamente e aceitou sua ajuda. Uma vez de pé, esperava poder arrumar-se sozinho, mas não conseguiu e teve que deixá-la lhe ajudar a sair da tenda.

— Aonde? — perguntou com um sussurro enquanto saíam para fora.

Ambos se viram obrigados a curvarem-se para sair pela abertura da tenda e a ação quase os fez estatelarem no chão. Certamente teria caído se sua esposa não se agachasse e girasse para que ele caísse sobre suas costas quando começou a cambalear.

Meneando a cabeça pelo estado em que se achava, Draco usou suas costas para equilibrar-se e logo a deixou colocar-se sob seu braço para lhe ajudar uma vez mais.

— Atrás da tenda — murmurou, ansioso para acabar com aquilo e retornar onde ao menos não necessitava ajuda.

Na verdade cair era sem dúvida a melhor coisa a fazer no momento, pensou ele, infeliz.

De fato sua mente não parecia estar muito disposta a pensar. Ali estava ele, cambaleando, incapaz sequer de caminhar direito, mas ao observar sua esposa, seus olhos pousaram no generoso decote e percebeu que o pequeno Draco também estava acordado, com a cabeça meio erguida e empurrando contra as calças.

Bom Deus, que diabos acontecia? - perguntou-se aborrecido consigo mesmo.

Desejar sua esposa era uma coisa, mas aquilo era ridículo. Anormal inclusive, estava certo.

A cabeça doía menos que antes, mas continuava latejando. Também estava tão fraco como um bebê e não deveria pensar em nada além de descansar. De fato, sua mente não o tinha… mas seu corpo sim.

— Que tal isto?

Draco afastou os pensamentos das ridículas exigências de seu corpo, ergueu o olhar e viu que enquanto estava ocupado pensando, sua esposa o tinha conduzido até um pequeno matagal.

— Está bem. Posso… que diabos está fazendo? — ofegou consternado quando rapidamente ela começou a encarregar-se de desamarrar suas calças.

O loiro tentou afastar-lhe as mãos, mas fraco como estava o esforço não teve muito êxito.

— Só estou tentando ajudar — disse aborrecida — Acredite, meu senhor, tenho certeza de que não tem nada mais em mente e que não está… Oh! — Hermione parou com as mãos rígidas quando a agora total ereção do marido ficou em evidência — Bom… isto é… talvez se sinta melhor do que pensava — murmurou.

— Posso cuidar disso agora — grunhiu, envergonhado e frustrado ao mesmo tempo. Sua cabeça latejava, o ombro estava inflamado e apesar das horas que esteve inconsciente, poderia dormir em pé naquele momento, e mesmo assim, o pequeno Draco estava erguendo-se como um mastro — Retorne a tenda. Voltarei quando tiver acabado — Hermione hesitou, mas então saiu debaixo de seu braço e esperou um pouco para estar certa de que não fosse cair, e afastou-se silenciosamente.

Aliviado por não ter nenhuma testemunha de sua humilhação, Draco se apressou a aliviar-se. Foi quando compreendeu que sua esposa não tinha obedecido e retornado à tenda como tinha ordenado. Afastou-se e estava brigando para voltar a colocar as calças em seu lugar quando, de repente, ela estava ali fazendo-o por ele.

— Posso me arrumar sozinho, obrigado, esposa — disse secamente.

Hermione o ignorou o tempo suficiente para acabar de amarrar os laços e então se levantou e o olhou muito séria antes de dizer.

— Tem que aceitar ajuda e conselhos dos outros, marido. Todos precisam de ajuda em um momento ou outro.

Draco a olhou, um lento sorriso curvando seus lábios, e então fez uma pequena reverência com a cabeça.

Touché.

Pensou que tinha avistado um pequeno sorriso formando-se nos lábios femininos, mas estava escuro e a castanha baixou a cabeça rapidamente para recolocar-se sob seu braço e começaram a caminhar para a tenda. Quando chegaram lá dentro Draco estava mais do que agradecido por sua ajuda. Jamais teria chegado sozinho. As pernas tremiam como uma corda esticada.

Assim que chegaram às peles, deixou-se cair em cima delas, com alívio. O loiro estava tão exausto que nem protestou quando Hermione se colocou junto a ele e pressionou a taça com seu asqueroso líquido contra seus lábios, mas simplesmente engoliu tudo, até que acabou. Quando o colocou de novo sobre as peles, fechou os olhos e dormiu imediatamente.